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1 Acesso à Internet Este tutorial apresenta as formas de acesso a Internet disponíveis para o usuário brasileiro, e apresenta os números atuais da Internet no Brasil. (Versão revista e atualizada do tutorial original publicado em 26/11/2002). Eduardo Tude Engenheiro de Teleco (IME 78) e Mestre em Teleco (INPE 81) tendo atuado nas áreas de Redes Ópticas, Sistemas Celulares e Comunicações por Satélite. Ocupou várias posições de Direção em empresas de Teleco como VP de Operações da BMT, Diretor de Operações da Pegasus Telecom e Gerente de Planejamento Celular da Ericsson. Pioneiro no desenvolvimento de Satélites no Brasil (INPE), tem vasta experiência internacional, é detentor de uma patente na área e tem participado constantemente como palestrante em seminários. Assumiu em 2002 um novo desafio profissional como empreendedor e Presidente do Teleco. Huber Bernal Filho Engenheiro de Teleco (MAUÁ 79), tendo atuado nas áreas de Redes de Dados e Multisserviços, Sistemas Celulares e Sistemas de Supervisão e Controle. Ocupou posições de liderança na Pegasus Telecom (Gerente - Planejamento de Redes), na Compaq (Consultor - Sistemas Antifraude) e na Atech (Coordenador - Projeto Sivam). Atuou também na área de 1

2 Sistemas de Supervisão e Controle como coordenador de projetos em empresas líderes desse mercado. Tem vasta experiência internacional, tendo trabalhado em projetos de Teleco nos EUA e de Sistemas de Supervisão e Controle na Suécia. Atualmente dedica-se à Teleco e à prestação de serviços de consultoria em telecomunicações. José Luis De Souza José Luis é Engenheiro de Telecomunicações (UGF 73) com extensão em software (ICAI Madrid 1977) tendo atuado nas áreas de Comutação Pública e Privada, Operações de Telefonia Celular, Trunking, Paging, etc. Presidente da FITec, ocupou várias posições de Direção de empresas de Teleco, sendo as mais recentes as de Presidente da Daruma, Presidente da TESS (hoje Claro), VP Comercial da TESS e Diretor de Operações Comerciais da ATL (hoje Claro). Participou do desenvolvimento do Sistema Metaconta na ITT (hoje Alcatel), foi Coordenador do Projeto Trópico no CPqD, desenvolveu produtos nas áreas de automação e comutação como Diretor de Tecnologia da Avel e da Batik, participou da criação da empresa Radiolink de Trunking de Paging, como Diretor Técnico da Itatel. Desde 1992 participa ativamente como membro dos conselhos da Telexpo e Futurecom, além de Coordenar e Proferir palestras nestes e outros congressos internacionais. È membro do Conselho de Administração da Telebrasil da qual foi o primeiro Presidente do Conselho Consultivo. Assumiu em 2002 um novo desafio profissional como empreendedor e Diretor do Teleco. Categorias: Banda Larga, Regulamentação Nível: Introdutório Enfoque: Técnico Duração: 15 minutos Publicado em: 16/04/2007 2

3 Internet: Acesso O acesso pessoal à Internet na residência ou em uma pequena empresa ocorre através de um Provedor de Acesso a Serviços Internet (PASI). O PASI tem a função de conectar um computador (PC) à Internet permitindo a navegação na World Wide Web e acesso a serviços como envio e recebimento de . Para utilizar estes serviços, o usuário precisa primeiro acessar o PASI. Há duas formas de acesso: Acesso discado Esta conexão é feita, na maior parte dos casos, através das operadoras de telefonia fixa (operadoras do Serviço Telefônico Fixo Comutado STFC) na forma de uma ligação telefônica. O usuário origina uma chamada telefônica destinada ao PASI, utilizando o modem do seu computador. Ao receber esta chamada, através de um modem, o PASI inicia a troca de informações o computador e estabelece uma conexão em protocolo IP. Este tipo de conexão é chamada de acesso discado e permite a comunicação via modem entre computador do usuário e o PASI, enquanto durar a ligação telefônica. Esta comunicação está limitada a taxas de 56 Kbit/s. Acesso Banda Larga Existem alternativas para prover a conexão entre usuário e PASI que buscam estabelecer uma conexão permanente (always on) e com taxas maiores de comunicação de dados. O serviço é pago com uma taxa única independentemente do tempo e número de conexões. Esses serviços são conhecidos como acesso Banda Larga. As principais são: ADSL, implementado pelas operadoras de STFC; Cable Modem, implementado pelas operadoras de TV a cabo; Acesso wireless via redes celulares, ou rádios em sistemas multiponto (Wi-Fi, Wimax, etc.); Banda Larga via satélite. 3

4 Internet: Acesso Discado No acesso discado à Internet, o usuário está se relacionando com duas entidades: a operadora de telefonia (STFC) e o Provedor de Acesso a Serviços Internet (PASI), considerado um provedor de serviço de valor adicionado. O custo de acesso à Internet tem, portanto, dois componentes: Custo da ligação telefônica, que pode ser cobrado por tempo de conexão em minutos de acordo com o plano de serviço da operadora, ou por valor fixo mensal, no plano conhecido como Internet ilimitada, que não tem contagem de tempo de conexão; Custo do provedor de acesso, em geral um valor fixo independente da utilização ou igual a zero no caso de provedores de Internet Grátis. Com o início da cobrança das chamadas locais em minutos, em substituição à antiga cobrança por pulsos, foram estabelecidos 2 planos de serviço de oferta obrigatória: Plano Básico - PB (minutos): destina-se a usuários que efetuam ligações de menor duração (até 3 minutos, em média), cujo valor de minuto equivalente a cerca de 2/3 do valor do pulso, e que nessas condições equivale ao antigo plano básico por pulso; Plano Alternativo - PASOO (minutos): destina-se a usuários que efetuam ligações de maior duração (maiores que 3 minutos em média), cujo valor de minuto equivale a cerca de 1/4 do valor do pulso, e que nessa condições torna-se mais vantajoso para o acesso a Internet em horário normal cobrado por tempo de conexão. Dependendo da utilização e do plano contratado, o componente custo da ligação telefônica cobrado por tempo de conexão pode se tornar o item preponderante no custo total de acesso à Internet. Vale lembrar de que se tratam de ligações telefônicas de elevada duração. Por isso é tão importante que o acesso seja feito por chamada local sempre que o PASI tiver um ponto de presença na mesma área local (cidade) do usuário. O custo de uma ligação telefônica local é medido em minutos e varia com o dia da semana e o horário da ligação. 4

5 Horário Segunda a Sexta Sábados Domingos e Feriados Nacionais Normal 6h-0h 6h-14h - Tarifa Reduzida 0h-6h 0h-6h 14h-0h dia todo Custo da Ligação Telefônica PB: 0,5 min.: quando a chamada for atendida; a cada 6 seg. durante tempo adicional de utilização (total - 0,5 min.). PASOO: 4 min.: quando a chamada for atendida; a cada 6 seg. durante o tempo total de utilização. PB: 2 min. por chamada, independente do tempo de utilização. PASOO: 4 min. por chamada, independente do tempo de utilização. A tabela a seguir apresenta uma simulação dos valores pagos pelo usuário (R$) para um valor de minuto de R$ 0,07 no PB, e R$ 0,025 no PASOO. Duração da Conexão Horário Normal Horário de Tarifa Reduzida PB PASOO PB PASOO 4 0,32 0,20 0,14 0, ,14 0,85 0,14 0, ,24 1,60 0,14 0,10 60 minutos durante 30 dias 127,05 48,00 4,20 3,00 Estes valores são válidos se o PASI dispõe de um Ponto de Presença com um número local, na localidade em que está o usuário. Caso contrário, o usuário precisará fazer uma ligação de longa distância. Longa Distância Neste caso, o custo mensal de conexões diárias à Internet pode chegar à casa de centenas de reais nos horários de tarifa normal. Para o uso no horário de 00:00 a 06:00 os custos ainda são acessíveis apesar de passar a ter o custo variável com o tempo de utilização. Para uma conexão diária de 60 minutos o custo mensal pode variar dependendo da operadora e da distância de R$ 5,00 a R$ 70,00. Os custos se elevam, principalmente, em pequenas cidades com menos de habitantes, onde os PASI não possuem pontos de presença. 5

6 Comentários sobre Operadoras de STFC e PASIs Muitas operadoras de STFC são hoje proprietárias de provedores de acesso a serviços Internet. Podem, desta forma, oferecer acesso grátis à Internet e ter como fonte de receitas aquelas provenientes das ligações telefônicas. Os provedores de acesso a serviços Internet se consideram submetidos a uma situação de concorrência desigual. Algumas operadoras de STFC já cursam o tráfego destinado aos PASI de modo diferente das ligações telefônicas de voz. Este tráfego é desviado para redes IP que se conectam aos PASI. Existe uma situação particular, durante o horário de tarifa reduzida, em que a operadora de STFC do assinante paga mais de interconexão para a operadora à qual está conectada o PASI, do que o que recebe do assinante. Isto ocorre porque enquanto o usuário paga apenas o valor de dois minutos no PB ou 4 minutos no PASOO, independentemente da duração da conexão, a sua operadora continua remunerando a outra com tarifas de uso de rede associadas ao tempo de utilização da rede. Toda esta situação de desequilíbrio que acaba por não satisfazer a usuários, operadoras e PASIs, está sendo revista pela ANATEL. 6

7 Internet: Acesso Banda Larga No acesso banda larga à Internet, o usuário também está se relacionando com duas entidades: a operadora de serviço de comunicação multimídia (SCM) e o Provedor de Acesso a Serviços Internet (PASI), que em alguns casos pode ser a própria operadora SCM. Os diversos tipos de acesso Banda Larga são apresentados a seguir. Mais detalhes sobre os serviços banda larga podem ser encontrados no tutorial Meios de Acesso à Internet. Acesso ADSL O acesso ADSL é feito através de uma operadora de serviços de telefonia fixa, que também tem licença SCM para esses serviços, e que usa sua rede de acesso para fornecer a conexão de banda larga, conforme ilustra a figura a seguir. O acesso a Internet é feito através de um PASI escolhido pelo usuário, e que deve ter interconexão com a operadora de telefonia fixa local. O serviços oferecido é do tipo conexão permanente (always on) e tem taxas de comunicação de dados que variam de 128 kbit/s a 10 Mbit/s. O usuário normalmente paga pelo serviço ADSL para a operadora de telefonia fixa, e pelo serviço de acesso a Internet para o PASI. Apesar de algumas operadoras estipularem uma franquia ou limite máximo de consumo mensal em bytes (quantidade de bytes transferidos pelo usuário em downloads ou acesso a sites) incluído no valor do serviço e um valor adicional caso o limite seja ultrapassado, normalmente os valores praticados são suficientes para os usuários típicos de cada plano. Acesso Cable Modem O acesso Cable Modem é feito através de uma operadora de serviços de TV por Assinatura, que também tem licença SCM para esses serviços, e que usa sua rede de TV a cabo para fornecer a conexão de banda larga, conforme ilustra a figura a seguir. 7

8 O acesso a Internet é feito através da própria operadora de TV a cabo, se for um PASI também, ou através de um dos PASI que tenha interconexão com essa operadora. O serviços oferecido é do tipo conexão permanente (always on) e tem taxas de comunicação de dados que variam de 128 kbit/s a 8 Mbit/s. Se a operadora de TV por assinatura for também o PASI, o usuário paga para essa operadora por todo serviço de acesso a Internet. Caso o PASI seja uma outra operadora, o usuário para pelo serviço cable mode para a operadora de TV por Assinatura, e pelo serviço de acesso a Internet para o PASI. Acesso Rádio e Satélite O acesso Rádio é feito através de uma operadora de serviços SCM que usa sua rede Rádio para fornecer a conexão de banda larga, conforme ilustra a figura a seguir. O acesso Rádio pode ser fornecido através de operadoras que utilizam as seguintes tecnologias: Rede Celular: as operadoras de Telefonia Celular também oferecem serviços de acesso banda larga através das tecnologias 2,5G e 3G implementadas em suas redes; Wi-Fi: são operadoras que normalmente estão presentes em locais públicos de grande acesso, tais como aeroportos, cybercafés, shoppings, etc., e que oferecem o serviço banda larga principalmente para usuários de notebooks ou pdas; Wimax: são operadoras que estão usando a nova tecnologia de rádios em sistemas mutliponto como alternativa aos serviços ADSL ou Cable Modem nos grandes centros urbanos, ou para oferecer o serviço de banda larga em locais onde exista pouca ou nenhuma oferta desse serviços (pequenas localidades ou áreas rurais, por exemplo). Existem operadoras que usam tecnologias pré-wimax para 8

9 a oferta de serviços banda larga, e que estão migrando também para a nova tecnologia. O acesso a Internet é feito através da própria operadora de Rádio, se for um PASI também, ou através de um dos PASI que tenha interconexão com essa operadora. O serviços oferecido é do tipo conexão permanente (always on) e tem taxas de comunicação de dados que podem variar de 128 kbit/s a 622 Mbit/s (esta última quando do uso de rádios digitais). Se a operadora de Rádio for também o PASI, o usuário paga para essa operadora por todo serviço de acesso a Internet. Caso o PASI seja uma outra operadora, o usuário para pelo serviço de acesso banda larga para a operadora de de Rádio, e pelo serviço de acesso a Internet para o PASI. O acesso Satélite é similar ao acesso Rádio. O usuário contrata o serviços de uma operadora de acesso Satélite e recebe um dispositivo que faz a comunicação com o Satélite da operadora e pode acessar a Internet através dessa operadora, se ela mesma for o PASI, ou através de um dos PASI que tenha interconexão com essa operadora. As taxas de transmissão de dados variam de 200 kbit/s até 600 kbits/s, e a forma de pagamento dos serviços é similar ao acesso Rádio. 9

10 Internet: Considerações Finais Apresentou-se o quadro atual de alternativas de acesso à Internet no Brasil com ênfase no acesso discado e de banda larga para uso de residencial e de pequenas ou médias empresas. Não foram abordados os casos particulares de grandes empresas, que podem ter soluções particulares e distintas das apresentadas, dependendo do porte ou de suas características de uso desses serviços. O acesso a Internet no Brasil, assim como no resto do mundo, tem se intensificado nos últimos anos e o uso de conexão banda larga já está próximo de 50% dos acessos domiciliares existentes, segundo o PNAD Existe uma tendência clara de aumento expressivo do número de acessos banda larga, seja no âmbito residencial, ou nas pequenas e médias empresas. Além disso, os próprios governos, em nível federal e mesmo estadual e municipal, têm procurado implementar soluções de acesso a um número crescente de localidades, oferecendo esses serviços para órgão públicos, escolas, telecentros e, em alguns casos, até mesmo para uso residencial local através de soluções baseadas nas novas redes Wimax. O número de usuários domiciliares de Internet ativos no Brasil em março/07 era 16,2 milhões, e o número de usuários com acesso a Internet era 25 milhões. Apesar do crescimento do acesso a Internet, o perfil dos seus usuários (idade média de 28,1 anos, número médio de anos de estudos 10,7 anos, e rendimento médio mensal domiciliar per capita de R$ 1.000) indicado no PNAD 2005 ainda sugere que a inclusão digital ainda tem um longo caminho a percorrer, para permitir de fato o acesso generalizado da população de menor renda. De qualquer forma, os órgãos reguladores, os governos, os fabricantes e as operadoras têm trabalhado no sentido de buscar soluções que permitam que um número crescente de pessoas no mundo possam ter acesso a Internet, com ações integradas que busquem facilitar o crescimento desses serviços. Essas mesmas ações, segundo as características e o contexto próprios do Brasil, tem sido praticadas e poderão ter resultados positivos que permitam aumentar a inclusão digital e social no país. Para um acompanhamento mais atualizado dos dados no Brasil, acesse Internet Brasil. Referências Seções Teleco Banda Larga e VoIP Tutoriais Teleco ADSL (Speedy, Velox, Turbo) ADSL2 e ADLS2+: Os Novos Padrões do ADSL Internet no Brasil Meios de Acesso à Internet 10

11 Internet: Teste seu Entendimento 1. O acesso discado está limitado a: 28,8 Kbits/s. 56 Kbits/s. 128 Kbits/s. 2. Assinale a alternativa correta: A velocidade de acesso à Internet só depende da taxa entre usuário e provedor. O acesso discado ao Provedor de Acesso a Serviços Internet (PASI) se dá através da Internet. O acesso à Internet pode ser feito através de operadoras de SCM, normalmente usando conexões de banda larga. Não é possível acesso a Internet sem utilizar as operadoras de STFC. 3. Assinale a alternativa que representa um acesso de banda larga: Acesso ADSL Acesso Cable Modem Acesso Rádio Acesso Satélite Todas as anteriores 11

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