DECISÃO. Segunda Instância

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1 DECISÃO Segunda Instância JR AI nº /2011 Data: 20/09/2011 Processo nº / Interessado: AMERICAN AIRLINES INC Crédito de Multa nº /12-1 Infração: Não disponibilizar veículos equipados Enquadramento: Art. 36, 1 e art. 289 da Lei. com elevadores ou outros dispositivos 7.565/86 do Código Brasileiro de Aeronáutica - apropriados para efetuar com segurança, o CBA c/c a Resolução ANAC n 009, de 05 de embarque e desembarque de pessoas portadoras junho de 2007, anexo I, art. 20. de deficiência ou com mobilidade reduzida. Relator: Sr. SERGIO LUÍS PEREIRA SANTOS SIAPE n.º RELATÓRIO RECURSO TEMPESTIVO. NÃO DISPONIBILIZAR VEÍCULOS EQUIPADOS COM ELEVADORES OU OUTROS DISPOSITIVOS APROPRIADOS PARA EFETUAR COM SEGURANÇA, O EMBARQUE E DESEMBARQUE DE PESSOAS PORTADORAS DE DEFICIÊNCIA OU COM MOBILIDADE REDUZIDA. ART. 36, 1 E ART. 289 DO CÓDIGO BRASILEIRO DE AERONAÚTICA CBA C/C A RESOLUÇÃO ANAC N 009/07, ANEXO I, ART. 20. VOTO PELO RECONHECIMENTO DO RECURSO E PROVIMENTO. 1. Da Introdução: A infração foi enquadrada na alínea a do inciso II do artigo 302 do CBA c/c Item (b)(1) do RBHA 61, com a seguinte descrição contida no histórico do Auto de Infração (fl. 08): Durante Inspeção periódica no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/ Galeão (SBGL), conforme descrito no relatório de inspeção aeroportuária (RIA) n 008P/SIA-GFIS/2011, de 3/6/2011, a equipe de inspetores constatou que a empresa aérea American Airlines não ofereceu veículos equipados com elevadores ou outros dispositivos apropriados para efetuar, com segurança, o embarque e desembarque de pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, quando a aeronave estacionar em posição remota. Também não foi apresentado contrato, acordo ou outro instrumento jurídico celebrado para tal finalidade. 2. Da Defesa do Interessado: O interessado ofereceu Defesa tempestiva (fl. 19 a 23), protocolada na ANAC no dia 28 de outubro de 2011 e novamente em (fl. 38 a 40) protocolada no dia 09 de novembro de Oportunidade em que requer que seja acolhida a presente defesa, procedendo o cancelamento do Auto de Infração e consequentemente o arquivamento do processo. Desta forma, primeiramente afirma que a presente defesa é tempestiva. Crédito de Multa nº /12-1- SPL - Estagiária: Jaqueline da S. Severo Página 1 de 15

2 Em mérito assevera que o aeroporto do Galeão dispõe de pontes de embarque, onde as aeronaves da companhia raramente estacionam na área remota para realizar embarques e desembarques de passageiros. Salienta que o ambulift tem um custo muito alto, principalmente considerando a raridade de necessidade de seu uso, como também, a Resolução n 9 prevê tão somente que aéreas estão autorizadas e não obrigadas a celebrarem contratos para cumprimento das obrigações de assegurar o movimento de pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. Enfatiza que a infraero é a única empresa no país que fornece ambulifts. Desta forma, afirma que a companhia está disposta a negociar com tal empresa a assinatura de um instrumento formal referente ao fornecimento, no entanto, a mesma não se dispõe a fazer. Sendo assim, há apenas um acordo verbal que também está presente em todas as companhias aéreas que operam no galeão. Afirma que a infração administrativa, para ser validamente imputada, deve observar alguns princípios, qual seja o da motivação, onde a Administração deve justificar seus atos, sendo assim, afirma que devido a clara ausência da incursão da companhia na infração administrativa, o ato punitivo não pode prosseguir pois não há conduta ilícita. Em segunda defesa requer que seja anulado o auto de infração. Nesse sentido reafirma suas alegações e dispõe que a recorrente só desempenha suas atividades no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro / Galeão que dispõe de pontes fingers aptas ao embarque segura de passageiros portadores de deficiência ou mobilidade reduzida. Afinal, atesta que nenhuma companhia que opera no mencionado aeroporto dispõe do citado equipamento, pela inexistência de local físico adequado no aeroporto para seu armazenamento e manutenção. 3. Da Decisão de Primeira Instância: O setor competente, em decisão (fls. 51), após apontar a Defesa tempestiva, confirmou o ato infracional, enquadrando a referida infração no Art. 36, 1 e art. 289 da Lei. n 7.565/86 do Código Brasileiro de Aeronáutica - CBA c/c a Resolução ANAC n 009, de 05 de junho de 2007, anexo I, art. 20, aplicando, devido à existência de circunstâncias atenuantes e inexistência de circunstancia agravantes, expressamente previstas no art. 22 da Resolução ANAC nº. 25/2008, multa no valor médio de R$ ,00 (dezessete mil e quinhentos reais). 4. Das Razões do Recurso: Em grau recursal (fls. 70 a 77), o interessado requer que seja reexaminado a sanção imposta, anulando totalmente a decisão. Suas alegações para tanto referem-se ao fato de que a norma disposta no art. 20 da Resolução ANAC 09/2007 condiciona o dever de oferecimento dos dispositivos para embarque e desembarque de pessoas com mobilidade reduzida, denominados ambulift, a duas circunstâncias, quais sejam para os aeroportos que não disponham de pontes de embarque e a aeronave que transporta pessoas com mobilidade reduzida estaciona em posição remota. Desta forma, afirma que o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/ Galeão (SBGL) faz uso de pontes de embarque tendo capacidade de efetuar com segurança o embarque e desembarque de pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. Ademais, destaca o Processo n /11-3, no qual dispõe que para que não haja sobrecarga desarrazoada da empresa aérea é razoável que não se exija a disponibilização de material extremamente custoso para companhia em aeroportos que possuem total capacidade de realização do embarque e desembarque de pessoas com deficiência. Afirma que a companhia em raríssimas ocasiões se deparou com a necessidade de uso deste equipamento. Assevera que foi publicado no Diário Oficial da União, o aviso de Audiência Pública n 19/2012 propostas pela ANAC para revisão da Resolução ANAC n 09/2007, neste caso, não restou configurada infração administrativa, onde a decisão recorrida afronta a razoabilidade, com qual as autoridades e operadores aeroportuários devem agir em ocorrências envolvendo passageiros com necessidades especiais. Crédito de Multa nº /12-1- SPL - Estagiária: Jaqueline da S. Severo Página 2 de 15

3 Afirma que a infração administrativa, para ser validamente imputada, deve observar alguns princípios, qual seja o da motivação, onde a Administração deve justificar seus atos, sendo assim, afirma que devido a clara ausência da incursão da companhia na infração administrativa, o ato punitivo não pode prosseguir pois não há conduta ilícita. Afinal, afirma que a tabela de infrações no qual a companhia foi multada não discrimina em quais situações deve ser aplicado um ou outro valor, não determinando também quais os critérios para impor a quantia, sendo assim, requer que o valor da multa seja reduzido. 5. Dos Outros Atos Processuais: Ria n 008P/SAI-GFIS/2011 (fl. 2); AR datado em 06/10/11 (fl. 03); Formulário de solicitação de cópias (fl. 5); Despacho aguardando recurso para análise da Junta Recursal (fl. 53); AR datado no dia 12/11/2012 (fl. 69); Despacho de tempestividade do recurso (fl. 92); Despacho de distribuição do processo à relatoria (fl. 93); É o breve Relatório. VOTO DO RELATOR Sr. Sérgio Luís Pereira Santos Matrícula SIAPE nº PRELIMIRNAMENTE 1.1. Da Regularidade Processual: O interessado foi regularmente notificado quanto à infração imputada em 06/10/2011, apresentando defesa protocolada nesta ANAC em 28/10/2011 (fls. 19 a 23), no prazo legal e novamente em (fls. 38 a 40). Foi, ainda regularmente notificado, quanto a decisão de primeira instância, de acordo com o AR datado em 12/11/2012 (fl. 70) apresentando seu tempestivo recurso em 22/11/2012 (fls. 70 a 77). Sendo assim, aponto que o presente processo preservou os interesses da Administração Pública, bem como os direitos aos princípios do contraditório e da ampla defesa do interessado. 2. DO MÉRITO 2.1.Quanto à Fundamentação da Matéria Não disponibilizar veículos equipados com elevadores ou outros dispositivos apropriados para efetuar com segurança, o embarque e desembarque de pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida A Infração foi descrita da seguinte forma em seu histórico: Durante Inspeção periódica no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/ Galeão (SBGL), conforme descrito no relatório de inspeção aeroportuária (RIA) n 008P/SAI-GFIS/2011, de 3/6/2011, a equipe de inspetores constatou que a empresa aérea American Airlines não ofereceu veículos equipados com elevadores ou outros dispositivos apropriados para efetuar, com segurança, o embarque e desembarque de pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, quando a aeronave estacionar em posição Crédito de Multa nº /12-1- SPL - Estagiária: Jaqueline da S. Severo Página 3 de 15

4 remota. Também não foi apresentado contrato, acordo ou outro instrumento jurídico celebrado para tal finalidade. Diante da infração do processo administrativo em questão, a autuação foi realizada com fundamento no Art. 36, 1 e art. 289 da Lei /86 do Código Brasileiro de Aeronáutica - CBA c/c a Resolução ANAC n 009, de 05 de junho de 2007, anexo I, art. 20, que dispõem o seguinte: CBA Art. 36. Os aeródromos públicos serão construídos, mantidos e explorados: (...) 1 A fim de assegurar uniformidade de tratamento em todo o Território Nacional, a construção, administração e exploração, sujeitam-se às normas, instruções, coordenação e controle da autoridade aeronáutica. (...) (grifos nossos) Observa-se que o INSPAC constatou, durante a fiscalização, que a empresa aérea não disponibiliza veículos equipados com elevadores ou outros dispositivos apropriados para efetuar, com segurança, o embarque e desembarque de pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. A norma complementar é clara quanto à obrigatoriedade da empresa aérea possuir tal equipamento, conforme descrito in verbis: ANEXO I à Resolução ANAC nº. 09 de 05/06/2007 Art. 20. As empresas aéreas ou operadores de aeronaves deverão assegurar o movimento de pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida entre as aeronaves e o terminal. 1º As empresas aéreas ou operadores de aeronaves deverão oferecer veículos equipados com elevadores ou outros dispositivos apropriados para efetuar, com segurança, o embarque e desembarque de pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, nos aeroportos que não disponham de pontes de embarque, ou quando a aeronave estacionar em posição remota. 2º Para o cumprimento do disposto no 1º, as empresas aéreas ou operadores de aeronaves ficam autorizadas a celebrarem contratos, acordos, ou outros instrumentos jurídicos. (grifos nossos) Devemos observar que a norma é clara quanto a obrigatoriedade da empresa aérea possuir o referido equipamento, sendo excludente de sua responsabilidade apenas quando se tratar de aeroporto que possua pontes de embarque e a aeronave esteja em posição remota. A norma ainda permite que a empresa aérea venha a celebrar contratos, acordos ou outros instrumentos jurídicos, de forma a atender o estabelecido. O ato tido como infracional se encontra disposto no 1º do artigo 36 c/c o inciso I do artigo 289, Crédito de Multa nº /12-1- SPL - Estagiária: Jaqueline da S. Severo Página 4 de 15

5 ambos do CBA e o 1º do artigo 20 da Resolução nº. 09 de 05/06/2007. A norma é clara quanto à necessidade das empresas aéreas oferecerem veículos especiais ao atendimento de pessoas portadoras de deficiências, nos aeroportos que não dispõem de pontes de embarque. Entretanto, este dispositivo, ao final, aponta que, quando a aeronave estacionar em posição remota, deve atender à exigência de oferecer o referido veículo especial. Aponto que a fiscalização, ao se deparar com a parte final do referido dispositivo, entendeu que a empresa, então, deve, mesmo nos aeroportos em que existem fingers, possuir os meios necessários para oferecer o veículo especial de atendimento aos portadores de deficiências físicas, o que resultou na lavratura do presente Auto de Infração, mesmo sendo o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (SBGL) munido de pontes de embarque. Entretanto, temos que analisar o dispositivo de forma que possamos alcançar o espírito da norma, buscando assim o perfeito atendimento daqueles que, por ventura, venham a precisar de utilização de tal equipamento especial, bem como não venha a sobrecarregar de maneira desarrazoada a empresa aérea com o atendimento literal da norma. Na verdade, nos aeroportos que possuem fingers, o atendimento às pessoas portadoras de deficiências é realizado por este equipamento, o qual atendem perfeitamente ao embarque e desembarque dessas situações especiais, proporcionando segurança, conforto e o pleno atendimento à dignidade daqueles que dele necessitam. Importante reforçar que, se não todos, a maioria dos aeroportos que se utilizam das pontes de embarque, possuem mais de um equipamento, o que facilita na manutenção e utilização efetiva por quase todo o tempo durante as suas operações de embarque e, também, desembarque. Entretanto, tenho que reconhecer que, em alguns aeroportos em que o movimento se verifica possuir oscilações consideráveis identificadas por picos de movimentação de passageiros maior que a sua capacidade operacional, pode se realizar o embarque e o desembarque de uma aeronave na denominada posição remota, o que deve, de alguma forma, ser previsto na norma aeronáutica. Neste sentido, posso, como exemplo, apontar o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (SBGL), o qual possui inúmeras pontes de embarque/desembarque (fingers), contudo, não é difícil vermos aeronaves se posicionando na posição remota, onde o acesso se dá por via de escadas móveis, o que, neste caso, dificultaria o acesso das pessoas portadoras de deficiência física. Desta forma, entendo que a empresa deve se organizar de forma a não realizar o embarque/desembarque de passageiros com deficiência ou mobilidade reduzida fora dos fingers nos aeroportos que os possuem. A empresa não deverá estacionar a sua aeronave em posição remota se ciente de estar transportando ou que irá embarcar um passageiro portador de deficiência ou mobilidade reduzida, organizando-se junto à administração aeroportuária local para estacionar utilizando-se da ponte. Entretanto, na possibilidade de ter que estacionar na posição remota, deverá possuir o referido equipamento especial, em conformidade com a norma complementar. Sendo assim, entendo que a empresa aérea, nos aeroportos que possuem fingers suficientes ao atendimento de embarque e desembarque de passageiros, não necessita possuir o referido veículo equipado com elevador ou outro dispositivo apropriado. Entretanto, no caso de se utilizar de alguma forma, de posição remota deverá possuir o referido veículo especial, sob pena, do contrário, estar infringindo a norma complementar. Entendo que a parte final do 1º do artigo 20 da Resolução ANAC nº. 09/07 se predispõe a prevenir situações em que a empresa aérea não se programa adequadamente e, assim, ao estacionar a Crédito de Multa nº /12-1- SPL - Estagiária: Jaqueline da S. Severo Página 5 de 15

6 sua aeronave na posição remota desembarca ou embarca passageiro portador de deficiência ou de mobilidade reduzida, sem o necessário veículo especial, o que, aí sim, sujeita a empresa à aplicação de sanção administrativa. Entretanto, tal situação infracional deve ter, de alguma forma, a sua materialidade efetivada, o que se realiza por verificação do fiscal no local da ocorrência ou, talvez, pela denúncia de algum passageiro prejudicado, desde que devidamente comprovado por nossa fiscalização. Acredito que, salvo engano, este é o melhor entendimento para a parte final do dispositivo normativo, de forma que atende ao espírito da norma, ou seja, o pleno atendimento ao passageiro que necessita de atendimento especial no seu embarque/desembarque, bem como não sobrecarrega a empresa aérea. 3. DO VOTO Desta forma, voto pelo conhecimento e PROVIMENTO ao Recurso, ANULANDO, assim, todos os efeitos da decisão prolatada pelo competente setor de primeira instância administrativa. É o voto deste Relator. Rio de Janeiro, 01 de outubro de SÉRGIO LUÍS PEREIRA SANTOS Membro Julgador da Junta Recursal da ANAC Especialista em Regulação de Aviação Civil Matrícula SIAPE nº Crédito de Multa nº /12-1- SPL - Estagiária: Jaqueline da S. Severo Página 6 de 15

7 DECISÃO Segunda Instância JR AI nº /2011 Data: 20/09/2011 Processo nº / Interessado: AMERICAN AIRLINES INC Crédito de Multa nº /12-1 Relator: Sr. SERGIO LUÍS PEREIRA SANTOS SIAPE n.º VOTO DO MEMBRO DA JUNTA RECURSAL MEMBRO: Renata Motinha Nunes - Especialista em Regulação de Aviação Civil - Mat. SIAPE PRELIMINARMENTE Após analisar detidamente os argumentos declinados pelo Sr. Relator, sou obrigada a discordar com o provimento ao recurso. Isso porque, a meu ver, não há que se falar em pleno atendimento ao passageiro que necessita de atendimento especial no seu embarque/desembarque em casos como o presente. Nesse sentido, primeiramente, entendo relevante tecer algumas considerações sobre o que significa tal atendimento, à luz do disposto na Resolução ANAC nº. 009 de 05/06/2007. A supracitada resolução versa sobre o acesso ao transporte aéreo de passageiros que necessitam de assistência especial e, especificamente, em seu Art. 20, assim dispõe: ANEXO I à Resolução ANAC nº 009/2007 Art. 20. As empresas aéreas ou operadores de aeronaves deverão assegurar o movimento de pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida entre as aeronaves e o terminal. 1º As empresas aéreas ou operadores de aeronaves deverão oferecer veículos equipados com elevadores ou outros dispositivos apropriados para efetuar, com segurança, o embarque e desembarque de pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, nos aeroportos que não disponham de pontes de embarque, ou quando a aeronave estacionar em posição remota. 2º Para o cumprimento do disposto no 1º, as empresas aéreas ou operadores de aeronaves ficam autorizadas a celebrarem contratos, acordos, ou outros instrumentos jurídicos. (grifos nossos) Dessa forma, a norma é clara quanto à necessidade das empresas aéreas assegurarem a movimentação de pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida e disponibilizarem veículos equipados com elevadores ou outros dispositivos apropriados para o atendimento dessas pessoas no seu embarque ou desembarque da aeronave. Tal necessidade está é clara para os aeroportos que não disponham de pontes de embarque, ou quando a aeronave estacionar em posição remota. Crédito de Multa nº /12-1 Página 7 de 15

8 Observa-se que o fato ora analisado, ocorreu no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro / Galeão Antônio Carlos Jobim, que disponibiliza pontes de embarque nos seus terminais de passageiros. Entretanto, é válido salientar que nesse aeroporto há posições remotas, onde as aeronaves operam sem o atendimento dessas pontes. Ressalta-se que não é possível garantir que todos os passageiros que demandem assistência especial para embarque e desembarque sejam sempre embarcados por pontes de embarque no aeroporto em questão. A Resolução ANAC nº. 009/2007, em vigor à época do ato infracional, não previa sequer a preferência por aeronaves transportando passageiros com necessidades especiais na alocação em pontes de embarque, ponto que foi modificado com a edição da Resolução ANAC nº. 280, de 11/07/2013 (cf. art. 20). É necessário destacar que a Política Nacional de Aviação Civil PNAC, aprovada pelo Decreto nº /2009, estabelece como um de seus objetivos a proteção do consumidor, nos seguintes termos: Decreto nº / Objetivos 2.4 A proteção do consumidor O atendimento às necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus interesses econômicos, bem como a transparência e harmonia das relações de consumo, constituem-se em importante marco nas relações entre consumidores e fornecedores de bens e serviços. ( ) Assim, é dever do Estado assegurar a existência dos mecanismos necessários à proteção do consumidor do serviço de transporte aéreo, em consonância com os preceitos da Constituição, da legislação infraconstitucional, da jurisprudência e dos acordos vigentes. Dentre as ações específicas elencadas por este Decreto para a prestação do serviço adequado, consta o estabelecimento de normas e procedimentos para que os serviços de transporte aéreo sejam prestados com respeito aos seus usuários em geral e, especificamente, aos com necessidades especiais. Ainda, o Decreto nº /2004, que regulamenta a Lei nº , de 08/11/2000, que dá prioridade de atendimento às pessoas que especifica, e a Lei nº , de 19/12/2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências, apresenta as seguintes definições: Decreto nº /2004 Art. 8º. Para os fins de acessibilidade, considera-se: I acessibilidade: condição para utilização, com segurança e autonomia, total ou assistida, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos serviços de transporte e dos dispositivos, sistemas e meios de comunicação e informação, por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida; II barreiras: qualquer entrave ou obstáculo que limite ou impeça o acesso, a liberdade de movimento, a circulação com segurança e a possibilidade de as pessoas se comunicarem ou terem acesso à informação, classificadas em: ( ) Crédito de Multa nº /12-1 Página 8 de 15

9 b) barreiras nas edificações: as existentes no entorno e interior das edificações de uso público e coletivo ou no entorno e nas áreas internas de uso comum nas edificações de uso privado multifamiliar; c) barreiras nos transportes: as existentes nos serviços de transportes; ( ) Art. 31. Para os fins de acessibilidade aos serviços de transporte coletivo terrestre, aquaviário e aéreo, considera-se como integrantes desses serviços os veículos, terminais, estações, pontos de parada, vias principais, acessos e operação. ( ) Art. 34. Os sistemas de transporte coletivo são considerados acessíveis quando todos os seus elementos são concebidos, organizados, implantados e adaptados segundo o conceito de desenho universal, garantindo o uso pleno com segurança e autonomia por todas as pessoas. ( ) Art. 36. As empresas concessionárias e permissionárias e as instâncias públicas responsáveis pela gestão dos serviços de transportes coletivos, no âmbito de suas competências, deverão garantir a implantação das providências necessárias na operação, nos terminais, nas estações, nos pontos de parada e nas vias de acesso, de forma a assegurar as condições previstas no art. 34 deste Decreto. ( ) Art. 44. No prazo de até trinta e seis meses, a contar da data de publicação deste Decreto, os serviços de transporte coletivo aéreo e os equipamentos de acesso às aeronaves estarão acessíveis e disponíveis para serem operados de forma a garantir o seu uso por pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. Cabe destacar que o Decreto nº /2004 faz referência à IAC , em vigor à época, que posteriormente foi revogada pela Resolução ANAC nº. 009/2007. Acerca da Resolução ANAC nº. 009/2007, destaca-se que não é necessário possuir tais equipamentos, pois é facultado às empresas aéreas e aos operadores de aeronaves, a celebração de contratos, acordos ou outros instrumentos para o cumprimento do disposto no 1º do aludido artigo. Portanto, no caso em tela, considerando o aeroporto do Galeão e sua infraestrutura, é possível conjecturar que a empresa aérea AMERICAN AIRLINES, para garantir o previsto no artigo 20 da supracitada Resolução dessa ANAC, poderia optar pelas seguintes condutas: 1. Possuir veículos equipados com elevadores ou outros dispositivos apropriados para efetuar, com segurança, o embarque e desembarque de pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida; 2. Celebrar contratos, acordos, ou outros instrumentos jurídicos com empresas congêneres ou com a Infraero a operadora aeroportuária a fim de disponibilizar tais equipamentos; ou 3. Garantir que todas as vezes que um passageiro portador de necessidade especial estivesse a bordo de uma das suas aeronaves, a operação de embarque/desembarque dos passageiros não ocorreria em uma posição remota. Crédito de Multa nº /12-1 Página 9 de 15

10 Contudo, de acordo com a fiscalização dessa Agência, bem como com os documentos acostados aos autos, a Autuada não comprova que assegura em todas as suas operações, independentemente da posição utilizada pátio de estacionamento de aeronaves, o movimento de pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida entre as aeronaves e o terminal, com segurança, nos termos da resolução em análise. Pelas razões acima expostas, portanto, não estou de acordo com o relator e com isso, entendo ter ocorrido violação à legislação. Desta forma, como demostrado pelo relator, aponto a regularidade processual do presente processo, a qual preservou todos os direitos constitucionais inerentes ao interessado, bem como respeitou, também, aos princípios da Administração Pública, estando, assim, pronto para, agora, receber uma decisão de segunda instância administrativa por parte desta Junta Recursal. 2. DO MÉRITO 2.1. Quanto à fundamentação da matéria - Falta de equipamento para embarque e desembarque de portadores de necessidades especiais Diante da infração do processo administrativo em questão, a autuação foi realizada com fundamento no art. 289, inciso I, do CBA, Lei n 7.565, de 19/12/1986, que dispõe o seguinte: CBA Art Na infração aos preceitos deste Código ou da legislação complementar, a autoridade aeronáutica poderá tomar as seguintes providências administrativas: I - multa; (...) A Resolução ANAC nº 25, de 25/04/2008, vigente à época da lavratura do auto de infração, bem como, da decisão prolatada pela autoridade competente que estabelece a tabela de infrações no Anexo III, Tabela IV (FACILITAÇÃO DO TRANSPORTE AÉRERO Empresa Aérea), COD DCI, item 04, conforme disposto in verbis: Resolução nº. 25/2008 ANEXO III (...) IV FACILITAÇÃO DO TRANSPORTE AÉRERO Empresa Aérea (...) 4. Não disponibilizar veículos equipados com elevadores ou outros dispositivos apropriados para efetuar, com segurança o embarque e desembarque de pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. Destaca-se que, com base na tabela desta Resolução, o valor da multa referente a este item poderá ser imputado em R$ (grau mínimo), R$ (grau médio) ou R$ (grau máximo). Crédito de Multa nº /12-1 Página 10 de 15

11 Adicionalmente, a fiscalização aponta infração à norma complementar, vigente à época, esta materializada no ANEXO à Resolução ANAC nº 09, de 05, 06/2007, a qual aprova a Norma Operacional de Aviação Civil NOAC que dispõe sobre o acesso ao transporte aéreo de passageiros que necessitam de assistência especial, de onde poderemos identificar Anexo I, Capítulo III, artigo 20, 1º, disposto anteriormente. Dessa forma, a norma é clara quanto à necessidade das empresas aéreas assegurarem a movimentação de pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida e disponibilizarem veículos equipados com elevadores ou outros dispositivos apropriados para o atendimento dessas pessoas no seu embarque ou desembarque da aeronave. Por fim, cabe ressaltar que o Código Brasileiro de Aeronáutica dispõe, em seu art. 295 que a multa será imposta de acordo com a gravidade da infração. Nesse sentido, a Resolução nº ANAC 25/2008, que dispõe sobre o processo administrativo para a apuração de infrações e aplicação de penalidades no âmbito da competência da Agência Nacional de Aviação Civil determina em seu art. 22 que sejam consideradas as circunstâncias agravantes e atenuantes na imposição da penalidade pecuniária Quanto às questões de fato Quanto ao presente fato, no dia 31/05/2011, foi observado pela equipe de fiscalização, no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro / Galeão Antônio Carlos Jobim, que a empresa aérea AMERICAN AIRLINES não disponibilizava equipamento dotado de sistema de elevação ou outros dispositivos apropriados para efetuar, com segurança, o embarque e desembarque de pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida quando a aeronave estacionar em posição remota, contrariando a Resolução ANAC nº 009, de 05 JUN 2007, art. 20, 1º. Observa-se, nos autos, parte do Relatório de Inspeção Aeroportuária - RIA nº 008P/SIA- GFIS/2011, enfoque Facilitação (fls. 02), que relata tal conduta da empresa aérea AMERICAN AIRLINES Quanto às alegações do Interessado Em defesa (fl. 19 a 23), a Autuada alega a não caracterização da infração uma vez que: o aeroporto do Galeão dispõe de pontes de embarque ; as aeronaves da companhia raramente estacionam na área remota para realizar embarque e desembarque de passageiros ; em raras ocasiões em que realizou embarque e desembarque de passageiros em posição remota, utilizou o ambulift da Infraero; as aéreas estão AUTORIZADAS e não são OBRIGADAS a celebrarem contratos para cumprimento das obrigações de assegurar o movimento de pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. Quanto à alegação de não caracterização da infração, essa não pode prosperar pois, o fato de existir ponte de embarque no aeroporto ou da empresa aérea raramente operar em posição remota ou ainda da empresa não ser obrigada a celebrar contratos conforme disposto no 2º do Art. 20 da Resolução ANAC nº 09/2007, como discutido em preliminares, não garantem o adequado atendimento dos passageiros em tela. Em segunda defesa (fls. 38 a 40), a Autuada reitera a alegação de que, no aeroporto em tela, a empresa só opera no terminal internacional de passageiros, que dispõe de pontes de embarque (fingers). Aduz que existe acordo entre as empresas aéreas e a Infraero, no sentido de que aeronaves que estejam transportando passageiro sob estas condições sejam submetidas a embarque e Crédito de Multa nº /12-1 Página 11 de 15

12 desembarque nos fingers. Acrescenta ainda que é injustificável exigir que a Recorrente adquira um equipamento de custo tão expressivo quanto o ambulift. Por fim, alega que os passageiros portadores de deficiências ou mobilidade reduzida já dispõem da infraestrutura necessária para o embarque e desembarque adequados. Com relação à alegação de existência de acordo entre as empresas aéreas e a Infraero, cumpre destacar que a simples alegação de cumprimento do 2º do artigo 20 da Resolução ANAC nº 09/2007, não tem o condão de afastar a sua responsabilidade administrativa quanto ao ato infracional cometido. Observa-se que, de fato, a empresa aérea não era obrigada a adquirir quaisquer equipamentos. Como exposto em preliminares, para atender o disposto no artigo 20 da Resolução ANAC nº 09/2007, a Autuada poderia optar por três condutas: adquirir os citados equipamentos, celebrar contratos com empresas congêneres ou com a operadora aeroportuária que possuíssem tais equipamentos ou ainda garantir que suas operações de embarque/desembarque de passageiros portadores de deficiência ou com mobilidade reduzida, sempre ocorrem com o auxílio das pontes de embarque existentes. Já em grau recursal (fls. 70 a 77), a Autuada, ora Recorrente, alega que a norma disposta no art. 20 da Resolução ANAC 09/2007 condiciona o dever de oferecimento dos dispositivos para embarque e desembarque de pessoas com mobilidade reduzida, denominados ambulift, a duas circunstâncias, quais sejam: (i) aeroportos que não disponham de pontes de embarque e (ii) a aeronave que transporta pessoas com mobilidade reduzida estaciona em posição remota. Com isso, reitera as alegações apresentadas em suas peças de defesa. Ainda em recurso, a Recorrente alega a revisão proposta à Resolução ANAC n 09/2007 em andamento no ano de 2012 desobriga as empresas de disponibilizar veículos equipados com elevadores ou outros dispositivos apropriados para efetuar, com segurança o embarque e desembarque de pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. Alega a invalidade da decisão uma vez inobservado o princípio da motivação. Por fim, alega que a tabela de infrações no qual a companhia foi multada não discrimina em quais situações deve ser aplicado um ou outro valor; não determinando também quais os critérios para impor a quantia, sendo assim, requer que o valor da multa seja reduzido para o R$10.000,00 (dez mil reais). No tocante à alteração proposta pela revisão da Resolução ANAC nº 09/2007, a alegação de ausência de infração não pode prosperar, uma vez que tal modificação normativa não estava em vigor, à época do cometimento do ato infracional em tela. No que diz respeito à ausência de motivação, a alegação do Recorrente não pode prosperar, visto que a decisão de primeira instância administrativa aponta a fundamentação jurídica relevante, além de analisar os fatos corretamente, indicando que a empresa aérea não comprovou que o embarque/desembarque das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida entre as aeronaves e o terminal, é realizado com segurança, nos termos da resolução em análise. Com relação à alegação de ausência de critérios para adoção do valor da multa, tal questionamento será apreciado no item 3, adiante exposto. Diante do exposto, o autuado não apresenta qualquer excludente de sua responsabilidade, cabendo destacar que o mesmo não trouxe aos autos qualquer prova de que, de fato, disponibiliza veículos equipados com elevadores ou outros dispositivos apropriados para efetuar, com segurança o embarque e desembarque de pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. Ademais, a Lei n 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, em seu art. 36, dispõe a redação que segue: Lei n 9.784/99 Art. 36 Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Crédito de Multa nº /12-1 Página 12 de 15

13 Por fim, as alegações do Interessado não podem servir para afastar a aplicação da sanção administrativa quanto ao ato infracional praticado. 3. DO ENQUADRAMENTO E DA DOSIMETRIA DA SANÇÃO Pelo exposto, a fiscalização aponta infração fundamentada no art. 289, inciso I do CBA c/c a então vigente Resolução ANAC nº 09, de 05/06/2007, em seu Anexo I, Capítulo III, artigo 20, cujo valor da sanção foi retirado da Resolução ANAC nº 25/2008, Anexo III, Tabela IV (FACILITAÇÃO DO TRANSPORTE AÉRERO Empresa Aérea), item 04, também vigente à época, restando, assim, analisar a adequação do valor da multa aplicada, que, segundo o que dispõe o CBA, deve refletir a gravidade da infração (Lei nº 7.565/86, art. 295). Nesse contexto, é válido observar que o valor da multa imposta pela autoridade competente R$ ,00 (dezessete mil e quinhentos reais), foi fixado dentro dos limites previstos na Resolução ANAC nº 25/2008, vigente à época, e conforme o disposto no Artigo 57 da Instrução Normativa ANAC n 08/2008, indicando que a penalidade de multa será calculada a partir do valor intermediário. Assim, nos casos em que não há agravantes, nem atenuantes, ou quando estas se compensam, deve ser aplicado o valor médio da tabela em anexo à Resolução ANAC nº 25/2008. Entretanto, vale ressaltar que, a Resolução ANAC nº 09 (norma complementar que foi descumprida no caso em questão), de 05 de junho de 2007, foi revogada, a partir de 14/01/2014, pela Resolução ANAC n 280, de 11/07/2013. A nova redação além de alterações quanto à matéria, também modificou o Anexo III da Resolução ANAC nº 25, de 25 de agosto de 2008, onde itens foram modificados, revogados e acrescidos. No tocante ao presente processo administrativo, observa-se que a alteração trazida pela Resolução ANAC n 280/2013 foi a revogação do item 04, da Tabela IV (FACILITAÇÃO DO TRANSPORTE AÉREO - Administração Aeroportuária), do Anexo III da Resolução ANAC nº 25/2008. Cumpre ressaltar ainda que, em 2014, a Junta Recursal relatou outros processos administrativos com a mesma questão originada pela aludida revogação de itens no Anexo III da Resolução ANAC nº 25/2008. Naquela ocasião, considerando a autuação capitulada no art. 289, inciso I, do CBA, Lei n 7.565, de 19/12/1986, evidenciando o descumprimento da Resolução ANAC nº 09, de 05/06/2007, em vigor à época, e da supracitada revogação, entendeu-se haver a ocorrência do ato infracional sem a respectiva sanção em vigor na Resolução ANAC nº 25. Com isso, votou-se pelo encaminhamento dos respectivos expedientes à Procuradoria Federal junta à ANAC para análises e prosseguimentos dos feitos. Entretanto, até a presente data não se tem notícia de um parecer específico desta Procuradoria. No entanto, faz-se importante trazer aos autos o entendimento exposto no Parecer da Procuradoria Federal Junto à ANAC nº 00154/2015/DDA/PFANAC/PGF/AGU, de 01/07/2015, que apresenta recomendações quanto à vigência das normas da ANAC. Segundo essa exposição, tal vigência é imediata, inclusive para aplicação nos processos administrativos em curso. Aduz que as alterações normativas têm o objetivo de padronizar condutas futuras. Por fim, quanto à dosimetria da sanção, essa Procuradoria recomenda que a aplicação das penalidades seja de acordo com a norma em vigência na data do cometimento do ato infracional. Embora o parecer supracitado não seja de caráter vinculante, esta Relatora declara que concorda com a manifestação trazida pela Procuradoria Federal Junto à ANAC. Portanto, como entende-se ter havido a prática de um ato infracional, devido ao descumprimento ao disposto no artigo 20 da Resolução ANAC nº 09/2007, vigente à época, e ainda, Crédito de Multa nº /12-1 Página 13 de 15

14 por naquela ocasião haver previsão para sanção de multa com base no Anexo III da Tabela IV da Resolução ANAC nº 25/2008, passa-se a análise de existência das condições atenuantes e agravantes com o propósito de definir a sanção a ser aplicada em definitivo. Destaca-se que, com base no Anexo III da Resolução ANAC nº 25/2008, vigente à época, o valor da multa, referente ao item 4, da Tabela IV (FACILITAÇÃO DO TRANSPORTE AÉREO - Administração Aeroportuária), poderá ser imputado em R$ (grau mínimo), R$ (grau médio) ou R$ (grau máximo) Das Condições Atenuantes Verifica-se que, no caso em tela, não é possível se aplicar quaisquer das condições atenuantes dispostas nos incisos do 1º do artigo 22 da Resolução ANAC nº 25/2008 ou nos incisos do 1º do artigo 58 da Instrução Normativa ANAC nº 08/ Das Condições Agravantes Igualmente, verifica-se que, no caso em tela, não é possível se aplicar quaisquer das condições agravantes dispostas nos incisos do 2º do artigo 22 da Resolução ANAC nº 25/2008 ou nos incisos do 2º do artigo 58 da Instrução Normativa ANAC nº 08/ Da Sanção a Ser Aplicada em Definitivo Quanto ao valor da multa aplicada pela decisão de primeira instância administrativa (R$ ,00), temos que apontar a sua regularidade quanto à norma vigente por ocasião do ato infracional (Resolução ANAC nº. 25), estando, assim, dentro da margem prevista, ao considerar a inexistência de condições agravantes e/ou atenuantes e, com isso, a adoção da multa em seu valor em grau médio. Dessa forma, a multa deve ser mantida em seu grau médio, no valor de R$ ,00 (dezessete mil e quinhentos reais). Vale destacar que este valor está previsto no item 4, da Tabela IV (FACILITAÇÃO DO TRANSPORTE AÉREO - Administração Aeroportuária) do Anexo III à Resolução ANAC n 25/2008, vigente por ocasião do ato infracional. 4. DO VOTO Desta forma, voto pelo conhecimento e NÃO PROVIMENTO ao Recurso, MANTENDO, assim, o valor da multa aplicada pela decisão prolatada pelo competente setor de primeira instância administrativa. É o voto desta Relatora. Rio de Janeiro, 01 de outubro de RENATA MOTINHA NUNES Especialista em Regulação de Aviação Civil SIAPE Membro Julgador da Junta Recursal da ANAC Portaria ANAC nº 845/2014 Crédito de Multa nº /12-1 Página 14 de 15

15 CERTIDÃO DE JULGAMENTO JR AUTUAÇÃO AI nº /2011 Data: 20/09/2011 Processo nº / Interessado: AMERICAN AIRLINES INC Crédito de Multa nº /12-1 Infração: Não disponibilizar veículos equipados Enquadramento: Art. 36, 1 e art. 289 da Lei. com elevadores ou outros dispositivos apropriados 7.565/86 do Código Brasileiro de Aeronáutica - CBA para efetuar com segurança, o embarque e c/c a Resolução ANAC n 009, de 05 de junho de desembarque de pessoas portadoras de deficiência 2007, anexo I, art. 20. ou com mobilidade reduzida. Relator: Sr. Sergio Luís Pereira Santos SIAPE n.º Presidente da Sessão: Sr. Sérgio Luís Pereira Santos Matrícula SIAPE nº CERTIDÃO Certifico que Junta Recursai da AGÊNCIA NACIONAL DE AVIAÇÃO CIVIL - ANAC, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: A Junta, por maioria, NEGOU PROVIMENTO ao recurso, MANTENDO a multa aplicada pela decisão de primeira instância administrativa, nos termos do voto divergente. O membro julgador Mariana Correia Mourente Miguel acompanhou o voto divergente, apresentado pelo membro julgador Renata Motinha Nunes. Rio de Janeiro, 01 de outubro de Sérgio Luís Pereira Santos Presidente da Junta Recursal - SIAPE Portaria ANAC nº 1.833/DIR-P, 17/07/2013 De acordo, Mariana Correia Mourente Miguel Especialista em Regulação de Aviação Civil - SIAPE Membro Julgador da Junta Recursal da ANAC Portaria ANAC nº 845, de 10/04/2014 Renata Motinha Nunes Especialista em Regulação de Aviação Civil - SIAPE Membro Julgador da Junta Recursal da ANAC Portaria ANAC nº 845/DIRP/2014, de 11/04/2014 Crédito de Multa nº /12-1 Página 15 de 15

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