VI Conferência Anpei: Inovação como Estratégia Competitiva

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1 REVISTA DO BNDES, RIO DE JANEIRO, V. 13, N. 26, P , DEZ VI Conferência Anpei: Inovação como Estratégia Competitiva Data: 5 a 7 de junho de 2006 Local: Rio de Janeiro (RJ) Representante do BNDES: Pedro Quaresma de Araujo, economista da Área de Planejamento Entre os dias 5 e 7 de junho de 2006, realizou-se, no Rio de Janeiro, a VI Conferência da Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei), cujo tema foi a Inovação como Estratégia Competitiva. O foco central do evento foi a discussão de como acelerar o círculo virtuoso da inovação tecnológica nas empresas, levando em consideração o papel dos diferentes atores sociais como as próprias empresas, o Governo, as Universidades e as Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) nesse processo. O texto a seguir apresenta, em resumo, alguns destaques das exposições que compuseram o evento: 1) Conferência Magna Pedro Arboleda, Monitor Group A inovação, compreendida como a introdução de novidade ou aperfeiçoamento no ambiente produtivo ou social que resulte em novos produtos, processos ou serviços, tem sido considerada peça-chave para a competitividade das empresas. A inovação causa impacto no que acontece dentro da empresa, em virtude das melhorias na sofisticação de sua operação e estratégia, e também em termos da qualidade do ambiente microeconômico regional de negócios. Nesse sentido, a Conferência Magna proferida por Pedro Arboleda, consultor da Monitor Group, destacou a importância da inovação como forma de captação de valor extraordinário para um determinado setor, sobretudo quando as práticas inovadoras realizam-se com base na formação de clusters. A formação desses grupos de empresas que atuam num mesmo setor ajuda a fomentar a inovação, transferindo os ganhos tecnológicos das grandes para as pequenas empresas e vice-versa. Além de propiciar melhor interação entre as empresas, o governo e a academia, os clusters têm o efeito

2 304 VI CONFERÊNCIA ANPEI: INOVAÇÃO COMO ESTRATÉGIA COMPETITIVA de fortalecer as diferentes cadeias produtivas. Em suma, os clusters constituem um fórum privilegiado, no qual as complementaridades e a cooperação dentro de uma cadeia produtiva podem ser melhor aproveitadas pelos diferentes atores, favorecendo a eficiência da produção, impulsionando o desenvolvimento da inovação e facilitando a comercialização dos produtos. O setor público poderia desempenhar o papel de facilitar a criação de um ambiente de negócios salutar para o desenvolvimento dos clusters, seja através de mudanças na legislação, como pelo estabelecimento de taxas e incentivos para pesquisa e desenvolvimento (P&D), programas de educação e apoio à instalação de centros de pesquisa. Especificamente no Brasil, o desenvolvimento de clusters dependeria de estudo preliminar sobre as diferentes regiões e setores no sentido de que sejam consideradas as vantagens comparativas regionais. 2) Resultados da Pesquisa Anpei/Pintec Roberto Vermulm, Universidade de São Paulo (USP) A Pesquisa Industrial de Inovação Tecnológica (Pintec), realizada pelo IBGE a cada três anos, traça um quadro do esforço inovador das empresas brasileiras. O principal indicador da Pintec é a taxa de inovação, que mensura o quociente entre o número de empresas que realizaram algum tipo de inovação (produto ou processo) e o total de empresas. Segundo a metodologia da Pintec, entende-se inovação no produto aquela em que as características fundamentais (especificações técnicas, usos pretendidos, software ou outro componente intangível incorporado) diferem significativamente de todos os produtos previamente produzidos pela empresa. A inovação de produto também pode ser progressiva através de um significativo aperfeiçoamento tecnológico de produto previamente existente, cujo desempenho foi substancialmente aumentado ou aprimorado. Dessa definição são excluídas as mudanças puramente estéticas ou de estilo e a comercialização de produtos novos integralmente desenvolvidos e produzidos por outra empresa. Quanto à inovação de processo, refere-se ao processo tecnologicamente novo ou substancialmente aprimorado, que envolve a introdução de tecnologia de produção nova ou significativamente aperfeiçoada, assim como de métodos novos ou substancialmente aprimorados para manuseio e entrega de produtos (acondicionamento e preservação). Estes novos métodos podem envolver mudanças nas máquinas e equipamentos e/ou na organização

3 REVISTA DO BNDES, RIO DE JANEIRO, V. 13, N. 26, P , DEZ produtiva (desde que acompanhadas de mudanças no processo técnico de transformação do produto). São excluídas as mudanças: pequenas ou rotineiras nos processos produtivos existentes, e aquelas puramente administrativas ou organizacionais; a criação de redes de distribuição e os desenvolvimentos necessários para comércio eletrônico de produtos. Estão incluídas as alterações tecnológicas decorrentes de processos de verticalização (ou desverticalização) da estrutura produtiva de cada firma. Cabe ressaltar que a inovação tecnológica, nos termos da Pintec, refere-se a produto e/ou processo novo (ou substancialmente aprimorado) para a empresa, não sendo, necessariamente, novo para o mercado/setor de atuação, podendo ter sido desenvolvida pela empresa ou por outra empresa/instituição. A apresentação conduzida por Roberto Vermulm, da USP, comparou os dados da Pintec de 2000 com os da de Entre diversos aspectos abordados, cabe destacar a baixa taxa de inovação, sobretudo das empresas de menor porte. A situação torna-se ainda mais preocupante quando observamos a queda da taxa justamente das maiores empresas, muitas delas multinacionais, tradicionalmente inovadoras, o que nos faz refletir sobre a perda de atratividade para a realização de P&D no Brasil. PORTE DA EMPRESA (Nº de empregados) Taxa de Inovação Nº de Empresas Inovadoras/Nº Total de Empresas (%) 1998/ / ,3 30, ,3 34, ,0 34, ,3 43, ,8 48, ,7 72,5 Total 31,5 33,3 Fonte: IBGE/Pintec. Outros dados apresentados revelam a diminuição do número de empresas com atividades internas de P&D e dos gastos realizados pelas empresas nestas atividades, que caíram de R$ 5,8 bilhões em 2000 para R$ 5,0 bilhões em 2003 (redução real de 12%). A realidade inovadora e organizacional do país encontra-se, portanto, bem distante da realidade tecnológica de países outrora emergentes, como a China e a Coréia, que investem significativamente em P&D, assumindo posição de destaque nas comparações internacionais. A China já se encontra

4 306 VI CONFERÊNCIA ANPEI: INOVAÇÃO COMO ESTRATÉGIA COMPETITIVA em terceiro lugar no ranking destes investimentos, perdendo apenas para os Estados Unidos (EUA) e Japão, além de se constituir o destino preferencial dos investimentos externos em P&D. 3) O Caso Coréia Yongsang Cho, Koita A Coréia foi o caso-país apresentado na Conferência, por Yongsang Cho, da Korean Industrial Technology Association (Koita). Entre os dados apresentados, o que mais chamou a atenção foi o crescimento expressivo do número de centros de P&D. Em 1981, existiam 53 desses centros no país. Atualmente, são As micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) representam destes centros. Cabe destacar, ainda, que a resposta da Coréia à crise financeira do final da década de 1990 se deu no sentido de incentivar o investimento em centros de P&D, cujo número praticamente dobrou entre 1998 e 2000, passando de para 7.110, empregando atualmente um contingente de profissionais (90 mil nas MPMEs). O montante total de investimentos da Coréia em P&D atingiu, em 2004, US$ 34 bilhões, sendo a parte majoritária (76,7%) no setor privado. Os principais efeitos deste investimento podem ser percebidos pelo crescimento do produto interno bruto (PIB) e da participação no comércio mundial, onde o país ocupa respectivamente a 11ª e a 13ª posições. Cabe destacar, ainda, a participação crescente no depósito de patentes. Na comparação internacional, o país encontra-se na sexta posição, atrás apenas dos EUA, Japão, Alemanha, França e Reino Unido. O setor público coreano desempenha papel essencial no que diz respeito à promoção das atividades P&D através da legislação, dos créditos industriais e dos incentivos fiscais para as atividades P&D, dos direitos alfandegários sobre a importação de equipamentos de pesquisa. Os critérios de elegibilidade para participar dos diversos programas de incentivo incluem a certificação realizada por uma instituição privada, a KOITA, além de obrigatoriedades relativas à contratação de bacharéis e de construção de instalações independentes de P&D nas empresas. As modalidades de apoio às MPMEs incluem a instalação, construção, expansão, comercialização (para as empresas detentoras de patentes), exportação, suporte de tecnologia e desenvolvimento etc. A taxa de juros destes créditos encontra-se atualmente em 4,4% a. a.

5 REVISTA DO BNDES, RIO DE JANEIRO, V. 13, N. 26, P , DEZ ) Considerações Finais O evento contou com sessões destinadas a apresentações de cases de empresas como Laboratórios Aché, O Boticário, Petrobras, Embraer, Braskem, Pirelli e Cristófoli Equipamentos de Biossegurança Ltda. Outro destaque foram as sessões temáticas: (i) Encomendas de Projetos Estruturantes do Setor Produtivo; (ii) Competitividade para os próximos 10 anos janelas de oportunidade para o Brasil; (iii) Barreiras à Inovação nas micro e pequenas empresas análise e propostas de superação; (iv) Atratividade do Brasil para centros de P&D mundiais. Finalmente, cabe destacar a sessão que analisou as políticas públicas brasileiras em prol da inovação. Destacou-se o fato de o BNDES ter criado linha prioritária relativa à inovação e a recente reestruturação do INPI com ampliação do quadro de pessoal com o intuito de agilizar o exame das patentes no Brasil, além das mudanças introduzidas pela Lei de Inovação, como as subvenções para a contratação de profissionais de C&T, a utilização do poder de compra estatal no apoio à inovação e os estímulos à participação das ICTs no processo de inovação. Para o BNDES, que recentemente incluiu em suas Políticas Operacionais o tema da inovação, as discussões realizadas no evento podem ser bastante proveitosas. O conhecimento acumulado do Banco pode ser bastante útil também para o tratamento das principais questões discutidas, especialmente o mapeamento dos clusters brasileiros e a formulação de políticas de fomento/incentivo às atividades inovativas nas MPMEs. Informações mais detalhadas sobre o evento, assim como o conjunto das apresentações realizadas, podem ser encontradas no endereço eletrônico:

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