CÁPSULAS COM EXCIPIENTE NA FORMA DE PÓS
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- Manuel Gentil Figueira
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1 CÁPSULAS COM EXCIPIENTE NA FORMA DE PÓS Cápsulas são formas farmacêuticas sólidas nas quais uma ou mais substâncias medicinais e/ou inertes são acondicionadas em um pequeno invólucro ou receptáculo, em geral preparado à base de gelatina, podendo ainda ser dura ou mole. Essas substâncias medicinais podem ser de consistência sólida, pastosas ou líquidas Profa. Ms. Priscila Torres As cápsulas podem ser fabricadas de gelatina ou hidroximetilcelulose (HPMC). Mundialmente é utilizado as de gelatinas. As HPMC foram utilizadas em países que não faziam uso de MP animal devido a doença da vaca louca. VANTAGENS DA FORMA FARMACÊUTICA CÁPSULAS -Meio de administração de substâncias nauseosas ou sabor desagradável; -Paredes das cápsulas (gelatinosas) são digestíveis e liberam rapidamente os medicamentos após ingestão; -Devido à elasticidade da parede das cápsulas, apresentam facilidade maior de deglutição quando comparadas aos comprimidos; -Fácil administração e possível transporte. DESVANTAGENS DA FORMA FARMACÊUTICA CÁPSULAS - Fármacos higroscópicos; - da (densidade aparente) baixa, isso dificulta a introdução do pó em cápsulas. Baixa densidade aparente porque o volume é muito alto então não cabe dentro das cápsulas; - O controle do processo de liberação de fármacos não pode ser modificado, porque depende muito mais de excipientes diferentes ou de uma tecnologia diferente e mais avançada; Materiais: - Os invólucros são feitos de misturas de gelatina podendo conter pequenas quantidades de corantes, de materiais que tornem o invólucro opaco, plastificantes e conservantes. Gelatina Conservante microb. Corante Plastificante (propilenoglicol) Duras (contém materiais sólidos ou semi-sólidos) Moles (contém materiais líquidos ou semi-sólidos) - Gelatina é um produto obtido pela hidrólise parcial de colágeno obtido pela pele, tecido conjuntivo branco e de ossos de animais. Comercializada na forma de pó fino ou grosso, tiras, flocos. ALGUNS PROBLEMAS COM A GELATINA: - Formação de filme: dependendo da qualidade da gelatina, pode formar microbolhas (irregularidades); Pode levar ao rompimento antes da hora (esôfago), podendo causar esofagite ou formações de úlceras. - Encefalopatia bovina: doença provocada por um microorganismo que não morre no processo de fabricação de cápsulas. - Vegetarianos: se recusam a usar gelatina (proveniente de animais) Incentivos para produção de cápsulas de HPMC (hidroxipropilmetilcelulose) 1
2 MÉTODO DE PRODUÇÃO - As máquinas automáticas usadas para produção de invólucros têm mecanismos que imergem automaticamente, rodam, secam, removem os invólucros, aparam as arestas e juntam as duas partes do invólucro; - Os pinos de inox são os responsáveis pelas dimensões dos invólucros; - Os pinos giram para que a gelatina se distribua uniformemente sobre a sua superfície, ao mesmo tempo que uma corrente de ar frio gelifica a gelatina; - Os pinos passam por uma série de estufas de ar quente para remoção gradual e controlada da água; - Os invólucros são removidos dos pinos por maxilas de bronze e aparados por lâminas estacionárias, até comprimento adequado; - Após terem sido aparadas as duas partes são reunidas e ejetadas da máquina. OBSERVAÇÕES: -A espessura da parede do invólucro é controlada pela viscosidade da solução, pela velocidade e tempo de imersão. - No armazenamento, as cápsulas não podem estar em ambientes muito úmidos ( melam ) e nem muito secos ( trincam ) - Técnicas de preparo com corante são bem utilizadas pela indústria, combinando as partes do invólucro com cores diferentes ou não, obtendo-se cápsulas bonitas e distintas. Padronização de medicamentos; Aderência ao tratamento. TAMANHO DE CÁPSULAS -As cápsulas são fabricadas em vários tamanhos, com diferentes comprimentos, diâmetros e capacidade. - O tamanho selecionado para uso é determinado pela quantidade de material a ser encapsulado. - Uma inovação recente no desenho das cápsulas são as de gelatina dura CONI-SNAP (possibilita o travamento da cápsula pelo sulco) A densidade e a compressibilidade de um pó ou mistura de pós determinam a quantidade a ser colocada em um invólucro de cápsula!!! Não existe regra que prevê o tamanho adequado de cápsula!!! Experimental! Na prática, existem cápsulas vazias que variam de 000 (maior) a 5 (menor) e são comercializadas na forma simples e coloridas. Nº Caps ml 000 1, ,95 0 0,67 1 0,48 2 0,37 3 0,27 4 0,20 5 0,13 Adjuvantes que vão favorecer: Biodisponibilidade Funcionalidade (preparação) Estabilidade Pode existir excipientes para cápsulas pós, granulado ou semi-sólido Excipiente na forma de pó: mistura de pós simples, formando pó composto. Preenchimento da cápsula dura. Para preparação de cápsulas de duras deve seguir as etapas: 1. desenvolvimento e preparação da fórmula e seleção do tamanho da cápsula; 2. Enchimento da cápsula; 3. Limpeza e polimento das cápsulas cheias. Fármaco Composição Diluente Desintegrante Lubrificante Tensoativo Corante Observações: -Cápsulas gelatinas duras servem para encapsular entre 65mg a 1g de material pó. - Para obter uma distribuição uniforme do fármaco + excipientes, o ideal é que se tenha a da e tamanho da partícula similares. 2
3 1. DILUENTE - Utilizado para aumentar o volume da mistura se necessário para preencher o volume da cápsula. - Solúveis tendem a acelerar o processo de dissolução do fármaco e acabam sendo usados, também, como desintegrantes. Toda substância que tem o coeficiente de solubilidade alto SOLÚVEL! Ex. Açúcares: sacarose, lactose, dextroses, manitol, sorbitol, frutose; Cloreto de Sódio; Carbonatos, fosfatos e sulfatos de cátions monovalentes. - Insolúveis: é toda substância que tem coeficiente de solubilidade baixo. Em geral, dificultam a liberação e dissolução do fármaco. Ex.: Amido, carbonatos, fosfatos, sulfatos, talco - Hidrodispersível: tem afinidade pela água, que formam uma dispersão coloidal. Ex.: CMC, Veegum, Carbopol, Kaolin, gomas, PVP Catalisadoras da reticulação da gelatina!!! - Além destas substâncias, a reticulação é catalisada pela umidade e luz! - Hidrodispersíveis. Existem alguns fatores que podem interferir: -ph, -Calor Estas substâncias também podem ser usadas como: Ag. Emulsivo 2º (emulsão) Agregante (grânulos) Ag. Viscosificante (emulsões, gel e suspensão) Ag. Suspensor (suspensão) Modular - dissolução -Peso molecular -Coeficiente de solubilidade - As moléculas vão se desprendendo dependendo do coeficiente de solubilidade. Para isso, às vezes é necessário agitação para que não fique saturado e às vezes apenas agitação não é suficiente, portanto é necessário aquecer. Com estas propriedades (camada de difusão), podemos trabalhar com a modulação terapêutica, através de adjuvantes da formulação. Por exemplo: - Se utilizamos um diluente solúvel, este não interfere ação rápida; -Se utilizamos um diluente insolúvel, pode ter um sistema lento de liberação; - Se utilizamos um diluente hidrodispersível, forma um gelificado que vai prolongar o sistema de liberação. BIODISPONIBILIDADE E DISSOLUÇÃO DO FÁRMACO!!! [ ] DOS DILUENTES! 2. DESINTEGRANTE: - Se refere à desintegração da cápsula. Devido a gelatina ou HPMC serem hidrossolúveis, é necessário que o desintegrante seja osmoticamente ativo, favorecendo a desintegração da cápsula. Podem ser: Desintegrante hidrodispersível Age por dilatação absorvem água e aumentam o volume. Geralmente são polímeros hidrodispersíveis, mas não são solúveis. Vai depender do ph do polímero e formará um gel. - Solúveis ou Hidrodispersíveis Solúveis são melhores por serem mais osmoticamente ativos, mas sempre lembrar da questão volume de meio biológico disponível no local de absorção do fármaco. Ex. Lactose, PEG, açúcares (tb catalisam o processo de reticulção) Dm = D A Dt h Dissoulção molecular(dm) Taxa dissolução (Dt) Difusão da partícula (D) (depende tb do peso molecular) Área de superfície (A) Camada de difusão ao redor da partícula (h) h (espessura) 3
4 3. LUBRIFICANTE: - Utilizado para facilitar o processo de preenchimento e melhorar a mistura de pós. Insolúveis: ác. Graxos, sais, ésteres graxos, álcoois graxos. -Lembrar de verificar se não há incompatibilidade com o fármaco. Solúveis: PEG, dióxido de silício 4. TENSOATIVOS ou agentes molhantes: - Quebra a tensão superficial. Geralmente é usado para o lubrificante e não para o fármaco (lubrificante hidrofóbico, adere à superfície de todas as partículas e dificulta a dissolução). Ex. Lauril sulfato de sódio. 5. CORANTES: -Facilitam macroscopicamente a homogeneidade da mistura. -Podem ser do tipo: AZO induz reticulação (+ reações alérgicas) LAKA pouco solúvel (- reações alérgicas) 6. OUTROS: -Secantes ou absorventes: utilizados para fármacos muito higroscópicos. -Acidificantes ou alcalinizantes (sistemas tampões): modificam o ph na camada de difusão do fármaco. QUANTIDADE DE FÓRMULA A SER PREPARADA - Calcular a quantidade necessária da mistura de pós para preencher o número desejado de cápsulas. Separa o número de cápsulas vazias a serem enchidas. Com a mistura de pós já pronta e separada em uma placa de vidro, ou gral, ou papel, faz-se o preenchimento do tabuleiro com as cápsulas vazias e com auxílio de uma espátula, vai transferindo a mistura de pós para o tabuleiro de modo a preencher as cápsulas por camadas iguais, até que termine toda mistura de pós. Seleção do tamanho da cápsula - O ideal é sempre tentar manter a menor cápsula e o menor número de doses, para garantir aderência ao tratamento pelo paciente. O tamanho da cápsula depende da formulação, ou ainda dependendo da situação ou necessidades do paciente, a formulação pode ser alterada de acordo com o tamanho da cápsula. - A cápsula produzida corretamente deve ter o corpo cheio com a mistura, envolvido com a tampa, de modo a manter o conteúdo encapsulado. ENCHIMENTO DA CÁPSULA 1. Padronização das partículas do fármaco para garantir a uniformidade das partículas, para não interferir na absorção e na biodisponibilidade; 2. Pesar cada uma das substâncias para fazer 100 cápsulas (exemplo); 3. Mistura dos componentes seguindo a ordem crescente de volume em escala geométrica; 4. Escolha da cápsula: Qual é o volume de uma unidade de dose que ocupa a cápsula? Supondo que a massa total da mistura de pós é de 47,008g = 100 cápsulas. Tarar a proveta e transferir o pó para a proveta. Supondo que pesou-se 5 g que correspondeu a 3,2 ml. 3,2 ml 5g x 0,47008 g x = 0,3 ml cápsula nº 2 = 0,37 ml 0,30 ml 0,07 ml preenchido com diluente. 4
5 Selecionar excipiente usado na formulação sem o fármaco (inerte). Colocar dentro da proveta com o auxilio de um funil, uma quantidade aproximada de 2ml e determinar a massa. Tamanhos disponíveis de cápsulas para uso oral em humanos Supondo que 2mL de excipiente inerte, correspondeu a 1,5g. 2 ml 1,5g 0,07 ml x x = 0,052 g por cápsulas x 100 = 5,2g 5,2g é a quantidade de diluente que eu terei que adicionar para completar o volume das 100 cápsulas. MODELO DE ENCAPSULADORA MANUAL LIMPEZA E POLIMENTO DAS CÁPSULAS - As cápsulas cheias podem apresentar pequenas quantidades da formulação aderida às paredes externas do invólucro. Deve ser removido antes de embalar ou dispensar o medicamento -Melhorar aparência -Preservar qualidade de ser insípida. -Em pequena escala, as cápsulas podem ser limpas individualmente ou em pequeno número com auxílio de pano limpo do tipo SONTARA. - Em grande escala, a máquina que faz enchimento já faz limpeza das cápsulas com auxílio de um aspirador acoplado que remove o material estranho. Inspeção, contagem, embalagem e armazenamento de cápsulas CONTROLE DE QUALIDADE da forma farmacêutica acabada Mesmo produzidas em pequena ou grande escala, as cápsulas devem ser submetidas à testes de potência e uniformidade, além da inspeção visual ou eletrônica, para garantir que não tenham falhas quanto à integridade e aparência. Devem apresentar forma, coloração e enchimento uniformes Mesmo lote!!! - Acondicionamento: recipientes de vidro ou plásticos com sachês de sílica gel para evitar excessiva umidade. Mantidas em local fresco e seco. Cálculo do Fator de Correção (Fcr) Fcr = 100 teor da substância ou elemento Exemplo: Betacaroteno 11% FCr = 100 = 9,
6 Cálculo do Fator de Correção (Fcr) De Umidade Para correção da umidade, a partir do teor de umidade indicado no certificado de análise: Fcr = teor de umidade Exemplo: Metotrexato 8% de água ou umidade Fcr = Fcr= 1,09 FATOR DE EQUIVALÊNCIA (FEq) A aplicação do cálculo de fator de equivalência no preparo de medicamentos, a partir de forma química diferente daquela com o qual ele é expresso, é uma questão fundamental no dia-a-dia do farmacêutico magistral. O Fator de Equivalência (FEq) é utilizado para fazer o cálculo da conversão da massa do sal ou éster para a do fármaco ativo, ou da substância hidratada para a anidra. Para calcular o Fator de Equivalência (FEq), é preciso usar o Equivalente- Grama das substâncias envolvidas. Divide-se o Equivalente-Grama do sal pelo Equivalente-Grama da base ou o Equivalente-Grama da substância hidratada pelo Equivalente-Grama da substância anidra. Exemplo: Equivalente-Grama do sal (sulfato de salbutamol): 288,35 g. Equivalente-Grama da base (salbutamol): 239,31 g. FEq = Eqg do sal / Eqg base = 288,3 / 239,315 = 1,20. Equivalente-grama do sal (cloridrato de ranitidina): 350,87 g Equivalente-grama da base (ranitidina): 314,41 g Feq = 350,87/314,41 = 1,12. FATOR DE EQUIVALÊNCIA (FEq) Matéria-prima disponível na forma de sal: Feq = Equivalente-grama sal Equivalente-grama base Matéria-prima disponível na forma de base hidratada: Feq = Equivalente-grama base hidratada Equivalente-grama base anidra 6
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