PROJETO CAMPO FUTURO CUSTO DE PRODUÇÃO DO CAFÉ EM ITABELA-BA

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1 PROJETO CAMPO FUTURO CUSTO DE PRODUÇÃO DO CAFÉ EM ITABELA-BA Os produtores de Itabela se reuniram, em 11/03, para participarem do levantamento de custos de produção de café para o projeto Campo Futuro, uma iniciativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) e Centro de Inteligência em Mercados (CIM) da Universidade Federal de Lavras (UFLA). O projeto tem como objetivo o levantamento do custo de produção de diversas culturas nas principais regiões produtoras do Brasil. 1. SISTEMA DE PRODUÇÃO O painel de Itabela considerou a propriedade típica da região como sistema de cultivo irrigado e manejo semimecanizado. Nesta localidade a produção de café se restringe à espécie Coffea canephora, sendo as cultivares (clones) Conilon Vitória, Robustão e G35 as predominantes. Tabela 1 Características da propriedade cafeeira em Itabela-BA CARACTERÍSTICAS DA PROPRIEDADE TÍPICA (MODA) Área Produtiva (hectares) 50 Produtividade (sacas) 70 Nesta região, os recursos de terceiros fornecem aproximadamente 70% do capital necessário para cobrir o COE na propriedade típica, sendo 30% provenientes de Financiamento Oficial (Banco) e 40% provenientes de Revenda de insumos. Verificou-se que a comercialização é realizada principalmente por meio de cooperativa e corretores, sendo o café tipo 7/8 o mais produzido. 2. ANÁLISE ECONÔMICA O Custo Operacional Efetivo (COE) da cafeicultura no município é de R$250,77 por saca. O COE corresponde a todos os componentes de custos gerados pela relação entre os coeficientes técnicos (quantidade utilizada) e os seus preços. Também se enquadram os gastos administrativos e os custos financeiros do capital de giro. Os componentes do COE são renovados em todo ciclo produtivo. Os custos com Pessoas na condução da lavoura são responsáveis por aproximadamente 13% do COE, sendo que 4% são encargos trabalhistas.

2 A Mecanização na condução da lavoura participa em 3% do COE. Os Insumos participam em 41% do COE, sendo que 35% correspondem a fertilizantes. A colheita é realizada manualmente em 100% da área colhida. Há a necessidade que safristas sejam contratados para a colheita e pós colheita, o que representa aproximadamente 22% do COE. Pessoas na colheita participam em 25% do COE, sendo 9% relativos a encargos trabalhistas. Gastos Gerais representam 8% do COE. Manutenções estão contidas nesse item, e correspondem a 3,55% do COE. Os Juros de Custeio, gerados com a captação de recursos de terceiros necessários para o financiamento da produção, representam aproximadamente 3% do COE. O Custo Operacional Total (COT), resultante da soma entre o COE, Depreciações e Prólabore, indica a possibilidade de reposição da capacidade produtiva do negócio além da remuneração do responsável pelo gerenciamento da atividade, que pode ser o próprio produtor. O COT em Itabela é de R$289,70 por saca, dos quais as depreciações de maquinários, implementos, benfeitorias e lavouras, representam 10% (do total de depreciações, Lavouras correspondem a 46,34%) e o pró-labore representa 3%. Gráfico 1 Composição do COT Composição do Custo Operacional Total (COT) Pró-labore, 3% Condução da Lavoura, 49% Depreciação, 10% COE, 87% Colheita e Pós Colheita, 28% Gastos Gerais, 7% Juros de Custeio, 3% Já o Custo Total (CT), resultante da soma entre COT e custo de oportunidade da terra e dos bens de capital, indica a situação econômica do empreendimento considerando todos os custos implícitos, que neste caso se referem aos valores que estes fatores poderiam gerar em investimentos alternativos.

3 O CT da cafeicultura em Itabela é de R$335,97 por saca, onde o custo de oportunidade dos bens de capital corresponde à aplicação de uma taxa de juros de 6% sobre o capital médio empatado em máquinas, implementos, benfeitorias e lavouras. O custo de oportunidade da terra corresponde ao seu valor de arrendamento. Gráfico 2 Relação de troca do CT em março 70,00 60,00 61,38 Relação de troca por hectare - Custo Total 50,00 40,00 30,00 20,00 10,00 0,00 7,55 6,98 1,98 4,35 Sacas / hectare COE Depreciações Pró-labore Remuneração Terra Remuneração Bens de Capital O gráfico acima demonstra o mecanismo da Relação de Troca (RT), que representa o número de sacas de café necessário para pagar os custos de produção em um hectare. Com os preços de venda do café observados no mês de março, são necessárias 82,24 sacas por hectare para cobrir o CT em Itabela, quantidade aproximadamente 17% superior à produtividade (apenas para cobrir o COE, seriam necessárias 61,38 sacas por hectare). É importante ressaltar que o preço do café tem grande influência nesta análise.

4 Tabela 2 Discriminação dos custos de produção da propriedade típica na safra 2014/2015 CONTA SUB CONTA R$/ha R$/saca PESSOAS (Condução da lavoura) COE COT CT 1.671,02 23,87 9,52 8,24 7,11 632,07 9,03 3,60 3,12 2,69 MECANIZAÇÃO 550,65 7,87 3,14 2,72 2,34 Corretivos 102,00 1,46 0,58 0,50 0,43 INSUMOS Fertilizantes 6.084,09 86,92 34,66 30,00 25,87 Defensivos 943,16 13,47 5,37 4,65 4,01 Salários 2.750,44 39,29 15,67 13,56 11,70 COLHEITA E PÓS COLHEITA GASTOS GERAIS Pessoas Salários Encargos Mecanização Outros Administrativos Materiais PARTICIPAÇÃO (%) Encargos 1.558,58 22,27 8,88 7,69 6,63 254,15 3,63 1,45 1,25 1, ,80 15,50 6,18 5,35 4,61 312,16 4,46 1,78 1,54 1, ,00 14,79 5,90 5,10 4,40 JUROS DE CUSTEIO 575,56 8,22 3,28 2,84 2,45 COE - (A) ,68 250,77 100,00 86,56 74,64 Depreciações - (B) 2.157,97 30,83-10,64 9,18 Pró-labore - (C) 567,36 8,11-2,80 2,41 COT - (D) = (A + B + C) ,00 289,70-100,00 86,23 Remuneração Terra - (E) 1.995,00 28, ,48 Remuneração Bens de Capital - (F) 1.243,98 17, ,29 CT - (G) = (D + E + F) ,98 335, ,00 No mês de março, com a média das cotações de café em R$286,00 por saca no mercado físico da região, a Margem Bruta, obtida por meio da subtração entre o preço de venda (PV) e o COE, é positiva em R$35,23. A Margem Líquida (PV COT) é negativa em R$3,70. Já o resultado de exercício (Lucro/Prejuízo) (PV CT) indica um prejuízo de R$49,97 por saca. Tabela 3 Análise da situação econômico-financeira da cafeicultura RECEITA E INDICADORES DE RENTABILIDADE RS/ha R$/saca R$ (TOTAL) Receita ,00 286, ,00 Margem Bruta 2.466,32 35, ,24 Margem Líquida -259,00-3, ,17 Lucro/Prejuízo ,98-49, ,17 Estoque de capital ,00 374,76 Rentabilidade 'com terra' 0,00 % Relação de Troca 82,24 sacas A fim de melhorar as margens de lucro da cafeicultura, as boas práticas produtivas que objetivam um produto final diferenciado são fundamentais. Os cuidados no manejo, e especialmente na colheita e pós-colheita, merecem atenção especial. O aumento na eficiência produtiva é outro aspecto importante que impacta nas Margens. Na medida em que há um maior aproveitamento da mão de obra, dos insumos agrícolas e da mecanização, enfim, dos recursos necessários à produção, menores são os custos gerados.

5 O uso de cultivares mais produtivas e resistentes, o manejo correto do solo e da água, a inserção do manejo integrado de pragas e doenças, a capacitação da mão de obra e a adoção de boas práticas de gestão, contribuem para a consecução destes objetivos, conferindo mudanças nas situações econômica, social e ambiental da cafeicultura. 3. SIMULAÇÃO Segundo os participantes do painel de Itabela, acredita-se que os problemas meteorológicos que ocorreram na safra 2014/2015 poderão impactar na produção do município, e consequentemente influenciar os custos de produção. Os participantes do painel estimaram que, se este cenário se confirmar, haverá uma redução de 10% na produção, que será observada durante o beneficiamento do café que terá menor rendimento. Nesta condição, o Custo Operacional Efetivo (COE) apresentará um aumento de 11,04%. Tabela 4 Simulação sobre os custos de produção da propriedade típica na safra 2014/2015 considerando um possível impacto causado por intempéries CONTA SUB CONTA R$/ha R$/saca PESSOAS (Condução da lavoura) COE COT CT 1.671,02 26,52 9,53 8,24 7,11 632,07 10,03 3,60 3,12 2,69 MECANIZAÇÃO 550,65 8,74 3,14 2,72 2,34 Corretivos 102,00 1,62 0,58 0,50 0,43 INSUMOS Fertilizantes 6.084,09 96,57 34,68 30,02 25,88 Defensivos 943,16 14,97 5,38 4,65 4,01 Salários 2.750,44 43,66 15,68 13,57 11,70 COLHEITA E PÓS COLHEITA GASTOS GERAIS Pessoas Salários Encargos Mecanização Outros Administrativos Materiais PARTICIPAÇÃO (%) Encargos 1.558,58 24,74 8,88 7,69 6,63 254,15 4,03 1,45 1,25 1, ,65 17,06 6,13 5,30 4,57 312,16 4,95 1,78 1,54 1, ,00 16,43 5,90 5,11 4,40 JUROS DE CUSTEIO 575,21 9,13 3,28 2,84 2,45 COE - (A) ,18 278,46 100,00 86,55 74,63 Depreciações - (B) 2.157,97 34,25-10,65 9,18 Pró-labore - (C) 567,36 9,01-2,80 2,41 COT - (D) = (A + B + C) ,51 321,72-100,00 86,22 Remuneração Terra - (E) 1.995,00 31, ,49 Remuneração Bens de Capital - (F) 1.243,98 19, ,29 CT - (G) = (D + E + F) ,49 373, ,00 Na simulação para o mês de março, com a média das cotações de café em R$286,00 por saca no mercado físico da região, a Margem Bruta, obtida por meio da subtração entre o preço de venda (PV) e o COE, é positiva em R$7,54. A Margem Líquida (PV COT) é negativa em R$35,72. Já o resultado de exercício (Lucro/Prejuízo) (PV CT) indica um prejuízo de R$87,13 por saca.

6 Tabela 5 Simulação sobre a análise da situação econômico-financeira da cafeicultura RECEITA E INDICADORES DE RENTABILIDADE RS/ha R$/saca R$ (TOTAL) Receita ,00 286, ,00 Margem Bruta 474,82 7, ,95 Margem Líquida ,51-35, ,47 Lucro/Prejuízo ,49-87, ,47 Estoque de capital ,00 416,40 Rentabilidade 'com terra' 0,00 % Relação de Troca 82,19 sacas 4. AGRADECIMENTOS A CNA e o CIM/UFLA agradecem o apoio da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (FAEB) e do Sindicato Rural de Itabela na realização do painel, bem como a colaboração dos produtores rurais e técnicos da região no levantamento das informações. Figura 1 Participantes do painel de custo de produção de café na região de Itabela-BA

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