Causas de morte 2013
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- Liliana Valgueiro Soares
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1 Causas de morte de maio de 2015 Causas de morte 2013 Os tumores malignos e as doenças do aparelho circulatório estiveram na origem de mais de metade dos óbitos ocorridos no país em 2013, representando respetivamente 24,3% e 29,5% dos óbitos registados, o que representou uma redução de 4,1% nos óbitos por doenças do aparelho circulatório e um aumento de 0,6% nos óbitos por tumores malignos. No conjunto das doenças do aparelho circulatório, destacaram-se os óbitos devidos a acidentes vasculares cerebrais, que estiveram na origem de 11,5% do total de mortes no país ( óbitos). De entre os tumores malignos, evidenciaram-se mortes causadas por tumores malignos da traqueia, brônquios e pulmão, mais 9,1% do que o registado em 2012, e as causadas por tumores malignos do cólon, reto e ânus com 3,6% da mortalidade (3 848 óbitos). Foram também relevantes as mortes devidas a doenças do aparelho respiratório, que representaram 11,8% do total de óbitos ocorridos em 2013, com um decréscimo de 9,2% em relação a No conjunto das doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas, a diabetes mellitus com óbitos foi a causa com maior número de mortes, pese embora a redução face ao ano anterior (-6,7%). O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulga a publicação Causas de morte 2013 que apresenta os resultados estatísticos relativos à mortalidade por causas de morte em Portugal em Em análise estão 55 grupos de causas de morte, baseados na lista utilizada pela «OECD Health Data» da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e que incluem as principais causas de morte por doença, destacando-se os tumores malignos, as doenças do aparelho circulatório, do aparelho respiratório e as doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas, bem como as mortes por causas externas de lesão e envenenamento. Para cada causa de morte são apresentadas contagens do número de óbitos por sexo, grupos etários e regiões de residência dos falecidos, bem como Causas de morte /8
2 alguns indicadores derivados: Relação de masculinidade dos óbitos; Idade média ao óbito; Taxa bruta de mortalidade; Número médio de anos potenciais de vida perdidos, entre outros. A publicação inclui ainda: os quadros de dados, com informação desagregada por regiões de acordo com os níveis I, II e III da NUTS 2013, por sexo e grupos etários; e a metodologia de cálculo dos indicadores e a correspondência entre os 55 grupos de causas de morte e a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, décima revisão (CID-10). As doenças do aparelho circulatório e os tumores malignos mantiveram-se como principais causas de morte em 2013 Em 2013 registaram-se óbitos no país (331 de residentes no estrangeiro), menos 1,0% do que em 2012 ( ). As mortes por doença representaram 96,0% do total de óbitos registados no país e as causas externas de lesão e envenenamento estiveram na origem de 4,0% dos óbitos, de que se destacaram os acidentes e sequelas, 1,9%, e as lesões autoprovocadas intencionalmente (suicídio), 1,0%. Os tumores malignos e as doenças do aparelho circulatório estiveram na origem de 53,8% dos óbitos ocorridos no país em 2013, representando respetivamente 24,3% e 29,5% dos óbitos registados. Face a 2012 verificou-se um decréscimo de 4,1% nos óbitos por doenças do aparelho circulatório e um aumento de 0,6% nos óbitos por tumores malignos. Óbitos por algumas causas de morte no país (%), 2012 e 2013 Doenças do aparelho circulatório 30.4% 29.5% Tumores malignos 23.9% 24.3% Doenças do aparelho respiratório Sintomas, sinais, exames anormais, causas mal definidas Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas Doenças do aparelho digestivo Causas externas de lesão e envenenamento Doenças do sistema nervoso e dos órgãos dos sentidos 12.9% 11.8% 9.5% 8.7% 5.6% 5.4% 4.2% 4.3% 3.7% 4.0% 3.2% 3.3% Fonte: INE, Estatísticas dos óbitos por causas de morte Causas de morte /8
3 Perderam-se anos potenciais de vida devido às doenças do aparelho circulatório Em 2013, as doenças do aparelho circulatório continuaram a constituir a principal causa básica de morte, tendo originado óbitos, ou seja, 29,5% da mortalidade total ocorrida no país, menos 4,1% do que em 2012 ( óbitos). No conjunto de óbitos provocados por este grupo de causas, 55,7% foram óbitos de mulheres e 44,3% de homens, traduzindo-se numa relação de masculinidade de 79,7 óbitos masculinos por cada 100 femininos. O número de óbitos de mulheres por doenças do aparelho circulatório consubstanciou-se ainda numa taxa de mortalidade de 320 óbitos devido a esta causa por cada 100 mil mulheres residentes, valor superior ao registado para os homens (281 óbitos de homens por cada 100 mil homens residentes). Em média, as doenças do aparelho circulatório atingiram os homens 5 anos mais cedo, registando-se no caso destes uma idade média ao óbito de 78,5 anos que compara com 83,5 anos no caso das mulheres. Por outro lado, em 2013 este conjunto de doenças registou uma mortalidade prematura de 12,3% (proporção de indivíduos falecidos com idades inferiores a 70 anos no total de mortes por esta causa) e anos potenciais de vida perdidos no país: em Portugal e em 2013, perderam-se 456,6 anos potenciais de vida por cada 100 mil habitantes devido às doenças do aparelho circulatório. Idade média (anos) ao óbito por algumas doenças do aparelho circulatório no país, ,5 79,2 83,2 82,5 78,9 77,9 75,7 74,9 81,5 Total Homens Mulheres Doenças Cerebrovasculares Doença isquémica do coração Enfarte agudo do miocárdio Fonte: INE, Estatísticas dos óbitos por causas de morte Ainda no conjunto destas mortes, foram particularmente letais os acidentes vasculares cerebrais (AVC), que estiveram na origem de 11,5% do total de mortes no país ( óbitos), pese embora a redução de 1,1 pontos percentuais relativamente à sua importância no ano anterior (os AVC causaram 12,5% dos óbitos em 2012). A doença isquémica do coração esteve na origem de óbitos em 2013 (6,5%), e ao enfarte agudo do miocárdio ficaram associados óbitos (4,3%), mantendo-se a importância relativa observada no ano anterior. Causas de morte /8
4 A morte pelas doenças cerebrovasculares atingiu principalmente as mulheres, com uma relação de 77,6 óbitos masculinos por cada 100 femininos, ao contrário das mortes por doença isquémica do coração e por enfarte agudo do miocárdio, que registaram maior incidência no caso dos homens (respetivamente, 115,1 e 120,3 óbitos masculinos por cada 100 femininos). As mortes por doenças cerebrovasculares ocorreram em geral mais tardiamente (81,5 anos para o conjunto de homens e mulheres) do que as devidas a enfarte agudo do miocárdio (77,9 anos) e doença isquémica do coração (78,9 anos). e anos potenciais de vida devido às mortes por tumores malignos Os tumores malignos foram a segunda causa básica de morte em 2013, com registo de óbitos, o que correspondeu a 24,3% da mortalidade no país, mais 0,6% do que o registado em 2012 ( óbitos). Este conjunto de doenças vitimou mais homens (59,7% dos óbitos por tumores malignos) do que mulheres (40,3%), resultando numa relação de masculinidade de 147,9 óbitos masculinos por cada 100 femininos. Para as pessoas falecidas por este conjunto de causas, a idade média ao óbito situou-se nos 72,4 anos, mais elevada para as mulheres (73,7 anos) do que para os homens (71,6 anos). A mortalidade prematura, aferida pela proporção de pessoas falecidas devido a tumores malignos com idades inferiores a 70 anos no total de mortes, situou-se em 9,2%, mais elevada para os homens (11,7%) do que para as mulheres (6,7%). O número de anos potenciais de vida perdidos no país em 2013 foi de anos, a que correspondeu uma taxa de anos potenciais de vida perdidos de 1 264,2 por 100 mil habitantes. Óbitos no país por alguns tumores malignos (n.º), 2013 Tumor maligno da traqueia/brônquios/pulmão Tumor maligno do cólon, reto e ânus Tumor maligno do estômago Tumor maligno da próstata Tumor maligno da mama Tumor maligno do pâncreas Tumor maligno do fígado e das vias biliares intra-hepáticas Tumor maligno da bexiga Leucemia Tumor maligno do ovário Melanoma maligno da pele Tumor maligno do colo do útero Fonte: INE, Estatísticas dos óbitos por causas 0de morte Causas de morte /8
5 As mortes devidas a tumores malignos da traqueia, brônquios e pulmão aumentaram 9,1% De entre os tumores malignos, em 2013, evidenciaram-se as mortes causadas por tumores malignos da traqueia, brônquios e pulmão, representando 3,8% dos óbitos em Portugal (4 010 óbitos), mais 9,1% do que o registado em 2012 (3 675 óbitos), e as causadas por tumores malignos do cólon, reto e ânus com 3,6% da mortalidade (3 848 óbitos), mais 0,9% do que no ano anterior (3 813). As mortes por tumores malignos da traqueia, brônquios e pulmão atingiram principalmente os homens (78,6%), a que corresponde uma relação de 367,9 óbitos masculinos por cada 100 femininos, o valor mais elevado de entre os tumores não específicos do sexo masculino. As mortes por tumores malignos do cólon, reto e ânus são também mais frequentes no caso dos homens (58,1%), ainda que com valores menos extremados (a relação de masculinidade é neste caso de 138,9 óbitos masculinos por 100 femininos). As mortes por tumores malignos do cólon, reto e ânus ocorreram em média 5 anos mais tarde (74,6 anos) do que as devidas a tumores malignos da traqueia, brônquios e pulmão (69,3 anos). No caso das mulheres, destacaram-se óbitos originados por tumores da mama em 2013, ou seja, menos 6,4% do que no ano anterior (1 758). A idade média ao óbito foi neste caso de 70,5 anos, mais 1,2 anos do que no ano anterior. Os tumores malignos da próstata totalizaram óbitos em 2013, menos 5,3% do que em 2012 (1 814), mantendose uma idade média ao óbito próxima dos 80 anos. No conjunto das mortes motivadas por tumores malignos em 2013 referem-se ainda as associadas aos tumores malignos do estômago (2,1% do total de óbitos), menos 4,6% face a 2012, e os tumores malignos do pâncreas (1,3% do total de óbitos), sendo que esta última causa registou um aumento de 5,9% face ao ano anterior. As doenças do aparelho respiratório originaram 11,8% da mortalidade em 2013 As mortes causadas por doenças do aparelho respiratório estiveram na origem de 11,8% da mortalidade em 2013 ( óbitos), ou seja, menos 9,2% do que no ano anterior ( óbitos). Estas mortes atingiram ligeiramente mais homens (52,0%) do que mulheres (48,0%), registando-se uma relação de masculinidade de 108,3 óbitos masculinos por cada 100 femininos. Registou-se ainda uma idade média ao óbito devido a doenças do aparelho respiratório mais elevada para as mulheres (84,3 anos) do que para os homens (81,1 anos). A percentagem de óbitos com menos de 70 anos foi de 8,5%, com anos potenciais de vida perdidos e 130,7 anos por 100 mil habitantes. Causas de morte /8
6 Distribuição dos óbitos no país por doenças do aparelho respiratório, 2013 Outras: 32% Pneumonia: 47% Asma e estado de mal asmático: 1% Doença pulmonar obstrutiva crónica: 20% Fonte: INE, Estatísticas dos óbitos por causas de morte No conjunto das doenças do aparelho respiratório, a pneumonia com óbitos e a doença pulmonar obstrutiva crónica com óbitos, foram as causas com maior número de mortes (representando, respetivamente, 5,6% e 2,4% do total de óbitos no país). A diabetes mellitus provocou 4,3% do total de óbitos no país As doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas causaram óbitos em 2013, menos 4,6% do que no ano anterior (6 053 óbitos). Estas doenças estiveram na origem de mais mortes de mulheres (3 382) do que de homens (2 393), registando-se uma relação de masculinidade de 70,8 óbitos masculinos por cada 100 femininos. Contudo, a idade média ao óbito foi mais elevada para as mulheres (81,5 anos) do que para os homens (77,4 anos). O número de anos potenciais de vida perdidos, que traduz a mortalidade prematura (antes dos 70 anos), foi de anos em 2013, sendo que este valor relativamente baixo se deveu à ocorrência de apenas 14,5% de óbitos antes dos 70 anos. A taxa de anos potenciais de vida perdidos foi de 94,2 por 100 mil habitantes. No conjunto das doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas, a diabetes mellitus, com óbitos, foi a causa com maior número de mortes, pese embora a redução face ao ano anterior (-6,7%). Esta causa atingiu principalmente as mulheres, registando-se uma relação de masculinidade de 72,4 óbitos masculinos por cada 100 femininos. Causas de morte /8
7 As mortes por perturbações mentais e do comportamento corresponderam a 2,1% da mortalidade no país Em 2013 registaram-se óbitos por perturbações mentais e do comportamento, com maior expressão no caso das mulheres (60% do total de óbitos por estas causas), obtendo-se uma relação de masculinidade de 66,4 óbitos masculinos por 100 óbitos femininos. A idade média ao óbito foi de 83,0 anos, mais elevada nas mulheres (85,1 anos) do que nos homens (79,8 anos), sendo um conjunto de doenças que atingiram sobretudo as idades mais avançadas: em 2013, apenas 9% dos óbitos ocorreram antes dos 70 anos. Consequentemente, o número de anos potenciais de vida perdidos foi relativamente baixo (2 528 anos). A taxa de anos potenciais de vida perdidos foi de 28,2 anos por 100 mil habitantes. No conjunto das mortes provocadas por perturbações mentais e do comportamento, 91,4% corresponderam a mortes por demência (2 032 óbitos). Os suicídios representaram 1,0% da mortalidade no país em 2013 Em 2013, registaram-se óbitos devidos a causas de morte externas de lesão e envenenamento, o que representou um aumento de 6,9% face a 2012 (3 955). Quase 70% do total destas mortes foram de homens, com uma relação de 200,9 óbitos masculinos por 100 femininos. A idade média ao óbito devido a estas causas foi de 65,0 anos, bastante mais elevada para as mulheres (72,3 anos) do que para os homens (61,4 anos). Por outro lado, trata-se de um conjunto de causas que, quando comparado com as restantes, afeta relativamente mais as idades prematuras (43,4% dos falecidos tinham menos de 65 anos). O número de anos potenciais de vida perdidos foi e a taxa de anos potenciais de vida perdidos foi de 518,6 anos por 100 mil habitantes. No conjunto das causas de morte externas de lesão e envenenamento, evidenciaram-se as lesões autoprovocadas intencionalmente, ou suicídios, que provocaram mortes em 2013, o que refletiu uma redução de 2,1% face a 2012 (1 076). Cerca de 80% das mortes por esta causa foram de homens, apurando-se uma relação de 336,9 óbitos masculinos por 100 femininos, e correspondendo a 1,5% do total de óbitos de homens no país. A idade média ao óbito foi de 59,9 anos, semelhante para os dois sexos (59,6 para os homens e 60,7 para as mulheres). Causas de morte /8
8 Relação de masculinidade por algumas causas de morte no país, 2013 Causas externas de lesão e envenenamento 200,9 Acidentes e sequelas 206,8 Acidentes de transporte e sequelas 354,7 Quedas acidentais e impactos causados por objetos lançados, projetados ou em queda Envenenamento acidental 155,0 150,0 Lesões autoprovocadas intencionalmente e sequelas (suicídios) 336,9 100,0 Fonte: INE, Estatísticas dos óbitos por causas de morte Nota metodológica Os dados de óbitos por causas de morte resultam do aproveitamento de dados administrativos para fins estatísticos, de informação sujeita ao registo civil e recolhida junto das Conservatórias do Registo Civil através do Sistema Integrado do Registo e Identificação Civil (SIRIC) e através do Sistema de Informação dos Certificados de Óbito (SICO). A Direção Geral da Saúde colabora com o INE procedendo à codificação das causas de morte segundo a Classificação Internacional de Doenças (CID-10), da Organização Mundial de Saúde (OMS). Anos potenciais de vida perdidos: Número de anos que teoricamente uma determinada população deixa de viver, se morrer prematuramente (antes dos 70 anos). Resulta da soma dos produtos do número de óbitos ocorridos em cada grupo etário pela diferença entre o limite superior considerado e o ponto médio do intervalo de classe correspondente a cada grupo etário Idade média ao óbito: Quociente entre a soma do produto de cada ponto médio do escalão etário pelo número de observações, em cada escalão etário, e o número total de observações. Relação de masculinidade ao óbito: Quociente entre os óbitos do sexo masculino e os do sexo feminino, por 100 mulheres. Taxa de anos potenciais de vida perdidos: Número de anos potenciais de vida perdidos em cada habitantes. Obtém-se através do quociente entre os anos potenciais de vida perdidos e a População média (com menos de 70 anos), num determinado período de tempo, normalmente o ano civil. Em é possível visualizar a publicação Causas de morte 2013, associada a este Destaque Causas de morte /8
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