LOCAL: RUA MANOEL JOSÉ PIRES, S.N. AMÉRICO BRASILIENSE S.P. PROPRIETÁRIO: PREFEITURA MUNICIPAL DE AMÉRICO BRASILIENSE S.P.

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1 OBJETO: LAUDO TÉCNICO DE VISTORIA DAS CONDIÇÕES FÍSICAS DA ESTRUTURA DE COBERTURA DE ÁREA IDENTIFICADA COMO REFEITÓRIO DA C.E.R. LEILA L. D. T. PIZZA DURANTE LOCAL: RUA MANOEL JOSÉ PIRES, S.N. AMÉRICO BRASILIENSE S.P. PROPRIETÁRIO: PREFEITURA MUNICIPAL DE AMÉRICO BRASILIENSE S.P. SOLICITANTE: PREFEITURA MUNICIPAL DE AMÉRICO BRASILIENSE S.P. SUMÁRIO: 1. CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES 2. VISTORIA DO LOCAL 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS CREA-SP Página 1

2 1. CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES O presente trabalho tem por objetivo apurar as condições físicas da estrutura de madeira de cobertura da área identificada como refeitório da C.E.R. Leila L. D. T. Pizza Durante, de propriedade da Prefeitura Municipal de Américo Brasiliense S.P.. A solicitante é a própria Prefeitura Municipal de Américo Brasiliense, após a interdição parcial da referida creche em função de inspeção realizada por equipe técnica da mesma à partir da observação de deslocamentos excessivos visíveis a olho nú nas estruturas, objeto deste laudo. A estrutura é constituída de treliças de madeira serrada com madeiramento complementar em madeira serrada e cobertura com telhas cerâmicas tipo romana, com declividade aproximada de 37%. A área construída coberta pela referida estrutura de madeira tem aproximadamente 81 m² (oitenta e um metros quadrados). CREA-SP Página 2

3 2. VISTORIA DO LOCAL Para a confecção do presente Laudo houve acesso a todas as áreas da C.E.R. Leila L. D. T. Pizza Durante, tendo sido concentrados os trabalhos na região identificada no ítem anterior como refeitório, além de acesso a cópia do projeto arquitetônico da referida C.E.R., em formato digital, do arquivo da Prefeitura Municipal de Américo Brasiliense. Não são disponibilizados pelos responsáveis pela construção o projeto estrutural da referida estrutura de cobertura, bem como seus memoriais de cálculo e de construção, assim como não são disponíveis maiores informações sobre controle tecnológico dos materiais utilizados na sua execução, tais como madeiras (espécies, propriedades de resistências, tratamentos preservativos empregados), elementos de ligação (parafusos, pregos e chapas), e telhas e complementos cerâmicos. A vistoria foi realizada no dia 22 de março de 2013 (10h às 12h), compostas por verificações do estado geral das estruturas de cobertura, verificações das condições gerais do material componente das referidas estruturas (madeiramento propriamente dito, elementos de ligação e telhas), sendo apresentado, nas folhas seguintes, levantamento fotográfico dos principais problemas constatados. Convém evidenciar que não se trata de verificação estrutural da estrutura de cobertura referenciada, e sim verificação das condições de uso da mesma, cujo resultado da vistoria é apresentado ao final. As estruturas de madeira principais, denominadas treliças, são confeccionadas com peças de madeira serrada, com as seguintes dimensões nominais de suas seções transversais: banzos inferiores 4,5 cm x 20 cm; banzos superiores 4,5 cm x 18 cm; montantes: 2 cm x 12 cm ; diagonais: 4,5 cm x 10 cm; vigas (terças e frechal): 4,0 cm x 10 cm; caibros: 4 cm x 4,5 cm; ripas 1,25 x 5 cm. As estruturas de madeira principais serão denominadas como T1, T2, T3 e T4, respectivamente posicionadas na parte frontal do refeitório (T1), áreas intermediárias do refeitório (T2 e T3), parte posterior do refeitório (T4), treliças de apoio do espigao na parte posterior do refeitório (T5 e T6), e treliça transversal na parte posterior do refeitório (T7). CREA-SP Página 3

4 2.1. vista frontal direita de elementos constituintes da cobertura evidenciando a ligação/fixação de peça da estrutura (terça de frechal) da treliça T1 com estrutura antiga; a referida fixação não permite estabilidade integral à terça 2.2. vista frontal esquerda de elementos constituintes da cobertura evidenciando a ligação/fixação de peças das estruturas (terça de frechal e interna) da treliça T1 com estrutura antiga; a referida fixação não permite estabilidade integral às terças CREA-SP Página 4

5 2.3. vista geral do conjunto estrutural evidenciando a ocorrência de esquemas estruturais inadequados e deslocamentos verticais na última estrutura transversal (T4) 2.4. vista geral da treliça T1, evidenciando-se a falta de montante e diagonal sob a posição de apoio da viga-terça CREA-SP Página 5

6 2.5. vista geral da região do apoio direito da treliça T1, em cômodo adjacente à área do refeitório (serviço), evidenciando-se, pela ruptura da argamassa de revestimento da alvenaria, bem como pelas trincas desta última, o deslocamento horizontal da referida treliça 2.6. vista geral da treliça T1, evidenciando-se a falta de montante e diagonal sob a posição de apoio da viga-terça CREA-SP Página 6

7 2.7. vista da ligação entre banzo inferior-montante central-diagonais da treliça T1, evidenciando-se ínicio de deslocamento da ligação da diagonal à direita (encaixe) 2.8. vista geral da treliça T1, evidenciando-se a falta de montante e diagonal sob a posição de apoio da viga-terça, bem como início de deslocamento horizontal/escorregamento da estrutura na região do apoio CREA-SP Página 7

8 2.9. vista geral da região do apoio esquerdo da treliça T1, evidenciando-se a falta de encaixe da ligação banzo superior-banzo inferior, provocando deslocamento horizontal/escorregamento entre as seções vista geral da treliça T1, evidenciando-se a flambagem do contraventamento entre T1 e terça de cumeeira CREA-SP Página 8

9 2.11. vista geral da treliça T2, evidenciando-se a flambagem global da mesma (deslocamento do banzo inferior vista da ligação entre banzo inferior-montante central-diagonais da treliça T2, evidenciando-se ínicio de deslocamento da ligação da diagonal à direita (encaixe) CREA-SP Página 9

10 2.13. vista da ligação entre banzo inferior-montante central-diagonais da treliça T2, evidenciando-se ínicio de deslocamento da ligação da diagonal à direita (encaixe) vista geral da região do apoio esquerdo da treliça T2, evidenciando-se a falta de encaixe da ligação banzo superior-banzo inferior, provocando deslocamento horizontal/escorregamento entre as seções CREA-SP Página 10

11 2.15. vista geral da região do apoio de terça na treliça T2, evidenciando-se a falta de montante e diagonal nesta região, bem como o deslocamento horizontal da referida treliça (afastamento entre terça e calço) vista geral da emenda do banzo inferior da treliça T3, evidenciando-se o afastamento entre as peças (abertura) por deslocamento horizontal CREA-SP Página 11

12 2.17. vista geral da emenda do banzo inferior da treliça T3, evidenciando-se o afastamento entre as peças (abertura) por deslocamento horizontal vista geral da região do apoio esquerdo da treliça T3, evidenciando-se a falta de encaixe da ligação banzo superior-banzo inferior, provocando deslocamento horizontal/escorregamento entre as seções CREA-SP Página 12

13 2.19. vista geral da treliça T3, evidenciando-se a falta de montante e diagonal sob a posição de apoio da viga-terça, bem como a abertura das peças no entalhe de ligação do banzo inferior vista geral das treliças T3 e T4, evidenciando-se a falta de montantes e diagonais sob a posição de apoio da viga-terça CREA-SP Página 13

14 2.21. vista geral da treliça T3, evidenciando-se a falta de montante e diagonal sob a posição de apoio da viga-terça vista geral da região do apoio esquerdo da treliça T3, evidenciando-se a falta de encaixe da ligação banzo superior-banzo inferior, provocando deslocamento horizontal/escorregamento entre as seções CREA-SP Página 14

15 2.23. vista geral da emenda do banzo inferior da treliça T4, evidenciando-se o afastamento entre as peças (abertura) por deslocamento horizontal e por flexão vista geral da treliça T4, evidenciando-se a falta de montante e diagonal sob a posição de apoio da viga-terça CREA-SP Página 15

16 2.25. vista geral da região do apoio direito da treliça T4, evidenciando-se a falta de encaixe entre as peças dos banzos superior e inferior, com deslocamento horizontal/escorregamento da estrutura na região do apoio vista geral da região do apoio esquerdo da treliça T4, evidenciando-se a falta de encaixe entre as peças dos banzos superior e inferior, com deslocamento horizontal/escorregamento da estrutura na região do apoio CREA-SP Página 16

17 2.27. vista inferior da ligação entre T4 e T7, evidenciando-se o deslocamento horizontal da primeira à direita por falta de contraventamento vertical vista da região de apoio da treliça T6, evidenciando-se a falta de encaixe e consequente ligação entre as peças (banzo superior e banzo inferior), provocando o escorregamento horizontal da segunda, além do início de deslocamento do elemento metálico de ligação da treliça T4 CREA-SP Página 17

18 2.29. vista da região de apoio das treliças T5, T6 e T7, evidenciando-se a falta de encaixes e consequente ligação entre as peças (banzos superiores e banzos inferiores), provocando o escorregamento horizontal das segundas, além do início de deslocamento do elemento metálico de ligação da treliça T vista da região de apoio das treliças T4 e T5, evidenciando-se a falta de encaixe e consequente ligação entre as peças (banzo superior e banzo inferior), provocando o escorregamento horizontal da segunda, além do início de deslocamento do elemento metálico de ligação da treliça T4 CREA-SP Página 18

19 2.31. vista da região de apoio do espigão direito, e término/ligação da terça, evidenciando-se a perda de estabilidade das mesmas por flambagem lateral (subdimensionamento e/ou falta de travamento) bem como deslocamento da treliça T vista da região de apoio entre espigão direito e terça, evidenciando-se afastamento das peças e a perda de estabilidade das mesmas por flambagem lateral (subdimensionamento e/ou falta de travamento) bem como deslocamento da treliça T4 CREA-SP Página 19

20 2.33. vista da treliça T5, evidenciando-se o apoio inadequado entre terça e montante desta vista da treliça T5, evidenciando-se a flambagem global da estrutura (deslocamento vertical, por subdimensionamento e/ou falta de contraventamento lateral CREA-SP Página 20

21 2.35. vista da região de apoio entre terça de cumeeira da treliça T4, apoio do banzo superior da treliça T7 e terças de espigão, evidenciando-se o balanço excessivo da terça em função das ações dos espigões vista geral da treliça T4, evidenciando-se o deslocamento lateral do banzo inferior da mesma, provocando abertura e afastamento da chapa de ligação com a treliça T7 CREA-SP Página 21

22 2.37. vista geral da treliça T6, evidenciando-se os apoios inadequados das terças, descaracterizando a geometria estrutural da mesma vista geral da região dos espigões, evidenciando-se a perda de estabilidade lateral da treliça T6, além da falta de apoio para as terças na treliça T7 CREA-SP Página 22

23 2.39. vista da região de ligação entre banzo inferior-montante-diagonais da treliça T5, totalmente inadequada, provocando deslocamento horizontal e afastamento entre chapa de ligação e madeira, além de aberturas entre as peças vista da região de apoio das treliças T5, T6 e T7, evidenciando-se o deslocamento do elemento metálico de ligação da treliça T7 pelo escorregamento/deslizamento entre peças CREA-SP Página 23

24 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS 3.1. Considerações sobre o material empregado: Como pode ser evidenciado pelas várias imagens apresentadas anteriormente, a madeira empregada na confecção da estrutura de cobertura encontra-se em bom estado de conservação, sem a evidência da ocorrência de patologias, apesar de não estarem disponíveis informações seguras sobre a origem do material bem como a identificação das espécies de madeira empregadas, além de não haver nenhuma indicação de tratamento preservativo destes materiais, o que seria altamente recomendável Considerações sobre o cálculo estrutural e respectivos memoriais de cálculo e descritivo: Não foram disponibilizados pelo responsável pela execução os memoriais de cálculo e descritivo da estrutura de cobertura, porém, apenas pela inspeção visual objeto deste Laudo Técnico, pode-se afirmar que trata-se de estrutura feita sem cálculo estrutural, acompanhando-se a geometria de estrutura mais antiga existente, já que algumas configurações estruturais não atendem as características de um projeto bem elaborado Considerações sobre o estado geral da estrutura de cobertura: Pode-se afirmar que a estrutura foi mal executada em alguns aspectos, principalmente pela falta de encaixes entre os banzos superiores e inferiores de todas as estruturas, provavelmente sem qualquer orientação técnica neste sentido, como pode ser evidenciado pelas várias imagens apresentadas anteriormente, destacando-se os deslocamentos verticais excessivos das treliças e vigas (terças), deslocamentos laterais excessivos das treliças e vigas (terças), falta de contraventamento em alguns casos, falta de apoios adequados para as terças, oferecendo risco de ruptura parcial e/ou global Considerações quanto ao uso da estrutura: Em função dos aspectos levantados nos itens anteriores, sugiro:. a interdição total da área coberta pela estrutura objeto deste Laudo Técnico (já parcialmente providenciada);. a imediata retirada de telhas e a desmontagem propriamente dita da estrutura de cobertura objeto deste Laudo Técnico; CREA-SP Página 24

25 . a vistoria das condições das demais estruturas de cobertura das demais áreas da Creche Primavera, não objetos deste Laudo Técnico, a fim de preservar-se as condições de segurança do imóvel de uma maneira geral;. a elaboração de novo projeto para a estrutura de cobertura da área objeto deste Laudo Técnico, de acordo com as indicações da NBR-7190/77 Projetos de Estruturas de Madeira, deixando-se claro que o material empregado nesta primeira construção poderá ser reaproveitado para esta nova etapa construtiva, já que trata-se de material de boa qualidade. São Carlos, 30 de março de 2013 Engenheiro Civil Osmar Barros Júnior CREA-SP nº CREA-SP Página 25

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