DERMATOSES OCUPACIONAIS
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- Fernanda Lagos Mirandela
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1 DERMATOSES OCUPACIONAIS
2 SINAN DOENÇA RELACIONADA AO TRABALHO / DERMATOSES OCUPACIONAIS Código (CID10): L98.9 Afecções da pele e do tecido subcutâneo, não especificados SINAN
3 DERMATOSES OCUPACIONAIS Ano Acidente de trabalho grave Acidente de trabalho com exposição a material biológico Lesões por esforços repetitivos (LER/DORT) Perda auditiva induzida pelo ruído (PAIR) Dermatoses ocupacionais Câncer ocupacional Total Fonte: DIEESE (2016)
4 DERMATOSES OCUPACIONAIS Representam parcela considerável das doenças ocupacionais 60% das doenças ocupacionais nos países industrializados, sendo as substâncias químicas a causa mais frequente No Brasil ocupam a 5º posição de acordo com MS e 7º segundo o INSS
5 DERMATOSES OCUPACIONAIS PROBLEMA : automedicação diagnóstico errado Acometimento principal: mãos, antebraços, braços, pescoço, face e pernas A maioria dos casos não são patologias severas mas interferem tanto na vida profissional como na social
6 DERMATOSES OCUPACIONAIS Patologias: Dermatite de contato Fitodermatite Acne (elaioconiose e cloracne) Ceratose Câncer Granuloma de corpo estranho Infecções Oniquias Ulcerações Dermatites de contato representam 90% Dermatite artefacta
7 DERMATOSES OCUPACIONAIS Definição: é toda alteração de mucosas, pele e seus anexos que seja direta ou indiretamente causada, condicionada, mantida ou agravada por agentes presentes no trabalho (ALI, 2001) Causas: indiretas diretas
8 CAUSAS INDIRETAS 1- idade 2- sexo 3- etnia 4- ambientais (exposição solar, temperatura, umidade) 5- outras patologias (dermatose pré existente) 6- higiene (pessoal e do ambiente) 7- condições de trabalho (postura, uso EPI)
9 CAUSAS INDIRETAS IDADE: Os trabalhadores mais jovens são mais afetados devido à inexperiência profissional e por ter epiderme mais fina ETNIA Menos comuns em negros e asiáticos, especialmente efeitos da radiação UV SEXO Igual Mulheres apresentam quadro menos graves e de remissão mais rápida ANTECEDENTES MÓBIDOS Dermatite atópica mais suscetíveis aos agentes irritantes
10 CAUSAS DIRETAS 1- agentes físicos: radiações não ionizantes, calor, frio 2- agentes químicos: irritantes cimento, solvente, óleos de corte, detergentes. ácidos e álcalis alérgenos aditivos da borracha, níquel, cromo e cobalto como contaminantes do cimento, resinas, tópicos 3- agentes biológicos: bactérias, fungos, leveduras, vírus e insetos
11 DIAGNÓSTICO* 1- Identificação do paciente; 2- Anamneses clínica e ocupacional; 3- Exame físico; 4- Hipótese diagnóstica; 5- Diagnóstico diferencial; 6- Exames complementares; 7- Visita ao ambiente de trabalho; 8- Informações fornecidas pelo empregador. * FISHER, 2001; BIRMINGHAM, 1998
12 DIAGNÓSTICO 1- O quadro clínico é compatível com dermatite de contato? 2- Ocorre no ambiente de trabalho exposição a agentes irritantes ou potencialmente alergênicos? 3- Existe nexo entre o início da dermatose e o período de exposição? 4- As lesões estão localizadas em áreas de contato com os agentes suspeitos? 5- Há melhora com afastamento e/ou piora como o retorno à mesma atividade? 6- É possível excluir a exposição não ocupacional como fator causal? 7- É possível por meio de testes epicutâneos, identificar o provável agente causal? * 5 respostas positivas apresentam forte suspeição
13 CRITÉRIOS PARA AFASTAMENTO* Grau 1: não existe limitação do desempenho ou limitação apenas para poucas atividades da vida diária. Não é necessário tratamento ou tratamento intermitente Grau 2: existe limitação do desempenho para algumas atividades da vida diária. Tratamento intermitente ou constante pode ser requerido Grau 3: existe limitação do desempenho para muitas atividades da vida diária. Tratamento intermitente ou constante pode ser requerido Grau 4: existe limitação do desempenho para muitas atividades da vida diária que podem incluir confinamento dentro de casa. Tratamento intermitente ou constante pode ser requerido Grau 5: existe limitação do desempenho para maioria das atividades da vida diária que podem incluir confinamento dentro de casa. Tratamento intermitente ou constante pode ser requerido * Critérios adotados pelo AMA Doenças Relacionadas ao Trabalho. Manual de Procedimetnos para Serviços de Saúde, 2001.
14 DERMATITE CONTATO 2 tipos: irritativa e alérgica. Razão 4:1 Apresentação: eczematosa e não eczematosa Eczematosa apresenta 3 fases: Aguda (eritema, edema, vesiculação, bolhas e exsudação) Subaguda (exsudação e crosta) Crônica (xerose, descamação, queratose, liquenização e fissura) Não eczematosa (mais raro) Desidrose (metais e óleos de corte) Dermatite liquenoide de contato (cobre, níquel, resina epoxi) Urticária (látex, alimentos, plantas, preservativos e fragâncias) Vitiligo químico (hidroquinona) Erupçãp purpúrica (branqueadores de roupas) Eritema polimorfo (pesticidas, plantas)
15 DERMATITE IRRITATIVA DE CONTATO (DIC) 80% Exposições sucessivas ou não Restrita à área de contato (mão dominante e região palmar) Substâncias são classificadas como irritativas absolutas ou relativas. Característica da substância Concentração da substância Tempo de exposição
16 DERMATITE IRRITATIVA DE CONTATO (DIC) Clínica DIC por substância irritativa absoluta aguda (eritema, edema, necrose, bolhas, crostas e ulcerações) DIC por substância irritativa relativa crônica Cimento: composição (silicatos, aluminatos de cálcio, óxidos de ferro e magnésio, álcalis e sulfatos) Não é sensibilizante contaminação com metais (cobalto / cromo hexavalente) sensibilizadora abrasivo, alcalino e higroscópico tempo de contato, pressão e atrito (ph elevado quando molhado)
17 DERMATITE IRRITATIVA DE CONTATO (DIC) Detergentes Óleos e gorduras Principais DIC Solventes: cetonas, hidrocarbonetos Cosméticos Produtos químicos: arsênio, bromo, cromo, cimento, flúor inseticidas Plantas Corantes
18 DERMATITE ALÉRGICA DE CONTATO (DAC) Reação inflamatória tipo IV (imunidade celular) dividida em 3 fases: indução da sensibilização; desenvolvimento; e, resolução Indução da sensibilização: pelo menos 1 semana Áreas expostas ou não à substância sensibilizadora Tempo diferente de lesão por exposição prévia Aparecimento abrupto Intensidade e extensão da lesão A DIC favorece o desenvolvimento da DAC
19 DERMATITE ALÉRGICA DE CONTATO (DAC) A DAC apresenta pior prognóstico que a DIC A cronicidade do quadro: exposição ao cromo e ao níquel Clínica Pode apresentar as três fases de evolução do eczema
20 DERMATITE ALÉRGICA DE CONTATO (DAC) Metais Adesivos AGENTES Cosméticos (fabricação/manipulação) Corantes Alimentos (fabricação/manipulação) Plantas Outros agentes
21 Diagnóstico DIC/DAC Exames laboratoriais podem contribuir para o diagnóstico das DO, porem, nenhum desses recursos substitui uma boa anamnese, o exame físico cuidadoso e o conhecimento por parte do profissional dos principais produtos e seus riscos, potencialmente presentes no trabalho, capazes de provocar dermatoses. O teste de contato (TC) ou teste epicutâneo (patch test) e o principal recurso laboratorial, que permite diferenciar DCI de DCA. Os TCs são feitos mediante a colocação de substâncias já padronizadas, preferencialmente, no dorso do individuo, com leitura após 48 e 96 horas
22 DERMATITE DE CONTATO COM FOTOSSENSIBILIZAÇÃO (DCF) Fotodermatose: Fotodermatite ou Lúcide UV ou espectro visível da luz 2 quadros: fototoxicidade e fotoalergia PROFISSÕES Agricultores Marinheiros Trabalhadores da construção civil Trabalhadores em plataformas submarinas Pescadores Soldadores Boias-frias Salva-vidas
23 DCF (Fototóxica) Apresentação semelhante à DIC por substância irritativa absoluta (aguda). Exemplo: sumo de frutas cítricas Eritema tardio e edema podem aparecer em até 2 dias Áreas expostas: face, ponta da orelha, pescoço, nuca, face volar dos antebraços e dorso das mãos Fototoxicidade: A- base não imunológica B- dose-resposta C- intensidade da reação proporcional à concentração da substância e à quantidade de radiação
24 DCF (Fotoalérgica) Apresentação semelhante à DAC (3 fases das lesões eczematosas). Exemplo: drogas modificadas pela exposição à luz UVA As lesões podem se estender para além das áreas expostas Quadro crônico: discromias e espessamento da pele. Complicação grave é a reação persistente à luz Fotoalergia: A- base imunológica B- sensibilização prévia por exposição simultânea a substâncias fotossenbilizadoras e à radiação adequada
25 Diferença fototóxica e fotoalérgica FOTOTÓXICA BASE NÃO IMUNOLÓGICA AGENTE UV OU ESPECTRO DE LUZ VISÍVEL ÁREA EXPOSTA FOTOALÉRGICA BASE IMUNOLÓGICA AGENTE PRINCIPALMENTE UVA PODE SER EM ÁREA NÃO EXPOSTA REQUER CONFIRMAÇÃO DIAGNÓSTICA COM EXAME COMPLEMENTAR (FOTOTESTE) Diagnóstico diferencial: LE Erupção polimorfa à luz
26 DROGAS SISTÊMICAS AMIODARONA METILDOPA PROPRANOLOL TETRACICLINA SULFONAMIDAS FOTOSSENSIBILIDADE ÁCIDO ACETIL SALICÍLICO PIROXICAN METROTREXATE CLOROQUINA TIAZIDAS FUROSEMIDA ISOTRETINOINA DROGAS TÓPICAS CETOCONAZOL PROTETORES SOLARES (PABA) DERIVADOS DE PETRÓLEO: COALTAR, PIXE CORANTES: AZUL DE METILENO FITOFOTODERMATITES: PSORALÊNICOS
27 ERUPÇÕES ACNEIFORMES Fisiopatologia: obstrução dos folículos pilosos com irritação e infecção secundária Duas formas de apresentação Elaioconiose folicular Cloracne
28 Dermatite folicular 3 formas clínicas: Papulosa Pustulosa Mista Áreas expostas ou cobertas por vestimentas sujas Metalúgicos óleo de corte Mecânicos graxa Apresentação: comedões e pápulas foliculares e pústulas ELAIOCONIOSE
29 CLORACNE Cloracne > poluentes orgânicos persistentes (POPs) como hidrocarbonetos clorados e dioxinas Em 10 de setembro, o líder da oposição ucraniana teve de ser tratado na capital austríaca por especialistas que registraram um quadro clínico estranho, com pancreatite, gastrite aguda e inflamação muscular. Depois de uma semana de tratamento, as feições do político se desfiguraram, seu rosto foi coberto por pústulas e acne, e seu nariz se alargou. Yushchenko sofre de terríveis dores nas costas (TCDD)
30 CÂNCER Agentes físicos (radiação ionizante/não ionizante), químicos (arsênio, nitrosaminas) e biológicos (HPV) Apresentação mais comum: carcinoma basocelular e espinocelular Clínica: área exposta, tumoração papular ou nodular Lesão ulcerada Associação entre dermatite actínica e linfoma das células T (?)
31 REFERÊNCIAS: 1. MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Atenção à Saúde Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. DERMATOSES OCUPACIONAIS p Alchorne M.M.A. Dermatoses ocupacionais: An Bras Dermatol, 2010; 85 (2): Araujo, J. et al. Dermatite artefacta simulando vasculite necrotizantehttp:// a11.pdf 4. Motta, A. A. et al. Dermatite de contato.
DERMATOSES OCUPACIONAIS
DERMATOSES OCUPACIONAIS Representam parcela considerável das doenças profissionais Autotratamento Tratamento no ambulatório da empresa Clínicos externos Serviços especializados Dermatites de contato (alérgicas
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