CIRCUITOS DE CORRENTE ALTERNADA
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- Cláudia Neiva Bergler
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1 CRCUTOS DE CORRENTE ALTERNADA NTRODUÇÃO As correntes e tensões na maioria dos circuitos não são estacionárias, possuindo uma variação com o tempo. A forma mais simples da variação temporal de tensão (corrente) com o tempo é a forma senoidal, a qual é representada por: Onde: V p é a amplitude da tensão. ω é a freqüência angular do sinal. Graficamente: V = V p sen ( ω t ) O valor máximo da tensão (corrente) é também chamado de valor de pico, V p, e é o valor desde zero até a máxima ou a mínima amplitude. Chamamos de valor de pico a pico, V pp, a diferença entre o valor máximo e o mínimo valor da amplitude. V pp = V máx V min = V p (- V p ) = 2 V p Chamamos de valor médio, V m, a média temporal do sinal em meio período.
2 Chamamos de valor eficaz ou RMS, V rms, o valor obtido quando relacionamos o valor da potência calculada por efeito Joule ou pelo valor médio. Outra forma de representarmos tensões ou correntes alternadas é escrevê-las na forma de números complexos, ou seja: V = V o e iωt = o e iωt É conveniente construirmos os chamados "diagramas de fasores" para representarmos graficamente tensões ou correntes alternadas. Por exemplo, tomemos o circuito mostrado na figura abaixo: Neste caso, i V2 Vf Vf = V1 + V2 V1 r Podemos notar que a primeira Lei de Kirchhoff continua válida, só que na forma complexa.
3 Nos circuitos de corrente contínua, definimos como a resistência de um componente, a relação entre a tensão e a corrente. Para os circuitos de corrente alternada, a relação entre a tensão e corrente é chamada MPEDÂNCA do componente. Então: Z = V / Esta é a forma generalizada da Lei de Ohm. Devemos observar que: Z é um número complexo. Z = V V = [ Z ] = Volts / Ampère o 0 Se tivermos um circuito com a presença de um nó, a Segunda Lei de Kirchhoff também continua válida, só que na forma complexa. Usando estas informações, podemos mostrar que para associações em série e em paralelo de impedâncias, valem as mesmas relações que para resistências, só que na forma complexa, ou seja: Série: Paralelo: Z eq = Z 1 + Z 2 + Z Z n 1 / Z eq = 1/Z 1 +1/Z 2 + 1/Z /Z n CRCUTOS Vamos usar as informações acima para os três componentes mais simples, um resistor, um capacitor e um indutor. Circuito Resistivo: A tensão nos terminais de um resistor com resistência R, é diretamente proporcional à corrente que o atravessa. A constante de proporcionalidade é a resistência do resistor. Consideremos um circuito resistivo:
4 Vf Vf VR Tomemos uma tensão alternada da forma: Pela Lei de Kirchoff: V f = V o e iωt V f = V R = V o e iωt A corrente no circuito será: = V / Z = V o e iωt / Z = o e iωt Então: Z = V o / o A impedância num resistor será real e é dada por: Z = R Graficamente: i V f = V R r
5 Podemos observar através da figura, que o ângulo entre a tensão e a corrente é nulo, ou seja, elas "andam" sempre juntas. Então, dizemos que para um circuito resistivo, a tensão e a corrente estão EM FASE. Mas, nem sempre as relações entre a tensão e a corrente em circuitos de corrente alternada ficam completamente determinadas pela resistência do circuito, elas podem também sofrer influência de elementos que tendem a se opor a qualquer variação da intensidade da corrente ou da tensão. Esta oposição reativa é devida aos elementos capacitivos e indutivos, que podem alterar as relações entre tensão e corrente. Circuito Capacitivo Quando se aplica uma tensão alternada a um capacitor com capacitância C, a carga das placas varia com a variação da tensão, formando assim uma corrente alternada no circuito. Consideremos um circuito capacitivo: Vf Vf VC Pela definição de corrente: Num capacitor: dq = dt V C Q = C Então:
6 dq dv C = = C dt dt Tomemos uma tensão alternada da forma: V f = VC = V o e iωt A corrente no circuito será: = d C dt iωt iωt ( V e ) = Ciω V e o o Mas, i = e iπ/2 Então: = Cω V o e i( ωt+ π/2) Portanto: = o e i( ω t+π/2) onde: o = ω C V o A impedância do circuito será: Z = V o / o = X C A quantidade X C é chamada REATÂNCA CAPACTVA. Então: X C = 1 ùc
7 Graficamente: i V C r Podemos observar através desta figura que num capacitor a corrente está adiantada de π/2 em relação à tensão. Circuito ndutivo Um indutor é um elemento de circuito constituído por uma arranjo de espiras com a forma de um "tubo". Quando passamos uma corrente por uma espira, de acordo com a Lei de Ampere do Eletromagnetismo, esta corrente dara origem à um campo magnético no interior desta espira, perpendicular à corrente. Se arranjamos várias espiras para formar um "tubo", ou seja, um solenóide, o campo magnético estará no interior deste solenóide, conforme mostra a figura: A variação com o tempo da "quantidade" de campo magnético por unidade de área, isto é, o fluxo magnético no interior deste solenóide, devido à Lei de ndução de
8 Faraday do Eletromagnetismo, dará origem à uma força eletromotriz no próprio elemento que tende a se opor à força eletromotriz aplicada quando a corrente está aumentando e tende a se somar com a força eletromotriz aplicada quando a corrente está diminuindo. Esta força eletromotriz induzida é proporcional à variação da corrente com o tempo e a constante de proporcionalidade chamamos NDUTÂNCA do indutor. Consideremos um circuito indutivo: Vf Vf VL Em qualquer instante, a queda de tensão no indutor é proporcional à razão de variação da corrente com relação ao tempo, então: onde: L é a indutância do indutor. d V L = L dt Tomemos uma tensão alternada da forma: A corrente será dada por: V f = V L = V o e iωt Então: V iù L - iv 1 1 iωt o iωt o i t V dt = Voe dt = e = e ω L = L L A impedância do circuito será: iù t = -i o e ùl
9 Z = V o / o = X L A quantidade X L é chamada REATÂNCA NDUTVA. Então: X L = ω L Graficamente: V L r i Podemos observar através da figuras acima, que num indutor a corrente está "atrasada" de π/2 em relação à tensão.
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