Assédio Moral e Assédio Sexual na Aprendizagem Profissional
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- Teresa Taveira Azevedo
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1 Assédio Moral e Assédio Sexual na Aprendizagem Profissional Matheus Florencio Rodrigues Assessor Jurídico do INAMARE Fone: (44) Juliana Patricia Sato Assessora Jurídica do MPT
2 Segundo o dicionário Houaiss, "assédio" é: "Insistência impertinente, perseguição, sugestão ou pretensão constantes em relação a alguém" E "assediar" é: ASSÉDIO "Perseguir com propostas; sugerir com insistência; ser importuno ao tentar obter algo; molestar"
3 ASSÉDIO MORAL
4 CONCEITO: ASSÉDIO MORAL...o assédio moral é caracterizado pelas condutas abusivas praticadas pelo empregador direta ou indiretamente, sob o plano vertical ou horizontal, ao empregado, que afetem seu estado psicológico. Normalmente, refere-se a um costume ou prática reiterada do empregador. (CASSAR, Vólia Bomfim. Direito do Trabalho, 8ª ed. Método, São Paulo: p. 918).
5 O assédio moral, pode ser exemplificado nas seguintes situações: Repetir a mesma ordem para realizar tarefas simples, centenas de vezes, até desestabilizar emocionalmente o(a) subordinado(a) Sobrecarregar de tarefas ou impedir a continuidade do trabalho, negando informações Desmoralizar publicamente Rir, a distância e em pequeno grupo, direcionando os risos ao trabalhador Ignorar a presença do(a) trabalhador(a) Mandar executar tarefas acima ou abaixo do conhecimento do trabalhador Divulgar boatos sobre a moral do trabalhador Fonte: Cartilha Assédio Moral e Sexual no Trabalho- MTE, 2013.
6 TRT-PR CONDUTA DESIDIOSA DO RECLAMANTE. PRÁTICA DE ASSÉDIO MORAL POR PARTE DA EMPREGADORA INJUSTIFICÁVEL. CONDUTA QUE EXCEDE O PODER DIRETIVO. O Reclamante não tinha apreço pelo emprego; faltava reiteradamente, ora apresentando atestado, ora nada justificando; apresentava baixa produtividade, não atingindo as metas razoáveis impostas - porque "facilmente" atingidas pelos demais, mesmo com as mudanças de carteira. Assim, é lógico que a Reclamada estava descontente com a conduta desleixada do Reclamante e com a sua baixa produtividade, sendo-lhe conveniente que "pedisse a conta", pois as faltas ao emprego, além de lhe desagradarem, acabavam por sobrecarregar as demais equipes. Entretanto, a Reclamada, dentro do poder diretivo que possuía, poderia adverti-lo, suspendê-lo ou rescindir o contrato por injusta ou justa causa (observando-se, quando a esta, os pressupostos doutrinários). Não poderia, porém, em hipótese alguma, destratá-lo, isolá-lo, constrangê-lo e expô-lo ao ridículo perante os demais. As condutas narradas pelas testemunhas trazidas a convite do Reclamante, são graves (questionando, como visto, inclusive a orientação sexual do Reclamante) e pela sua reiteração, amoldam-se, perfeitamente, à definição de assédio moral proposta pela doutrina, a saber: uma conduta abusiva praticada pelo empregador ou superior hierárquico do empregado, de natureza psicológica, que atenta contra a dignidade psíquica do indivíduo, de forma reiterada. Tal conduta abusiva do empregador ou de superior hierárquico se dá através da repetição diária, por longo tempo, de gestos, atos, palavras, comentários e críticas hostis e depreciativas a um empregado específico, expondo-o a uma situação vexatória, incômoda e humilhante, incompatível com a ética e com o respeito à dignidade da pessoa humana. Não se confundem, por isso, com o "mero dissabor" ou desentendimento. Recurso da Reclamada a que se nega provimento. (TRT-PR ACO A. TURMA, Relator: UBIRAJARA CARLOS MENDES, Publicado no DEJT em )
7 Não caracteriza assédio moral:» Situação eventual de humilhação, comentário depreciativo ou constrangimento;» Cobranças inerentes à atividade, críticas construtivas, avaliações do trabalho realizadas de forma não vexatória» Más condições de trabalho na empresa, por si só.
8 ASSÉDIO SEXUAL
9 ASSÉDIO SEXUAL CONCEITO:...toda conduta de natureza sexual não desejada que, embora repelida pelo destinatário, é continuamente reiterada, cerceando-lhe a liberdade sexual. (PAMPLONA FILHO, Rodolfo in CASSAR, Vólia Bomfim. Op cit, p. 920) *obs.: Não se trata de paquera, namoro, um convite para sair efetuado entre colegas de trabalho ou entre patrão e empregado. Essas condutas, por si só, não ensejam o assédio.
10 » EXEMPLO DE ASSÉDIO SEXUAL» TRT-PR DANO MORAL. CONFIGURAÇÃO. ASSÉDIO SEXUAL E OFENSA. Comete dano moral e sujeita-se à indenização, o empregador que tolera que prepostos seus cometam à pessoa da empregada assédio sexual e ofensa. A autora foi vítima da lascívia de superior hierárquico, que se utilizava de linguagem chula e imprópria. Além disso, sendo a reclamante portadora de leucemia e submetida a julgamento moral negativo sobre a sua personalidade extrovertida, foi associada indevidamente a uma personagem de novela televisiva (prostituta), atribuindo-se-lhe o apelido de Capitu cancerosa. A omissão do empregador em reprimir esses eventos implica sua responsabilização. (TRT-PR ACO , Relator: CELIO HORST WALDRAFF, Publicado no DJPR em )
11 CONSEQUÊNCIAS DO ASSÉDIO NO CONTRATO DE TRABALHO a) Rescisão indireta» O empregado vítima do assédio poderá pleitear a ocorrência da rescisão indireta na Justiça do Trabalho. b) Dano moral» Poderá o empregado pleitear indenização pecuniária pelo assédio sofrido na empresa. c) Responsabilização criminal no caso de assédio sexual (art. 216-A, CP)» ART. 216-A, Código Penal, introduzido pela Lei n /2001: "Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função." Pena detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos. Parágrafo único. (VETADO) (Incluído pela Lei nº , de 15 de 2001) 2 o A pena é aumentada em até um terço se a vítima é menor de 18 (dezoito) anos.
12 d) Demissão por justa causa (caso de assédio praticado por empregado)» A Consolidação das Leis do Trabalho autoriza o empregador a demitir por justa causa o empregado que cometer falta grave, a exemplo dos comportamentos faltosos listados no seu art. 482, podendo o assédio sexual ou moral cometido no ambiente de trabalho ser considerado uma dessas hipóteses. e) Ressarcimento dos valores gastos em indenização pela empresa» TRT-PR DESCONTO EFETUADO NA RESCISÃO. DANO CAUSADO PELO EMPREGADO CONSISTENTE EM CONDENAÇÃO JUDICIAL POR ATO ILÍCITO (ASSÉDIO SEXUAL POR INTIMIDAÇÃO). Fatos apurados durante a instrução processual em ação de indenização demonstraram que o Autor praticou atos corporificadores de assédio sexual, fato que determinou a condenação da Reclamada ao pagamento de indenização na importância de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Havendo previsão no contrato de trabalho de possibilidade de efetuar descontos no salário em decorrência de prejuizos causados pelo empregado e demonstrado que o Autor, deliberadamente, praticou ato danoso, deve arcar com o pagamento do "quantum" que resultou de sua prática ilícita (art. 462, 1º, da CLT). Reiteradamente as Cortes Trabalhistas vêm se deparando com ações de danos morais onde os empregadores são alertados quanto à necessidade de medidas rigorosas para coibir atitudes dessa espécie, como, aliás, ficou assentado na sentença da AIND 00031/2006. Portanto, inviável, diante de ato recomendado pelo Judiciário, dizer que este foi abusivo. Recurso do Reclamante a que se nega provimento, mantendo-se a r. sentença que declarou lícito o desconto, na rescisão, do valor a que foi condenada a Ré na ação de indenização. (TRT-PR ACO A. TURMA, Relator: UBIRAJARA CARLOS MENDES, Publicado no DJPR em ).
13 ASSÉDIO MORAL DANO MORAL O assédio moral não deve ser confundido com o dano moral. A indenização em dano moral é o dever de indenizar o dano causado a direitos personalíssimos de outrem (e.g. honra, privacidade, liberdade, intimidade). Ou seja, é o direito de receber indenização por um dano que não possui repercussão patrimonial (RODRIGUES, Silvio. Direito Civil, vol. 4. Saraiva, São Paulo: p. 189). O pagamento de dano moral, assim, não importa no reconhecimento da ocorrência de assédio moral. Por outro lado, a constatação do assédio ensejaria o pagamento de dano moral.
14 Matheus Florencio Rodrigues Assessor Jurídico do Juliana Patricia Sato Assessora Jurídica do MPT Fone: (44)
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