Balança de Pagamentos
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- Martim Candal Varejão
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1 Balança de Pagamentos
2 Conceitos e Rubricas
3 Definições Registo sistemático que se destina a medir as transacções económicas que se estabelecem entre os residentes (sectores internos) e os não residentes (exterior), durante um determinado período de tempo contabilístico. Residentes: aqueles cujo centro principal de interesse económico se fixa em Portugal, estando sujeitos ao controlo das autoridades económicas nacionais Período de tempo contabilístico: mês/ano Transacções económicas: transferência de valor económico entre agentes económicos classificadas segundo a sua natureza económica transferências bilaterais versus transferências unilaterais
4 Principais Rubricas Mercadorias Serviços Rendimentos (de trabalho e de investimento) Transferências Correntes (públicas e privadas) Transferências de Capital (públicas e privadas) Aquisição/cedência de activos não financeiros não produzidos Investimento directo de Portugal no exterior do exterior em Portugal Investimento de carteira de Portugal no exterior do exterior em Portugal
5 Principais Rubricas Outro Investimento Sectores residentes não monetários Autoridades monetárias Instituições financeiras monetárias (Bancos) Derivados financeiros Activos de reserva (activos cambiais, direitos de saque especiais, ouro monetário, )
6 Registo Contabilístico das Transacções
7 Registo Contabilístico Utilização do método digráfico ou das partidas dobradas: a um Crédito corresponde sempre um Débito. Exemplos de registo a crédito exportação de mercadoria IDE em Portugal transferência financeira da UE Nestes casos, haverá uma entrada (directa ou diferida) de meios de pagamento e, em função disso, um outro registo a débito Exemplos de registo a débito importação de mercadoria IDE de Portugal no exterior transferência financeira para a UE Nestes casos, haverá uma saída (directa ou diferida) de meios de pagamento e, em função disso, um outro registo a crédito
8 Contas de Contrapartida Outro Investimento Variação das Disponibilidades e Responsabilidades de Curto Prazo dos Bancos corresponde ao efeito das operações autónomas com o exterior sobre as disponibilidades e responsabilidades de curto prazo dos bancos Activos de Reserva Activos Cambiais correspondem à variação das disponibilidades relacionadas com reservas das Autoridades Monetárias, no âmbito das operações que estas promovem para afectar as taxas de câmbio
9 Contas de Contrapartida Registo nestas contas: Crédito: saída de meios de pagamento dos bancos resultante de transacções autónomas ou saída de meios de pagamento sob a forma de reservas oficiais Débito: entrada de meios de pagamento dos bancos resultante de transacções autónomas ou entrada de meios de pagamento sob a forma de reservas oficiais Nota: a contrapartida de uma dada operação autónoma pode consistir numa entrada/saída de financiamento (em lugar de saída/entrada de meios de pagamento) o registo de contrapartida implica, então, a movimentação de uma rubrica da chamada Balança Financeira (operações não monetárias)
10 Exemplos
11 O Saldo da Balança de Pagamentos: saldo global versus saldos parcelares
12 Saldo global versus saldos parcelares Uma vez que cada operação gera um registo a débito e um registo a crédito, o saldo global da balança de pagamentos é, por definição, nulo Ao agrupar as transacções económicas em grupos homogéneos, torna-se possível definir sub-balanças e determinar saldos parcelares (Saldo = Crédito Débito) A noção de equilíbrio económico está associado à definição de saldos parcelares
13 Identidade Contabilística BP = Bal. Corrente + Bal. Capital + Bal. Financeira = 0 Bal. Corrente + Bal. Capital + Bal. Financeira (operações não monetárias) = - Bal. Financeira (operações monetárias)
14 Balança de Pagamentos e Mercado Cambial
15 BP e Mercado Cambial Se Bal. Corrente + Bal. Capital + Bal. Fin. (não monet.) < 0: saída líquida de meios de pagamento dos bancos (registo a crédito) excesso de procura de moeda estrangeira / excesso de oferta de moeda nacional se as autoridades monetárias não intervêm, a moeda nacional deprecia-se até que aquela expressão se torne nula (depreciação => aumento de X, diminuição de Q, ) e os activos de reserva não se alteram se as autoridades monetárias intervêm para evitar a depreciação da moeda nacional, compram esta e vendem divisas, fazendo diminuir os activos de reserva (registo a crédito)
16 BP e Mercado Cambial Exemplo - considerando o conjunto dos registos efectuados anteriormente: K10(c) = [K5($) + K7($) + K9($)] - [K1($) + K3($) + K4($) + K6($) + K8($)], K10(c) Variação das Disponibilidades e Responsabilidades de Curto Prazo dos Bancos. Se K10(c) > 0, então: Bal. Corrente + Bal. Capital + Bal. Financeira (não monetária) < 0. Isto é: há uma saída líquida de meios de pagamento dos bancos e possivelmente uma pressão no sentido da depreciação da moeda nacional.
17 BP e Mercado Cambial Caso pretendam evitar a depreciação da moeda, as Autoridades Monetárias deverão intervir no Mercado Cambial: Compram moeda nacional e vendem divisas no montante de K10(c) (operação compensatória). Então: Activos de Reserva (Cambiais) diminuirão no montante de K10(c) (registo a CRÉDITO).
18 D ÉBITO C RÉDITO SALDO (1) BALANÇA DE B ENS E SERVIÇOS MERCADORIAS (BALANÇ A COMERCIAL) K2 K1 K1 -K2 SE RVIÇOS Transportes, viagens e turismo, outros serviços (ex.: postais), operações governamentais (ex.: embaixadas) (2) BALANÇA DE R ENDIMENTOS DE TRABALHO DE INVESTIMENTO (3) TRANSFERÊNCIAS C ORRENTES PÚBLICAS PRIVADAS K3 K3 (4 ) B ALANÇA C ORRENTE = (1)+(2)+(3) (5) T RANSFERÊNCIAS DE C APITAL PÚBLICAS K4 K4 PRIVADAS (6) A QUISIÇÃO /C EDÊNCIA DE A CTIVOS NÃO PRODUZIDOS NÃO F INANCEIROS (7) B ALANÇA DE C APITAL = (5)+(6) (8) INVESTIMENTO D IRECTO DE PORTUGAL NO EXTE RIOR DO EXTERIOR EM PORT UGAL K8 K8 (9) INVESTIMENTO DE C ARTEIRA DE PORTUGAL NO EXTE RIOR K9 -K9 DO EXTERIOR EM PORT UGAL (10) O UTRO INVESTIMENTO Sectores Residentes Não Monetários K7 K2 K2 -K7 Empréstimos financeiros, créditos comer - ciais, reembolsos, depósitos. Autoridades Monetárias Instituições Financeiras Monetárias (Bancos) K1($) K3($) K4($) K5 K6($) K8($) K10( C) K5($) K6 K7($) K9($) -K1($) - K3($) - K4($) - K5+ K5($) + K6 K6($) +K7($) K8($) +K9($) -K10(c) (11) D ERIVADOS F INANCEIROS (12) A CTIVOS DE R ESERVA ACTIVOS CAMBIAIS K10( C) K10( C) DIREITOS DE SAQUE ES PECIAIS POSIÇÃO DE RESERVA N O FMI OURO MONETÁRIO (13) B ALANÇA F INANCEIRA = ( 8)+(9)+(10)+(11)+(12)
19 Capacidade / Necessidade de Financiamento
20 Capacidade / Necessidade de Financiamento da Nação Cap./Nec. Financiamento Nação = B. Corrente + B. Capital Esta definição corresponde à equivalente dada pela Contabilidade Nacional (ver exercício, questão 8)
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