OUTROS MODOS DE REPRESENTAÇÃO DO ESPAÇO GEOGRÁFICO
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- Jessica Castelhano Igrejas
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1 Aula 6 OUTROS MODOS DE REPRESENTAÇÃO DO ESPAÇO GEOGRÁFICO META Apresentar formas e alternativas de representação do espaço geográfico que permitam o mapeamento de rugosidades espaciais. OBJETIVOS No final da aula o aluno deverá: Conhecer formas diferenciadas de representação do espaço; Representar o espaço geográfico utilizando outras linguagens para além dos mapas oficiais. Gicélia Mendes Luiz Carlos Sousa Silva
2 Cartografia Escolar INTRODUÇÃO Estamos acostumados a utilizar os mapas que já nos chegam prontos. Raríssimas vezes temos a oportunidade de elaborar os nossos próprios mapas. Quando tentamos fazê-lo, é comum sermos repreendidos por não utilizarmos a linguagem cartográfica formalmente instituída e, desse modo, acabamos por nos restringir ao uso do que já está pronto sem nos aventurarmos a cartografar as nossas percepções dos lugares onde vivemos e dos movimentos que experimentamos. Esta aula é um convite a esta reflexão e um convite ao exercício de sua criatividade e de sua capacidade de representar as suas percepções. MAPAS HÍBRIDOS Trazemos, para a nossa reflexão, mais uma possibilidade de representação e leitura do espaço que se descola da rigidez dos mapas tradicionais pautados no paradigma da precisão e da localização (FONSECA, 2007). Os mapas híbridos funcionam como uma alternativa de trabalhar o mapeamento de rugosidades espaciais a partir do momento em que permite a associação de diversas formas de representação do espaço com o objetivo de melhor representar as características do fenômeno em foco, expondo as multiplicidades escalares e temporais no mapa (VARGAS et.all, 2011, p. 279). Os mapas híbridos permitem o movimento da construção do mapa que influencia, positivamente, no resultado final da representação cartográfica por oferecer variações de representações a partir de linguagens diversas. 70
3 Outros modos de representação do Espaço Geográfico Aula 6 A potencialidade do mapa híbrido no âmbito educacional é desorientar o modo de visualização, compreensão e interpretação do mapa. Desorientar não no sentido de desconsiderar ou excluir a maneira convencional de se entender o mapa, mas sim de possibilitar e fornecer maneiras outras de entender a espacialidade. Essas possibilidades partem do sentido de que o mapa híbrido permite expor diferentes perspectivas na interpretação espacial, múltiplas linguagens, escalas e tempos em um mesmo mapa, fazendo assim com que a ideia de mapa possa ser renovada no âmbito educacional formal. (VARGAS et.all, 2011, p. 280). Na construção de mapas híbridos podemos utilizar vários recursos que nos auxiliem na representação dos fenômenos que desejamos representar, dentre os quais as fotografias que podem ser: fotografia aérea vertical ou oblíqua, imagem de satélite, fotografias comuns. É importante lembrar que as fotografias, assim como os mapas, não traduzem a realidade. Elas são apenas a representação de um momento congelado da realidade. O professor é que, ao fazer uso destas linguagens estáticas, traz movimento para elas. Não há desvantagem em trabalhar com as fotografias. Elas chamam mais a nossa atenção do que o próprio mapa, mas é preciso que atentemos para os limites que a própria linguagem fotográfica nos coloca. É certo que as fotografias nos aproximam da realidade, mas, assim como os mapas, elas chapam a paisagem e horizontalizam tudo. Mapas e fotografias são linguagens distintas e, por isso, é importante que trabalhemos com os dois. Entendemos que o trabalho com mapas e com fotografias, das mais diversas formas, é um desafio para o professor, na mesma medida em que é muito estimulante porque a imagem, seja ela qual for, não traduz fielmente o que é o real. É o professor quem vai dar o tom de movimento às representações. (CAZETTA, 2011) Podemos juntar mapas e fotografias (comuns, aéreas, imagens de satélite) para estudarmos o município, o bairro ou mesmo a evolução histórica de algum fenômeno. As fotografias são recursos dos quais o professor pode disponibilizar para auxiliá-lo na mediação do trabalho com a Cartografia Escolar. Atualmente, como estamos conversando a respeito em outras aulas desta disciplina, o mapa é muito mais do que estávamos acostumados a ver há alguns anos. E então, você já pensou como o trabalho com fotografias e mapas pode auxiliá-lo nas suas aulas de Geografia e Cartografia? 71
4 Cartografia Escolar Veja alguns exemplos de como podemos fazer uso destas possibilidades: Rodoviária Velha de Aracaju- Localização e evolução 72
5 Outros modos de representação do Espaço Geográfico Aula 6 Sergipe, Imagens do meio rural de alguns municípios selecionados Os mapas híbridos retratam a concepção do autor em relação ao elemento que deseja representar. Eles não seguem o rigor de elaboração exigida pelos mapas convencionais porque a intenção é ativar outras formas de reflexão acerca da organização e representação do espaço. Reflexões estas que requerem a participação do professor para mediador as análises, colaborando com a otimização de uso desta ferramenta. Demos dois exemplos, mas ressaltamos que há várias formas de elaborar mapas híbridos, utilizando vários recursos como mencionamos no início da aula. O mapa convencional não dá conta de representar as rugosidades e, por isso, é preciso utilizar outras linguagens que nos auxiliem nesta representação. 73
6 Cartografia Escolar CONCLUSÃO Demos o exemplo de mapas híbridos construídos a partir da junção de mapas e fotografias, mas muitos outros elementos podem ser utilizados para a análise do espaço geográfico sobre o qual nos debruçarmos para estudar. Use de sua criatividade! Você será o professor que mediará o processo de ensino e de aprendizagem e, ninguém melhor do que você saberá o que os seus alunos precisam para aprender. Você estará no dia a dia com eles e esta vivência diária trará para você uma série de elementos que contribuirão para você elaborar aulas fantásticas! Acredite! RESUMO Nesta aula nós vimos como a associação de mapas, fotografias comuns, fotos aéreas, imagens de satélites, em um único documento cartográfico podem proporcionar alternativas de representação do espaço geográfico, possibilitando diminuir os efeitos das imagens chapadas e horizontalizadas da paisagem. Os mapas híbridos não substituem os mapas convencionais nem pretendem fazê-lo. Sua utilização é mais um instrumento de que o professor e os alunos dispõem para a representação e compreensão do espaço geográfico. ATIVIDADES Elabore um mapa híbrido e, posteriormente, compare-o com os mapas convencionais que você costuma utilizar. A partir desta comparação, escreva as vantagens e desvantagens que você observou em um e em outro tipo. COMENTÁRIOS SOBRE AS ATIVIDADES Para esta atividade você deve utilizar variados recursos de que dispuser para representar o que você deseja. Pode ser a evolução temporal de algum fenômeno. A evolução urbana de algum município ou mesmo as características da rua onde você mora. 74
7 Outros modos de representação do Espaço Geográfico Aula 6 PRÓXIMA AULA Mesmas representações, muitos sentidos. AUTO-AVALIAÇÃO Em minhas aulas como professor de Geografia, farei uso dos mapas híbridos? Por quê? REFERÊNCIAS FONSECA, F. P. O potencial analógico dos mapas. Boletim Paulista de Geografia, São Paulo, n. 87, p , dez CAZETTA, Valéria. Cartografia: As Linguagens e a Cartografia na Educação Básica. Programa 02. Entrevista concedida ao Programa Um Salto para o Futuro,
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