Conferência Internacional do Trabalho

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1 Conferência Internacional do Trabalho Recomendação 203 RECOMENDAÇÃO SOBRE MEDIDAS SUPLEMENTARES PARA A SUPRESSÃO EFETIVA DO TRABALHO FORÇADO, ADOTADA PELA CONFERÊNCIA EM SUA CENTÉSIMA TERCEIRA SESSÃO, GENEBRA, 11 DE JUNHO DE 2014 TEXTO AUTÊNTICO

2 Recomendação 203 RECOMENDAÇÃO SOBRE MEDIDAS SUPLEMENTARES PARA A SUPRESSÃO EFETIVA DO TRABALHO FORÇADO A Conferência Geral da Organização Internacional do Trabalho, Tendo sido convocada em Genebra pelo Conselho de Administração da Repartição Internacional do Trabalho, e tendo se reunido em sua 103ª. Sessão em 28 de maio de 2014, e Tendo adotado o Protocolo de 2014 para a Convenção do Trabalho Forçado, 1930, doravante referido como o Protocolo, e Tendo decidido sobre a adoção de certas propostas para tratar de lacunas na implementação da Convenção do Trabalho Forçado, 1930 (No.29), doravante referida como a Convenção e reafirmado que as medidas de prevenção, proteção e reparação, tais como compensação e reabilitação, são necessárias para alcançar a supressão efetiva e sustentada do trabalho forçado ou obrigatório, em conformidade com o quarto item na pauta da sessão, e Tendo determinado que estas propostas deverão tomar a forma de uma Recomendação suplementando a Convenção e o Protocolo; adota neste décimo primeiro dia de junho do ano de dois mil e quatorze a seguinte Recomendação, a qual poderá ser citada como Recomendação (Medidas Suplementares) sobre o Trabalho Forçado, Os Membros deveriam estabelecer ou fortalecer, conforme necessário, em consulta com organizações de empregadores e trabalhadores, assim como outros grupos relevantes:: (a) políticas e planos nacionais de ação com medidas com prazos determinados, usando uma abordagem sensível a gênero e às crianças para alcançar a supressão efetiva e sustentada do trabalho forçado ou obrigatório em todas as suas formas por meio da prevenção, proteção e acesso a reparação, tal como compensação de vítimas, e a sanção de perpetradores; e (b) autoridades competentes tais como inspetorias do trabalho, judiciário e órgãos nacionais ou outros mecanismos institucionais concernentes ao trabalho forçado ou obrigatório, para assegurar o desenvolvimento, coordenação, implementação, monitoramento e avaliação das políticas nacionais e planos de ação. 2. (1) Os Membros deveriam coletar, analisar e disponibilizar regularmente informações confiáveis, imparciais e detalhadas e dados estatísticos, desagregados por características relevantes, tais como sexo, idade e nacionalidade, sobre a natureza e extensão do trabalho forçado ou obrigatório, que permita uma avaliação do progresso feito. (2) O direito à privacidade com relação aos dados pessoais deve ser respeitado. 2

3 Prevenção 3. Os Membros deveriam adotar medidas preventivas que incluam: (a) respeitar, promover e realizar princípios e direitos fundamentais no trabalho; (b) a promoção da liberdade de associação e negociação coletiva para capacitar trabalhadores em risco a participarem de organizações de trabalhadores; (c) programas para combater a discriminação que aumenta a vulnerabilidade ao trabalho forçado ou obrigatório; (d) iniciativas para lidar como trabalho infantil e promover oportunidades educacionais para crianças, tanto meninos como meninas, como uma medida de precaução contra crianças tornarem-se vítimas do trabalho forçado ou obrigatório; e (e) dar passos para realizar os objetivos do Protocolo e da Convenção. 4. Levando em consideração as circunstâncias nacionais, os deveriam adotar as medidas preventivas mais eficazes, tais como: (a) abordar as causas profundas da vulnerabilidade dos trabalhadores ao trabalho forçado ou obrigatório; (b) campanhas voltadas à conscientização, principalmente para aqueles que se encontram em maior risco de tornarem-se vítimas de trabalho forçado ou obrigatório, para lhes informar, entre outras coisas, sobre como se proteger contra práticas de recrutamento e emprego fraudulentas ou abusivas, sobre seus direitos e responsabilidades no trabalho, e sobre como ter acesso a assistência em caso de necessidade; (c) campanhas voltadas à conscientização relacionada às sanções contra a violação da proibição do trabalho forçado ou obrigatório; (d) programas de capacitação profissional para grupos da população em risco para aumentar sua empregabilidade e oportunidades de obtenção de renda e capacidade; (e) medidas para assegurar que as leis e regulamentações nacionais referentes à relação de emprego cubram todos os setores da economia e que sejam efetivamente cumpridas. As informações relevantes sobre os termos e condições de emprego deveriam ser especificadas de uma maneira apropriada, verificável e facilmente entendida e preferivelmente por meio de contratos escritos em conformidade com as leis nacionais, regulamentações ou acordos coletivos; (f) garantias de previdência social básica que formem parte do piso de proteção social nacional, conforme estabelecido na Recomendação sobre Pisos de Proteção Social, 2012 (No. 202), com o intuito de reduzir a vulnerabilidade ao trabalho forçado ou obrigatório; (g) orientações e informações para migrantes, antes da partida e na sua chegada, com o objetivo de que estejam melhor preparados para trabalhar e viver no exterior e para promover a conscientização e um melhor entendimento sobre o tráfico para situações de trabalho forçado; (h) políticas coerentes, tais como emprego e políticas de migração para o trabalho, que levem em consideração os riscos enfrentados por grupos específicos de migrantes, incluindo aqueles em uma situação irregular, e tratar de circunstâncias que poderiam resultar em situações de trabalho forçado; 3

4 (i) promover esforços coordenados das agências governamentais relevantes com as de outros Estados para facilitar uma migração segura e regular e prevenir o tráfico de pessoas, inclusive esforços coordenados para regulamentar, licenciar e monitorar recrutadores de trabalho e agências de emprego e eliminar a cobrança de taxas de recrutamento para trabalhadores para evitar servidão por dívida e outras formas de coerção econômica; e (j) Ao colocar em vigor suas obrigações sob a Convenção para suprimir o trabalho forçado ou obrigatório, fornecer orientação e apoio a empregadores e empresas para que adotem medidas efetivas para identificar, prevenir, mitigar e prestar contas sobre a forma como setratam dos riscos do trabalho forçado ou obrigatório em suas operações ou em produtos, serviços ou operações aos quais possam estar diretamente relacionados. Proteção 5. (1) Deveriam ser feitos esforços direcionados para identificar e resgatar as vítimas de trabalho forçado ou obrigatório. (2) Deveriam ser fornecidas medidas de proteção a vítimas de trabalho forçado ou obrigatório. Estas medidas não deveriam estar condicionadas à disposição da vítima de cooperar em processos penais ou outros. (3). Podem ser dados passos para encorajar a cooperação das vítimas na identificação e punição de perpetradores. 3. Os Membros deveriam reconhecer o papel e as capacidades das organizações de trabalhadores e outras organizações relevantes para apoiar e assistir as vítimas de trabalho forçado ou compulsório. 6. Os Membros deveriam, em conformidade com os princípios básicos de seus sistemas jurídicos, adotar as medidas necessárias para garantir que as autoridades competentes tenham a prerrogativa de não processar ou impor penas às vítimas de trabalho forçado ou obrigatório por seu envolvimento em atividades ilegais que tenham sido compelidas a realizar como uma consequência direta de estarem sujeitas a trabalho forçado ou obrigatório. 7. Os Membros deveriam adotar medidas para eliminar abusos e práticas fraudulentas por parte dos recrutadores de trabalho e agências de emprego, tais como: (a) eliminar a cobrança de taxas de recrutamento a trabalhadores; (b) exigir contratos transparentes que expliquem claramente os termos de emprego e condições de trabalho; 4

5 (c) estabelecer mecanismos de reclamação acessíveis e adequados; (d) impor penas adequadas; e (e) regulamentar e licenciar estes serviços. 5. Levando em conta suas circunstâncias nacionais, os Membros deveriam adotar as medidas de proteção mais efetivas para atender as necessidades de todas as vítimas tanto para a assistência imediata quanto para a recuperação e reabilitação em longo prazo, tais como: (a) esforços plausíveis para proteger a segurança das vítimas de trabalho forçado ou obrigatório, assim como de membros da família e testemunhas, conforme apropriado, inclusive na proteção contra a intimidação e retaliação pelo exercício dos seus direitos de acordo com as leis nacionais relevantes ou para a cooperação em procedimentos legais; (b) acomodação adequada e apropriada; (c) cuidados médicos, incluindo tanto assistência médica como psicológica, assim como a provisão de medidas especiais de reabilitação para vítimas de trabalho forçado ou compulsório, inclusive para aquelas que foram sujeitas a violência sexual; (d) assistência material; (e) proteção da privacidade e identidade; e (f) assistência social e econômica, incluindo acesso a oportunidades educacionais e de treinamento e acesso ao trabalho decente. 6. Medidas de proteção para crianças sujeitas a trabalho forçado ou obrigatório deveriam levar em conta as necessidades especiais e os melhores interesses da criança e, além das proteções previstas na Convenção sobre as Piores Formas de Trabalho Infantil, 1999 (No. 182), incluir: (a) acesso à educação para meninas e meninos; (b) a designação de um tutor ou outro representante, quando apropriado; (c) quando a idade da pessoa for incerta, mas houver razões para supor que ela tenha menos de dezoito anos de idade, a presunção deve ser a de que é menor, pendente de verificação de idade; e (d) esforços para reintegrar as crianças a suas famílias, ou, quando for no melhor interesse da criança, fornecer cuidados familiares. 7. Levando-se em consideração suas circunstâncias nacionais, os Membros deveriam adotar as medidas de proteção mais efetivas para migrantes sujeitos a trabalho forçado ou obrigatório independentemente de sua condição legal no território nacional, inclusive: (a) a provisão de um período de reflexão e recuperação a fim de permitir à pessoa em questão tomar uma decisão informada quanto às medidas de proteção e sua participação em procedimentos legais, durante os quais a pessoa deverá ser autorizada a permanecer no território do Estado membro em questão quando há motivos razoáveis para supor que a pessoa seja vítima de trabalho forçado ou compulsório: 5

6 (b) fornecimento de autorizações de residência temporária ou permanente e acesso ao mercado de trabalho; e (c) facilitação de repatriação segura e preferivelmente voluntária. Reparações, tais como, compensação e acesso à justiça 9. Os membros deveriam adotar medidas para assegurar que todas as vítimas de trabalho forçado ou obrigatório tenham acesso à justiça e outras reparações apropriadas e efetivas, tais como compensação por danos pessoais e materiais, inclusive por meio de: (a) garantia, em conformidade com as leis, regulamentaçõies e práticas nacionais de que todas as vítimas, quer diretamente ou por meio de representantes, tenham acesso efetivo a cortes, tribunais e outros mecanismos desolução, para buscar reparações, tais como compensação e danos: (b) previsão de que as vítimas possam procurar compensação e danos dos perpetradores, incluindo salários não pagos e contribuições legais para benefícios de previdência social; (c) assegurar acesso a esquemas de compensação apropriados existentes; (d) fornecer informações e assessoria com relação aos direitos legais das vítimas e os serviços disponíveis, em uma língua que elas possam entender, assim como acesso a assistência jurídica, preferivelmente sem cobrança; e (e) prever que todas as vítimas de trabalho forçado ou obrigatório que tenha ocorrido em um Estado membro, tanto cidadãos nacionais como não nacionais, possam buscar reparações administrativas, civis e penais apropriadas, naquele Estado, independentemente de sua presença ou condição legal naquele Estado, sob requisitos processuais simplificados quando apropriado. Implementação 10. Os Membros deveriam realizar ações para fortalecer o cumprimento de leis e regulamentações nacionais e outras medidas, inclusive: (a) fornecer às autoridades relevantes, tais como, serviços de inspeção do trabalho, o mandato, os recursos e o treinamento necessários para permitir que cumpram efetivamente a lei e cooperem com outras organizações relevantes para a prevenção e proteção de vítimas de trabalho forçado ou obrigatório; (b) prever a imposição de penas, além de sanções penais, tais como a confiscação de lucros oriundos de trabalho forçado ou obrigatório e outros bens em conformidade com as leis e regulamentações nacionais; (c) assegurar que as pessoas jurídicas possam ser responsabilizadas pela violação da proibição do uso do trabalho forçado ou obrigatório, ao aplicar o Artigo 25 da Convenção e a cláusula (b), acima; e 6

7 (d) fortalecer os esforços para identificar as vítimas, inclusive, por meio do desenvolvimento de indicadores de trabalho forçado ou obrigatório para uso dos inspetores de trabalho, serviços de cumprimento da lei, assistentes sociais, agentes de imigração, promotores públicos, empregadores, organizações de empregadores e trabalhadores, organizações não-governamentais e outros atores relevantes. Cooperação internacional 12. A cooperação internacional deveria ser fortalecida entre os Membros e com as organizações regionais e internacionais relevantes, as quais deveriam assistir-se mutuamente na realização da supressão efetiva e sustentada do trabalho forçado ou compulsório inclusive por meio de: (a) fortalecimento da cooperação internacional entre instituições de cumprimento da legislação trabalhista, além das de cumprimento da legislação penal ; (b) mobilização de recursos para programas de ação nacional e para cooperação técnica e assistência internacionais; (c) assistência jurídica mútua; (d) cooperação para abordar e prevenir o uso do trabalho forçado ou obrigatório pelo pessoal diplomático; e (e) assistência técnica mútua, incluindo o intercâmbio de informações e o compartilhamento de boas práticas e lições aprendidas no combate ao trabalho forçado ou obrigatório. 7

8 O precedente é o texto autêntico da Recomendação devidamente adotada pela Conferência Geral da Organização Internacional do Trabalho durante sua Centésima Terceira Sessão, que foi relaizada em Genebra e declarada encerrada no dia doze de junho de DO QUE DAMOS FÉ e apusemos nossas assinaturas neste dia doze de junho de

9 O Presidente da Conferência, DANIEL FUNES DE RIOJA O Diretor- Geral do Escritório Internacional do Trabalho, GUY RYDER 15

10 O texto da Recomendação conforme apresentado aqui é uma cópia verdadeira do texto autenticado pelas assinaturas do Presidente da Conferência Internacional do Trabalho e do Diretor-Geral do Escritório Internacional do Trabalho. Pelo Diretor-Geral do Escritório Internacional do Trabalho: 16

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