A MULTA DO ARTIGO 475-J: ALGUMAS QUESTÕES. 1

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "A MULTA DO ARTIGO 475-J: ALGUMAS QUESTÕES. 1"

Transcrição

1 A MULTA DO ARTIGO 475-J: ALGUMAS QUESTÕES. Valternei Melo de Souza Advogado Professor convidado da Academia Brasileira de Direito Processual Civil Mestre em Direito pela PUC/RS Historiador. Introdução. 2. A utilização de multas como instrumentos para se alcançar o resultado do processo. 3. A multa do artigo 475-J do Código de Processo Civil. 3.. A natureza da multa do artigo 475-J Crítica à adoção de percentual fixo Execução provisória da sentença e da multa. 4. Considerações finais. 5. Bibliografia.. Introdução Escreveu Giovanni Verde que não existem caracteres imutáveis e universalmente válidos no âmbito do processo, que, por tal motivo, deve ser visto como um fenômeno historicamente determinado 2. Partindo de tal compreensão da matéria, não há como deixar de constatar que o processo civil, como técnica para a realização do direito, não pode permanecer intocado e indiferente às mudanças sociais, culturais e científicas que ocorrem ao longo do tempo. Entre o Direito e a História há, indubitavelmente, uma vinculação inegável, a ponto de se poder dizer que o Direito é a história congelada. 3 O vigente Código de Processo Civil brasileiro, obra de Alfredo Buzaid, discípulo de Liebman, foi concebido à luz dos valores e elementos ideológicos próprios de seu tempo, os quais são diferentes daqueles que hoje (principalmente após a Constituição Federal de 988) caracterizam os anseios da sociedade e, em boa medida, o discurso dos juristas. Hodiernamente, a tônica está fulcrada na busca da construção de Texto originariamente publicado na obra Instrumentos de Coerção e outros temas de Direito Processual Civil, escrita em homenagem aos 25 anos de docência do Professor Araken de Assis (Editora Forense, 2007). 2 VERDE, Giovanni. Profili del processo civile. 4ª ed., Napoli:Jovene Editore, 994, p FRIEDRICH, Carl J. Perspectiva histórica da Filosofia do Direito. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 965, p. 253.

2 um processo capaz de ser realmente efetivo, ou seja, capaz de permitir a realização do Direito da melhor forma possível (e o mais brevemente possível). E é por esse motivo que, na busca pela tão acalentada efetividade do processo, o legislador tem realizado inúmeras modificações na sistemática procedimental vigente no Direito brasileiro. Vive-se, como se sabe, há mais de uma década sob o clima das reformas legislativas, sendo que algumas das modificações efetivamente foram importantes (tais como a positivação da antecipação de tutela ou da tutela específica dos artigos 46 e 46-A), não logrando outras, contudo, alcançar maiores benefícios. Com a entrada em vigor da Lei Federal nº..232 de 2005, modificou-se a estrutura procedimental do processo civil brasileiro 4. De um modelo que ainda tinha por característica principal a separação entre a cognição e a execução (não obstante as inúmeras possibilidades de efetivação de medidas fora do processo de execução propriamente dito), passou, agora, a um modelo caracterizado pelo sincretismo entre o conhecer (cognitio) e o executar (executio). Tudo, agora, se desenvolve num único processo, embora se possa fazer uma clara distinção entre as fases, as quais possuem peculiaridades próprias impossíveis de ser confundidas. A fusão dos processos de conhecimento e execução, é bem verdade, já havia ocorrido no que diz respeito às obrigações de fazer, não fazer e entrega de coisa, como se depreende da leitura dos artigos 46 e 46-A, com seus respectivos parágrafos. Em razão disso, viveu-se no Brasil, durante certo tempo e até a entrada em vigor da Lei Federal nº..232 de 2005, na presença de duas sistemáticas para o cumprimento das sentenças, como bem destacou Guilherme Rizzo Amaral em artigo em que analisou o Projeto de Lei nº de 2004, o qual resultou posteriormente na Lei de Cumprimento de Sentença. 5 4 Com importantes aportes críticos sobre a estrutura procedimental adotada no Brasil, e respectivas vinculações ideológicas com o paradigma racionalista, ver SILVA, Ovídio Araújo Baptista da. Processo e Ideologia. Rio de Janeiro: Forense, AMARAL, Guilherme Rizzo. Técnicas de tutela e o cumprimento da sentença no Projeto de Lei 3.253/04: uma análise crítica da reforma do Processo Civil brasileiro. In AMARAL, Guilherme Rizzo; CARPENA, Márcio Louzada (coord.). Visões críticas do Processo Civil brasileiro: uma homenagem ao Prof. Dr. José Maria Rosa Tesheiner. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2005, p. 25 e segs. 2

3 A modificação que ora se encontra em pleno vigor é a toda evidência salutar e deve ser bem recebida, tanto pela doutrina quanto pela jurisprudência, em que pese o fato de, ao fim, não ser capaz de resolver o problema da execução por quantia certa, qual seja, a efetiva localização de bens capazes de garantir ou assegurar o pagamento devido. Essa, aliás, é a procedente crítica de Araken de Assis, quando assevera que reformas cosméticas, limitadas a aperfeiçoamentos da verba legislativa, nada resolverão neste contexto. 6 O presente estudo não tem por finalidade analisar a modificação operada na estrutura do processo, tendo por escopo apenas sugerir algumas reflexões sobre questão específica, qual seja, o novo artigo 475-J 7 do Código de Processo Civil, contendo, na sua parte final, a previsão da incidência de uma multa em desfavor daquele contra quem a sentença foi proferida na hipótese de não haver o pagamento espontâneo do débito dentro do prazo fixado em lei para tanto. Com efeito, segundo a dicção conferida pelo legislador da reforma ao mencionado dispositivo, caso o devedor condenado ao pagamento de quantia certa ou já fixada em liquidação não o efetue no prazo de quinze dias, o valor imposto na sentença será, automaticamente, acrescido do correspondente ao percentual de dez por cento. O comando, no entanto, suscita ao intérprete e aplicador do direito algumas dúvidas e, certamente, será objeto de controvérsias tanto na doutrina, quanto na jurisprudência. Este modesto estudo, nessa perspectiva, tem por objetivo contribuir para o debate. 2. A utilização de multas como instrumentos para se alcançar o resultado do processo Como bem refere José Miguel Garcia Medina, embora a doutrina por vezes mencione a manus injectio do Direito romano como um exemplo de medida de 6 ASSIS, Araken de. Cumprimento da sentença.rio de Janeiro: Forense, 2006, p Caso o devedor, condenado ao pagamento de quantia certa ou já fixada em liquidação, não o efetue no prazo de quinze dias, o montante da condenação será acrescido de multa no percentual de dez por cento e, a requerimento do credor e observado o disposto no art. 64, inciso II, desta Lei, expedir-se-á mandado de penhora e avaliação. 3

4 coerção que visava a compelir o devedor ao cumprimento da sua obrigação 8, na verdade tal medida tinha natureza privada e penal, não podendo a rigor ser equiparada às diversas técnicas e medidas de coerção que o Direito moderno utiliza com o escopo de obter o cumprimento de um comando judicial 9. Como ensina Araken de Assis, a manus injectio é o mais antigo dos meios executórios institucionalizado pelo Direito romano, e se caracterizava pelo emprego da força contra o próprio obrigado. 0 Com efeito, a manus injectio romana poderia resultar na prisão do devedor ou até mesmo na sua morte e, em razão de tais conseqüências, os devedores por certo que se sentiam compelidos a cumprir suas obrigações. Todavia a satisfação do direito do credor não se dava por intermédio do patrimônio do devedor, motivo pelo 8 Esse é o entendimento adotado por Eduardo Talamini, que assevera que à parte seus resquícios de autotutela e sua grande carga de mero castigo, a manus iniectio tinha nítida função coercitiva. TALAMINI, Eduardo. Tutela relativa aos deveres de fazer e não fazer e sua extensão aos deveres de entrega de coisa (CPC, arts. 46 e 46-A; CDC, art. 84). 2ª ed., São Paulo: Revista dos Tribunais, 2003, p MEDINA, José Miguel Garcia. Execução civil. Princípios fundamentais. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2002, p ASSIS, Araken de. Manual do Processo de Execução. 8ª ed., São Paulo: Revista dos Tribunais, 2002, p. 28. Enrico Allorio, a propósito, escreveu: Los orígenes de la ejecución romana hay que buscarlos en la autotutela. La responsabilidad corporal (única forma de responsabilidad en la edad arcaica) se actuó en los modos de la manus iniectio: la cual, no sólo debió ocurrir, al principio, sin intervención del órgano estatal, sino que no tuvo por presupuesto la previa declaración de certeza de la relación (véase número anterior), bastando un original sometimiento convencional a la ejecución forzada por parte del deudor. En la edad histórica, encontramos, por lo demás, esta situación ya cambiada; encontramos, por un lado, constituída la legis actio per manus iniectionem, con la presencia, más que con la intervención del magistrado; por otro lado, establecida la necesaria prioridad de la declaración de certeza sobre la ejecución, y siendo ya figura normal de la manus iniectio la manus iniectio iudicati: mientras también la variedad menos común, a saber, la manus iniectio pro iudicato, se funda en una declaración de certeza, así sea de parte, como la confessio in iure o un negocio que equivalga a ella; solamente la excepcional iniectio pura, relativa a créditos peculiares de repetición, se concede independientemente de una previa declaración de certeza de dichos créditos. La forma de la legis actio per manus iniectionem se describe rápidamente así: el acreedor, llevado por la fuerza el deudor a presencia del magistrado, cumplía solemnemente el acto de imponer sobre él las manos, como en afirmación de señorio. A ese acto, en una primera fase al menos, no podía rebelarse personalmente el deudor, desprovisto de capacidad jurídica para un proceso, del cual, con su cuerpo, era mero objeto; pero se rebelaba, en lugar de él, el vindex: figura problemática de garantizador, o mejor, de asumidor personal de la responsabilidad (de que liberaba al deudor ejecutado), y al mismo tiempo de promotor de un juicio incidental de declaración de certeza de la inexistencia de la deuda. Más tarde,y en un principio, como es lógico, en la manus iniectio pura, para la cual no funcionaba declaración previa de certeza, y después (en virtud de una ley Vallia), en toda especie de manus iniectio, el deudor mismo pudo pedir la declaración negativa de certeza de la relación. Faltando um vindex, el magistrado realizaba él solo la intervención activa, que caracterizaba su comportamiento en esta legis actio: pronunciaba la addictio, autorizando al acreedor a continuar, con plena autonomía en adelante, es decir, sin control estatal, la actuación de la garantía que le correspondía a él sobre el cuerpo del obligado. De la cual actuación, las dos fases eram ya: ante todo, una prisión rescatable de sesenta días; después, transcurridos en vano esos días, la venta del deudor como esclavo, cuando no su muerte. ALLORIO, Enrico. Problemas de Derecho Procesal. Buenos Aires: Ediciones Juridicas Europa-America, 963, tomo 2, p

5 qual não se mostra possível equiparar aos meios executivos de coerção existentes na atualidade. Embora ainda no Direito romano fosse possível constatar que a sua evolução caminhava para uma maior atenuação de tal forma de execução 2, foi com a transformação da sociedade antiga na medieval, e esta na moderna, marcada sobremaneira pela irrupção das forças econômicas de cunho burguês e pelo ideário iluminista que serviu de amparo teórico para as revoluções inglesa e francesa dos séculos XVII e XVIII, respectivamente, período esse no qual tiveram lugar as grandes codificações 3, que a imposição da execução por sobre o próprio corpo do obrigado 2 Isso é o que se infere a partir da lição de Eduardo Talamini: Posteriormente, quando a sanção corporal da manus iniectio e da ductio começou a ser progressivamente substituída pela sanção patrimonial, permaneceu a mesma orientação. Com a bonorum venditio, não se tinha execução propriamente dita, mas medida coercitiva, mediante a imissão do credor na posse da integralidade do patrimônio do devedor (missio in possessionem), a ameaça de posterior expropriação universal independentemente do valor do crédito e, ainda, a declaração da infâmia (que privava o devedor de inúmeros de seus direitos). Não se buscava propriamente retirar do patrimônio do devedor aquilo que era devido, e sim constrangê-lo ao cumprimento. Passo seguinte na atenuação dos rigores contra o devedor e na aproximação do objeto da prestação ao instrumento da responsabilidade foi o surgimento da distractio bonorum, no século II a.c. Os bens do devedor, depois da missio in possessionem, já não eram universalmente alienados. Procedia-se à venda isolada de cada um deles, até se atingir montante que bastasse à satisfação da dívida. Tal instituto, criado em favor de específicas classes de pessoas (v.g., ocupantes de cargos públicos, ausentes a serviço de Roma, incapazes), foi depois genericamente aplicado. Op. cit., p A escorreita compreensão do movimento da codificação supõe, em larga medida, uma adequada compreensão do que consistiu o chamado Iluminismo. Tal movimento filosófico, eternizado nas palavras de Imanuel Kant como o momento em que o homem saiu de sua minoridade, possui um especial significado pelo fato de ter representado, em boa medida, certa ruptura com o regime anterior e com o modus que dominava o pensamento jurídico de então, fundado fortemente na communis opinio doctorum. Tal tarefa traçar em poucas linhas as características fundamentais do iluminismo, no entanto, se apresenta particularmente difícil, mormente levando-se em consideração o fato de que ele se manifestou de diferentes formas e matizes nos países europeus, assumindo, em cada um deles, uma dinâmica peculiar. Ele não foi caracterizado, assim, por ser um processo histórico totalmente homogêneo. Todavia, em que pese tal aspecto, ainda assim é possível constatar ao menos um aspecto que, de certo modo, serve como fio condutor de uma tentativa de análise geral sobre o fenômeno: trata-se do papel atribuído pelos pensadores à razão. Foi, assim, a época por excelência do racionalismo, da crença na capacidade racional do homem e na crença de que o uso dessa capacidade lhe permitiria controlar todos os demais aspectos da vida e do universo. E tal perspectiva tem forte influência sobre o pensamento jurídico, como, aliás, não poderia deixar de ser, na medida em que o direito não pode ser concebido como estanquemente separado da vida e da sociedade. O racionalismo, cujo precursor mais conhecido foi René Descartes ( ), acabou por modelar toda a construção da dogmática jurídica que veio a se desenvolver nos séculos XVIII e XIX. Um outro aspecto que também deve ser destacado a respeito do iluminismo é a forte carga antropológica que está na sua base, em virtude da qual o homem passa a ser concebido como capaz de fazer-se a si mesmo e independentemente dos demais e, principalmente, do Estado. Com isso, rompe-se com a concepção outrora vigorante durante a Idade Média segundo a qual o homem deveria ser visto como integrante de uma ordem maior, conformando-se ao seu papel no curso natural das coisas. Com o iluminismo, inaugura-se, assim, um novo momento na história do homem, que passa a se conceber como um ser dotado de autonomia capaz de orientar suas próprias decisões e seu destino. Embora inicialmente tal autonomia esteja vinculada à sociedade em geral, aos poucos ela se transfere para o plano individual, onde a vontade e a autonomia passam a ser os responsáveis pela tomada de decisões. O indivíduo assume, então, seu papel no centro da sociedade. No plano jurídico, o iluminismo (e o racionalismo) se manifestará principalmente pela idéia de que é possível ao homem construir um sistema jurídico perfeito e imutável, imune às transformações sociais e capaz de dar conta de todas as problemáticas da vida em sociedade. Vê-se, nisso, forte influência das concepções próprias às ciências naturais. Desse modo, de um direito fundado no divino (medievo), chega-se a um direito fundado na razão (jusracionalismo), de vocação universal, o qual, por sua vez, irá instrumentalizar o direito positivo. A par disso, há o surgimento de uma nova ética, fundada no liberalismo econômico e político, no qual ao Estado deve ser reservado um papel extremamente delimitado, preservando-se, tanto quanto possível, a individualidade. (MELGARÉ, Plínio. Breves 5

6 definitivamente cedeu lugar quase que exclusivamente à responsabilidade meramente patrimonial. O homem, nesse sentido, não poderia ser objeto do Direito, mas unicamente seu fim. Com efeito, modernamente, os meios de coerção passaram a se realizar não mais por meio da supressão da liberdade ou da imposição de dor ou sofrimento ao corpo daquele que está obrigado a cumprir um determinado comando. Isso porque com o avanço das concepções filosóficas notadamente no que diz respeito à vontade humana principalmente após a Revolução Francesa, passou-se a compreender que há uma esfera de liberdade individual que não pode ser atingida por quem quer que seja, e nem mesmo pelo Estado. Em França, com o advento do Código de Napoleão, por exemplo, as obrigações de fazer e não-fazer convertiam-se em perdas e danos (artigo.42), resultando disso o quase desaparecimento das medidas coercitivas. Tal orientação foi adotada no Código de Processo Civil brasileiro de 973 no tocante às obrigações de fazer infungíveis. Não obstante isso, a jurisprudência francesa, reagindo diante dos inúmeros problemas que o sistema da intangibilidade da vontade acabou por gerar (principalmente quanto às obrigações de fazer infungíveis), acabou por criar um mecanismo que permitiu nalguma medida a superação do problema: a técnica das astreintes. Tal técnica executiva caracterizava-se pela imposição de certa quantia em dinheiro a título de multa pecuniária, fixada em determinada periodicidade, a qual acabou-se tornando um meio de compelir o devedor ao cumprimento da obrigação. A adoção da técnica da multa como forma de compelir o devedor, revelou, assim, a superação da idéia de que a vontade humana não poderia ser objeto de pressão por parte do Estado. A vontade humana não poderia ser considerada como um limite intransponível para a atuação da lei. No âmbito da common law, cuja influência do Direito romano clássico se pode perceber pela própria disposição de inúmeros institutos e medidas aplicáveis pelos palavras acerca do iluminismo e o direito. In Revista da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. vol. 22, Porto Alegre: UFRGS, setembro de 2002, p ) 6

7 órgãos judiciais, inicialmente a presença de técnicas e instrumentos destinados à tutela das pretensões era relativamente limitada. Com o passar dos séculos, no entanto, foram surgindo instrumentos que se voltavam ao cumprimento das obrigações (tais como as injunctions e decrees of specific performance, equitable remedies) 4. Posteriormente, surgiu e se desenvolveu aquela que ficou conhecida como contempt of court, expressão que serve para designar o comportamento ofensivo ou desobediente daquele a quem foi emitida uma ordem por um tribunal. Duas são as espécies de contempt: a civil e a criminal. No caso da primeira, ocorre quando há o desatendimento de qualquer ordem judicial, dando causa à imposição de medidas de cunho coercitivo. Já a criminal contempt of court, diferentemente, diz respeito à conduta que atinja ou ofenda a dignidade de um tribunal ou mesmo a própria justiça. Disso se infere que um mesmo comportamento pode tanto dar origem a uma civil contempt, quanto a uma criminal contempt. assevera: Eduardo Talamini, ao tratar de tais medidas no Direito anglo-saxão, Tanto na Inglaterra quanto nos Estados Unidos, ressalta-se a prudência de que se deve cercar o juiz na aplicação de sanções por contempt of court. Relativamente ao civil contempt, afirma-se a preferência por outros mecanismos de efetivação do provimento, quando possível e razoável. Para a caracterização e conseqüente sancionamento do contempt por afronta a uma ordem judicial é necessário que o conteúdo do comando seja claro e preciso, o transgressor tenha sido adequadamente cientificado de seus termos e esteja razoavelmente comprovada a transgressão. Ademais, no criminal contempt deve ficar provado que a conduta do transgressor foi intencional, ao passo que o civil contempt só fica descaracterizado se verificado um ato acidental ou uma impossibilidade material impediu o cumprimento. 5 No Brasil, inúmeras são as disposições legais que consagraram o uso de técnicas de execução indireta com o fito de compelir o devedor a cumprir a obrigação. Conviveram e convivem no sistema brasileiro tanto o uso das multas quanto a própria coerção pessoal do devedor, como se dá no caso da prisão civil, admitida em especialíssimas hipóteses que a Constituição consagra (depositário infiel e devedor de alimentos). 4 5 TALAMINI, Eduardo. Op. cit., p. 87. Op. cit., p

8 Com efeito, mesmo antes das reformas que deram nova feição ao artigo 46, já existia a previsão de multas como mecanismo de coerção judicial ao obrigado por sentença, como se percebia pela dicção dos artigos 287, 62, 644 e 645 do Código de Processo Civil. Com a redação que foi conferida ao artigo 46 do Código de Processo Civil, passou-se a permitir ao juiz a utilização das mais variadas medidas coercitivas, e não apenas a imposição de multa. De se notar quanto à multa prevista no artigo 46 do Código de Processo Civil, que o seu valor deve ser o mais elevado possível, pois somente assim sua eficácia coercitiva se tornará uma realidade capaz de inibir eventual comportamento do devedor. Valores módicos ou irrisórios diante de um devedor dotado de patrimônio portentoso apenas serviriam para esvaziar o conteúdo do preceito. Todavia, e isso é o importante a fixar, compreendeu-se que se mostrava necessária a ampliação das hipóteses de utilização de técnicas coercitivas capazes de compelir e motivar o devedor ao cumprimento das decisões. As astreintes, nesse sentido, acabaram por se mostrar de grande valor em termos de instrumentalização do processo quanto aos meios capazes de conduzir o credor à satisfação de seu direito. É prudente, entretanto, não manter ilusões a respeito do grau de eficácia da multa coercitiva. Suas limitações, como se percebe na prática, são as mesmas que de um modo geral afetam a execução: a ausência de patrimônio do devedor ou a existência de patrimônio de grande vulto. Independentemente disso, no entanto, o fato é que as multas produziram (e produzem, quando bem aplicadas) um bom resultado em termos de efetividade processual, principalmente nas hipóteses relacionadas às antecipações de tutela (artigo 273 do Código de Processo Civil). O devedor, sujeito a ter de arcar pesada multa, por certo que prefere e sempre preferirá cumprir a obrigação, mormente porque é o bolso e não qualquer outra coisa o que, numa sociedade eminentemente capitalista e materialista, tem maior peso na tomada de decisão a respeito do cumprimento da obrigação que lhe foi imposta. 8

9 3. A multa do artigo 475-J do Código de Processo Civil Voltado para a busca de mecanismos capazes de permitir uma maior efetividade do processo 6, notadamente no que diz respeito ao momento da efetivação prática das decisões judiciais 7 campo originariamente vinculado apenas ao processo de execução propriamente dito, o legislador resolveu dotar a sentença que condena ao pagamento de quantia certa de mecanismo capaz de compelir o obrigado ao pagamento. E o fez mediante a previsão da incidência de uma multa. De fato, como já mencionado, o novo artigo 475-J contém expressa previsão da incidência de uma multa no percentual de dez por cento sobre o valor da condenação, percentual este que incidirá e será devido pelo tão-só não pagamento do débito dentro do prazo de quinze dias contados da intimação da sentença. Em razão disso, vem a doutrina sustentando que a sentença prevista no mencionado dispositivo ostentará doravante peculiaridade que a tornará sui generis: será, de um lado, meramente condenatória, pois dependerá a satisfação do eventual crédito nela reconhecido de requerimento expresso do credor. De outro lado, será executiva lato sensu, porquanto a multa que lhe foi agregada como mecanismo de execução indireta 6 O processo civil brasileiro tem conseguido notável desenvolvimento nestes últimos tempos, sempre no sentido de que se possa aparelhar o sistema de mecanismos sempre mais aptos ao alcance da desejada efetividade. Veja-se, por exemplo, o que se tem visto no conjunto de novas regras a respeito do processo de conhecimento. Tratase, sem nenhuma dúvida, de expressivos avanços em favor da efetividade. Dentre os mais destacados pela doutrina está a adoção da chamada tutela específica, que estabelece como prioridade o cumprimento da obrigação in natura, isto é, exatamente da forma, modo e extensão como pactuada pelas partes e prevista no plano do direito material. O resultado alternativo (p. ex.: condenação do inadimplente ao pagamento de perdas e danos) que, até aqui, era a regra (e não o caminho alternativo, como deveria ser) cede espaço paulatinamente. São relevantíssimas, nesse campo, as mudanças trazidas pelo art. 46 do Código de Processo Civil. Esse dispositivo possibilita ao juiz a efetiva e específica tutela dos direitos da parte, nas obrigações de fazer e não fazer, mediante um sem número de opções, já que o texto legal faz referência apenas a algumas das condutas que pode o juiz determinar, de modo exemplificativo, deixando em aberto a adoção de outras tantas, as quais, desde que revestidas de legalidade, podem ser determinadas pelo juiz, visando ao cumprimento espontâneo da obrigação por parte do réu ou à obtenção da tutela específica (e efetiva) dos direitos. WAMBIER, Luiz Rodrigues. A efetividade do processo e a nova regra do art. 4 do CPc. in CALMOM, Eliana; BULOS, Uâdi Lammêgo. Direito Processual: inovações e perspectivas. São Paulo: Saraiva, 2003, p Crisanto Mandrioli afirma que a execução forçada visa justamente conseguir a atuação prática, material da regra: (...) l esecuzione forzata vuol conseguire l attuazione pratica, materiale, di questa regola, in via coattiva o forzata, ossia attraverso l impiego effetivo o potenziale della forza da parte dell ordinamento. MANDRIOLI, Crisanto. Corso di Diritto Processuale Civile: Nozioni introduttive e disposizioni generali. 4ª ed., Torino: G. Giappichelli, 983, vol., p

10 assim a caracterizará (tão-somente neste ponto). 8 Note-se, no entanto, que a utilização da multa como instrumento de coerção para o pagamento de quantia não encontra total aderência por parte da doutrina. Nesse sentido, afirmou Eduardo Talamini, antes da entrada em vigor do novo artigo 475-J, que não parecia revelar-se apropriada a extensão da multa para o campo da tutela atinente a pretensões pecuniárias, pois dificilmente a aplicação da multa teria eficácia prática, pois conduziria a um impasse lógico: recorrer-se-ia à multa porque a execução monetária tradicional é inefetiva, mas o crédito advindo da multa seria exeqüível através daquele mesmo modelo inefetivo. 9 Não obstante a força do argumento, não se pode desconsiderar que o objetivo da multa não é sancionar, mas simplesmente compelir, forçar, constranger ao cumprimento da obrigação. E, nessa perspectiva, não se vislumbra qualquer óbice à utilização da técnica da multa para fins de tutela da obrigação de pagar quantia. A previsão da multa e de seu percentual, como se percebe, está de acordo com o princípio da tipicidade das medidas executivas, pois tanto a sua incidência quanto o seu montante já se encontram definidos em lei, não sendo lícito ao órgão judicial modificá-lo ou deixar de aplicá-lo diante do caso concreto. Com efeito, Luiz Rodrigues Wambier entende que a multa prevista no artigo 475-J não poderá deixar de ser aplicada em razão de particularidades do caso concreto, tais como ter agido o devedor de forma culposa e não dolosamente. A multa somente poderá deixar de incidir quando, excepcionalmente, o cumprimento imediato da sentença for impossível ao condenado ou, ainda, quando se mostrar muito difícil, hipótese em que for causa de gravame excessivo e desproporcional. Em tais situações, entraria em jogo aquilo que denomina de excludentes, as quais somente seriam aceitas 8 WAMBIER, Luiz Rodrigues; WAMBIER, Teresa Arruda Alvim; MEDINA, José Miguel Garcia. Breves comentários à nova sistemática processual civil II. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 4 e segs. 9 TALAMINI, Eduardo. Tutela relativa aos deveres de fazer e não fazer e sua extensão aos deveres de entrega de coisa (CPC, arts. 46 e 46-A; CDC, art. 84). 2ª ed., São Paulo: Revista dos Tribunais, 2003, P

11 se o réu demonstrar que elas não dependem de sua vontade A natureza da multa do artigo 475-J Uma das questões mais complexas no âmbito da Ciência do Direito é a determinação da natureza dos institutos jurídicos. Não obstante a dificuldade que tal atividade muitas vezes encerra, sua realização se mostra imprescindível, porquanto é somente a partir da escorreita definição de um determinado instituto que se torna possível definir-lhe as conseqüências de sua existência e aplicação. Quando da alteração do artigo 46 e introdução do artigo 46-A no Código de Processo Civil, a doutrina controverteu sobre a natureza da multa prevista no parágrafo 4º do artigo mencionado 46, discutindo se ela seria meramente coercitiva ou seria punitiva. O entendimento que se fixou, de modo majoritário, foi no sentido de concebê-la como coercitiva, uma vez que não visava a punir o devedor da obrigação, mas tão-somente a compeli-lo ao cumprimento, funcionando como mecanismo inibidor do comportamento faltoso. Nesse sentido, Joaquim Felipe Spadoni, asseverou que a multa diária é, por definição, um meio de constrangimento decretado pelo juiz, destinado a determinar o comportamento do réu no sentido de obedecer à ordem judicial. 2 Tendo em vista isso, e partindo da idéia de que o sentido da multa prevista na novel disposição relativa ao cumprimento da sentença também visa a forçar a satisfação da obrigação por parte do devedor, de igual forma se pode afirmar que a natureza da multa prevista no artigo 475-J do Código de Processo Civil é coercitiva. Sua função, como bem ressaltou Araken de Assis, é a de tornar vantajoso o cumprimento 20 WAMBIER, Luiz Rodrigues. Algumas considerações sobre o cumprimento da sentença que determina o pagamento de quantia em dinheiro, de acordo com a Lei nº..232/05. in Revista Jurídica, nº.343, maio de 2006, Porto Alegre: Notadez, p SPADONI, Joaquim Felipe. Ação inibitória: a ação preventiva prevista no art. 46 do CPC. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2002, p.67.

12 espontâneo e, na contrapartida, onerosa a execução para o devedor recalcitrante. 22 É por tal motivo, ou seja, por ostentar a natureza de meio de coerção, que não se vislumbra qualquer óbice na sua cumulação com outras multas previstas no Código de Processo Civil, tais como a prevista no artigo 4, parágrafo único, do mesmo diploma, cuja redação que acabou adquirindo durante a sua tramitação no Congresso Nacional terminou por dotá-la de nítido conteúdo sancionador. Nesse sentido, a propósito, é o entendimento adotado por Ada Pelegrini Grinover, que assim se refere ao mencionado dispositivo: Por isso, na linha das reformas pontuais do Código de Processo Civil brasileiro de 973, a cargo de comissão presidida pelo Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira (e que já resultaram em várias modificações a seus artigos nos últimos anos), uma das novas propostas sugeria fosse acrescentado um inciso V e dois parágrafos ao art. 4 (que cuida da litigância de má-fé), (...) tratava-se de um passo considerável no caminho da adoção do contempt of court civil (...). O primeiro embate sofrido pelo instituto deu-se por obra das pressões da Casa Civil, que condicionou o encaminhamento ao Congresso Nacional de todas as propostas à aquiescência do Governo em torno de uma miríade de pontos que, supostamente, poderiam contrariar seus interesses. Especificamente com relação ao art. 4, tudo que os dois bons cavaleiros andantes da modernização do direito processual os ministros Sálvio de Figueiredo Teixeira e Athos Gusmão Carneiro puderam obter foi um texto que, suprimida a menção à prisão, o instituto do contempt of court perdeu definitivamente sua feição coercitiva, assumindo clara dimensão sancionatória, por força da nova redação do parágrafo único (...) 23 Não é despiciendo frisar, então, que a multa prevista no artigo 4 do Código de Processo Civil tem por escopo punir todo aquele que descumprir uma ordem judicial, seja ela parte ou não do processo Crítica à adoção de percentual fixo 22 ASSIS, Araken de. Cumprimento da sentença. Rio de Janeiro: Forense, 2006, p GRINOVER, Ada Pellegrini. Paixão e morte do contempt of cout brasileiro (art. 4 do Código de Processo Civil). in CALMOM, Eliana; BULOS, Uâdi Lammêgo. Direito Processual: inovações e perspectivas. São Paulo: Saraiva, 2003, p Esse é o entendimento adotado por José Miguel Garcia Medina. Breves notas sobre a tutela mandamental e o art. 4, inc. V, e parágrafo único do CPC. in LOPES, João Batista; CUNHA, Leonardo Carneiro José da (coord.). Execução Civil (aspectos polêmicos). São Paulo: Dialética, 2005, p

13 Uma primeira crítica que poderia ser feita ao novo artigo 475-J é a própria adoção de um percentual fixo a título de multa coercitiva. Tal disposição acaba por se tornar um limitador legal à própria efetividade da medida coercitiva ali prevista. Com efeito, melhor teria sido permitir ao órgão judicial adotar, diante do caso concreto, a medida mais conveniente à obtenção do cumprimento da sentença, e não simplesmente impor ao condenado o pagamento de um valor fixo que, em muitos casos, poderá se mostrar totalmente inócuo. Para o devedor que possuir vultoso patrimônio, nada significará arcar com o pagamento de singelos dez por cento a mais sobre o valor de uma condenação que, não obstante ser de pequena monta, é de grande importância para eventual credor humilde. Por outro lado, para aquele que não detém patrimônio algum, ter de suportar tal quantia a mais sobre a sua condenação igualmente não será motivo suficiente para que se sinta coagido a buscar meios para cumprir a sentença. Guilherme Rizzo Amaral, nesse sentido, já havia referido mesmo antes da entrada em vigor da Lei de Cumprimento de Sentença: Sobressai, no projeto de lei em comento, a timidez do legislador, que ficou a meio caminho entre a tutela condenatória tradicional e a tutela mandamental, ao prever a aplicação da multa de 0% ao réu recalcitrante. Essa multa poderá ser manifestamente insuficiente, nos casos em que o demandado possui suficiente patrimônio para saldar o débito, e opta por investi-lo e apostar na demora processual. Poderá, todavia, revelar-se injusta, se implicar ampliação do débito do réu que, insolvente, nada pode fazer. O juiz, entretanto, não poderá optar entre uma solução justa e outra injusta: deverá seguir o programa legal! 25 A partir dessas singelas considerações, facilmente se verifica que o legislador acabou por perder uma excelente oportunidade para introduzir, também no 25 AMARAL, Guilherme Rizzo. Técnicas de tutela e o cumprimento da sentença no Projeto de Lei 3.253/04: uma análise crítica da reforma do Processo Civil brasileiro. In AMARAL, Guilherme Rizzo; CARPENA, Márcio Louzada (coord.). Visões críticas do Processo Civil brasileiro: uma homenagem ao Prof. Dr. José Maria Rosa Tesheiner. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2005, p

14 âmbito da obrigação de pagar quantia certa, mecanismos capazes de permitir ao juiz a adoção de medidas que realmente seriam capazes de constranger o devedor irresponsável que, apesar de condenado, faz pouco caso do que lhe foi imposto. Observe-se que nos artigos 46 e 46-A do Código de Processo Civil, os quais tratam das obrigações de fazer, não fazer e entrega de coisa, adotou-se a possibilidade de o órgão judicial tomar todas e quaisquer providências capazes de permitir a obtenção do resultado. Não se limitou a medida passível de ser aplicada. Mesmo que se admita que não seria possível outro mecanismo que não fosse a imposição de multa, a adoção de percentual fixo não se mostra a melhor alternativa. Deixar à prudente discrição do órgão judicial a escolha do percentual seria, por certo, dar maiores condições de forçar o devedor faltoso a cumprir a obrigação que lhe foi imposta Execução provisória da sentença e da multa Como ensina Araken de Assis, chama-se execução provisória aquela que está fundada em título judicial que se encontra na pendência de recurso interposto contra o provimento dotado de eficácia executiva, provimento este que ainda não tem valor de coisa julgada. É irrelevante, no caso, a espécie de recurso pendente. 26 Por outro lado, a execução definitiva se baseia em sentença transitada em julgado, ou seja, aquela contra a qual não caibam mais recursos. Tendo em vista tal diferença, surge a respeito da multa prevista no artigo 475-J uma importante questão, a saber, se ela incide e se é exigível nas hipóteses de execução provisória da decisão que se encontre pendente de recurso. 26 ASSIS, Araken de. Cumprimento da sentença. Rio de Janeiro: Forense, 2006, p

15 Com efeito, o artigo 475-I, parágrafo º, do Código de Processo Civil autoriza, como sabido, o cumprimento provisório do provimento jurisdicional detentor de cunho executivo. Em razão de tal autorização, estará o credor diante da possibilidade de requerer o cumprimento provisório da decisão. Mas, independentemente de assim proceder, como fica a multa prevista no artigo sob comento: será ela devida pelo devedor tão logo se esgote o prazo de 5 dias contados da intimação da sentença contra a qual, no mesmo prazo, interpôs recurso de apelação recebida apenas no efeito devolutivo? Humberto Theodoro Júnior, abordando a temática, afirmou recentemente que a aludida multa não se aplica às hipóteses de execução provisória da sentença, uma vez que essa só se dá por iniciativa e por conta e risco do credor, não passando, portanto, de faculdade ou livre opção de sua parte. Todavia, se acontecer de sobrevir o trânsito em julgado da decisão no curso da execução provisória, a multa incidirá tão logo transcorra o prazo para o pagamento espontâneo do débito. 27 José Maria Rosa Tesheiner, por sua vez, igualmente se posiciona no sentido de que a multa não poderia incidir, não obstante ser possível a execução provisória, pois não se poderia exigir a prática de atos incompatíveis entre si por parte do devedor, tais como a interposição de recurso e o pagamento espontâneo da obrigação consignada na sentença. 28 Adotando entendimento diverso, Guilherme Rizzo Amaral defende que a multa prevista no artigo sub examine incide independentemente de a execução ser provisória ou não, porquanto se trata de dívida exigível nos termos da lei, desde, é claro, que o devedor tenha sido devidamente intimado a tanto. 29 Em que pesem as ponderáveis opiniões em contrário, não há como deixar 27 THEODORO JUNIOR, Humberto. As novas reformas do Código de Processo Civil. Rio de Janeiro: Forense, 2006, p TESHEINER, José Maria Rosa. Execução de sentença Regime introduzido pela Lei.232/2005, in <http://www.tex.pro.br/wwwroot/artigosproftesheiner/execucaodesentenca_regimeintroduzido. htm>, acesso em 6/07/ OLIVEIRA, Carlos Alberto Álvaro (org.). Comentários à Lei n Rio de Janeiro, Forense: 2006, p

16 de entender pela plena incidência da multa mesmo nas hipóteses de execução provisória. Isso porque, em primeiro lugar, a lei não faz qualquer distinção a respeito da questão. Em segundo lugar, porque o regime do cumprimento da sentença, a teor do que vem consignado no artigo 475-O, inciso I, se dá com base na responsabilidade objetiva do credor, que se obriga a indenizar todos e quaisquer prejuízos eventualmente experimentados pelo devedor que foi compelido a cumprir provisoriamente o provimento jurisdicional executivo. De fato, semelhantemente à previsão que existia no artigo 588 do Código de Processo Civil antes da reforma operada pela Lei Federal nº..232 de 2005, o credor deve indenizar o devedor caso este, posteriormente ao início da execução (ou efetivação) da medida executiva (seja sentença ou antecipação dos efeitos da tutela jurisdicional), seja beneficiado por eventual provimento de recurso que se encontrava desprovido de efeito suspensivo. Vale lembrar, nesse ponto, a lição de Cassio Scarpinela Bueno, ao referir que a execução provisória corre por conta do exeqüente que responderá por perdas e danos (inciso I do art. 588), na medida em que o título executivo seja modificado ou anulado (inciso III do art. 588) e na medida em que o for ( º do art. 588). Estas perdas e danos serão liquidados no mesmo processo (inciso IV do art. 588) e, consoante o caso, ensejarão a formação de incidentes processuais. 30 Por tais razões, não se vislumbra motivos para não se exigir o imediato cumprimento da sentença caso o recurso eventualmente interposto seja desprovido de efeito suspensivo, inclusive com o acréscimo decorrente da multa prevista na lei. Esta, frise-se, incide ainda que a execução seja provisória, haja vista que sobrevindo eventual decisão que reforme o título, no todo ou em parte, o credor deverá indenizar o devedor (artigo 574 do Código de Processo Civil). 30 BUENO, Cássio Scarpinela. Execução provisória. in LOPES, João Batista; CUNHA, Leonardo Carneiro José da (coord.). Execução Civil (aspectos polêmicos). São Paulo: Dialética, 2005, p

17 4. Considerações finais O processo civil, como já o dissera Pontes de Miranda, é, dentre os diversos ramos do Direito, o mais rente à vida 3. É o que se encontra mais próximo da realidade. Assim é e assim deve ser. Isso, contudo, somente poderá ser considerado como algo de valor se e tão-somente se o processo puder efetivamente permitir a entrega do bem da vida ao jurisdicionado. A reforma pela qual passou o processo de execução, com a instauração da fase de cumprimento da sentença que condena ao pagamento de quantia, tenderá a acelerar a tramitação processual, na medida em que foi abolida a necessidade de instauração de um novo processo, mediante o ajuizamento de nova ação. No entanto, embora não se tenham dúvidas quanto a tal aceleração na prestação jurisdicional, o mesmo não se pode, infelizmente, dizer quanto à efetividade processual, entendida essa como a capacidade da técnica em permitir a satisfação concreta do direito consagrado em sentença. Isso porque, como se sabe, o grande problema da execução não reside na autonomia do procedimento em relação ao processo de conhecimento; mas na capacidade do sistema em prever mecanismos aptos a encontrar bens capazes de satisfazer o crédito reconhecido no provimento jurisdicional. Isso, porém, não é um problema unicamente legislativo ou jurídico, é também econômico e social. Independentemente disso, o fato é que com a previsão da multa no artigo 475-J do Código de Processo Civil, avançou-se um pouco mais em relação ao que até então se tinha no ordenamento processual vigente. Quiçá os mentores da reforma, futuramente, venham a introduzir mudanças ainda maiores no que diz respeito ao aparelhamento do sistema no que diz respeito à tutela da obrigação de pagar quantia em dinheiro, mercê da constatação da eventual insuficiência da sistemática introduzida. 3 MIRANDA, Pontes de. Comentários ao Código de Processo Civil. 5ª ed., Rio de Janeiro: Forense, 997, p. XIII, prólogo, tomo I. 7

18 O que não pode ocorrer, em hipótese alguma, é congelamento do Direito em face da fluidez da História. 5. Bibliografia ALLORIO, Enrico. Problemas de Derecho Procesal. Buenos Aires: Ediciones Juridicas Europa-America, 963, tomo 2. AMARAL, Guilherme Rizzo; CARPENA, Márcio Louzada (coord.). Visões críticas do Processo Civil brasileiro: uma homenagem ao Prof. Dr. José Maria Rosa Tesheiner. Porto Alegre: Livraria do Advogado, ASSIS, Araken de. Cumprimento da sentença. Rio de Janeiro: Forense, ASSIS, Araken de. Manual do Processo de Execução. 8ª ed., São Paulo: Revista dos Tribunais, 2002 BUENO, Cássio Scarpinela. Execução provisória. in LOPES, João Batista; CUNHA, Leonardo Carneiro José da (coord.). Execução Civil (aspectos polêmicos). São Paulo: Dialética, FRIEDRICH, Carl J. Perspectiva histórica da Filosofia do Direito. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 965 8

19 GRINOVER, Ada Pellegrini. Paixão e morte do contempt of cout brasileiro (art. 4 do Código de Processo Civil). in CALMOM, Eliana; BULOS, Uâdi Lammêgo. Direito Processual: inovações e perspectivas. São Paulo: Saraiva, 2003 MANDRIOLI, Crisanto. Corso di Diritto Processuale Civile: Nozioni introduttive e disposizioni generali. 4ª ed., Torino: G. Giappichelli, 983, vol. MEDINA, José Miguel Garcia. Breves notas sobre a tutela mandamental e o art. 4, inc. V, e parágrafo único, do CPC. in LOPES, João Batista; CUNHA, Leonardo Carneiro José da (coord.). Execução Civil (aspectos polêmicos). São Paulo: Dialética, 2005 MEDINA, José Miguel Garcia. Execução civil. Princípios fundamentais. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2002 MELGARÉ, Plínio. Breves palavras acerca do iluminismo e o direito. In Revista da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. vol. 22, Porto Alegre: UFRGS, setembro de 2002 MIRANDA, Pontes de. Comentários ao Código de Processo Civil. 5ª ed., Rio de Janeiro: Forense, 997, p. XIII, prólogo, tomo I OLIVEIRA, Carlos Alberto Álvaro (org.). Comentários à Lei n Rio de Janeiro, Forense:

20 SILVA, Ovídio Araújo Baptista da. Processo e Ideologia. Rio de Janeiro: Forense, 2004 SPADONI, Joaquim Felipe. Ação inibitória: a ação preventiva prevista no art. 46 do CPC. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2002 TALAMINI, Eduardo. Tutela relativa aos deveres de fazer e não fazer e sua extensão aos deveres de entrega de coisa (CPC, arts. 46 e 46-A; CDC, art. 84). 2ª ed., São Paulo: Revista dos Tribunais, 2003 THEODORO JUNIOR, Humberto. As novas reformas do Código de Processo Civil. Rio de Janeiro: Forense, 2006 VERDE, Giovanni. Profili del processo civile. 4ª ed., Napoli:Jovene Editore, 994 WAMBIER, Luiz Rodrigues. A efetividade do processo e a nova regra do art. 4 do CPC. in CALMOM, Eliana; BULOS, Uâdi Lammêgo. Direito Processual: inovações e perspectivas. São Paulo: Saraiva, 2003 WAMBIER, Luiz Rodrigues. Algumas considerações sobre o cumprimento da sentença que determina o pagamento de quantia em dinheiro, de acordo com a Lei nº..232/05. in Revista Jurídica, nº.343, maio de 2006, Porto Alegre: Notadez. WAMBIER, Luiz Rodrigues; WAMBIER, Teresa Arruda Alvim; MEDINA, José Miguel Garcia. Breves comentários à nova sistemática processual civil II. São Paulo: 2 0

A MULTA DO ARTIGO 475-J: ALGUMAS QUESTÕES. 1

A MULTA DO ARTIGO 475-J: ALGUMAS QUESTÕES. 1 A MULTA DO ARTIGO 475-J: ALGUMAS QUESTÕES. Valternei Melo de Souza Advogado Professor convidado da Academia Brasileira de Direito Processual Civil Mestre em Direito pela PUC/RS Historiador. Introdução.

Leia mais

EXECUÇÃO POR COERÇÃO PATRIMONIAL E A EFETIVIDADE DO PROCESSO CIVIL BRASILEIRO

EXECUÇÃO POR COERÇÃO PATRIMONIAL E A EFETIVIDADE DO PROCESSO CIVIL BRASILEIRO III Mostra de Pesquisa da Pós-Graduação PUCRS EXECUÇÃO POR COERÇÃO PATRIMONIAL E A EFETIVIDADE DO PROCESSO CIVIL BRASILEIRO Isadora Albornoz Cutin. José Maria Rosa Tesheiner (orientador) Programa de pós-graduação

Leia mais

Trabalho 5 PROCEDIMENTO PARA CUMPRIMENTO. DA SENTENÇA CIVIL (art. 475, CPC) BRASÍLIA

Trabalho 5 PROCEDIMENTO PARA CUMPRIMENTO. DA SENTENÇA CIVIL (art. 475, CPC) BRASÍLIA Universidade de Brasília Faculdade de Direito Teoria Geral do Processo II Professor: Vallisney de Souza Oliveira Aluno: Paulo Wanderson Moreira Martins Matrícula: 12/0062372 Trabalho 5 PROCEDIMENTO PARA

Leia mais

EXECUÇÕES ESPECÍFICAS

EXECUÇÕES ESPECÍFICAS EXECUÇÕES ESPECÍFICAS Prof. Ms. Bernardo Ribeiro Câmara Advogado e sócio do Escritório Freire, Câmara & Ribeiro de Oliveira Advogados; Mestre em Direito Processual Civil pela PUC/MG Especialista em Direito

Leia mais

UMA CRÍTICA À TEORIA DAS CONDIÇÕES DA AÇÃO: A possibilidade jurídica do pedido como questão de mérito

UMA CRÍTICA À TEORIA DAS CONDIÇÕES DA AÇÃO: A possibilidade jurídica do pedido como questão de mérito 563 UMA CRÍTICA À TEORIA DAS CONDIÇÕES DA AÇÃO: A possibilidade jurídica do pedido como questão de mérito Rafael Arouca Rosa (UNESP) Introdução Dentre as mudanças propostas no anteprojeto do novo Código

Leia mais

EXECUÇÃO. CONCEITO: Conjunto de atividades atribuídas aos órgãos. judiciários para a realização prática de uma vontade

EXECUÇÃO. CONCEITO: Conjunto de atividades atribuídas aos órgãos. judiciários para a realização prática de uma vontade EXECUÇÃO CONCEITO: Conjunto de atividades atribuídas aos órgãos judiciários para a realização prática de uma vontade concreta da lei previamente consagrada num título. Ou como o conjunto de atos jurisdicionais

Leia mais

QUESTÕES CONTROVERTIDAS SOBRE O CUMPRIMENTO DE SENTENÇA POR EXECUÇÃO

QUESTÕES CONTROVERTIDAS SOBRE O CUMPRIMENTO DE SENTENÇA POR EXECUÇÃO QUESTÕES CONTROVERTIDAS SOBRE O CUMPRIMENTO DE SENTENÇA POR EXECUÇÃO Leandro J. Silva Advogado da União em Curitiba; Professor de Direito Processual Civil. RESUMO: O presente trabalho tem por objetivo

Leia mais

Associação dos Advogados de São Paulo - AASP CUMPRIMENTO DE SENTENÇA DEFINITIVO E PROVISÓRIO. Prof. Luís Eduardo Simardi Fernandes @LuisSimardi

Associação dos Advogados de São Paulo - AASP CUMPRIMENTO DE SENTENÇA DEFINITIVO E PROVISÓRIO. Prof. Luís Eduardo Simardi Fernandes @LuisSimardi Associação dos Advogados de São Paulo - AASP CUMPRIMENTO DE SENTENÇA DEFINITIVO E PROVISÓRIO Prof. Luís Eduardo Simardi Fernandes @LuisSimardi INTRODUÇÃO - TÍTULO EXECUTIVO - DINAMARCO: Título executivo

Leia mais

COMENTÁRIOS A RESPEITO DA RESPONSABILIDADE CIVIL DO EXEQÜENTE NA EXECUÇÃO PROVISÓRIA

COMENTÁRIOS A RESPEITO DA RESPONSABILIDADE CIVIL DO EXEQÜENTE NA EXECUÇÃO PROVISÓRIA COMENTÁRIOS A RESPEITO DA RESPONSABILIDADE CIVIL DO EXEQÜENTE NA EXECUÇÃO PROVISÓRIA Felipe Cunha de Almeida Advogado em Porto Alegre, Especialista em Direito Processual Civil. Sumário: 1. Introdução 2.

Leia mais

Faculdades IESGO Direção Acadêmica Coordenação do Curso de Direito

Faculdades IESGO Direção Acadêmica Coordenação do Curso de Direito Instituto de Ensino Superior de Goiás Faculdades IESGO Direção Acadêmica Coordenação do Curso de Direito 1. IDENTIFICAÇÃO: CURSO: DIREITO TURMA: 6º SEMESTRE - NOTURNO DISCIPLINA: DIREITO PROCESSUAL CIVIL

Leia mais

CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DE JATAÍ - CESUT A s s o c i a ç ã o J a t a i e n s e d e E d u c a ç ã o

CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DE JATAÍ - CESUT A s s o c i a ç ã o J a t a i e n s e d e E d u c a ç ã o EMENTA: 1. TEORIA GERAL DA EXECUÇÃO 2. PARTES NO PROCESSO DE EXECUÇÃO 3. COMPETÊNCIA 4. REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA REALIZAR QUALQUER EXECUÇÃO 5. FASE DE CUMPRIMENTO DE SENTENÇA 5.1 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA

Leia mais

A Tutela Provisória no Novo Código de Processo Civil SUMÁRIO

A Tutela Provisória no Novo Código de Processo Civil SUMÁRIO A Tutela Provisória no Novo Código de Processo Civil SUMÁRIO PARTE 1 A TUTELA PROVISÓRIA PREVISTA NO NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL A PARTIR DE UMA PERSPECTIVA CRÍTICA... 23 CAPÍTULO I TEORIA GERAL DA TUTELA

Leia mais

Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Direito

Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Direito Escola Paulista de Direito EPD Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Direito O NOVO CONCEIITO DE SENTENÇA Especialização: Direito Civil e Processual Civil Especializandos: Thiago Martinelli de Vergueiro

Leia mais

OBRIGAÇÃO DE FAZER REFERENTE À ANOTAÇÃO DE CARTEIRA DE TRABALHO E SUA EXECUÇÃO ESPECÍFICA

OBRIGAÇÃO DE FAZER REFERENTE À ANOTAÇÃO DE CARTEIRA DE TRABALHO E SUA EXECUÇÃO ESPECÍFICA 113 OBRIGAÇÃO DE FAZER REFERENTE À ANOTAÇÃO DE CARTEIRA DE TRABALHO E SUA EXECUÇÃO ESPECÍFICA INTRODUÇÃO Márcio Toledo Gonçalves* As presentes linhas cuidam de brevíssimas considerações acerca da anotação

Leia mais

ASTREINTES: IMPORTÂNCIA DA LIMITAÇÃO DO VALOR QUANDO DA SUA FIXAÇÃO EVITANDO-SE A POSTERIOR REDUÇÃO DIANTE DO DESCUMPRIMENTO DA ORDEM JUDICIAL

ASTREINTES: IMPORTÂNCIA DA LIMITAÇÃO DO VALOR QUANDO DA SUA FIXAÇÃO EVITANDO-SE A POSTERIOR REDUÇÃO DIANTE DO DESCUMPRIMENTO DA ORDEM JUDICIAL ASTREINTES: IMPORTÂNCIA DA LIMITAÇÃO DO VALOR QUANDO DA SUA FIXAÇÃO EVITANDO-SE A POSTERIOR REDUÇÃO DIANTE DO DESCUMPRIMENTO DA ORDEM JUDICIAL Carla Maria de Souza Pereira Pós-Graduada em Direito Processual

Leia mais

DISCIPLINA: Direito Processual Civil IV. CH total: 72h. SEMESTRE DE ESTUDO: 8º Semestre

DISCIPLINA: Direito Processual Civil IV. CH total: 72h. SEMESTRE DE ESTUDO: 8º Semestre DISCIPLINA: Direito Processual Civil IV CH total: 72h SEMESTRE DE ESTUDO: 8º Semestre TURNO: Matutino / Noturno CÓDIGO: DIR137 1. EMENTA: Aspectos gerais da execução. Liquidação de sentença. Execução de

Leia mais

EXECUÇÃO DE SENTENÇAS PENAL, ARBITRAL E ESTRANGEIRA (ART. 475-N, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC) PROCESSO DE EXECUÇÃO OU EXECUÇÃO SINCRETIZADA (CUMPRIMENTO)?

EXECUÇÃO DE SENTENÇAS PENAL, ARBITRAL E ESTRANGEIRA (ART. 475-N, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC) PROCESSO DE EXECUÇÃO OU EXECUÇÃO SINCRETIZADA (CUMPRIMENTO)? 84 EXECUÇÃO DE SENTENÇAS PENAL, ARBITRAL E ESTRANGEIRA (ART. 475-N, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC) PROCESSO DE EXECUÇÃO OU EXECUÇÃO SINCRETIZADA (CUMPRIMENTO)? J.E. Carreira Alvim Doutor em Direito pela UFMG;

Leia mais

Regime Financeiro do Processo Civil

Regime Financeiro do Processo Civil Regime Financeiro do Processo Civil III Mostra de Pesquisa da Pós-Graduação PUCRS Nome do Aluno da Pós: Alexandre Schmitt da Silva Mello, Nome do Orientador: José Maria Rosa Tesheiner Programa de Pós-Graduação

Leia mais

Ambos os recursos de estrito direito têm a sua causa de pedir prevista na Constituição Federal

Ambos os recursos de estrito direito têm a sua causa de pedir prevista na Constituição Federal Interposição: perante o órgão prolator da decisão Recurso Especial Nomenclatura: REsp Competência: Superior Tribunal de Justiça STJ Prazo para interposição 15 dias; Recurso Extraordinário Nomenclatura:

Leia mais

INÍCIO DO PRAZO PARA PAGAMENTO VOLUNTÁRIO DE SENTENÇACONDENATÓRIA: ANÁLISE DOS ARTIGOS 475 B E 475 J DO CPC

INÍCIO DO PRAZO PARA PAGAMENTO VOLUNTÁRIO DE SENTENÇACONDENATÓRIA: ANÁLISE DOS ARTIGOS 475 B E 475 J DO CPC INÍCIO DO PRAZO PARA PAGAMENTO VOLUNTÁRIO DE SENTENÇACONDENATÓRIA: ANÁLISE DOS ARTIGOS 475 B E 475 J DO CPC JANETE RICKEN LOPES DE BARROS 1 Introdução Trata o presente artigo da discussão acerca da contagem

Leia mais

Os Honorários Advocatícios e o Novo CPC: Sucumbência Recursal

Os Honorários Advocatícios e o Novo CPC: Sucumbência Recursal FLÁVIO CHEIM JORGE Mestre e Doutor em Direitos Difusos e Coletivos pela PUC/SP Sócio de Cheim Jorge & Abelha Rodrigues - Advogados Associados Os Honorários Advocatícios e o Novo CPC: Sucumbência Recursal

Leia mais

ESPÉCIES DE TUTELA JURISDICIONAL

ESPÉCIES DE TUTELA JURISDICIONAL ESPÉCIES DE TUTELA JURISDICIONAL Maria Cristina Zainaghi Resumo: Neste trabalho pretendemos trazer, em breve relato, as espécies de provimento jurisdicionais, inclusive abordando as tutelas diferenciadas,

Leia mais

Execução dos alimentos e as reformas do CPC

Execução dos alimentos e as reformas do CPC Execução dos alimentos e as reformas do CPC Maria Berenice Dias www.mbdias.com.br www.mariaberenice.com.br www.direitohomoafetivo.com.br As mudanças Agora, para a cobrança de condenação imposta judicialmente,

Leia mais

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO ACRE 1ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Rio Branco. Decisão

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO ACRE 1ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Rio Branco. Decisão fls. 1 Autos n.º 0708777-72.2013.8.01.0001 Classe Ação Civil Pública Autor Defensoria Pública do Estado do Acre Réu Estado do Acre Decisão Trata-se de Ação Civil Pública, com pedido de tutela antecipada,

Leia mais

José Domingues Filho 1. 1. O Problema O MÉRITO NO PROCESSO EXECUÇÃO CIVIL

José Domingues Filho 1. 1. O Problema O MÉRITO NO PROCESSO EXECUÇÃO CIVIL O MÉRITO NO PROCESSO EXECUÇÃO CIVIL José Domingues Filho 1 SUMÁRIO RIO: 1. O problema. 2. Conceito de mérito 3. Defesa de mérito no processo de conhecimento. 4. Julgamento de mérito no processo de conhecimento.

Leia mais

A multa do artigo 475-j do código de processo civil - questões controversas

A multa do artigo 475-j do código de processo civil - questões controversas A multa do artigo 475-j do código de processo civil - questões controversas Sabrina Oliveira de Souza 1 Resumo: A constante busca por celeridade, efetividade da tutela jurisdicional e economia processual,

Leia mais

DA PETIÇÃO INICIAL. Des. ANA MARIA DUARTE AMARANTE BRITO

DA PETIÇÃO INICIAL. Des. ANA MARIA DUARTE AMARANTE BRITO DA PETIÇÃO INICIAL Des. ANA MARIA DUARTE AMARANTE BRITO DA PETIÇÃO INICIAL - Requisitos Petição inicial como veículo da ação. Art. 282. A petição inicial indicará: I - o juiz ou tribunal, a que é dirigida;

Leia mais

Alimentos e a incidência da multa

Alimentos e a incidência da multa Alimentos e a incidência da multa Maria Berenice Dias www.mbdias.com.br www.mariaberenice.com.br www.direitohomoafetivo.com.br Foi recebido com grande resistência, e até com certa desconfiança, o fim do

Leia mais

PROJETO DE LEI Nº, DE 2013

PROJETO DE LEI Nº, DE 2013 PROJETO DE LEI Nº, DE 2013 (Do Sr. Guilherme Campos) Dispõe sobre juros de mora e atualização monetária dos débitos judiciais. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º Esta lei disciplina os juros de mora

Leia mais

--StAbtr,b"K i.,01serijudici ' umv41; ESJPSÉ AURÉL.Id2

--StAbtr,bK i.,01serijudici ' umv41; ESJPSÉ AURÉL.Id2 I --StAbtr,b"K i.,01serijudici ' umv41; ("RSPI,gu ESJPSÉ AURÉL.Id2 Agravo de Instrumento n 001.2012.008.707-5/001 6a Vara Cível Capital. Relator: Des. José Aurélio da Cruz. Agravante: CITIBANK Distribuidora

Leia mais

Curso Resultado. Jurisprudência ordenada por matérias e assuntos Processo Civil

Curso Resultado. Jurisprudência ordenada por matérias e assuntos Processo Civil Curso Resultado Jurisprudência ordenada por matérias e assuntos Processo Civil Atualizado em 18 de dezembro de 2015 Sumário Ação coletiva / civil pública Ação contra seguradora Ação de adjudicação compulsória

Leia mais

A EXECUÇÃO NO PROCESSO TRABALHISTA EM 70 ANOS DE JUSTIÇA DO TRABALHO THE EXECUTION PROCEEDURE IN 70 YEARS OF EXISTENCE OF LABOUR COURTS

A EXECUÇÃO NO PROCESSO TRABALHISTA EM 70 ANOS DE JUSTIÇA DO TRABALHO THE EXECUTION PROCEEDURE IN 70 YEARS OF EXISTENCE OF LABOUR COURTS A EXECUÇÃO NO PROCESSO TRABALHISTA EM 70 ANOS DE JUSTIÇA DO TRABALHO THE EXECUTION PROCEEDURE IN 70 YEARS OF EXISTENCE OF LABOUR COURTS Pedro Paulo Teixeira Manus* A prestação jurisdicional só se completa,

Leia mais

CLASSIFICAÇÃO DAS AÇÕES E DAS TUTELAS

CLASSIFICAÇÃO DAS AÇÕES E DAS TUTELAS 1 CLASSIFICAÇÃO DAS AÇÕES E DAS TUTELAS IRACI DE OLIVEIRA KISZKA 1 SANDRÉA ALVES ABBAS 2 RESUMO Este trabalho buscou na medida do possível analisar a classificação das ações e das tutelas, tendo em vista

Leia mais

Vigésima Sétima Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro

Vigésima Sétima Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro APELAÇÃO CÍVEL Nº 0035092-08.2012.8.19.0004 APELANTE: BANCO BRADESCO S/A APELADO: BRUNO GARCIA DE SÁ RELATOR: DES. FERNANDO ANTONIO DE ALMEIDA APELAÇÃO CÍVEL DIREITO DO CONSUMIDOR AÇÃO SOB O RITO SUMÁRIO

Leia mais

Referem-se a preocupação com responsabilidades perante ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo e Ministério da Previdência Social.

Referem-se a preocupação com responsabilidades perante ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo e Ministério da Previdência Social. Questionamento: Dra Magadar, bom dia. A APEPREM está recebendo questionamentos acerca das providências possíveis e de competência dos Gestores cuja entidade mantém contrato de prestação de serviços com

Leia mais

(ft.." 4 Án 41. sks, 4, Pus JUSTIT11 Pijj z ESTADO DA PARAIBA PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA GABINETE DO DES. MÁRCIO MURILO DA CUNHA RAMOS

(ft.. 4 Án 41. sks, 4, Pus JUSTIT11 Pijj z ESTADO DA PARAIBA PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA GABINETE DO DES. MÁRCIO MURILO DA CUNHA RAMOS (ft.." 4 Án 41 sks, 4, Pus JUSTIT11 Pijj z ESTADO DA PARAIBA PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA GABINETE DO DES. MÁRCIO MURILO DA CUNHA RAMOS ACÓRDÃO APELAÇÃO CÍVEL N 076.2008.000525-9/001 Comarca de

Leia mais

Santos Silveiro Advogados. Grupo de Estudos. Análise e Crítica do Anteprojeto do Novo Código de Processo Civil

Santos Silveiro Advogados. Grupo de Estudos. Análise e Crítica do Anteprojeto do Novo Código de Processo Civil 1 Santos Silveiro Advogados Grupo de Estudos Análise e Crítica do Anteprojeto do Novo Código de Processo Civil Nos meses de janeiro a março de 2011, o Santos Silveiro Advogados organizou um grupo de estudos

Leia mais

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ PRÓ-REITORIA DE RECURSOS HUMANOS E ASSUNTOS COMUNITÁRIOS

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ PRÓ-REITORIA DE RECURSOS HUMANOS E ASSUNTOS COMUNITÁRIOS ANEXO 23 DO EDITAL 143/2011-PRH CONCURSO PÚBLICO PARA PROFESSOR NÃO-TITULAR DEPARTAMENTO DE DIREITO PRIVADO E PROCESSUAL Área de conhecimento: DIREITO PROCESSUAL CIVIL PROGRAMA DE PROVA 1. Métodos alternativos

Leia mais

6 AGRAVO DE INSTRUMENTO E SUA ADEQUAÇÃO AO PROCESSO ELETRÔNICO Maria Clara de Almeida Coêlho e Aryoswaldo José Brito Espínola

6 AGRAVO DE INSTRUMENTO E SUA ADEQUAÇÃO AO PROCESSO ELETRÔNICO Maria Clara de Almeida Coêlho e Aryoswaldo José Brito Espínola 96 6 AGRAVO DE INSTRUMENTO E SUA ADEQUAÇÃO AO PROCESSO ELETRÔNICO Maria Clara de Almeida Coêlho e Aryoswaldo José Brito Espínola Maria Clara de Almeida Coêlho 1 Aryoswaldo José Brito Espínola 2 1 INTRODUÇÃO

Leia mais

A apreciação das provas no processo do trabalho

A apreciação das provas no processo do trabalho A apreciação das provas no processo do trabalho Ricardo Damião Areosa* I. Introdução Segundo Aroldo Plínio Gonçalves, processualista mineiro e juiz do trabalho, Nulidade é a conseqüência jurídica prevista

Leia mais

Fiscal Online Disciplina: Direito Tributário Prof. Eduardo Sabbag Data: 13.07.2012 MATERIAL DE APOIO MONITORIA. Índice 1.

Fiscal Online Disciplina: Direito Tributário Prof. Eduardo Sabbag Data: 13.07.2012 MATERIAL DE APOIO MONITORIA. Índice 1. Fiscal Online Disciplina: Direito Tributário Prof. Eduardo Sabbag Data: 13.07.2012 MATERIAL DE APOIO MONITORIA Índice 1. Anotações de Aula 1. ANOTAÇÕES DE AULA DIREITO TRIBUTARIO NO CTN Art. 155-A CTN.

Leia mais

NOVOS RUMOS DO PROCESSO DO TRABALHO

NOVOS RUMOS DO PROCESSO DO TRABALHO NOVOS RUMOS DO PROCESSO DO TRABALHO Sérgio Pinto Martins RESUMO: Para se falar em novos rumos do processo do trabalho, é preciso fazer referência a velhos rumos. Em um primeiro aspecto serão apresentados

Leia mais

2 http://www.justen.com.br/informativo

2 http://www.justen.com.br/informativo STJ DECIDE SOBRE O CABIMENTO DE HONORÁRIOS NA FASE DE CUMPRIMENTO DE SENTENÇA Felipe Scripes Wladeck Mestrando em Direito Processual Civil pela USP Advogado de Justen, Pereira, Oliveira e Talamini Em recente

Leia mais

WWW.CONTEUDOJURIDICO.COM.BR ACÓRDÃO

WWW.CONTEUDOJURIDICO.COM.BR ACÓRDÃO Registro: 2013.0000227069 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos do Agravo de Instrumento nº 0051818-40.2013.8.26.0000, da Comarca de Barueri, em que é agravante ITAU UNIBANCO S/A, são agravados

Leia mais

PARECER Nº, DE 2012. RELATOR: Senador PAULO PAIM

PARECER Nº, DE 2012. RELATOR: Senador PAULO PAIM PARECER Nº, DE 2012 Da COMISSÃO DE ASSUNTOS SOCIAIS, em caráter terminativo, sobre o Projeto de Lei do Senado nº 39, de 2007, do Senador Alvaro Dias, que Acrescenta o art. 879-A ao Decreto-Lei nº 5.452,

Leia mais

Denunciação da Lide. Genésio Luís de Menezes Cibillo

Denunciação da Lide. Genésio Luís de Menezes Cibillo 1 Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro Denunciação da Lide Genésio Luís de Menezes Cibillo Rio de Janeiro 2013 2 GENÉSIO LUIS DE MENEZES CIBILLO Denunciação da Lide Projeto de pesquisa apresentado

Leia mais

CONGRESSO IBDT/AJUFE DE DIREITO TRIBUTÁRIO

CONGRESSO IBDT/AJUFE DE DIREITO TRIBUTÁRIO CONGRESSO IBDT/AJUFE DE DIREITO TRIBUTÁRIO Execução fiscal, colidências com o CPC e questões relacionadas às garantias. Execução Fiscal: especialidade e subsidiariedade Leonardo Buissa Freitas Execução

Leia mais

SIGNIFICADO DE BUSCA E APREENSÃO

SIGNIFICADO DE BUSCA E APREENSÃO SIGNIFICADO DE BUSCA E APREENSÃO * Nayara Humberto Ferreira ** Vânia Maria Bemfica Guimarães Pinto Coelho 1 Resumo Busca e apreensão é o interesse de reaver a pessoa ou a coisa que encontra-se em poder

Leia mais

QUATRO PERGUNTAS E QUATRO RESPOSTAS SOBRE O AMICUS CURIAE *

QUATRO PERGUNTAS E QUATRO RESPOSTAS SOBRE O AMICUS CURIAE * QUATRO PERGUNTAS E QUATRO RESPOSTAS SOBRE O AMICUS CURIAE * Cassio Scarpinella Bueno SUMÁRIO: 1) O que é amicus curiae?; 2) O amicus curiae é previsto no direito brasileiro?; 3) Qual é a função primordial

Leia mais

BuscaLegis.ccj.ufsc.br

BuscaLegis.ccj.ufsc.br BuscaLegis.ccj.ufsc.br A multa e a penhora on line como formas de efetivar a antecipação de soma em dinheiro Luiz Guilherme Marinoni* 1. O uso da multa Como é óbvio, a tutela antecipatória de soma supõe

Leia mais

Superior Tribunal de Justiça

Superior Tribunal de Justiça RECURSO ESPECIAL Nº 883.859 - SC (2006/0195193-5) RECORRENTE : SUPERMERCADO GOMES LTDA - MASSA FALIDA REPR. POR : EDUARDO CÉSAR VIEIRA - SÍNDICO ADVOGADO : EDUARDO CESAR VIEIRA (EM CAUSA PRÓPRIA) RECORRIDO

Leia mais

HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS NO CUMPRIMENTO DA SENTENÇA

HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS NO CUMPRIMENTO DA SENTENÇA HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS NO CUMPRIMENTO DA SENTENÇA Desembargador Paulo Mauricio Pereira Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro Com as últimas modificações do Código de Processo Civil, em especial

Leia mais

TUTELA PROVISÓRIA NOÇÕES GERAIS

TUTELA PROVISÓRIA NOÇÕES GERAIS TUTELA PROVISÓRIA NOÇÕES GERAIS 1.1. TUTELA DEFINITIVA: SATISFATIVA E CAUTELAR TUTELA DEFINITIVA Obtida com base na cognição do exauriente, profundo debate acerca do objeto da decisão, garantindo o devido

Leia mais

COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DA CIDADANIA PROJETO DE LEI Nº 6.542, DE 2006 VOTO EM SEPARADO DEPUTADO REGIS DE OLIVEIRA

COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DA CIDADANIA PROJETO DE LEI Nº 6.542, DE 2006 VOTO EM SEPARADO DEPUTADO REGIS DE OLIVEIRA COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DA CIDADANIA PROJETO DE LEI Nº 6.542, DE 2006 Regulamenta o inciso IX do art. 114 da Constituição Federal, para dispor sobre competências da Justiça do Trabalho referentes

Leia mais

ESTADO DE MATO GROSSO PODER JUDICIÁRIO COMARCA DE ALTA FLORESTA 6ª VARA. Vistos.

ESTADO DE MATO GROSSO PODER JUDICIÁRIO COMARCA DE ALTA FLORESTA 6ª VARA. Vistos. Autos n.º 3022-48.2012.811.0007. Código nº 101526. Ação de Obrigação de Fazer. Vistos. Trata-se de ação nominada Ação Cominatória de Obrigação de Fazer com pedido expresso de tutela de urgência interposta

Leia mais

A peça cabível será uma petição inicial direcionada para o Juízo Cível.

A peça cabível será uma petição inicial direcionada para o Juízo Cível. OAB 2010.3 GABARITO COMENTADO SEGUNDA FASE CIVIL PEÇA PRÁTICO PROFISSIONAL A peça cabível será uma petição inicial direcionada para o Juízo Cível. Trata-se de uma ação indenizatória proposta por José,

Leia mais

BuscaLegis.ccj.ufsc.br

BuscaLegis.ccj.ufsc.br BuscaLegis.ccj.ufsc.br Agravo de instrumento - efeito ativo Edino Jales * I - Intróito: A par da reforma que se vem empreendendo no processo civil brasileiro, a qual, proficuamente, está sendo desenvolvida

Leia mais

PODER JUDICIÁRIO SEGUNDO TRIBUNAL DE ALÇADA CIVIL DÉCIMA CÂMARA

PODER JUDICIÁRIO SEGUNDO TRIBUNAL DE ALÇADA CIVIL DÉCIMA CÂMARA APELAÇÃO COM REVISÃO N º 641.562-0/7 CAMPINAS Apelante: Lafontes Seguros Administração e Corretora de Seguros S. C. Ltda. Apelada : Margarida da Cunha Santos AÇÃO DE COBRANÇA. EMBARGOS À EXECUÇÃO. CERCEAMENTO

Leia mais

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL X EXAME DE ORDEM UNIFICADO

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL X EXAME DE ORDEM UNIFICADO PADRÃO DE RESPOSTA - PEÇA PROFISSIONAL Em ação de indenização, em que determinada empresa fora condenada a pagar danos materiais e morais a Tício Romano, o Juiz, na fase de cumprimento de sentença, autorizou

Leia mais

LEI DE LOCAÇÕES - ALTERAÇÕES LEGISLATIVAS

LEI DE LOCAÇÕES - ALTERAÇÕES LEGISLATIVAS LEI DE LOCAÇÕES - ALTERAÇÕES LEGISLATIVAS Diogo L. Machado de Melo Nathália Annette Vaz de Lima NORMA ANTERIOR (LEI 8245/91) ALTERAÇÃO TRAZIDA PELA LEI 12.112/09 (COM JUSTIFICATIVAS DE VETOS) (EM VIGOR

Leia mais

Plano para recuperar ou liquidar a empresa

Plano para recuperar ou liquidar a empresa Plano para recuperar ou liquidar a empresa Os credores podem decidir se querem recuperar a empresa ou liquidála. Cabe aos credores de uma empresa decidirem se querem recuperá-la a empresa ou liquidá-la,

Leia mais

DISCIPLINA: Direito Processual Civil II SEMESTRE DE ESTUDO: 6º Semestre. CH total: 72h

DISCIPLINA: Direito Processual Civil II SEMESTRE DE ESTUDO: 6º Semestre. CH total: 72h DISCIPLINA: Direito Processual Civil II SEMESTRE DE ESTUDO: 6º Semestre TURNO: Matutino / Noturno CH total: 72h CÓDIGO: DIR130 1. EMENTA: Direito probatório. Audiência de instrução e julgamento. Antecipação

Leia mais

A NOVA EXECUÇÃO NO DIREITO DE FAMÍLIA

A NOVA EXECUÇÃO NO DIREITO DE FAMÍLIA A NOVA EXECUÇÃO NO DIREITO DE FAMÍLIA Newton Teixeira Carvalho, Juiz Titular da 1ª Vara de Família de Belo Horizonte, Especializado em Direito de Empresa pela Fundação Dom Cabral, em Belo Horizonte, Professor

Leia mais

DO REGISTRO DA COMPRA E VENDA CONDICIONAL

DO REGISTRO DA COMPRA E VENDA CONDICIONAL DO REGISTRO DA COMPRA E VENDA CONDICIONAL João Pedro Lamana Paiva 1 Resumo: este artigo faz uma abordagem acerca do registro do contrato de compra e venda de imóvel que contenha cláusula que condicione

Leia mais

Débora Cristina Tortorello Barusco. Bacharel, Empresária, nascida aos 04 de Outubro de 1962, cidade de Bebedouro, São Paulo.

Débora Cristina Tortorello Barusco. Bacharel, Empresária, nascida aos 04 de Outubro de 1962, cidade de Bebedouro, São Paulo. 1 2 Débora Cristina Tortorello Barusco. Bacharel, Empresária, nascida aos 04 de Outubro de 1962, cidade de Bebedouro, São Paulo. Ao meu marido João, por tudo que construímos ao longo da nossa vida, através

Leia mais

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos de APELAÇÃO ClVEL n^ 071.433-4/5, da Comarca de SÃO PAULO, em que é apelante TROPVILLE COMERCIAL LTDA., sendo apelada EMPRESARIAL E ASSESSORIA S/C LTDA.:

Leia mais

PARECER Nº, DE 2012. RELATOR: Senador ARMANDO MONTEIRO I RELATÓRIO

PARECER Nº, DE 2012. RELATOR: Senador ARMANDO MONTEIRO I RELATÓRIO PARECER Nº, DE 2012 Da COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO, JUSTIÇA E CIDADANIA, sobre o Projeto de Lei do Senado nº 39, de 2007, do Senador Alvaro Dias, que Acrescenta o art. 879-A ao Decreto-Lei nº 5.452, de 1º

Leia mais

FIXAÇÃO DO VALOR MÍNIMO DE INDENIZAÇÃO E SUA INSTRUMENTALIZAÇÃO PRÁTICA VALOR MÍNIMO DE INDENIZAÇÃO: FIXAÇÃO E NSTRUMENTALIZAÇÃO

FIXAÇÃO DO VALOR MÍNIMO DE INDENIZAÇÃO E SUA INSTRUMENTALIZAÇÃO PRÁTICA VALOR MÍNIMO DE INDENIZAÇÃO: FIXAÇÃO E NSTRUMENTALIZAÇÃO FIXAÇÃO DO VALOR MÍNIMO DE INDENIZAÇÃO E SUA INSTRUMENTALIZAÇÃO PRÁTICA José Roberto Torres da Silva Batista * Isaiane Costa Pereira ** RESUMO Este artigo discute uma visão dialética do conhecimento, a

Leia mais

AÇÃO DE DESPEJO POR FALTA DE PAGAMENTO

AÇÃO DE DESPEJO POR FALTA DE PAGAMENTO AÇÃO DE DESPEJO POR FALTA DE PAGAMENTO CAETANO ERNESTO DA FONSECA COSTA Desembargador do TJ/RJ 1. OBJETIVO O que modestamente se pretende com este trabalho é alcançar maior celeridade à pretensão jurisdicional

Leia mais

O NOVO DIVÓRCIO À LUZ DA PROBLEMÁTICA PROCESSUAL

O NOVO DIVÓRCIO À LUZ DA PROBLEMÁTICA PROCESSUAL O NOVO DIVÓRCIO À LUZ DA PROBLEMÁTICA PROCESSUAL Vinícius Paulo Mesquita 1) Notas Introdutórias Com a promulgação da E.C. 66/10, a chamada PEC do Divórcio, a doutrina pátria passou a sustentar em sua grande

Leia mais

ANTECIPAÇÃO DE TUTELA, EFEITO SUSPENSIVO E A REFORMA DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL

ANTECIPAÇÃO DE TUTELA, EFEITO SUSPENSIVO E A REFORMA DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL ANTECIPAÇÃO DE TUTELA, EFEITO SUSPENSIVO E A REFORMA DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL GUILHERME DE ALMEIDA BOSSLE Bacharel em Direito pela Universidade do Vale do Itajaí Com a recente reforma do Código de Processo

Leia mais

Vigésima Sétima Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro

Vigésima Sétima Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro APELAÇÃO CÍVEL Nº 0460569-74.2012.8.19.0001 APELANTE: ALINE ALMEIDA PERES APELADO: INSTITUTO BRASILEIRO DE MEDICINA DE REABILITAÇÃO LTDA RELATOR: DES. FERNANDO ANTONIO DE ALMEIDA APELAÇÃO CÍVEL DIREITO

Leia mais

(voto proferido pela Ministra Eliana Calmon). Já decidiu este Superior Tribunal de Justiça que "o valor da indenização por dano moral sujeita-se ao

(voto proferido pela Ministra Eliana Calmon). Já decidiu este Superior Tribunal de Justiça que o valor da indenização por dano moral sujeita-se ao O DANO MORAL E A ESCOLA-BASE: O LEAD CASE DO STJ PAULO R. ROQUE A. KHOURI Advogado Mestrando em Direito Privado pela Universidade de Lisboa Autor do Livro Contratos e Responsabilidade Civil no CDC Professor

Leia mais

THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito processual civil. 42. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005. v. 1.

THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito processual civil. 42. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005. v. 1. ÁREA 5 DIREITO PROCESSUAL CIVIL, I, II, III, IV, V e VI DIREITO PROCESSUAL CIVIL I Sujeitos do processo. Litisconsórcio. Intervenção de terceiros. Petição inicial. Causa de pedir. Pedido. Citação. Atos

Leia mais

PLANO DE CURSO 2010/2

PLANO DE CURSO 2010/2 Este Plano de Curso poderá sofrer alterações a critério do professor e / ou da Coordenação. DISCIPLINA: DIREITO PROCESSUAL CIVIL II PROFESSOR: BRUNO ALBINO RAVARA TURMA: 2º ANO INTEGRAL PLANO DE CURSO

Leia mais

RESOLUÇÃO N.º DE DE 2015. O PRESIDENTE DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA (CNJ), no uso de suas atribuições legais e regimentais,

RESOLUÇÃO N.º DE DE 2015. O PRESIDENTE DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA (CNJ), no uso de suas atribuições legais e regimentais, RESOLUÇÃO N.º DE DE 2015 Regula o procedimento a ser adotado nas medidas assecuratórias em matéria processual-penal e as providências a serem adotadas quando decretada a perda de bens móveis ou imóveis

Leia mais

(querela nullitatis) Ação de nulidade da sentença. Capítulo X

(querela nullitatis) Ação de nulidade da sentença. Capítulo X Capítulo X Ação de nulidade da sentença (querela nullitatis) A decisão judicial existente pode ser impugnada, basicamente, por dois meios de impugnação: o recurso e a ação rescisória. Esses meios servem

Leia mais

PEDIDO DE VISTA NA INDICAÇÃO Nº 022/2012, RELATIVA AO PROJETO DE LEI Nº 2963/11, DE RELATORIA DO DR. IVAN NUNES FERREIRA.

PEDIDO DE VISTA NA INDICAÇÃO Nº 022/2012, RELATIVA AO PROJETO DE LEI Nº 2963/11, DE RELATORIA DO DR. IVAN NUNES FERREIRA. PEDIDO DE VISTA NA INDICAÇÃO Nº 022/2012, RELATIVA AO PROJETO DE LEI Nº 2963/11, DE RELATORIA DO DR. IVAN NUNES FERREIRA. VOTO DE VISTA: FAUZI AMIM SALMEM PELA APROVAÇÃO DO RELATÓRIO, COM AS SEGUINTES

Leia mais

CUMPRIMENTO DA SENTENÇA NAS OBRIGAÇÕES POR QUANTIA CERTA: PRINCIPAIS MODIFICAÇÕES

CUMPRIMENTO DA SENTENÇA NAS OBRIGAÇÕES POR QUANTIA CERTA: PRINCIPAIS MODIFICAÇÕES CUMPRIMENTO DA SENTENÇA NAS OBRIGAÇÕES POR QUANTIA CERTA: PRINCIPAIS MODIFICAÇÕES Fabio Busnardi Fernandes 1, Carlos Eduardo Futra Matuikisk 2, Rodrigo Antonio Coxe Garcia 3 1 Bacharelando em Ciências

Leia mais

XV Exame de Ordem 2ª Fase OAB Civil - ProfessorAoVivo Qual a peça Juquinha? Prof. Darlan Barroso

XV Exame de Ordem 2ª Fase OAB Civil - ProfessorAoVivo Qual a peça Juquinha? Prof. Darlan Barroso XV Exame de Ordem 2ª Fase OAB Civil - ProfessorAoVivo Qual a peça Juquinha? Prof. Darlan Barroso 2ª Fase OAB - Civil Juquinha Junior, representado por sua genitora Ana, propôs ação de investigação de paternidade

Leia mais

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL IX EXAME DE ORDEM UNIFICADO

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL IX EXAME DE ORDEM UNIFICADO PADRÃO DE RESPOSTA - PEÇA PROFISSIONAL Moema, brasileira, solteira, natural e residente em Fortaleza, no Ceará, maior e capaz, conheceu Tomás, brasileiro, solteiro, natural do Rio de Janeiro, também maior

Leia mais

PEDIDO DE REGISTRO DE MARCA E CONTROLE JURISDICIONAL RESUMO

PEDIDO DE REGISTRO DE MARCA E CONTROLE JURISDICIONAL RESUMO PEDIDO DE REGISTRO DE MARCA E CONTROLE JURISDICIONAL Antonio André Muniz de Souza Procurador Federal na Procuradoria Regional do INPI em São Paulo Pós-graduando em Propriedade Intelectual na Fundação Getúlio

Leia mais

Jurisdição e ação: conceito, natureza e características; das condições da ação

Jurisdição e ação: conceito, natureza e características; das condições da ação Jurisdição e ação: conceito, natureza e características; das condições da ação Jurisdição: é o poder de dizer o direito Ação: direto público subjetivo Processo: método de compor litígios Procedimento:

Leia mais

ALei nº 11.382 de 06.12.2006, com vigência a partir de 21.01.2007, trouxe

ALei nº 11.382 de 06.12.2006, com vigência a partir de 21.01.2007, trouxe A LEI Nº 11.382, DE 6 DE DEZEMBRO DE 2006, E O PROCESSO DO TRABALHO Luiz Ronan Neves Koury* INTRODUÇÃO ALei nº 11.382 de 06.12.2006, com vigência a partir de 21.01.2007, trouxe alterações em dispositivos

Leia mais

22/10/2015 https://pje.tjdft.jus.br/pje/consultapublica/detalheprocessoconsultapublica/documentosemloginhtml.seam?ca=e7a42b30ee6f6d0ff5bb5ab6f2d34

22/10/2015 https://pje.tjdft.jus.br/pje/consultapublica/detalheprocessoconsultapublica/documentosemloginhtml.seam?ca=e7a42b30ee6f6d0ff5bb5ab6f2d34 Poder Judiciário da União TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS 2JEFAZPUB 2º Juizado Especial da Fazenda Pública do DF Número do processo: 0706261 95.2015.8.07.0016 Classe judicial:

Leia mais

O ACESSO À JUSTIÇA E A EFETIVIDADE PROCESSUAL RESUMO

O ACESSO À JUSTIÇA E A EFETIVIDADE PROCESSUAL RESUMO 32 O ACESSO À JUSTIÇA E A EFETIVIDADE PROCESSUAL Cristiano José Lemos Szymanowski 1 RESUMO A proposta deste trabalho estrutura-se na análise de dois temas que se conjugam, o Acesso à Justiça e a Efetividade

Leia mais

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO COMARCA DE SÃO CAETANO DO SUL FORO DE SÃO CAETANO DO SUL 2ª VARA CÍVEL

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO COMARCA DE SÃO CAETANO DO SUL FORO DE SÃO CAETANO DO SUL 2ª VARA CÍVEL fls. 137 CONCLUSÃO Em 24 de outubro de 2014, faço estes autos conclusos ao (à) Doutor(a) Ana Lucia Fusaro Juiz(a) de Direito. Rafael Nigoski Lopes, Assistente Judiciário. Processo nº: 1002710-42.2014.8.26.0565

Leia mais

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL XIII EXAME DE ORDEM UNIFICADO

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL XIII EXAME DE ORDEM UNIFICADO PADRÃO DE RESPOSTA - PEÇA PROFISSIONAL Determinada pessoa jurídica declarou, em formulário próprio estadual, débito de ICMS. Apesar de ter apresentado a declaração, não efetuou o recolhimento do crédito

Leia mais

Renúncia à Instância Administrativa Trabalhista

Renúncia à Instância Administrativa Trabalhista Renúncia à Instância Administrativa Trabalhista Abel Ferreira Lopes Filho* 1. Introdução. Para Mariana Wolfenson, renunciar à instância administrativa decorre da opção lógica feita pelo administrado em

Leia mais

Tópicos em Direito Processual Civil Carga Horária: 20 h/a

Tópicos em Direito Processual Civil Carga Horária: 20 h/a Faculdade de Direito Milton Campos Reconhecida pelo Ministério da Educação Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Direito Civil Tópicos em Direito Processual Civil Carga Horária: 20 h/a 1- Ementa A presente

Leia mais

BuscaLegis.ccj.ufsc.br

BuscaLegis.ccj.ufsc.br BuscaLegis.ccj.ufsc.br (Artigos) considerações sobre a responsabilidade "penal" da pessoa jurídica Dóris Rachel da Silva Julião * Introdução É induvidoso que em se tratando da criminalidade econômica e

Leia mais

PRINCÍPIOS DA EXECUÇÃO

PRINCÍPIOS DA EXECUÇÃO PRINCÍPIOS DA EXECUÇÃO 1. NULLA EXECUTIO SINE TITULO (sem título não há execução) * título executivo: probabilidade de o direito exeqüendo existir a ponto de justificar a situação de desvantagem processual

Leia mais

Este Plano de Curso poderá sofrer alterações a critério do professor e/ou da Coordenação.

Este Plano de Curso poderá sofrer alterações a critério do professor e/ou da Coordenação. Este Plano de Curso poderá sofrer alterações a critério do professor e/ou da Coordenação. PLANO DE CURSO 2012/2 DISCIPLINA: DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO II PROFESSOR: UDNO ZANDONADE TURMAS: 10 o CN UNIDADES

Leia mais

RELATÓRIO IV - APELACAO CIVEL 2010.51.01.018449-4. Art. 585. São títulos executivos extrajudiciais: (...)

RELATÓRIO IV - APELACAO CIVEL 2010.51.01.018449-4. Art. 585. São títulos executivos extrajudiciais: (...) Nº CNJ : 0018449-85.2010.4.02.5101 RELATOR : DESEMBARGADOR FEDERAL ALUISIO MENDES APELANTE : COMPANHIA EXCELSIOR DE SEGUROS ADVOGADO : ROBERTO DONATO BARBOZA PIRES DOS REIS E OUTROS APELADO : COMPANHIA

Leia mais

BuscaLegis.ccj.ufsc.Br

BuscaLegis.ccj.ufsc.Br BuscaLegis.ccj.ufsc.Br Tutela antecipada e suspensão da exigibildade do crédito tributário Eduardo Munhoz da Cunha* Sumário:1. Introdução. 2. A possibilidade de concessão de tutela antecipada contra a

Leia mais

Direito das Coisas II

Direito das Coisas II 2.8 DO DIREITO DO PROMITENTE COMPRADOR Ao cabo do que já era reconhecido pela doutrina, o Código Civil de 2002, elevou o direito do promitente comprador ao status de direito real. Dantes, tão somente constava

Leia mais

PODER JUDICIÁRIO. Gabinete da Desembargadora Elizabeth Maria da Silva

PODER JUDICIÁRIO. Gabinete da Desembargadora Elizabeth Maria da Silva APELAÇÃO CÍVEL Nº 481605-21.2009.8.09.0143 (200994816057) COMARCA DE SÃO MIGUEL DO ARAGUAIA 4ª CÂMARA CÍVEL APELANTES : ADEMIR CARDOSO DOS SANTOS E OUTRA APELADO : MINISTÉRIO PÚBLICO RELATOR : Juiz SÉRGIO

Leia mais