O COMPLEXO UNIVERSO DA DEPENDÊNCIA QUÍMICA
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- Raphael de Paiva Carreiro
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1 CAPA
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3 O COMPLEXO UNIVERSO DA DEPENDÊNCIA QUÍMICA Organizadores Maria Taís de Melo Fernando José Spanhol Maritê Inez Argenta 1ª edição Palmas - TO Unitins 2012
4 GOVERNO DO ESTADO DO TOCANTINS Governador José Wilson Siqueira Campos Secretário de Educação Danilo de Melo Souza FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DO TOCANTINS Reitor Joaber Divino Macedo Vice-Reitor Fernando José Spanhol Pró-Reitora Pró-Reitora de Pró-Reitor de Graduação Extensão e Pós-Graduação de Pesquisa Denise Sodré Dorjó Fátima Ribas Joseano Carvalho Dourado Coordenação editorial e revisão linguístico-textual Silvéria Aparecida Basniak Schier Projeto gráfico e capa Rogério Adriano Ferreira C736 O complexo universo da dependência química / organização de Maria Taís de Melo; Fernando José Spanhol; Maritê Inez Argenta; autores, Deyse Silvia Botelho Barbosa... [ et al. ]. 1. ed. Palmas: Editora UNITINS, p.; 21x14,8 cm. ISBN Dependência química. 2. Drogas. I. Fundação Universidade do Tocantins. II. Melo, Maria Taís de. III. Spanhol, Fernando José. IV. Argenta, Maritê Inez.
5 APRESENTAÇÃO O tema dependência química tem despertado atenção e está no cerne de debates e pesquisas na área da saúde, pois o uso de substâncias químicas traz inúmeras consequências, como traumatismos, lesões neurológicas, tumores e transtornos mentais. Todos os profissionais da saúde, da educação e de áreas afins, no exercício de suas atividades, terão, em alguns momentos, contato com usuários que apresentam transtornos decorrentes da dependência química. Entretanto poucos profissionais são capacitados para o atendimento desses usuários durante sua formação acadêmica e não se sentem capazes de realizar diagnóstico e de atuar em ações preventivas nessa área. O resultado desse processo acaba sendo o paciente tratado das complicações secundárias ao uso de substâncias psicoativas. Com isso, as causas primárias acabam sendo negligenciadas, e, consequentemente, o paciente não recebe orientação adequada para o seu processo de tratamento. Pelo exposto, torna-se necessária a capacitação adequada de profissionais a fim de que possam prestar ao usuário e a seus familiares um tratamento com eficiência e eficácia. Acredita-se que o acesso à construção de novos conhecimentos é uma forma de prevenção e de incentivo ao tratamento. Sabe-se que, se já é difícil o acesso à informação qualificada aos profissionais da saúde mental que lidam diretamente com essa problemática, mais inacessível é ainda para os outros profissionais, principalmente os educadores. Partindo dessa premissa, em 2010, no município de São José em Santa Catarina, iniciou-se o projeto Prevenção à Dependência Química, que realizou, como primeira ação, um curso de aperfeiçoamento em dependência química, com carga horária de 180 horas, no maior hospital público de Santa Catarina, o Hospital Regional de São José-Homero de Miranda Gomes. Na sequência, foram realizados cursos com trezentos profissionais da educação do município de São José e duzentos do município de Palhoça. Também houve capacitação de toda a rede de saúde de São José, mais de setecentos profissionais. Esse trabalho foi realizado com a parceria da Associação de Amigos do Hospital Regional (AAMHOR), da Receita Federal de Santa Catarina e das prefeituras de São José e Palhoça com a coordenação do Instituto para Formação Continuada em Educação (IFCE). 5
6 Em 2011, a Fundação Universidade do Tocantins (Unitins) entrou nesse consórcio pela vida e ofereceu o curso em sete municípios de Santa Catarina e sete do Tocantins. Para 2012, almeja levantar recursos para implantá-lo em seus 257 polos no Brasil. Esta coletânea é fruto do trabalho realizado durante esses três anos do projeto de extensão e está dividida em três partes: em um primeiro momento, são apresentados trabalhos de alunos do curso de Aperfeiçoamento em Dependência Química do Hospital Regional de São José (SC). Na segunda parte, expõem-se relatos da experiência do curso em SC e no Tocantins. Na terceira parte, apresentam-se dois relatórios de pesquisa elaborados por alunos da Unitins. Com essa metodologia articulam-se, nesta obra, as Pró-Reitorias de Ensino, Pesquisa e Extensão. Maria Taís de Melo Coordenadora do curso de Prevenção à Dependência Química 6
7 SUMÁRIO PARTE I Artigos de alunos do curso de Aperfeiçoamento em Dependência Química - Hospital Regional de São José - SC Cuidando do cuidador: uma proposta de intervenção nas equipes multiprofissionais nas comunidades terapêuticas...11 Do prazer à dor: a trajetória de buscas e perdas no universo da dependência química...16 Representação social do alcoolismo evidenciado nos atendimentos do Serviço Social...24 Uso de morfina por profissionais da Saúde...31 Cocaína como desencadeante do infarto agudo do miocárdio...37 PARTE II Relatos do projeto de extensão Prevenção à Dependência Química desenvolvido em Santa Catarina e no Tocantins Relato do projeto piloto em Santa Catarina...45 A articulação do ensino, da pesquisa e da extensão na construção de uma política social no combate à dependência química...55 PARTE III Relatórios de pesquisa realizados por alunos do curso de Serviço Social EaD da Fundação Universidade do Tocantins Relatório do polo de Joinville - SC...80 Relatório do polo de Criciúma - SC
8 Parte I Artigos de alunos do curso de Aperfeiçoamento em Dependência Química - Hospital Regional de São José - SC 8
9 CUIDANDO DO CUIDADOR: UMA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO NAS EQUIPES MULTIPROFISSIONAIS NAS COMUNIDADES TERAPÊUTICAS Deyse Silvia Botelho Barbosa Resumo Dado às peculiaridades do processo de cointernação dos cuidadores em Comunidades Terapêuticas e por representarem um grupo quase sempre com muitas demandas internas e pessoais a serem resolvidas em seus próprios tratamentos e/ou após a eles, este artigo pretende abordar reflexões de como melhor assistir os cuidadores nas Comunidades Terapêuticas. O objetivo é que eles possam reafirmar seus propósitos de abstinência e ter melhor qualidade de vida, visando à administração das frustrações e das interdições de forma que não lhes cause instabilidades e retrocessos ao propósito de abstinência. Além disso, o artigo descreve estratégias para tratamento para dependentes de substâncias psicoativas no modelo da Comunidade Terapêutica, bem como reflete sobre programas de assistência e apoio aos cuidadores de tal forma que lhes viabilizem melhor qualidade de vida, desenvolvimento pessoal, profissional e emocional. Palavras-chave: Comunidade Terapêutica, cuidadores, abstinência e qualidade de vida. Introdução Segundo Marlatt (1999), a maioria das Comunidades Terapêuticas absorve como cuidador de dependentes químicos outros dependentes em processo de recuperação que passaram pelo processo de tratamento e reabilitação semelhante e estão abstinentes. Essas pessoas trazem de suas trajetórias experiências múltiplas, ricas e contextualizadas que muito servirão para respaldar as atividades propostas nos 9
10 programas de tratamento. Por outro lado, em função das condições de trabalho com jornadas ininterruptas, nível de exposição a situações de desgaste e dinâmicas que muito lembram os momentos difíceis do seu próprio tratamento, ressalta-se a importância de serem assistidos psicologicamente para que os fatores externos não coloquem em risco o tratamento daqueles que estão aos seus cuidados, como também deles próprios. Marlatt (1999) descreve que, mesmo desfrutando de descansos e folgas regulares, durante o período em que estão assistindo os internos, muitos dos cuidadores se institucionalizam, ou seja, fazem da Comunidade Terapêutica sua única opção de rede social, privando-se do mundo real e vivendo 24 horas confinados nesse espaço com receio de retomar suas vidas. Este artigo tem como principal objetivo descrever estratégias de cuidados e atendimentos psicológicos aos cuidadores de dependentes de substâncias psicoativas no contexto da Comunidade Terapêutica, visando a melhorar sua prática profissional e sua qualidade de vida. Além disso, objetiva viabilizar a elaboração de procedimentos metodológicos junto aos cuidadores que ampliem sua capacidade de tomada de decisões e assertividade, fomentando a importância do acompanhamento de cuidadores de dependentes químicos, suas relações com os outros integrantes da Equipe Multidisciplinar e suas relações com as pessoas atendidas na Comunidade Terapêutica. 10 Cuidando do cuidador Nas Comunidades Terapêuticas, a base do atendimento está nos saberes e nas práticas coletivizadas, integradas e consolidadas a partir de propostas de trabalhos organizados na integralidade das ações. Por isso Comunidades Terapêuticas quase sempre diferem de outros espaços terapêuticos. Totugui (2003) relata que há uma sobrecarga psíquica enfrentada pelos cuidadores, com visíveis desgastes emocionais, físicos e funcionais mais intensos advindos das longas jornadas de trabalho. O autor ainda comenta que o fato de se concentrar quase sempre em uma única pessoa (pela falta de pessoal técnico especializado) a instância capaz de resolver inúmeras demandas, às vezes muito complexas e diversificadas, aliadas a impactos emocionais conflituosos e jornadas de trabalho intenso, faz dos cuidadores de Comunidades Terapêuticas pessoas
11 com níveis de estresse muito elevado. A convivência diuturnamente com aqueles a quem assistem traz a necessidade de ajuda terapêutica, pois de fato esses colaboradores se desgastam continuamente fazendo com que essa exposição prolongada seja um fator de risco relevante a si próprio, à equipe técnica desses espaços, bem como a todos os assistidos. É de fato uma cointernação e, por isso, traz uma infinidade de situações quase sempre densas em problemas de toda ordem e de níveis de gravidade elevados, o que precisa ser repensado. Assim, uma proposta de programa de assistência a cuidadores de Comunidades Terapêuticas se faz necessário, pois visa à melhoria do desempenho profissional. Nesse sentido, há necessidade de ampliação dos saberes técnicos, metodológicos e administrativos, como também assistência psicológica sistematizada, o que permitiria a apropriação de condutas conciliatórias e mediadoras aliadas à melhor divisão de tarefas e à diminuição da sobrecarga psíquica. A partir dessa proposta, é necessário inserção de outros profissionais de diferentes formações à equipe responsável pelo processo de assistência a dependentes químicos e a possibilidade de garantir a preservação e a ampliação da qualidade de vida desses colaboradores. Colaboradores desses espaços terapêuticos alternativos também buscam pautar suas ações terapêuticas na qualidade técnica, na eficiência e na ética, sem abrir mão do acolhimento, do respeito e da solidariedade a cada uma das pessoas que buscam nesses centros o restabelecimento integral de sua vida focada na funcionalidade e na melhoria de qualidade vida. Assim, faz-se necessário que os gestores das Comunidade Terapêutica atendam à demanda dos cuidadores de tal forma que os afazeres técnico-administrativos e cuidados pessoais, mesmo em diferentes contextos do tratamento possam encontrar respaldo de tal sorte que resulte na viabilização de melhorias técnicoprofissionais, éticas e humanas focadas na ampliação e na consolidação da qualidade de vida pessoal e profissional. Faz-se necessário que se levantem e se analisem questões relevantes no exercício das atividades do cuidador de dependentes químicos no contexto das Comunidades Terapêuticas, para que se amplie a capacidade de tomada de decisões, sua assertividade e qualidade de vida. A elaboração de procedimentos psicoterapêuticos em atendimento aos cuidadores de dependentes químicos pode contribuir para melhoria 11
12 não só de seu desempenho e de sua eficiência, mas também da qualidade de vida. Programas de atendimentos a cuidadores poderiam oferecer um suporte suplementar que visaria ao fortalecimento de suas resiliências, respaldando o enfrentamento dos desafios diários próprios desse espaço. Ao sugerir-se o acompanhamento psicológico aos cuidadores por meio de atividades psicoterápicas voltadas às questões relacionadas ao desempenho profissional, à tomada de decisões, à assertividade, bem como assistência à melhoria da qualidade de vida desses indivíduos, quer-se viabilizar minimização em sua sobrecarga psíquica e possibilidade de melhoria da assistência que prestam aos internos nesse contexto. Ressalta-se também a importância da possibilidade de ampliação da capacidade de resolução de problemas de todas as ordens no contexto de suas vidas pessoais, profissionais, familiares e sociais. Paralelamente a essas ações psicoterápicas, sugere-se a formulação de um programa de educação continuada relativo às várias facetas da dependência química, o que ampliaria o entendimento sobre elementos importantes nem sempre tão claros, como: alterações psicológicas, neurológicas e comportamentais de dependentes químicos no curso da dependência e nos processos de abstinência; estudo ampliado das comorbidades psiquiátricas relacionadas à dependência química e às formas de intervenção incluindo as várias abordagens psicológicas e farmacológicas; estudo dos mecanismos de defesa e das formas de desmobilização; estudo dos processos de ampliação da motivação para o tratamento e para a manutenção da abstinência; abordagem de redução de danos e da prevenção à recaída. Segundo Marlatt (1999), as Comunidades Terapêuticas vêm respondendo a uma pluralidade de necessidades. O autor ainda afirma que apenas a intervenção ou a recuperação do corpo biológico não têm respondido de forma plena às necessidades de saúde, pois vão além e demandam por uma atenção que leve em conta a integralidade do ser humano, a qualidade de vida e a promoção da saúde. 12 Considerações finais A necessidade de ações de atendimentos dirigidos a cuidadores internos em Comunidades Terapêuticas, de tal forma que os ajudem na realização de suas tarefas cotidianas, ao mesmo tempo que permitam
13 a ampliação da capacidade de tomada de decisão e assertividade ao lidarem com situações diárias próprias desse espaço, ficou evidenciada no decorrer deste artigo. Conclui-se que essa situação ocorre porque a maioria dos cuidadores fica imersa no ambiente terapêutico de alta tensão, por longas e exaustivas jornadas de trabalho e exposta a inúmeras e diversificadas demandas. Conclui-se ainda que essas ações devem incluir acompanhamentos psicológicos por meio de atividades psicoterápicas voltadas às questões relacionadas ao desempenho profissional e pessoal, possibilitando a minimização da carga de sofrimento psíquico e, consequentemente, a redução do nível de estresse e ansiedade. Essas ações podem resultar na melhoria da assistência que prestam aos internos, bem como facilitar a resolução de problemas no contexto da vida pessoal, profissional, familiar e social. Outro aspecto relevante observado é a necessidade de atualização constante das várias facetas e abordagens da dependência química. A elaboração de um programa de formação continuada viável e possível de ser sistematizado em Comunidades Terapêuticas poderia ser uma preocupação e um ponto de honra para gestores e terapeutas. Isso de fato poderia resultar em melhoria do desempenho funcional e técnico desses operadores, bem como revisões, ampliações e melhorias contínuas do processo de tratamento nesse espaço terapêutico. Referências MARLATT, G. A. Redução de danos: estratégias práticas para lidar com comportamentos de alto risco. Trad. Daniel Bueno. Porto Alegre: Artes Médicas, TOTUGUI, M. L. Visão histórica e antropológica do consumo de drogas. In: BUCHER, R. O. (Org.). As drogas e a vida: uma abordagem biopsicossocial. São Paulo: CORDATO-EPU,
14 DO PRAZER À DOR: A TRAJETÓRIA DE BUSCAS E PERDAS NO UNIVERSO DA DEPENDÊNCIA QUÍMICA Salete Laurici Marques Dias Resumo Este artigo trata dos fatores que favorecem a aproximação de indivíduos a substâncias psicoativas e da trajetória de perdas vivenciadas quando o uso continuado torna-se um quadro de dependência química. Os objetivos são levantar os facilitadores de acesso ao consumo, demonstrar o conjunto de dificuldades e/ou perdas que o dependente químico experimenta em sua vida social e familiar, bem como abordar as possíveis formas de tratamento em dependência química. A abordagem é feita por meio de uma pesquisa bibliográfica aliada à experiência profissional da autora. Palavras-chave: dependência química, perdas, tratamento. 14 Introdução A dependência química é um tema possível de ser abordado sob diversas nuances. Neste artigo, buscaremos refletir sobre o que leva a pessoa a buscar e introduzir o uso das substâncias psicoativas em sua vida, conceituar os estágios do uso até a dependência e demonstrar o conjunto de perdas no aspecto da saúde, da vida social e familiar do dependente químico. Abordaremos ainda as linhas de tratamento à dependência e as dificuldades de acesso ao tratamento. Este estudo foi feito a partir de uma pesquisa bibliográfica, procurando contribuir com os demais profissionais da área. Enquanto profissional da Saúde e atuando como assistente social na emergência geral de um hospital público de grande porte, é comum o contato e a abordagem com pessoas envolvidas com a dependência química. Essa experiência leva-nos a perceber que essas pessoas trilham caminhos semelhantes: seja na fase da aproximação e do encantamento com as substâncias psicoativas, no tempo que levam mascarando o
15 seu uso como se fosse algo que não lhes trouxesse maiores danos, ou quando se percebem dependentes já estão vivenciando problemas físicos, emocionais, familiares e sociais de difícil resgate. O que motiva o ingresso no consumo de drogas Por que tantas pessoas de diferentes faixas etárias e cada vez mais cedo se deixam seduzir pelo álcool, pelo tabaco, por outras drogas ilícitas ou por medicações que causam dependência? O que o usuário busca? Que ganhos se podem obter com o uso? Há elementos facilitadores do uso no estilo de vida atual? A aproximação com as drogas começa com a experimentação início do uso que pode ser uma curtição com os amigos, pela simples banalização do uso (como o caso do álcool, que é servido livremente em festas e confraternizações familiares), por comportamento aprendido (quando o uso é padrão familiar), ou até por prescrição médica, no caso das medicações que causam dependência. É evidente que nem todas as pessoas que experimentam drogas tornam-se dependentes. Entre a experimentação e a dependência, há um processo em que o indivíduo passa a fazer uso repetido, desenvolve tolerância 1, até estabelecer um comportamento compulsivo de consumo. A grande armadilha é que, para se tornar dependente, não há um tempo certo ou uma quantidade limite de consumo preestabelecido, e não raro indivíduos que já desenvolveram um padrão abusivo do uso de substâncias psicoativas creem, fantasiosamente, que podem parar a qualquer momento, sem qualquer sofrimento ou complicação, retardando a percepção de si mesmos como dependentes. A ciência já provou que droga é fonte de prazer, e talvez seja esse o principal motivo de aproximação e encantamento. As substâncias psicoativas geram reações no sistema nervoso central que libera sensações de prazer ao indivíduo. No relato de dependentes químicos que já tiveram suas vidas arrasadas pelo consumo compulsivo de drogas, fica evidente que os curtos momentos de prazer proporcionados pela droga é um preço muito alto na relação custo-benefício, em que a droga gera um prazer momentâneo em troca de uma escravidão permanente. 1 Tolerância é a necessidade de doses crescentes de uma determinada substância psicoativa para alcançar efeitos originalmente obtidos com doses mais baixas. 15
16 A sociedade atual tem sido marcada por grandes revoluções sociais e tecnológicas, como se a rotação da terra tivesse sido acelerada. Na vida social, mudanças significativas ocorreram nas relações de trabalho, na configuração e no funcionamento familiar, exigindo do indivíduo adaptações e estabilidade para experienciar conflitos, competitividade, frustrações e estresse. Tudo isso são elementos a serem pontuados na discussão sobre a dependência química. Diante desse panorama, a utilização de drogas pode manter-se na vida das pessoas como um meio de fuga da realidade, ou anestesiante das situações de estresse. Pode inclusive estar associada a enfermidades como depressão ou outros transtornos psiquiátricos, causando comorbidade 2 ou simplesmente motivada pelo sentimento de inabilidade que o indivíduo atribui a si mesmo diante das dificuldades do dia a dia. Evidentemente, nessa segunda possibilidade, o indivíduo percebe que a utilização da droga em nada lhe auxilia na resolução dos problemas, mas pode possibilitar-lhe um caminho de fuga. 16 A dependência gerando perdas Ingressar no caminho da dependência química é como montar um álbum de figurinhas, em que cada peça é o registro de uma perda importante: de uma pessoa amada ou dos pais que fez sofrer, de um vínculo que se rompeu, de um emprego que se perdeu, de uma confiança que foi quebrada, de uma agressividade gratuita, de um filho que não se viu crescer ou não ajudou a formar, de um(a) companheiro(a) que ficou no caminho, de um patrimônio que se esvaiu, de sonhos que se perderam, da saúde que se destruiu, enfim, de dias amargos de sofrimento. Por conta de tudo isso, o dependente começa a trilhar um caminho solitário como se as outras pessoas deixassem de fazer parte de sua trajetória, num caminho de dormir e acordar na escuridão. O processo do olhar voltado para si se constitui em um momento muito doloroso na maioria dos casos. Junto com a dependência química, o indivíduo desenvolve habilidades para mascarar seu uso e para obter a próxima dose. Com isso, sedimenta desvios de conduta que lhe permitem mentir, omitir, difamar ou roubar, até 2 Comorbidade é a ocorrência conjunta de dois ou mais transtornos mentais ou com outras condições clínicas gerais. A presença de comorbidades entre os usuários de álcool e outras drogas tem sido demonstrada pela literatura médica.
17 que se torne não confiável aos olhos das outras pessoas, em que melhor é não o ter por perto para evitar problemas. Considerando que a confiança é um componente importante nas relações familiares, amorosas e sociais, o dependente químico acaba propiciando seu próprio isolamento. Esses desvios de conduta costumam ser responsáveis pela perda dos vínculos empregatícios e pela marginalização social do dependente químico. Não raro também afeta as relações familiares, embora a família seja, geralmente, a última a largar de mão. Esse abandono também acontece num processo doloroso levando à quebra de vínculo e ao sofrimento de todos. Há uma relação bastante estreita entre dependência química e situação de marginalidade (no sentido de se colocar à margem das regras e do convívio social), derivando daí a imagem negativa que a sociedade vincula ao dependente como bandido, criminoso, ladrão, assassino. Essa imagem limita a compreensão de que dependência química é uma doença e não fraqueza do dependente. É comum o dependente químico colocar-se diante de todas as mazelas geradas pela dependência como vítima da incompreensão dos outros e até buscar, na conduta alheia ou em acontecimentos inevitáveis, motivação para manter-se dependente. Esses sentimentos fazem parte das estratégias de fuga e de negação da responsabilidade pelos seus atos. Nesse ínterim, corroboramos com Laranjeira (2010, p. 8) quando coloca que [...] o uso de substâncias começa com um ato voluntário e a pessoa tem grande responsabilidade pelo seu comportamento e também pela sua recuperação. Portanto, ter uma doença cerebral com essas características não exime de responsabilidade o dependente. A busca por tratamento A busca por tratamento é um capítulo à parte na trajetória do dependente químico, podendo ser tão penosa quanto a própria dependência. Laranjeira (2010, p. 5) expõe que, Na área de tratamento, as pesquisas já avançaram muito nos últimos anos e temos condições de fornecer um sistema efetivo e eficaz para a doença chamada dependência química, no entanto, o 17
18 acesso a um tratamento de qualidade para a maioria da população ainda é um sonho distante. O despertar para o tratamento pode ser motivado pelas perdas já sofridas, como numa atitude desesperada de resgatar família, emprego, dignidade e a si mesmo, ou quando o dependente se percebe como um escravo de sua compulsão e deseja a mudança. Pode também ser motivado por uma atitude de sobrevivência, quando o dependente se sente ameaçado, coagido ou temoroso pela sua vida, necessitando afastar-se temporariamente do circuito de consumo (muito comum o relato de dependentes químicos em débito com os fornecedores de drogas que buscam vagas em locais de internação prolongada sob o argumento de estarem ameaçados de morte). Casos severos com alto grau de consumo de substâncias psicoativas, em que o dependente não consegue mais se responsabilizar pela própria segurança ou imprime risco a terceiros, justificam internações compulsórias, seja pela ação da família ou do Estado. Independente do contexto que motiva a busca por tratamento, o dependente frequentemente se depara com a escassez de vagas e de serviços/instituições, principalmente se tiver pouco ou nenhum recurso financeiro e depender exclusivamente das vagas sociais, subsidiadas por convênios dos municípios ou do Sistema Único de Saúde (SUS). Linhas de tratamento Podemos apresentar algumas formas de tratamento em dependência química: internação, atendimento ambulatorial e grupos de mútua ajuda. Na internação, o dependente entra em pronta abstinência e passa a receber tratamento medicamentoso (seja para contenção, diminuição da fissura ou comorbidades) e/ou psicoterápico, afastandose do contexto que o levava ao uso sistemático de droga. As instituições que promovem internação são hospitais especializados, hospitais gerais, clínicas ou Comunidades Terapêuticas. Há no meio médico diferentes posicionamentos quanto à necessidade de internação. Franco Júnior (2010, p. 1) argumenta que se trata de 18 [...] alternativa, de caráter extremo, deve ser sopesada por equipe multiprofissional habilitada, de
19 acordo com o grau de dependência do paciente. [...] muitas vezes, o tratamento somático e psicossocial bem ajustado, no plano doméstico em ambulatorial, é capaz de inibir o uso de drogas, manejar a fissura, orientar sobre as possíveis recaídas e recuperar pessoas, mas que a internação é, quase sempre, evocada pela família como a primeira e única forma de saída para a crise gerada pelo comportamento desregrado de um de seus membros. A grande maioria das vagas para internação em dependência química se faz nas chamadas Comunidades Terapêuticas, instituições que têm seu regulamento técnico regido pela Resolução da Diretoria Colegiada RDC 101 da ANVISA, de 30 de maio de As Comunidades Terapêuticas são instituições de internação e atenção a pessoas com transtornos decorrentes do uso ou do abuso de substâncias psicoativas, são unidades que têm por função a oferta de ambiente protegido, com responsabilidade técnica, durante período predefinido por programa terapêutico. A crítica que se faz às Comunidades Terapêuticas, tanto pelos estudiosos do assunto quanto pelos próprios internos e familiares, é o forte apelo religioso e até conversão por vezes exigida aos usuários e a aplicação de métodos terapêuticos questionáveis, como trabalho forçado e castigos. Tais métodos sugerem a necessidade de maior fiscalização dos órgãos reguladores. É preciso destacar, porém, que as Comunidades Terapêuticas são responsáveis por muitas histórias de sucesso e que a expansão delas é uma tendência mundial. O acesso às Comunidades Terapêuticas é regido pelo número de vagas disponíveis e também pelas possibilidades de custeio do tratamento. Ou seja, são instituições que, mesmo vinculadas a congregações religiosas e não governamentais, cobram pelo tratamento, pois ofertam serviço de hotelaria e equipe técnica. Assim, o dependente químico que não dispõe de recursos próprios ou da família precisa recorrer às pouquíssimas vagas sociais ou vagas conveniadas pelos municípios, em que é comum a permanência em fila de espera. Na linha ambulatorial, há serviços vinculados a hospitais públicos, geralmente comandados por ambulatórios de psiquiatria, grupos terapêuticos ou atendimento individual em instituições particulares e vinculadas aos núcleos de formação de acadêmicos de Universidades. Enquanto política de Estado, o carro chefe de atendimento ambulatorial são os CAPS (Centros de 19
20 20 Atenção Psicossocial) 3. Nem todos os CAPS têm a especificidade de tratar/acompanhar dependentes químicos. Essa particularidade está firmada apenas aos CAPS AD, e boa parte dos municípios brasileiros ainda não dispõe desse serviço. A grande vantagem do atendimento ambulatorial é que o dependente pode dar continuidade às tarefas do dia a dia, como trabalho, cuidado com os filhos e outros afazeres, e também pode manter em segredo, se assim desejar, que está em tratamento (alguns dependentes temem melindres nos locais de trabalho ou preferem omitir de pessoas sua condição de dependente químico). Para alguns profissionais da área, o tratamento ambulatorial é mais efetivo do que a internação, por tratar a pessoa sem tirá-la do ambiente no qual ela vive. No atendimento ambulatorial, o usuário de substâncias psicoativas tem acesso ao tratamento medicamentoso, ao controle da abstinência, evitando crises e orientações para esquivar-se de recaídas. A terceira linha de tratamento refere-se aos grupos de autoajuda, que são organizados por ex-dependentes e têm como base a troca de experiências e o aconselhamento, por vezes reforçados por princípios religiosos. Os grupos de autoajuda não seguem uma teoria específica, mas são extremamente eficientes e colecionam histórias bem sucedidas. O material humano e o relato da história de vida de outras pessoas que vivenciaram problemas semelhantes e construíram estratégias de se manterem abstinentes atuam como elemento terapêutico. Os grupos já renomados são os AA (Alcoólicos Anônimos), que se destinam a pessoas alcoolistas, os NA (Narcóticos Anônimos), para dependentes químicos, o Amor exigente e Al-Anon, para familiares de dependentes, e o Alateen, para adolescentes. Independente da modalidade de tratamento escolhida ou possível de ser acessada pelo dependente químico, o grande motivador e responsável pelo alcance do controle da dependência e pela abstinência é o próprio 3 Os CAPS são políticas de atendimento do Ministério da Saúde decorrente da luta antimanicomial e da reforma psiquiátrica brasileira. São regulamentados pela Portaria 336/GM e são unidades integrantes do SUS. Estão dispostos nos municípios de acordo com a faixa populacional assim distribuída: CAPS I - para municípios com populações entre e habitantes; CAPS II - para populações entre e habitantes; CAPS III - acima de habitantes (este é o único que funciona 24 horas, incluindo feriados e fins de semana); CAPSi - atende a crianças e adolescentes (até 17 anos de idade); e CAPS AD - atende a usuários de álcool e outras drogas cujo uso é secundário ao transtorno mental clínico.
21 dependente, o qual precisa se ver como ator principal desse processo e não como coadjuvante. O médico, a equipe terapêutica, a família, os amigos, todos desenvolvem papel importante no tratamento, mas ninguém pode fazer pelo dependente químico o seu afastamento das drogas, é quase como dizer que o sucesso depende de si mesmo, de sua capacidade de perseverança e de autocontrole. Considerações finais A dependência química é uma doença que afeta e degrada o indivíduo de forma evolutiva e em diversos aspectos. O dependente químico aproximase das substâncias psicoativas em busca de sensações que lhe proporcionem prazer, estímulo e quiçá habilidades que julgue não possuir. O acesso tende a se tornar cada vez mais necessário a ponto de se tornar o foco de sua existência. Além da degradação a nível físico-neurológico, a dependência química é capaz de afetar significativamente as relações sociais e afetivas do indivíduo, podendo propiciar completo isolamento e quebra de vínculos familiares. Essa situação condiciona ao dependente o papel de prisioneiro solitário. O processo de tratamento representa, em primeiro plano, um resgate de si mesmo e o enfrentamento das perdas vivenciadas pela dependência. O tratamento, não raro, precisa ser conquistado, uma vez que a oferta por meio da rede de saúde pública é deficitária. Por fim, tantas quantas tenham sido as tentativas de tratamento e as recaídas, acreditamos que sempre vale a pena reinvestir no tratamento e acreditar na possibilidade do resgate: seja de si mesmo, de uma pessoa da família ou de um cliente de nossa atuação profissional. Referências FRANCO JÚNIOR, Raul de Mello. Internação compulsória para tratamento de alcoólatras e dependentes químicos Disponível em: <www. adroga.casadia.org>. Acesso em: 30 nov LARANJEIRA, Ronaldo. Legalização de drogas e a saúde pública Disponível em: < Acesso em: 27 ago
22 REPRESENTAÇÃO SOCIAL DO ALCOOLISMO EVIDENCIADO NOS ATENDIMENTOS DO SERVIÇO SOCIAL Eliane Olinda Porto Brosso Joseane Di Bernardi da Luz Resumo Este trabalho é resultado de estudos sobre a representação social do alcoolismo evidenciado nos atendimentos do Serviço Social, realizado no curso de aperfeiçoamento de dependência química. Este estudo é uma pesquisa bibliográfica e teve como objetivo resgatar essa representação social para obter mais conhecimentos sobre o álcool e, assim, respaldar a intervenção do Serviço Social. Palavras-chave: Serviço Social, alcoolismo, representação social. Introdução Desde os tempos mais remotos de nossa história, o homem usa o álcool como meio para extravasar sua euforia, celebrar festividades, dar cunho solene a rituais religiosos e proporcionar alívio ao seu estresse emocional imediato ou contínuo. O uso abusivo, porém, pode provocar tanto desgraças quanto dependência, conhecida como alcoolismo. Na literatura pesquisada sobre essa questão, o álcool aparece como um fator significativo na violência doméstica, por isso se considerou importante resgatar a representação social do alcoolismo, dando ênfase nas relações intrafamiliares, por ser a família objeto de intervenção do Serviço Social. O interesse em se estudar o tema da representação social surgiu quando começamos a perceber, nos atendimentos realizados pelo Serviço Social no Instituto de Cardiologia de Santa Catarina, relatos de conflitos familiares associados à condição do uso abusivo de álcool. Essa constatação gerou uma inquietação que nos levou ao aprofundamento 22
23 sobre o assunto. Entendemos por representação social a forma pela qual a pessoa dá significado, entendimento e explicação a determinadas situações de sua vida, por meio do processo de interação com o seu mundo exterior. É a maneira pela qual as pessoas captam e tentam resolver seus problemas, baseadas no contexto histórico em que vivem. Entendemos que as representações sociais são influenciadas pelo mundo social, são individuais, como também coletivas, uma vez que o ser humano está inserido em uma sociedade em relação permanente e constante com outros indivíduos. O objetivo foi resgatar as representações sociais sobre alcoolismo para obter maiores conhecimentos sobre o tema e, assim, respaldar a intervenção do Serviço Social. O alcoolismo e suas repercussões A descoberta do álcool é ainda desconhecida. As primeiras informações sobre o seu uso datam de 6000 a.c. O termo álcool é de origem árabe e, etimologicamente, quer dizer coisa sutil, enganadora. A Organização Mundial da Saúde (OMS) há anos considera o alcoolismo como doença e o alcoolista como doente. Embora o alcoolismo seja uma doença que traz graves consequências ao psíquico, ao físico e ao social, ainda é muito difícil de diagnosticá-lo. Masur (1984, p. 27) afirma que [...] não existe um fator que determine a causa do alcoolismo, o que se encontra são diferentes fatores de vulnerabilidade, [em que] todos que usam bebidas alcoólicas estão sujeitos a desenvolver o alcoolismo, dependendo apenas de sua interação com os fatores de vulnerabilidade. Conforme D Albuquerque e Silva (1990), o diagnóstico do alcoolismo, em geral, é impreciso, frequentemente subestimado e feito, via de regra, quando o paciente já está em estágio avançado de dependência. Essa situação pode ser explicada por diversos motivos, um deles cabe ao próprio alcoolista que geralmente procura o atendimento 23
24 24 médico, queixando-se de outros sintomas e nunca da doença. Outro motivo da dificuldade do diagnóstico do alcoolismo é atribuído aos próprios técnicos da Saúde, que muitas vezes não investigam sobre o uso do álcool, não suspeitam de sua existência, estão desinformados sobre o assunto, não acreditam na recuperação dos alcoolistas e não tratam o problema com seriedade e naturalidade, pois temem ofender os pacientes se abordarem o assunto. O manual do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP) e da Associação Médica Brasileira (AMB) apresenta critérios de diagnósticos mais claros, mostrando diferentes graus de dependência, colocando-a como uma síndrome que surge a partir de combinações de fatores de riscos que aparecem de uma maneira distinta em cada indivíduo. Contemplam-se padrões individuais de consumo que variam de intensidade ao longo de uma linha contínua, trazendo problemas para o indivíduo. Primeiramente, identifica-se o padrão de consumo de uma pessoa e depois se determina sua gravidade, sendo fundamental para individualizar o diagnóstico e coletar subsídios para o planejamento terapêutico. A representação social do alcoolismo e a intervenção do Serviço Social Estudos realizados demonstram que a violência intrafamiliar está indiretamente relacionada com o uso abusivo do álcool. Barroso (2010) expõe que o álcool não causa violência, mas é fator agravante, embora apareça como segunda causa apontada pelas vítimas. As mulheres têm dificuldades de reconhecer a violência de seus parceiros e acabam atenuando a atitude violenta deles. Ainda segundo Barroso (2010, p. 7), criam subterfúgios que lhes permitem justificar perante elas próprias a violência que sofrem. Essa atitude desculpabilizante contribui para inibir a reação das vítimas e prolongar a situação. Assim reforçamos que o comportamento violento é uma atitude socialmente apreendida e não o resultado do abuso de uma substância. Portanto, a junção dos dois fatores (álcool e violência) pode aumentar a gravidade, mas não significa que um agressor, deixando de beber, eliminará o seu comportamento agressivo. Compreender a dinâmica de todo esse processo, bem como identificar na subjetividade do indivíduo todo um contexto social, histórico
25 e cultural fornecer subsídios para nortear a intervenção do Serviço Social que pode evoluir para um tratamento de dependência química, mas não resolverá os problemas pertinentes à agressão que deve ser dado outro enfoque e outra abordagem terapêutica. As representações que os alcoolistas e seus familiares têm da doença estão ligadas às suas experiências cotidianas, ou seja, são de acordo com sua maneira de viver e de encarar essa situação em sua vida. Entendemos que as representações sociais são influenciadas pelo social que intervém de várias maneiras nas cognições individuais: pelo contexto concreto em que estão situados os grupos e as pessoas, pela comunicação que se estabelece entre eles e pelos códigos, pelos valores e pelas ideologias ligadas a posições individuais. Representação social é definida por Moscovici apud Schulze (1988, p. 5) como um conjunto de conceitos, afirmações e explicações que se originam no dia a dia, no decurso de comunicações interindividuais. A forma que a pessoa dá significado à determinada situação de sua vida é exatamente a sua representação social, porque toda a sua interpretação é fruto de suas relações com o mundo e com os outros. A necessidade de tornar algo estranho, desconhecido em algo familiar e significativo na vida é o que origina as representações sociais. Porto e Knabben (1994) realizaram um estudo com casais com relacionamento conjugal violento que procuravam o Serviço Social da Delegacia para atendimento. Foram pesquisados seis casais com nível de escolaridade baixo. A representação social acerca do alcoolismo verificada nessa pesquisa foi de que não era visto como doença, no sentido a priori, que pudesse desencadear a dependência alcoólica, embora admitissem que fizesse mal à saúde. O alcoolismo era entendido como ato voluntário do bebedor, que, por sua vez, se sentia imune às consequências do álcool, porque novamente negava o vício. A representação social de todas as mulheres pesquisadas, referente ao alcoolismo, estava baseada apenas no senso comum, na significação dada ao fenômeno a partir de experiências no seu cotidiano. Todas tinham claro que o alcoolismo era o objeto dos seus problemas conjugais, ao contrário do que pensavam seus esposos, ficando escamoteados por interesse, medo, vergonha, comodismo, na sombra de suas esposas. As consequências do alcoolismo são visíveis no dependente, mas, via de regra, o indivíduo passa por um processo de negação em 25
26 que são acionados diversos mecanismos de defesa inconscientemente, justificando, assim, a procura tardia pelo tratamento. A intervenção do Serviço Social, na medida do possível, deve ser de reflexão conjunta com a família para traçar estratégias adequadas. Consideramos que a conscientização do alcoolista, enquanto um ser doente, e de sua família só é possível quando se parte da realidade e do entendimento que eles têm do problema para se chegar a uma compreensão mais adequada da situação. A escolha do tratamento para o controle da doença dependerá da afinidade e da adequação do usuário a um determinado tipo de tratamento. Ou seja, quando o alcoolista admite que sua dinâmica de vida está sendo prejudicada pela bebida, ele consegue dar um passo em busca de ajuda especializada, favorecendo, assim, que avance para o processo de aceitação do diagnóstico, levando-o a uma possível adesão ao tratamento. De acordo com Porto e Knabben (1994), há diferentes caminhos para se trabalhar o consumo abusivo de bebidas alcoólicas, expostos na sequência. Conforme o grau de dependência, pode-se abrir mão de muitas alternativas de tratamento, primeiramente se pensa em uma internação para desintoxicação. Os Alcoólicos Anônimos (AA), que é uma entidade que desenvolve trabalho voluntário, anônimo e gratuito, funciona por meio de reuniões entre seus membros para troca de experiências e depoimentos sobre o seu envolvimento com o álcool. Paralelo aos Alcoólicos Anônimos, há grupos de familiares o chamado Al- Anon, que é um programa de doze passos para familiares e amigos de alcoolistas. Seus membros compartilham suas experiências e buscam forças e esperança na tentativa de resolver seus problemas comuns. Acreditam que o alcoolismo é uma doença familiar e que mudanças de atitudes podem colaborar com a recuperação. Também existe o grupo Alateen, que é uma divisão do Al-Anon dedicada a familiares mais jovens. O internamento em comunidades terapêuticas seria outra alternativa, mas somente quando o paciente estiver desintoxicado, consciente de sua dependência alcoólica e motivado para permanecer abstêmio é que poderá ter alta e continuar seu tratamento fora do contexto hospitalar. 26
27 A psicoterapia de grupo tem sido indicada, uma vez que se dividem as experiências, o alcoolista não se sente diferente dos demais e se vê na obrigação de falar. Ainda a psicoterapia individual tem como objetivo diminuir o medo e as angústias que a nova realidade poderá causar. Pode ser feito uso da laborterapia, que é o uso de drogas que inibem a ação para beber, uma vez que o indivíduo não bebe em função do mal-estar provocado pelo medicamento. O alcoolista deve estar bem ciente das consequências do uso do álcool combinado com a medicação, pois pode levar até ao óbito. O grau de envolvimento da família dependerá do grau de comprometimento do alcoolista. O apoio da família é essencial para o sucesso da abordagem terapêutica, bem como para a prevenção da reincidência. Considerações finais Embora o alcoolismo esteja muito relacionado à incidência da violência doméstica, não é certo afirmar que, tratando da dependência alcoólica, paralelamente eliminaremos a violência. O alcoolismo não é um fator determinante da violência, mas precipitante, ou seja, ele, entre outros fatores, pode contribuir para ocorrência do fenômeno e a potencialização dos seus efeitos. Certamente que, combatendo o alcoolismo, muitos conflitos intrafamiliares cessarão e, consequentemente, diminuirá a incidência da violência, mas ela só se extinguirá a partir da mudança de mentalidade, do respeito mútuo e da igualdade de direitos. Finalizando, acreditamos que o combate ao alcoolismo deve se iniciar com um trabalho preventivo. A intervenção nas fases iniciais pode contribuir para a prevenção. Essa ação deve ser compartilhada com o grupo familiar, que precisa receber orientações nos processos de acolhimento. Ressaltamos também a importância do tratamento especializado que se preocuparia com aspectos de esclarecimento sobre a doença em escolas, associações, clubes, enfim, em todas as instituições que contribuem para a formação e a socialização dos indivíduos. Ressaltamos ainda que é necessário elaboração de políticas públicas que privilegiem o combate do alcoolismo de forma comprometida e articulada. Contribuir para o processo de conscientização da sociedade de 27
28 que o alcoolismo é um problema de saúde pública é um grande desafio que se apresenta para o os profissionais que atuam na área da Saúde. Referências BARROSO, Zélia. Violência nas relações amorosas. Disponível em: <www. aps.pt/vicongresso/pdfs/597.pdf>. Acesso em: 1 nov CREMESP. Usuários de substâncias psicoativas. Abordagem, diagnóstico e tratamento Disponível em: < modulos/publicacoes/pdf/substancias_psicoativas_2.pdf>. Acesso em: 5 nov D ALBUQUERQUE, Luiz A. Carneiro; SILVA, Adávio de Oliveira. Doença hepática alcoólica. São Paulo: Sarvier, MASUR, Jandira. A questão do alcoolismo. São Paulo: Brasiliense, PORTO, Eliane O.; KNABBEN, Júlia de Macedo. A representação social em casais com relacionamento conjugal violento, atendidos pelo Serviço Social da 6ª Delegacia de Policia da Capital SC f. Monografia (Graduação em Serviço Social) Universidade do Sul de Santa Catarina, Florianópolis, SCHULZE, Clélia Maria Nascimento. A contribuição das representações sociais cognitivas no diagnóstico e intervenção junto ao paciente canceroso. Florianópolis: UNISUL,
29 USO DE MORFINA POR PROFISSIONAIS DA SAÚDE Ana Paula Dias Rosânia Aparecida Rodrigues Resumo Este estudo tem como objetivo analisar o uso da morfina por servidores da Saúde para fins terapêuticos. Para tanto, utilizamos os conhecimentos adquiridos no curso de aperfeiçoamento em dependência química no hospital Regional de São José, Instituto de Cardiologia, e a partir de referências bibliográficas. Nos estudos, evidenciou-se a dificuldade de conviver com usuários e dependentes químicos de morfina. Como colegas de trabalho, requerem atenção e alerta. Percebe-se também que o quadro de dependência gerou uma série de comprometimentos nas habilidades físicas e mentais nos usuários. Palavras-chave: morfina, dependência química, usuários, profissionais da Saúde. Introdução A morfina, inicialmente desenvolvida para fins terapêuticos, atualmente está sendo usada como droga no ambiente de trabalho, causando problemas de toda ordem, como faltas injustificadas, mudanças de humor e dificuldades em finalizar algumas tarefas. Observou-se que os profissionais da Saúde têm de dois a três vínculos empregatícios, excesso de plantões, problemas familiares e o acesso à droga facilitado por trabalharem em um hospital. O mais preocupante é que esses profissionais estão em plena atividade profissional, atendendo a pacientes e realizando tarefas que exigem muita concentração. Este estudo foi realizado a partir de pesquisa bibliográfica e análise dos conhecimentos construídos no curso de aperfeiçoamento em dependência química. 29
30 30 A morfina e seu uso A morfina é uma droga derivada do ópio. Foi criada em 1803 pelo farmacêutico alemão Friedrich Wilhelm Adam Serturner, que deu nome ao remédio em homenagem ao Deus grego do sono, Morfeu. Essa substância é produzida em laboratórios e usada para o alívio de dores. Pode causar dependência física e psicológica em função de seus sintomas, como, por exemplo, o bem-estar e a euforia. Seu uso foi mais difundido nos anos 50, com o advento da seringa hipodérmica. Na Guerra Civil Americana ( ), quatrocentos mil soldados desencadearam dependência à morfina. Em 1874, o Inglês Alder Wringht, na tentativa de criar uma substância tão poderosa para dor quanto a morfina, extraiu uma substância da papoula que deu origem à heroína, a qual entrou no mercado farmacêutico em 1898 e foi retirada de circulação cinco anos mais tarde devido ao alto poder de dependência. Devido à alta utilização de derivados do ópio na Primeira Guerra Mundial e a um grande número de dependentes em drogas, a venda de substâncias psicoativas foi proibida em vários países, e iniciou-se uma série de restrições ao seu uso após as convenções internacionais de 1925 e Porém, na Segunda Grande Guerra, o ópio voltou a se expandir e, juntamente, a heroína em Hong Kong e Marselha. Em 1971, Richard Nixon, então presidente dos Estados Unidos, devido ao grande consumo ilegal de opiáceos, iniciou uma campanha contra produtores e traficantes da droga. Atualmente, o ópio ainda é usado sob a forma de morfina e em outras drogas medicinais, com doses prescritas em meios hospitalares para pacientes com dores intensas, como portadores de câncer, doenças isquêmicas e patologias ósseas. A dependência por opioides No Brasil, a dependência mais comum por opioides se dá pelo uso de morfina para alívio de dores de causas patológicas em meio hospitalar a partir de prescrição médica. O indivíduo que faz uso de tal droga para fins terapêuticos poderá desenvolver dependência por morfina e derivados de ópio. O ópio atua no Sistema Nervoso Central (SNC) e em órgãos periféricos e atinge quatro tipos de receptores específicos situados em áreas sensoriais, límbicas, hipotalâmica, amígdalas, entre outros.
31 Segundo Baltieri et al. (2004), as síndromes clínicas associadas ao uso de opioides se distribuem em: intoxicação, abuso, dependência e abstinência. Segundo os autores, a intoxicação é caracterizada por sedação, apatia, euforia ou disforia, rubor facial e prurido, memória prejudicada, analgesia, constipação, sonolência, depressão respiratória, hipotensão e taquicardia. O abuso se caracteriza por: uso recorrente da substância e incapacidade de realizar obrigações funcionais, problemas legais recorrentes. Já a dependência tem as seguintes formas de apresentação: tolerância, síndrome de abstinência, consumo, aumento e frequência do uso, esforços para não fazer uso da substância, tempo despendido para adquirir a substância, utilizar e recuperar-se, diminuição de atividades funcionais e sociais. E, finalmente, a abstinência se manifesta por hiperalgesia, fotofobia, arrepios, diarreia, taquicardia, hipertensão, gastralgias, dores articulares e mialgias, ansiedade e depressão do humor. A meia vida de derivados de opioides é de uma a quatro horas dependendo da via de administração. A dependência de morfina por profissionais da Saúde Como já citado, a morfina está disposta em meios hospitalares para fins terapêuticos em pacientes com dores crônicas ou agudas de grandes intensidades, principalmente em portadores de câncer, doenças isquêmicas e patologias ósseas. Em tese, no meio hospitalar, o medicamento deveria estar trancafiado sob a responsabilidade de um funcionário de confiança, e este deveria dispensar a medicamentação conforme prescrição e somente no momento de seu uso. Devido ao alto fluxo de pacientes nos hospitais públicos do Brasil, principalmente em emergências, torna-se difícil dispor de um funcionário que fique à mercê da dispersão de medicamentos controlados, já que teria de realizar outras inúmeras funções. Assim, os medicamentos psicotrópicos ficam quase que à vontade para a manipulação dos funcionários de enfermagem e médica. Dessa forma, facilita-se o uso por experimento dessas drogas por profissionais da Saúde. Segundo Poles e Boccia (2000), a dependência por morfina entre profissionais da Saúde é tão crescente que já se cogita em tratá-la como doença ocupacional. Num estudo realizado na Universidade da Califórnia, 20% dos profissionais da Saúde entrevistados confessaram 31
32 32 que já usaram opiáceos, duas vezes superior à média de consumo de drogas da população mundial. Ainda conforme os autores, o consumo de morfina entre os profissionais da Saúde só perde para o álcool. Segundo Aquino apud Poles e Boccia (2000), em oito anos, foram atendidos oitenta médicos dependentes de drogas no núcleo de estudos e pesquisas em atenção ao uso de drogas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. No Brasil, segundo estudos realizados entre a população em geral, principalmente estudantes, não se evidenciou um grande número de dependentes de opiáceos e seu uso se restringe principalmente ao da codeína e xaropes de ópio. Conclui-se, assim, que o uso não terapêutico de substâncias opiáceas é considerado não frequente no País. No entanto não há estudos suficientes no Brasil que denotem o uso abusivo de morfina por profissionais da Saúde e sim estudos que relatam o uso de opioides por estudantes de Medicina. O que leva tantos profissionais da Saúde a experimentar a droga, além da curiosidade dos prazeres que a droga pode provocar, são os longos períodos de trabalho e o estresse que a própria profissão lhes impõe. Por ser uma droga restrita de uso hospitalar, o vício por morfina é praticamente exclusiva da classe médica e profissionais da Saúde, já que o tráfico de opioides no Brasil não é comum. O mais espantoso é que esses profissionais mantêm-se na ativa mesmo fazendo uso de morfina, são dependentes dela, demonstram diariamente características de abuso e são assistidos por colegas sem sequer serem abordados pelas instituições e encaminhados a tratamentos de desintoxicação. Esses profissionais lançam mão de diversas artimanhas para fazer uso da droga, desde utilização da sobra de ampolas que são guardadas em seringas até uso da medicação que deveria ser administrada em pacientes. Isso ocorre dessa maneira para que, quando for feito o controle de entrada e saída de psicotrópicos, não se perceba a perda da medicação. Segundo Baltieri (2004), o que leva dependentes de opioides a procurar tratamento médico são apenas os casos de overdose. Isso nos faz refletir sobre o quanto os colegas são negligentes com os usuários de morfina, isto é, espera-se ter uma overdose ou um distúrbio de conduta grave para que sejam denunciados. E mais do que denunciados, deveriam ser incentivados a buscar ajuda.
33 Já que há o conceito de que o uso abusivo de morfina é considerado doença ocupacional, precisariam ser tratados por profissionais de doenças ocupacionais que deveriam estar à disposição dos servidores na instituição em que trabalham. Mas ocorre o contrário, esses profissionais são vistos como um estorvo para a instituição e, muitas vezes, são afastados de suas atividades tão somente, não sendo incentivados e encaminhados a serviço de tratamento para tais transtornos. O Governo do Estado de Santa Catarina aprovou a Lei /09, que criou o Programa Estadual de Saúde Ocupacional, regulamentado pelo Decreto n. 2709, de 27 de setembro de 2009, instituindo o Manual de Saúde Ocupacional, que atuaria de forma preventiva em questões relativas ao estresse de profissionais da Saúde. O Manual de Saúde Ocupacional estabelece que profissionais da Saúde sejam habilitados para atuar junto àqueles que necessitem de apoio relacionado a doenças de causa ocupacional. Porém tal Manual está em fase de implantação no Hospital Regional Homero de Miranda Gomes e no Instituto de Cardiologia de Santa Catarina. Espera-se que essa inciativa contribua com processo de atendimento adequado às questões relacionadas ao tema da dependência química. Considerações finais Percebe-se que a dependência por morfina por profissionais da Saúde é um problema real que deve ser enfrentado e discutido nas instituições de saúde e não transformado num dogma com códigos de silêncio como se profissionais da Saúde estivessem imunes à dependência química. Percebe-se que ainda, no Brasil, não há normas ou leis que obriguem as instituições a prestar atendimento ao profissional doente, apenas quando se trata de seu afastamento, deixando-o exercer plenamente as suas atividades laborais, mesmo que de forma inadequada e não produtiva. Mais vale deixá-lo trabalhando da forma como trabalha do que retirá-lo do seu setor para tratamento adequado e repor com outro profissional até a sua recuperação. A verdadeira necessidade é propor que as instituições estruturem serviços com profissionais capacitados para atendimento ao profissional da Saúde para que se sinta à vontade em busca de ajuda como prevê o Manual de Saúde Ocupacional, que tem função de identificar e buscar 33
34 ativamente esses profissionais. Para tanto, não basta deixar apenas no papel, é necessário colocá-lo em prática. Referências BALTIERE, D. A. et al. Diretrizes para o tratamento de pacientes com síndrome de dependências de opioides do Brasil. Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, v. 26, n. 4, dez POLES, C.; BOCCIA, S. Vício de branco: o drama dos médicos que cedem ao apelo das drogas e se tornam dependentes de morfina. Veja, São Paulo, ed. 1637, p. 76, 23 fev
35 COCAÍNA COMO DESENCADEANTE DO INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO Andréa Conradi Vivian Patricia Haviaras Resumo Estudos mostram que o consumo da cocaína tem aumentado nos últimos anos, é a droga ilícita mais comumente usada entre jovens que procuram assistência em centros de emergência ou tratamento para dependentes químicos. A associação dessa droga com as doenças cardiovasculares, mais especificamente com infarto agudo do miocárdio (IAM), vem sendo evidenciada a partir de estudos. O uso da cocaína pode ser um dos fatores desencadeantes do IAM, além de outras complicações cardiovasculares. Assim, o objetivo deste trabalho é relatar a associação dessa droga ao IAM em usuários e dependentes, principalmente em jovens que chegam a pronto atendimento com dor torácica e sem outros fatores de risco preexistentes. Palavras-chave: infarto agudo do miocárdio, doenças cardiovasculares, cocaína. Introdução Apresentaremos uma breve revisão da literatura sobre o uso de drogas, mais especificamente sobre a cocaína e como ela pode ser fator desencadeante do infarto agudo do miocárdio. Durante o processo de levantamento de dados, encontramos dificuldades de trabalhos científicos atuais relacionados a esse tema, por outro lado foram identificados muitos estudos de casos. A associação do uso de cocaína a doenças cardíacas isquêmicas já vem sendo investigada há vários anos e já se sabe que essa droga diminui a contratilidade do músculo cardíaco, reduz o calibre das artérias coronárias e o fluxo sanguíneo no seu interior, causando arritmias cardíacas, aumentando a frequência cardíaca e a pressão arterial, o que pode provocar o infarto. 35
36 O objetivo deste estudo foi discutir sobre o crescente aumento de jovens que são acometidos por IAM pelo uso de cocaína. Os dados evidenciados, segundo Gazoni et al. (2006), mostram grande incidência de pacientes jovens do sexo masculino que chegam ao pronto atendimento com dor torácica aguda sem outros fatores de risco preexistentes, mas com o uso da cocaína como fator desencadeante do infarto agudo do miocárdio. A partir da análise dos estudos de casos pesquisados e bibliografias afins, esperamos contribuir para o entendimento desse fenômeno, buscando ações preventivas mais efetivas e desenvolvimento de tratamentos e focando a dependência da cocaína como fator importante na anamnese (exame físico, psíquico e história pregressa) do paciente jovem com dor torácica. A cocaína é uma substância que estimula fortemente o sistema nervoso central. É extraída de uma planta chamada Erytroxylon coca ou simplesmente coca, na forma de cloridrato de cocaína que pode ser tomada via oral, intravenosa ou nasal. Também encontramos na forma de base livre ou crack, a qual, em temperaturas elevadas, permite que seja fumada. A cocaína era usada farmacologicamente por indígenas sulamericanos que utilizavam as folhas mastigando-as. Os incas acreditavam que a folha da coca fosse um presente do Deus Sol e a usavam durante suas cerimônias. O primeiro uso medicinal da cocaína na Europa é datado de 1884, como anestésico local para cirurgia ocular. A cocaína, quando inalada, é absorvida rapidamente pelos vasos pulmonares e atinge a circulação cerebral em aproximadamente seis a oito segundos, produzindo intensa euforia. Tem vida plasmática em torno de trinta a noventa minutos. A droga é encontrada em maior concentração no cérebro, no baço, nos rins e no pulmão (GAZONI et al., 2006). Estudos sobre a implicação do uso da cocaína como fator desencadeante do IAM Com o crescente aumento do uso da cocaína por jovens nos últimos anos, ampliou-se também o número de estudos de casos, aguçando a curiosidade de novos pesquisadores. 36 Em 1982, Coleman et al. relataram pela primeira
37 vez associação entre consumo de cocaína, isquemia e infarto do miocárdio. Desde seu primeiro relato até os dias atuais, a dor torácica relacionada com o consumo de cocaína vem sendo um crescente problema entre os pacientes jovens que se apresentam aos serviços de pronto atendimento médico. (POTT JÚNIOR; FERREIRA, 2009, p. 386) O uso da cocaína e do crack é cada vez mais crescente, e a dor torácica é frequente após a inalação dessas substâncias. Mittleman et al. (1999) destacam a importância de a cocaína entrar no diagnóstico diferencial como fator desencadeante do IAM em pacientes de faixa etária menor. O IAM é a lesão das células do músculo do coração causada pela obstrução temporária ou definitiva de uma artéria coronária que pode acontecer por alguns fatores de risco preexistentes que o paciente apresente ou um fator novo desencadeante. Knobel, Souza e Andrei (2002, p. 25) nos dizem que o infarto agudo do miocárdio é o desenvolvimento de necrose miocárdica decorrente de isquemia severa. Um estudo de Osterne et al. (2000) mostrou cinco casos comprovados de IAM ocorridos após inalação de cocaína. Todos os pacientes eram do sexo masculino com idade que variavam de 24 a 41 anos. Todos deram entrada na emergência com menos de seis horas de evolução do infarto com exceção de um. Desses, quatro pacientes apresentaram angiografia coronária sem lesões significativas após resolução da trombose local. Um paciente com oclusão total de descendente anterior foi submetido à angioplastia primária com implante de Stent (endoprótese expansível). Silveira e Col (2009) nos mostram a relação do IAM com pacientes jovens usuários de cocaína por meio de relato de caso numa emergência de hospital. Admite-se que doses entre 200 g e g de cocaína, por qualquer via, possam causar IAM e que os indivíduos mais susceptíveis são aqueles que utilizam a droga pela primeira vez. O uso da cocaína, sendo a primeira vez ou não do usuário, pode ocasionar IAM. Ela ativa no organismo os receptores Beta-adrenérgicos, e o miocárdio necessita de aumento da demanda metabólica quando, juntamente com a ação, agoniza da 5- hidroxitiptamina e faz vasoconstricção coronariana, podendo levar à isquemia miocárdica (IAM). Portanto a cocaína apresenta reações no organismo que, dependendo 37
38 da dose utilizada e da sensibilidade do usuário, pode ocasionar o IAM ou outras complicações cardiovasculares, como hipertensão arterial, arritmias, miocardite, dissecção aguda da aorta, edema agudo de pulmão e endocardite infecciosa. A cocaína também é potente ativador plaquetário, altera os níveis de epinefrina, o fator inibidor do plasminogênio tecidual e, assim, a redução da fibrinólise. Essas alterações demonstram que o usuário, mesmo sem a doença aterosclerótica, pode apresentar IAM por consequência de trombose. A cocaína é causa de dor torácica e faz parte do grupo das etiologias de síndrome coronariana aguda de causa não aterosclerótica. (SILVEIRA; COL, 2009, p. 56) Após o uso da cocaína, pode ocorrer a dor torácica acompanhada ou não de vômitos, sudorese profusa e sensação de morte iminente. Quando o usuário também faz uso de tabaco e bebidas alcoólicas, pode apresentar aumento da dor torácica. [...] cerca de 5% a 7% dos pacientes desenvolvem insuficiência cardíaca e cerca de 2% vão a óbito. (SILVEIRA; COL, 2009, p. 57) Isso significa que os usuários de cocaína podem apresentar um IAM enquanto estão usando a droga, ocorrendo o óbito sem ao menos terem recebido socorro. Existem os quatros mecanismos principais que podem atuar distintamente no funcionamento do sistema cardiovascular, ocasionando danos reversíveis como também irreversíveis. Em primeiro, estudos in vitro mostram que o uso de cocaína aumenta a agregação plaquetária, potencializando sua ativação e diminuição do fator anticoagulante endógeno, contribuindo para a formação de trombos que podem obstruir artérias coronárias previamente normais, resultando em isquemia do miocárdio. Segundo, seriam os efeitos simpatomiméticos da cocaína com a indução do aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial. Esses efeitos levam ao aumento na demanda de oxigênio para o coração. Terceiro, a cocaína induz vaso espasmo das artérias coronarianas. Essa reação com o da droga já é comprovado, porém o mecanismo de ação que leva ao vaso espasmo não está esclarecido. Essa reação no sistema cardiovascular também pode levar à isquemia do miocárdio. Quarto, estudo realizado em relatórios de autópsias sugere que 38
39 o mau uso prolongado da cocaína provocou diperplasia intimal e aterosclerose precoce em jovens que morreram após o uso de cocaína por IAM e ou lesão arterial prévia por espessamentos das pequenas artérias coronárias. Segundo um estudo descritivo transversal (BRAVO; MONTILLA, 1999), há um predomínio do sexo masculino sobre o feminino em casos de IAM por uso de cocaína. Esses resultados são compatíveis com outros estudos em que o uso de cocaína está associado ao sexo masculino com maior prevalência. 88% de pacientes que ingressaram no estudo negaram o consumo de drogas por fatores de índole social, moral, legal etc. Um alerta científico (RAMOS, 2004) nos mostra que a cocaína é a droga mais comum entre usuários que procuram emergências e, além disso, é a causa mais frequente de óbitos relacionados ao consumo de droga, uma das principais causas de morte na população entre 15 e 44 anos e também responsável por 25% dos IAM. O risco é 24 vezes mais elevado nos primeiros 60 minutos após o consumo. Cerca de 6% dos pacientes que se apresentam com dor torácica associada à cocaína evoluem para quadros de IAM. A maioria dos pacientes é jovem, tabagista, com história de uso repetido de cocaína. Cerca de 50% desses pacientes não apresentam lesão coronariana nos exames de cineangiocoronariográfica. As complicações pós-infarto, como as arritmias ventriculares, ocorrem em 4 a 17% dos pacientes hospitalizados, a insuficiência cardíaca congestiva ocorre entre 5 a 7%, e os óbitos em 2%. A baixa incidência de complicações se deve à idade dos pacientes e a maioria delas ocorre nas primeiras 12 horas de internação. Considerações finais Pode-se concluir, após análise dos estudos descritos, que a cocaína foi apontada como desencadeante do IAM, principalmente em jovens do sexo masculino, com ou sem comorbidades preexistentes, considerando ainda o uso concomitante do tabaco e hábitos de vida não salutares. Portanto deve ser seriamente considerado em pacientes jovens sem fator de risco para doenças cardiovasculares o questionamento sobre o uso de drogas ilícitas, enfatizando a cocaína na anamnese do paciente. 39
40 A abordagem para o diagnóstico e o tratamento são diferenciados para pacientes que apresentam doenças cardíacas ateroscleróticas com ou sem fatores de risco. Assim, deve-se incluir o questionamento do uso da cocaína principalmente quando se apresentar um jovem que chega a um pronto atendimento com queixa de dor torácica aguda. Uma anamnese mais específica traria mais indícios para investigação do diagnóstico, mesmo que breve, quando se investiga o consumo de álcool e drogas. Os profissionais da Saúde que trabalham em Emergência de Cardiologia convivem diariamente com a chegada de pacientes exatamente como os estudos evidenciam. São jovens do sexo masculino que apresentam dor torácica aguda sem fatores de riscos prévios. Na maioria das vezes, numa primeira abordagem, não é revelado, mas, durante o período de espera da chegada dos resultados dos exames laboratoriais, o paciente acaba revelando o uso da cocaína. Outra situação em que ocorre a revelação do uso de substâncias psicoativas é quando os pacientes dão entrada nas emergências com alteração de conduta, o que se detecta na anamnese. Portanto, este estudo nos fez repensar e aguçar nosso interesse em questionar essa clientela em especial, modificando nossa conduta, com uma visão mais ampliada em relação aos pacientes dependentes químicos, visto que a dependência química é uma doença como os outros fatores de risco para o IAM já descritos anteriormente. Assim, deve ser tratado com o propósito de reabilitação do paciente e prevenção para que o uso da cocaína não seja novamente um fator desencadeante para um segundo IAM ou alguma outra complicação cardiovascular. Referências BRAVO, A.; MONTILLA, C. la cocaína como factor desencadenante de arritmia cardíaca y/o infarto del miocardio. Boletim Médico de Postgrado, v. XV, n. 3, sep GAZONI, F. M. et al. Complicações cardiovasculares em usuário de cocaína. Relato de Caso. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, v. 18, n. 4, out./dez., KNOBEL, E.; SOUZA, J. A. M; ANDREI, A. M. Terapia intensiva cardiologia. São Paulo: Atheneu, MITTLEMAN, M. A. et al. Triggering of myocardial infarction by cocaine. 40
41 Circulation, 99: , OSTERME, A. et al. Infarto agudo do miocárdio associado ao uso de cocaína. Revista Centro-Oeste de Cardiologia, v. 5, n. 2, POTT JÚNIOR, H.; FERREIRA, M. C. F. Infarto agudo do miocárdio induzido por cocaína. Relato de Caso. Bras. Patol. Med. Lab., v. 45, n. 5, p , out SILVEIRA, A.; COL, M. Infarto agudo do miocárdio em jovem usuário de cocaína. Relato de Caso. Revista SOCERJ, 22 (1): 56-58, jan./fev
42 Parte II Relatos do projeto de extensão Prevenção à Dependência Química desenvolvido em Santa Catarina e no Tocantins 42
43 RELATO DO PROJETO PILOTO EM SANTA CATARINA Fernanda Machado Resumo Este artigo apresenta o relato do projeto piloto Prevenção à Dependência Química desenvolvido em Santa Catarina, oportunizado pela Fundação Universidade do Tocantins (Unitins) e pelo Governo do Estado do Tocantins. As atividades contempladas no projeto foram realizadas por acadêmicos estagiários do curso de Serviço Social da Unitins nos municípios de Araranguá, Içara, Dionísio Cerqueira, Campos Novos, São João Batista, São Francisco do Sul e Joinville. Objetiva-se, por meio do relato da experiência profissional, elucidar as ações preventivas e a importância da educação nesse processo. Conclui-se que educação, informação e prevenção fortalecem as redes de atenção à dependência química. O projeto aplicado no estado de Santa Catarina serviu como fonte de conhecimento e atualização e proporcionou discussões e reflexões nas diversas áreas da saúde, da educação e da segurança pública como embasamento científico sólido suficiente para ampliar a visão crítica a respeito da dependência química (DQ), buscando atenuar esse fenômeno de tamanha complexidade. Palavras-chave: dependência química, prevenção, educação, informação, Serviço Social. Introdução Atualmente, o abuso de drogas perpassa várias classes e instâncias sociais e relaciona-se com doenças e delinquências, entre outros 43
44 problemas. Reconhecendo a gravidade das repercussões desse abuso na saúde da população e seu custo social, a comunidade internacional empreende esforços para controlá-lo (VELHO, 1994). O uso de drogas é uma prática disseminada na sociedade que vem trazendo consequências desastrosas. Desestruturação familiar e profissional, aumento da violência e crescimento de acidentes de trânsito são algumas das consequências de tais problemas sociais. A Unitins e o Governo do Estado de Tocantins se uniram para oportunizar, por meio do projeto Prevenção à Dependência Química, ampla discussão acerca do próprio papel da Universidade enquanto gestora do saber e aprendente social. Ao mesmo tempo, aproximaramse da comunidade e tornaram-se parceiros e coatores da cidadania e da qualidade de vida tão necessária nestes tempos desafiadores. Menezes (2012, p. 81) salienta que Especialistas no assunto estão cada vez mais convencidos de que é muito melhor e mais produtivo um trabalho de prevenção às drogas, de conscientização de seus malefícios. Pois o trabalho de recuperação muitas vezes não ultrapassa o índice de 30%, em clínicas de tratamento e nos hospitais-dia é de apenas 12%. Estatisticamente está provado que a terapêutica preventiva oferece resultados mais positivos e menos onerosos do que a terapêutica curativa. Ainda continua sendo melhor prevenir do que remediar. A prevenção por meio da educação traz melhorias na qualidade de vida da população. Tal prática preventiva é um método baseado no acesso à informação. Conforme Divisão Estadual de Narcóticos (2000, p. 53), Prevenção é: vir antes, avisar; preparar; impedir que se realize; antecipar uma informação; alertar sobre algo; preparar alguém/algo para evitar alguma coisa. A prevenção então é o ato ou efeito de prevenir, a disposição ou preparo antecipado; é o trabalho com valores, sentido da vida e com o projeto existencial de cada ser humano. 44
45 Sabemos que a educação para a saúde e para a cidadania deve ser exercitada de forma intensa e sistemática via fóruns, audiências públicas, debates, congressos, cursos, pesquisas e todos os mecanismos que permitam levantar dados reais de cada contexto, seus óbices e as possíveis soluções trabalho de gente que quer solução e não simplesmente se queixar (BARBOSA, 2011). Este artigo constitui um relato do projeto Prevenção à Dependência Química, realizado no estado de Santa Catarina, desenvolvido pela Fundação Universidade do Tocantins e pelo Governo do Estado do Tocantins por meio do curso de Serviço Social. De acordo com Barbosa (2011), a Unitins e o curso de Serviço Social contribuem para que as diversas forças comunitárias se mobilizem e promovam amplos debates e planos de ação como a capacitação de seus alunos e profissionais para que somem à sua práxis novas abordagens e metodologias, necessárias a todas as ações relacionadas à saúde, particularmente, aquelas relacionadas à Saúde Comunitária e à Saúde Mental. Ações integradas são de fundamental importância nas relações entre a Universidade e os aparatos governamentais, de tal forma que se possa articular Saúde Mental com as políticas públicas do Estado, via intersetorialidade. Relato da experiência do projeto piloto em Santa Catarina A Fundação Universidade do Tocantins é uma Universidade presente em todo o território nacional. Em Santa Catarina, atuaram dezesseis profissionais de Serviço Social (um coordenador, nove supervisores de campo e seis supervisores acadêmicos). O projeto de extensão Prevenção à Dependência Química foi aplicado em Polos com supervisão acadêmica realizada por professores orientadores e supervisão de campo feita por professores assistentes sociais, todos vinculados à Unitins, com acompanhamento presencial de assistentes sociais, supervisores regionais contratados também pela Unitins. As atividades contempladas no projeto de extensão foram realizadas por acadêmicos estagiários do curso de Serviço Social da Unitins em três etapas nos municípios: Araranguá, Içara, Dionísio Cerqueira, Campos Novos, São João Batista, São Francisco do Sul e Joinville. 45
46 46 Etapas do projeto em Santa Catarina Na primeira etapa do projeto, os acadêmicos elaboraram um relatório diagnóstico a partir de levantamento e mapeamento da rede de políticas públicas de prevenção e combate à dependência química na educação, na saúde e na segurança pública. Nesse aspecto, o projeto oportunizou um momento de produção e difusão do conhecimento, pois os estagiários desenvolveram ações como: visitas domiciliares, visitas institucionais, diagnóstico da situação da dependência química, mapeamento da rede por meio da construção do relatório diagnóstico. Na segunda etapa do projeto, foi oferecido o curso de capacitação Prevenção à Dependência Química a funcionários públicos da saúde, da educação, da segurança pública, da sociedade civil organizada e de comunidades, chamados de multiplicadores. Esse curso foi ministrado em polos espalhados pelo estado de Santa Catarina. Os acadêmicos, sob orientação do supervisor de campo e do supervisor acadêmico, divulgaram o curso de Prevenção à Dependência Química, organizaramno e mediaram os encontros presenciais voltados para a capacitação dos multiplicadores. O curso foi estruturado em seis módulos distribuídos em seis semanas. Cada encontro presencial foi mediado pelo supervisor de campo e por acadêmicos. Os encontros tiveram uma sequência de atividades previamente definidas e os multiplicadores assistiram às teleaulas ministradas pelos professores autores dos módulos, todos especialistas na área de dependência química. Para obter o certificado de 60h, emitido pela Fundação Universidade do Tocantins, os multiplicadores elaboraram um projeto de intenção de ações de prevenção à dependência química. Esse projeto de intenção de aplicabilidade do potencial de multiplicação em seus locais de trabalho (instituições ou comunidade) cumpriu com a meta maior do projeto Prevenção à Dependência Química, que é a multiplicação de ações de prevenção. Na terceira e última etapa do projeto, os acadêmicos, sob a orientação do supervisor de campo e do supervisor acadêmico, aplicaram uma pesquisa participante via o instrumental (visita domiciliar) para coletar dados nos municípios onde estão localizados os Polos da Unitins. Os dados serão enviados para a Secretaria Nacional de Combate às Drogas, à Secretaria Nacional de Segurança Pública, ao Ministério da
47 Educação e ao Ministério da Saúde, para que possam servir de subsídios para elaboração de políticas públicas na área da prevenção da DQ. O conhecimento decorrente da aplicação da pesquisa em dependência química também foi um veículo de aprendizagem e mudança de postura, permitindo maior participação da sociedade e das comunidades no processo de construção e utilização desse conhecimento por meio da implementação de ações de combate e prevenção da dependência química. Resultados obtidos na pesquisa realizada nos municípios de Santa Catarina Seguem as considerações finais dos relatórios de pesquisa elaborados por acadêmicos do curso de Serviço Social, sob a coordenação dos supervisores de campo. Joinville Observou-se, durante a pesquisa, que ainda há certo receio para se falar sobre a dependência química. Apesar de aparentar estar intimamente ligada à dependência química, a sociedade ainda desconhece as formas de prevenção, trato e tratamento, porém é conhecedora dos tipos de drogas e dos locais de uso. Isso demonstra que vivemos em uma sociedade de risco, e o verdadeiro colapso da dependência está apenas no início. Os conflitos familiares são os vieses da busca a tais substâncias, pois, por mais que se fale da importância do diálogo familiar, ainda pouco acontece. Constatou-se, durante a pesquisa, como o consumo de drogas está próximo de nossos lares e atentou-se para a inércia em que se encontra a família no trato com a dependência. Toda criança necessita de um útero social para se desenvolver e, em seu primeiro momento, é a família que a constitui. Percebe-se que isso ainda não é assimilado pela família, buscando no controle da rebeldia e no consumismo a solução para os seus conflitos. Atenta-se para o fato de vivermos a era das especificidades. Poucas ações, tanto na esfera pública como nas iniciativas da sociedade civil, são voltadas para a visão do todo que envolve a família e, principalmente, do comprometimento de seus membros com a dependência química. 47
48 Içara Por meio do estudo, foi possível caracterizar o perfil social, econômico e cultural e o nível de conhecimento da população içarence em relação à dependência química. Certamente esse estudo despertou na população a concepção de que o problema de dependência química é um problema social inerente a todos nós. Em relação aos serviços existentes no município, Içara dispõe de uma rede estruturada, contudo esses serviços ainda são insuficientes para atender à demanda. Trabalhar com a prevenção é difícil, necessitamos de trabalhadores e comunidade no mesmo grau de envolvimento, pois o resultado depende do comprometimento de ambas as partes. Na análise das alternativas apontadas, a população fez muita referência à necessidade de mais informação (palestras, reuniões nas comunidades), à educação por meio do trabalho sistemático em sala de aula. A fiscalização deveria ser mais atuante, e deveria ter mais clínicas direcionadas ao tratamento, pois as vagas disponibilizadas à população são insuficientes. Certamente os trabalhos devem ser intensificados nas comunidades, com aproximação dos trabalhadores da área da saúde, da educação e da assistência social. É fundamental a democratização das discussões, é preciso perceber que a participação da sociedade é um fator determinante para o sucesso de qualquer iniciativa. Para ocorrerem transformações, as ações preventivas devem ser pautadas em princípios éticos, em busca da promoção de valores voltados à saúde física e mental, individual e coletiva. Toda ação preventiva deve ser planejada. Ressaltamos também que as campanhas educacionais e preventivas precisam ser claras, atualizadas e com embasamento científico, considerando sempre as especificidades do público-alvo e as diferenças culturais. Concluímos que é essencial a participação de todos os atores sociais, possibilitando que se tornem multiplicadores, com objetivo de ampliar, articular e fortalecer as redes de atenção à dependência química, visando ao desenvolvimento de um trabalho interdisciplinar e multiprofissional. Araranguá O projeto teve como objetivo demonstrar o impacto provocado 48
49 pelo uso/abuso de drogas lícitas e ilícitas na sociedade. Atualmente, a postura social diante do uso de drogas é marcada pela contradição do lícito e do ilícito, bem como pelas diversidades de opiniões a respeito dos danos, dos benefícios, do prazer e do desprazer. As novas tecnologias de informação e comunicação acompanham essas contradições. De um lado, a população recebe uma série de informações sobre a violência relacionada ao tráfico e sobre os perigos das drogas e, por outro lado, é alvo de sofisticadas propagandas para estímulo das vendas de drogas, como, por exemplo, as bebidas alcoólicas. Nesse contexto, os grupos de drogas semelhantes em vários aspectos farmacológicos passam a ser encarados tão distintamente na opinião pública, o que gera posturas extremamente incoerentes sob a ótica da saúde. Diante dos dados coletados e analisados na pesquisa, ficou evidente que os entrevistados têm acesso a informações sobre drogas através dos meios de comunicação. As formas de comunicação e a publicidade têm como objetivo explícito promover a mudança de comportamento. Esse é um poderoso instrumento nos tempos modernos, em que a informação parece ser a alma do negócio, tanto para o bem quanto para o mal. Por fim, ressaltamos que o problema do uso indevido de drogas é sério. Sabemos também que só as boas intenções não são suficientes para planejarmos uma ação preventiva. Somos seres humanos e muitas vezes não enxergamos o problema de forma completa. Por isso, é de grande importância contar com especialistas e membros da comunidade local para que se coloquem em prática ações e, assim, se assimilem novos conceitos para lidar com situações inesperadas em relação à dependência química. Dionísio Cerqueira A pesquisa participativa abrangeu uma amostra de um público com condições socioeconômicas medianas, na grande maioria pessoas com profissão definida, uma porcentagem significativa de pessoas formadas em cursos superiores, porém, em relação ao conhecimento de fato sobre drogas, poucas evidências foram apresentadas, mostrando que ainda falta conhecimento sobre o tema drogas. Nesse caso, é urgente realizar políticas públicas voltadas à informação e, principalmente, à prevenção. Somente assim poderemos prevenir esse mal que assola nossas crianças, nossos jovens e nossas famílias. 49
50 São João Batista A pesquisa tinha como finalidade subsidiar a elaboração de políticas públicas para o setor e projetos de intervenção na forma de ações extensionistas. A proposta se caracterizou por uma pesquisa voltada para os serviços de atenção à dependência química. Os questionários foram entregues às acadêmicas de Serviço Social que realizaram a pesquisa e a coleta de dados no município de São João Batista - SC. Os dados foram tabulados pelas acadêmicas e enviados à coordenadora de estágio para posterior encaminhamento à Unitins que se encarregaria de inserir os dados coletados em um programa estatístico de computador. Ressaltamos que o processo de intervenção na comunidade foi de grande importância, pois trouxe novos conhecimentos às acadêmicas. Após todo o processo de pesquisa, de tabulação e de coleta de informações, os dados servirão para futuras ações governamentais que possam se traduzir em programas eficientes de prevenção e tratamentos à dependência química no município de São João Batista, assim como nas demais localidades onde o projeto se inseriu. Campos Novos No decorrer do percurso do projeto de extensão Prevenção à Dependência Química, verificamos a gravidade do problema que cresce em nossa comunidade. Por esse motivo, o projeto teve por objetivo capacitar multiplicadores para trabalhar na prevenção à dependência química em nosso município. Esse projeto teve como propósito abranger as áreas da saúde e da educação. O curso não teve o respaldo esperado, mas os participantes se empenharam com o intuito de aprender e depois aplicar o aprendizado no trabalho e na comunidade. Por meio dos dados coletados e analisados na pesquisa, pudemos perceber que ainda falta informação sobre o assunto, e que um trabalho consistente precisa ser feito, pelo fato de ser um assunto polêmico e preocupante. Na maioria das opiniões, esse problema já vem sendo considerado normal, o que torna o uso e o abuso das drogas cada vez maior. Várias pessoas se colocaram a favor da liberação da maconha e de outras drogas, por acharem que, com isso, a violência teria um fim, pois não haveria mais a disputa pelos pontos de venda, causando, assim, a 50
51 baixa nos preços. Outro fator relevante é a descrença do cumprimento às leis, o que leva a comunidade a não acreditar que o problema tenha solução, muitos creem que vamos ter de conviver com o problema e nos calar com medo de repreensão por parte dos traficantes. Verificamos também que a maioria percebe que as famílias encontram-se desestruturadas, e que os pais já não têm mais autoridade sobre os seus filhos. Outro fator preocupante é de que algumas escolas dizem não vivenciar esse problema com os alunos, talvez tentando maquiar o que todos sabem existir. Para finalizar, constatamos que muitas coisas ainda precisam ser feitas para que haja solução para esse grave problema e que é necessário maior empenho por parte da sociedade e das autoridades em geral, pois a situação de uso de drogas tanto lícitas quanto ilícitas tende a se agravar. São Francisco do Sul Ficou evidente que a maioria da população pesquisada não sabe a diferença entre uso, abuso, dependência de drogas e dependência química. Podemos concluir, analisando os dados apresentados pela pesquisa, que a população de São Francisco do Sul tem conhecimento da existência do problema com drogas no município, mas carece de esclarecimentos técnicos, para que ocorra redução da problemática das drogas. Com os resultados obtidos com a pesquisa, ficou evidente a importância do trabalho multidisciplinar e integrado entre profissionais da área, comunidade e representantes do governo, para a diminuição do fenômeno. A prevenção por meio da educação nas escolas/capacitação é citada em todos os municípios pesquisados como fator primordial na busca do combate ao uso de drogas. De acordo com Carvalho (2011), o combate ao uso de drogas com educação, consciência e atitudes é uma decisão de foro íntimo, que pode ser significativamente fortalecida por meio de ações que ampliem a consciência crítica sobre o assunto. Melo e Stadnik (2011) sugerem como possibilidades de prevenção ao uso de drogas o diálogo, ou seja, a voz do aluno deverá ser a principal meta dos modelos de educação que estão se alicerçando hoje. 51
52 Considerações finais A realização do projeto como campo de Estágio oportunizou ao acadêmico uma interação entre a bagagem teórico-metodológica ministrada nas disciplinas durante o curso de Serviço Social EaD e o exercício profissional. A proposta do projeto foi embasada na importância da produção e da difusão do conhecimento, já que iniciativas como essa podem acelerar o desenvolvimento humano e social das regiões pesquisadas como forma de combate e prevenção às situações desencadeadoras da dependência química. O projeto foi também uma fonte de conhecimento e atualização, pois proporcionou discussões e reflexões nas diversas áreas da saúde, com embasamento científico sólido e suficiente para ampliar a visão crítica a respeito da dependência química, bem como um mapeamento da situação no estado de Santa Catarina. Além disso, propiciou análise de estratégias de prevenção na forma de projetos de intervenção realizados pelos acadêmicos de Serviço Social que poderão se transformar em apoio à implantação de políticas públicas envolvidas nesse tema complexo. Referências BARBOSA, L. J. Estudos das substâncias psicoativas. In: MELO, M. T. de (Org.). Prevenção à dependência química. 2. ed. Palmas: Unitins, p CARVALHO NETO, C. Z. Educação por projetos. In: MELO, M. T. de (Org.). Prevenção à dependência química. 2. ed. Palmas: Unitins, p DIVISÃO ESTADUAL DE NARCÓTICOS. Dependência química. Disponível em: < Acesso em: 23 mar MELO, M. T.; STADNIK, L. Processo de prevenção em dependência química. In: MELO, M. T. de (Org.). Prevenção à dependência química. 2. ed. Palmas: Unitins, p MENEZES, S. Adolescência e drogas I. Disponível em: < casadia.org/prevencao/adolescencia-drogas-i.htm>. Acesso em: 23 mar VELHO, G. Dimensão cultural e política do mundo das drogas. Projeto e metamorfose: antropologia das sociedades complexas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editores,
53 A ARTICULAÇÃO DO ENSINO, DA PESQUISA E DA EXTENSÃO NA CONSTRUÇÃO DE UMA POLÍTICA SOCIAL NO COMBATE À DEPENDÊNCIA QUÍMICA Alessandra Ruita Denise Sodre Dorjó Resumo Este artigo apresenta o resultado de ações e análises desenvolvidas pelo Grupo Interdisciplinar de Pesquisa em Políticas Públicas sobre a temática da dependência química, a partir do tripé clássico da Universidade: ensino, pesquisa e extensão. O projeto foi idealizado pela Fundação Universidade do Tocantins, acompanhado por professores e assistentes sociais, com a participação de acadêmicos do curso de Serviço Social, turma O projeto se subdividiu em duas partes. Na primeira parte do projeto, foi realizado capacitação de duzentos professores da rede estadual das cidades de Araguaína, Araguatins, Guaraí, Gurupi e Palmas. O objetivo foi possibilitar a eles subsídios e fundamentação para atuarem com a temática da dependência química. Nessa fase, os acadêmicos puderam exercer a monitoria com os participantes do curso. Na segunda fase, foi realizada uma pesquisa por 32 acadêmicos estagiários do curso de Serviço Social da Unitins, na forma de pesquisa de opinião sobre a dependência química. O projeto possibilitou a capacitação de professores que se tornaram multiplicadores de informações sobre as consequências do consumo de drogas na saúde física e mental. Os dados levantados poderão embasar a promoção da integração de políticas de prevenção e combate ao uso indevido de drogas, o desenvolvimento de ações articuladas para a diminuição de fatores de risco, ações de redução de oferta de drogas e fortalecimento de fatores de proteção para melhorar a qualidade de vida dos tocantinenses. Palavras-chave: dependência química, pesquisa, extensão. 53
54 54 Introdução A Fundação Universidade do Tocantins - Unitins, primeira instituição universitária do estado do Tocantins, tem como objetivo a efetivação de uma educação democrática, justa e aberta aos sinais do tempo e da cultura tocantinense, prima por processo educativo de qualidade nos cursos presenciais de Direito, Engenharia Agronômica, Serviço Social e Análises de Sistemas; Administração, Ciências Contábeis, Letras, Matemática, Pedagogia, Serviço Social e os Cursos Tecnólogos: Fundamentos Judiciários e Análises de Sistemas, na modalidade a distância; Letras-Português/Espanhol e Pedagogia em parceria com Sistema da Universidade Aberta do Brasil. Portanto, a Instituição se faz presente na vida dos tocantinenses e de outros brasileiros. No espaço da Universidade, o ensino, a pesquisa e a extensão estão imbricados, visto ser o compromisso da Instituição possibilitar ao estudante gerar saberes que são essenciais para o funcionamento da sociedade em que está inserido. Ademais, sabe-se que, por meio da pesquisa, o homem detecta os problemas e vislumbra soluções. É por isso que a Unitins desenvolve estudos e pesquisas com o propósito de buscar soluções para os problemas que dificultam a convivência harmoniosa do homem com seu meio e sua comunidade. Ao profissional do curso de Serviço Social cabe promover mudanças sociais. De acordo as Diretrizes Curriculares Nacionais (2001, p. 13), o Assistente Social é o profissional que atua nas expressões da questão social, formulando e implementando propostas de intervenção para seu enfrentamento, com capacidade de promover o exercício pleno da cidadania. Assim, os princípios dos direitos humanos e a justiça social são fundamentais para o Serviço Social. Com o objetivo de contribuir com a qualidade de vida e do bemestar social, os assistentes sociais atuam nas demandas advindas da dependência química. Eles estão inseridos em programas de prevenção e reabilitação, na elaboração e no acompanhamento de políticas públicas implementadas nas três esferas governamentais e nas não governamentais que visam à saúde e ao combate a todos os malefícios que as drogas provocam. Em face disso, os propósitos essenciais do curso de Serviço Social centram-se na busca universalizante da inclusão dos grupos marginalizados, socialmente excluídos, despossuídos, vulneráveis. As
55 barreiras, as desigualdades e as injustiças existentes nas sociedades causam a desestruturação de indivíduos, famílias, grupos e comunidades. Nessa perspectiva, assistir e mobilizar fomentando as pessoas para seu comprometimento com a defesa de políticas coerentes, com a formulação de propostas de mudanças estruturais facilitadoras do bemestar social, são focos de interesse e de investigação-ação do assistente social. Dessa forma, para realização do estágio supervisionado do curso de Serviço Social, que é uma atividade curricular obrigatória, desenvolvida a partir da inserção do acadêmico no espaço socioinstitucional, com o objetivo de oportunizar a experiência do exercício profissional, desenvolveu-se um projeto que articulasse ensino, pesquisa e extensão, voltado à temática da dependência química. Essa ação possibilitou a reflexão sobre a problemática crescente do uso e do abuso de drogas, a realidade do Estado em relação ao fenômeno e, consequentemente, o desenvolvimento de políticas públicas que contemplarão ações de caráter preventivo. Com o objetivo de promover uma melhor aprendizagem resultante da articulação do ensino, da pesquisa e da extensão, com o foco na realidade da dependência química, tão presente entre crianças e jovens da rede pública de ensino tocantinense, docentes pesquisadores da Unitins iniciaram, em 2011, juntamente com alunos do curso de Serviço Social, turma 2008, a presente pesquisa. Lemos (2011, p. 49) destaca que Toda intervenção em dependência química deve ser multidisciplinar e integrada. Além do tratamento clínico farmacológico, são imprescindíveis as abordagens psicossociais voltadas para o paciente e para a sua família, incluindo os grupos de autoajuda [...]. Nessa perspectiva, para intervenção em dependência química, é necessária a atuação profissional de diversas áreas, bem como capacitação dos profissionais, visto a complexidade do trabalho que envolve atuar com dependentes químicos, já que sofrem de uma patologia complexa relacionada a aspectos orgânicos, emocionais e sociais. 55
56 Contexto histórico e conceitos de droga O consumo de substâncias psicoativas é um fenômeno civilizatório que sempre ocorreu em todas as culturas. O álcool esteve sempre presente em festas e rituais religiosos, é, portanto, a droga mais antiga utilizada pela humanidade. Barbosa (2011, p. 9) expõe que A palavra droga foi utilizada na língua pela primeira vez pelos franceses como drogue, definida como substância química ou farmacêutica, remédio, produto farmacêutico. Atualmente, a medicina define droga como: qualquer substância capaz de modificar o funcionamento dos organismos vivos, resultando em mudanças fisiológicas ou de comportamento. O autor salienta que, atualmente, a medicina aponta as drogas como substâncias que alteram o funcionamento, a fisiologia e o comportamento dos organismos vivos. Essas substâncias modificam o funcionamento da mente e do corpo, alterando os sentidos e as atitudes das pessoas. Hoje, a relação com as substâncias psicoativas é grande. Seja em nossa cultura ou em outras, de forma lícita ou ilícita, sagrada ou não, elas estão bastante presentes na nossa realidade. As características do consumo das substâncias psicoativas modificaram-se significativamente nas últimas décadas, colocando em risco a vida de muitas pessoas, tornando-se mais um dos fatores a espelhar o sistema econômico contemporâneo e seu ciclo da sociedade de consumo. A agência Nacional de Vigilância Sanitária, por meio da Resolução - RDC nº 101, de 30 de maio de 2001, expõe: [...] considerando a necessidade de normatização do funcionamento de serviços públicos e privados, de atenção às pessoas com transtornos decorrentes do uso ou abuso de substâncias psicoativas, segundo modelo psicossocial, para o licenciamento sanitário, adotou a seguinte Resolução de Diretoria Colegiada [...]. 56
57 Art. 1º Estabelecer Regulamento Técnico disciplinando as exigências mínimas para o funcionamento de serviços de atenção a pessoas com transtornos decorrentes do uso ou abuso de substâncias psicoativas, segundo modelo psicossocial, também conhecidos como Comunidades Terapêuticas, parte integrante desta Resolução. O Conselho Nacional Antidrogas, por meio da Resolução Nº 3/ GSIPR/CH/CONAD, de 27 de outubro de 2005, aprovou a Política Nacional sobre Drogas, que apresenta seguintes objetivos: - Conscientizar a sociedade brasileira sobre os prejuízos sociais e as implicações negativas representadas pelo uso indevido de drogas e suas consequências. - Educar, informar, capacitar e formar pessoas em todos os segmentos sociais para a ação efetiva e eficaz de redução da demanda, da oferta e de danos, fundamentada em conhecimentos científicos validados e experiências bem sucedidas, adequadas à nossa realidade. - Reduzir as consequências sociais e de saúde decorrentes do uso indevido de drogas para a pessoa, a comunidade e a sociedade. - Difundir o conhecimento sobre os crimes, delitos e infrações relacionados às drogas ilícitas e lícitas, prevenindo-os e coibindo-os por meio da implementação e efetivação de políticas públicas para a melhoria da qualidade de vida do cidadão. - Garantir rigor metodológico às atividades de redução da demanda, oferta e danos, por meio da promoção de levantamentos e pesquisas sistemáticas, avaliados por órgão de referência da comunidade científica. - Garantir a realização de estudos e pesquisas visando à inovação dos métodos e programas de redução da demanda, da oferta e dos danos sociais e à saúde. Para garantir a implantação de políticas sociais e econômicas e o 57
58 enfrentamento do problema das drogas, a Lei nº , de 23 de agosto de 2006, dispõe que: Art. 1º Esta Lei institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas - Sisnad; prescreve medidas para prevenção do uso indevido, atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas; estabelece normas para repressão à produção não autorizada e ao tráfico ilícito de drogas e define crimes. Parágrafo único. Para fins desta Lei, consideram-se como drogas as substâncias ou os produtos capazes de causar dependência, assim especificados em lei ou relacionados em listas atualizadas periodicamente pelo Poder Executivo da União. Art. 2º Ficam proibidas, em todo o território nacional, as drogas, bem como o plantio, a cultura, a colheita e a exploração de vegetais e substratos dos quais possam ser extraídas ou produzidas drogas, ressalvada a hipótese de autorização legal ou regulamentar, bem como o que estabelece a Convenção de Viena, das Nações Unidas, sobre Substâncias Psicotrópicas, de 1971, a respeito de plantas de uso estritamente ritualístico-religioso. A legislação determina medidas para a prevenção e o combate ao uso indevido de drogas, bem como o atendimento e a atenção ao usuário para a sua reinserção social. Em consonância com a lei, é fundamental o equilíbrio entre as ações de prevenção, de tratamento e de reinserção social. Para tanto, é necessário que as estratégias de ação integrem os três níveis: prevenção, intervenção e ressocialização. As diretrizes da Política Nacional sobre Drogas determinam que as atividades de prevenção do uso indevido de drogas são aquelas que reduzem os fatores de vulnerabilidade e risco e fortalecem os fatores de proteção. Nessa perspectiva, torna-se bastante abrangente o campo de ação da prevenção, ao mesmo tempo em que fica difícil coletar e sistematizar informações que possam subsidiar as políticas sobre drogas, principalmente, para a prevenção. Apesar do investimento em capacitações, ainda é deficitária a 58
59 avaliação do processo e da efetividade dos programas e das políticas referentes ao combate ao uso de drogas. Esse dado justifica toda e qualquer ação ou intenção de sistematização e de análise da atual conjuntura do uso indevido de drogas no País. Barbosa (2011, p. 13) expõe que, Embora muitos estudos e ensaios sobre intervenções nos contextos motivados pelo fenômeno do uso indevido de drogas estejam sendo realizados, ainda nos deparamos com barreiras, como os interesses econômicos envolvidos na produção e na venda de drogas (lícitas e ilícitas), a incompreensão social do problema e a falta de recursos (humanos e materiais) para o seu tratamento. Ainda são insuficientes as investigações que abordam a questão em suas múltiplas dimensões, pois os estudos se reduzem, na sua quase totalidade, aos diagnósticos de situações e investigações sobre a consequência mais dolorosa do uso de drogas: a morte. Portanto, por mais que haja intervenções na sociedade em relação ao fenômeno da dependência química, pouco ocorre de avaliação e acompanhamento das ações de prevenção e recuperação que são implantadas. Assim, percebe-se a necessidade de mais pesquisas e estudos que abordem a questão das drogas, já que estamos diante de um problema complexo que requer informações e conhecimento sobre a realidade social que o envolve. Há na sociedade uma crise de valores, em que o comportamento e a concepção do viver comunitariamente não se embasam em padrões éticos de valores, não há preocupação com as consequências, o que se vê é a busca pelo prazer do agora, em que os critérios são imediatistas. Segundo Lipovetsky (1989, p. 176), a sociedade atual estimula cada um a tornar-se mais senhor e possuidor de sua própria vida, a autodeterminarse em suas relações com os outros, a viver mais para si próprio. Nesse contexto, entende-se que os indivíduos estão mais livres na busca da realização com o consumismo e mais permissivos ao novo. Nas palavras de Marroco 1997 apud Schmitz et al. (2003, p. 99), [...] um valor é uma crença, um grau de importância que o sujeito atribui a um modo específico de ser e de agir. Nesse sentido, valores 59
60 60 sociais são fundamentais para a convivência coletiva. Para Moreno Marimon e Vilarrasa (2002, p. 5), os valores representam a base dos eixos fundamentais que orientam a vida e constituem a chave do comportamento humano. Nesse sentido, se há fragilidade na base moral e de valores, os adolescentes e os jovens ficam vulneráveis. Quando citamos a vulnerabilidade, estamos falando em sentido amplo, relacionada ao Estado de Bem-Estar Social. Dentro desse cenário, a dependência química (DQ) tem sido a causa de modificações dos valores da vida, como organização, confiança, pontualidade, diálogo, solidariedade, humildade, dignidade, responsabilidade, dedicação, respeito, discernimento, disciplina, sinceridade, honestidade. De fato, vive-se em uma sociedade com profundas alterações científicas, tecnológicas e econômicas, e há uma grande dificuldade de algumas pessoas em lidar com a complexidade da sociedade consumista. Isso implica reflexo na saúde física e psíquica, o que impacta na qualidade de vida das pessoas e na coletividade. Por essa razão, a Fundação Universidade do Tocantins elaborou o projeto Prevenção à Dependência Química, que envolveu as três dimensões que formam o tripé da Universidade: ensino, pesquisa e extensão. Esse projeto foi aprovado pelos conselhos universitários Consepe e Consuni, bem como teve aval do Comitê de Ética, que autoriza pesquisas que envolvem seres humanos, com a finalidade de garantir e resguardar a integridade e os direitos dos participantes da pesquisa. O projeto possibilitou aos estagiários do curso de Serviço Social problematizar sobre a dependência química junto aos professores da rede estadual de ensino do Tocantins, que realizaram o curso de Prevenção à Dependência Química. A partir dele, os estagiários puderam exercer a monitoria com os participantes do curso e, ainda, realizar uma pesquisa sobre o fenômeno da dependência química. A metodologia escolhida para o estudo foi a descritiva, visto que o foco do projeto era descrever, analisar e interpretar os dados fornecidos por um corpus de informantes, entre eles, pais, professores e alunos. Os dados foram coletados por 32 acadêmicos estagiários do curso de Serviço Social da Unitins, na forma de pesquisa de opinião sobre a dependência química no Tocantins. A pesquisa também se constitui em uma ação orientada pela coleta de dados e por subsidiar a elaboração de políticas públicas para o setor e os projetos de intervenção na forma de
61 ações extensionistas. Essa proposta de projeto se embasou na importância da produção e da difusão do conhecimento sobre a temática, o que possibilitaria acelerar o desenvolvimento humano e social nas regiões do campo da pesquisa, bem como permitiria que políticas de combate e prevenção às situações desencadeadoras da dependência química fossem projetadas, já que o cenário é desvelado. A fim de proporcionar a aquisição de conhecimentos e desenvolver habilidades necessárias ao exercício das funções de assistente social, para o cumprimento das 360 horas de estágio, 32 acadêmicos desenvolveram ações como: visitas domiciliares, visitas institucionais, diagnóstico da situação da dependência química, mapeamento da rede, para a coleta de dados da pesquisa, com a aplicação de questionários. Vale destacar que o conhecimento decorrente das ações do projeto foi um veículo de aprendizagem e mudança de postura, visto que permitiu maior participação das comunidades, por meio da implementação de ações de socialização de informações e por meio do curso, no sentido de desenvolver o combate e a prevenção à dependência química. Realização do curso e aplicação da pesquisa no estado do Tocantins Em 8 de outubro de 2011, na cidade de Palmas, estado do Tocantins, deu-se início às atividades do projeto Prevenção à Dependência Química, realizado pela Fundação Universidade do Tocantins em parceira com a Secretaria Estadual de Educação. A primeira etapa do projeto aconteceu nas escolas estaduais das cidades de Palmas, Gurupi, Dianópolis, Guaraí, Araguaína e Araguatins. Nessa etapa, foram capacitados duzentos docentes da rede estadual de educação, por meio de seis encontros de formação, com a utilização de videoaulas, tendo como facilitadores os estagiários do curso de Serviço Social da Unitins. Foi distribuído aos professores material didático com conteúdos pedagógicos especializados na temática e, também, disponibilizada mídia didática permanente, por meio de acesso ao portal da Unitins. Foi disponibilizado, no site < id=579>, o seguinte material: Guia Pedagógico (vídeo), Prevenção à 61
62 Dependência Química (livro), Turminha da Vida Receita Federal do Brasil e AAMHOR (vídeo), Turma da Vida e Animação Interativa IFCE (vídeo). Esse material utiliza linguagem adequada à faixa etária dos alunos do Ensino Fundamental, o que facilita a compreensão e possibilita reflexão sobre os elementos que seriam temas das discussões, o que poderia auxiliá-los a terem mais segurança para atuar como sujeito de sua ação, ser ativo, observador e pensar sobre o fenômeno. Esse material didático possibilita aos professores subsídios e fundamentação para atuar com a temática da dependência química de forma eficaz, buscando compreender as situações sem conflitos desnecessários e desgaste de sua imagem perante os alunos, consolidando a construção da relação de confiança, tão necessária para que a aprendizagem aconteça de maneira satisfatória. Dessa forma, a capacitação e o material de suporte tornam os docentes aptos para multiplicar os ensinamentos, discutir, problematizar e intervir sobre a dependência química junto aos alunos da rede estadual do Tocantins. Sabe-se que, quando o professor é conhecedor do assunto, pode estabelecer uma comunicação autêntica com seus alunos, e que a aprendizagem está diretamente relacionada às relações interpessoais, já que a relação pedagógica funda-se nas relações humanas. Portanto, o conhecimento sobre os fenômenos que interferem na vida social dos alunos são de fundamental importância aos responsáveis por acompanhar a vida estudantil de crianças, adolescentes e jovens. A partir disso, percebe-se que a concepção do estado de educação vai ao encontro das ideias de Brunner (1974, p. 120), quando afirma que A educação deve procurar desenvolver o processo da inteligência de modo que o indivíduo seja capaz de ir além dos hábitos culturais do seu mundo, capaz de inovar, por mais modesta que seja esta inovação, de modo que possa criar uma cultura interna própria. Pois qualquer que seja a arte, a ciência, a literatura, a história, a geografia de uma cultura, cada homem tem que ser o seu próprio artista, o seu próprio cientista, o seu próprio historiador, o seu próprio navegador [...]. 62 Conforme as palavras do autor, a prática de ensino que proporciona
63 o pensar e o experimentar possibilita ao aluno buscar as respostas às suas perguntas, relacionar e acionar os conceitos já aprendidos nas diversas áreas do saber. É nesse cenário de ensino que o professor precisa estar preparado, pois se deparará com perguntas e situações diversas. O que requer do docente permanecer em estado contínuo de aperfeiçoamento, para que acompanhe o desenvolvimento das diversas áreas do conhecimento e as mudanças nas estruturas materiais e institucionais da sociedade. Essas ideias vão ao encontro das palavras de Freire (1997, p. 20), quando afirma que A educação é permanente não por que certa linha ideológica ou certa posição política ou certo interesse econômico o exijam. A educação é permanente na razão, de um lado, da finitude do ser humano, de outro, da consciência que ele tem de finitude. Mas ainda, pelo fato de, ao longo da história, ter incorporado à sua natureza não apenas saber que vivia, mas saber que sabia e, assim, saber que podia saber mais. A educação e a formação permanente se fundam aí. Nessa perspectiva, o processo de formação do professor deve ser contínuo e ininterrupto, visto que ele precisa ser um profissional comprometido com toda a extensão que implica a sua formação e a do aluno. De acordo Enricone (2004), a docência envolve o professor em sua totalidade, portanto esse profissional precisa construir-se diariamente, já que o mundo do conhecimento é mutável, está em constante transformação. Compreende-se que ambiente educacional deve ser visto como um espaço propício para o desenvolvimento das relações entre as pessoas. Para tal, o educador precisa conhecer o contexto social, psicológico e cognitivo do educando para que possa ser o intermediário das situações de aprendizagem, planejando estratégias de ensino-aprendizagem eficientes para trabalhar conceitos, linguagens e atitudes. Assim, quando se deparar com situações complexas para as quais deve encontrar respostas criativas e que dependem de sua capacidade e habilidade de leitura da realidade, do contexto situacional, perceba que sua ação estende a outros espaços da escola e da sociedade. Portanto 63
64 64 conhecer um pouco da realidade do fenômeno da dependência química no meio social em que está inserido fará muita diferença na escola. No final da primeira etapa, foi aplicado um questionário que objetivou contribuir para o desenvolvimento de estudos etnográficos, de observação e levantamento de informações para construir um cenário de conflito sobre DQ, bem como analisar e interpretar as realidades contextualizadas da problemática de dependência química. Ao final dessa etapa, ainda, os professores fizeram uma avaliação dos módulos, pontuando os aspectos positivos da parceria da Fundação Universidade do Tocantins com a Secretaria Estadual de Educação e apontando os aspectos a serem melhorados no processo de mobilização e capacitação sobre a questão da dependência química. Percebeu-se, nos espaços de discussão (fórum/debate), um momento rico de construção e socialização de conhecimento com a participação ativa e crítica dos professores e a mediação dos estagiários. Aspectos como a ausência de recursos humanos e de gerenciamento para desenvolver projetos de prevenção e combate ao uso/abuso de drogas nas unidades escolares foram levantados. Foram apontados pelos professores que problemas familiares, más companhias, desequilíbrio, rebeldia, mídia e a curiosidade são alguns dos fatores que levam adolescentes e jovens a experimentarem drogas lícitas e ilícitas. Nota-se, a partir do relato dos docentes, que vem crescendo a utilização de drogas mais baratas e mais prejudiciais ao usuário, como o álcool, o crack e o oxi. Ressalta-se, ainda, a ausência de aparelhos estatais que deveriam proteger e orientar adolescentes e jovens, como o Conselho Tutelar. Ao longo dessa etapa do projeto, percebeu-se uma crescente adesão por parte dos docentes que foram comparecendo em maior número e assumindo a proposta do projeto. Ressalta-se o envolvimento dos estagiários que, em sintonia com as orientações dos supervisores de campo e acadêmico, desenvolveram com aptidão as responsabilidades a eles atribuídas. A questão do uso de drogas abarca uma complexidade de aspectos, o que torna inútil tentar compreendê-los de forma unilateral. Assim, após essa etapa dos trabalhos, os professores constituíram um espaço de análise, que contribuiu para o projeto de intervenção elaborado pelos estagiários do curso de Serviço Social da Unitins.
65 Os sujeitos-objetos da pesquisa, nessa etapa, foram, essencialmente, adolescentes e jovens de classe socioeconômica diversificada, estudantes das escolas estaduais participantes do projeto, bem como seus pais ou responsáveis. Foi nessa etapa que o projeto configurou como um momento de pesquisa, pois os estagiários desenvolveram ações como: visitas domiciliares, visitas institucionais, observação em campo, diagnóstico institucional e da situação da dependência química, mapeamento da rede de proteção e prevenção, por meio da coleta de dados para a pesquisa com aplicação de questionários. A partir da vivência de campo dos estagiários e das respostas obtidas entre os alunos, nota-se que o quadro atual de consumo abusivo de drogas pelo público jovem demonstra a necessidade de ações preventivo-educativas direcionadas à formação de indivíduos mais reflexivos e críticos diante da oferta e das consequências biopsicossociais advindas do consumo de drogas lícitas/ilícitas, afastando-se, desse modo, daquele modelo educativo autoritário, que visa apenas à transmissão de informações sobre os malefícios advindos do consumo de drogas. A questão das drogas está repercutindo, cada vez mais, nos debates públicos, e a escola, enquanto espaço de socialização do conhecimento cultural e científico, não pode se omitir dessa discussão, uma vez que o foco do trabalho pedagógico também é a prevenção. As propostas de prevenção predominantes na sociedade legitimam um discurso moralista e repressivo, limitando, assim, a compreensão das múltiplas manifestações das drogas na sociedade. Diante disso, percebe-se a necessidade de problematizá-las e desconstruí-las, a fim de avançar em outras perspectivas que possibilitem uma análise contextualizada sobre a questão das drogas e sua prevenção. São situações como essas que evidenciam a necessidade de respondermos à questão: como se dá nossa relação com o mundo social, natural e cultural? Ora, a resposta não deve se distanciar do mundo real, deve haver uma relação global para compreender e solucionar determinado fenômeno. Dessa forma, para finalizar o seu estágio, os acadêmicos participantes do projeto fomentaram um projeto de intervenção que abordou a prevenção e o combate ao uso indevido de drogas, o que priorizou a formação dos jovens como sujeitos livres, responsáveis, 65
66 66 críticos e capazes de fazer escolhas saudáveis ao longo de suas vidas. A prevenção e o combate ao uso de drogas, no âmbito das escolas públicas estaduais do Tocantins, devem ser entendidos como um processo complexo e desafiador que requer tratamento adequado, cuidadoso e fundamentado teoricamente, por meio de conhecimentos científicos desprovidos de preconceitos e discriminações, articulado em rede que discuta o papel das escolas públicas no processo de prevenção ao uso indevido de drogas. É necessário elaboração de um programa de formação para profissionais da educação sobre esse assunto, já que essa temática deve ser desenvolvida em sala de aula pelas diferentes disciplinas da Educação Básica, com o envolvimento de todos os sujeitos da comunidade escolar nas ações preventivas. Percebe-se que a aplicação da pesquisa em dependência química foi um veículo de aprendizagem, oportunizou mais que um campo de estágio para os acadêmicos do curso de Serviço Social da Unitins, visto que possibilitou conhecimento e mudança de postura de acadêmicos, professores, pais e alunos da rede estadual e permitiu maior participação de todos em ações para o combate e a prevenção à dependência química. Dados da pesquisa Os dados gerados pela amostra apresentam o conhecimento que pais, professores, adolescentes e jovens das cidades de Araguatins, Araguaína, Guaraí, Gurupi e Dianópolis têm sobre o fenômeno da dependência química. Ao falar em dependência química, está-se falando de drogas que são definidas no Aurélio (1975, p. 493) como medicamento ou (como por ex., a maconha, a cocaína), ingeridos, em geral, com o fito de alterar transitoriamente a personalidade. As drogas podem ser lícitas, como o cigarro, o álcool, medicamentos; ou ilícitas, como maconha, cocaína, crack. Elas causam desvio na personalidade de seus usuários, fazendo com que eles tenham atitudes que não as teriam sem a influência de tais substâncias. A atitude adotada pelos usuários de drogas sai do seu controle, faz com que muitos venham a cometer crimes de pequeno ou grande potencial ofensivo, não se importando com a gravidade, simplesmente cometem na tentativa de manter seus vícios. A seguir, apresentamos alguns dados obtidos na pesquisa realizada
67 por acadêmicos do curso de Serviço Social. Gráfico 1 Participantes da pesquisa Fonte: Dados da pesquisa O gráfico 1 demonstra que, nos municípios pesquisados, o público que mais contribuiu com as pesquisas foram os alunos, seguidos dos pais e dos professores. Em relação à idade dos informantes, o gráfico 2 evidencia a diversidade, já que o de menor idade tinha dez anos e, o de maior, mais de trinta anos. Gráfico 2 Idade dos informantes Fonte: Dados da pesquisa A maioria dos informantes, 45%, apresentou idade entre 13 e 18 anos. Esse resultado evidencia a maior disponibilidade do adolescente em falar sobre drogas. 67
68 A renda familiar da maioria dos pais é de um a dois salários mínimos, já dos professores de seis a dez salários mínimos, conforme os dados do gráfico 3. Gráfico 3 Renda familiar Fonte: Dados da pesquisa Quanto ao uso de drogas, foi perguntado se sabem a diferença entre drogas lícitas e ilícitas. A maioria respondeu que sabe e declarou que álcool, bebida e medicamentos são drogas lícitas, já crack, maconha, solventes, heroína, êxtase e outras são ilícitas. Perguntou-se aos informantes quais drogas eram mais consumidas em seu setor. Os dados obtidos são expostos no gráfico Gráfico 4 Drogas mais consumidas no setor Fonte: Dados da pesquisa
69 A droga apontada como mais conhecida é o álcool, 94%; a seguir o cigarro, drogas tidas como lícitas, portanto de fácil acesso, mas tão prejudiciais ao organismo quanto as outras. A menos conhecida é o metilenodioximetanfetamina (MDMA, êxtase). Também se questionou sobre a diferença entre uso e abuso de drogas. Muitos não responderam, as poucas respostas evidenciaram que abuso refere-se ao uso errôneo dessas substâncias e causa dependência, diagnosticada com a presença da síndrome de abstinência. Já o uso é ocasional. Outro questionamento foi sobre o conhecimento de uso de drogas no bairro em que reside ou em outros lugares. As respostas são evidenciadas no gráfico 5. Gráfico 5 Conhecimento de existência de drogas no setor Fonte: Dados da pesquisa O resultado mostra que 58% dos sujeitos têm conhecimento sobre uso de drogas nas ruas; 30% apontaram o consumo de drogas nas praças; 16% falaram sobre a existência de uso de drogas nas escolas; para 8%, o consumo ocorre em prédios abandonados; e 2% têm conhecimento de uso de drogas no trabalho. Vale destacar que 28% dos informantes desconhecem a existência do consumo de droga em seu bairro. Sobre o papel da escola na prevenção das drogas, os sujeitos responderam que os alunos devem receber orientações, aconselhamento e ter acesso a palestras a respeito das consequências do uso de substâncias químicas. 69
70 Em relação ao papel da família na prevenção ao uso de drogas, os entrevistados disseram que a família deve: ajudar, aconselhar, dialogar, dar amor e apoio a todas as crianças e a todos os adolescentes. Destacase a importância da família, visto que estudos indicam o histórico familiar de alcoolismo como fator de predisposição, bem como problemas familiares como a separação dos pais, perda de um deles, dificuldade financeira, entre outros. Todos os participantes da pesquisa, quando questionados sobre o que a escola e o Poder Público poderiam fazer em relação à prevenção, ao uso e ao abuso de dependência química, apontaram realização de programas de conscientização e prevenção, mais fiscalização nas ruas, implantação de mais políticas públicas para jovens, construção de centros de lazer, programas de prevenção e centro de recuperação para dependentes de substâncias químicas. O resultado apresenta um pouco da complexidade de se compreender a relação do homem com seu corpo, com sua história e o seu ser nas interações sociais, como uma estrutura complexa relacionada ao processo de maturação, em que aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas interferem nas relações e sustentam a vida sócio-psico-afetiva do sujeito. Gráfico 6 Fiscalização do consumo de drogas Fonte: Dados da pesquisa 70 A respeito da fiscalização em relação ao consumo ou à venda de substâncias químicas para crianças e adolescentes, 53% dos informantes
71 apontaram a Polícia Militar como órgão fiscalizador, 34% sinalizaram o Conselho Tutelar, 13% o Juizado da Infância e da Adolescência, e apenas 4% apontaram a prefeitura. Fator de destaque é que 34% dos informantes disseram não conhecer nenhum órgão que faça a fiscalização para coibir o uso de drogas conhecidas como lícitas por crianças e adolescentes. Exemplo da pouca fiscalização é a comercialização de bebidas e tabaco livremente em bares, mercearias, conveniências e outros comércios. Gráfico 7 Meios de informações sobre consumo de drogas Fonte: Dados da pesquisa Em relação a informações sobre o uso e as drogas lícitas e ilícitas, 69% do corpus responderam receber informações por meio da televisão; 46% por meio de reportagens jornalísticas; 44% por meio de palestras; 35% por meio de livros e revistas; 20% nos postos de saúde; 5% por meio de cursos. O resultado não surpreendeu, visto que a TV é o veículo que está presente em todos os lugares e atinge maior número de pessoas. Esperava-se que a escola fosse citada como espaço de orientação e informação, visto que os professores que trabalham com adolescentes e jovens deveriam ser multiplicadores de informações sobre os danos que o consumo de drogas pode causar à saúde física e mental do dependente. Outra indagação foi em relação ao conhecimento sobre programas ou projetos de atendimento a dependentes de drogas em seu município (gráfico 8). 71
72 Gráfico 8 Conhecimento sobre programas ou projetos de atendimentos a dependentes de drogas Fonte: Dados da pesquisa Em relação a programas de atendimento aos dependentes químicos ofertados nos municípios, 78% dos informantes indicaram desconhecer, e 19% informaram ter conhecimento de programas e citaram o Proerd e um programa de internação da Igreja Católica, chamado Fazenda da Esperança, e o Centros de Apoio Psicossocial CAPS. Isso significa que, se há programas de atendimento, não há divulgação sobre o que é e como ter acesso. 72 Gráfico 9 Fatores que levam ao uso de drogas Fonte: Dados da pesquisa Conforme o gráfico 9, 66% dos informantes salientaram ser a influência de amigos o fator principal para o uso de drogas por crianças, adolescentes ou jovens. Então, envolve o fator social, estar entre amigos pode influenciar o uso por pressão, curiosidade, muitas vezes, por não saber dizer não, ainda mais quando o amigo que é considerado o exemplo
73 aprova ou consume drogas. Nesse cenário, o conhecimento sobre o assunto é importante, visto que possibilita ao indivíduo pensar sobre as causas e as consequências do uso e escolher se usa ou não. Relevante também foi o percentual de 54% para o item acesso facilitado às drogas. Adolescentes e jovens compram álcool e tabaco sem nenhuma fiscalização, diferente dos países desenvolvidos em que a lei é cumprida com rigidez. Com 36% aparece o fator da violência doméstica, que cada vez faz mais parte do cotidiano e, muitas vezes, a violência como próprio da condição humana é o dilaceramento do ser social, corroborando com a degradação do ser humano. Gráfico 10 Conhecimento sobre compra e venda de drogas Fonte: Dados da pesquisa Percebe-se que 69% dos informantes não presenciaram venda ou compra de drogas em locais que costumam frequentar, o que evidencia que essas transações são realizadas geralmente às escondidas, em lugares em que não há testemunhas, o que torna a coibição mais difícil. Segundo Espírito Santo e Meireles (2003, p. 131), o tráfico de drogas ilícitas, particularmente a cocaína, crack e maconha, vai seguindo a mesma trilha dos jogos de azar, ou seja, está se transformando em um grande negócio. É uma atividade ilícita, em que há planejamento, organização, pautada pela clandestinidade e pela intimidação. Considerações finais Os resultados indicam que, no estado do Tocantins, as pessoas conhecem as drogas, sabem que as lícitas são tão prejudiciais quanto as ilícitas, porém poucos conhecem programas de prevenção contra o uso 73
74 74 e, na maioria das vezes, somente quando o usuário já está dependente busca ajuda, mas nem sempre a encontra. Assim, a partir do projeto aqui apresentado, deduz-se que o aspecto pedagógico da prevenção e do combate ao uso de drogas constituise um grande desafio para a rede estadual de ensino do Tocantins, tendo em vista a sua dimensão e as situações diárias vivenciadas pelas comunidades, por professores, alunos, pais e responsáveis. Essa situação demonstra a urgência de uma discussão mais crítica e politizada. Para tanto, inúmeras variáveis precisam ser consideradas e trabalhadas, entre elas, a sociedade em que se vive, a formação dos professores, os aspectos sociais, políticos, econômicos, históricos, culturais, a realidade local e a(s) droga(s) mais utilizada(s). Compreende-se que o estágio é um período crucial na vida do acadêmico, momento em que se pode associar toda a bagagem teórica adquirida ao longo do curso com a prática. Destarte que mais importante, ainda, é realizar as horas de estágio por meio de um projeto que envolve ensino, pesquisa e extensão, quando as horas do estágio são revertidas em benefícios à comunidade buscando respostas adequadas às demandas sociais, políticas, científicas, visando ao seu desenvolvimento sustentável, melhor qualidade de vida. O projeto possibilitou a capacitação de professores que se tornaram multiplicadores de informações sobre as consequências do consumo de drogas à saúde física e mental, bem como multiplicadores de informações sobre prevenção. Destaca-se que a escola é o espaço de realização de atividades preventivas, em que os professores são atores sociais com importante papel na educação e na formação de adolescentes e jovens. O projeto resulta em dados que possibilitarão mudanças locais, sobretudo em relação à situação de risco envolvendo drogas tanto lícitas quanto ilícitas, bem como desenvolvimento de políticas públicas de prevenção e recuperação que respeite os direitos do sujeito como pessoa, como cidadão. Os dados levantados com a pesquisa podem embasar a promoção da integração de políticas de prevenção e combate ao uso indevido de drogas, também ao desenvolvimento de ações articuladas para a diminuição de fatores de risco, ações de redução de oferta de drogas e fortalecimento de fatores de proteção para melhorar a qualidade de vida dos tocantinenses.
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76 76 MORENO MARIMON, M.; VILARRASA, G. S. Nuevas perspectivas sobre el razonamiento moral. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 26. n. 2, jul./ dez SCHMITZ, E. F. et al. Valores na formação do educador. Educação Unisinos, Porto Alegre, v. 7, n. 13, 2003.
77 Parte III Relatórios de pesquisa realizados por alunos do curso de Serviço Social EaD da Fundação Universidade do Tocantins 77
78 RELATÓRIO DO POLO DE JOINVILLE SC Maristela Paz Correa Felipe Roseli Joaquim Bertram Vanessa Cristofolini Resumo Este relatório expõe os resultados colhidos a partir de pesquisa participante realizada no município de Joinville, no período de 7 a 9 de dezembro de Teve como objetivo a coleta de dados para a construção de novas políticas públicas na área da prevenção à dependência química. Buscou-se conhecer o nível de informação da população sobre drogas lícitas e ilícitas, sobre o uso e o abuso dessas drogas e os serviços referentes à prevenção e ao tratamento, bem como reflexão sobre as melhores maneiras para se trabalhar prevenção à dependência química. Palavras-chave: pesquisa, dependência química, prevenção. Introdução A cultura do prazer imediato é a marca da sociedade contemporânea. Barth (2007) salienta que vivemos a era do amar o contrário, em que se procura abandonar o velho e abraçar o novo, fato que nos traz uma sociedade insegura, insatisfeita e atrás de prazeres imediatistas. Barth (2007, p. 102), citando Boff, afirma que A pós-modernidade participa de todos os pósismos (pós-histoire, pós-industrialismo, pósestruturalismo, pós-socialismo, pós-marxismo, pós-cristianismo, etc.) com aquilo que eles têm em comum: a vontade de distanciamento de certo tipo de passado ou a recusa a certo tipo de vida e de consciência, a percepção de descontinuidade sentida e sofrida no curso comum da história, e a sensação de insegurança generalizada. 78 O homem moderno, como apresenta Barth (2007), não é feliz.
79 Ele tem certa dose de bem-estar, tem prazeres, mas vive esvaziado da autêntica alegria. A forma suprema de prazer é a sexual, o orgasmo. Busca o imediato, a satisfação rápida e sem problemas, que, a longo prazo, só acumula fracassos. Barth chega a afirmar que estamos diante da sociedade do espetáculo, como forma de fuga de tudo e de todos. As principais ideologias presentes na sociedade pós-moderna, como apresenta Barth (2007), são: Materialismo (valores éticos: ter acima do ser, ou ter para ser ), Hedonismo (o prazer acima de tudo, a qualquer preço), Permissivismo (tudo é bom, desde que você se sinta bem), Relativismo (tudo é relativo, vale a ética do consenso), Consumismo (é a cultura do desperdício, em que se vive para consumir, e essa é a única imagem valorizada), Nihilismo (viver a liberdade total é o ideal maior). Tais ideologias se coadunam aos aspectos principais que levam ao consumo de substâncias psicoativas. A atual conjuntura que envolve a dependência química nos faz repensar em valores e culturas fortalecidas nos meios de comunicação, necessitando de uma avaliação da informação levada à população. Foi por meio da pesquisa em tela que se pode ilucidar esses conhecimentos e informações para que, dessa forma, se busquem ações pautadas não apenas no tratamento, mas principalmente na prevenção. Menezes (s/d, s/p) expõe que Especialistas no assunto estão cada vez mais convencidos de que é muito melhor e mais produtivo um trabalho de prevenção às drogas, de conscientização de seus malefícios. Pois o trabalho de recuperação muitas vezes não ultrapassa o índice de 30%, em clínicas de tratamento e nos hospitais-dia é de apenas 12%. Estatisticamente está provado que a terapêutica preventiva oferece resultados mais positivos e menos onerosos do que a terapêutica curativa. Ainda continua sendo melhor prevenir do que remediar. Referencial teórico Para fortalecer as questões expostas, utilizaram-se como principais referências no processo de trabalho os conceitos apresentados na sequência. Pesquisa participante Grossi (1981, p. 81) afirma que 79
80 Dependência química Lemos (2011, p. 51) expõe que Pesquisa participante é um processo de pesquisa no qual a comunidade participa na análise de sua própria realidade, com vistas a promover uma transformação social em benefício dos participantes que são oprimidos. Portanto, é uma atividade de pesquisa, educacional orientada para a ação. Em certa medida, tentativa da Pesquisa Participante foi vista como uma abordagem que poderia resolver a tensão contínua entre o processo de geração de conhecimento e o uso deste conhecimento, entre o mundo acadêmico e o irreal, entre intelectuais e trabalhadores, entre ciência e vida. A dependência química está frequentemente associada à tolerância, fenômeno que ocorre com o uso crônico de substâncias, que se caracteriza pela necessidade do aumento progressivo da dose para produzir os efeitos originais da substância. A tolerância é principalmente causada por alterações neuroadaptativas no cérebro (tolerância farmacocinética). Prevenção De acordo com a Divisão Estadual de Narcóticos (2003, p. 51), Prevenção é: vir antes, avisar; preparar; impedir que se realize; antecipar uma informação; alertar sobre algo; preparar alguém / algo para evitar alguma coisa. A prevenção então é o ato ou efeito de prevenir, a disposição ou preparo antecipado; é o trabalho com valores, sentido da vida e com o projeto existencial de cada ser humano. 80 Problema O diagnóstico realizado em Joinville - SC está concomitante à realidade nacional, no que se refere à tabulação de dados. A pouca ou quase inexistência de dados avaliativos, deixa uma lacuna no que se refere à construção de novas políticas, tornando indispensável a pesquisa proposta.
81 A pesquisa Foram abordadas as seguintes questões durante a pesquisa participante: dados pessoais (idade, sexo, estado civil, renda, profissão, escolaridade, composição familiar, moradia, meio de transporte e meios de comunicação); conhecimentos sobre a diferença entre uso e abuso, dependência de drogas e dependência química, bem como se tem acesso a essas informações; conhecimento acerca dos programas existentes na comunidade que atendem a dependentes e as substâncias químicas mais consumidas; a visão da comunidade em relação às razões que levam à utilização de substâncias psicoativas e à fiscalização existente no município; visão sobre a liberação da maconha e como se pode prevenir e combater a dependência química. Objetivos Objetivo geral Promover a difusão do conhecimento, bem como coletar subsídios para alimentar banco de dados e contribuir com a construção de novas políticas públicas na prevenção à dependência química. Objetivos específicos Criar e fortalecer a rede de atenção aos dependentes químicos e a familiares. Realizar a coleta de dados preliminares, com mapeamento e contato com as instituições a serem objeto da pesquisa. Justificativa A pesquisa orienta o trabalho de construção de projetos e programas sociais. É por meio da pesquisa que se faz a investigação 81
82 comprometida com as transformações sociais. Em síntese, apresentamse como principais aspectos da pesquisa participante: trocar informações para colaborar na mudança de compreensão do fenômeno; o objeto e a meta da pesquisa participante são o processo de aprendizagem dos que fazem parte da pesquisa; o trabalho científico é entendido como contribuição prática para a transformação social, como contribuição à democratização; propor a interação significa, para o pesquisador, trabalhar, talvez viver, no grupo escolhido, a fim de elaborar perspectivas e experimentar ações que perdurem, inclusive pós-projeto; utilizar diálogo como meio de comunicação mais importante no processo conjunto de estudo e coleta de informação. Assim, a pesquisa participante enfatiza a socialização do saber, tentando romper com o monopólio do conhecimento, através da participação dos sujeitos na análise e solução de seus problemas. (RICHARDSON, 2000, p. 32) Com relação à dependência química, uma questão se faz presente: o que conduz um grande número de pessoas ao consumo de substâncias psicoativas, que são apresentadas pela mídia como algo destrutível? Justifica-se, dessa forma, a necessidade desse levantamento de dados para que se possa, então, auxiliar na criação de novas políticas públicas no que tange à prevenção à dependência química. Metodologia A metodologia adotada nesta pesquisa foi a da pesquisa participante. Segundo Santos apud Demo (1985, p. 156), a pesquisa participante passa por três momentos essenciais: [...] 1- o autodiagnóstico, que seria a confluência entre conhecimento científico e saber popular. Este momento conduziria à cidadania e esta, por sua vez, estaria a serviço da autonomia; 2- A estratégia de enfrentamento prático dos problemas encontrados - seria o percurso entre a teoria e a prática. 3- Por 82
83 fim, o momento da necessidade de organização política - que consistiria na definição da estratégia de enfrentamento do problema propriamente dito. Partindo desse conceito, procurou-se, por meio desta pesquisa, reconhecer a informação que é levada à população, buscando interagir de forma imparcial para que se encontre uma realidade de conhecimento em prevenção e auxílio ao trato da dependência, fundamentando a prática enquanto ética, indispensável ao cotidiano profissional. Resultados e discussões Inicialmente, foi realizado um estudo do material base do curso a partir de leitura do projeto de pesquisa encaminhado pela Unitins, para que, durante a efetivação da pesquisa, os acadêmicos mantivessem a isenção necessária para a coleta fidedigna dos dados. Além disso, os acadêmicos, por meio do contato direto com os entrevistados, se preocuparam em saber se que as perguntas foram compreendidas pelo entrevistado e, principalmente se preocuparam que entendessem a importância da pesquisa na construção de novas estratégias de prevenção à dependência química. Integraram como locais de realização da pesquisa o PAM Posto de Atendimento Médico do Boa Vista e o Laboratório Municipal, onde foram realizadas 103 entrevistas. Para a definição dos locais, foram considerados os seguintes parâmetros: abrangência: pessoas de diversas regiões da cidade; fluxo: número de pessoas suficientes para o número de amostras necessárias; perfil do público: todos os perfis econômicos e culturais. Na pesquisa, as primeiras questões referiam-se ao perfil do entrevistado, como dados pessoais, composição familiar e perfil econômico, apresentados na sequência. Nome (não era necessária a identificação) Idade 83
84 Tabela 1 Faixa etária FAIXA ETÁRIA Nº DE PESSOAS PERCENTUAL 18 aos 29 anos 21 pessoas 20,38% 30 aos 49 anos 40 pessoas 38,84% 50 aos 69 anos 39 pessoas 37,87% 70 aos 81 anos 3 pessoas 2,91% Gráfico 1 Faixa etária Estado civil Tabela 2 Estado civil ESTADO CIVIL Nº DE PESSSOAS PERCENTUAL Casado 67 pessoas 65,06% Solteiro 11 pessoas 10,69% União estável 8 pessoas 7,76% Viúvo 9 pessoas 8,73% Desquitado 8 pessoas 7,76% 84
85 Gráfico 2 Estado civil Sexo Tabela 3 Sexo SEXO Nº DE PESSOAS PERCENTUAL Feminino 73 pessoas 70,87% Masculino 30 pessoas 29,13% Gráfico 3 Sexo 85
86 Renda familiar Tabela 4 Contribuição na renda familiar CONTRIBUIÇÃO NA RENDA FAMILIAR Nº DE PESSOAS PERCENTUAL Sim 96 93,20% Não 7 6,80% Gráfico 4 Contribuição na renda familiar Tabela 5 Distribuição por contribuição na renda familiar X salário mínimo QUANTO CONTRIBUI Nº DE PESSOAS PERCENTUAL ½ a 2 salários mínimos 38 pessoas 36,89% < 2 a 5 salários mínimos 44 pessoas 42,73% + de 5 salários mínimos 7 pessoas 6,79% Sem renda 1 pessoa 0,97% Não respondeu 12 pessoas 11,65% Não sabe 1 pessoa 0,97% 86
87 Gráfico 5 Distribuição por contribuição na renda familiar X salário mínimo Profissão Tabela 6 Profissão PROFISSÃO Nº DE PESSOAS PERCENTUAL Do lar 19 pessoas 18,42% Aposentado/Pensionista 16 pessoas 15,55% Funcionário público (cozinheiro/merendeira, agente de saúde, zeladora, guarda, almoxarife, secretária, servente e técnico de enfermagem) Industriário (costureira, serralheiro, embaladora, armador, auxiliar de produção, revisora, eletricista, operador industrial, auxiliar contábil, operador de máquina, administrador, impressor, operador de manufatura, auxiliar de carga) Comerciário (operador de caixa, vendedora, comerciante, atendente de farmácia) 15 pessoas 14,56% 22 pessoas 21,37% 6 pessoas 5,84% 87
88 Autônomo (pintor, pedreiro, advogado, motorista, cuidador, doméstica/diarista, jornalista) 17 pessoas 16,50% Outros (desempregado, estagiário) 4 pessoas 3,88% Não informou 4 pessoas 3,88% Escolaridade Tabela 7 Escolaridade ESCOLARIDADE Nº DE PESSOAS PERCENTUAL Fundamental Incompleto 21 pessoas 20,38% Fundamental Completo 24 pessoas 23,33% Médio Incompleto 9 pessoas 8,73% Médio Completo 37 pessoas 35,92% Superior Incompleto 4 pessoas 3,88% Superior Completo 4 pessoas 3,88% Pós-Graduação 2 pessoas 1,94% Analfabeto 1 pessoa 0,97% Mestrado 1 pessoa 0,97% Gráfico 6 Escolaridade 88
89 Número de filhos Tabela 8 Número de filhos Nº DE FILHOS Nº DE PESSOAS PERCENTUAL 1 a 2 filhos 52 pessoas 50,48% 3 a 4 filhos 34 pessoas 33,00% 5 a 9 filhos 4 pessoas 3,88% Não respondeu 1 pessoa 0,97% Gráfico 7 Número de filhos Tipo de moradia Tabela 9 Moradia TIPO DE MORADIA Nº DE PESSOAS PERCENTUAL Própria 79 pessoas 76,70% Alugada 14 pessoas 13,60% Cedida 10 pessoas 9,70% 89
90 Gráfico 8 Moradia Possui meio de transporte Tabela 10 Meio de transporte POSSUI MEIO DE TRANSPORTE Nº DE PESSOAS PRECENTUAL Sim 60 pessoas 58,26% Não 42 pessoas 40,77% Não respondeu 1 pessoa 0,97% 90 Gráfico 9 Meio de transporte
91 No que tange ao perfil dos entrevistados, observa-se que a faixa etária foi distribuída uniformemente. A maioria, 65,06%, possui família constituída (casada), e a predominância foi do gênero feminino, com 70,87%. Caracterizou-se economicamente como Classe D, sendo 42,73%, conforme tabela IBGE, de dois a seis salários mínimos, distribuindo-se em várias categorias profissionais. Referente à escolaridade, o Ensino Médio Completo se apresentou como o mais relatado. Observou-se que a taxa referente ao número de filhos nas famílias é menor, compondo de um a dois filhos como a mais narrada, 50,48%. Em relação à habitação e ao meio de transporte, prevaleceu o próprio, sendo 76,70% para casa própria e 58,26% para veículo próprio. Meios de comunicação Tabela 11 Meios de comunicação MEIOS DE COMUNICAÇÃO Nº DE PESSOAS PERCENTUAL TV 101 pessoas 98,05% Telefone fixo 62 pessoas 60,79% Telefone celular 97 pessoas 94,17% Internet 54 pessoas 52,42% Não respondeu 1 pessoa 0,97% Gráfico 10 Meios de comunicação 91
92 Os meios de comunicação são os principais responsáveis pelo acesso às informações da sociedade atual. 98,05% dos entrevistados possuem TV. Este meio de comunicação também poderá ser visualizado mais adiante como o maior responsável pelo conhecimento sobre substâncias psicoativas. Ainda sobre os meios de comunicação, constatou-se que 94,17% possuem celular. No que diz respeito ao conhecimento das drogas, chama atenção que 99% das pessoas entrevistadas têm informações sobre dependência química e têm ou conhecem alguém que tenha um dependente na família. Contudo falta conhecimento como obter ajuda, conforme os dados apresentados na sequência. Você sabe a diferença entre uso, abuso e dependência de drogas e dependência química? Tabela 12 Diferença entre uso, abuso, dependência de drogas e dependência química DIFERENCIA ABUSO, USO, DEPENDÊNCIA DE DROGAS E DEPENDÊNCIA QUÍMICA Nº DE PESSOAS PERCENTUAL Sim 59 pessoas 57,29% Não 37 pessoas 35,92% Outros 7 pessoas 6,79% Diferença entre uso, abuso, dependência de drogas e dependência química 92 Gráfico 11 Diferença entre uso, abuso, dependência de drogas e dependência química
93 Você tem acesso a informações sobre dependência de drogas, dependência química? Onde? Tabela 13 Informações sobre dependência de drogas e dependência química TEM ACESSO À INFORMAÇÃO SOBRE DEPENDÊNCIA Nº DE PESSOAS PERCENTUAL Sim 80 pessoas 77,66% Não 23 pessoas 22,33% Acesso à informação sobre dependência de drogas e dependência química Gráfico 12 Informações sobre dependência de drogas e dependência química Onde? Tabela 14 Meios de acesso à informação sobre dependência ONDE Nº DE PESSOAS PERCENTUAL Instituições de apoio 3 pessoas 2,91% Posto de Saúde 8 pessoas 7,76% Meios de comunicação 55 pessoas 53,39% Casa/família 3 pessoas 2,91% Igreja/comunidade 9 pessoas 8,73% Proerd/escola 7 pessoas 6,79% 93
94 Rua/usuário 10 pessoas 9,70% Outros 2 pessoas 1,97% Gráfico 13 Meios de acesso a informações sobre dependência O que mais chamou a atenção é que a família, considerada pelos estudiosos como o espaço privilegiado do diálogo, foi a menos citada. O estudo da visão sistêmica da família, apresentado por Medeiros (2011), nos mostra que uma família é um tipo de sistema, com estrutura, padrões e propriedades, que organiza a estabilidade e a mudança. É também uma pequena sociedade humana, cujos membros têm contato direto, laços emocionais e história compartilhada. A família, como matriz de desenvolvimento, tem como funções básicas: proporcionar o desenvolvimento biopsicossocial de seus membros; construir a identidade sentimento de pertencimento (pertença); transmitir cultura crenças, valores, hábitos, costumes e regras. 94 Quais programas você conhece na sua comunidade que atendem a dependentes de drogas?
95 Tabela 15 Conhecimento sobre programas de auxílio a dependentes CONHECE PROGRAMAS DE AUXÍLIO A DEPENDENTES Nº DE PESSOAS PERCENTUAL Sim 48 pessoas 46,61% Não 55 pessoas 53,39% Gráfico 14 Conhecimento sobre programas de auxílio a dependentes Locais mais citados em relação aos programas de auxílio Tabela 16 Locais LOCAIS MAIS CITADOS Nº DE PESSOAS PERCENTUAL Igreja 16 pessoas 15,53% Grupos de autoajuda 22 pessoas 21,35% Comunidade terapêutica 12 pessoas 11,65% Posto de saúde 3 pessoas 2,91% Proerd/Polícia 4 pessoas 3,88% Outros 3 pessoas 2,91% 95
96 Gráfico 15 Locais Quais as drogas você acha que são mais consumidas em seu bairro? Tabela 17 Consumo de drogas DROGAS MAIS CONSUMIDAS Nº DE PESSOAS PERCENTUAL Crack 43 pessoas 41,74% Maconha 39 pessoas 37,86% Cocaína 21 pessoas 20,38% Álcool 21 pessoas 20,38% Cigarro 11 pessoas 10,67% Pedra 5 pessoas 4,85% Êxtase 1 pessoa 0,97% LSD 1 pessoa 0,97% Todas 12 pessoas 11,65% Não sabe 4 pessoas 3,88% Não tem usuários de droga 5 pessoas 4,85% Outros 2 pessoas 1,94% 96
97 Gráfico 16 Consumo de drogas Vale ressaltar que, apesar dos índices de cocaína e álcool serem iguais, o álcool e o cigarro não foram identificados como drogas; eram os últimos a serem lembrados, perdendo, inclusive, para a resposta todas. Na pesquisa em tela, a família não é considerada como o maior potencial de solução, o que pode ser um grande indicativo para que as políticas públicas sejam pensadas e implementadas com foco nas relações familiares. Em sua opinião o que leva um jovem ao uso de drogas lícitas e ilícitas? Tabela 18 Fatores que influenciam no uso de drogas O QUE LEVA O JOVEM A Nº DE PESSOAS PERCENTUAL CONSUMIR DROGAS Família (educação, atenção, apoio, diálogo, cuidado, abandono, orientação, situação financeira e social) 52 pessoas 50,48% 97
98 Amizade/má companhia 26 pessoas 25,24% Excesso de liberdade 8 pessoas 7,76% Falta de surra 3 pessoas 2,91% Curiosidade/exemplo/ facilidade/fuga e personalidade 16 pessoas 15,53% Oportunidade/opções (lazer, trabalho, escola, falta de informação) 12 pessoas 11,65% Religiosidade 2 pessoas 1,94% Não sabe 9 pessoas 8,73% Gráfico 17 Fatores que influenciam no uso de drogas 98 Existem drogas lícitas (que são permitidos O CONSUMO E A VENDA POR MAIORES DE 18 ANOS, por exemplo, álcool e cigarro, medicamentos) e ilícitas em que o CONSUMO e a VENDA SÃO PROIBIDOS (cocaína, heroína, crack, oxis etc.).
99 Na sua comunidade, há uma fiscalização do consumo e venda de drogas lícitas para crianças e adolescentes? Quem faz esse controle? Tabela 19 Fiscalização EXISTE FISCALIZAÇÃO Nº DE PESSOAS PERCENTUAL Sim 25 pessoas 24,28% Não 63 pessoas 61,16% Não sabe 15 pessoas 14,56% Gráfico 18 Fiscalização Quem faz? Tabela 20 Entidades responsáveis pela fiscalização QUEM FAZ Nº DE PESSOAS PERCENTUAL Polícia 13 pessoas 12,62% Vigilância Sanitária 1 pessoa 0,97% Conselho Tutelar 1 pessoa 0,97% Associação de Moradores 1 pessoa 0,97% Placas 2 pessoas 1,94% 99
100 Bares 2 pessoas 1,94% Não sabe 6 pessoas 5,82% Gráfico 19 Entidades responsáveis pela fiscalização Fala-se da liberação, do consumo e da venda de maconha no Brasil. O que você acha disso? Tabela 21 Liberação do uso de maconha no Brasil LIBERAÇÃO DAS DROGAS Nº DE PESSOAS PERCENTUAL Contra 78 pessoas 75,74% A favor 17 pessoas 16,50% Indiferente 8 pessoas 7,76% 100
101 Gráfico 20 Liberação do uso da maconha no Brasil No que tange à legalização, cabe ressaltar que os que são a favor da liberação da maconha consideram que será uma forma de diminuir o consumo, os assaltos e a violência proporcionada pela dependência química. Em nenhum momento foi ressaltado como algo benéfico ao usuário. O que pode ser feito em sua opinião, para prevenir e combater a dependência de drogas na sua cidade? Tabela 22 Sugestões de ações preventivas AUXÍLIO À PREVENÇÃO AO Nº DE PESSOAS PERCENTUAL CONSUMO Educação (escolas, esporte, lazer, 19 pessoas 18,44% oportunidades) Fiscalização (Governo e civil) 32 pessoas 31,06% Centro de recuperação/ 14 pessoas 13,59% internação/políticas públicas Campanhas publicitárias/ informação/palestras/prevenção/ capacitação 30 pessoas 29,12% 101
102 Investir na família (religiosidade) 17 pessoas 16,50% Não sabe 19 pessoas 18,44% Gráfico 21 Sugestões de ações preventivas 102 Considerações finais Observou-se, durante a presente pesquisa, que ainda existe certo receio em falar sobre a dependência química, e que a vergonha é ainda o sentimento mais observado. A sociedade ainda desconhece as formas de prevenção, de trato e tratamento, porém é conhecedora dos tipos de drogas e locais de uso. Isso demonstra que vivemos em uma sociedade de risco, e o verdadeiro colapso da dependência está apenas no início. Os conflitos familiares são o viés da busca a tais substâncias, pois, por mais que se fale na importância do diálogo familiar, ainda pouco acontece. Constatou-se como o consumo de drogas está próximo de nossos lares e que é facilmente visualizado e percebeu-se a inércia em que se encontra a família no trato com a dependência. Atenta-se para o fato de vivermos a era das especificidades. Poucas ações, tanto na esfera pública como nas iniciativas da sociedade civil, são voltadas para a visão do todo que envolve a família e, principalmente,
103 quanto ao comprometimento de seus membros com a dependência química. Esta pesquisa é um passo singular na contribuição para uma releitura das políticas públicas atuais nessa área. Referências BARTH, Wilmar Luiz. O homem pós-moderno, religião e ética. Teocomunicação, Porto Alegre, v. 37, n. 155, GROSSI, M. Pesquisa participante Disponível em: < giselacastr.vilabol.uol.com.br/pesquisapart.htm>. Acesso em: 10 jan INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Dependência química. Disponível em: < Acesso em: 9 jan LEMOS, Tadeu. Aspectos psicossociais da dependência química. In: MELO, Maria Taís de. Prevenção à dependência química. 2. ed. Palmas: Unitins, p MEDEIROS, Simone Regina. Síntese da visão sistêmica da família. In:. Curso de prevenção à dependência química. Joinville: TJ, MENEZES, Sueli. Adolescência e drogas I. Disponível em: < casadia.org/prevencao/adolescencia-drogas-i.htm>. Acesso em: 6 jan RICHARDSON, Roberto Jarry. Pesquisa participante e pesquisa ação: alternativas de pesquisa ou pesquisa alternativa Disponível em: < Acesso em: 4 jan SANTOS, Maurício. Metodologia da pesquisa ação Disponível em: < Acesso em: 6 jan
104 RELATÓRIO DO POLO DE CRICIÚMA SC Elizabeth Magdalena de Stefani Fernanda Ortolan da Luz Maria de Lourdes Bitencourt Rosa Maria Pacheco Pandini Resumo Nos dias atuais, a palavra droga automaticamente é associada às substâncias que alteram o sistema nervoso, levando o indivíduo a sensações de prazer ou desprazer e parte dos consumidores do uso ao abuso da substância até chegar à dependência. O abuso de drogas atualmente perpassa classes e instâncias sociais e relaciona-se com doenças e delinquências, entre outros problemas. Esta pesquisa teve como objetivos caracterizar o perfil e o nível de conhecimento da comunidade do município de Içara - SC em relação à dependência química; contribuir para a informação e a conscientização sobre o avanço do uso de drogas lícitas e ilícitas, incentivando a comunidade a se inteirar sobre o assunto, rompendo paradigmas referentes ao consumo da substância. Esta pesquisa combinou abordagens quantitativas e qualitativas. Os instrumentos de coleta de dados foram as entrevistas semiestruturadas. Os resultados evidenciaram que a maioria da população tem acesso às informações sobre o assunto, tem conhecimento sobre as drogas, inclusive sobre as consequências do uso da substância. A comunidade em geral conhece os programas que oferecem tratamento aos usuários de drogas. Os entrevistados consideram que as drogas estão destruindo as famílias e apontam como razão a desestruturação familiar, más influências e curiosidades. Concluíram que a droga hoje é um problema social e todos precisam se envolver para uma vida mais saudável e a educação é o melhor caminho para trabalhar a prevenção. Palavras-chave: drogas, prevenção, uso, abuso, dependência. 104
105 Apresentação O presente trabalho constituiu-se não somente de um estudo científico sobre a dependência química, mas um mecanismo para a sistematização dos conteúdos apreendidos no curso de Serviço Social. As acadêmicas desenvolveram seu trabalho no município de Içara, localizado no extremo sul de Santa Catarina. O estágio curricular não foi direcionado a um grupo específico, mas a toda a comunidade. Teve como norte a pesquisa qualitativa e quantitativa. O estudo procurou caracterizar e visualizar informações a respeito da dependência química por meio de coleta de dados quantitativos em relação ao grau de entendimento da comunidade sobre o uso das drogas e também se é conhecedora dos serviços existentes em seu município. É complexo compreender o ser humano, assim se estruturou uma interação com a comunidade para verificar junto a ela estratégias de ações preventivas. Problematização Um dos problemas enfrentados hoje é o avanço do uso de drogas, tornando-se um problema social. Essa realidade é visualizada em todos os ambientes sociais, dentro das famílias onde medicamentos são administrados sem orientação médica, em escolas, ruas, grupos de amigos, ambientes de trabalho, enfim todos estamos expostos a essa problemática. Segundo Braun (2007), droga é todo agente químico que afeta processos do organismo vivo, são substâncias descritas como desencadeadoras de sensações agradáveis e/ou diminuidoras das sensações desagradáveis. Informações a respeito do uso abusivo das drogas são transmitidas por intermédio dos meios de comunicação, escolas, família, igreja, entre outros meios, mas, mesmo assim, o consumo continua aumentando. Pergunta da pesquisa Qual o perfil do usuário e quais os conhecimentos que a comunidade içarense tem sobre dependência química? 105
106 Objetivos Objetivo geral Caracterizar o perfil sócio, econômico e cultural e o nível de conhecimento em relação à dependência química dos cidadãos do município de Içara. Objetivos específicos Constatar a existência de serviços (públicos ou privados) que trabalham com a dependência química no município de Içara. Fortalecer a rede de atenção aos dependentes químicos e aos familiares. Analisar as alternativas que a comunidade recomenda no intuito de trabalhar o combate ao uso das drogas. Conhecer, sistematizar e divulgar iniciativas, ações e campanhas de prevenção do uso indevido de drogas, com finalidade de ampliar sua abrangência e eficácia. 106 Justificativa O consumo de substâncias psicoativas é um fenômeno civilizatório, ou seja, sempre ocorreu em todas as culturas o uso de substâncias que alteram os estados de consciência (BUCHER, 1992; MASUR, 1986). No entanto as características do consumo se modificaram significativamente nas últimas décadas, colocando em risco a vida de muitas pessoas, tornando-se mais um dos fatores a espelhar o sistema e seu ciclo da sociedade de consumo. No Brasil, os serviços de saúde, de maneira geral, padecem da falta de mecanismos e de critérios de avaliação, tanto no que diz respeito às políticas de saúde, quanto à implementação de programas e serviços de prevenção. A dependência química (DQ) tem sido a causa de modificações dos valores da vida, como organização, confiança, pontualidade, diálogo, dignidade, responsabilidade, dedicação, respeito, discernimento, disciplina, bem como dificuldade em lidar com a complexidade da vida. A proposta deste relatório se embasa na importância da produção e da difusão do conhecimento já que são iniciativas como esta que podem acelerar o desenvolvimento humano e social, como forma de combate e
107 prevenção às situações desencadeadoras da dependência química. Revisão bibliográfica Segundo a definição da OMS (2009), droga é qualquer substância não produzida pelo organismo que tem a propriedade de atuar sobre um ou mais de seus sistemas, ocasionando alterações em seu funcionamento. Toda droga tem seus efeitos, porém eles não se manifestam da mesma maneira em todos os organismos, especialmente porque cada droga tem sua contraindicação. Há dois grandes grupos de drogas, que não as agrupam segundo as suas características, mas segundo convenções e exigências sociais: o grupo das drogas lícitas e o grupo das drogas ilícitas. As drogas são substâncias capazes de produzir alterações nas sensações físicas, psíquicas e emocionais. Assim, energéticos, café, refrigerantes, chocolates, entre muitos outros alimentos, contêm substâncias que podem ser consideradas drogas, pois alteram de alguma maneira as sensações de quem as ingere. Elas, porém, se ingeridas em quantidade moderada não representam nenhuma ameaça para o ser humano. Se, no entanto, são demasiadamente utilizadas por alguém, podem causar uma leve dependência e problemas de saúde futuros. Elas são utilizadas para diversos fins desde a antiguidade. Podem ser utilizadas para curar doenças ou obter prazer. Entre as drogas lícitas, estão os medicamentos em geral (os quais só são permitidos sob prescrição médica, o álcool e o cigarro, além dos alimentos já citados). Já entre as principais drogas ilícitas, estão a maconha, a cocaína, o ecstasy, o crack, a heroína etc. Existem ainda outras substâncias que causam dependência, mas que são vendidas livremente para outros fins, como a cola de sapateiro e o hypnol. Há diversas outras drogas que também são utilizadas da mesma maneira e algumas delas ainda nem são conhecidas pelo Ministério da Saúde e pelas autoridades judiciais. Drogas lícitas são aquelas permitidas por lei, as quais são compradas praticamente de maneira livre, e seu comércio é legal. Drogas ilícitas são aquelas em que a comercialização é proibida pela justiça. Elas também são conhecidas como drogas pesadas e causam forte dependência. Uma droga não é por si só boa ou má. Existem substâncias que são usadas com a finalidade de produzir efeitos benéficos, como o tratamento de doenças, e são consideradas medicamentos. A diferença entre um remédio e um veneno pode ser simplesmente a dose utilizada. Embora a descrição clínica da dependência química seja o primeiro passo para 107
108 o seu diagnóstico, a determinação da natureza dos processos biopsicossociais, a origem, a manutenção e a reinstalação dessa condição, associada ao conhecimento das ações e os efeitos das diferentes drogas psicotrópicas, é que garantirão a eficácia do tratamento e das abordagens preventivas. Metodologia A proposta deste trabalho de combate à dependência química esteve pautada na perspectiva de verificação sobre a dependência química no município de Içara SC, com uma população de habitantes. A população para o estudo foi de 100 entrevistas. A pesquisa também se constitui em uma ação orientada pela coleta de dados e por subsidiar a elaboração de políticas públicas para o setor e projetos de intervenção na forma de ações extensionistas. Para a coleta de dados, o município foi dividido em quatro grandes regiões: central, Presidente Vargas, Vila Nova e Balneário Rincão. Essa divisão é a utilizada pela Secretaria de Saúde. A proposta se caracterizou por uma análise voltada para os serviços de atenção à dependência química. A pesquisa foi realizada por acadêmicas de Serviço Social. Os entrevistados assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido, a fim de garantir os procedimentos de ética exigidos em pesquisas que envolvem seres humanos. Os dados das entrevistas foram tabulados e analisados e receberam um tratamento qualitativo por meio de análise do conteúdo. Para Leopardi (2002, p. 119), na pesquisa qualitativa, tenta-se compreender um problema da perspectiva dos sujeitos que o vivenciam, ou seja, parte de sua vida [...] atenta-se, portanto, ao contexto social no qual o evento ocorre. Quanto aos procedimentos técnicos, desenvolveu-se uma pesquisaação, como complementação, pois se destina a identificar situações sociais e propor soluções para os problemas encontrados. Segundo Leopardi (2002, p. 128), 108 O foco da pesquisa-ação é dirigido aos grupos, instituições, coletividade de pequeno porte. A pesquisa-ação é uma estratégia, ou variedades de pesquisa, que pode agregar vários métodos, técnicas ou abordagens usadas na pesquisa social para captar informações úteis a partir de uma estrutura coletiva, participativa e ativa, sendo, portanto, concebida de um modo aberto e flexível.
109 Resultados e discussões Em relação ao perfil dos entrevistados, foram considerados vários fatores, como: faixa etária, sexo, escolaridade, renda familiar, estado civil, quantidade de filhos, moradia, meios de transporte e o acesso à comunicação. A faixa etária de maior número de entrevistas foi de 15 a 35 anos, perfazendo um total de 54%, e, em sua maioria, do sexo feminino. Quanto à escolaridade, a grande maioria tem nível médio completo, seguido de profissionais com pós-graduação. A maioria dos entrevistados é casada, 42% têm até dois filhos, e 83% possuem moradia própria. Quanto aos meios de transportes, 68% possuem transporte próprio e apenas 4% utilizam transporte coletivo. Em relação aos meios de comunicação, praticamente todos os entrevistados têm acesso a informações através de algum meio de comunicação. Em relação às profissões, encontramos, a partir da realização das entrevistas, profissionais das mais variadas áreas. A pesquisa não teve como objeto de estudo um grupo específico e sim foi realizada com a população em geral. Entre todas, algumas apareceram em maior número, 16% professores, 11% do lar, 7% aposentados, seguido de autônomo, técnico de enfermagem, serviços gerais, costureira, estudante... Quanto à diferença entre uso, abuso e dependência, 81% dos entrevistados responderam que sabem a diferença, 87% relataram que recebem informações sobre drogas, e 85% recebem através dos meios de comunicação. Gráfico 1 Acesso à informação sobre drogas Fonte: Dados da pesquisa 109
110 110 Gráfico 2 Meios de acesso à informação sobre drogas Fonte: Dados da pesquisa Observa-se que todas as pessoas entrevistadas possuem televisão, e a grande maioria tem telefone fixo, celular e acesso à internet. Na sociedade contemporânea, a mídia constitui um dos fatores fundamentais na formação do que se denomina opinião pública. Atualmente, a maior fonte de informação das pessoas são os meios de comunicação, e a maioria delas acredita no que vê, lê ou ouve na televisão, nas revistas e nos jornais. Ficou evidente que existe uma contradição, pois os entrevistados relatam que uma das dificuldades para enfrentar o problema das drogas seria a falta de informação, porém a maioria menciona receber informações sobre drogas e afirma que essa informação vem por meio dos veículos de comunicação. Tendo em vista a contradição, a informação não está sendo passada de uma forma clara e objetiva, reafirmando que os trabalhos preventivos realizados através da mídia não estão alcançando os seus objetivos, demonstrando que o foco das campanhas de publicidade em relação à prevenção deveria ser repensado. Quanto aos programas que a comunidade conhece, 68% responderam que conhecem alguns serviços em sua comunidade, 31% afirmaram que desconhecem qualquer serviço, e 1% não soube responder. Os programas mais conhecidos pela comunidade são os serviços ofertados pelo CAPS Centros de Apoio Psicossocial, PROERD e o serviço desenvolvido por uma comunidade terapêutica (Desafio Jovem), conforme demonstram os gráficos expostos na sequência.
111 Gráfico 3 Programas de atendimento Fonte: Dados da pesquisa Quais são os programas na sua comunidade? Gráfico 4 Programas de atendimento Fonte: Dados da pesquisa Em relação às drogas mais consumidas, segundo os entrevistados, a mais utilizada no bairro é a maconha. Muitos citaram as drogas lícitas. Portanto, observa-se que as pessoas já estão vendo cigarros, álcool e medicamentos como drogas que causam dependência, conforme evidencia o gráfico a seguir. 111
112 Gráfico 5 Drogas Fonte: Dados da pesquisa Em relação ao que levaria uma pessoa ao uso da droga, vários fatores foram levantados. Entre os mais citados, estão má influência, desestrutura familiar, curiosidade e falta de informação. Para Klajner (2004), os fatores que influenciam no avanço do uso de drogas são: experimentação pela curiosidade, opinião dos amigos, que é importante para adolescentes, facilidade de se adquirir a droga. Relata também que a estrutura familiar não assegura que os jovens não façam uso de drogas, e que a curiosidade é o que leva à primeira experiência ao uso de drogas. Foi citada também a fuga da realidade, quando a pessoa não aceita sua condição social, seus problemas familiares, sua timidez, baixa autoestima, entre outras razões. Assim muitos acabam abusando das drogas para esquecer os problemas e melhorar seu estado de espírito. Porém a solução é temporária e acaba se tornando pior quando passa o efeito da droga. No questionamento se existe fiscalização para venda de drogas lícitas em seu bairro, e quem fiscaliza, 55% disseram que não há fiscalização. E das pessoas que citaram que há fiscalização, 35% disseram que a polícia é quem fiscaliza. O restante citou o proprietário de estabelecimentos, Conselho Tutelar, entre outros. 112
113 Gráfico 6 Órgãos de fiscalização Fonte: Dados da pesquisa Quanto à liberação da maconha, 69% posicionam-se contra a liberação. Entre algumas colocações sobre a não liberação da maconha, citaram o aumento da procura e a facilidade de acesso à droga, sendo já consumida em grande escala sem a liberação. Houve alguns entrevistados que se posicionaram a favor, ressaltando que diminuiria o tráfico e que existem drogas lícitas, como o cigarro e o álcool que já são liberadas, mesmo causado grandes problemas ao usuário. Gráfico 7 Liberação da maconha no Brasil Fonte: Dados da pesquisa 113
114 Em relação à prevenção e ao combate ao uso das drogas, várias repostas foram ressaltadas. Consideramos que a efetiva prevenção é fruto do comprometimento, da cooperação e da parceria entre os diferentes segmentos da sociedade e dos órgãos governamentais, fundamentada na filosofia da responsabilidade compartilhada. Gráfico 8 Sugestões de ações preventivas Fonte: Dados da pesquisa 114 A prevenção é uma questão muito delicada, tendo em vista que há muita informação hoje nos meios de comunicação, escolas etc., porém foi citado em larga escala que se deve aumentar as informações, palestras e se investir mais na educação das crianças e dos jovens, entre outras soluções. Segundo Caetano e Drumond (2004, p. 44), a prevenção se faz pela atenção e pela informação: Quando pais, jovens e professores se informam, estão praticando a prevenção. Ler bons livros,
115 participar de palestras e seminários, acompanhar o assunto nos noticiários de TV e revistas, de modo crítico, tudo ajuda a entender o problema das drogas. Contudo, quando existe uma dificuldade, é conversando dentro de casa que se pode conseguir uma melhor chance para seu reconhecimento. Considerações finais Por meio deste estudo, foi possível caracterizar o perfil sócio, econômico e cultural e o nível de conhecimento da população içarence em relação à dependência química. Espera-se que este estudo tenha contribuído para a construção de novos conhecimentos entre os entrevistados sobre a problemática da dependência química que é hoje um problema social inerente a todos nós. Em relação aos programas voltados à dependência química existentes no município, ressaltamos que Içara dispõe de uma rede estruturada, contudo esses serviços ainda são insuficientes para atender à demanda. Trabalhar com a prevenção é difícil, necessitamos de profissionais especializados e maior envolvimento da comunidade. Na análise das alternativas apontadas como estratégias de prevenção, a população faz muita referência à necessidade de mais informação (palestras, reuniões nas comunidades), educação por meio do trabalho sistemático em sala de aula. A fiscalização deveria ser mais atuante, e deveria ter mais clínicas direcionadas ao tratamento, pois as vagas disponibilizadas hoje à população são insuficientes. Certamente os trabalhos devem ser intensificados nas comunidades, existindo uma aproximação dos trabalhadores da área da saúde, da educação e da assistência social, na realidade da comunidade. É fundamental a democratização das discussões, é preciso perceber que a participação da sociedade é um fator determinante para o sucesso de qualquer iniciativa. Sabemos hoje que, para ocorrerem transformações, as ações preventivas devem ser pautadas em princípios éticos, buscando a promoção de valores voltados à saúde física e mental, individual e coletiva. Toda ação preventiva deve ser planejada. Ressaltamos também que as campanhas educacionais e preventivas precisam ser claras, atualizadas e com embasamento 115
116 científico, considerando sempre as especificidades do público-alvo e as diferenças culturais. Conclui-se que é essencial a participação de todos os atores sociais, possibilitando que se tornem multiplicadores, com objetivo de ampliar, articular e fortalecer as redes de atenção à Dependência Química, visando ao desenvolvimento de um trabalho interdisciplinar e multiprofissional. Referências BRAUN, Ivan Mário. Dependência química. São Paulo: Cortez, BUCHER, R. Drogas: o que é preciso saber para prevenir. São Paulo: FUSSESP, CAETANO, Marina Canal; DRUMOND, Hélio. Drogas. 2. ed. São Paulo: Loyola, LEOPARDI, Maria Tereza. Metodologia da pesquisa na Saúde. 2. ed. Santa Maria: Palotti, KLAJNER, Henrique. Prevenção de distúrbios comportamentais na saúde física e mental. São Paulo: Marco Zero, MASUR, J. O que é toxicomania. São Paulo: Brasiliense,
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