Apontamentos sobre a modernidade e seus reflexos para o Brasil do século XX *

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "Apontamentos sobre a modernidade e seus reflexos para o Brasil do século XX *"

Transcrição

1 Apontamentos sobre a modernidade e seus reflexos para o Brasil do século XX * Thiago Cavaliere Mourelle ** O advento da modernidade resultou em uma série de mudanças para o homem ocidental europeu. Teve início uma nova forma de se compreender o tempo. Concomitantemente, se pretendeu fundar um novo Estado de Direito, rompendo com a tradição política e jurídica existente até então. Max Weber traduziu o mundo moderno europeu ocidental como sendo, mais do que uma nova forma de acumulação de riquezas diante do advento do capitalismo industrial, um novo espírito (WEBER, 2004). Hannah Arendt (1988, p. 22) mostrou o surgimento da noção de mudança no rumo da história, como algo inteiramente novo que rompe com o passado. Isso pode ser percebido através da nova noção de revolução, que significa rompimento ao invés de retorno. Outro exemplo é a aplicação de calendários revolucionários para marcar um reinício do tempo, como ocorreu durante Revolução Francesa. Na modernidade, a chamada questão social se misturou com a política, dando a esta uma missão primordialmente ligada à manutenção e proteção da vida humana. Para Arendt (1988), a interferência do Estado moderno, por meio da política moderna, na vida individual de cada um dos seus membros, seria sinal da decadência da política isto é, uma mistura da bíos com a zoé, para utilizar os termos de Aristóteles (2000) 1. Já para Foucault (2005, p ), significou a opressão do homem pelo Estado. A América Latina, colonizada politicamente e com grande influência cultural da Europa ocidental, sofreu reflexos dos acontecimentos que ocorriam no velho continente. A revolução proclamada por Getúlio Vargas, em 1930, mesmo não tendo praticamente nada a ver com o * Artigo recebido em agosto de 2011 e aprovado para publicação em fevereiro de ** Doutorando em História Social pela Universidade Federal Fluminense/UFF e Historiador do Arquivo Nacional. 1 Brevemente, pela definição de Aristóteles, podemos diferenciar bíos e zoé da seguinte forma: zoé como mero fato de viver ou a vida biológica; e bíos compreendida no sentido de um modo de viver, ou seja, a vida política. 99

2 [APONTAMENTOS SOBRE A MODERNIDADE E SEUS REFLEXOS PARA O BRASIL DO SÉCULO XX ** THIAGO CAVALIERE MOURELLE] sentido de ruptura do significado moderno de revolução, foi assim considerada pelo interesse político de estabelecer um novo início, um recomeço na história do Brasil. Como diz Habermas (1990, p. 12), a modernidade quis se afastar do passado e fundar um novo futuro, a partir do nada, buscando uma autofundamentação. No Brasil, o mesmo ocorreu com a chegada de Vargas ao poder. Já nos primeiros meses de seu governo o período anterior passou a ser chamado de República Velha; mais tarde, a ditadura de 1937 foi fundada com o nome de Estado Novo. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), criada em 1943, foi divulgada como uma benesse do presidente aos trabalhadores, ignorando todo o passado de luta operária que pressionou o Estado para a conquista desse direito e que teve grande responsabilidade na obtenção dos mesmos. O passado foi posto de lado e o presente, representado na figura de Getúlio Vargas, foi exaltado. O governo varguista, alinhado com a tendência europeia de líderes nacionais autoritários Hitler, na Alemanha; Mussolini, na Itália; Franco, na Espanha; Salazar, em Portugal, entre outros, não fugiu à lógica moderna de mistura da bíos com a zoé que, por sua vez, levou à interferência do Estado sobre a vida humana. O presidente pôs em prática uma série de medidas disciplinares e reguladoras objetivando a normalização dos comportamentos (FOUCAULT, 2005, p ). A história moderna passou, então, a ser movida pela necessidade. Na perspectiva de Hegel, trata-se de algo inevitável, que caminha para frente de maneira retilínea e que transcende os homens quase eliminando a importância da ação individual. A revolução moderna, que marca uma ruptura e um recomeço, é irresistível, violenta e carrega consigo sempre a novidade como principal característica (ARENDT, 1988, p ). Koselleck (1999, p. 12) tem a opinião de que a política, a partir do Iluminismo, perdeu seu caráter pleno de realização humana na medida em que foi criticada pela moral. Ele lembrou que, para Hobbes, o homem seria livre no domínio moral, pessoal, privado; enquanto que no domínio público, como cidadão, estaria sujeito ao governante. Esta separação entre moral e política, estabelecida por Hobbes, teria acabado após o advento da modernidade (KOSELLECK, 1999, p. 39). Assim, a nova filosofia da história, nascida na modernidade, serviu para justificar não só a democracia, mas também os regimes autoritários. As mortes provocadas nos governos de 100

3 Stálin e Hitler, por exemplo, tiveram a justificativa de se darem em prol de um fim para a história, no sentido de processo. Da mesma forma, as milhares de prisões e torturas durante o Governo Vargas seriam justificadas pela necessidade mais uma vez, a necessidade nascida do conceito moderno de revolução, no caso, a Revolução de 1930 de defender o Brasil da ameaça socialista e dirigir o país rumo à modernização e ao chamado progresso outra concepção moderna, retilínea e processual. A modernidade criou um tipo de tribunal da história, irresistível e acima dos homens. Koselleck tornou publica sua obra Crítica e Crise em plena Guerra Fria, em Nesse contexto, havia duas grandes morais contrapostas, a socialista e a capitalista, cada uma baseada numa visão política distinta. O grande problema é o mascaramento do discurso político por meio de um discurso moral. É uma dissimulação, uma hipocrisia. A crítica feita ao sistema político do inimigo é colocada como uma crítica moral, quando, na verdade, cada moral tem sua razão e a disputa está verdadeiramente na esfera política e não na moral. Essa mistura ganhou força após a Revolução Francesa, com o direito natural se tornando direito político. Aquelas esferas separadas por Hobbes foram reunidas. Com isso, não apenas o Estado Absolutista ruiu, mas também o novo Estado de Direito criado teria o monarca, o parlamento ou o presidente cada vez mais interferindo nos direitos naturais dos indivíduos. Estes últimos se misturaram aos direitos políticos e entraram na esfera de ação do Estado, aplicador das políticas públicas. Berman (2008, p. 60 e 64) acrescentou que esse novo Estado de Direito moderno não se sentia inibido pelo freio da dúvida moral e que a visão moderna do progresso ininterrupto quase como uma lei natural foi fundamental também para o que chama de mitologias populistas do Terceiro Mundo. Para o autor, as pessoas que estão no caminho da história, do progresso, do desenvolvimento, (...) são descartadas, como obsoletas (BERMAN, 2008, p. 85). Ao analisar o mito de Fausto, Berman elogia os Estados Unidos como o país em que a missão fáustica do progresso à serviço do homem foi a mais corretamente seguida. Suas críticas recaem, principalmente, sobre o socialismo soviético no contexto da Guerra Fria, e também sobre os países ditos do Terceiro Mundo, onde podemos inserir o Brasil. Para 101

4 [APONTAMENTOS SOBRE A MODERNIDADE E SEUS REFLEXOS PARA O BRASIL DO SÉCULO XX ** THIAGO CAVALIERE MOURELLE] Berman, o desenvolvimento econômico desses países foi incapaz de gerar progresso real para compensar a devastação e a miséria reais que trouxeram (BERMAN, 2008, p ). A falha de Berman decorre do fato de que sua visão sugere uma análise em separado dos países do Terceiro Mundo em relação a países desenvolvidos, como os Estados Unidos. Ora, se o desenvolvimento econômico do Brasil gerou mais miséria do que progresso real é também pelo fato desse país ter se encontrado sempre na periferia do capitalismo mundial, permanecendo dependente de países como Estados Unidos e Inglaterra, por exemplo. Durante a chamada República Velha, o Brasil tinha suas exportações quase que reduzidas somente ao café, tendo sofrido de forma intensa durante a Crise de 1929, quando os americanos cortaram drasticamente a importação desse produto primário. O início do Governo Vargas, na autointitulada Revolução de 1930, significou a entrada do país em sua era fáustica, porém sob o jugo de uma ditadura que foi preparada por sete anos, até ter deflagrada, em 1937 que condicionou a urbanização e o crescimento industrial à obediência da população e à supressão da oposição democrática. As medidas governamentais eram sempre justificadas em prol do progresso. Baudelaire (2002, p ) trouxe uma crítica a esse olhar voltado somente para o material, ou seja, para o desenvolvimento industrial que passa por cima da sensibilidade dos homens, submetendo as pessoas que estão no caminho do irresistível progresso. Para ele, tal prática não permite a reflexão e a busca despreocupada pela felicidade. É um questionamento à modernidade como um todo. Em contraposição a essa pressa constante do progresso, Baudelaire caracterizou a figura do flanêur: homem profundo, observador e amante da vida e das pessoas, que olha o mundo com a alegria de uma criança, maravilhado, deixando a curiosidade guiá-lo por seus caminhos. O flanêur caminha pela cidade e observa os trabalhadores, os cenários citadinos, escuta os sons do dia-a-dia e os diálogos entre as pessoas. O autor escreveu também sobre o dândi, que julga estar em extinção na França de seu tempo (meados do século XIX). Dândi é o homem que busca o belo, a vida, sem se preocupar tanto com coisas materiais, mas sim em descobrir novidades, ver pessoas, vivendo de forma despreocupada e leve. Baudelaire criticou o fato de que a vida na França estava pautada em atender às necessidades básicas materiais e julgou que isso não era viver de forma plena. 102

5 O discurso de Baudelaire foi voltado principalmente aos burgueses. Buscou fazê-los atentar para os problemas do mundo moderno. Sua crítica à modernidade chegou ao auge quando escreveu o livro Spleen de Paris (2007), em que mostrou a situação da capital da França diante do progresso implacável, expondo conflitos sociais e as mazelas da sociedade. O Brasil também teve seu flâneur, porém mais tarde, somente no fim do século XIX e início do XX. Apelidado de João do Rio, João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto foi poeta e escritor urbano que frequentava as ruas do Rio de Janeiro, então capital brasileira, exercitando o olhar observador do qual Baudelaire tanto fez apologia. Também ele fez perceber as mudanças trazidas pela modernidade, mostrando como o ideal do progresso a qualquer custo passava literalmente por cima das pessoas, derrubando moradias e realizando obras quase intermináveis ao longo da cidade 2. O poeta viveu na época do chamado bota-abaixo, ocorrido na primeira década do século XX, período em que o prefeito Pereira Passos procurou reformar a cidade carioca copiando as reformas urbanas vividas pela Paris do Barão Haussman cerca de cinquenta anos antes época esta vivida por Baudelaire. As críticas de João do Rio à modernidade e sua atenção aos detalhes do dia-a-dia da vida urbana são comuns também à obra de Baudelaire, tornando possível fazermos essa comparação entre os dois. Na modernidade criticada por Baudelaire e João do Rio, a distância entre experiência e expectativa aumentou. A história se tornou contínua e, portanto, única em cada tempo e lugar. Não pôde mais servir de exemplo, pois se modificava constantemente. Também passou a ser vista como progressiva. A experiência passada não explicava mais o futuro. Na Antiguidade, o presente e o futuro se atrelavam ao passado. O camponês seguia a profissão de seu pai e as tradições de família. A religião lançava para o mundo espiritual do pós-morte as expectativas de mudança. Então, a secularização iluminista trouxe essas expectativas para o mundo terreno. Foi criado o conceito de progresso e o novo conceito de história se atrelou a isso (KOSELLECK, 2006, p & MARRAMAO, 1995, p ). 2 Entre as várias obras sobre João do Rio vale destacar RODRIGUES, Antônio Edmilson Martins. João do Rio: a cidade e o poeta olhar de flâneur na belle époque tropical. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas,

6 [APONTAMENTOS SOBRE A MODERNIDADE E SEUS REFLEXOS PARA O BRASIL DO SÉCULO XX ** THIAGO CAVALIERE MOURELLE] A noção de desenvolvimento, baseado no princípio igualitário-progressivo da democracia, nasceu também nesse contexto. A história foi planificada, pois deveria correr para um fim, o que deu origem a várias leituras teleológicas sobre qual seria e quando se daria o fim da história da humanidade (MARRAMAO, 1995, p. 103). Kant (1986, p. 3) fortaleceu essa visão teleológica ao enumerar proposições definindo um sentido para a história dos homens. Ele afirmou que a finalidade última da espécie humana seria o desenvolvimento de suas capacidades racionais e a aplicação da razão para o fim último que seria a perfeita união política da humanidade. Ele não acreditava na história como eventos isolados e, sim, na possibilidade de se descobrir um curso regular e um desenvolvimento continuamente progressivo. Ao defender a ideia de um plano da natureza que vise à perfeita união civil da espécie humana como uma perspectiva consoladora para o futuro, Kant validou mais uma vez a leitura teleológica, processual e progressiva da história, pilar da modernidade (KANT, 1986, p. 21). Mas Kant esteve longe de ser o único. Hegel também teve uma visão teleológica da história. Ele acreditava que a razão faz o homem caminhar na direção da liberdade e que esta, por sua vez, se consagraria na criação do Estado de direito (HEGEL, 1999, p. 17, 25 e 40). Este Estado, ao estabelecer de forma artificial o que é bom e mau, frearia as paixões individuais. Coibir as intenções particulares seria a razão primordial do Estado de direito, que levaria à liberdade ao zelar pelos interesses coletivos contra as vontades de cada indivíduo (HEGEL, 1999, p. 32). Então, para Hegel, a história da humanidade tomaria forma e teria início de fato a partir da criação do Estado (HEGEL, 1999, p. 58). O perigo da visão hegeliana é mais uma vez a amplitude dada ao Estado, acima das pessoas, que pode servir de justificativa para o advento do totalitarismo. Porém, cabe aqui fazer uma defesa de Hegel, já que também em um Estado democrático o interesse coletivo está acima das vontades individuais. Ele falou em frear as paixões de cada homem em prol das leis gerais coletivas, mas em momento algum fez referência explícita a algum tipo de totalitarismo. No bojo dessas transformações da visão moderna de história surgiu a ideia do processo rumo à civilização, que seria alcançada com o desenrolar contínuo do progresso. Países que se 104

7 consideravam civilizados se julgaram no direito de dirigir povos que supostamente não tinham atingido o progresso. A oitava proposição de Kant previa uma constituição política de toda a humanidade, partindo da Europa e se expandindo para o resto do mundo, como sendo o plano oculto da Natureza para a história humana (KANT, 1986, p. 17). Embora não se possa afirmar que essa tenha sido a intenção kantiana, a proposição justifica o expansionismo europeu pelo mundo e as interferências dos ditos mais civilizados em outros continentes. Tal perspectiva se concretizou não só na política do Destino Manifesto dos Estados Unidos, como também no imperialismo europeu na Ásia e na África. O Brasil, nesse contexto, ao fundar sua República, também se preocupava em se tornar um país civilizado e no rumo do badalado progresso. Daí surgirem as reformas urbanas já citadas, que copiavam as capitais europeias, bem como as políticas de incentivo à imigração iniciadas já no Segundo Reinado que, mais do que assegurar maior quantidade de mão de obra para a economia nacional, queriam embranquecer a população, pois o país queria buscar identificação com os brancos europeus ditos civilizados e não com os negros da África, continente considerado bárbaro. Para Koselleck (2006), ao invés de conceitos serem criados a partir de experiências vividas, eles inauguram as novas experiências, às vezes as antecedendo na prática. Nesse sentido, surgiram teorias que deram origem ao socialismo, comunismo, fascismo, democratismo, republicanismo, entre outros, desenvolvidos com o objetivo de criar projetos para o futuro. Koselleck os chama de conceitos de movimento. Os Estados implementaram suas políticas públicas se preocupando mais com o futuro do que com o passado (KOSELLECK, 2006, p. 326). As políticas dos Estados deixaram de operar sobre os dados reais e passaram a agir tendo como princípio norteador um sentido específico que se realizaria a posteriori (democracia, liberdade, comunismo, entre outros) (MARRAMAO, 1995, p. 115). O Brasil projetou ser um país civilizado dessa forma, a partir da política do embranquecimento e do estabelecimento de relações econômicas e culturais com Estados Unidos, Inglaterra e França. Não foi à toa que a bandeira criada na Proclamação da República, em 1889, teve a palavra progresso escrita ao centro, indicando o objetivo a 105

8 [APONTAMENTOS SOBRE A MODERNIDADE E SEUS REFLEXOS PARA O BRASIL DO SÉCULO XX ** THIAGO CAVALIERE MOURELLE] ser alcançado influência do positivismo comteano, que também fez parte desse novo ideário moderno de progresso. Arendt apontou para o problema da criação de axiomas racionais que justifiquem toda e qualquer iniciativa, servindo de apoio para os governos totalitários: ação baseada em qualquer hipótese. Ela criticou essa visão progressiva e processual da história, que acabou por criar um sentido geral abstrato aos acontecimentos: ele [o historiador] é propenso a menosprezar o que efetivamente aconteceu em sua busca por discernir alguma tendência objetiva (ARENDT, 1997, p. 124). Dessa forma, os homens se distanciaram do contato sensorial com a natureza e também das ações que compõem a História da humanidade. Ficaram sem um mundo comum que a um só tempo os relacione ou separe; (...) vivem em uma separação desesperadamente solitária ou são comprimidos em uma massa (...); perderam o mundo de outrora comum a todos. É uma alienação do mundo: uma sucessão de processos criados, por visões utilitaristas que justificam toda e qualquer ação em prol do progresso retilíneo e constante. Isso leva à ruína da ação, do factual e do evento particular por meio da validade aparentemente maior de sentidos gerais (ARENDT, 1997, p. 126). A preocupação de Arendt tem fundamento, pois não faltam exemplos de mortes tidas como necessárias para um bem futuro: dessa forma os nazistas justificaram o extermínio dos judeus, assim como Stálin cometeu uma série de genocídios e Mao-Tse-Tung eliminou milhões de vidas humanas. Mais suave, mas na mesma linha de pensamento, ocorreu a ditadura de Getúlio Vargas entre 1937 e Não é porque se criou a Consolidação das Leis do Trabalho e se incrementou a industrialização do país, que é justificado o governo autoritário. É isso que Arendt denuncia: o progresso não deve servir de justificativa para a repressão, prisões e mortes arbitrárias. O historiador, por um bom tempo, ao negar a antiga história política linear e factual, acabou se perdendo em concepções históricas processuais que caíram no outro extremo: de excluir a ação e o factual da história. Atualmente um equilíbrio já começa a ser alcançado, embora ainda persistam problemas como a sacralização de alguns períodos históricos como a própria Era Vargas. 106

9 Para Marramao, a criação dessa série de axiomas citados socialismo, fascismo, entre outros, que lançaram para o futuro a realização da história, acabou mudando também o conceito de revolução. A história, na busca por estruturas e pela longa duração, criticou de forma exagerada a chamada história Évenementiele. A história serial, ao buscar as permanências ao invés das mudanças, tornou inútil o conceito moderno de revolução enquanto ruptura. Isso criou uma tensão e inaugurou a época do agora não mais e do agora não ainda (MARRAMAO, 1995, p ). Marramao vê a necessidade de inaugurar uma transformação que não mais se faça plena no futuro, mas no presente (MARRAMAO, 1995, p ). Marramao expressou esse desejo em seu Poder e Secularização, de Para Hartog, com a reunificação da Alemanha, em 1989, e o posterior fim da União Soviética e consequentemente da Guerra Fria, o regime de historicidade moderno, voltado para o futuro, deu lugar a outro regime de historicidade a que chama de presentismo. Porém, outro problema surgiu no horizonte: a perda de conexão com o passado e com o futuro. Para tentar impedir a perda de tal elo, o autor percebeu o surgimento de uma tendência em privilegiar a memória, as comemorações e as identidades coletivas e individuais (HARTOG, 1996, passim). O fato é que, a partir de 1989, houve certo enfraquecimento das utopias. A queda do socialismo soviético trouxe o capitalismo para o antigo mundo vermelho. O consumismo, o desenvolvimento e o progresso se fortaleceram ainda mais, aparecendo através de números que surgem todos os dias nos meios de comunicação realçando a necessidade de crescimento contínuo das relações econômicas mundiais. A preocupação volta-se para o agora, pois o passado é visto como antigo e ultrapassado e o futuro não acena mais com mudanças ou rupturas utópicas, sendo a simples continuação do desenvolvimento econômico do presente. Nesse contexto, o Brasil também foi dando adeus às utopias e se entregando ao presentismo de Hartog. O Partido Comunista Brasileiro/PCB, ícone da luta proletária por várias décadas, que deu origem a vários grupos que lutaram contra a ditadura civil-militar ( ), foi se enfraquecendo cada vez mais. Primeiro foi o Partido dos Trabalhadores/PT que angariou grande parte de seu eleitorado já no início da década de 1980; depois o fim do chamado mundo socialista acabou por torná-lo quase insignificante, 107

10 [APONTAMENTOS SOBRE A MODERNIDADE E SEUS REFLEXOS PARA O BRASIL DO SÉCULO XX ** THIAGO CAVALIERE MOURELLE] inclusive com o surgimento de outros partidos de esquerda com os quais teve que repartir militantes. Por sua vez, o próprio PT, partido que sempre contou com grande apoio popular, ao chegar à presidência não fez mudanças drásticas na política econômica brasileira. Assim, também o Brasil está no presentismo : sem grandes mudanças previstas para o futuro. O tempo atual pode ser explicado da melhor forma como o momento da supremacia do homem executor de tarefas cotidianas. Benjamin, escrevendo ainda na época da Segunda Guerra Mundial, já percebia o presentismo. Ele via a necessidade de criar uma conexão entre passado, presente e futuro. Mas a grande novidade de Benjamin é a percepção de que esse foco dado ao presente tem caráter político: dizia o autor que somente a humanidade redimida poderá apropriar-se totalmente de seu passado. Essa redenção, para ele, é a revolução operária. Pois o presente é vivido de forma a ignorar o que passou porque o passado é a história da espoliação da classe operária. Interesses burgueses quereriam deixar isso para trás (BENJAMIN, 1994, p. 222 e 223). A história sempre foi escrita pelos vencedores. O passado é construído pelo olhar de quem tem o poder político, de modo a definir a política educacional oficial, permitir a licença para o funcionamento de determinados órgãos de imprensa e estabelecer meios de influenciar a construção da memória da população. Benjamin acreditava que os bens culturais são os despojos da vitória de quem está no poder. Ele clama pela necessidade dos explorados de reconhecerem o passado (BENJAMIN, 1994, p. 224 e 225). Vê necessária a consciência dos trabalhadores em relação a essa opressão de uma classe social sobre a outra para poder modificar a realidade existente. Dessa forma, a visão da história como processo, teleológica e quase evolucionista, a qual Kant e Hegel fazem apologia, é criticada. Os dois pensadores veem de forma otimista o desenvolvimento da razão em prol de uma finalidade benéfica para o homem. Já Benjamin vê esse processo como uma dinâmica de fortalecimento da sociedade burguesa e de enfraquecimento do marxismo que, embora tenha sido criado também no âmbito da modernidade, tornou-se conformista e, consequentemente, colaborador do capitalismo burguês. 108

11 Portanto, a grande contribuição de Benjamin para os estudos históricos é a necessidade da atenção ao passado. Para ele, o passado deve inspirar o presente. Em sua perspectiva marxista bem peculiar por vezes quase religiosa, ao comparar a revolução operária à redenção humana, existe o sonho de que o materialismo histórico exerça uma missão quase messiânica para libertar os trabalhadores oprimidos e perdidos no status-quo reproduzido no presentismo. As palavras de Benjamin podem nos remeter mais uma vez para o Brasil da década de 1930: as práticas governamentais consolidadas no trabalhismo varguista da década de 1940, visavam claramente vincular a memória social do trabalhador às realizações do presidente da República à época. O passado anarquista de fins do século XIX e início do XX, as grandes greves de 1917 e 1918 e a fundação do Partido Comunista do Brasil (1922) não foram sequer mencionados pelas publicações do Departamento de Imprensa e Propaganda/DIP. Dessa forma, buscou-se enfraquecer a identidade operária e atrelar os trabalhadores única e exclusivamente à figura de Vargas, como a um pai que beneficia os filhos e, por isso, merece reconhecimento. Esta estratégia que cria um vínculo emocional da população com o seu governante é chamada por Angela de Castro Gomes (2002, p. 226) de lógica do darreceber-retribuir, em que a propaganda de exaltação às leis trabalhistas procura convencer o trabalhador que a Consolidação das Leis do Trabalho/CLT é uma dádiva e não o resultado de décadas de lutas operárias e que, por isso, o presidente merece retribuição em forma de apoio político. Ao mesmo tempo, o período Vargas também foi um momento de prevalência do discurso em prol do progresso e da industrialização do Brasil. Essa definição de progresso, que faz lançar o olhar dos homens para o futuro, seria uma tática das classes dominantes de atribuir à classe operária o papel de salvar gerações futuras, o que diminuiu tanto o ódio em relação ao passado de opressão vivido pelos seus antepassados como o espírito de sacrifício nos trabalhadores no presente, sentimentos essenciais para a realização da revolução operária (BENJAMIN, 1994, p. 228 e 229). Contudo, essa situação dos trabalhadores no século XX foi resultado da visão de história que diminuiu a importância dos eventos (uma possível revolução operária, por exemplo) em prol da inserção dentro do processo. Arendt insurge contra isso afirmando que (...) a história 109

12 [APONTAMENTOS SOBRE A MODERNIDADE E SEUS REFLEXOS PARA O BRASIL DO SÉCULO XX ** THIAGO CAVALIERE MOURELLE] é uma série de eventos, e não de forças ou ideias de curso previsível (ARENDT, 2004, p. 264). Diante da dificuldade de compreender o mundo através de seus sentidos, que podem lhe enganar como quando, por meio da visão, o homem pensava que o Sol girava em torno da Terra o homem voltou-se demais para o seu interior, buscando as respostas às suas dúvidas no desenvolvimento de sua razão, expressa principalmente por meio das abstrações matemáticas. A consequência é o que Arendt chama de alienação do mundo, que leva a algumas conclusões: o homem só pode compreender o que ele faz; logo, surge a ênfase no estudo da história (pois ela é feita pelo homem); a descrença em Deus, porque ele deu ao homem sentidos que não os deixam compreender objetivamente a obra divina; a criação de símbolos matemáticos para explicar o universo (ARENDT, 2004, p. 274). No século XX, o homem teria perdido a crença na salvação divina e até mesmo na realidade do mundo. O processo histórico se tornou mais importante que os fatos que ocorrem ao longo dele. Arendt (op cit) chamou o homem desse século de animal laborans: ele trabalha para sustentar sua família e assegurar a continuação de sua espécie. O metabolismo humano, a vida natural, é o que resta. O surgimento do animal laborans significa também a decadência da política. Embora não faça referência às consequências sociais dessa realidade, a conclusão de Arendt é bem parecida com a de Benjamin, pois ela percebe que, para o homem do século XX, a única coisa necessária passou a ser laborar, isto é, garantir a continuidade da vida de cada um e de sua família, o que gera um funcionamento puramente automático [da sociedade], como se a vida individual realmente tivesse sido afogada no processo vital da espécie e o indivíduo somente se deixasse levar (ARENDT, 2004, p. 335). Sua diferença em relação a Benjamin é que, para Arendt, isso prejudicou a humanidade em geral e não somente um grupo social específico. Ao se estudar o Brasil a partir de 1937, é possível perceber que, além da propaganda do DIP e do discurso do presidente Vargas, o advento do capitalismo industrial e o crescimento acelerado das grandes capitais principalmente, Rio de Janeiro e São Paulo fez o país entrar cada vez mais no processo de aceleração da economia, que levou exatamente às consequências explicitadas por Arendt e Benjamin: o homem cada vez mais passou a aceitar 110

13 sua condição de reprodutor da realidade vigente e se entregou ao labor do dia a dia de modo quase mecânico. Para Benjamin, isso é gerado pelas condições econômicas capitalistas e afeta primordialmente as classes operárias; para Arendt, é consequência do desenrolar da modernidade e atinge todos os homens (Idem). O historiador italiano Giorgio Agamben estudou a ascensão do biológico na política. Ele acreditou que o advento dos estados totalitários é resultante da biopolítica 3, própria da modernidade. Mais do que isso, Agamben (2004) viu muitas similitudes entre a democracia moderna e o totalitarismo. Ambos teriam em comum o fato de terem surgido da mesma origem moderna, dentro do contexto de criação do Estado nacional moderno contratual. O Estado moderno não é o rei, como no Absolutismo, mas as pessoas reunidas. Elas necessitam de certo cerceamento para que seja atingido o bem comum como afirmam Kant e Hegel (Idem). A partir dessa premissa, são perceptíveis similitudes entre a democracia liberal moderna e o Estado totalitário. Na história do Brasil não faltam teóricos que preguem uma maior intervenção estatal com o intuito de promover o progresso do país. Francisco Campos, Oliveira Viana, Azevedo Amaral, entre outros, defenderam um governo forte e criticaram o Poder Legislativo que estaria supostamente colocando os interesses particulares dos deputados e senadores acima das necessidades da nação. Esses autores são considerados na historiografia como a santíssima trindade, compondo os principais ideólogos do regime de Vargas, como afirma René Gertz (1991, p. 123). Alberto Torres, já no início do século XX, delineou princípios que deram ao autoritarismo brasileiro um viés singular em relação ao pensamento autoritário europeu. Ele era extremamente nacionalista e acreditava que somente um governo forte poderia resolver os problemas sociais e políticos que o Brasil trazia, segundo ele, desde o Império, em decorrência dos interesses das elites regionais e do parlamentarismo imperial que ele considerava uma aberração. Torres defendia, como pré-requisito à ordem, a soberania da União sobre todo o território e todo o povo brasileiro (TORRES, 1978, p. 74). 3 Agamben chama de biopolítica a implicação da vida natural do homem nos mecanismos e nos cálculos do poder. Ele atribuiu a Foucault o início desses estudos (AGAMBEN, 2004, p. 125). 111

14 [APONTAMENTOS SOBRE A MODERNIDADE E SEUS REFLEXOS PARA O BRASIL DO SÉCULO XX ** THIAGO CAVALIERE MOURELLE] É perceptível a grande influência de Alberto Torres nas atitudes tomadas por Vargas. As diversas críticas do presidente à Assembleia Nacional Constituinte de e, em seguida, ao Congresso Nacional de 1934, lembram as palavras de Torres de que é a politiquisse [sic] que nos corrói e dissolve a nação (TORRES, 1978, p. 245). Era exatamente o que Vargas pensava ao afirmar que a democracia havia restabelecido privilégios e vantagens (VARGAS, 1995, Vol.1, p. 421). Essa visão pessimista em relação à eficácia das instituições representativas democráticas é bem peculiar ao pensamento autoritário. Vargas seguiu ainda outras ideias de Torres: através de sua articulação política na Constituinte, obteve a eleição indireta para presidente em 1934 preceito defendido por Torres e assegurou seu mandato presidencial por mais quatro anos, totalizando oito entrou em 1930 e ficaria pelo menos até 1938, após ser eleito em 1934, período de tempo defendido por Torres para o exercício da Presidência da República. Caso exista alguma dúvida sobre a admiração que Vargas tinha pelas ideias de Alberto Torres, cabe lembrar que a representação classista existente na Constituinte de 1933 e no Congresso Nacional, a partir de 1934, foi idealizada por Torres em sua obra A Organização Nacional (1978). Pode ser dito o mesmo sobre o Conselho Supremo, idealizado por Vargas para substituir o Senado proposta vetada pela Constituinte de 1933, que tinha inspiração e muitas das características do Conselho Nacional pensado por Torres (TORRES, 1978, p. 250). Portanto, a normalidade democrática brasileira, entre 1933 e 1935, esteve sempre ameaçada pelo autoritarismo varguista que veio a se consolidar com a ditadura, em Como afirmou Agamben (2004), a diferença entre o totalitarismo e a democracia estaria somente na dose de intervenção sobre o corpo social da nação. Vargas também se beneficiou das consequências do advento da biopolítica na modernidade. Para Agamben, as origens desse advento foram as declarações de direitos do homem, seja na França de 1789, seja após a Segunda Guerra ou nas constituições específicas de vários países. Elas representam a inscrição da vida natural na ordem jurídico-política do Estadonação. O nascimento se tornou a inscrição do homem como ser político e cidadão. Diante disso, o governante pode assumir não só o poder político, mas o poder total sobre a vida da população, pois tanto a bíos quanto a zoé estão dentro de sua alçada de ação (AGAMBEN, 2004, p. 134 e 135). 112

15 O Estado passou a poder definir em que circunstâncias os homens podem viver e quando devem morrer. Tal discussão começou em torno da polêmica sobre a eutanásia, se expandiu para outras ocasiões até chegar à política de Hitler que visava a morte de doentes físicos e mentais. Logo, paulatinamente, passa a ser aceita a eliminação da vida indigna de ser vivida (AGAMBEN, 2004, p ). A eliminação dos judeus pelos nazistas pode ser vista nesse contexto: [...] somente um Estado fundado sobre a própria vida da nação podia identificar como sua vocação dominante a formação e tutela do corpo político. O Estado biopolítico interfere na decretação da morte e de quando esta pode acontecer. Isso ocorre não só nas ditaduras dos anos 1930, mas também nas democracias de hoje em dia (AGAMBEN, 2004, p ). A Crise de 1929 contribuiu decisivamente para a ascensão dos Estados fortes, o que reafirma a importância dos fatos históricos e demonstra como é importante estarmos atentos aos eventos e não apenas a um processo histórico frio e distante, como sugere o conceito de história surgido na modernidade. Países capitalistas, em crise, lançaram mão de governos fortes como alternativa para evitar revoluções populares e a ascensão de grupos socialistas. A entrada de Vargas no comando do Brasil aconteceu no mesmo contexto internacional em que Hitler, Mussolini e outros assumiram o poder e fortaleceram suas posições de líder. As décadas de 1930 e 1940 foram repletas de ditaduras, governos autoritários, conflitos mundiais e genocídios. O Estado de direito moderno levou os homens a experiências que marcaram a história da humanidade e fizeram os pensadores do nosso tempo buscarem a explicação desses eventos catastróficos na origem da modernidade e na formulação da moderna filosofia da história. Norbert Elias mostrou como não é possível encontrar uma explicação racional para o extermínio dos judeus. Esse é o grande paradoxo da modernidade: no século XX, enquanto o desenvolvimento industrial e tecnológico chegava a níveis nunca antes alcançados supostamente devido ao desenvolvimento da razão, o homem assistiu a genocídios como o feito por Hitler aos judeus, racionalmente inexplicáveis (ELIAS, 1997, p. 277). Elias mostrou a fragilidade das instituições democráticas alemães e as características históricas do povo alemão, acostumado a governos autoritários, o que é uma das explicações para a fracassada imposição da democracia artificialmente criada na República de Weimar. 113

16 [APONTAMENTOS SOBRE A MODERNIDADE E SEUS REFLEXOS PARA O BRASIL DO SÉCULO XX ** THIAGO CAVALIERE MOURELLE] Elias afirmou ainda que, em tempos de necessidade nacional, a liberdade individual é por toda a parte cerceada; a sobrevivência dos indivíduos passa para o fim da fila, atrás da sociedade (ELIAS, 1997, p. 297). Esta foi uma característica não só da Alemanha, mas também do Brasil da década de Afinal, a reforma da Lei de Segurança Nacional/LSN e a equiparação do Estado de Sítio ao Estado de Guerra, em dezembro de 1935, teve como justificativa a necessidade de impedir que no país se instalasse o socialismo soviético, bandeira de luta de Luís Carlos Prestes, líder da chamada Intentona Comunista que ocorrera em novembro do mesmo ano. Vargas utilizou o medo de ser contra, fundamento último de todas as disciplinas militantes ou militares (BOURDIEU, 1989, p. 201), para unir a nação em prol de seu governo e impedir que a oposição o questionasse, iniciando uma verdadeira guerra contra os comunistas, tidos como inimigos da pátria. Hitler utilizou estratégia parecida, estimulando o nacionalismo e escolhendo os judeus como principais inimigos da sociedade alemã. Com o fim da Segunda Grande Guerra intensificaram-se as críticas à modernidade de forma geral. A razão, levada às últimas consequências, não se mostrou capaz de impedir conflitos e mortes na primeira metade do século XX e, em alguns casos, chegou mesmo a justificar o extermínio de seres humanos. Passou-se a questionar a filosofia da história construída na modernidade e se chegou a um profundo pessimismo sobre o futuro, já que o homem perdeu a confiança em si mesmo e em sua razão. Teorias pós-modernas procuraram encerrar a modernidade e buscar análises plurais da realidade humana, implicando a discussão sobre o etnocentrismo europeu, a necessidade do direito das minorias e a redescoberta da importância da ação individual, vista como tão importante quanto o processo histórico, pois interfere neste. Os estudos históricos fizeram as pazes com a história política, que foi remodelada nos anos 1970 e 1980, e as pesquisas se interessaram pelo estudo da cultura e também pela memória social, resultando em trabalhos cada vez mais interdisciplinares. Marramao mostrou que as críticas ao progresso, acentuadas no pós-segunda Guerra, já existiam desde o século XIX. Ao mesmo tempo em que Nietzsche foi um dos primeiros a criticar a razão e buscar uma redefinição e transfiguração da ideia de progresso, o conceito do Kultur alemão se contrapôs à Zivilisation, valorizando a cultura alemã e seus aspectos 114

17 particulares em contraposição à ideia de progresso que ia nivelando a Europa do ocidente sob a insígnia do desenvolvimento e a necessidade de mudança constante, numa opressora patologia do viver (MARRAMAO, 1995, p. 311). O problema primordial do progresso, para Marramao, está em liberar e ao mesmo tempo controlar os instintos. Neste círculo vicioso de desencadeamento e contenção racionalrepressiva, a humanidade não se realiza (MARRAMAO, 1995, p. 315). É o mesmo problema que Sigmund Freud percebeu em seu livro, O mal-estar na civilização, publicado em A questão poderia, em linhas gerais, ser resumida da seguinte forma: a civilidade é uma contenção de paixões, com o indivíduo reprimindo alguns de seus desejos mais profundos supostamente em prol do bem-estar coletivo. Recentemente, Michel Foucault colaborou com tal perspectiva. Se Nietzsche observou o lado negativo e destruidor do progresso, e Freud percebeu a existência de uma auto-repressão individual, Foucault surgiu com a ideia de que as pessoas são o tempo todo moldadas, pressionadas, vigiadas e disciplinadas a assumir determinada maneira de proceder, por meio das várias instituições que existem na sociedade: colégios, polícias, sanatórios, igrejas, entre outras 4. O poder não está concentrado em um determinado lugar como no palácio presidencial, por exemplo. Ele está nas relações entre as pessoas e nos discursos, que entram em um combate no qual, quem vence, ganha posição de superioridade em relação ao derrotado. Adorno e Horkheimer compararam a situação do homem na modernidade com o mundo mitológico da antiguidade. A fé na abstração matemática teria a mesma função que a crença no mito que havia na Antiguidade. A repetição do mito trazia paz e a sensação da eternidade do mundo, da mesma forma que acreditar nas leis da ciência traz conforto ao homem moderno. Estabeleceu-se, assim, um ideal de que todos os problemas e dúvidas do homem em relação ao mundo se resolvem com a utilização da matemática. Os teoremas abarcam até as coisas ainda não descobertas, com esquemas matemáticos de probabilidade desde as condições da economia até a previsão do tempo (ADORNO & HORKHEIMER, 1985, p. 12 e 20). 4 Ver FOULCAUT, Michel. A Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal,

18 [APONTAMENTOS SOBRE A MODERNIDADE E SEUS REFLEXOS PARA O BRASIL DO SÉCULO XX ** THIAGO CAVALIERE MOURELLE] A suposta objetividade matemática desumanizou o homem, que abandonou o sentimento, a intuição e a subjetividade no contato com a natureza e com o mundo onde vive. O progresso, a produção industrial em série e o desenvolvimento econômico são os mitos dos séculos XX e XXI, reproduzidos sem nenhum questionamento, em prol de ideais de desenvolvimento e civilização buscados incessantemente. O animismo havia dotado a coisa de uma alma, o industrialismo coisifica as almas (Idem, p. 21) Nesse sentido, Adorno e Horkheimer concluem que, na modernidade, o esclarecimento simpatiza com a coerção social, resultando no triunfo da igualdade repressiva. Ao identificar a verdade em geral com o pensamento ordenador, há na modernidade um mecanismo de controle muito grande do Estado sobre os cidadãos (Idem, p. 13 e 14). Foucault entra nesse ponto, sugerindo que o poder é algo bem amplo e que todos exercem. Ele criticou teorias que reduzem o poder à dominação econômica e procurou dar voz à pluralidade de discursos, contra a coerção de um discurso histórico unitário. Para tal, a análise do poder implica detalhar os mecanismos de repressão (FOUCAULT, 2005, p. 15, 19, 20 e 22). Ele sugeriu a existência de dois esquemas interpretativos para se definir a origem do Estado: o primeiro e mais conhecido é o jurídico, que enxerga um contrato no qual os homens abrem mão da liberdade em prol da criação do Estado que mantém a paz entre eles; o segundo é o defendido por Foucault, qual seja o Estado como consolidação do domínio dos homens uns sobre os outros ou como reflexo das relações de poder entre eles (FOUCAULT, 2005, p. 24). O Estado interfere diretamente na vida das pessoas implementando a disciplina no nível das políticas de massa por meio de leis que ordenam o trabalho e do uso de instituições estatais como a polícia, a escola e o hospício e regulamentando as políticas demográficas de natalidade, de estatística, entre outras. A vila operária nada mais é do que a normalização dos comportamentos, espécie de controle policial, que se completa com a criação de segurosaúde, seguro-velhice, poupança, vigilância da sexualidade, atenção à procriação e acompanhamento da escolaridade. O Estado interfere, assim, em todas as esferas da vida social (FOUCAULT, 1985, p ). 116

19 Diante dessas circunstâncias, Adorno e Horkheimer veem a dominação burguesa a partir do século XX em uma nova lógica, não tão perceptível quanto nos séculos anteriores. Mais do que economicamente, a dominação passou a se dar por meio da cultura, primeiro com a absorção de costumes populares pela cultura burguesa e depois com a possibilidade do acesso popular à cultura da burguesia. Assim, a relação entre burgueses e proletários transcende a esfera do trabalho, indo para fora dele, chegando ao campo do lazer. Hoje o futebol e o samba, dois ícones da cultura popular brasileira, se tornaram negócios extremamente rentáveis aos empresários. Da mesma forma, o cinema e o teatro, que durante um bom tempo da história do Brasil tiveram um público restrito, passaram a atingir cada vez mais pessoas, chegando às camadas populares da população. Vargas, novamente, foi um dos pioneiros a seguir essa lógica percebida por Adorno e Horkheimer. Junto com Pedro Ernesto Baptista 5, então prefeito do Rio de Janeiro Distrito Federal de 1931 a 1936, tornou o carnaval uma festa oficial do Estado, financiou desfiles e promoveu bailes 6. O compositor Wilson Batista, grande letrista conhecido por seus sambas de exaltação da malandragem carioca, mudou sua temática e cedeu às pressões do governo, terminando por fazer músicas elogiosas ao trabalhador, como a conhecida Bonde de São Januário, de 1941 momento de ápice do Estado Novo. Mas o controle cultural no período Vargas não se limitou a compositores populares, já que o famoso Heitor Villa-Lobos foi outro grande colaborador do regime, recebendo, em contrapartida, apoio estatal. É possível ainda citar outras inúmeras medidas que consagram o governo de Getúlio Vargas como um momento autoritário da história brasileira, de acordo com as características de controle e dominação citadas por Foucault, Adorno, Horkheimer e outros. Além da interferência nas festas populares e na música, da censura imposta pelo Departamento de Imprensa e Propaganda/DIP e da violenta polícia comandada por Filinto Müller, existe ainda a questão educacional e a fundação de partidos políticos. A criação do Partido Trabalhista Brasileiro/PTB, em 1945, passou por cima das formas usuais de construção de um partido popular. Foi articulado por Vargas e seu então Ministro do 5 Paulo da Portela, muitos anos depois, disse numa entrevista que o único político brasileiro que fizera algo que beneficiasse o samba e os pobres em geral foi Pedro Ernesto (apud Sarmento, 2001, p. 243). 6 Biblioteca Nacional, periódico Correio da Manhã, 02/03/

20 [APONTAMENTOS SOBRE A MODERNIDADE E SEUS REFLEXOS PARA O BRASIL DO SÉCULO XX ** THIAGO CAVALIERE MOURELLE] Trabalho, Marcondes Filho. Um partido criado de cima pra baixo, ao contrário do que deveria acontecer em uma sociedade democrática, em que os trabalhadores deveriam se reunir e, através de suas mobilizações, criarem o partido político que os representasse. Já a educação, dada sua importância para o desenvolvimento da sociedade, mereceu especial destaque. No Ministério da Educação, Getúlio Vargas contou com homens que privilegiavam um ensino autoritário e vinculado ao nacionalismo e exaltação do presidente da República. Francisco Campos ( ) e Gustavo Capanema ( ), por exemplo, seguiram com destreza essa linha de ação. Campos, inclusive, foi o substituto de Anísio Teixeira na Secretaria da Educação do Distrito Federal, em 1935, o que representou uma clamorosa derrota do ensino defendido por Teixeira, que via a educação como a oportunidade não só de preparar o cidadão para o convívio social, mas também de dar a ele a formação profissional que possibilitasse sua inserção competitiva no crescente mercado de trabalho industrial. Sarmento comentou esse momento-símbolo, dizendo que permitiu consolidar a vitória, no Brasil, de uma educação que lidava com as massas atuando diretamente sobre seu inconsciente. Estudando a questão, o autor resumiu as diferenças entre os dois educadores como sendo uma disputa entre habilitar e controlar o cidadão, em que esta última saiu vencedora (SARMENTO, 2001, p. 145). No mundo moderno, a brutalidade com que se enquadra o indivíduo é tão pouco representativa da verdadeira qualidade dos homens quanto o valor o é dos objetos de uso. O Esclarecimento do século XVIII tomou conta da mente dos homens e chegou ao século XX transformando a razão na mola propulsora da atividade humana. Porém, o resultado não se revelou satisfatório, uma vez que a manifestação humana não se situou no quadro teleológico da auto-conservação [sic] : as guerras mundiais e os genocídios foram gerados pela razão levada às últimas consequências (ADORNO & HORKHEIMER, 1985, p ). Estabeleceu-se então um paradoxo da razão submetida ao capitalismo. O homem, que fugiu da vida puramente biológica ao longo da sua existência enquanto espécie ao criar sociedades complexas, hoje retorna a ela, somente para se autoconservar. É esta a realidade da vida cotidiana do trabalho, que se repete quase irracionalmente tornando o dia igual ao anterior e não apontando para possibilidades de mudança. 118

CURSO e COLÉGIO ESPECÍFICO Ltda

CURSO e COLÉGIO ESPECÍFICO Ltda CURSO e COLÉGIO ESPECÍFICO Ltda www.especifico.com.br DISCIPLINA : Sociologia PROF: Waldenir do Prado DATA:06/02/2012 O que é Sociologia? Estudo objetivo das relações que surgem e se reproduzem, especificamente,

Leia mais

PROVA DAS DISCIPLINAS CORRELATAS TEORIA DO ESTADO

PROVA DAS DISCIPLINAS CORRELATAS TEORIA DO ESTADO P á g i n a 1 PROVA DAS DISCIPLINAS CORRELATAS TEORIA DO ESTADO 1. Na teoria contratualista, o surgimento do Estado e a noção de contrato social supõem que os indivíduos abrem mão de direitos (naturais)

Leia mais

RELAÇÕES DE TRABALHO DICIONÁRIO

RELAÇÕES DE TRABALHO DICIONÁRIO RELAÇÕES DE TRABALHO Conjunto de normas e princípios que regem a relação entre aquele que detém o poder de contratar outro para desenvolver determinada atividade e aquele que mobilizado para tal executa

Leia mais

SÉCULO XIX NOVOS ARES NOVAS IDEIAS Aula: 43 e 44 Pág. 8 PROFª: CLEIDIVAINE 8º ANO

SÉCULO XIX NOVOS ARES NOVAS IDEIAS Aula: 43 e 44 Pág. 8 PROFª: CLEIDIVAINE 8º ANO SÉCULO XIX NOVOS ARES NOVAS IDEIAS Aula: 43 e 44 Pág. 8 PROFª: CLEIDIVAINE 8º ANO 1 - INTRODUÇÃO Séc. XIX consolidação da burguesia: ascensão do proletariado urbano (classe operária) avanço do liberalismo.

Leia mais

HISTÓRIA DO LEGISLATIVO

HISTÓRIA DO LEGISLATIVO HISTÓRIA DO LEGISLATIVO Maurício Barbosa Paranaguá Seção de Projetos Especiais Goiânia - 2015 Origem do Poder Legislativo Assinatura da Magna Carta inglesa em 1215 Considerada a primeira Constituição dos

Leia mais

HISTÓRIA - 1 o ANO MÓDULO 55 O CONGRESSO DE VIENA E A SANTA ALIANÇA

HISTÓRIA - 1 o ANO MÓDULO 55 O CONGRESSO DE VIENA E A SANTA ALIANÇA HISTÓRIA - 1 o ANO MÓDULO 55 O CONGRESSO DE VIENA E A SANTA ALIANÇA Fixação 1) Em perfeita sintonia com o espírito restaurador do Congresso de Viena, a criação da Santa Aliança tinha por objetivo: a)

Leia mais

THOMAS HOBBES LEVIATÃ MATÉRIA, FORMA E PODER DE UM ESTADO ECLESIÁSTICO E CIVIL

THOMAS HOBBES LEVIATÃ MATÉRIA, FORMA E PODER DE UM ESTADO ECLESIÁSTICO E CIVIL THOMAS HOBBES LEVIATÃ ou MATÉRIA, FORMA E PODER DE UM ESTADO ECLESIÁSTICO E CIVIL Thomas Hobbes é um contratualista teoria do contrato social; O homem natural / em estado de natureza para Hobbes não é

Leia mais

Reforma gerencial do Estado, teoria política e ensino da administração pública

Reforma gerencial do Estado, teoria política e ensino da administração pública Artigo Especial Reforma gerencial do Estado, teoria política e ensino da administração pública Luiz Carlos Bresser-Pereira 1 1 Fundação Getúlio Vargas. Ministro da Fazenda (1987). Ministro da Administração

Leia mais

A Educação na Constituinte de 1823. O presente trabalho tem como objetivo estudar os Anais da Assembléia Constituinte

A Educação na Constituinte de 1823. O presente trabalho tem como objetivo estudar os Anais da Assembléia Constituinte A Educação na Constituinte de 1823 Cristiano de Jesus Ferronato 1 - PPG-UFPB O presente trabalho tem como objetivo estudar os Anais da Assembléia Constituinte de 1823, e documentos contemporâneos ao período

Leia mais

A RELAÇÃO ENTRE INDIVÍDUO, NATUREZA E CULTURA: ELEMENTOS PARA PENSAR A RELAÇÃO INSTRUMENTAL COM O MEIO AMBIENTE.

A RELAÇÃO ENTRE INDIVÍDUO, NATUREZA E CULTURA: ELEMENTOS PARA PENSAR A RELAÇÃO INSTRUMENTAL COM O MEIO AMBIENTE. A RELAÇÃO ENTRE INDIVÍDUO, NATUREZA E CULTURA: ELEMENTOS PARA PENSAR A RELAÇÃO INSTRUMENTAL COM O MEIO AMBIENTE. Juliana de Castro Chaves 1 ; Zuzy dos Reis Pereira 2 1 Professora Doutora da UnUCSEH-UEG

Leia mais

REVOLUÇÃO FRANCESA. Por: Rodrigo A. Gaspar

REVOLUÇÃO FRANCESA. Por: Rodrigo A. Gaspar REVOLUÇÃO FRANCESA Por: Rodrigo A. Gaspar REVOLUÇÃO FRANCESA Influência dos valores iluministas Superação do Absolutismo monárquico e da sociedade estratificada Serviu de inspiração para outras revoluções,

Leia mais

Aula 10.1. Avaliação da Unidade II Pontuação: 7,5 pontos

Aula 10.1. Avaliação da Unidade II Pontuação: 7,5 pontos Aula 10.1 Avaliação da Unidade II Pontuação: 7,5 pontos 1ª QUESTÃO (1,0) Em seu discurso de despedida do Senado, em dezembro de 1994, o presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou o fim da Era Vargas,

Leia mais

CURSO e COLÉGIO ESPECÍFICO Ltda

CURSO e COLÉGIO ESPECÍFICO Ltda DISCIPLINA: Sociologia PROF: Waldenir do Prado DATA: 06/02/2012. CURSO e COLÉGIO ESPECÍFICO Ltda www.especifico.com.br QUESTÕES DE VESTIBULAR e-mail: especifico@especifico.com.br Av. Rio Claro nº 615 Centro

Leia mais

História. baseado nos Padrões Curriculares do Estado de São Paulo

História. baseado nos Padrões Curriculares do Estado de São Paulo História baseado nos Padrões Curriculares do Estado de São Paulo 1 PROPOSTA CURRICULAR DA DISCIPLINA DE HISTÓRIA Middle e High School 2 6 th Grade A vida na Grécia antiga: sociedade, vida cotidiana, mitos,

Leia mais

1º ano. 1º Bimestre. 2º Bimestre. 3º Bimestre. Capítulo 26: Todos os itens O campo da Sociologia. Capítulo 26: Item 5 Senso Crítico e senso comum.

1º ano. 1º Bimestre. 2º Bimestre. 3º Bimestre. Capítulo 26: Todos os itens O campo da Sociologia. Capítulo 26: Item 5 Senso Crítico e senso comum. 1º ano A Filosofia e suas origens na Grécia Clássica: mito e logos, o pensamento filosófico -Quais as rupturas e continuidades entre mito e Filosofia? -Há algum tipo de raciocínio no mito? -Os mitos ainda

Leia mais

TEMA 3 UMA EXPERIÊNCIA

TEMA 3 UMA EXPERIÊNCIA TEMA 3 UMA EXPERIÊNCIA DOLOROSA: O NAZISMO ALEMÃO A ascensão dos nazistas ao poder na Alemanha colocou em ação a política de expansão territorial do país e o preparou para a Segunda Guerra Mundial. O saldo

Leia mais

História B Aula 21. Os Agitados Anos da

História B Aula 21. Os Agitados Anos da História B Aula 21 Os Agitados Anos da Década de 1930 Salazarismo Português Monarquia portuguesa foi derrubada em 1910 por grupos liberais e republicanos. 1ª Guerra - participação modesta ao lado da ING

Leia mais

O nascimento da sociologia. Prof. Railton Souza

O nascimento da sociologia. Prof. Railton Souza O nascimento da sociologia Prof. Railton Souza Áreas do Saber MITO RELIGIÃO ARTES FILOSOFIA CIÊNCIA SENSO COMUM CIÊNCIAS NATURAIS OU POSITIVAS ASTRONOMIA FÍSICA QUÍMICA BIOLOGIA MATEMÁTICA (FERRAMENTA

Leia mais

HEGEL: A NATUREZA DIALÉTICA DA HISTÓRIA E A CONSCIENTIZAÇÃO DA LIBERDADE

HEGEL: A NATUREZA DIALÉTICA DA HISTÓRIA E A CONSCIENTIZAÇÃO DA LIBERDADE HEGEL: A NATUREZA DIALÉTICA DA HISTÓRIA E A CONSCIENTIZAÇÃO DA LIBERDADE Prof. Pablo Antonio Lago Hegel é um dos filósofos mais difíceis de estudar, sendo conhecido pela complexidade de seu pensamento

Leia mais

INDIVÍDUO E SOCIEDADE PARTE 2

INDIVÍDUO E SOCIEDADE PARTE 2 TEXTO NUM. 2 INDIVÍDUO E SOCIEDADE PARTE 2 Max Weber, O indivíduo e a ação social: O alemão Max Weber (1864-1920), diferentemente de Durkheim, tem como preocupação central compreender o indivíduo e suas

Leia mais

Por que defender o Sistema Único de Saúde?

Por que defender o Sistema Único de Saúde? Por que defender o Sistema Único de Saúde? Diferenças entre Direito Universal e Cobertura Universal de Saúde Cebes 1 Direito universal à saúde diz respeito à possibilidade de todos os brasileiros homens

Leia mais

A União Europeia vive, hoje, uma verdadeira questão social. Uma questão que é, ao mesmo tempo, económica, financeira e política. São muitas as razões:

A União Europeia vive, hoje, uma verdadeira questão social. Uma questão que é, ao mesmo tempo, económica, financeira e política. São muitas as razões: DISCURSO DE S. EXA A PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA NA CONFERÊNCIA DE PRESIDENTES DOS PARLAMENTOS DA UNIÃO EUROPEIA NICÓSIA, CHIPRE Sessão III: Coesão social em tempos de austeridade o que podem

Leia mais

CONSELHO INTERACÇÃO. Declaração Universal dos Deveres do Homem. Setembro de 1997. Criado em 1983. InterAction Council

CONSELHO INTERACÇÃO. Declaração Universal dos Deveres do Homem. Setembro de 1997. Criado em 1983. InterAction Council CONSELHO INTERACÇÃO Criado em 1983 Declaração Universal dos Deveres do Homem Setembro de 1997 InterAction Council Declaração Universal dos Deveres do Homem Preâmbulo Considerando que o reconhecimento da

Leia mais

Idealismo - corrente sociológica de Max Weber, se distingui do Positivismo em razão de alguns aspectos:

Idealismo - corrente sociológica de Max Weber, se distingui do Positivismo em razão de alguns aspectos: A CONTRIBUIÇÃO DE MAX WEBER (1864 1920) Max Weber foi o grande sistematizador da sociologia na Alemanha por volta do século XIX, um pouco mais tarde do que a França, que foi impulsionada pelo positivismo.

Leia mais

Weber e o estudo da sociedade

Weber e o estudo da sociedade Max Weber o homem Maximilian Karl Emil Weber; Nasceu em Erfurt, 1864; Iniciou seus estudos na cidade de Heidelberg Alemanha; Intelectual alemão, jurista, economista e sociólogo; Casado com Marianne Weber,

Leia mais

Cooperação Internacional no Âmbito das Nações Unidas: solidariedade versus interesses nacionais

Cooperação Internacional no Âmbito das Nações Unidas: solidariedade versus interesses nacionais Ciclo de Debates sobre Bioética, Diplomacia e Saúde Pública Cooperação Internacional no Âmbito das Nações Unidas: solidariedade versus interesses nacionais RELATÓRIO Samira Santana de Almeida 1 1. Apresentação

Leia mais

TEORIAS DA COMUNICAÇÃO ENADE VOLUME

TEORIAS DA COMUNICAÇÃO ENADE VOLUME CADERNO PEDAGÓGICO TEORIAS DA COMUNICAÇÃO ENADE VOLUME 4 ISBN: 2015/1 ALUNO(A): APOIO PEDAGÓGICO: NUCLEO DE FORMAÇÃO GERAL ANNA PAULA SOARES LEMOS JOAQUIM HUMBERTO COELHO DE OLIVEIRA LUCIMAR LEVEGNHAGEN

Leia mais

A aceleração como processo histórico

A aceleração como processo histórico 2.3 A ACELERAÇÃO DA DISRITMIA Identificadas as características de cada componente do processo de mudanças, merecem consideração as seguintes características referentes ao processo globalmente considerado.

Leia mais

3.4 DELINEAMENTO ÉTICO JURÍDICO DA NOVA ORGANIZAÇÃO SOCIAL

3.4 DELINEAMENTO ÉTICO JURÍDICO DA NOVA ORGANIZAÇÃO SOCIAL 3.4 DELINEAMENTO ÉTICO JURÍDICO DA NOVA ORGANIZAÇÃO SOCIAL Os fundamentos propostos para a nova organização social, a desconcentração e a cooperação, devem inspirar mecanismos e instrumentos que conduzam

Leia mais

Democracia ou Socialismo? Resumo

Democracia ou Socialismo? Resumo 1 Democracia ou Socialismo? Estudantes de graduação do 6 o. período do curso de História da UFV 1 Gustavo Bianch, Paulo Santana, Bolívar Dias Jr., Carlos Henrique de Oliveira, Luiz Fernando Lopes, João

Leia mais

APOSTILA DE FILOSOFIA E ÉTICA NAS ORGANIZAÇÕES

APOSTILA DE FILOSOFIA E ÉTICA NAS ORGANIZAÇÕES APOSTILA DE FILOSOFIA E ÉTICA NAS ORGANIZAÇÕES 2º. Bimestre Capítulos: I Ética: noções e conceitos básicos II Processo de Decisão Ética III - Responsabilidade Social Apostila elaborada pela Profa. Ana

Leia mais

Filosofia dos Direitos Humanos. Introdução ao pensamento de Hannah Arendt sobre direitos humanos.

Filosofia dos Direitos Humanos. Introdução ao pensamento de Hannah Arendt sobre direitos humanos. Filosofia dos Direitos Humanos. Introdução ao pensamento de Hannah Arendt sobre direitos humanos. Rafael Augusto De Conti 1. SUMÁRIO: 1. Introdução; 2. Minorias Grau Avançado de desproteção jurídica; 3.

Leia mais

Karl Marx e a Teoria do Valor do Trabalho. Direitos Autorais: Faculdades Signorelli

Karl Marx e a Teoria do Valor do Trabalho. Direitos Autorais: Faculdades Signorelli Karl Marx e a Teoria do Valor do Trabalho Direitos Autorais: Faculdades Signorelli "O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém, desviamo-nos dele. A cobiça envenenou a alma dos homens,

Leia mais

Katia Luciana Sales Ribeiro Keila de Souza Almeida José Nailton Silveira de Pinho. Resenha: Marx (Um Toque de Clássicos)

Katia Luciana Sales Ribeiro Keila de Souza Almeida José Nailton Silveira de Pinho. Resenha: Marx (Um Toque de Clássicos) Katia Luciana Sales Ribeiro José Nailton Silveira de Pinho Resenha: Marx (Um Toque de Clássicos) Universidade Estadual de Montes Claros / UNIMONTES abril / 2003 Katia Luciana Sales Ribeiro José Nailton

Leia mais

Formação de Professores: um diálogo com Rousseau e Foucault

Formação de Professores: um diálogo com Rousseau e Foucault Formação de Professores: um diálogo com Rousseau e Foucault Eixo temático 2: Formação de Professores e Cultura Digital Vicentina Oliveira Santos Lima 1 A grande importância do pensamento de Rousseau na

Leia mais

1º - Foi um movimento liderado pela BURGUESIA contra o regime absolutista. 2º - Abriu espaço para o avanço do CAPITALISMO.

1º - Foi um movimento liderado pela BURGUESIA contra o regime absolutista. 2º - Abriu espaço para o avanço do CAPITALISMO. APRESENTAÇÃO Aula 08 3B REVOLUÇÃO FRANCESA Prof. Alexandre Cardoso REVOLUÇÃO FRANCESA Marco inicial da Idade Contemporânea ( de 1789 até os dias atuais) 1º - Foi um movimento liderado pela BURGUESIA contra

Leia mais

HISTÓRIA. Assinale a alternativa que preenche corretamente os parênteses da Coluna B, de cima para baixo.

HISTÓRIA. Assinale a alternativa que preenche corretamente os parênteses da Coluna B, de cima para baixo. HISTÓRIA 37 Associe as civilizações da Antigüidade Oriental, listadas na Coluna A, às características políticas que as identificam, indicadas na Coluna B. 1 2 3 4 COLUNA A Mesopotâmica Fenícia Egípcia

Leia mais

ESTA PALESTRA NÃO PODERÁ SER REPRODUZIDA SEM A REFERÊNCIA DO AUTOR.

ESTA PALESTRA NÃO PODERÁ SER REPRODUZIDA SEM A REFERÊNCIA DO AUTOR. ESTA PALESTRA NÃO PODERÁ SER REPRODUZIDA SEM A REFERÊNCIA DO AUTOR. ÉTICA E SERVIÇO SOCIAL: Elementos para uma breve reflexão e debate. Perspectiva de Análise Teoria Social Crítica (Marx e alguns marxistas)

Leia mais

AULA 04 CLASSIFICAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES

AULA 04 CLASSIFICAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES AULA 04 CLASSIFICAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES 1. Introdução. Diversas são as formas e critérios de classificação uma Constituição. O domínio de tais formas e critérios mostra-se como fundamental à compreensão

Leia mais

PLANO DE ENSINO DE HISTÓRIA 5ª. SÉRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL 1º BIMESTRE

PLANO DE ENSINO DE HISTÓRIA 5ª. SÉRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL 1º BIMESTRE PLANO DE ENSINO DE HISTÓRIA 5ª. SÉRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL 1º BIMESTRE - Sistemas sociais e culturais de notação de tempo ao longo da história, - As linguagens das fontes históricas; - Os documentos escritos,

Leia mais

Total aulas previstas

Total aulas previstas ESCOLA BÁSICA 2/3 DE MARTIM DE FREITAS Planificação Anual de História do 7º Ano Ano Lectivo 2011/2012 LISTAGEM DE CONTEÚDOS TURMA Tema 1.º Período Unidade Aulas Previas -tas INTRODUÇÃO À HISTÓRIA: DA ORIGEM

Leia mais

CONSTRUINDO A DEMOCRACIA SOCIAL PARTICIPATIVA

CONSTRUINDO A DEMOCRACIA SOCIAL PARTICIPATIVA CONSTRUINDO A DEMOCRACIA SOCIAL PARTICIPATIVA Clodoaldo Meneguello Cardoso Nesta "I Conferência dos lideres de Grêmio das Escolas Públicas Estaduais da Região Bauru" vamos conversar muito sobre política.

Leia mais

Guerra fria (o espaço mundial)

Guerra fria (o espaço mundial) Guerra fria (o espaço mundial) Com a queda dos impérios coloniais, duas grandes potências se originavam deixando o mundo com uma nova ordem tanto na parte política quanto na econômica, era os Estados Unidos

Leia mais

LIVRO IRATI, SONHO DE CRIANÇA Claudia Maria Petchak Zanlorenzi Kátia Osinski Ferreira Universidade Estadual de Ponta Grossa - UEPG RESUMO

LIVRO IRATI, SONHO DE CRIANÇA Claudia Maria Petchak Zanlorenzi Kátia Osinski Ferreira Universidade Estadual de Ponta Grossa - UEPG RESUMO LIVRO IRATI, SONHO DE CRIANÇA Claudia Maria Petchak Zanlorenzi Kátia Osinski Ferreira Universidade Estadual de Ponta Grossa - UEPG RESUMO Este trabalho aborda a conclusão de uma pesquisa que tinha por

Leia mais

Processo Seletivo/UFU - julho 2007-1ª Prova Comum FILOSOFIA QUESTÃO 01

Processo Seletivo/UFU - julho 2007-1ª Prova Comum FILOSOFIA QUESTÃO 01 FILOSOFIA QUESTÃO 01 Leia atentamente o seguinte verso do fragmento atribuído a Parmênides. Assim ou totalmente é necessário ser ou não. SIMPLÍCIO, Física, 114, 29, Os Pré-Socráticos. Coleção Os Pensadores.

Leia mais

Palestra realizada no auditório da Secretaria de Economia e Planejamento do Governo do Estado de São Paulo no dia 05/06/2009.

Palestra realizada no auditório da Secretaria de Economia e Planejamento do Governo do Estado de São Paulo no dia 05/06/2009. Palestra realizada no auditório da Secretaria de Economia e Planejamento do Governo do Estado de São Paulo no dia 05/06/2009. Palestrante: Profa. Dra. Gisele Mascarelli Salgado. GISELLE MASCARELLI SALGADO:

Leia mais

CONTEXTO HISTORICO E GEOPOLITICO ATUAL. Ciências Humanas e suas tecnologias R O C H A

CONTEXTO HISTORICO E GEOPOLITICO ATUAL. Ciências Humanas e suas tecnologias R O C H A CONTEXTO HISTORICO E GEOPOLITICO ATUAL Ciências Humanas e suas tecnologias R O C H A O capitalismo teve origem na Europa, nos séculos XV e XVI, e se expandiu para outros lugares do mundo ( Ásia, África,

Leia mais

Contexto. Galileu Galilei, René Descartes e Isaac Newton. Concepção racionalista do mundo Leis Naturais

Contexto. Galileu Galilei, René Descartes e Isaac Newton. Concepção racionalista do mundo Leis Naturais Revolução Científica do século XVII Galileu Galilei, René Descartes e Isaac Newton Concepção racionalista do mundo Leis Naturais Contexto Crise do Antigo Regime Questionamento dos privilégios do Clero

Leia mais

Revolução de 1930. Fatores: Crise de 1929. Movimento Tenentista. Resultado das eleições.

Revolução de 1930. Fatores: Crise de 1929. Movimento Tenentista. Resultado das eleições. Revolução de 1930 Revolução de 1930 Fatores: Crise de 1929. Movimento Tenentista. Resultado das eleições. Revolução de 1930 Responsável pelo fim da chamada Política café com leite Política café com leite

Leia mais

Do contrato social ou Princípios do direito político

Do contrato social ou Princípios do direito político Jean-Jacques Rousseau Do contrato social ou Princípios do direito político Publicada em 1762, a obra Do contrato social, de Jean-Jacques Rousseau, tornou-se um texto fundamental para qualquer estudo sociológico,

Leia mais

Francisco José Carvalho

Francisco José Carvalho 1 Olá caro leitor, apresento a seguir algumas considerações sobre a Teoria da Função Social do Direito, ao qual considero uma teoria de direito, não apenas uma teoria nova, mas uma teoria que sempre esteve

Leia mais

COLÉGIO VICENTINO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio Rua Rui Barbosa, 1324, Toledo PR Fone: 3277-8150

COLÉGIO VICENTINO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio Rua Rui Barbosa, 1324, Toledo PR Fone: 3277-8150 COLÉGIO VICENTINO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio Rua Rui Barbosa, 1324, Toledo PR Fone: 3277-8150 PLANEJAMENTO ANUAL DE HISTÓRIA 8º ANO PROFESSOR: MÁRCIO AUGUSTO

Leia mais

Sessão Extraordinária da Assembleia Municipal de Odivelas

Sessão Extraordinária da Assembleia Municipal de Odivelas Sessão Extraordinária da Assembleia Municipal de Odivelas Sessão Solene Comemorativa da Implantação da República 05.10.2010 A Revolução Republicana de 1910 Ao assinalarmos cem anos sobre a Revolução Republicana

Leia mais

Jusnaturalismo ou Positivismo Jurídico:

Jusnaturalismo ou Positivismo Jurídico: 1 Jusnaturalismo ou Positivismo Jurídico: Uma breve aproximação Clodoveo Ghidolin 1 Um tema de constante debate na história do direito é a caracterização e distinção entre jusnaturalismo e positivismo

Leia mais

Guerra Civil (1642-1648)

Guerra Civil (1642-1648) Prof. Thiago Revolução Inglesa Governo Despótico de Carlos I (1625-1648) Petição de Direitos (1628) Exigência do Parlamento Cobrança do ship money em cidades do interior desobediência ao Parlamento Guerra

Leia mais

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 285, DE 2006

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 285, DE 2006 PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 285, DE 2006 Autoriza o Poder Executivo a criar o Programa Cantando as Diferenças, destinado a promover a inclusão social de grupos discriminados e dá outras providências. O

Leia mais

Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação

Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação Coordenação de Biblioteca 15 Discurso na cerimónia de sanção

Leia mais

25 de Abril de 2015 Comemoração dos 41 anos da Revolução dos Cravos

25 de Abril de 2015 Comemoração dos 41 anos da Revolução dos Cravos 25 de Abril de 2015 Comemoração dos 41 anos da Revolução dos Cravos Intervenção da Deputada Municipal do PSD Célia Sousa Martins Senhora Presidente da Assembleia Municipal, Senhor Presidente da Câmara

Leia mais

O conceito de amor em Agostinho

O conceito de amor em Agostinho Hannah Arendt 17 a coerção do caráter absoluto da verdade, seja da ciência, seja da filosofia, e ao mesmo tempo uma atitude que sabe como preservar e admirar as coisas do mundo e cuidar delas. Não teria

Leia mais

CENTRO DE EDUCAÇÃO INTEGRADA Educando para o pensar Tema Integrador 2013 / Construindo o amanhã: nós agimos, o planeta sente CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS

CENTRO DE EDUCAÇÃO INTEGRADA Educando para o pensar Tema Integrador 2013 / Construindo o amanhã: nós agimos, o planeta sente CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS CENTRO DE EDUCAÇÃO INTEGRADA Educando para o pensar Tema Integrador 2013 / Construindo o amanhã: nós agimos, o planeta sente CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS CIÊNCIAS HUMANAS 3º ANO FILOSOFIA FILOSOFIA NA HISTÓRIA

Leia mais

Max WEBER. Apresentando Max Weber. Principais contribuições: 1864-1920 TEMPOS MODERNOS OS CAMINHOS DA RACIONALIDADE

Max WEBER. Apresentando Max Weber. Principais contribuições: 1864-1920 TEMPOS MODERNOS OS CAMINHOS DA RACIONALIDADE Max WEBER 1864-1920 TEMPOS MODERNOS Apresentando Max Weber Principais contribuições: OS CAMINHOS DA RACIONALIDADE O PROTESTANTISMO E O ESPÍRITO DO CAPITALISMO O MUNDO DESENCANTADO Apresentando Max Weber

Leia mais

PROVA BIMESTRAL História

PROVA BIMESTRAL História 8 o ano o bimestre PROVA BIMESTRAL História Escola: Nome: Turma: n o :. Leia os textos e responda às questões e. Texto Na Grécia Antiga, Aristóteles (384 a.c.-3 a.c.) já defendia a ideia de que o Universo

Leia mais

DADOS. Histórico de lutas

DADOS. Histórico de lutas MULHERES O partido Solidariedade estabeleceu políticas participativas da mulher. Isso se traduz pela criação da Secretaria Nacional da Mulher e por oferecer a esta Secretaria completa autonomia. Acreditamos

Leia mais

Associação Juinense de Educação Superior do Vale do Juruena Faculdade de Ciências Contábeis e Administração do Vale do Juruena

Associação Juinense de Educação Superior do Vale do Juruena Faculdade de Ciências Contábeis e Administração do Vale do Juruena Associação Juinense de Educação Superior do Vale do Juruena Faculdade de Ciências Contábeis e Administração do Vale do Juruena Curso: Especialização em Psicopedagogia Módulo: Noções Fundamentais de Direito

Leia mais

Universidade Estadual do Centro-Oeste Reconhecida pelo Decreto Estadual nº 3.444, de 8 de agosto de 1997

Universidade Estadual do Centro-Oeste Reconhecida pelo Decreto Estadual nº 3.444, de 8 de agosto de 1997 RESOLUÇÃO Nº 094/2015-CONSET/SEHLA/G/UNICENTRO, DE 11 DE AGOSTO DE 2015. Altera os Anexos I e II, da Resolução Nº 133/2012- CONSET/SEHLA/G/UNICENTRO, de 23 de novembro de 2012, e aprova o relatório final.

Leia mais

Construção do Espaço Africano

Construção do Espaço Africano Construção do Espaço Africano Aula 2 Colonização Para melhor entender o espaço africano hoje, é necessário olhar para o passado afim de saber de que forma aconteceu a ocupação africana. E responder: O

Leia mais

Espaço Geográfico (Tempo e Lugar)

Espaço Geográfico (Tempo e Lugar) Espaço Geográfico (Tempo e Lugar) Somos parte de uma sociedade, que (re)produz, consome e vive em uma determinada porção do planeta, que já passou por muitas transformações, trata-se de seu lugar, relacionando-se

Leia mais

A crítica à razão especulativa

A crítica à razão especulativa O PENSAMENTO DE MARX A crítica à razão especulativa Crítica a todas as formas de idealismo Filósofo, economista, homem de ação, foi o criador do socialismo científico e o inspirador da ideologia comunista,

Leia mais

UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO CONCURSO PÚBLICO EDITAL 04/2016 ÁREA FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO CHAVE DE CORREÇÃO

UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO CONCURSO PÚBLICO EDITAL 04/2016 ÁREA FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO CHAVE DE CORREÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO CONCURSO PÚBLICO EDITAL 04/2016 ÁREA FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO CHAVE DE CORREÇÃO QUESTÃO 01: - Situar historicamente e contextualizar o percurso de

Leia mais

(1864-1920) Max Weber: a ética protestante e o espírito do capitalismo

(1864-1920) Max Weber: a ética protestante e o espírito do capitalismo (1864-1920) Max Weber: a ética protestante e o espírito do capitalismo Contexto histórico: Alemanha: organização tardia do pensamento burguês e do Estado nacional. e Humanas na Alemanha: interesse pela

Leia mais

QUARTA CONSTITUIÇÃO (A CONSTITUIÇÃO DO ESTADO NOVO)

QUARTA CONSTITUIÇÃO (A CONSTITUIÇÃO DO ESTADO NOVO) QUARTA CONSTITUIÇÃO (A CONSTITUIÇÃO DO ESTADO NOVO) NOME...Constituição dos Estados Unidos do Brasil DATA...10 de Novembro de 1937 ORIGEM...Outorgada DURAÇÃO...9 anos PREÂMBULO O Presidente da República

Leia mais

VESTIBULAR 2011 1ª Fase HISTÓRIA GRADE DE CORREÇÃO

VESTIBULAR 2011 1ª Fase HISTÓRIA GRADE DE CORREÇÃO VESTIBULAR 2011 1ª Fase HISTÓRIA GRADE DE CORREÇÃO A prova de História é composta por três questões e vale 10 pontos no total, assim distribuídos: Questão 1 3 pontos (sendo 1 ponto para o subitem A, 1,5

Leia mais

Globalização e solidariedade Jean Louis Laville

Globalização e solidariedade Jean Louis Laville CAPÍTULO I Globalização e solidariedade Jean Louis Laville Cadernos Flem V - Economia Solidária 14 Devemos lembrar, para entender a economia solidária, que no final do século XIX, houve uma polêmica sobre

Leia mais

HISTÓRIA - 6º AO 9º ANO

HISTÓRIA - 6º AO 9º ANO A FORMAÇÃO DO CURRÍCULO DA REDE O solicitou-nos uma base para colocar em discussão com os professores de história da rede de São Roque. O ponto de partida foi a grade curricular formulada em 2008 pelos

Leia mais

DEMOCRACIA, REPRESENTAÇÃO E. Profa. Dra. Maria Teresa Miceli Kerbauy FCL-UNESP-CAr kerbauy@travelnet.com.br

DEMOCRACIA, REPRESENTAÇÃO E. Profa. Dra. Maria Teresa Miceli Kerbauy FCL-UNESP-CAr kerbauy@travelnet.com.br DEMOCRACIA, REPRESENTAÇÃO E SISTEMA PARTIDÁRIO Profa. Dra. Maria Teresa Miceli Kerbauy FCL-UNESP-CAr kerbauy@travelnet.com.br INTRODUÇÃO Hobbes, Locke e Burke são os formuladores da moderna teoria da representação

Leia mais

1 A sociedade dos indivíduos

1 A sociedade dos indivíduos Unidade 1 A sociedade dos indivíduos Nós, seres humanos, nascemos e vivemos em sociedade porque necessitamos uns dos outros. Thinkstock/Getty Images Akg-images/Latin Stock Akg-images/Latin Stock Album/akg

Leia mais

(Perry Anderson, Linhagens do Estado absolutista. p. 18 e 39. Adaptado)

(Perry Anderson, Linhagens do Estado absolutista. p. 18 e 39. Adaptado) 1. (Fgv 2014) O paradoxo aparente do absolutismo na Europa ocidental era que ele representava fundamentalmente um aparelho de proteção da propriedade dos privilégios aristocráticos, embora, ao mesmo tempo,

Leia mais

FORÇA FEMINISTA NA CHINA

FORÇA FEMINISTA NA CHINA UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA I CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM HISTÓRIA DO SECULO XX FORÇA FEMINISTA NA CHINA DÉBORAH PAULA DA SILVA RECIFE

Leia mais

GESTÃO EMPRESARIAL INTRODUÇÃO AO ESTUDO DE GESTÃO ESTRATÉGICA E DE ESTRATÉGIA. Profª. Danielle Valente Duarte

GESTÃO EMPRESARIAL INTRODUÇÃO AO ESTUDO DE GESTÃO ESTRATÉGICA E DE ESTRATÉGIA. Profª. Danielle Valente Duarte GESTÃO EMPRESARIAL INTRODUÇÃO AO ESTUDO DE GESTÃO ESTRATÉGICA E DE ESTRATÉGIA Profª. Danielle Valente Duarte 2014 Os Estudos e a Prática da Gestão Estratégica e do Planejamento surgiram no final da década

Leia mais

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO MESTRADO EM EDUCAÇÃO

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO MESTRADO EM EDUCAÇÃO PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO MESTRADO EM EDUCAÇÃO LINHA DE PESQUISA TEORIA E PRÁTICA PEDAGÓGICA NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES PROJETO IDENTIDADE E A PRÁTICA PEDAGÓGICA

Leia mais

CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA CELSO SUCKOW DA FONSECA

CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA CELSO SUCKOW DA FONSECA CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA CELSO SUCKOW DA FONSECA ENSINO MÉDIO ÁREA CURRICULAR: CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS DISCIPLINA: HISTÓRIA SÉRIE 1.ª CH 68 ANO 2012 COMPETÊNCIAS:. Compreender

Leia mais

HOMOAFETIVIDADE FEMININA NO BRASIL: REFLEXÕES INTERDISCIPLINARES ENTRE O DIREITO E A LITERATURA

HOMOAFETIVIDADE FEMININA NO BRASIL: REFLEXÕES INTERDISCIPLINARES ENTRE O DIREITO E A LITERATURA HOMOAFETIVIDADE FEMININA NO BRASIL: REFLEXÕES INTERDISCIPLINARES ENTRE O DIREITO E A LITERATURA Juliana Fabbron Marin Marin 1 Ana Maria Dietrich 2 Resumo: As transformações no cenário social que ocorreram

Leia mais

João Goulart organizou a reforma agrária, direito ao voto, intervenção estatal e economia de regulamentação de remessas de lucro ao exterior.

João Goulart organizou a reforma agrária, direito ao voto, intervenção estatal e economia de regulamentação de remessas de lucro ao exterior. Resenha Crítica CARA MILINE Soares é arquiteta e doutora em Design pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo na Universidade de São Paulo (FAU-USP). É autora do ensaio já publicado: Móveis Brasileiros

Leia mais

Juristas Leigos - Direito Humanos Fundamentais. Direitos Humanos Fundamentais

Juristas Leigos - Direito Humanos Fundamentais. Direitos Humanos Fundamentais Direitos Humanos Fundamentais 1 PRIMEIRAS NOÇÕES SOBRE OS DIREITOS HUMANOS FUNDAMENTAIS 1. Introdução Para uma introdução ao estudo do Direito ou mesmo às primeiras noções de uma Teoria Geral do Estado

Leia mais

É um dos países mais complexos do nosso planeta. Com

É um dos países mais complexos do nosso planeta. Com O que foi a Revolução Cultural na China? Caio Lóssio Botelho * É um dos países mais complexos do nosso planeta. Com uma superfície de mais de 9.500.000 km², com a população superior a 1.180.000.000 habitantes.

Leia mais

Universidade Federal do Ceará Coordenadoria de Concursos - CCV Comissão do Vestibular

Universidade Federal do Ceará Coordenadoria de Concursos - CCV Comissão do Vestibular Universidade Federal do Ceará Coordenadoria de Concursos - CCV Comissão do Vestibular Data: 08.11.2009 Duração: 05 horas Conhecimentos Específicos: Matemática: 01 a 05 Redação História: 06 a 10 Coloque,

Leia mais

TEORIA SOCIAL CLÁSSICA E MODERNIDADE: REFLEXÃO À LUZ DE KARL MARX RESUMO

TEORIA SOCIAL CLÁSSICA E MODERNIDADE: REFLEXÃO À LUZ DE KARL MARX RESUMO TEORIA SOCIAL CLÁSSICA E MODERNIDADE: REFLEXÃO À LUZ DE KARL MARX Iara Barbosa de Sousa 1 RESUMO A presente reflexão tem enfoque no debate acerca de um clássico autor nas Ciências Sociais e sua relação

Leia mais

CADERNO 1 BRASIL CAP. 3. Gabarito: EXERCÍCIOS DE SALA. Resposta da questão 1: [D]

CADERNO 1 BRASIL CAP. 3. Gabarito: EXERCÍCIOS DE SALA. Resposta da questão 1: [D] Gabarito: EXERCÍCIOS DE SALA Resposta da questão 1: Somente a proposição está correta. Com a expansão napoleônica na Europa e a invasão do exército Francês em Portugal ocorreu a vinda da corte portuguesa

Leia mais

que se viver com dignidade, o que requer a satisfação das necessidades fundamentais. O trabalho é um direito e um dever de todo cidadão.

que se viver com dignidade, o que requer a satisfação das necessidades fundamentais. O trabalho é um direito e um dever de todo cidadão. Osdireitosdohomemedocidadãonocotidiano (OscarNiemeyer,1990) "Suor, sangue e pobreza marcaram a história desta América Latina tão desarticulada e oprimida. Agora urge reajustá-la num monobloco intocável,

Leia mais

História na escola: o presente questiona o passado

História na escola: o presente questiona o passado História na escola: o presente questiona o passado Disciplina: História Selecionador: Antonia Terra de Calazans Fernandes Categoria: Professor História na escola: o presente questiona o passado Refletir

Leia mais

Distinção entre Norma Moral e Jurídica

Distinção entre Norma Moral e Jurídica Distinção entre Norma Moral e Jurídica Filosofia do direito = nascimento na Grécia Não havia distinção entre Direito e Moral Direito absorvia questões que se referiam ao plano da consciência, da Moral,

Leia mais

Getúlio Vargas e a Era Vargas

Getúlio Vargas e a Era Vargas Getúlio Vargas e a Era Vargas http://www.suapesquisa.com/vargas/ AGOSTO RUBEM FONSECA Getúlio Vargas e a Era Vargas: ASPECTOS A RESSALTAR Vida de Getúlio Vargas; Revolução

Leia mais

REVOLUÇÃO FRANCESA MCC

REVOLUÇÃO FRANCESA MCC REVOLUÇÃO FRANCESA MCC REVOLUÇÃO FRANCESA. MOVIMENTO BURGUÊS França antes da revolução TEVE APOIO DO POVO Monarquia absolutista Economia capitalista.(costumes feudais) sociedade estamental. 1º Estado-

Leia mais

Lista de exercícios Sociologia- 1 ano- 1 trimestre

Lista de exercícios Sociologia- 1 ano- 1 trimestre Lista de exercícios Sociologia- 1 ano- 1 trimestre 01-O homo sapiens moderno espécie que pertencemos se constitui por meio do grupo, ou seja, sociedade. Qual das características abaixo é essencial para

Leia mais

UNICAMP REVOLUÇÃO FRANCESA HISTÓRIA GEAL

UNICAMP REVOLUÇÃO FRANCESA HISTÓRIA GEAL 1. (Unicamp 94) Num panfleto publicado em 1789, um dos líderes da Revolução Francesa afirmava: "Devemos formular três perguntas: - O que é Terceiro Estado? Tudo. - O que tem ele sido em nosso sistema político?

Leia mais

CHARLES, Sébastien. Cartas sobre a hipermodernidade ou O hipermoderno explicado às crianças. São Paulo: Barcarolla, 2009.

CHARLES, Sébastien. Cartas sobre a hipermodernidade ou O hipermoderno explicado às crianças. São Paulo: Barcarolla, 2009. CHARLES, Sébastien. Cartas sobre a hipermodernidade ou O hipermoderno explicado às crianças. São Paulo: Barcarolla, 2009. 13 Marco Antonio Gonçalves * Num ensaio sobre nossa temporalidade qualificada como

Leia mais

NAPOLEÃO BONAPARTE. Pode-se dividir seu governo em três partes: Consulado (1799-1804) Império (1804-1815) Governo dos Cem Dias (1815)

NAPOLEÃO BONAPARTE. Pode-se dividir seu governo em três partes: Consulado (1799-1804) Império (1804-1815) Governo dos Cem Dias (1815) NAPOLEÃO BONAPARTE 1 Profª Adriana Moraes Destaca-se política e militarmente no Período Jacobino. DIRETÓRIO Conquistas militares e diplomáticas na Europa defesa do novo governo contra golpes. Golpe 18

Leia mais

O termo cidadania tem origem etimológica no latim civitas, que significa "cidade". Estabelece um estatuto de pertencimento de um indivíduo a uma

O termo cidadania tem origem etimológica no latim civitas, que significa cidade. Estabelece um estatuto de pertencimento de um indivíduo a uma Bruno Oliveira O termo cidadania tem origem etimológica no latim civitas, que significa "cidade". Estabelece um estatuto de pertencimento de um indivíduo a uma comunidade politicamente articulada um país

Leia mais

Professor: MARCOS ROBERTO Disciplina: HISTÓRIA Aluno(a): Série: 9º ano - REGULAR Turno: MANHÃ Turma: Data:

Professor: MARCOS ROBERTO Disciplina: HISTÓRIA Aluno(a): Série: 9º ano - REGULAR Turno: MANHÃ Turma: Data: Professor: MARCOS ROBERTO Disciplina: HISTÓRIA Aluno(a): Série: 9º ano - REGULAR Turno: MANHÃ Turma: Data: REVISÃO FINAL PARA O SIMULADO 1ª Avaliação: Imperialismo na Ásia e na África 01. Podemos sempre

Leia mais