Destaque Setorial - Bradesco

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1 Siderurgia 12 de maio de 2015 Demanda externa deve compensar parcialmente retração doméstica de produtos siderúrgicos Leandro de Oliveira Almeida Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos A retração da economia brasileira, impulsionada pela construção civil e pelos setores automobilístico e de máquinas e equipamentos, tem comprometido a expansão do setor siderúrgico neste ano. Mas as exportações de produtos siderúrgicos, juntamente com a possível queda das importações, devem compensar parcialmente os efeitos adversos da demanda interna mais fraca. Para os próximos anos, não há projetos de expansão da produção local e mesmo a oferta global deve apresentar menor expansão diante do tamanho da capacidade ociosa das siderúrgicas chinesas. De todo modo, a desvalorização do real deve conter as importações e aumentar a rentabilidade das exportações. Ainda assim, o principal fator de fortalecimento das exportações será a recuperação das economias dos Estados Unidos e da Europa. Sabemos que os principais demandantes internos de produtos siderúrgicos estão na indústria automobilística e autopeças (aços planos), de máquinas e equipamentos (planos ,, de Aços Longos - Acumulado em 12 meses - em mil - Elaboração: Bradesco e longos), de construção civil (aço longo) e de utilidades domésticas (aços planos). A demanda é extremamente sensível aos investimentos e à produção de bens de consumo duráveis, afetados pela situação atual da economia. Além disso, a retração dos índices de confiança do consumidor e da indústria impacta especialmente os bens de consumo duráveis. Projetamos queda de cerca de 15% da produção de veículos, retração de 8,8% dos investimentos e recuo de quase 6% do PIB da construção (já considerando os efeitos ligados à cadeia de óleo e gás). Nesse sentido, acreditamos que o consumo aparente de aço recuará 8% neste ano. A produção, por sua vez, deve cair 2,5%, favorecida pela expansão de 15% das exportações. Já as importações devem apresentar moderada retração e os estoques nos atacadistas devem diminuir consideravelmente nos próximos meses, cerca de 20%. Assim a produção de aços planos deve recuar em intensidade superior a de aços longos e o segmento de semiacabados deve se beneficiar com as exportações jun/02 set/02 dez/02 jun/03 set/03 dez/03 jun/04 set/04 dez/04 jun/05 set/05 dez/05 jun/06 set/06 dez/06 jun/07 set/07 dez/07 jun/08 set/08 dez/08 jun/09 set/09 dez/09 jun/10 set/10 dez/10 jun/11 set/11 dez/11 jun/12 set/12 dez/12 jun/13 set/13 dez/13 jun/14 set/14 dez/ ,, de Aços Longos - Acumulado em 12 meses - em mil 1

2 ,, de Semi Acabados - Acumulado em 12 meses - em mil - Elaboração: Bradesco,, de Semi Acabados - Acumulado em 12 meses - em mil jul/02 nov/02 jul/03 nov/03 jul/04 nov/04 jul/05 nov/ ,, e Aços Planos - Acumulado em 12 meses - em mil - Elaboração: Bradesco jul/06 nov/06 jul/07 nov/07 jul/08 nov/08 jul/09 nov/ jul/10 nov/10 jul/11 nov/11 jul/12 nov/12 jul/13 nov/13 jul/14 nov/ jun/02 set/02 dez/02 jun/03 set/03 dez/03 jun/04 set/04 dez/04 jun/05 set/05 dez/05 jun/06 set/06 dez/06 jun/07 set/07 dez/07 jun/08 set/08 dez/08 jun/09 set/09 dez/09 jun/10 set/10 dez/10 jun/11 set/11 dez/11 jun/12 set/12 dez/12 jun/13 set/13 dez/13 jun/14 set/14 dez/ ,, e Aços Planos - Acumulado em 12 meses - em mil Nos últimos 12 meses encerrados em fevereiro deste ano, o País exportou R$ 11,64 bilhões em produtos siderúrgicos contra a importação de apenas R$ 4,79 bilhões. Ou seja, nossa balança comercial é fortemente positiva. Esse potencial exportador é especialmente importante no segmento de semiacabados e laminados de aços, no qual o volume de exportações corresponde a 31,3% da produção, considerando o mesmo período, já as importações correspondem a 12,2% do volume produzido. Os Estados Unidos são os principais demandantes, principalmente de ferro-gusa e semiacabados de aço, os quais são intermediários para a própria indústria metalúrgica norte-americana. A União Europeia, segundo maior importador, é demandante principalmente de ferro-gusa, ferroligas e tubos de aço. Ambas as regiões tiveram forte crescimento do comércio com o Brasil nos últimos doze meses não só por causa da desvalorização do real, mas principalmente em decorrência da recuperação em curso da atividade econômica. Isso ocorre mesmo levando em consideração que uma grande empresa do setor está fazendo uma operação de comércio entre subsidiárias do Brasil e dos Estados Unidos. 2

3 FONTE: IABR produção brasileira de aço bruto - variação em da produção 30,0% 20,0% 10,0% 11,9% 11,5% 5,2% 5,6% 9,3% 24,3% 6,9% brasileira de aço bruto - variação em de produção 0,0% -5,0% -3,9% -2,2% -0,2% -2,0% -1,0% -0,7% -2,5% -10,0% -20,0% -21,4% -30,0% * Os riscos para esse cenário estão associados à elevada capacidade ociosa da indústria siderúrgica global (ociosidade de 30%), especialmente chinesa. Mas também devemos mencionar Rússia e Turquia, que devem continuar pressionando os preços para baixos nos próximos meses, já que esses países são responsáveis por metade das importações brasileiras desse segmento. Por outro lado, as importações tendem a apresentar menor crescimento nos próximos meses em decorrência da desvalorização do real, mas principalmente refletindo a desaceleração da atividade e dos investimentos no Brasil. Além disso, há grande dificuldade na importação de aços planos em função da infraestrutura portuária, que impede que o demandante nacional seja continuamente abastecido pelo produtor estrangeiro. E o aço longo demandado pela construção civil brasileira é específico do País, sendo mais difícil sofrer concorrência com um similar importado. Nos últimos meses, houve poucas alterações nas tarifas de importação, com destaque para a diminuição da alíquota de importação de chapas grossas de aço carbono, utilizadas na confecção de tubos de aço para indústria do petróleo offshore. Dentre os principais custos das plantas siderúrgicas temos que, apesar da diminuição dos preços do carvão mineral no mercado internacional, o produto está cerca de 20% mais caro neste ano do que na média do ano passado considerando o preço em reais. Outro item importante de custos é a energia elétrica, que apresentou forte aumento de preços (inclusive por contratos de longo prazo de energia, que estão vencendo neste ano e devem ser renovados a preços mais altos). Em sentido contrário, minério de ferro é o item que mais favoreceu a indústria, estando neste ano, em reais, cerca de 30% mais barato do que na média no ano passado. Contudo, a diminuição de custos do insumo minério de ferro não compensa a alta dos demais itens, inclusive mão-de-obra e custos de depreciação do capital. Assim esperamos que os preços de produtos siderúrgicos continuem pressionados neste ano. No IGP, o item metalurgia básica deve apresentar alta de 6,4% em 2015, ante elevação de 7,2% em

4 FONTE: BLOOMBERG EXPORTAÇÕES CHINESAS DE AÇO (MM3M MILHARES DE TOL) Exportações chinesas de aço (média móvel dos últimos três meses, em milhares de ) mar-02 ago-02 jan-03 jun-03 nov-03 abr-04 set-04 fev-05 jul-05 dez-05 mai-06 out-06 mar-07 ago-07 jan-08 jun-08 nov-08 abr-09 set-09 fev-10 jul-10 dez-10 mai-11 out-11 mar-12 ago-12 jan-13 jun-13 nov-13 abr-14 set-14 fev-15 Fonte: Bloomberg Por fim, esse quadro de retração do consumo interno, apesar da melhora das exportações, não deve levar as empresas a aumentarem seus investimentos nos próximos anos. Além disso, o aumento dos custos de energia e a diminuição do preço do aço em escala global devem continuar pressionando as margens do setor no longo prazo. No entanto, a desvalorização do real abre espaço para novos aumentos de preços siderúrgicos, como já temos visto em algumas empresas do setor. Nos próximos anos, a retomada do crescimento econômico interno e, principalmente, os investimentos em infraestrutura na cadeia de óleo e gás devem trazer melhores perspectivas ao setor siderúrgico. 4

5 Equipe Técnica Octavio de Barros - Diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos Marcelo Cirne de Toledo - Superintendente executivo Economia Internacional: Fabiana D Atri / Felipe Wajskop França / Thomas Henrique Schreurs Pires Economia Doméstica: Igor Velecico / Andréa Bastos Damico / Ellen Regina Steter / Myriã Tatiany Neves Bast Análise Setorial: Regina Helena Couto Silva / Priscila Pacheco Trigo / Leandro de Oliveira Almeida Pesquisa Proprietária: Fernando Freitas / Leandro Câmara Negrão / Ana Maria Bonomi Barufi Estagiários: Ariana Stephanie Zerbinatti / Thomaz Lopes Macetti / Victor Hugo Carvalho Alexandrino da Silva / Davi Sacomani Beganskas / Ives Leonardo Dias Fernandes / Henrique Neves Plens / Mizael Silva Alves O BRADESCO não se responsabiliza por quaisquer atos/decisões tomadas com base nas informações disponibilizadas por suas publicações e projeções. Todos os dados ou opiniões dos informativos aqui presentes são rigorosamente apurados e elaborados por profissionais plenamente qualificados, mas não devem ser tomados, em nenhuma hipótese, como base, balizamento, guia ou norma para qualquer documento, avaliações, julgamentos ou tomadas de decisões, sejam de natureza formal ou informal. Desse modo, ressaltamos que todas as consequências ou responsabilidades pelo uso de quaisquer dados ou análises desta publicação são assumidas exclusivamente pelo usuário, eximindo o BRADESCO de todas as ações decorrentes do uso deste material. Lembramos ainda que o acesso a essas informações implica a total aceitação deste termo de responsabilidade e uso. A reprodução total ou parcial desta publicação é expressamente proibida, exceto com a autorização do Banco BRADESCO ou a citação por completo da fonte (nomes dos autores, da publicação e do Banco BRADESCO). 5

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