1. INTRODUÇÃO E JUSTIFICATIVA
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- Liliana Soares Diegues
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1 13 1. INTRODUÇÃO E JUSTIFICATIVA A depressão é uma das doenças mais comentadas na atualidade, tanto pela sua forma de se manifestar no ser humano, quanto pelo número de pessoas diagnosticadas nos últimos anos. Nesse sentido, compreende-se que a pessoa acometida com a depressão vive isolada no seu mundo particular, pois não sente interesse em conviver e estar no mundo com as pessoas, seja familiares ou amigos. Para Lutz (1985), o paciente depressivo, traz consigo o fracasso como uma das principais características, apresentando o comportamento desviante para se engajar na busca da felicidade ou do amor por si mesmo que é princípio básico de todo o ser humano. Cada individuo experiencia a doença de forma distinta, porque deve-se levar em consideração a subjetividade de cada pessoa diagnosticada com a depressão para que o tratamento seja satisfatório. Segundo os dados disponibilizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS, 2006), mais de 350 milhões de pessoas sofrem de depressão no mundo, ocasionando perda da autonomia acometida pelo adoecimento psíquico podendo trazer consequências, tais como o afastamento do convívio com as demais pessoas, a dependência financeira, sendo que na maioria dos casos, o indivíduo precisa se ausentar do trabalho para tratamento ou não. Complementando, Almeida (2009) refere que a depressão está associada a uma incapacitação social importante, assim como a uma grande utilização dos serviços de saúde não especializados, o que retarda o diagnóstico, curso, prognóstico, tratamento, cura e/ou reabilitação do paciente. Nesse viés, a depressão deve merecer uma atenção maior da saúde pública atual, pois nem todos os profissionais de saúde estão preparados para lidarem com pacientes depressivos, ocasionando o abandono do tratamento mesmo no início por não sentirem-se acolhidos em sua totalidade. De acordo com o Ministério da Saúde (2005), a depressão configura-se como um distúrbio afetivo muito evidente nas sociedades contemporâneas, mas que já vem sendo objeto de estudo há muito tempo, sendo que atualmente este órgão a catalogou como questão de saúde pública.
2 14 Dessa forma, é possível entender que a depressão sempre esteve presente na vivência humana, porém, nunca houve tamanha divulgação na mídia como ocorre atualmente em todo o mundo, sendo criado, inclusive, o dia Mundial da Saúde Mental, que ocorre a cada dia 10 de outubro, ganhando espaço de destaque no Brasil, e principalmente no Estado do Paraná, o tema: Depressão: Uma Crise Global. De modo geral foi encontrada uma quantidade abundante de estudos sobre a depressão no Brasil e no mundo, porém, ainda encontra-se pouca literatura focada na abordagem fenomenológica no tema proposto. Percebe-se um aumento considerável da adesão ao tratamento farmacológico, por seu imediato resultado, pela praticidade em resolver o problema da doença, através do consumo de remédios ao longo do dia e do desejo/vontade de poupar o tempo do paciente. Diante deste problema atual de grande proporção na saúde pública, considerase importante realizar o estudo através de uma breve revisão teórico-bibliográfica que visa conhecer e compreender o fenômeno da depressão na contemporaneidade na perspectiva da psicopatologia compreensiva. Pautado nessas discussões, surgem questões norteadoras do estudo: Como ocorre o processo histórico saúde e doença? Como a literatura aborda a depressão, suas estratégias diagnósticas, tipos tratamento e as diferentes fases da depressão no desenvolvimento humano? Como ocorre a experiência de pessoas com depressão na contemporaneidade? Os assuntos mais discutidos na literatura pelos pesquisadores citados no presente trabalho em relação às pessoas acometidas pela depressão têm sido a respeito das alterações de caráter afetivo, problemas de relacionamento e perdas (SCHUMAKER, 2001; MOREIRA, 2009; VELASCO, 2009). Esses estudos estão relacionados com o processo saúde e doença; diagnóstico da depressão e suas características, descrições e significados das percepções, dos valores e das vivências das pessoas depressivas (AUGRAS, 2009; MOREIRA, 2009; ROMERO, 2001; VELASCO, 2009). A literatura nos apresenta um aumento significativo de pessoas diagnosticadas com depressão, e um número maior de pessoas que estão convivendo com a doença e não buscam atendimento adequado, por compreenderem que não necessitam de ajuda, tornando ainda mais longo e penoso o tempo de espera para um diagnóstico preciso e,
3 15 logo, o seu prognóstico em que há possibilidade de paciente e médico/psicólogo juntos buscarem uma solução para o problema detectado. Isso acarreta consequências graves, como por exemplo, o suicídio. A relevância deste estudo consiste na importância que o fenômeno da depressão vem alcançando na contemporaneidade, sendo alvo de crescente inquietação por parte dos estudiosos sobre o assunto, devido a sua incidência e ao aumento dos índices epidemiológicos e foi chamada por vários autores como o grande mal do século (VELASCO, 2009; MOREIRA, 2009, ALMEIDA; 2009). Assim, o referido trabalho pretende contribuir no campo da Psicologia, buscando abordar de forma expressiva um assunto que, até o presente momento, tem recebido pouca ênfase na abordagem fenomenológica, e que é de muito interesse para profissionais da área da saúde e pesquisadores interessados pela temática nessa linha de pesquisa. Estruturalmente, no segundo capítulo do estudo é utilizada a pesquisa teóricobibliográfica por atender diretamente aos objetivos desta investigação. Já no terceiro capítulo é apresentado os resultados em seis sub-capítulos. No primeiro sub-capítulo menciona-se um histórico englobando o processo saúde/doença, a psicopatologia e a depressão; o segundo sub-capítulo traz as principais discussões sobre o diagnóstico da depressão; o terceiro sub-capítulo menciona o tratamento da depressão englobando o tratamento psicofarmacológico e psicoterápico; no quarto sub-capítulo são apresentadas as características nas diferentes fases do desenvolvimento humano (infância, adolescência, idade adulta e terceira idade); o quinto sub-capítulo traz as vivências de pacientes em tratamento da depressão através do recorte de seus depoimentos para melhor transmitir suas observações sobre a doença e, no último subcapítulo aborda a visão da depressão na contemporaneidade evidenciando as consequências da doença para o convívio social.
4 16 2. OBJETIVOS 2.1 Objetivo Geral Compreender e discutir através da revisão teórico-bibliográfica, o significado do fenômeno da depressão sob a ótica da psiquiatria compreensiva na atualidade. 2.2 Objetivos específicos - Conhecer o processo histórico de saúde e doença nas literaturas afins; - Conhecer o modo de ser no mundo das pessoas acometidas pela depressão nas diferentes fases do desenvolvimento humano.
5 17 3. METODOLOGIA O presente estudo tem como objetivo analisar e comparar a depressão na abordagem fenomenológica como princípio. Para tanto buscamos realizar uma pesquisa teórico-bibliográfica com abordagem qualitativa para responder as questões norteadoras da pesquisa: Como ocorre o processo histórico saúde e doença? Como a literatura aborda a depressão, suas estratégias diagnósticas, tipos tratamento e as diferentes fases da depressão no desenvolvimento humano? Como ocorre a experiência de pessoas com depressão na contemporaneidade? Preconizando nesta jornada, compreender e discutir através da pesquisa teóricobibliográfico o significado do fenômeno da depressão sob a ótica da psiquiatria na contemporaneidade apoiando-se na historicidade do processo saúde/doença difundida nas literaturas afins. A pesquisa envolveu uma investigação voltada para a discussão da temática em voga com a utilização de ferramentas, a saber: fichamentos de documentos, artigos, monografias, livros, jornais e outras fontes de publicação acadêmica delimitando a combinação de duas grandes áreas para o tratamento da depressão: a psicofarmacologia combinada com a psicoterapia. 3.1 ABORDAGEM DA PESQUISA TEÓRICO-BIBLIOGRÁFICA Para conhecer e estudar a bibliografia referente a depressão enquanto problema de saúde pública, cujo tratamento tem sido predominantemente farmacológico, realizouse um levantamento bibliográfico, contemplando dois tipos de fonte de investigação da temática em questão: as publicações (livros e artigos científicos) e produções científicas publicadas sobre o tema (monografias, dissertações e teses). Para o cumprimento desta etapa selecionou-se também a historicidade dos conceitos saúde/doença canalizando para a depressão, cuja abordagem se deu de
6 18 forma global, buscando estatísticas que comprovassem a incidência da depressão na sociedade contemporânea. Nesse contexto, com base nas interrogativas lançadas no início da pesquisa, averigua-se a possibilidade do tratamento da Depressão numa ação conjunta da Farmacologia e da Psicoterapia com vistas para a recuperação do paciente. Quanto aos instrumentos foram utilizadas fichas com os seguintes dados para catalogar as publicações como: nome do autor, tipo de produção, universidade em que a obra foi encontrada, ano de publicação, editora ou revista que publicou a obra e título da obra. Para as produções científicas: nome do autor, título da produção, universidade em que a obra foi encontrada, ano de produção e palavra principal e para as obras literárias: autor, título da produção, edição, local, editora e ano e a página quando necessitar. O tratamento dado para a análise qualitativa foi a realização dos estudos de textos teóricos sobre o assunto, a fim de se apreender os benefícios e os contrastes em relação tanto ao tratamento farmacológico como psicoterapêutico. Corroborando com os critérios de Andrade (1997, p. 36) onde afirma que a pesquisa teórico-bibliográfica é um tipo de abordagem de pesquisa a qual é orientada no sentido de reconstruir teorias, quadros de referência, condições explicativas da realidade, polêmicas e discussões pertinentes. Ainda a mesma autora afirma que a pesquisa teórica não implica imediata intervenção na realidade, mas nem por isso deixa de ser importante, pois seu papel é decisivo na criação de condições para a intervenção, possibilitando apreender o conhecimento teórico adequado e consequentemente acarretando um rigor conceitual, análise acurada, desempenho lógico, argumentação diversificada, capacidade explicativa do objeto em estudo. Foi realizada, também, uma análise quantitativa para organizar os materiais encontrados para a referida pesquisa. Para LAKATOS (2010, p.283) a análise quantitativa se efetua com toda informação numérica resultante da investigação, que se apresentará como um conjunto de quadros, tabelas e medias. Para análise de dados, foi utilizada a pesquisa qualitativa na abordagem fenomenológica, por ser mais adequada aos objetivos do estudo, já que privilegia
7 19 qualidades, processos e significados. Holanda (2006) esclarece que os métodos qualitativos são descritos como modelos diferenciados de abordagem empírica, especificamente voltados para os chamados fenômenos humanos, ou seja, como métodos que fogem da tradicional conexão com aspectos empíricos tais como medição e controle. A abordagem fenomenológica é uma escola filosófica criada por Edmund Husserl que surgiu na Alemanha entre o final do século XIX, e meados do século XX. A fenomenologia pode ser conceituada como reflexão sobre um fenômeno ou sobre aquilo que se mostra. Vale ressaltar que a palavra Fenomenologia é formada por duas partes originadas do grego: fenômeno, que significa aquilo que se mostra, e logia, derivada da palavra logos, pensamento, capacidade de existir (ALES BELLO, 2006). Husserl explica que para compreendermos os fenômenos, deve-se fazer um caminho, mais tarde denominado de método fenomenológico. Esse caminho é composto por duas etapas: redução eidética (a busca do sentido dos fenômenos) e redução transcendental (como é o sujeito que busca o sentido). Compreender o ser humano em sua totalidade é de suma importância na Fenomenologia, pois, favorece a reflexão dos fenômenos que estão evidenciados no momento da análise, fazendo com que seja primordial não apenas buscar respostas, mas sim, entender o que se passa com o outro, na sua essência, sem querer explicar algo, apenas ser empático. 3.2 PROCEDIMENTO PARA A ANÁLISE DOS DADOS O método utilizado para a coleta de dados foi o levantamento bibliográfico, pesquisa em sites científicos especializados (artigos, livros e publicações indexadas pelo acesso ao banco de dados de bibliotecas digitais, Biblioteca Digital de Teses e Dissertações de todas as Universidades do Brasil (BDTD Nacional), SCIELO (Scientific Electronic Library Online), CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da
8 20 Saúde), BVS Psi Brasil (Biblioteca Virtual em Saúde - Psicologia Brasil), Google Acadêmico), usando as seguintes palavras-chave: psicopatologia compreensiva, fenomenologia, transtornos mentais e depressão. A seleção dos materiais foi relacionada com o objetivo do estudo predominantemente na Língua Portuguesa e apenas dois acervos na Língua Inglesa, como ilustrado na tabela abaixo e os critérios de inclusão dessa materiais selecionados tiveram as seguintes condições: Tabela 1: Critérios utilizados para a construção da amostra TRABALHOS CIENTÍFICOS SELEÇÃO ELIMINAÇÃO Área da pesquisa Objetivos propostos Perfil dos depressivos Psicologia, Enfermagem, medicina, Serviço Social Pessoas com depressão Crianças, adolescentes, adultos e idosos em tratamento Direito, outras áreas Outras doenças --- Disponibilidade na internet Trabalho completo Resumo bloqueado Livros Idioma Fonte: Dados da própria pesquisadora Temas de depressão e psicopatologia Português, Inglês Temas de outras temáticas Espanhol, outros idiomas Descrição dos Procedimentos Foi realizada uma análise qualitativa fenomenológica, seguindo os passos propostos por GIORGI (1978), MARTINS & BICUDO (1989), FORGHIERI (1993), VALLE (1997):
9 21 Leitura atenta de todos os textos selecionados para aquisição de uma configuração geral sobre a temática; Releitura do material selecionado para alcançar o objetivo do trabalho e embasada em uma análise compreensiva dos dados; As leituras foram feitas quantas vezes foram necessárias a fim de encontrar as convergências e divergências entre as temáticas dos estudos; Síntese através de fichamentos entre as variadas temáticas, possibilitando, assim, uma abrangência dos diversos estudos encontrados. 4. RESULTADOS Foi realizada uma análise quantitativa reunindo aspectos considerados essenciais tais como, tipo de trabalho, idioma, período de publicação e natureza da pesquisa. Diante disso, na tabela abaixo é possível observar o total de trabalhos relacionados ao tema proposto. Foram encontrados 58 materiais divididos entre dissertações, teses, capítulos de livros, artigos indexados, em seguida foram feitas as leituras dos resumos destas produções científicas e extraído o contexto mais relevante para o objetivo proposto. Tabela 2: total de trabalhos selecionados para o estudo. TIPO DE TRABALHO QUANTIDADE Artigos 34 Dissertações 5 Teses 3 Livros 16 Total 58 Fonte: Dados da própria pesquisadora
10 22 Na análise qualitativa dos dados obtidos, foi possível obter as seguintes unidades de significado: Breve história do pensamento da psicopatologia; O diagnóstico do transtorno da depressão; Tratamento da depressão; A depressão nas diferentes etapas do desenvolvimento humano; Vivências e percepções dos pacientes com depressão; A depressão na contemporaneidade. Através das referidas unidades, descritas logo abaixo para expor os resultados encontrados. 4.1 História do pensamento da psicopatologia Ao longo do tempo, o homem foi sendo estudado sob uma concepção naturalista, isto é, concebendo-o como um ser mensurável, explicado e estudado como um objeto, que pode ser classificado e encontrado em uma vasta quantidade de Manuais de Psiquiatria. Dessa forma, a sua subjetividade é desconsiderada, evidenciando apenas a sua patologia, e não o ser que está sofrendo com a doença. Jaspers (1979), psiquiatra e filósofo alemão contemporâneo, em sua obra Psicopatologia Geral, afirma que a experiência que o paciente tem sobre a doença é de suma importância. O autor ainda afirma que os psiquiatras deveriam interpretar as descrições dos pacientes em analogia com seus próprios meios de experienciar utilizando os procedimentos a seguir: imersão no comportamento e nos movimentos expressivos do paciente; exploração ou questionamento levado a cabo pelo psiquiatra, resultando em informação fornecida pelos pacientes acerca de si próprios e; relatos espontâneos dos pacientes por escrito. Assim, o mesmo descreve: O objeto da psicopatologia é o fenômeno psíquico realmente consciente. Queremos saber o que os homens vivenciam e como o fazem. Pretendemos conhecer a envergadura das realidades psíquicas. E não queremos investigar apenas as vivências humanas em si, mas também as condições e as causas de
11 23 que dependem os nexos em que se estruturam, as relações em que se encontram, e os modos em que, de alguma maneira, se exteriorizam objetivamente (p. 13). Desse modo, o autor mostrou grande interesse pela subjetividade humana, principalmente pela compreensão da pessoa acometida com o adoecimento psíquico, com a sua forma de agir e pensar no mundo individualmente e não apenas com a exposição destes sintomas aparentes que poderiam ser mensuráveis sob a ótica da psicopatologia. Conforme postula Pereira (2012) a psicopatologia fenomenológica é a compreensão do fenômeno da psicose que, para o psiquiatra alemão Binswanger ( ), considerado o pai da psicopatologia fenomenológica, destacou-se como um dos precursores da Psiquiatria na nova configuração de contemplar a psicopatologia através de uma ótica inspirada na fenomenologia. Ainda de acordo com a autora, contribui com um novo olhar para o psicólogo conhecer e compreender as psicopatologias ao sobressair a necessidade de levar em consideração a história vivida de cada paciente, a sua singularidade, além de estar interessado na experiência do homem que relaciona-se com um mundo e com as outras pessoas, não priorizando as descrições sintomáticas. Assim, fica evidente o interesse da fenomenologia com a compreensão do ser humano que convive com algum tipo de psicopatologia. Dessa forma, a depressão vivenciada por um paciente pode ser descrita de acordo com a sua visão de mundo, de acordo com a sua própria experiência vivida. Para Pokladek & Santos (2002), o processo saúde-doença, na concepção naturalista, não vê o homem como uma pessoa e sim como um organismo que compõe um corpo físico destituído dos significados existenciais. Ainda de acordo com os autores, a ciência natural concebe alguns princípios para reconhecer o que caracteriza o fenômeno chamado doença, que pode ser considerada como um fato que se manifesta no organismo localizado no corpo; evidenciada como um fenômeno circunstancial no percurso de vida da pessoa apropriando-a das relações que ela estabelece no e com o mundo; veiculada por um agente patogênico interno (do ponto de vista genético) e/ou externo.
12 24 Na perspectiva dos autores acima, percebe-se que a doença é algo que interfere diretamente na vida de uma pessoa, logo, limitar o ser humano apenas à enfermidade não é algo que é levado em consideração na abordagem fenomenológica. Na fenomenologia, Pokladek & Klath (2008) afirmam que a doença é compreendida como uma manifestação do horizonte vivido e experienciado pelo homem na pluralidade das relações por ele estabelecidas. Os autores ainda comunicam que o corpo não é analisado apenas como um organismo, mas também como um doador de significados, pois, neste corpo, também se ilustra a história que o indivíduo edifica e propaga no decorrer de sua vida. Dessa forma, a psicopatologia tradicional não leva em consideração a subjetividade do indivíduo portador de alguma doença. A psicóloga francesa Monique Augras (2009) que atuou no Brasil na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, comenta em seu livro intitulado O ser da compreensão: fenomenologia da situação de psicodiagnóstico sobre o processo de diagnóstico utilizando a abordagem fenomenológica. Afirma ainda que a saúde não é um estado, mas um processo, no qual o organismo vai se atualizando conjuntamente com o mundo, transformando-o e atribuindo-lhe significado à medida que ele próprio se transforma (p.11). Nisso, a saúde vai se modificando de acordo com o modo de vida que a pessoa tem e como é a maneira de experienciar suas atividades no mundo. Cada pessoa é única em suas experiências e, por isso, sua relação com o mundo está totalmente ligada ao seu processo de saúde-doença. Moreira (2009 apud ROVALETTI, 1997) apresenta que a Psiquiatria atual deunos até o atual período, o histórico da doença, não, porém, a do homem. Dessa forma, sabe-se como descrever uma patologia, mas não procura entrar em contato com a experiência vivida pelo doente. Assim, o homem foi sendo estudado fora do seu contexto vivido e o tema da normalidade e da patologia em Psicologia vem sendo comumente tratado a partir do padrão médico preexistente e utilizado até os dias atuais, apresentado pela psiquiatria. Ainda em nossos dias se realiza uma categorização e despersonalização do paciente, que é tratado como um objeto, como se a sua existência estivesse restringida à referência negativa a anormalidade quando em realidade a existência patológica também é uma expressão positiva (MOREIRA, 2009 apud ROVALETTI,1997p.94)
13 25 Diante de acontecimentos que marcaram o contexto saúde-doença ao longo do tempo, a análise fenomenológica buscou conhecer a experiência do homem em relação ao seu mundo, procurando fazer com que este conjecture sobre o significado dos seus comportamentos e vivências, sempre levando em consideração que cada pessoa traz consigo uma história de vida diferente dos demais, tornando-se única em suas experiências, sejam elas em virtude da saúde ou da doença e esta característica é que precisa de compreensão e aceitação por parte dos profissionais de saúde que lidam diretamente com esses pacientes que dão o primeiro passo em busca de ajuda. Para Gomes (2011): Depressão (do latim depressione) é uma palavra frequentemente utilizada para descrever uma gama imensa de sentimentos negativos e sombrios. Em primeiro lugar, depressão não é um estado de tristeza profunda, nem desânimo, preguiça, estresse ou mau humor. A depressão é diferente da tristeza, pois a tristeza geralmente tem uma causa conhecida e duração determinada no tempo e no espaço. Já a depressão envolve uma gama de sentimentos difusos de longa duração no tempo e no espaço, geralmente relacionados à angústia. A depressão, enquanto evento psiquiátrico é algo bastante diferente da tristeza. Mesmo assim, em alguns casos, podemos considerar a depressão como uma reação natural da pessoa humana em períodos de transição, especialmente em tempos de mudanças e crescimento, em épocas que antecedem novos horizontes de amadurecimento do ser em constante processo de desenvolvimento (p. 127) Para este autor há uma grande diferença entre tristeza e depressão, por esse motivo é que muitos depressivos não procuram tratamento por pensarem que é apenas uma fase ruim pela qual o mesmo esteja passando e logo tudo voltará à normalidade, fato que não ocorrerá, pois a tendência é apenas a piora do seu estado. Dalgalarrondo (2011) discorre acerca da depressão numa perspectiva evolucionista e afirma que, do ponto de vista psicológico, os transtornos depressivos têm uma relação fundamental com as experiências de perda durante a vida. Deve pensar que o ser humano necessita estar a todo o momento, lidando com suas emoções para que sua adaptação ao mundo não seja prejudicada, acarretando em doenças, como a depressão. Ainda que a depressão leve possa ser uma resposta adaptativa normal a perdas e separação breve, as depressões graves, consequências de repetidas separações, perdas e traumas imensos, que causam muito sofrimento e disfunção, parece bem mais fenômenos patológicos do que adaptativos (p. 403)
14 26 Fica bem evidente, para este autor, que a depressão pode ser uma doença que acomete o ser humano, de forma que não cause tantos malefícios, pois é uma resposta à adaptação, mas nem todas as pessoas conseguem lidar as mudanças que ocorrem durante toda nossa vida e adoecem de uma forma que se tornam incapazes de conviverem com os demais a sua volta, deprimindo-se. Romero (2001), em seu livro O inquilino do imaginário, define a depressão como um modo de ser no mundo, isto é, é um estado de ânimo predominantemente que afeta todo universo do indivíduo, ou seja, todas as suas formas de relação com o mundo.diante de todas as óticas, descritas pelo autor, que se estendem da corporal até a da extensão espaço-temporal, estão claramente caracterizadas na linha do acolhimento, do abatimento e do desvalor existencial.ainda de acordo com autor, o indivíduo depressivo pode encontrar no suicídio a única solução para seu descontentamento existencial, aí se encontra a maior dificuldade da pessoa depressiva que é reconhecer que se encontra doente e necessita tomar a iniciativa de procurar atendimento: O sujeito entra num clima que lentamente vai impregnando todo seu ser; esse clima pode começar com uma leve baixa da vitalidade e da motivação, até chegar a vontade persistente e quase obsessiva da morte. Passado certo estágio, a ideia da morte começa a adquirir forma. Essa ideia amedronta o indivíduo; o amedronta e ao mesmo tempo o atrai. Com sua morte sabe que poria fim a seu sofrimento; isso por um lado; por outro, matando-se castigaria a si mesmo (e inclusive puniria os que não o souberam compreender), pois não esqueçamos de que em todo depressivo há uma forte dose de agressividade voltada contra ele próprio. Não será demais lembrar que muitos depressivos se suicidam (p. 277). A morte é um dos temas que está relacionado diretamente com a depressão, visto que muitas pessoas se suicidam durante um episódio da doença por não encontrarem sentido no viver. Estes indivíduos depressivos veem na morte a única solução aceitável para o término do seu sofrimento, pois já chegaram ao limite de sua existência e não conseguem enxergar uma solução que os conforte e lhes salvem da situação em que se encontram no momento de desespero por não saberem lidar com os sintomas diversos da depressão. A pessoa depressiva não reconhece seu valor e, desta forma, acredita que sua existência não fará falta neste mundo. Romero (2001) apresenta em seu livro as etapas que o indivíduo transcorre, durante a depressão, até a última alternativa verdadeiramente aceitável, que pode vir a ser o suicídio:
15 27 Quando entramos numa fase depressiva, devagar, passo a passo, nos encaminhamos na direção de um círculo final em que parece residir apenas a morte. Primeiro o cansaço e a desmotivação; logo entramos na fase do desligamento, do isolamento e da tristeza; nem sempre paramos aí; podemos deslizar para o vazio, o autodesvalor, a culpa e a vontade de morrer (IBID, p. 278). Nota-se no depressivo a enorme incapacidade de viver significativamente com seus semelhantes, tornando-o um ser cada vez mais distante da realidade, ocasionando o distanciamento, retraimento, reclusão e falta de vontade de viver. Dessa forma, a morte aparece como um alívio para o depressivo, salvando-o deste mundo onde viver não faz sentido a esta pessoa e a cada novo dia há uma dura decisão de continuar vivendo, até enquanto não tomar coragem para cometer o suicídio ou, o mais positivo, procurar ajuda para a doença e contribuir para sua cura, participando do tratamento por livre e espontânea vontade. Gomes (2011) relata que a depressão gera uma série de consequências no ser humano, acarretando dentre outras doenças, os seguintes sintomas: a insônia, a distimia, os distúrbios do sono e da alimentação, os quais repercutem negativamente conforme citação abaixo: A depressão gera insônia. (...) Quando a noite cai, principia a acordar, quando o dia amanhece, começa a dormir. O melhor lugar do mundo, o mais aconchegante, o mais macio, o mais confortável, o mais confiável é a cama. O deprimido tem a cama presa às suas costas. Ele e a cama são irmãos siameses. Quando consegue dormir, não quer mais acordar. O sono aparece como o último refúgio. (...) Não tem domínio sobre as próprias emoções. Não tem paciência. Perde a cabeça com facilidade. Explode à toa! Não sabe a origem da própria irritação e nem precisa. Está sempre irritado, e isso basta! (p. 9) A depressão traz consigo uma série de sintomas que desgastam o ser humano gradativamente, sem que a pessoa se dê conta que sua participação na sua melhora é importante. O paciente deprimido morre aos poucos a cada dia, tornando-se escravo do pessimismo, impossibilitando-o de viver plenamente, experienciando momentos de prazer com as pessoas que lhe fazem bem.
16 O diagnóstico da depressão A depressão vem ocasionando, ao longo do tempo, o afastamento de milhares de pessoas em todo o mundo, seja dos seus familiares, suas atividades laborais ou até mesmo de atividades que lhe tragam prazer. Diagnosticar esta enfermidade a tempo é devolver a esta pessoa a oportunidade de recuperar sua qualidade de vida e sua autonomia. De acordo com Costa & Maltez (2002) a depressão apresenta um conjunto de fatores de risco que podem ser identificados, são eles: sexo feminino, mulheres casadas, homens vivendo sozinhos, idade variando entre 20 a 40 anos de idade, perdas parentais antes da adolescência, história familiar de depressão, puerpério, ausência de um confidente, acontecimentos vitais negativos, residência em área urbana (p ). Assim, é indispensável que haja um diagnóstico preciso para que o tratamento da depressão seja iniciado da forma mais adequada e de acordo com a particularidade de cada paciente. Para que isso ocorra da melhor forma possível, é necessário que a pessoa acometida com a doença procure atendimento e perceba que a depressão é algo que pode incapacitar o ser humano. Como pode ser encontrado nos manuais de Psiquiatria o diagnóstico dos transtornos mentais (DSM-IV e CID 10) citados logo abaixo, a depressão também possui sua forma subjetiva de ser diagnosticada. AUGRAS (2009) discorre em seu livro a respeito da situação de diagnóstico em fenomenologia, trazendo subjetividade e evitando interpretação do cliente elaborado a priori, antes e fora do acontecimento presente. Da mesma maneira que cada indivíduo for a medida de sua normalidade, em cada situação, o significado será buscado dentro daquilo que for manifestado. Neste ponto de vista, a objetividade dessa apreensão, finalmente configurada em diagnóstico, apoiar-se-á em critérios de coerência, deduzidos daquilo que se ofereceu da história do indivíduo e das vivências presentes. (p. 13) Apesar de a depressão se apresentar e ser experienciada de formas distintas para cada pessoa, há critérios utilizados para que se tenha um padrão no seu diagnóstico, trazendo características observáveis e comuns encontradas na doença. Vale ressaltar que a fenomenologia não descarta os critérios diagnósticos encontrados
17 29 nos manuais de psiquiatria, porém, o indivíduo é compreendido também na sua particularidade. Busca-se a sua visão de mundo sobre a doença, convidando-o a fazer parte do seu tratamento de forma ativa. Os critérios para o diagnóstico servirão como apoio para identificar os sintomas discorridos pelo paciente que procura atendimento. Nos dias atuais, os sistemas classificatórios utilizados para o diagnóstico da depressão são DSM-IV Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais são perturbações mentais (APA, 2002) e o CID-10 Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (OMS, 1993). O DSM-IV (APA, 2002) fornece critérios de diagnóstico para as perturbações mentais e abrange elementos descritivos com o intuito de conduzir ao diagnóstico de tais inquietações. Neste modelo, a depressão pode se encontrarem diferentes transtornos mentais, apresentando algo em comum transtorno de humor: Os Transtornos de Humor estão divididos em Transtornos Depressivos ( depressão unipolar ), Transtornos Bipolares e dois transtornos baseados na etiologia Transtorno do Humor Devido a uma Condição Médica Geral e Transtorno de Humor Induzido por Substância. Os transtornos depressivos (a saber, Transtorno Depressivo Maior, Transtorno Distímico e Transtorno Depressivo Sem Outra Especificação) são diferenciados dos Transtornos Bipolares pelo fato de haver um histórico de jamais ter tido um Episódio Maníaco, Misto ou Hipomaníaco. Os transtornos Bipolares (a saber, Transtorno Bipolar I, Transtorno Bipolar II, Transtorno Ciclotímico e Transtorno Bipolar sem outra Especificação) envolvem a presença (ou histórico) de episódios maníacos, geralmente acompanhados pela presença (ou histórico) de Episódios Depressivos Maiores (p. 345). Nem sempre é fácil encerrar um diagnóstico preciso devido a diferentes transtornos apresentarem alguns sintomas psicopatológicos semelhantes aos da depressão. Desta forma, se faz necessário ter o devido cuidado e conhecimento de psicopatologia para que o diagnóstico seja o mais preciso possível. Ainda, de acordo com o DSM-IV, existem critérios para que seja diagnosticado o episódio depressivo maior: Deve ser encontrado no paciente a ser diagnosticado um mínimo de cinco dos seguintes sintomas presentes durando o período de duas semanas: 1.humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias, indicado por relato subjetivo (p. ex., sente-se triste ou vazio) ou observação feita por terceiros (p. ex., chora muito). 2. Acentuada diminuição do interesse ou prazer em todas ou quase todas a atividades na maior parte do dia (indicado por relato subjetivo ou observação feita por terceiros). 3. Perda ou ganho significativo de
18 30 peso sem estar em dieta (p. ex., mais de 5% do peso corporal em 1 mês), ou diminuição ou aumento do apetite quase todos os dias. 4. Insônia ou hipersonia quase todos os dias. 5. Agitação ou retardo psicomotor quase todos os dias (observáveis por outros, não meramente sensações subjetivas de inquietação ou de estar mais lento). 6.Fadiga ou perda de energia quase todos os dias. 7. Sentimento de inutilidade ou culpa excessiva ou inadequada (que pode ser delirante), quase todos os dias (não meramente auto-recriminação ou culpa por estar doente). 8. Capacidade diminuída de pensar ou concentrar-se, ou indecisão, quase todos os dias (por relato subjetivo ou observação feita por outros). 9. pensamentos de morte recorrentes (não apenas medo de morrer) ideação suicida recorrente sem um plano específico (p ). Diagnosticar a depressão, em alguns casos, pode ser bastante complexo, por ser confundida com outras enfermidades físicas ou até mesmo por ser desencadeada por uma doença já existente e sendo tratada por este paciente no momento, como a pressão alta, cardiopatia, diabetes. Já na CID-10(OMS, 1993), as seções de F00 a F99 são destinadas aos transtornos mentais e comportamentais, estando os transtornos de humor e/ ou afetivos incluídos nas seções de F30 a F39: transtornos nos quais a perturbação fundamental é uma alteração do humor ou do afeto, no sentido de uma depressão (com ou sem ansiedade associada) ou de uma elação. A alteração do humor em geral se acompanha de uma modificação do nível global de atividade, e a maioria dos outros sintomas são quer secundários a estas alterações do humor e da atividade, quer facilmente compreensíveis no contexto dessas alterações. A maioria desses transtornos tende a ser recorrente e a ocorrência dos episódios individuais pode frequentemente estar relacionada com situações e fatos estressantes (p 110). Destacam-se os sintomas que podem ser encontrados na seção F32 no Episódio depressivo, seja este leve (F32.), moderado (F32.1) e grave (F32.2 e F32.3): (a) concentração e atenção reduzidas; (b) autoestima e autoconfiança reduzidas; (c) ideias de culpa e inutilidade (mesmo em um tipo leve de episódio); (d) visões desoladas pessimistas do futuro; (e) ideias ou atos auto lesivos ou suicídio; (f) sono perturbado; (g) apetite diminuído (p. 117) (2007): A depressão foi caracterizada por estudiosos e de acordo com Monteiro &Lage Ao longo do século XX foram surgindo as dicotomias: depressão hereditária e psicogênica, depressão neurótica e psicótica, depressão primária e secundária, depressão endógena e reativa, etc. Estas nomenclaturas tinham em vista realizar ainda uma distinção básica entre a depressão chamada de melancólica, correspondente à psicose maníaco-depressiva e as outras formas de depressão; ditas reativas, psicogênicas ou neuróticas. Tais dicotomias proporcionaram uma discussão ampla no decorrer deste século, visto que,
19 31 existia uma tentativa de diferenciar a depressão neurótica da depressão psicótica, levando em conta, não somente a severidade do quadro clínico apresentado, mas a sua etiologia (p. 03). Como foi evidenciada no estudo feito pelos autores acima citados, a depressão possuiu, ao longo dos anos, algumas nomenclaturas que visaram caracterizar as variadas formas em que a doença se apresenta no ser humano. Percebe-se que há um grande interesse por parte dos estudiosos em apenas descrever a depressão, houve pouco interesse em buscar compreender como o doente percebe a doença e como é experienciado por ele. Essas características podem ajudar o profissional de saúde a elaborar o melhor tratamento ao seu paciente. Infelizmente, não é levada em consideração a vivência que a pessoa, acometida com a doença, possui para que o prognóstico seja satisfatório. Isso faz com que o percurso da doença seja igual para cada um, o que vai de encontro com a fenomenologia, que evidencia a compreensão do ser humano, considerando a experiência que cada um possui sobre o fenômeno que se apresenta. Dalgalarrondo (2000) destaca em seu livro que as síndromes depressivas maníacas são reconhecidas como sendo um problema de ordem prioritária na saúde pública mundial. O autor relata que o elemento central das síndromes é o humor triste, sendo caracterizadas por: multiplicidade de sintomas afetivos (tristeza, melancolia, choro fácil, apatia desespero, desesperança), instintivos e neurovegetativos (diminuição da libido, anedonia, perda ou aumento do apetite, insônia), ideativos (ideação negativa, ideias de morte, ideação suicida) e cognitivos (déficit de atenção e concentração, dificuldade de tomar decisões, déficit secundário de memória), relativos à autovaloração (sentimento de baixa autoestima, insuficiência, vergonha e autodepreciação), à volição (tendência a permanecer na cama por todo o dia, aumento na latência entre pergunta e resposta, mutismo, negativismo) e à psicomotricidade (lentificação motora até o estupor, estupor hipertônico ou hipotônico) (p ). O mesmo autor ainda descreve oito subtipos das síndromes depressivas que são: 1 Episódio ou fase depressiva e transtorno depressivo recorrente (evidentes sintomas depressivos devem estar presentes por pelo menos duas semanas, e não mais do que por dois anos de forma ininterrupta, duram entre três a 12 meses); 2 Distimia (caracterizada como uma depressão crônica, geralmente de intensidade leve, muito duradoura, começa no início da vida adulta e dura pelo menos vários anos); 3 Depressão atípica (pode ocorrer em episódios depressivos de intensidade leve a grave,
20 32 em transtorno uni ou bipolar); 4 Depressão tipo melancólica ou endógena 9predominam os sintomas classicamente endógenos, ou seja, de natureza neurobiológica); 5 Depressão psicótica (depressão grave, na qual ocorrem, associados aos sintomas depressivos, um ou mais sintomas psicóticos, como o delírio de ruína ou culpa, alucinações com conteúdos depressivos); 6 Estupor depressivo (o paciente permanece dias em uma cama ou cadeira em estado de catalepsia, o paciente pode vir a falecer por complicações clínicas); 7 Depressão agitada ou ansiosa (depressão com forte componente de ansiedade e inquietação psicomotora); 8 Depressão secundária (síndrome depressiva causada ou fortemente associada a uma doença ou quadro clínico somático, sela ele primariamente cerebral ou sistêmico). Tendo em vista que a depressão foi classificada por alguns estudiosos, porém neste estudo se dá ênfase no diagnostico de depressão primária. Romero (2001) apresenta as características encontradas em pessoas depressivas de acordo com as dimensões existenciais na vida do sujeito, tais como auxiliar na melhor maneira de compreender um paciente sob uma abordagem que abrange a sua totalidade, ou seja, a dimensão corporal, dimensão interpessoal, dimensão afetiva, dimensão motivacional onde a intenção não é a descrição ou simplesmente enquadrá-lo em doenças passíveis de serem diagnosticadas a todo custo e sim respeitar cada pessoa na sua singularidade e peculiaridade. Pode ser observado nos estudos de Romero (2001) que a depressão afeta todas as dimensões da existência do ser humano, como a dimensão corporal, onde o corpo perde ou diminui seu caráter instrumental, sendo vivida como carga e como fonte de preocupações.a imagem corporal define-se como negativa, o andar torna-se curvado, encolhido, frouxo e surge uma expressão geral de apagamento e de fadiga. Há uma considerável diminuição do apetite sexual e das necessidades de ingestão. Na pessoa doente fica evidente o descuido com a sua aparência. Na dimensão interpessoal, a comunicação torna-se problemática e o sujeito tende a isolar-se, fechando-se em si mesmo. Surge uma tendência a desligar-se dos apelos e das solicitações sociais ou as considera sem solução. Essa se percebe sem amigos ou questiona o valor da amizade.
21 33 Na dimensão da práxis, o indivíduo tente á passividade, deixando de lado ou descuidando de suas obrigações e compromissos. Esse sujeito fica dominado por um forte sentimento de incapacidade, prostração, impotência e tende a perder o sentido de sua práxis, assim como perde o sentido de sua vida. Na dimensão motivacional, é notória a perturbação das necessidades básicas, como sono, comida e sexo. Ocorre uma desmotivação generalizada no indivíduo diagnosticado como depressivo e a perda do sentido da vida de forma geral. Na dimensão afetiva ocorre o predomínio dos sentimentos negativos em todas as esferas e fortes sentimentos de impotência e de indigência, de solidão e de abandono, de tédio e de vazio. Há uma presença significativa de sentimentos de autocomiseração e culpa neste indivíduo, tendo como consequência o desprezo de si, uma evidente vontade de morrer e a auto-agressividade. Acontece o predomínio de um clima emocional agitado, mas por vezes aparece o vazio existencial. A dimensão valorativa é caracterizada pela quebra e descrédito de todos os valores, salvo aqueles que traduzem a negatividade. Na alternativa melhor, o bem se coloca no outro e o sujeito depressivo tende a certo grau de niilismo e, nos casos menos autodestrutivos, para um ceticismo irônico. Na dimensão espaço-temporal, o sujeito tende a se refugiar no passado, se desliga do presente e se desinteressa pelo futuro. O espaço esvazia-se, as coisas se tornam estranhas e consequentemente o mundo perde seu brilho e seu cromatismo. Na dimensão psicológica ocorre a quebra do eu, que renuncia sua função de agente coordenador das diversas dimensões e planos da existência. O sujeito empareda-se num cotidiano frustrante, perdendo seu acesso ao plano imaginário. O autoconceito torna-se negativo e ocorre um esvaziamento da própria identidade por negação da maioria dos referenciais.
22 Tratamento da depressão Velasco (2009) discorre que nenhuma pessoa consegue curar-se da depressão apenas ouvindo orientações ou sugestões de pessoas leigas no assunto. A pessoa depressiva necessita de atendimento, tanto medicamentoso (utilizando antidepressivos), quanto psicoterápico. Além do apoio familiar e poder contar com uma equipe multidisciplinar adequada para que o andamento do tratamento seja satisfatório. A avaliação do paciente é realizada pelo médico psiquiatra, através de uma exame psicopatológico com o paciente que procura tratamento. Dalgalarrondo (2000) afirma que a entrevista permite a realização dos dois principais aspectos da avaliação: a anamnese (história dos sintomas e sinais apresentados pelo paciente ao longo de sua vida, seus precedentes pessoais e familiares, assim como de sua família e meio social) e o exame psíquico (também chamado de exame do estado mental atual). Na avaliação física, o autor, ainda pontua que esses pacientes necessitam ser examinados do ponto de vista somático, pela semiologia somática apropriada (anamnese somática, exame físico, exames laboratoriais e de imagem). Enquanto que na avaliação neurológica é considerada parte imprescindível da avaliação em psiquiatria, mas irá depender de uma anamnese bem colhida e com informações suficientes. O tratamento da doença requer uma rede de apoio acolhedora e acessível, pois a recaída da doença é uma possibilidade que pode ocorrer em muitos casos e o controle, tanto médico quanto psicoterápico da doença vai auxiliar a pessoa a seguir com o tratamento se sentindo disposto e confiante. (2002): De acordo com Costa & Maltez A abordagem do doente deprimido não se restringe à objetivação dos sintomas psicopatológicos de uma forma descritiva, antes é necessária a adoção de uma posição fenomenológica em que, a partir da intersubjetividade da relação terapêutica, ganha sentido o acontecer interior que constitui as experiências mórbidas do doente (p. 560). É interessante a citação dos psiquiatras portugueses acima, os quais destacam que não basta o diagnóstico da depressão, mas algo maior que considera a relação intersubjetiva com seu paciente de compreender os seus sintomas, ajudando-o e
23 35 auxiliando-o no seu desenvolvimento e crescimento como ser humano em busca do seu melhor. Velasco (2009) aponta que o equilíbrio químico do cérebro de uma pessoa depressiva só poderá ser controlado com a assistência médica necessária, concomitantemente com a colaboração do paciente na reação da medicação. Portanto, será um trabalho de parceira em busca da melhora da pessoa acometida com a doença. Ainda de acordo com o autor: Os medicamentos antidepressivos têm a função de regular os componentes substanciais do cérebro, trazendo, assim, um alívio temporário para o paciente, que se anima com o resultado parcial e se empenha ao máximo na solução do problema (VELASCO, p ). O tratamento farmacológico é importante para a cura de depressão, no entanto, uma das desvantagens é quando o paciente percebe uma melhora aparente da doença, este o abandona por acreditar que não precisa mais, por esse motivo, a psicoterapia é indicada para que seja feita conjuntamente, fazendo com o paciente perceba que a depressão não é apenas algo que se manifesta no corpo, mas também na sua subjetividade. Por outro lado, a doença, em diversos prognósticos é confundida com tristeza ou até mesmo com outro tipo de enfermidade, por apresentar uma série de sintomas físicos, dificultando e prolongando o acesso ao tratamento adequado. Neste viés, o tratamento farmacológico concomitante com o tratamento psicoterapêutico assegurará ao paciente uma qualidade de vida e, consequentemente criará um espaço de co- responsabilidade, principalmente por parte do individuo em terapia (farmacológico e terapêutico), possibilitando assim a sua melhora no início do tratamento. De acordo com Botega, Furlanetto & Júnior(2012), Gomes (2011) preconizam que os principais antidepressivos utilizados no tratamento da depressão, são eles: Antidepressivos tricíclicos ADTs (Amitriptilina, Clomipramina, Imipraina, Nortriptilina), Inibidores da monoaminoxidase - IMAOs (Tranilcipromina), Inibidores seletivos de recaptação de serotonina ISRSs (Citalopram, Escitalopram, Fluoxetina, Fluvoxamina, Paroxetina, Sertralina), Inibidores de receptação de serotonina e noradrenalina IRNSs (Desvenlafaxina, Duloxetina, Venlafaxina), Bupropiona, Mirtapazina e Trazodona. Na literatura consultada, estes foram o tratamento padrão para tratar a pessoa acometida
24 36 com a depressão. Os autores pontuam que, pelo menos 10% dos pacientes abandonarão o tratamento em decorrência dos efeitos colaterais causados pelo uso dos medicamentos. No tratamento da pessoa depressiva, para os autores existem múltiplos estudos que têm confirmado a importância que se pode ter com o tratamento concomitante (medicação e abordagens psicoterapêuticas) e as abordagens psicológicas podem ser a escolha excepcional em casos mais leves de depressão. Pode ser dividido em fase: inicial (período de latência) que dura de 1 a 2 semanas; aguda (período de resposta), podendo ter a duração de 2 semanas a 3 meses; continuação (prevenção de recaída), mínimo 6 meses após a melhora e manutenção (prevenção de recorrência), período indeterminado, podendo levar anos. A aliança terapêutica é um elemento primordial no início do tratamento, pois os medicamentos podem durar de 1 a 3 semanas para que seus efeitos sejam sentidos pelo paciente, isto vai depender do organismo de cada pessoa. Ainda de acordo com os autores, no tratamento farmacológico, a escolha do antidepressivo é analisada por diversos fatores: quadro clínico (segundo o predomínio de alguns sintomas, como ansiedade, insônia, apatia); condições do paciente que contra-indiquem determinada droga, como efeitos colaterais (sedação, hipotensão e ganho de peso); presença de determinadas doenças físicas, certas características do fármaco (interações medicamentosas) e custo do tratamento. O mais indicado pelos médicos é que se inicie o tratamento com doses mais baixas do medicamento e ir aumentando gradativamente até que se obtenha o efeito desejado. Muitas pessoas em tratamento, vendo-se livres dos sintomas de depressão, resolvem interromper precocemente a medicação. Umas, para fazer um teste, outras, com receio de ficarem dependentes ou por estarem enfrentando efeitos adversos (aumento de peso, disfunção sexual). A interrupção do medicamento antes do tempo aconselhável implica risco aumentado de recaída (cerca de 50 a 80%, o dobro do observado entre os que mantém a medicação). Por fim, destaca-se que, para pessoas que já tiveram vários episódios depressivos, a medicação deve ser mantida em dose plena ao longo da vida (VELASCO, 2009, p. 304). Um erro bastante grave que se encontra no tratamento da depressão é a suspensão do medicamento antes do tempo previsto, para que isso não ocorra, é necessário que o paciente sinta-se a vontade para poder dar sua opinião a respeito de sua trajetória diante da luta contra a doença, por esse motivo, é necessária a adesão
25 37 deste paciente a uma psicoterapia para que este possa se sentir apto para lidar com seus conflitos e incertezas diante do tratamento. Infelizmente, como toda doença que necessite de tratamento farmacológico, existem os efeitos colaterais que podem curar este paciente a interromper o tratamento. Os principais efeitos colaterais apresentados pelos antidepressivos estão divididos de acordo com a neurotransmissão envolvida, são eles: efeitos antihistamínicos (sonolência, ganho de peso, fadiga, tontura, hipotensão), efeitos anticolinérgicos (boca seca, retenção urinária, taquicardia, visão turva, aumento da pressão ocular, disfunção sexual, alucinações, confusão mental), efeitos antiadrenérgicos (hipotensão arterial, tonturas, tremores, congestão nasal, retardo da ejaculação, disfunção erétil) e efeitos serotoninérgicos (irritabilidade, agitação, insônia, cefaleia, fadiga, náusea, diarréia). Todos estes efeitos colaterais são responsáveis pelo abandono do paciente ao tratamento, dificultando e protelando sua melhora e, consequentemente sua qualidade de vida. Botega,Furlanetto & Júnior(2012), em seu livro: Prática psiquiátrica no hospital geral: interconsulta e emergência, aborda diversos temas relacionados a prática médica em psiquiatria, trazendo discussões atuais sobre o tratamento psiquiátrico nas diversas formas de psicopatologia. Fica claro na depressão que: De um a dois terços dos pacientes deprimidos não são detectados e devidamente tratados. A equipe assistencial pode focar seu trabalho no tratamento das condições físicas agudas. Pode, também, considerar que os sintomas depressivos são apropriados e compreensíveis diante da situação do paciente, falhando, assim, no diagnóstico. É provável que os profissionais estejam, ainda, movidos por preconceitos em relação à depressão e a transtornos mentais em geral (p. 299) Os autores afirmam que a depressão tem um caráter de doença sistêmica, com consequências em vários sistemas de regulação corporal, incluindo seus impactos na evolução de outras doenças clínicas, aumentando a morbidade e os custos do tratamento (IBID, p. 230). Desta forma, a depressão traz consequências severas aos seus portadores, principalmente em um grau mais elevado da doença, complicando mais ainda quando a pessoa não busca tratamento. Assim, a depressão pode comprometer seriamente a qualidade de vida da pessoa acometida com esta doença tanto ou mais que outras categorias médicas. Ainda de acordo com Botega, Furlanetto & Júnior (2012), os principais sintomas físicos
26 38 que podem desenvolver a depressão são: dor, doença nas artérias coronária, diabetes, acidente vascular cerebral (AVC) e HIV/AIDS. Como já foi comentada anteriormente, a depressão traz consequências que interferem no modo de ser da pessoa acometida com a doença e um trabalho de psicoterapia pode auxiliar esta pessoa a ter uma maior qualidade de vida e vencer a doença, considerando-se, também, responsável por sua cura. Para VELASCO (2009): A psicoterapia, assim como os medicamentos, necessita de algum tempo para se obter a melhora esperada. Os dois tipos de tratamento (psicoterapia e medicação) são fundamentais no tratamento do paciente, e só assim o indivíduo poderá ter o alívio tão esperado para seus sofrimentos e aflições (p. 25) A psicoterapia auxilia este paciente depressivo a ter um encontro consigo mesmo, a buscar um significado para a manifestação da depressão em sua vida, deixando-o livre para que se questione e busque uma resposta interior sobre sua enfermidade, ao seu modo de ser no mundo em que vivemos. Costa & Maltez (2002) apontam que as principais vantagens de se fazer psicoterapia quando a pessoa é acometida com a depressão diz respeito a sua importância, pois proporcionam à pessoa depressiva o apoio social e estabelece uma relação de confidência nos momentos em que são experienciados como de extremo isolamento. De acordo com Teng et al. (2005): Os efeitos da psicoterapia sobre o humor são muitas vezes evidentes, promovendo melhora direta do ânimo e da vontade de viver. É preciso salientar que, caso seja confirmado o diagnóstico de depressão, está indicado o tratamento farmacológico, mesmo que haja possibilidade de abordagem psicoterápica concomitante. Nota-se que a psicoterapia auxilia consideravelmente o paciente que recebe o diagnóstico da depressão, pois dá a esta pessoa a oportunidade de poder entender sobre as circunstancias que podem ter desencadeado a doença e se ajudar, contribuindo para que o seu tratamento seja satisfatório. Dessa forma, o profissional psicólogo trabalhará com o paciente deprimido auxiliando-o, no decorrer do tratamento, a enfrentar a doença em si e os efeitos adversos do tratamento medicamentoso, que ocorre a desistência de muitos pacientes, pois estes passam a experienciar sintomas que, muitos já haviam sentido antes de
27 39 receberem o diagnóstico da doença, trazendo incômodos por repetir sensações desagradáveis aos pacientes. Schestatsky (1998) expõe que a associação de medicações e psicoterapias, existem uma importante redução de custos mesmo no tratamento dos transtornos psiquiátricos mais graves, como as psicoses. Portanto, os benefícios de oferecer tal tratamento ao paciente são inúmeros, principalmente quando a pessoa acometida com a depressão não possui um poder aquisitivo que possa arcar com o tratamento medicamentoso. 4.4 Depressão acomete as diferentes etapas do desenvolvimento humano Em todas as fases do desenvolvimento humano, pode ser observado que a depressão ocorre uma série de problemas que impossibilitam a pessoa de ter uma vida produtiva e conviver com todos em sua volta de forma plena. Diante disso, nesse momento se faz presente o suporte psicológico, e caso seja necessário o acompanhamento de um profissional psiquiatra são fundamentais para que a doença possa ter um tratamento adequado A depressão na infância O psicanalista brasileiro Velasco (2009) em seu livro, intitulado Depressão e transtornos mentais tudo o que você deve e precisa saber, descreve sobre a depressão nas diferentes fases do desenvolvimento humano e as características dos principais transtornos mentais. O autor afirma que a depressão é uma das principais enfermidades do século e todas as pessoas estão propensas a desenvolverem a doença em nossa sociedade. Para ele, a depressão é comum na infância quando a vida afetiva dessa criança passa por algumas situações que possam ter como consequência
28 40 fatores que possam desencadear a depressão, como por exemplo, a separação dos pais, morte de membros fundamentais na família, abandono pelos pais. Ainda de acordo com o mesmo autor, a criança depressiva apresenta os seguintes sintomas clássicos: tristeza, choro frequente, perda de apetite, mudanças no hábito alimentar, distúrbios do sono, agitação, ansiedade, mal-estar estomacal, cansaço matinal, dores abdominais. Também pode ser notada na criança a falta de interesse pelas atividades preferenciais, manifestação de descontentamento diante de regras impostas pelos pais, desleixo perante as obrigações de higiene, desânimo constante, desinteresse pelas atividades escolares, insatisfação até mesmo com brinquedos de sua preferência, falta de atenção, desconcentração, complexo de inferioridade, sentimentos de culpa e baixa autoestima. O psicanalista Marcelli (1998) discorre em seu livro Manual de Psicopatologia da Infância de Ajuriaguerra sobre o psicodiagnóstico dos transtornos mentais em crianças. O autor descreve que a principal complicação da depressão duradoura está relacionada à repercussão escolar, pois pode causar na criança um sentimento de fracasso que pode ser observado pelos professores e demais alunos. Por ser uma idade de descobertas e formação do caráter, a depressão na infância pode parecer algo inofensivo, pois perpassa pela mente dos adultos que uma criança tão pequena esteja depressiva. Augras (1986, p. 31), psicóloga francesa, em seu clássico livro na Língua Portuguesa "O Ser da Compreensão: Fenomenologia da Situação de Psicodiagnóstico", afirma que a medida que a criança vai adquirindo maior distanciamento em relação à experiência imediata, bem como às tradições do seu grupo social, passa ela então a interiorizar o tempo como parâmetro de ação, com as suas três categorias (passado, presente e futuro). Desta forma, é primordial que esta etapa ocorra em um ambiente favorável para que seu desenvolvimento ocorra de forma plena e satisfatória. É importante lembrar que a depressão em crianças precisa ser levada a sério, pois muitos pais acreditam que é apenas uma "frescura" da idade ou que a mesma esteja querendo chamar atenção com tais atitudes, isso pode dificultar o diagnóstico e consequentemente o tratamento.
29 A depressão na adolescência A depressão na adolescência, para Velasco (2009) é mais frequente. O adolescente tende a comunicar-se através de suas ações, muitas vezes por ser inexperiente, recorre às drogas, a promiscuidade, ao álcool,tudo isso para tentar aliviar seus sentimentos e emoções. O adolescente angustiado para lidar com seus conflitos pode desenvolver alguns comportamentos agressivos e violentos, atos antisociais, distúrbios de conduta, procedimentos invasivos e agressivos. Ainda de acordo com o autor, o adolescente tem como motivos principais de episódios depressivos a inquietação e irritabilidade, dificuldade de concentração, isolamento, perda do interesse ou prazer nas atividades em exercício, desesperança, sentimento de culpa, pensamentos de morte, insônia, sonolência durante o dia e alterações do apetite. Para Augras (1986), os desajustes podem ocorrer na fase da adolescência, pois o outro ainda é um modelo imposto a ser seguido e, muitas fezes causa uma série de consequências ao adolescente: Muitas vezes, distúrbios encontrados em adolescentes não possuem outra origem: as expectativas do grupo esperam do adolescente a aquiescência da criança, exigem dele as atitudes do adulto que ainda virá a ser e, para resolver essa contradição, fornecem-lhe modelos pautados por uma tradição que, embora instilada desde o nascimento, é-lhe fundamentalmente estranha. É preciso dispor de privilegiado equipamento de adaptação à realidade, para conseguir superar tantas tensões, adequar-se às exigências externas sem mutilar-se, afirmar a individualidade sem lesar o ambiente (p 31). Este paradoxo vivenciado pelo adolescente, muitas vezes é identificado de forma negativa, podendo ser diagnosticado como uma depressão ou outro tipo de transtorno mental, ocasionando sofrimento para este ser em pleno desenvolvimento. A adolescência é uma fase bastante complicada para que seja diagnosticada a depressão, pois é uma fase cercada de descobertas, rebeldia, estigmas e geralmente a família não sabe lidar com este sofrimento, por esse motivo, a depressão no adolescente pode não ser percebida e ser confundida com algo menos grave e não receber a devida atenção e tratamento.
30 A depressão no adulto De acordo com Velasco (2009) a depressão no adulto apresenta características comuns para as fases do desenvolvimento anteriormente citadas, o adulto apresenta apatia, mau humor, distúrbios do sono, distúrbios alimentares, desinteresses por atividades laborais, sentimentos de pesar, lentidão nas atividades físicas, lentidão nas atividades mentais, isolamento, irritação, perda do apetite, perda ou ganho de peso, choro frequente, vontade de morrer, inquietação, pensamentos negativos, pessimismo, desesperança, dificuldade ao chorar, "boca seca", diminuição do desejo sexual, autopiedade, sentimentos de culpa e falta de estímulo. A doença também pode acarretar em consequências severas, como o aumento do risco de infarto em algumas pessoas adultas, desde que estejam praticando certos vícios e hábitos, como comer em excesso (obesidade) e fumando em demasia (tabagismo). Nesta etapa do desenvolvimento, pode vir a ser que o adulto possua o maior número de responsabilidades. Encontra-se em sua idade produtiva, no momento de constituição de sua própria família, criando seus filhos, e possui algum tipo de atividade laboral. A perda por um destes fatores pode desencadear a depressão. Com a vida cercada de atividades, sejam de lazer, de trabalho, doméstico, a pessoa adulta segue protelando a sua busca para o tratamento da depressão, se convencendo de que é apenas uma fase e os sintomas irão desaparecer a qualquer momento, como consequência, pode ocasionar numa incapacitação total e até mesmo o suicídio A depressão no idoso A depressão em idosos, para Velasco (2009) tem como principal característica a hipocondria e o declínio do humor. Esses fatores se devem ao fato de os idosos sentirem a perda exacerbada da concepção existencial, tais como: maior frequência de
31 43 problemas físicos, baixa resistência imunológica, enfraquecimento do suporte sociofamiliar, incapacidade relativa de locomoção, dependência financeira, perda do status ocupacional etc. Nos quadros depressivos, o idoso pode apresentar retraimento, desesperança, perturbações do sono e retardo psicomotor. A depressão no idoso, quando não tratada de maneira satisfatória, pode colaborar para a morte súbita do paciente. A possibilidade do suicídio está muito presente quando há um idoso com depressão. De acordo com a cartilha: "prevenção do suicídio um recurso para conselheiros, produzida e disponibilizada pela Organização Mundial de Saúde - OMS (2006): A depressão é amplamente reconhecida como sendo o principal factor associado com o comportamento suicida na idade avançada. Entre os idosos, surge frequentemente a questão do uso indevido de medicamentos como um meio para o suicídio. No entanto, o benefício que se obtém com o tratamento da depressão contrabalança largamente qualquer impacto negativo da medicação anti-depressiva (p ) O suicídio surge como uma das últimas alternativas para solucionar o problema de depressão dos idosos, fazendo com que esta faixa etária recebe uma atenção ainda maior dos serviços de saúde, pois muitos destes concluem que já viveram o bastante e que sua existência não faz mais nenhum tipo de sentido deste modo. Augras (2009, p. 47) admite que na velhice, na doença e na morte, o que domina é a decadência do corpo e do seu sofrimento, desta forma, é necessário que este idoso perceba que há, ainda, que se ter vontade de continuar sentindo prazer na vida, procurando destacar o que é mais importante nesta fase e buscar realizar seus desejos, não apenas se deixando levar pela idade avançada e ser dependente das demais pessoas. 4.5 Vivências e percepções de pacientes com depressão Na concepção de Leite (2009) em sua dissertação de mestrado intitulada Corpo deprimido: Um estudo sobre corpo vivido e depressão sob a lente da fenomenologia de
32 44 Merleau-Ponty traz a experiência de pessoas diagnosticadas com depressão. Revelou que o fenômeno da depressão é de difícil descrição pelos pacientes, e que eles a reconhecem a partir de sinais do seu corpo. Os depoimentos dos entrevistados revelaram: que a depressão é considerada um fenômeno exterior ao sujeito; que a postura e o ritmo corporais de tais sujeitos é marcado pelo isolamento, pela lentidão e pela estagnação; que eles vivem uma relação paradoxal com a morte; que a sua autoestima e o seu valor pessoal encontram-se profundamente comprometidos; que eles carregam um sentimento de despotencialização e de culpa e que estabelecem uma barreira na sua relação com o outro. A experiência da depressão é considerada pela maioria dos entrevistados como um fenômeno de difícil descrição, associado a um alto grau de sofrimento físico, psicológico e social, cuja manifestação inicial ocorre, principalmente, por meio de sinais do corpo (LEITE, 2009) Através desses resultados- nota-se que a depressão acarreta uma série de sensações encaradas como pessimistas, porém, cada pessoa encara de uma forma singular, apesar de suas características encontradas nos principais manuais de psicodiagnóstico (DSM-IV e CID 10). Ainda em sua pesquisa, Leite (2009) trouxe a fala de um colaborador que discorre a respeito dos sintomas físicos que sente, impossibilitando sua qualidade de vida: Bom, depressão pra mim no meu caso... eu nunca mais tive saúde depois que tive depressão. Eu me considero assim. Era uma pessoa saudável... era obeso, gordo, fumava muito, sedentário, mas com a depressão tirou toda a minha vontade de viver, de trabalhar. Tive período de altos e baixos, mas saúde mesmo nunca recuperei, porque... por mais que eu diga que estou bem, de repente me sinto mal (Francisco). Passar por uma depressão é algo desesperador, principalmente por impossibilitar a pessoa de suas atividades prazerosas, deixando-a isolada do seu convívio social. Velasco (2009) afirma que ninguém sabe, ao certo o que sente um depressivo, somente a pessoa que já passou pela mesma experiência. O suicídio também é uma consequência aterradora para o depressivo, pois a desesperança é uma grande aliada, deixando a pessoa sem possibilidades e sem perspectivas perante a vida, tornando-o um refém da doença.
33 45 depressivas: Velasco (2009) aponta algumas características encontradas em pessoas O depressivo despreza-se como ser humano, considera- se um zero a esquerda no convívio social e familiar, sente-se culpado injustificavelmente. A desesperança toma conta dele, deixando-o incapaz e sem vontade de viver. Isso pode levar a pessoa ao suicídio. A falta de sentido na vida para o depressivo torna-se algo aparentemente normal, a ponto de não procurarem ajuda para solucionarem a doença. Moreira (2009), afirma que a depressão é, atualmente, a forma mais comum de doença mental, aumentando a cada ano o número de pessoas com esta enfermidade. Ainda sobre a depressão, Virgínia Moreira (2007) preconiza que o objetivo maior é compreender o significado da experiência vivida da depressão no Brasil, Chile e Estados Unidos, focalizando prováveis variações culturais que possam contribuir para o seu entendimento transcultural entre 2000 a Estatisticamente foram contabilizados 72 adultos com depressão ou com registros clínicos de depressão foram submetidos a entrevistas fenomenológicas que buscaram a descrição da experiência vivida da doença. Os resultados demonstraram que, ainda que não haja alteração na sintomatologia entre os três países, a experiência vivida associada a estes sintomas varia de acordo com os distintos processos culturais subjetivos que são característicos de cada cultura. Abaixo, são apresentados alguns trechos de entrevistas com pessoas que receberam o diagnóstico de depressão e foram entrevistadas por Moreira (2009) No Brasil, Chile e Estados Unidos da América:...chorava assim por qualquer coisa, ficava sem comer, passava semanas sem comer. Ficava o tempo todo pensando em me matar e em morrer (Brasil) Eu acho que depressão... é quando alguém... (titubeia) não quer viver, não quer fazer nada, tudo parece o mesmo... (Chile) Eu não queria me levantar de manhã. A vida não valia a pena, eu queria me suicidar. Eu me levanto e penso: isso é inútil, eu não quero fazer isto... (EUA) O indivíduo com depressão não percebe seu mundo como ele realmente está disponibilizado, possui uma séria desvalorização e reconhecimento de si mesmo. Como pode ser observado pelas entrevistas dos colaboradores das pesquisas mencionadas acima, a depressão é um problema que afeta todas as dimensões do indivíduo, não podendo ser apenas descrita ou curada sem levar em consideração aspectos próprios
34 46 de cada pessoa na sua singularidade. A depressão é vivenciada não de forma coletiva, como nos oferece os manuais diagnósticos, mas sim, observando e compreendendo como é o mundo vivido pelo próprio sujeito. MOREIRA & CALLOU (2006) apresentam um artigo intitulado Fenomenologia da solidão na depressão. Nesse trabalho há a descrição de um desdobramento da pesquisa que estuda, especificamente, a solidão relacionada à depressão. Serviram de análise, entrevistas com 72 adultos (n = 30, em Fortaleza; n = 22, em Santiago; e n = 20, em Boston), com o foco na questão emergente: solidão. Objetivando aprofundar essa temática e apresentar a relação entre solidão e a depressão na experiência de vida, buscando compreender até que ponto a solidão é causa (etiologia) ou consequência (sintoma) da depressão. Todos os entrevistados possuíam o diagnóstico de depressão e a pergunta que norteou a pesquisa foi: Que relação você encontra entre o seu jeito de viver e a sua depressão? Assim, 21 entrevistas foram analisadas e os resultados foram: 1) Solidão da mulher pela ausência do marido; 2) Solidão das mulheres viúvas; 3) Solidão pela ausência de pessoas; 4) Solidão ontológica; 5) Solidão nos homens separados; 6) Solidão e os animais; 7) Solidão e o vazio interior; 8) Solidão e os amigos. Era semelhante, mas era melhor. Porque eu morava com a minha mãe, com esse meu filho; era mais gente em casa. E eu não me sentia tão só. Agora a minha mãe não tá mais morando comigo, meu filho casou-se, eu tô só como os dois filhos pequenos, aí eu me sinto assim, muito sozinha (Brasil) Doutora, é aquela vontade grande de chorar, de morrer, que na hora da depressão muito forte a gente se acha no mundo sem uma mão amiga, sem um amparo, sem uma palavra de conforto, sem nada! A gente se acha assim sozinha, olha pro lado e não vê ninguém (Brasil). Vontade, uma vontade de chorar sem ter nenhum motivo... aquela solidão, né? Não tem nenhum (motivo) e tem aquela solidão, aquela tristeza, aquela angústia... tudo aquilo ali, né? Até que quando eu choro, até que eu melhoro um pouco, alivia mais. No artigo comentado acima, ficou comprovado que a solidão é vivenciada pelos entrevistados como sendo um sintoma e não como uma causa da depressão, indo de acordo com os estudos selecionados para o presente trabalho. Um caso de bastante repercussão relacionado à depressão é o de Ellen West, utilizando a teoria de Ludwig Binswanger aplicada à psicopatologia. Descrito por
35 47 MOREIRA, CRUZ & VASCONCELOS (2005) o artigo intitulado "O caso Ellen West de Binswanger: fenomenologia clínica de uma existência inautêntica, neste trabalho, as autoras analisaram os conceitos de Umwelt, Mitwelt e Eigenwelt, bem como de corporeidade e temporalidade enquanto constitutivos de uma existência inautêntica. Ainda, buscaram compreender tais conceitos no contexto do estudo de caso de Ellen West. Ellen não se abre ao mundo; em vez de dominar a situação, ela é dominada e sua existência perde autonomia: os outros exercem uma supremacia negativa com respeito à suas decisões, e Ellen fecha-se num eu dependente, inautêntico e escravo, embora procure demonstrar auto-suficiência (p. 10) Percebe-se, em Ellen West, a falta de sentido na vida, apesar de tentar de todas as formas, demonstrar ser uma pessoa independente perante as demais pessoas. Foi possível analisar como foi difícil viver de uma forma totalmente inaltêntica. 4.6 A depressão na contemporaneidade A depressão vem ganhando espaço no cenário atual, por incapacitar milhares de pessoas em todo o mundo, causando sofrimento e, como consequência mais agravante, a morte dessas pessoas que são diagnosticadas com a doença. Pessoas que estão deixando de lado seu bem maior, a vida, para simplesmente, deixa-la passar sem que nada seja feito por eles. Vieira (2005) discorre em sua dissertação de mestrado sobre a depressão. Com o tema Depressão: experiência de pessoas que a vivenciam na pós-modernidade, a autora afirma que a conquista das ciências e das tecnologias fez aumentar o número de pessoas com doença mental a cada ano: Em uma época, em que o capitalismo e o dinheiro permeia todas as relações na sociedade ocidental, onde a velocidade da informação é imensa, e a competição é estimulada, as pessoas estão encontrado dificuldades para parar e olhar-se, refletir sobre a sua existência, individualidade e subjetividade (p. 33). Atualmente, há uma disponibilidade enorme de relacionamentos virtuais e, com muita frequência, as pessoas estão deixando de lado a experiência de estar com os outros concretamente e, principalmente, distanciam-se da realidade e de si mesmos.
36 48 Consequentemente, ocorre uma quebra de contato com as pessoas a sua volta e com eles próprios. Cada pessoa possui a capacidade de lidar com as adversidades que ocorrem em suas vidas, porém para algumas destas pessoas, tal capacidade encontra-se encoberta por diversos motivos relacionados ao seu modo de ser no mundo. A depressão surge como uma dessas adversidades, dificultando a relação deste ser humano com o mundo, seja ele circundante (relação do ser humano com o meio ambiente), humano (sua relação com os seus semelhantes) ou próprio (sua relação com ele mesmo, através da reflexão). O individualismo pode ser considerado um sintoma social, encontrando-se no cerne das várias manifestações psicopatológicas que aumentam a cada dia, tais como as desordens de alimentação, desordens de personalidade e, obviamente, a depressão. O individualismo levará à produção cultural da psicopatologia via problemas de autoestima, de instabilidade em lidar com a intimidade e com o novo, da vivência cotidiana em uma sociedade caracterizada por comportamentos condicionados por uma ideologia que perpetua as desigualdades e as exclusões sociais (VIEIRA, 2005, p. 70). Há de se concordar que o individualismo está cada vez mais evidente, distanciando as pessoas e fazendo com que a depressão ganhe seu lugar de destaque na vida dos mesmos. Cabe a cada um reconhecer que a doença necessita de tratamento e colaboração do paciente para que haja êxito na sua melhora. Moreira & Freire (2009) apontam a indiferença frente ao outro, em uma sociedade de desigualdade e exclusão social, como um fator marcante na etiologia da depressão. Assim, torna-se primordial o estudo da depressão sob uma ótica que vá além de uma mera descrição de cunho fisiológico, limitando o homem à apenas um ser que pode ser apenas descritivo, mas não compreendido. A depressão atinge, então, seu auge pelo esvaziamento de significados afetivos da vida humana, pela transformação do sistema de valores morais agora subjugados ao modelo (hiper) individualista de sociedade. Contraditoriamente, o sofrimento psíquico ligado ao vazio leva à busca incansável de intimidade, aliada a sentimentos de solidão, e muita gente acaba caindo na armadilha dos antidepressivos, já que, quanto mais se busca, menos se consegue sentir-se acompanhado, dado que se busca está no plano do idealizado, não no plano da realidade (Idem, 2009, p. 150). O mundo individualista, cercado de consumismo, da busca de prazer imediato, torna o indivíduo incapaz de suprir suas necessidades emocionais básicas e viver de forma significante consigo próprio e com o outro. Para eles, a depressão se constitui no
37 49 encarceramento do ser humano em si mesmo e isso se deu pela sua incapacidade de viver plenamente. Ainda que a depressão seja uma doença dos afetos, no seu sentido mais amplo se dá pela ordem dos desafetos, em um sistema cultural que não permite uma ética na alteridade. A sociedade contemporânea está doente dos afetos, contaminada pelas ideologias que impedem uma ética de alteridade e, portanto, adoece, despotencializa e incapacita os indivíduos a viver significativamente, e impõe a ordem do desafeto, que se transforma em depressão e em outras patologias mentais. (MOREIRA& FREIRE, 2009, p. 155). Nota-se que a depressão incapacita o indivíduo a refletir sobre suas atitudes e valores perante a vida. É importante, primeiramente, que a pessoa se reconheça como alguém que está necessitando de ajuda e precisa urgentemente ressignificar o seu modo de ver e encarar o mundo. O mundo atualmente passa por uma modificação no que está relacionado às novas tecnologias, o acesso cada vez mais rápido a notícias, amizades virtuais, relacionamentos que só existem no ambiente do computador e o aumento de possibilidades de se tornar uma pessoa popular entre os demais através das redes sociais (facebook, Orkut, twiter, Instagram, whatsapp) fazem deste ser humano uma pessoa cada vez mais distante da sua própria realidade, perdendo o contato com o sua realidade e com as pessoas que dividem o mesmo espaço físico. Pinheiro (2005) descreve que: quanto mais a cidade desenvolve possibilidades de encontro, mais sós se sentem os indivíduos; mais livres as relações se tornamemancipadas das velhas sujeições, mais rara é a possibilidade deencontrar uma relação intensa. Em toda parte encontramos asolidão, o vazio, a dificuldade de sentir (p. 77). Kremer & Hammond (2013), jornalistas, ambos correspondentes do serviço mundial da rede de televisão British Broadcasting Corporation - BBC, na matéria intitulada por que tantos jovens japoneses têm medo de sair do quarto?, na matéria são apresentadas uma nova caracterização, no Japão, de jovens vítimas do 'hikikomori' (arredio), termo utilizado para classificar as pessoas que acabam se isolando em seus quartos por anos, podendo chegar a décadas, os casos podem chegar a um milhão no país. Quanto mais tempo o hikikomori permanecer longe da sociedade, mais consciência ele terá de seu fracasso social. Ele perde qualquer autoestima e
38 50 confiança que tinha e a perspectiva de sair de casa se torna cada vez mais aterrorizante (Ibid). Segundo psiquiatras japoneses esses jovens passam anos sem sentirem vontade e ânimo para sair de casa, atravessam por uma depressão avassaladora, embora não se deem conta do que estão passando, em contrapartida, muitos até sentem vontade de mudar a realidade em que se encontram, mas não conseguem encontrar forças e motivação para mudarem este fato. Estes jovens aprisionam-se em si mesmos e em seus quartos, protelando a oportunidade iniciarem algum tipo de tratamento. Fica evidente que a convivência com o outro, na era da internet, é algo desafiador, pois dialogar pessoalmente com o outro gera certa preguiça, pois não há a possibilidade de desligar algum tipo de assunto ou atitudes que não lhe interessa, como acontece no mundo virtual. Celulares cada vez mais modernos, agregando redes sociais, música e mensagens instantâneas, tudo em um só aparelho, faz com que o ser humano não tenha curiosidade em conhecer o mundo real. Porém, o mundo virtual é cercado de pessoas também vazias, sem interesse pelas suas próprias vidas, vivenciando apenas o momento presente, que duram apenas o tempo suficiente para que surja algo que lhe roube minutos de seu tempo ao longo do dia. Teixeira (2006) apresenta três tipos de problemas que surgiram na sociedade contemporânea, iniciadas a partir da ideologia individualista está presente na cultura do narcisismo, no qual o ser humano necessita ser evidenciado, popular, bonito e inteligente, causando consequências divididas em: perda da unidade psicológica (o início é formado pela racionalização exagerada, simultânea com um esvaziamento afetivo da vivência), perda de sentido da vida (pode relacionar-se simultaneamente com fatores de natureza diferente, especificamente culturais, sociais e psicológicos) e transformação da intimidade (momento em que ocorre uma vulgarização das experiências amorosas, mais situadasno relacionamento sexual do que no envolvimento emocional e afetivo de forma significativa). É possível analisar a conduta do ser humano que convive em sociedade atualmente, cercada de falsas felicidades, sentimentos profundos sendo trocados por prazeres imediatos, cada vez mais disponíveis. Todas essas mudanças afetam a subjetividade do ser humano, lhe causando depressão.
39 51 Moreira & Freire (2009) apontam o distanciamento das relações humanas com a pós-modernidade, acarretando instantaneamente em um vazio existencial que nada preenche e, consequentemente, a depressão ganha espaço no indivíduo: A depressão na contemporaneidade significa uma incapacidade de viver significativamente, fruto de uma concepção individualista que desestimula o ser humano a pensar, a agir e a sentir coletivamente. Isto faz com que este indivíduo permaneça circunscrito em si, às voltas com o seu próprio umbigo, e, por conseguinte, no seu próprio sofrimento psíquico que, não se pode esquecer, não é pouco (p. 154). A depressão surge no momento em que o ser humano não se faz mais questionamentos sobre a sua responsabilidade como indivíduo pensante e que reflete sobre os acontecimentos á sua volta. Inicia-se um processo de encarceramento deste ser que se torna passivo diante da vida, passando a aceitar tudo sem ter certeza se é aquilo que ele deseja no momento ou não, pois não há mais sentido viver, todos os seus pensamentos tornam-se negativos, falta sempre algo que o ser humano não sabe descrever, características que são apresentadas em pacientes com depressão.
40 52 CONCLUSÃO O presente trabalho é o resultado de uma inquietação particular, pois através deste, tive o privilégio de buscar mais a fundo a verdadeira face da depressão no ser humano e, principalmente, como esta se apresenta para cada pessoa de forma singular. Foi demasiadamente importante a busca na literatura pelas características, do diagnóstico da depressão e seu tratamento das mais variadas formas, as vivências destas pessoas e principalmente poder compreender como esta doença vem se propagando tão rapidamente na contemporaneidade. Busquei dentro dos aportes respostas dos tratamentos farmacológicos para os pacientes depressivos e, nesta revisão constatei, tanto na historicidade e na questão clínica que, as substancias químicas que beneficiam o paciente, são as mesma que, apresentam efeitos colaterais similares aos sintomas apresentados pela doença, como: insônia, ausência do libido, distúrbios alimentares, fadiga etc. Sintomas esses que estavam presentes antes do tratamento. Já, na perspectiva da abordagem fenomenológica, cada pessoa acometida com a depressão experiencia a doença à sua maneira e particularidade, por este motivo, o primordial é que haja a compreensão deste ser humano, respeitando seu mundo próprio, que se encontra em conflito, não apenas com a preocupação de descrever a doença e determinar um tratamento igualitário para todas as pessoas, como prioriza a visão médica atuante na psiquiatria. Posto as duas formas terapêuticas, vislumbro e acredito na possibilidade de um tratamento onde o paciente possa ser assistido por um grupo multidisciplinar, que por um lado o método tradicional (psiquiatria descritiva) atue no diagnóstico e prescrição de medicamentos necessários para o equilíbrio físico e, por outro lado, o mesmo paciente sendo compreendido na sua totalidade com os princípios da fenomenologia (busca da sua ruptura existencial entre o "ser feliz" e o "ser triste") na participação desse paciente como co-autor de sua recuperação, exercitando a reflexão de sua historia de vida, favorecendo assim, que o mesmo possa concluir o tratamento, uma vez que, sem o
41 53 acompanhamento psicoterapêutico, esses indivíduos ao depararem com os efeitos colaterais dos medicamentos, optam por desistir. A depressão vem tirando o sorriso de milhares de pessoas ao redor do mundo, dificultando a qualidade de vida destas pessoas. Quando não é diagnosticada a tempo, acarreta sérios transtornos em todas as esferas em que a pessoa acometida pela doença está inserida, seja na esfera pessoal, social, familiar, etc. Dessa forma, é importante que se tenha um olhar acolhedor, desprovido de conceitos pré-determinados para essas pessoas que, em muitos casos, são ridicularizadas e tratadas com falta de respeito por alguns profissionais, ou não, que se apoderam do senso comum e concluem que a depressão não passa de uma frescura e que vai passar com o tempo. Esse estudo trouxe uma contribuição íntima ao meu ser, pude perceber o quão importante passa a ser a compreensão do ser humano que se encontra sem saída, sem direção, vendo sua vida passar sem sentir vontade de vivê-la e desfrutá-la ao máximo. Foi possível perceber como a vida pode ser um fardo penoso de ser carregado por todos os dias por estas pessoas que tomam a iniciativa de procurarem ajuda e mudarem a realidade em que se encontram. Imagino o quão difícil seja esta decisão e como deve ser difícil dar o primeiro passo após esta escolha tão decisiva. È admirável a atitude tomada por eles, mesmo que tenham ciência de que precisam de ajuda de medicamentos, psicoterapias ou os dois tratamentos concomitantemente. Trouxe-me também a vontade de querer ir cada vez mais longe em busca de um mundo mais humano, mais aberto a acolher quem necessita de tratamento médico ou psicológico, onde as pessoas possam ser compreendidas de acordo com as suas enfermidades e conflitos individuais sem precisarem sofrer por não serem vistas em sua totalidade.
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