Aula de Filosofia e exercícios:
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- Domingos Teves Marroquim
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1 MATERIAL VIRTUAL PARA SEMANA DE RECESSO OUTUBRO 10/10 à 14/10 FILOSOFIA / ENEM Trimestre Professor: Aluno(a): Data: / /2011 Série: 3 COL Aula de Filosofia e exercícios: ÉTICA Aristóteles: Na obra Ética a Nicômaco Aristóteles apresenta o essencial de sua doutrina moral. É interessante perceber como sua obra apresenta uma noção de conjunto: o mesmo autor que inaugurou a noção de causa final, única apresentada de forma inédita por ele, inicia a obra perguntando-se pela finalidade da ação humana. A essa questão nosso autor esboça, de forma sucinta, a seguinte resposta: a finalidade de toda ação humana é a procura pela felicidade. A partir daí o filósofo realiza um inventário de motivações que poderiam conduzir um ser humano á felicidade, e analisa de maneira mais pormenorizada três: as honras, o prazer e a virtude. O primeiro item, de acordo com sua teoria, não deveria ser preferido por alguém que queira realmente atingir a felicidade, e isso porque aquele que dependesse de honrarias para ser feliz estaria sempre na dependência de outros seres humanos, ou seja, de elementos externos a si mesmo, e por isso fora do seu controle. Quanto ao prazer, como veremos um pouco abaixo, seu problema essencial reside no fato de primar pelos excessos, e não pela moderação, o que o autor condena sobremaneira. Também no prazer, grande parte das vezes, o sujeito se encontra na dependência da colaboração de outra pessoa. Desse modo, dos três elementos comentados pelo autor, somente a vida virtuosa consiste em elemento que deve realmente ser considerado na busca pela felicidade, pois que o indivíduo, para obtê-la, só depende de si mesmo; nem reconhecimento alheio, nem prazer excessivo. A partir desse momento torna-se necessário, então, que o autor defina melhor o que se deve entender por virtude, já que realiza a defesa de uma vida virtuosa como única possibilidade de verdadeira felicidade. E ele a define, então, em contraposição ao vício. Desse modo se procede a uma definição que podemos resumir da seguinte maneira: Virtude: Ato ou sentimento marcado pela moderação ou pelo equilíbrio, aquilo que Aristóteles denomina de meio termo entre a falta e o excesso. Desse modo, a coragem virtuosa seria o equilíbrio entre a covardia, vício por falta, e a temeridade, vício por excesso. O soldado deve ter coragem suficiente para adentrar no campo de batalha, mas medo bastante para se proteger com eficiência do inimigo, com armadura, escudo e respeito às táticas estabelecidas.
2 Vício: Ato ou sentimento marcado pela falta ou pelo excesso, ou seja, pelo desequilíbrio. É assim que o amor próprio pode ser deturpado pela modéstia, que consiste em sua falta, assim como pela vaidade, que é o seu excesso. Marilena Chauí, em sua obra Filosofia: ensino médio (São Paulo: Ática, 2005, p. 183), apresenta um quadro com as principais virtudes e os principais vícios, baseado na obra aristotélica. A título de exemplo reproduzimos abaixo o quadro, visando a uma melhor compreensão por parte do estudante: Virtudes Vício por Excesso Vício por Deficiência Coragem Temeridade Covardia Temperança Libertinagem Insensibilidade Prodigalidade Esbanjamento Avareza Magnificência Vulgaridade Vileza Respeito Próprio Vaidade Modéstia Prudência Ambição Moleza Gentileza Irascibilidade Indiferença Veracidade Orgulho Descrédito Agudeza de Espírito Zombaria Rusticidade Amizade Condescendência Enfado Justa Indignação Inveja Malevolência Kant: Como foi visto acima, a filosofia de Immanuel Kant baseia-se na existência de uma capacidade de conhecimento, que podemos denominar, em seu conjunto, como razão. Sua teoria sobre a moralidade humana seguirá o mesmo princípio, negando os fundamentos e normas morais exteriores ao homem, e admitindo como único princípio regulador da ação humana a própria razão. È ela quem deve indicar os caminhos que devemos seguir para agir com verdadeira retidão. Com isso, Kant quer dizer que, ao agirmos, devemos pensar se aquilo que estamos fazendo poderia ser feito por todas as outras pessoas, sem prejuízo para a humanidade. Ao iniciar a sua Fundamentação à metafísica dos costumes nosso autor afirma que a única coisa que pode ser considerada boa em absoluto no universo é uma boa vontade. Ora, Aristóteles, estudado anteriormente, nos auxilia a compreender essa afirmação. A simples posse de uma qualidade moral não significa por si mesma uma virtude, pois pode-se incorrer, na sua utilização, em excessos. E quem controla o uso de uma qualidade que o indivíduo possui? Sua vontade. A próxima pergunta, dessa forma é
3 muito simples: o que é uma boa vontade? E Kant nos responde: é a vontade de agir por dever. Desse modo é necessário diferenciar, na filosofia kantiana, três tipos de conduta: ação realizada por inclinação; ação realizada conforme o dever e ação realizada por dever. Dessas três somente a última é uma conduta realmente moral, pois a primeira ocorre em nome da satisfação de desejos, deliberadamente em nome de um proveito próprio, ao passo que a segunda, apesar de estar em consonância com o que se considera correto, não é realizada pelo ator por esse motivo. Assim sendo, o que diferencia uma ação por dever daquela conforme o dever é a intenção que o indivíduo possui ao agir, e aí nós nos deparamos com uma questão cabal na teoria ética de Kant: como conhecer a real intenção de um indivíduo quando age? A resposta é: não é possível. Mas então como podemos possuir uma noção de dever em nossa mente se talvez nunca tenhamos presenciado uma conduta realizada exatamente com essa intenção? A resposta é surpreendente: a noção de dever existe em nossa mente independente das impressões dos nossos sentidos. Mas nós sabemos, por meio de nossos estudos prévios em Kant, que algo que existe em nossa mente assim possui uma denominação. Exatamente, o dever é uma noção completamente a priori da nossa razão prática. Se para o autor, o fundamental da avaliação de uma conduta moral é a intenção de quem a praticou, independentemente de quais efeitos tal conduta possa vir a provocar, e a melhor intenção, para ele, é aquela que se volta tão somente para o cumprimento do dever, faz-se necessário um instrumento para que nós saibamos o que está em conformidade com o dever em determinadas circunstâncias concretas de nosso cotidiano. Esse instrumento pode ser considerado o princípio racional da ação. Por isso, o dever é um imperativo categórico, que se exprime na fórmula geral: Age em conformidade apenas com a máxima que possas querer que se torne uma lei universal. Dessa fórmula geral, Kant deriva outras três, que seguem abaixo: I. Age como se a máxima de tua ação devesse ser erigida por tua vontade em lei universal da Natureza; II. Age de tal maneira que trates a humanidade, tanto na tua pessoa quanto na de outrem, sempre como um fim e nunca como um meio; III. Age como se a máxima de tua ação devesse servir de lei universal para todos os seres racionais. A primeira máxima afirma a universalidade da conduta ética. A segunda vem lembrar a dignidade da pessoa humana, não devendo esta jamais ser tratada como simples meio para se atingir a um fim. A terceira afirma que a universalidade da conduta ética deve-se à racionalidade dos seres humanos, sendo os princípios éticos da razão plausíveis para qualquer ser racional. É com base também na universalidade da razão que entendemos o que Kant denomina Ilustração ou Esclarecimento. Vejamos sua definição por meio de um trecho do próprio autor: A ilustração é a libertação do ser humano de sua incapacidade da qual ele próprio é culpado. A incapacidade significa a incapacidade de servir-se de sua inteligência sem a guia de outrem. Esta incapacidade é sua culpa porque sua causa reside, não na falta de inteligência, mas na falta de decisão e coragem para servir-se, por si mesmo, dela sem tutela de outrem. Sapere aude! Tem a coragem de servir-te de tua própria razão: eis o lema da ilustração. [...] A fraqueza e a covardia são as causas de uma grande parte
4 dos seres humanos continuarem, de bom gosto, no seu estado de criança, apesar de que a natureza já os tenha liberado, há tempos, da tutela alheia; também o são de que se faça tão fácil para outros erigirem-se em tutores. Esclarecimento então ocorre quando o ser humano, dotado de razão, deixa de lado a preguiça, a fraqueza e a covardia, e utiliza a mesma, se libertando de agir sob os juízos alheios. Para Kant, o sujeito esclarecido possui o dever moral de fazer o que ele chama de uso público da razão, isto é, de nos diferentes lugares em que possa se encontrar, nas diferentes funções que possa estar realizando, tornar públicos os juízos a que sua razão lhe fizer chegar. Exercícios: QUESTÃO 01: (UFU Jul/2005) A virtude é, pois, uma disposição de caráter relacionada com a escolha e consistente numa mediania, isto é, a mediania relativa a nós, a qual é determinada por um princípio racional próprio do homem dotado de sabedoria prática. E é um meio-termo entre dois vícios, um por excesso e outro por falta; pois que, enquanto os vícios ou vão muito longe ou ficam aquém do que é conveniente no tocante às ações e paixões, a virtude encontra e escolhe o meio-termo. ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco, II, 6. São Paulo: Nova Cultural, Col. Os Pensadores, p. 33. Considerando o trecho acima e a concepção aristotélica de virtude, assinale a alternativa correta. A) A virtude consiste na rejeição de todo prazer, resultado do uso da razão do homem sábio e corajoso que, contendo suas paixões, escolhe viver de modo ascético e agir sempre com piedade e compaixão, dispondo-se a sacrificar a qualquer momento a própria vida pelo próximo, pois, pleno de audácia e entusiasmo, não teme de forma alguma a morte. B) A virtude é a firme e irrefletida determinação para superar uma condição viciosa, como a coragem que, por se opor totalmente à covardia, define-se como temeridade ou audácia. C) A virtude consiste numa capacidade equilibrada e racional de agir, como, por exemplo, a verificada na coragem, medianeira entre o excesso de audácia que caracteriza a temeridade e a falta de audácia ou excesso de medo do covarde. D) A virtude é a capacidade ou força do político corajoso que usa racionalmente os seus recursos para conservar o seu poder.
5 QUESTÃO 02: (UEL Jan/2003) A virtude é pois uma disposição de caráter relacionada com a escolha e consiste numa mediania... ARISTÓTELES. Ética à Nicômaco. Trad. de Leonel Vallandro e Gerd Bornheim. 4 ed. São Paulo: Nova Cultural, p. 33. Com base no texto e nos conhecimentos sobre a virtude em Aristóteles, assinale a alternativa correta. A) A virtude é o governo das paixões para cumprir uma tarefa ou uma função. B) A virtude realiza-se no mundo das idéias. C) A virtude é a obediência aos preceitos divinos. D) A virtude é a justa medida de equilíbrio entre o excesso e a falta. E) A virtude tem como fundamento a utilidade da ação. QUESTÃO 03: (UEL Jan/2005) A busca da ética é a busca de um fim, a saber, o do homem. E o empreendimento humano como um todo, envolve a busca de um fim : Toda arte e todo método, assim como toda ação e escolha, parece tender para um certo bem; por isto se tem dito, com acerto, que o bem é aquilo para que todas as coisas tendem. Nesse passo inicial de a Ética a Nicômacos está delineado o pensamento fundamental da Ética. Toda atividade possui seu fim, ou em si mesma, ou em outra coisa, e o valor de cada atividade deriva da sua proximidade ou distância em relação ao seu próprio fim. PAIXÃO, Márcio Petrocelli. O problema da felicidade em Aristóteles: a passagem da ética à dianoética aristotélica no problema da felicidade. Rio de Janeiro: Pós-Moderno, p Com base no texto e nos conhecimentos sobre a ética em Aristóteles, considere as afirmativas a seguir. I. O fim último da ação humana consiste na felicidade alcançada mediante a aquisição de honrarias oriundas da vida política. II. A ética é o estudo relativo à excelência ou à virtude própria do homem, isto é, do fim da vida humana.
6 III. Todas as coisas têm uma tendência para realizar algo, e nessa tendência encontramos seu valor, sua virtude, que é o fim de cada coisa. IV. Uma ação virtuosa é aquela que está em acordo com o dever, independentemente dos seus fins. Estão corretas apenas as afirmativas: A) I e IV. B) II e III. C) III e IV. D) I, II e III. E) I, II e IV. QUESTÃO 04: (UEL Dez/2005) [...] uma pessoa age injustamente ou justamente sempre que pratica tais atos voluntariamente; quando os pratica involuntariamente, ela não age injustamente nem justamente, a não ser de maneira acidental. O que determina se um ato é ou não é um ato de injustiça (ou de justiça) é sua voluntariedade ou involuntariedade; quando ele é voluntário, o agente é censurado, e somente neste caso se trata de um ato de injustiça, de tal forma que haverá atos que são injustos mas não chegam a ser atos de injustiça se a voluntariedade também não estiver presente. ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. São Paulo: Nova Cultural, p Com base no texto e nos conhecimentos sobre a concepção de Justiça em Aristóteles, é correto afirmar: A) Um ato de justiça depende da consciência do agente e de ter sido praticado voluntariamente. B) A noção de justo desconsidera a discriminação de atos voluntários e involuntários quanto ao reconhecimento de mérito. C) A justiça é uma noção de virtude inata ao ser humano, a qual independe da voluntariedade do agente. D) O ato voluntário desobriga o agente de imputabilidade, devido à carência de critérios para distinguir a justiça da injustiça.
7 E) Quando um homem delibera prejudicar outro, a injustiça está circunscrita ao ato e, portanto, exclui o agente. QUESTÃO 05: (UEL Dez/2005) Aristóteles foi o primeiro filósofo a elaborar tratados sistemáticos de Ética. O mais influente desses tratados, a Ética a Nicômaco, continua a ser reconhecido como uma das obras-primas da filosofia moral. Ali nosso autor apresenta a questão que, de seu ponto de vista, constitui a chave de toda investigação ética: Qual é o fim último de todas as atividades humanas? CORTINA, Adela; MARTÍNEZ, Emilio. Ética. Trad. Silvana Cobucci Leite. São Paulo: Loyola, p. 57. Com base no texto e nos conhecimentos sobre a ética aristotélica, é correto afirmar: A) É uma ética que desconsidera os valores culturais e a participação discursiva dos envolvidos na escolha da concepção de bem a ser perseguida. B) É uma ética do dever que, ao impor normas de ação universais, transcende a concepção de vida boa de uma comunidade e exige o cumprimento categórico das mesmas. C) É uma ética compreendida teleologicamente, pois o bem supremo, vinculado à busca e à realização plena da felicidade, orienta as ações humanas. D) É uma ética que orienta as ações por meio da bem-aventurança proveniente da vontade de Deus, porém sinalizando para a irrealização plena do bem supremo nesta vida. E) É uma ética que compreende o indivíduo virtuoso como aquele que já nasce com certas qualidades físicas e morais, em função de seus laços sanguíneos. QUESTÃO 06: (UEL Dez/2006) Desde suas origens entre os filósofos da antiga Grécia, a Ética é um tipo de saber normativo, isto é, um saber que pretende orientar as ações dos seres humanos. Fonte: CORTINA, A.; MARTÍNEZ, E. Ética. Tradução de Silvana Cobucci Leite. São Paulo: Edições Loyola, 2000, p. 9. Com base no texto e na compreensão da ética aristotélica, é correto afirmar que a ética:
8 A) Orienta-se pelo procedimento formal de regras universalizáveis, como meio de verificar a correção ética das normas de ação. B) Adota a situação ideal de fala como condição para a fixação de princípios éticos básicos, a partir da negociação discursiva de regras a serem seguidas pelos envolvidos. C) Pauta-se pela teleologia, indicando que o bem supremo do homem consiste em atividades que lhe sejam peculiares, buscando a sua realização de maneira excelente. D) Contempla o hedonismo, indicando que o bem supremo a ser alcançado pelo homem reside na felicidade e esta consiste na realização plena dos prazeres. E) Baseada no emotivismo, busca justificar a atitude ou o juízo ético mediante o recurso dos próprios sentimentos dos agentes, de forma a influir nas demais pessoas. QUESTÃO 07: (UEL Dez/2006) Ora, nos chamamos aquilo que deve ser buscado por si mesmo mais absoluto do que aquilo que merece ser buscado com vistas em outra coisa, e aquilo que nunca é desejável no interesse de outra coisa mais absoluto o que as cosias desejáveis tanto em si mesmas no interesse de uma terceira; por isso chamamos de absoluto e incondicional aquilo que é sempre desejável em si mesmo e nunca no interesse de outra coisa. Fonte: ARISTÓTELES. Ética A Nicômaco. Tradução de Leonel Vallandro e Gerd Bomheim. São Paulo: Nova Cultural, 1987, 1097b, p. 15. De acordo com o texto e os conhecimentos sobre a ética de Aristóteles, assinale a alternativa correta: A) Segundo Aristóteles, para sermos felizes é suficiente sermos virtuosos. B) Para Aristóteles, o prazer não é um bem desejado por si mesmo, tampouco é um bem desejado no interesse de outra coisa. C) Para Aristóteles, as virtudes não contam entre os bens desejados por si mesmos. D) A felicidade é, ara Aristóteles, sempre desejável em si mesma e nunca no interesse de outra coisa. E) De acordo com Aristóteles, para sermos felizes não é necessário sermos virtuosos. QUESTÃO 08: (UFU Set/2002) O esclarecimento exige liberdade. Kant associou a liberdade ao exercício da razão em todas as circunstâncias da vida. Frente às informações apresentadas, analise as assertivas abaixo.
9 I- A liberdade consiste no uso público da razão, ou seja, cada um faz uso de sua própria razão e fala em seu próprio nome. II- O uso privado da razão é, sempre e em todas as circunstâncias, o impedimento do progresso do esclarecimento. III- A prática de uma profissão, a do professor por exemplo, quando destituída de crítica, ela é tão só o uso privado da razão. IV- O sábio é aquele que, além de desempenhar uma função profissional, exerce sua liberdade de expor publicamente suas idéias. Assinale a alternativa que contém todas as afirmações corretas. A) II, III e IV B) I, II e III C) I, III e IV D) II e IV QUESTÃO 09: (UFU Jul/2004) Leia atentamente a passagem, extraída do texto O que é esclarecimento de I. Kant. Entretanto, nada além da liberdade é necessário ao esclarecimento; na verdade, o que se requer é a mais inofensiva de todas as coisas às quais esse termo pode ser aplicado, ou seja, a liberdade de fazer uso público da própria razão a despeito de tudo [...]. ARANHA, M. L. A. e MARTINS, M. H. P. Filosofando. Introdução à Filosofia. 2ª ed. São Paulo: Moderna, 1977, p Assinale a proposição verdadeira em relação ao que Kant define como fazer uso público da própria razão. A) Kant afirma que para se alcançar o esclarecimento é necessário que o homem assuma sua maioridade, ou seja, livre-se do jugo daqueles que desejam pensar por ele, e assim faça uso público de sua própria razão. B) Kant afirma que somente em uma sociedade na qual todos os homens já são esclarecidos é que se pode dar início ao uso público da própria razão.
10 C) Kant afirma que sem se libertar do Estado, da Igreja e da sociedade civil não é possível se fazer uso público da própria razão. D) Kant afirma que o grau de escolaridade é o principal fundamento do uso público da razão, pois uma pessoa instruída é necessariamente esclarecida. QUESTÃO 10: (UFU Jul/2006) Kant define a ação moral através da relação entre dever e inclinação. Assinale, dentre as alternativas abaixo, a que estabelece uma relação correta entre estes conceitos, de acordo com o pensamento kantiano. A) Uma vez que o homem é dotado de intelecto e sensibilidade, a ação moral deve expressar o meio termo entre razão e paixão. B) Uma vez que a meta final da ação moral é a felicidade, o homem deve escolher somente as inclinações que permitam que todos os homens sejam felizes. C) Somente na medida em que é livre, o homem pode tornar as inclinações o fundamento da ação moral. D) Somente na medida em que evita as inclinações, o homem pode agir por dever e fundar moralmente suas ações. QUESTÃO 11: (UEL Jan/2003) O imperativo categórico é portanto só um único, que é este: Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal. KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes. Trad. de Paulo Quintela. Lisboa: Edições 70, p. 59. Segundo essa formulação do imperativo categórico por Kant, uma ação é considerada ética quando: A) Privilegia os interesses particulares em detrimento de leis que valham universal e necessariamente. B) Ajusta os interesses egoístas de uns ao egoísmo dos outros, satisfazendo as exigências individuais de prazer e felicidade. C) É determinada pela lei da natureza, que tem como fundamento o princípio de autoconservação. D) Está subordinada à vontade de Deus, que preestabelece o caminho seguro para a ação humana.
11 E) A máxima que rege a ação pode ser universalizada, ou seja, quando a ação pode ser praticada por todos, sem prejuízo da humanidade. QUESTÃO 12: (UEL Jan/2004) Quando a vontade é autônoma, ela pode ser vista como outorgando a si mesma a lei, pois, querendo o imperativo categórico, ela é puramente racional e não dependente de qualquer desejo ou inclinação exterior à razão. [...] Na medida em que sou autônomo, legislo para mim mesmo exatamente a mesma lei que todo outro ser racional autônomo legisla para si. WALKER, Ralph. Kant: Kant e a lei moral. Trad. de Oswaldo Giacóia Júnior. São Paulo: Unesp, p. 41. Com base no texto e nos conhecimentos sobre autonomia em Kant, considere as seguintes afirmativas: I. A vontade autônoma, ao seguir sua própria lei, segue a razão pura prática. II. Segundo o princípio da autonomia, as máximas escolhidas devem ser apenas aquelas que se podem querer como lei universal. III. Seguir os seus próprios desejos e paixões é agir de modo autônomo. IV. A autonomia compreende toda escolha racional, inclusive a escolha dos meios para atingir o objeto do desejo. Estão corretas apenas as afirmativas: A) I e II. B) I e IV. C) III e IV. D) I, II e III. E) II, III e IV. QUESTÃO 13: (UEL Jan/2004) Ser caritativo quando se pode sê-lo é um dever, e há além disso muitas almas de disposição tão compassivas que, mesmo sem nenhum outro motivo de vaidade ou interesse, acham íntimo prazer em espalhar alegria à sua
12 volta, e se podem alegrar com o contentamento dos outros, enquanto este é obra sua. Eu afirmo porém que neste caso uma tal ação, por conforme ao dever, por amável que ela seja, não tem contudo nenhum verdadeiro valor moral, mas vai emparelhar com outras inclinações, por exemplo o amor das honras que, quando por feliz acaso, topa aquilo que efetivamente é de interesse geral e conforme ao dever, é conseqüentemente honroso e merece louvor e estímulo, mas não estima; pois à sua máxima falta o conteúdo moral que manda que tais ações se pratiquem não por inclinação, mas por dever. KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes. Trad. de Paulo Quintela. São Paulo: Abril Cultural, p Com base no texto e nos conhecimentos sobre o dever em Kant, é correto afirmar: A) Ser compassivo é o que determina que uma ação tenha valor moral. B) Numa ação por dever, as inclinações estão subordinadas ao princípio moral. C) A ação por dever é determinada pela simpatia para com os seres humanos. D) O valor moral de uma ação é determinado pela promoção da felicidade humana. E) É no propósito visado que uma ação praticada por dever tem o seu valor moral. QUESTÃO 14: (UEL Jan/2005) Quando a vontade é autônoma, ela pode ser vista como outorgando a si mesma a lei, pois, querendo o imperativo categórico, ela é puramente racional e não dependente de qualquer desejo ou inclinação exterior à razão. [...] Na medida em que sou autônomo, legislo para mim mesmo exatamente a mesma lei que todo outro ser racional autônomo legisla para si. WALKER, Ralph. Kant: Kant e a lei moral. Trad. de Oswaldo Giacóia Júnior. São Paulo: Unesp, p. 41. Com base no texto e nos conhecimentos sobre autonomia em Kant, considere as seguintes afirmativas: I- A vontade autônoma, ao seguir sua própria lei, segue a razão pura prática. II- Segundo o princípio da autonomia, as máximas escolhidas devem ser apenas aquelas que se podem querer como lei universal. III- Seguir os seus próprios desejos e paixões é agir de modo autônomo.
13 IV- A autonomia compreende toda escolha racional, inclusive a escolha dos meios para atingir o objeto do desejo. Estão corretas apenas as afirmativas: A) I e II. B) I e IV. C) III e IV. D) I, II e III. E) II, III e IV. QUESTÃO 15: (UEL Dez/2006) Na segunda seção da Fundamentação da Metafísica dos Costumes, Kant nos oferece quatro exemplos de deveres. Em relação ao segundo exemplo, que diz respeito à falsa promessa, Kant afirma que uma: pessoa vê-se forçada pela necessidade a pedir dinheiro emprestado. Sabe muito bem que não poderá pagar, mas vê também que não lhe emprestarão nada se não prometer firmemente pagar em prazo determinado. Sente a tentação de fazer a promessa; mas tem ainda consciência bastante para perguntar a si mesma: Não é proibido e contrário ao dever livrar-se de apuros desta maneira? Admitindo que se decida a fazê-lo, a sua máxima de ação seria: Quando julgo estar em apuros de dinheiro, vou pedi-lo emprestado e prometo pagá-lo, embora saiba que tal nunca sucederá. Fonte: KANT, I. Fundamentação da Metafísica dos Costumes. Tradução de Paulo Quintela. São Paulo: Abril Cultural, 1980, p De acordo com o texto e os conhecimentos sobre a moral kantiana, considere as afirmativas a seguir: I- Para Kant, o princípio de ação da falsa promessa não pode valer como lei universal. II- Kant considera a falsa promessa moralmente permissível porque ela será praticada apenas para sair de uma situação momentânea de apuros. III- A falsa promessa é moralmente reprovável porque a universalização de sua máxima torna impossível a própria promessa.
14 IV- A falsa promessa é moralmente reprovável porque vai de encontro às inclinações sociais do ser humano. A alternativa que contém todas as afirmativas corretas é: A) I e II B) I e III C) II e IV D) I, II e III E) I, II e IV QUESTÃO 16: (EAF-UDI Jul/2006) Sobre a concepção de Justiça em Kant, é correto afirmar: A) É definida pelo direito positivo e nele encontra sua fonte, prescindindo de qualquer outro parâmetro de legitimidade. B) Resulta da definição estatutária do direito, sob a forma da lei estabelecida nos códigos jurídicos e é confirmada pelas ações dos Estados. C) Coincide com a vontade do legislador, a partir da qual são definidos os parâmetros racionais de gestão dos Estados. D) Ampara-se em parâmetros racionais a priori que embasam o direito natural e que devem se converter em leis públicas de coerção. E) Configura-se com base em valores comuns partilhados tradicionalmente em cada ordenamento jurídico-político.
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