Assédio Sexual, Moral e Dano Moral.
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- Lorena da Conceição Carvalhal
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1 Assédio Sexual, Moral e Dano Moral. 1
2 É o termo utilizado para designar toda conduta que cause constrangimento psicológico ou físico à pessoa. Possui duas espécies: o assédio sexual e o assédio moral. O assédio sexual caracteriza-se pela conduta de natureza sexual, repetitiva, sempre repelida pela vítima e que tenha por fim constranger a pessoa em sua intimidade e privacidade. 2
3 Art. 216-A do Código Penal: Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente de sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo, ou função. Pena: detenção de 1 a 2 anos. 3
4 constrangimento provocado por agente que assim age favorecido pela ascendência exercida sobre a vítima; b) ação dolosa e reiterada que visa vantagem sexual. Observações: - Agente: sempre o empregador ou colega que seja superior hierárquico da vítima; - Agente e vítima poderão ser do sexo masculino ou feminino, hetero ou homossexual. 4
5 ACORDAM os membros da 6ª Câmara do Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região, por unanimidade, CONHECER DOS RECURSO DA AUTORA; por igual votação, CONHECER DO RECURSO DA RÉ, exceto quanto ao pedido de acolhimento da preliminar de denunciação da lide do Estado de Santa Catarina, por estar desacompanhado da respectiva e necessária fundamentação. No mérito, sem divergência, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DA RÉ; por maioria, vencida, parcialmente, a Desembargadora do Trabalho Teresa Regina Cotosky, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO DA AUTORA para condenar a ré ao fornecimento das guias para o recebimento das parcelas do seguro-desemprego no prazo de cinco dias após o trânsito em julgado da presente decisão, devendo a empregadora ser notificada expressamente de sua obrigação, sob pena de pagamento da indenização correspondente. Custas de R$ 300,00 (trezentos reais), pela ré, sobre o valor da condenação alterado para R$ ,00 (quinze mil reais). (5ª Vara do Trabalho de Florianópolis, SC, sendo recorrente ASSOCIAÇÃO BENEFICENTE DOS MILITARES ESTADUAIS DE SANTA CATARINA - ABEPOM e recorrido XXXXXXXXX). 5
6 Resumidamente é quando os chefes, gerentes, encarregados, colegas de trabalho (pessoas que exercem alguma função de liderança ou convivem nas inter-relações sociais do trabalho) abusam da autoridade que receberam, interferindo de forma negativa nas pessoas que lideram ou que se relacionam. Para o Ministério da Saúde e do Trabalho, o assédio moral é representado por toda e qualquer conduta abusiva (gesto, palavra, comportamento, atitude) que atente, por sua repetição ou sistematização, contra a dignidade ou a integridade psíquica ou física de uma pessoa, ameaçando seu emprego ou degradando o clima de trabalho. 6
7 O constituinte guindou o meio ambiente (art. 225) à categoria de bem de uso comum, impondo ao empregador a obrigação de assegurar um ambiente de trabalho hígido e equilibrado (art. 200, VIII,CF). Ao empregador incumbe a obrigação de manter um ambiente de trabalho respeitoso, pressuposto mínimo para a execução do pacto laboral. A sua responsabilidade pelos atos de seus prepostos é objetiva (Súmula 341 do STF), presumindo-se a culpa (TRT 3ª R., 5a. T., RO n. 4269/2002, Rogério Valle Ferreira, DJMG: , p. 14) 7
8 O termo assédio moral foi utilizado pela primeira vez pelos psicólogos e não faz muito tempo que entrou para o mundo jurídico. O que se denomina assédio moral, também conhecido como mobbing (Itália, Alemanha e Escandinávia), harcèlement moral (França), acoso moral (Espanha), terror psicológico ou assédio moral entre nós, além de outras denominações, são, a rigor, atentados contra a dignidade humana. (...) (TRT 3 ª R. RO ª T. Rel ª Alice Monteiro de Barros DJMG , p. 13).
9 Assédio vertical - a violência parte do chefe ou superior, que tem em mira seu subordinado. Assédio horizontal - ocorre dentro da mesma escala hierárquica, entre colegas de trabalho, motivados pela competição; (*) pode ocorrer individualmente ou de forma coletiva, quando todos os demais colegas retaliam a vítima. Assédio ascendente - a violência é praticada pelo empregado ou grupo de empregados contra um chefe, visando destroná-lo do cargo.
10 O assédio moral agrega 3 elementos: A) abuso de poder; B) manipulação perversa; C) discriminação; Cláudio Couce de Menezes: aquele que assedia busca desestabilizar a sua vítima. Por isso mesmo, o processo é continuado e de regra sutil, pois a agressão aberta desmascara a estratégia insidiosa de expor a vítima a situações incômodas e humilhantes.
11 a) provocação do isolamento da vítima no ambiente do trabalho; b) cumprimento rigoroso do trabalho como pretexto para maltratar psicologicamente a vítima; c) referências negativas, indiretas e continuadas, à intimidade da vítima; d) desprezo e discriminação negativa à vítima como fruto de uma implicância gratuita.
12 - pessoa perversa que só consegue existir e ter uma boa auto-estima humilhando e controlando os outros. - busca massacrar alguém mais fraco, cujo medo gera conduta de obediência, não só da vítima, mas de outros empregados que se encontram ao seu lado. (Alice M. de Barros) Marcia Guedes identifica os tipos de agressores: - instigador; - casual; - colérico; - megalômano; - frustrado; - crítico; - aterrorizado; - sádico; - puxa-saco; - tirano; - carreirista; - invejoso; - pusilânime.
13 Geralmente são empregados com um senso de responsabilidade quase patológico, ingênuos no sentido de que acreditam nos outros e naquilo que fazem; pessoas humildes e bem educadas. - Marcia Guedes afirma que muitas vezes a vítima não é negligente nem desidiosa, mas, ao contrário, possui qualidades, sendo este o motivo de ser escolhida pelo agressor.
14 Assédio Sexual: o agente visa dominar a vítima pela chantagem, visando vantagens sexuais; - Assédio Moral: o assediante visa a eliminação da vítima do mundo do trabalho através do psicoterror; - É comum que o AS constitua a razão para desencadear uma ação de AM; Assédio Sexual: o agente é sempre um superior hierárquico da vítima Assédio Moral: a vítima poderá ser o próprio chefe e o agente um grupo de subalternos. 14
15 No setor público os abusos são mais comum na Administração, embora ocorram em todos os setores de serviço. Estudos demonstram que geralmente o assédio não está relacionado à produtividade, mas sim às disputas de poder. O assédio passa a ser conjugado como uma dimensão psicológica fundamental, a inveja e a cobiça que levam os indivíduos a controlar o outro e a querer tirá-lo do caminho. 15
16 O assédio: ofende a dignidade do trabalhador (1º, III,CF); afeta a honra objetiva e subjetiva (5º, X, CF); Indenização por dano material e moral Art. 5º, X, da CF dispõe: são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação 16
17 Rescisão Indireta, art. 483, da CLT: O empregado poderá considerar rescindido o contrato e pleitear a devida indenização quando: não cumprir o empregador as obrigações do contrato; praticar o empregador ou seus prepostos, contra ele ou pessoas de sua família, ato lesivo da honra e da boa-fama. 17
18 Assédio sexual, art. 216-A do C. Penal Pena: 1 a 2 anos de detenção. A condenação criminal é exclusiva da pessoa do assediante, não havendo responsabilidade indireta de que trata o art. 932, III, CC. Com base na legislação penal (art. 43, CP), o criminoso estará, no máximo, submetido à pena alternativa. A competência para apreciar o crime de assédio sexual é do Juizado Especial (pg único do art. 2o. da L /01). 18
19 não há tipificação penal, contudo o assediante pode incorrer nas seguintes figuras do Código Penal: - crimes contra a honra (arts. 138 a 140); - crimes contra a liberdade individual (arts. 146 a 149); - perigo de vida e da saúde (arts. 130 a 136); - induzimento ao suicídio (art. 122); lesão corporal e homicídio (arts. 129 e 122). - Art. 935 CC: a responsabilidade civil independe da criminal, não se podendo, contudo, questionar mais sobre a existência do fato ilícito ou sobre sua autoria, quando estas questões já estiverem decididas no juízo criminal. 19
20 FONTE: Dr.ª MARGARIDA BARRETO 20
21 A Constituição de 1988, consagrou o Estado Democrático de Direito: 1. a cidadania e a dignidade da pessoa humana (CF, art. 1º, II e III). 2. conciliar o capital com o trabalho numa sociedade livre, justa e solidária (CF, arts. 1º, IV e 3º, I). 3. assegurou o direito de propriedade, impondo-lhe, todavia, função social (CF, art. 5º, XXII e XXIII). 4. concebeu uma ordem econômica fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa (art. 170)
22 No inciso X, do art. 5º: como direito fundamental: a inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem das pessoas, assegurando o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.
23 Art Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. Art. 187: Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes. Art. 927: Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo parágrafo único: Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco parra os direitos de outrem.
24 Conceito de dano moral: A) residual: são todos os danos que não têm repercussão de caráter patrimonial B) pretium doloris: é aquele que causa uma dor moral à vítima Savatier: é todo sofrimento humano não resultante de uma perda pecuniária A dor moral tem preço?
25 a) Compensatória (necessidade da vítima); b) Pedagógica-preventiva (capacidade da empresa); A indenização por dano moral deve ser fixada em valor razoável, de molde a traduzir uma compensação, para a vítima (empregado) e, concomitante, punir patrimonialmente o empregador, a fim de coibir a prática reiterada de atos dessa natureza. (TRT 3ª R 5ª T RO nº 9891/99 Taísa Mª. M. de Lima DJMG p. 16)
26 ACORDAM os membros da 6ª Câmara do Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região, por unanimidade, CONHECER DO RECURSO. No mérito, por maioria, vencida, parcialmente, a Desembargadora do Trabalho Ligia Maria Teixeira Gouvêa, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL para reduzir a indenização por danos morais a R$ ,00 (quinze mil reais), com correção monetária desde a data desta decisão e juros desde o ajuizamento da ação, nos termos da Súmula n. 439 do TST. Custas de R$ 300,00 (trezentos reais), pela ré, sobre o valor da condenação alterado para R$ ,00 (quinze mil reais). (2ª Vara do Trabalho de Blumenau, SC, sendo recorrente WMS SUPERMERCADOS DO BRASIL S.A. e recorrido XXXXXXXXXX). 26
27 Uma palavra contundente é algo que pode matar ou humilhar, sem que sujem as mãos. Pierre Desproges Jaison de Medeiros OAB/SC
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