Arquitetura Empresarial com TOGAF 9.1 e ArchiMate 2.1 1

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1 Arquitetura Empresarial com TOGAF 9.1 e ArchiMate Henk Jonkers, Dick Quartel, Bas van Gils, Henry Franken e Marc Lankhorst Sumário executivo O padrão ArchiMate para modelagem da arquitetura empresarial oferece suporte à modelagem completa através de todo o ciclo de desenvolvimento da arquitetura. Ele permite a descrição e visualização de diferentes domínios da arquitetura e seus relacionamentos, bem como a motivação por trás da arquitetura e o planejamento da implementação de projetos e da migração. A linguagem ArchiMate complementa o TOGAF, o método padrão do The Open Group para o desenvolvimento de arquiteturas corporativas. Neste artigo, destacamos o que há de novo nas novas versões destes dois padrões, e ilustramos a forma como eles podem ser usados em conjunto para fornecer uma abordagem de arquitetura corporativa integral. 1 ArchiMate e TOGAF são marcas registradas do The Open Group Data de publicação: 15 de Março de 2014 Tradução autorizada pelos autores 2014 BiZZdesign Todos os direitos reservados Página 1

2 Sumário Introdução... 3 Uma Abordagem Integrada para a Arquitetura Corporativa... 3 Forma de trabalho: TOGAF... 4 Os componentes do TOGAF... 4 O Método de Desenvolvimento da Arquitetura (ADM-Architecture Development Method)... 4 Método de Modelagem: ArchiMate... 5 Resumo do núcleo do ArchiMate... 6 Resumo das extensões do ArchiMate... 7 ArchiMate e TOGAF... 8 Exemplo de caso: ArchiSurance... 9 Motivação... 9 Arquitetura de Negócio Arquitetura de Aplicativos Arquitetura de Dados Arquitetura Tecnológica Análise de Lacunas Sumário e Conclusões Referências BiZZdesign Todos os direitos reservados Página 2

3 Introdução O TOGAF é a estrutura padrão e o método para o desenvolvimento de arquitetura empresarial do The Open Group. O ArchiMate, padrão de modelagem de arquitetura empresarial do The Open Group, foi desenvolvido com o objetivo de fornecer uma representação uniforme para descrições de arquitetura empresarial [4] [6]. Ele oferece uma abordagem arquitetônica integrada através da qual as organizações podem descrever e visualizar diferentes domínios de arquitetura, bem como seus relacionamentos e dependências subjacentes. Na Versão 2 da linguagem foram adicionados conceitos para modelar a motivação por trás da arquitetura, e para apoiar o planejamento da implementação e migração. Com estas extensões o ArchiMate fornece suporte à modelagem completa de todo o ciclo de desenvolvimento de arquitetura do TOGAF. Neste artigo, descrevemos uma abordagem integrada para a arquitetura empresarial com base nestes dois padrões do The Open Group. Nós apresentamos brevemente o TOGAF e o ArchiMate, e destacamos o que há de novo nas novas versões destes padrões. Nós ilustramos nossa abordagem com um exemplo. Uma Abordagem Integrada para a Arquitetura Corporativa Estruturas para a arquitetura corporativa variam em relação aos tipos de suporte que elas oferecem. Elas podem ter, entre outros, qualquer combinação dos seguintes ingredientes (veja a Figura 1): Um processo ("método de trabalho") para a criação de arquiteturas; ele pode ser acompanhado de orientações, técnicas e melhores práticas. Um conjunto ou classificação de pontos de vista. Uma linguagem ("método de modelagem") para descrever arquiteturas (definindo conceitos e relacionamentos, mas também uma notação). O conceito de um repositório (virtual) da arquitetura, possivelmente contendo artefatos arquitetônicos prédefinidos e modelos (de referência). Figura 1. Ingredientes de uma Abordagem de Arquitetura Empresarial Integrada TOGAF e ArchiMate têm uma firme base comum em sua noção compartilhada de arquitetura empresarial. Ambos adotam o conceito central de pontos de vista sobre um único repositório de modelos subjacente, visando um conjunto específico de partes interessadas e preocupações. Por outro lado, os padrões se complementam: o TOGAF oferece um método elaborado, incluindo processos, diretrizes e técnicas, para o desenvolvimento da arquitetura empresarial, enquanto o ArchiMate fornece uma linguagem bem definida, incluindo uma notação gráfica, para a modelagem da arquitetura empresarial. Juntos, estes dois padrões formam uma abordagem completa e integrada para a arquitetura corporativa BiZZdesign Todos os direitos reservados Página 3

4 Método de trabalho: TOGAF Os componentes do TOGAF A estrutura principal do TOGAF 9.1 consiste de seis componentes: 1. O núcleo do TOGAF é formado pelo Método de Desenvolvimento da Arquitetura (ADM-Architecture Development Method), uma abordagem iterativa passo a passo para o desenvolvimento e implementação de uma arquitetura empresarial. As fases do ADM serão explicadas com mais detalhes abaixo. 2. Uma coleção de Orientações e Técnicas para apoiar a aplicação do ADM. As orientações abrangem a adaptação do ADM a fim de lidar com uma série de cenários de utilização, incluindo diferentes estilos de processo (por exemplo, o uso de iteração) e arquiteturas especializadas específicas (por exemplo, a arquitetura de segurança). As técnicas suportam tarefas específicas dentro do ADM, tais como, definição de princípios, cenários de negócios, análise de lacunas, planejamento de migração e gestão de riscos. 3. A Estrutura de Conteúdo da Arquitetura (ACF-Architecture Content Framework) fornece um modelo detalhado dos produtos dos trabalhos arquitetônicos,incluindo as entregas, artefatos dentro das entregas e os blocos de construção de arquitetura representados pelas entregas. Embora o ACF defina um metamodelo de conteúdo que especifica os tipos relevantes de blocos de construção, ele não fornece uma linguagem de modelagem completa; é aqui onde o ArchiMate complementa o TOGAF. 4. O Continuum Empresarial descreve uma visão do repositório da arquitetura (um conceito que também é trabalhado no TOGAF), e fornece métodos para a classificação dos artefatos de arquitetura e de solução, mostrando como os diferentes tipos de artefatos evoluem, e como eles podem ser aproveitados e reutilizados. Isto é baseado em arquiteturas (no Continuum da Arquitetura) e soluções (no Continuum das Soluções) existentes tanto na empresa como na indústria em geral, e que a empresa tenha coletado para uso no desenvolvimento das arquiteturas. 5. Dois Modelos de Referência para possível inclusão no Continuum Empresarial: o Modelo de Referência Técnica do TOGAF (TRM-Technical Reference Model) e o Modelo de Referência de Infra-estrutura de Informação Integrada (III-RM-Integrated Information Infrastructure Reference Model). 6. A Estrutura de Capacidades de Arquitetura (ACF-Architecture Capability Framework) é um conjunto de recursos, orientações, modelos e informações básicas fornecidas para ajudar o arquiteto a estabelecer a prática da arquitetura dentro da organização. O Método de Desenvolvimento da Arquitetura (ADM-Architecture Development Method) O núcleo do TOGAF é formado pelo Método de Desenvolvimento da Arquitetura (ADM-Architecture Development Method), uma abordagem iterativa passo a passo para o desenvolvimento e implementação de uma arquitetura empresarial (veja a Figura 2). Figura 2. ADM-Método de Desenvolvimento da Arquitetura [7] 2014 BiZZdesign Todos os direitos reservados Página 4

5 As fases do ADM podem ser agrupadas em quatro partes principais, também mostradas na Figura 2: 1. "Comprometendo e envolvendo a organização": A Fase Preliminar prepara a organização como um todo para "trabalhar sob uma arquitetura", e envolve atividades como o estabelecimento de uma capacidade de arquitetura, adaptação dos métodos e técnicas da arquitetura para as características específicas da organização, e definição de um conjunto inicial de princípios de arquitetura; A Fase A, Visão da Arquitetura, prepara para um único ciclo de desenvolvimento da arquitetura, e inclui a formulação de uma visão de arquitetura com uma visão geral de alto nível da mudança pretendida. 2. "Obtendo a arquitetura correta" se refere à descrição da arquitetura de base atual e da arquitetura alvo, e uma análise das lacunas entre a linha de base e o alvo. As três fases neste grupo estão preocupadas com os três tipos principais de arquitetura: arquitetura do negócio (Fase B), arquitetura dos sistemas de informação (Fase C) e arquitetura tecnológica (Fase D). 3. "Fazendo a arquitetura funcionar" se preocupa com a implementação da arquitetura desenvolvida e com o planejamento da migração para a nova situação. Ela inclui a Fase E, Oportunidades e Soluções, em que os resultados da análise de lacunas são consolidados e potenciais pacotes de trabalho de implementação são identificados; Fase F, Planejamento de Migração, em que pacotes de trabalho são priorizados e um plano de migração é estabelecido; e Fase G, Governança da Implementação, que garante a conformidade dos projetos de implementação com a arquitetura. 4. "Mantendo o processo em funcionamento" está preocupado com a gestão, priorização e controle de versão dos requisitos na arquitetura. O processo central de Gerenciamento de Requisitos administra os requisitos durante o ciclo de desenvolvimento da arquitetura. Na Fase H, Gerenciamento de Mudança, novos requisitos são identificados, o que pode levar ao início de um novo ciclo de desenvolvimento da arquitetura. O TOGAF também inclui a identificação de pontos de vista, técnicas e modelos de referência. No entanto, ele não define uma linguagem de modelagem real. A Estrutura de Conteúdo de Arquitetura-ACF do TOGAF, de fato, identifica blocos de arquitetura relevantes, mas ela não constitui uma linguagem precisamente definida, nem fornece uma notação para estes blocos de construção. O ArchiMate complementa isto definindo uma linguagem de modelagem (gráfica) totalmente funcional, incluindo a definição dos pontos de vista relevantes. Esta linguagem também fornece uma visualização concreta dos pontos de vista identificados no TOGAF. Método de Modelagem: ArchiMate Dentro de organizações maiores pode-se, tipicamente, encontrar vários domínios de arquitetura, tais como as estruturas organizacionais, produtos, processos de negócio, sistemas de informação, aplicativos e infraestrutura técnica. Tradicionalmente, cada domínio da arquitetura emprega modelos e visualizações específicas, o que simplifica a comunicação, discussão e análise dentro do domínio. No entanto, os relacionamentos entre estes diferentes domínios são, em muitos casos, pouco claros. Além disso, estes domínios tendem a se sobrepor (pelo menos parcialmente). Assim sendo, o ArchiMate fornece uma maneira unificada para modelar as arquiteturas corporativas, ao mesmo tempo que integra os vários domínios e os descreve em uma forma facilmente legível. O ArchiMate está posicionado no nível de arquitetura empresarial, o que implica que a linguagem não fornece o nível de detalhe que é normalmente encontrado em linguagens utilizadas no "nível do design" [10], como BPMN [9] para o projeto de processos de negócios e UML [8] para o projeto de aplicativos e infra-estrutura técnica. O ArchiMate foi concebido de uma forma estruturada, através da definição de uma estrutura genérica que se torna específica nas diferentes camadas da arquitetura. Ele também define um conjunto limitado de tipos de relacionamentos que são usados em toda a linguagem. Finalmente, o ArchiMate fornece uma notação gráfica padrão para os conceitos e relacionamentos da modelagem. Nesta seção, nós discutimos brevemente a estrutura e os elementos principais da linguagem ArchiMate. No artigo A anatomia da linguagem Archimate [10] é fornecido um relato mais detalhado das exigências sobre a linguagem, e as decisões de design que sustentam a sua concepção BiZZdesign Todos os direitos reservados Página 5

6 Figura 3. Integração dos domínios de arquitetura Em complemento ao núcleo o ArchiMate Versão 2 inclui duas extensões. Com estas extensões, o ArchiMate fornece suporte para a modelagem de todo o TOGAF ADM: A extensão Motivação define conceitos para modelar a motivação para as escolhas feitas no projeto da arquitetura. Isto inclui conceitos como parte interessada, direcionador, objetivo, requisito e princípio. Para os elementos de motivação foi definido um conjunto limitado de relacionamentos, em parte reutilizados a partir do núcleo do ArchiMate A extensão Implementação e Migração define conceitos para apoiar a identificação de projetos de implementação e o planejamento de migração. Isto inclui conceitos como pacote de trabalho, entrega, platô e lacuna O The Open Group também oferece um programa de certificação para os profissionais ArchiMate, ferramentas e cursos de formação. Resumo do Núcleo do ArchiMate O núcleo do ArchiMate define os conceitos para real modelagem das arquiteturas, conforme descrito em fases B, C e D do ADM do TOGAF. Esta é essencialmente a parte do ArchiMate descrita na versão 1.0 da linguagem, com exceção das alterações mencionadas anteriormente. A Figura 4 resume os conceitos mais utilizados do núcleo do ArchiMate, posicionados destro da estrutura do ArchiMate. O quadro identifica três camadas de arquitetura, que correspondem aproximadamente às três fases da arquitetura de desenvolvimento no TOGAF ADM: a camada de negócios, a camada de aplicativos e a camada de infraestrutura. Dentro de cada camada, três aspectos são descritos: a estrutura ativa, ou seja, as entidades que executam o comportamento (por exemplo, atores do negócio, componentes de aplicativos, os nós de infraestrutura), o comportamento propriamente dito (por exemplo, processos, funções e serviços), e a estrutura passiva, ou seja, os objetos (informação) que são processados como parte do comportamento BiZZdesign Todos os direitos reservados Página 6

7 Figura 4. Resumo do núcleo do ArchiMate Resumo das Extensões do ArchiMate Conforme descrito nas seções anteriores, o núcleo do ArchiMate apoia principalmente a modelagem das arquiteturas nas Fases B, C e D no TOGAF ADM ("Obtendo a arquitetura correta" na Figura 2), como é ilustrado na Figura 13. Os modelos resultantes são utilizados como entrada para as fases subsequentes do ADM; conceitos de modelagem especificamente destinadas às outras fases - por exemplo, conceitos para os princípios de modelagem, objetivos e requisitos, ou conceitos para apoiar o planejamento da migração - foram adicionados a partir da versão 2.0 do ArchiMate, por meio de duas extensões: uma para descrever a motivação (por exemplo, as partes interessadas, os objetivos e requisitos), apoiando as fases "Comprometendo e envolvendo a organização" e "Mantendo o processo em funcionamento" na Figura 2, e uma para o planejamento da implementação e da migração, apoiando as fases em "Fazendo a arquitetura funcionar" da Figura 2. As próximas subseções descrevem estas duas extensões. A Figura 5 acrescenta as duas extensões à estrutura do ArchiMate, e mostra como os principais conceitos das extensões estão relacionados com o núcleo. A extensão Motivação do ArchiMate [1] acrescenta conceitos relacionados à modelagem de objetivos e o gerenciamento de requisitos de negócios. Eles podem ser usados para a identificação, descrição, análise e validação de objetivos e requisitos ao nível do negócio, e a sua realização através de modelos de arquitetura empresarial, descritos através dos conceitos fundamentais do ArchiMate. Os conceitos de motivação, baseados em fontes como o Modelo de Motivação de Negócios [11] do OMG, princípios de arquitetura [12] [13] e engenharia de requisitos orientada a objetivos [14] [15] [16] são usados para modelar as motivações, ou intenções, que fundamentam a concepção de uma arquitetura empresarial. Estas intenções influenciam, orientam e restringem o design da arquitetura. Intenções são perseguidas pelas partes interessadas, que podem ser indivíduos ou grupos, como uma equipe de projeto, uma empresa ou a sociedade. Além disso, as intenções podem ser organizadas em determinadas áreas de interesse, chamadas direcionadores, como a satisfação do cliente, a conformidade com a legislação ou a rentabilidade. As intenções reais são representadas por objetivos, princípios e requisitos. Objetivos representam algum resultado desejado - ou fim - que uma parte interessada quer alcançar; por exemplo, aumentar a satisfação do cliente em 10 por cento. Princípios e requisitos representam propriedades desejadas das soluções - ou meios - para realizar os objetivos. Princípios representam propriedades desejadas que são requeridas de todas as soluções possíveis em um determinado contexto; requisitos representam propriedades desejadas de soluções específicas, individuais. Por exemplo, um requisito "Use um sistema de CRM único" é uma especialização de um princípio "Os dados devem ser 2014 BiZZdesign Todos os direitos reservados Página 7

8 armazenados apenas uma vez", através da sua aplicação à arquitetura atual da organização no contexto da gestão de dados de clientes. Uma restrição é um tipo específico de requisito que restringe a maneira pela qual um sistema é realizado. Requisitos são realizados por elementos do núcleo. Figura 5. Resumo das extensões do ArchiMate A extensão Implementação e Migração define uma série de conceitos adicionais que permitem a modelagem do processo de mudança da arquitetura e aumenta o conhecimento sobre essas mudanças, bem como a sua capacidade de gestão em termos de portfólio e gerenciamento de projetos e tomada de decisão. Ao definir conceitos tais como pacote de trabalho (para modelar o trabalho de implementação em diferentes níveis de granularidade, por exemplo, programas, projetos ou tarefas do projeto), entregas e o platôs é possível conectar o ArchiMate com padrões de gerenciamento de programas e projetos e com melhores práticas, tais como MSP [17], PRINCE2 [19] e PMBoK [18]. Entregas realizam platôs ou elementos do núcleo, e platôs agregam elementos do núcleo. Relacionamentos podem ser estabelecidos entre os modelos de arquitetura empresarial criados em diferentes momentos no tempo e os modelos de migração. Estas diferenças são capturadas pelo conceito de lacuna. Uma lacuna é um resultado importante de uma análise de lacunas nas fases B, C e D do TOGAF ADM e constitui uma entrada importante para o posterior planejamento da implementação e da migração. O conceito de lacuna está relacionado a dois platôs (por exemplo, linha de base e arquitetura-alvo, ou duas arquiteturas de transição sucessivas), e representa as diferenças entre estes platôs. ArchiMate e TOGAF A Figura 6 mostra um mapeamento global da estrutura do ArchiMate (núcleo e extensões) para as fases do TOGAF ADM. Como indicado anteriormente, os conceitos do núcleo são utilizados principalmente para modelar as arquiteturas reais nas Fases B, C e D ("Obtendo a arquitetura correta"). Além disso, as três camadas da estrutura do núcleo do ArchiMate correspondem estreitamente aos três principais tipos de arquitetura que são tratados nestas fases. Os conceitos da extensão de Motivação são especialmente úteis em fases iniciais do ADM ("Comprometendo e envolvendo a organização"), para apoiar a análise das partes interessadas e para a formulação dos princípios e objetivos do negócio, bem como nas fases de Gerenciamento de Mudança e de Gerenciamento de Requisitos ("Mantendo o processo em funcionamento") para modelar e gerenciar os requisitos e restrições. Finalmente, os conceitos da extensão Implementação e Migração apóiam principalmente as fases finais do ADM ("Fazendo a arquitetura funcionar"), para modelar programas e projetos de implementação, bem como platôs e lacunas para o planejamento de migração BiZZdesign Todos os direitos reservados Página 8

9 Figura 6. Mapeamento entre o TOGAF ADM e o ArchiMate [6] Exemplo de caso: ArchiSurance Usando um pequeno exemplo baseado em uma companhia de seguros fictícia, ilustramos como as diferentes arquiteturas, conforme definidas no TOGAF, podem ser expressas usando os conceitos do núcleo do ArchiMate. A ArchiSurance é uma fusão de três empresas anteriormente independentes: Home & Away, para seguro residencial e de viagem, PRO-FIT, para seguro de automóveis, e Legally Yours, para o seguro de assistência jurídica. A nova empresa tem um único serviço de atendimento (front-office) e três escritórios de retaguarda (black-office) separados. A ArchiSurance tem planos para racionalizar o seu portfólio de aplicativos, integrando os aplicativos legados com funcionalidade similar das antigas empresas (que ainda estão em uso). Note-se que estes exemplos proporcionam uma ideia da linguagem ArchiMate, mas não mostram todos os conceitos. Para uma visão completa da linguagem, consulte a especificação do ArchiMate [6]. Motivação A Figura 7 mostra um fragmento do modelo de motivação para a alteração proposta. As preocupações das partes interessadas, modeladas como direcionadores, levam aos objetivos do negócio. Estes objetivos são realizados através de princípios, que por sua vez são tornados mais específicos em termos de requisitos BiZZdesign Todos os direitos reservados Página 9

10 Figura 7. Exemplo da Extensão de Motivação Arquitetura de Negócio A Arquitetura de Negócio fornece o contexto para as trajetórias de desenvolvimento de sistemas, mostrando, entre outros, os principais serviços e processos de negócio, os atores e os papéis que executam nestes processos, e as informações (objetos) trocadas entre os processos. No nível mais alto de abstração, usamos funções de negócio para expressar a essência do que uma organização faz. Este é geralmente o seu aspecto mais estável. Na Figura 8, vemos parte da arquitetura de funções do negócio da nossa empresa-exemplo ArchiSurance. Figura 8. Arquitetura de Funções do Negócio 2014 BiZZdesign Todos os direitos reservados Página 10

11 A Figura 9 mostra um exemplo de uma Arquitetura de Negócio expressa em ArchiMate. Assumimos que a arquitetura de negócio da ArchiSurance não muda no processo de racionalização dos aplicativos. A distinção entre os atores do negócio e papéis do negócio permite modelar os vários papéis que uma mesma pessoa ou unidade organizacional pode realizar em diferentes contextos. A figura também mostra um produto, que compreende uma série de serviços empresariais e um contrato. Estes serviços, por sua vez, são realizados pelos processos de negócio e são utilizados pelo ator de negócio Cliente em seus papéis de Segurado e Reclamante. Figura 9. Processos de Negócio e Arquitetura de Serviços Arquitetura de Aplicativos A Arquitetura de Aplicativos mostra os aplicativos ou componentes de aplicativos, seus relacionamentos e sua funcionalidade. A Figura 10 mostra a Arquitetura de Aplicativos de base da ArchiSurance. As funcionalidades que os aplicativos oferecem ao seu ambiente são modeladas como serviços. O conceito de serviço desempenha um papel central no ArchiMate, também na Arquitetura de Negócios e na Arquitetura Tecnológica (embora isto não seja mostrado no nosso exemplo), e, em particular, como um ponto de ligação entre as diferentes arquiteturas BiZZdesign Todos os direitos reservados Página 11

12 Figura 10. Arquitetura de Aplicativos No ArchiMate, visões separadas podem ser usadas para mostrar os relacionamentos entre as diferentes arquiteturas. Como um exemplo, a Figura 11 mostra como os serviços da Arquitetura de Aplicativos são utilizados nos processos da Arquitetura do Negócio. Figura 11. Alinhamento Negócio-Aplicativo Arquitetura de Dados A Arquitetura de Dados mostra os principais objetos de dados utilizados dentro dos aplicativos, bem como seus relacionamentos. A Figura 12 mostra a Arquitetura de Dados da ArchiSurance, que assumimos não vai mudar no processo de racionalização dos aplicativos. Figura 12. Linha de Base e Alvo da Arquitetura de Dados 2014 BiZZdesign Todos os direitos reservados Página 12

13 Arquitetura Tecnológica A Arquitetura Tecnológica mostra, entre outros, os dispositivos e software de sistema no qual são executados os aplicativos, os dispositivos de ligação em rede e os artefatos que formam a implementação física dos componentes de aplicativo ou objetos de dados. A Figura 13 mostra a linha de base da Arquitetura Tecnológica da ArchiSurance, mostrando que existem servidores de aplicativos separados para as diferentes aplicações de front-office e backoffice. Figura 13. Linha de Base da Arquitetura Tecnológica Nós podemos relacionar a arquitetura tecnológica com as arquiteturas de aplicativos e de dados através do uso de serviços, e a realização de componentes de aplicativos e dados através de artefatos, como mostrado na Figura 14. Figura 14. Alinhamento Aplicativo-Tecnologia Análise de Lacunas Um passo importante nas Fases B, C e D do TOGAF ADM é uma análise de lacunas, que revisa as diferenças entre a linha de base e a arquitetura alvo. Ela mostra que blocos de construção são transportados desde a linha de base até a arquitetura alvo, que blocos de construção são novos na arquitetura alvo (o que pode ser usado como uma base para decidir pela compra ou desenvolvimento destes blocos de construção), e quais os elementos que foram eliminados da arquitetura de base (de propósito ou acidentalmente, ou seja, uma análise de lacunas também pode ser utilizada como um mecanismo para validação da arquitetura alvo). Posteriormente, as Fases E, F e G do TOGAF ADM lidam com a implementação da arquitetura alvo proposta. O TOGAF sugere o uso de uma matriz de lacunas como uma técnica de análise de lacunas. No entanto, os modelos do ArchiMate também formam um ponto de partida útil para a análise de lacunas, e os resultados também podem ser apresentados como uma visão do ArchiMate. A Figura 15 mostra um exemplo disto para a Arquitetura Tecnológica BiZZdesign Todos os direitos reservados Página 13

14 Figura 15. Análise de Lacunas da Arquitetura Tecnológica - Implementação e Planejamento de Migração A Figura 16 mostra um exemplo da utilização dos pacotes de trabalho e entregas. Ela mostra o programa de implementação da modernização dos sistemas de back-office da ArchiSurance. Este programa é dividido em uma série de projetos, que produzem entregas bem definidas. Papéis foram designados para realizar estas tarefas, incluindo a responsabilidade global do Gerente de Programa. Figura 16. Pacotes de Trabalho e Entregas Um importante pressuposto no TOGAF é que as diferentes arquiteturas são descritas através de diferentes estágios ao longo do tempo. Em cada uma das fases B, C, e D do ADM, uma Arquitetura de Linha de Base e uma Arquitetura Alvo são criadas, descrevendo a situação atual e a situação futura desejada. Na Fase E, Arquiteturas de Transição são definidas, mostrando a empresa em estados incrementais que refletem períodos de transição entre as Arquiteturas de Linha de Base e Alvo. Arquiteturas de Transição são usadas para permitir que pacotes de trabalho individuais e projetos sejam agrupados em portfólios e programas gerenciados, mostrando o valor para o negócio em cada estágio. A fim de apoiar este processo, foi introduzido o conceito de platô. A Figura 17 mostra um exemplo com uma única arquitetura de transição intermediária. Por exemplo, após a conclusão do projeto de integração de back-office, como descrito acima, uma situação intermediária é criada com um único back-office integrado, mas ainda com duas aplicações de CRM separadas. O conceito de lacuna é usado para mostrar a diferença entre dois platôs explícitos (uma diferença está geralmente associada com os elementos da arquitetura que são modificadas entre os platôs). Isto pode ser associado a um pacote de trabalho que tem de fechar esta lacuna BiZZdesign Todos os direitos reservados Página 14

15 Figura 17. Conceitos de Planejamento de Migração Sumário e Conclusões Durante vários anos o TOGAF tem sido o método de arquitetura corporativa líder, desenvolvido e mantido por membros do The Open Group. O ArchiMate foi adotado como um outro padrão do The Open Group, visando a modelagem de arquiteturas empresariais. O ArchiMate fornece suporte à modelagem completa de todo o ciclo de desenvolvimento da arquitetura. TOGAF e ArchiMate têm uma visão compartilhada em relação à arquitetura empresarial, através do uso de pontos de vista e do conceito de um repositório comum subjacente de artefatos e modelos arquitetônicos; ou seja, eles têm uma base comum firme. No entanto, eles se complementam no que diz respeito à definição de um processo de desenvolvimento de arquitetura e na definição de uma linguagem de modelagem de arquitetura empresarial. O ArchiMate fornece uma visualização concreta para as arquiteturas e as visões propostas pelo TOGAF. Assim, estes dois padrões abertos complementares se reforçam mutuamente e ajudam a avançar a disciplina da arquitetura empresarial em geral. Para saber mais sobre este assunto e conhecer as ferramentas da BiZZdesign para modelagem da Arquitetura Empresarial, entre em contato com a Centus: (31) ou ou acesse nosso site em BiZZdesign Todos os direitos reservados Página 15

16 Referências [1] W. Engelsman, H. Jonkers e D.A.C. Quartel, ArchiMate Extension for Modeling and Managing Motivation, Principles, and Requirements em TOGAF, artigo, The Open Group, Fevereiro de [2] H. Jonkers, H. van den Berg, M.-E. Iacob & D. Quartel, ArchiMate Extension for Modeling the TOGAF Implementation and Migration Phases, Artigo, The Open Group, Dezembro de [3] H. Jonkers, E. Proper, M. Turner, TOGAF and ArchiMate: A Future Together. A Vision for Convergence & Co-Existence. Artigo, The Open Group, Novembro de [4] M.M. Lankhorst et al., Enterprise Architecture at Work Modelling, Communication and Analysis, 3a edição, Primavera, [5] D.A.C. Quartel, W. Engelsman, H. Jonkers, M. J. van Sinderen, A Goal-Oriented Requirements Modeling Language for Enterprise Architecture. Em Proceedings of the 13th IEEE International EDOC Enterprise Computing Conference, Auckland, Nova Zelândia, Setembro de 2009, pp [6] The Open Group, ArchiMate 2.1 Specification, Van Haren Publishing, Também disponível em [7] The Open Group, TOGAF Version 9.1, Van Haren Publishing, Também disponível em [8] Object Management Group, Unified Modeling Language: Superstructure, v2.0. OMG Document Number formal/ , Agosto de 2005 [9] Object Management Group, Business Process Modeling Notation, v1.1. OMG Document Number formal/ , Janeiro de [10] M.M. Lankhorst, H.A. Proper, e H. Jonkers. The anatomy of the Archimate language. International Journal of Information System Modeling and Design (IJISMD), 1(1):1-32, [11] Object Management Group, Business Motivation Model (BMM) Specification. Relatório técnico dtc/ , Agosto de [12] D. Greefhorst and H.A. Proper. Architecture Principles - The Cornerstones of Enterprise Ar-chitecture. Enterprise Engineering Series. Primavera, Berlim, Alemanha, [13] H.A. Proper e D. Greefhorst. The Role of Principles in Enterprise Architecture. em H.A. Proper, M.M. Lankhorst, M. Schönherr, J. Barjis, e S.J. Overbeek (eds.), Proceedings of the 5th Workshop on Trends in Enterprise Architecture Research, TEAR 2010, Delft, The Netherlands, volume 70 of Lecture Notes in Business Information Processing, pp Primavera, Berlim, Alemanha, Novembro de [14] E.S.K. Yu e J. Mylopoulos. Understanding why in software process modelling, analysis, and design. Em Proceedings of the 16th international conference on Software engineering, Sorrento, Italy, Los Alamitos, California, pp , Los Alamitos, California, [15] G. Regev e A. Wegmann. Where do goals come from: the underlying principles of goal-oriented requirements engineering. Em Proceedings of the 13th IEEE International Conference on Requirements Engineering (RE05), Paris, França, Agosto de [16] A. Van Lamsweerde. Goal-Oriented Requirements Engineering: A Guided Tour. Em Proceedings of the 5th International Symposium on Requirements Engineering, [17] J. Chittenden e J. Van Bon, Programme Management Based on MSP: A Management Guide, Van Haren Publishing, [18] The Project Management Institute, Project Management Body of Knowledge. Relatório técnico, Novembro de [19] The Stationary Office, Managing Successful Projects with PRINCE2, BiZZdesign Todos os direitos reservados Página 16

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