TERRA E CULTURA, ANO XVIII, Nº 35

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1 TERRA E CULTURA, ANO XVIII, Nº 35 i

2 TERRA E CULTURA, ANO XVIII, Nº 35 ii CENTRO UNIVERSITÁRIO FILADÉLFIA ENTIDADE MANTENEDORA: INSTITUTO FILADÉLFIA DE LONDRINA Diretoria: Agnello Correa de Castilho... Vice-Presidente Alberto Luiz Cândido Wust... Primeiro Tesoureiro Wellington Werner... Primeiro Secretário Job Rodrigues de Moraes... Segundo Secretário Eleazar Ferreira... Reitor

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4 TERRA E CULTURA, ANO XVIII, Nº 35 iv ISSN TERRA E CULTURA Ano XVIII - nº 35 - julho a dezembro de 2002 CONSELHO EDITORIAL PRESIDENTE Tadeu Elisbão CONSELHEIROS Ademir Morgenstern Padilha Damares Tomasin Biazin João Juliani Joaquim Pacheco de Lima José Carlos Rogel José Martins Trigueiro Neto Juliana Harumi Suzuki Maria Eduvirges Marandola Marisa Batista Brighenti

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6 TERRA E CULTURA, ANO XVIII, Nº 35 vi CENTRO UNIVERSITÁRIO FILADÉLFIA REITOR: Dr. Eleazar Ferreira PRÓ-REITOR DE ENSINO DE GRADUAÇÃO: Prof. Nardir Antonio Sperandio PRÓ-REITORA DE PESQUISA, PÓS-GRADUAÇÃO E EXTENSÃO: Profª. Iracema Cordeiro Carneiro COORDENADORA DE CONTROLE ACADÊMICO: Profª. Alice Cardamone Diniz COORDENADORA DE AÇÃO ACADÊMICA: Profª. Vera Aparecida de Oliveira Colaço COORDENADORA DE PROJETOS ESPECIAIS E ORDENAMENTOS LEGAIS: Profª. Vera Lúcia Lemos Basto Echenique COORDENADOR DE PUBLICAÇÕES CIENTÍFICAS: Prof. Tadeu Elisbão COORDENADORES DE CURSOS DE GRADUAÇÃO: Administração Prof. Luiz Antônio Félix Arquitetura e Urbanismo Prof. Gílson Jacob Bergoc Ciências Biológicas Profª.Célia Regina Góes Garavello Ciências Contábeis Prof. Eduardo Nascimento da Costa Ciências Exatas Prof. Ébano Bortotti de Oliveira Direito Prof. Osmar Vieira da Silva Enfermagem Profª. Damares Tomasin Biazin Farmácia Profª. Lenita Brunetto Bruniera Fisioterapia Profª. Gladys Cely Faker Lavado Nutrição Profª. Gersislei Antonia Salado Pedagogia Profª. Yara Maria Borges da Silveira Psicologia Prof. João Juliani Secretariado Executivo Profª. Creuza Aparecida da Rocha Tecnologia em Proc. de Dados Prof. Lupércio Fuganti Luppi Teologia Prof. Rev. Silas Barbosa Dias Turismo Profª. Thaís Berbert Rua Alagoas, nº CEP Fone: (0xx43) Londrina - Paraná

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8 TERRA E CULTURA, ANO XVIII, Nº 35 Sumário viii IDENTIFICAÇÃO DA INSTITUIÇÃO... II IDENTIFICAÇÃO DO CONSELHO EDITORIAL... IV CENTRO UNIVERSITÁRIO FILADÉLFIA... VI EDITORIAL... 1 NÍVEIS DE SATISFAÇÃO DOS MORADORES EM RELAÇÃO À INFRA E À SUPERESTRUTURA DOS CONJUNTOS HABITACIONAIS POPULARES DE LONDRINA, PARANÁ... 3 Paulo Adeildo Lopes POR UMA ARQUITETURA ECOLÓGICA Antonio Manuel Nunes Castelnou CONSIDERAÇÕES SOBRE O URBANISMO DE LONDRINA E SUAS RELAÇÕES COM O MODELO DA CIDADE-JARDIM Juliana Harumi Suzuki GESTÃO DE PESSOAS EM INSTITUIÇÕES DO TERCEIRO SETOR: UMA REFLEXÃO NECESSÁRIA Selma Frossard Costa GESTÃO DE CUSTOS: UMA VISÃO ESTRATÉGICA SOB O ENFOQUE DE ADOÇÃO DA CADEIA DE VALORES Luís Marcelo Martins IDENTIFICAÇÃO DE CONCORDÂNCIAS E DIVERGÊNCIAS SOBRE PREÇOS ENTRE CONSUMIDORES E EMPRESÁRIOS Adalberto Brandalize UTILIZANDO UML PARA WEB: UM CASO PRÁTICO Sérgio Akio Tanaka Ademir Morgenstern Padilha ENFERMEIROS E EDUCADORES: UM DESAFIO Andréia Bendine Gastaldi Alda Ap. Mastelaro Hayashi A AVALIAÇÃO COMO PRÁTICA DOCENTE EM ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM ENFERMAGEM Renata Guizilini Barison

9 TERRA E CULTURA, ANO XVIII, Nº 35 ix IMPORTÂNCIA DA ASSISTÊNCIA HUMANIZADA AO PACIEN- TE SUBMETIDO A CIRURGIA CARDÍACA Damares Tomasin Biazin Lígia Maria Ferreira Coldibelli Renata Perfeito Ribeiro Maria Cristina da Silva Milene Aparecida de Andrade Elisangela Flauzino Fernando Nelson Lara PROJETO DE EXTENSÃO: VISITA PRÉ E PÓS OPERATÓRIA DE CIRURGIA CARDÍACA Damares T. Biazin Renata Perfeito Ribeiro Janaína Recanello Lígia M. F. Coldibelli Maria Caroline F. Simon Maria Cristina da Silva Milene Andrade USO DO LABORATÓRIO DE ENFERMAGEM Damares Tomasin Biazin Ariane Guimarães Guerra Gislaine de Mari dos Santos Maristela Chinelli de Oliveira O ENFERMEIRO E A ERGONOMIA EM UNIDADE DE CEN- TRO DE MATERIAIS Patrícia Helena Vivan Ribeiro Renata Perfeito Ribeiro

10 TERRA E CULTURA, ANO XVIII, Nº 35 1 EDITORIAL 1 TERRA E CULTURA dá a público este seu N.º 35, completando a sua programação editorial para o corrente ano de 2002, justamente o 18º da sua existência profícua, semeando idéias e fazendo pensar. Neste ano em que o Centro Universitário Filadélfia (UniFil) expandiu sobremaneira e consolidou ainda mais a sua posição no cenário educacional do país, a Revista também viu-se robustecida. Cresceu o número de instituições de ensino superior (IES) e de pesquisa que passaram a figurar na mala-direta para a remessa de exemplares a cada edição. O ingresso desses novos destinatários deu-se por iniciativa das próprias Instituições, que formalizaram o seu interesse através das respectivas Bibliotecas. Neste contexto TERRA E CULTURA vê ampliar a sua área de abrangência a cada ano, fato que consubstancia um dos seus objetivos, claramente estabelecido pelo Conselho Editorial. Paralelamente têm sido firmados contratos de permuta com Instituições que também possuem periódico de divulgação científico-cultural, o que é muito salutar para a UniFil, e também para o novo parceiro. O N.º 35 está rico e atraente através dos 13 artigos que foram selecionados para compô-lo. Mesmo assim a Revista encontra-se permanentemente receptiva a críticas e sugestões, bem como a novos artigos para integrar os Nº 36, O Conselho Editorial

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12 TERRA E CULTURA, ANO XVIII, Nº 35 3 NÍVEIS DE SATISFAÇÇO DOS MORADORES EM RELAÇÃO À INFRA E À SUPERESTRUTURA DOS CONJUNTOS HABITACIONAIS POPULARES DE 3 LONDRINA, PARANÁ RESUMO * Paulo Adeildo Lopes A qualidade de vida dentro dos conjuntos habitacionais depende da adequação dos espaços públicos e dos serviços comunitários. Este artigo apresenta análises dos itens: educação, lazer, abastecimento, transporte, saúde e infra-estrutura, obtidas na pesquisa Avaliação Pós-Ocupação Aplicada nos Conjuntos Habitacionais Populares em Londrina Pr: Critérios Básicos para a Manutenção e a Reabilitação Predial 1. Os conjuntos habitacionais selecionados foram produzidos pela Companhia de Habitação de Londrina COHAB LDA, no final da década de 70 e início da década de 80 e representam 84,19% do total de moradias produzidas pelo poder público, entre 1969 e 1997, no Município. Os resultados apresentados expressam as opiniões dos moradores, levantados através da aplicação de questionário estruturado, aplicado em oito conjuntos habitacionais na periferia do Município. PALAVRA-CHAVE: Casas Populares; Conjuntos Habitacionais; Opinião de Moradores. ABSTRACT Life quality in the social housing assemblages depends on the adequacy of public spaces and community services. This article presents analyses on education, entertainment, provisioning, transport, health, and infra-structure, obtained in the research: Avaliação Pós-Ocupação Aplicada nos Conjuntos Habitacionais Populares em Londrina Pr: Critérios Básicos para a Manutenção e a Reabilitação Predial (Post-Occupancy Evaluation of Social Housing Assemblages in Londrina Pr: Basic Criteria for Maintenance and Building Rehabilitation). The housing *Docente do Curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Filadélfia UniFil. Engenheiro Civil. Mestre pela FAU/USP. 1 Dissertação de mestrado apresentada à FAU/USP, em dezembro de 2000, sob orientação da Profª. Drª. Sheila Walbe Ornstein.

13 TERRA E CULTURA, ANO XVIII, Nº 35 4 assemblages selected were built by Companhia Habitacional de Londrina COHAB- LDA in late 70 s and early 80 s and represent 84,19% of all the social housing produced with the city governmental funds, between 1969 and The results presented show the users opinions, deriving from the application of a structured questionnaire, applied in eight social housing assemblages in the city outskirts. KEY-WORDS: Social Housing; Social Housing Assemblages; Users Opinions. OBJETIVOS A necessidade de avaliar os níveis de satisfação e de uso da infra e superestrutura pode contribuir para o estabelecimento de critérios que orientem na elaboração de projetos futuros. É importante salientar que os resultados apresentados são oriundos das opiniões dos usuários sobre os principais serviços sociais, aspectos positivos e negativos. O principal objetivo desta pesquisa é gerar subsídios para agentes financeiros, agentes promotores, construtoras, seguradoras e demais interessados, no sentido de minimizar os problemas detectados e ressaltar os acertos, visando a satisfação e a integração dos moradores em relação aos conjuntos habitacionais. CARACTERIZAÇÃO DO ESTUDO DE CASO Em resposta à crescente demanda por moradias populares existente em Londrina, a Prefeitura Municipal criou a Companhia de Habitação de Londrina COHAB LDA, em Em agosto de 1969, a COHAB LDA foi credenciada como agente financeiro do Banco Nacional de Habitação BNH. Com os recursos enviados pelo Governo Federal, foi iniciada a construção intensiva dos conjuntos habitacionais em Londrina. A cidade possui habitações populares, das quais foram produzidas pela COHAB LDA. Os conjuntos habitacionais ocupam as regiões norte, sul, leste e oeste, sendo que a região norte possui 53,80% dos conjuntos habitacionais produzidos pela COHAB LDA.Os oito conjuntos habitacionais que compõem a amostra foram selecionados para este trabalho com base nos seguintes critérios: todos foram construídos no final da década de 70 e início da década de 80, possuem partidos arquitetônicos semelhantes, utilizaram-se do mesmo sistema construtivo, são do mesmo período de ocupação e tiveram como agente a COHAB LDA. A seguir (figura 01), apresentam-se as localizações dos conjuntos habitacionais, objetos de estudo, na malha urbana do município:

14 TERRA E CULTURA, ANO XVIII, Nº 35 5 Figura 01 Município de Londrina (Fonte: IPPUL, 1995).

15 TERRA E CULTURA, ANO XVIII, Nº 35 6 ASPECTOS METODOLÓGICOS Os principais fatores que influenciam nos níveis da Avaliação Pós-Ocupação são: os prazos, a finalidade e os recursos destinados à pesquisa. O nível deste trabalho de pesquisa envolve avaliação física e aspectos comportamentais, utilizando diagnósticos, recomendações e especificações técnicas para a realização dos serviços propostos cadernos de encargos (ORNSTEIN & ROMÉRO, 1992, p.42). Neste caso, a escolha da amostra contemplou unidades habitacionais no centro e na periferia dos conjuntos, posição da habitação em função da orientação solar e propagação de sons, a grande quantidade de conjuntos habitacionais e a distribuição dispersa em quase todo o perímetro urbano da cidade de Londrina. Assim sendo, foi utilizado o Método não probabilístico, com distribuição normal, isto é, uma amostra com no mínimo 30 elementos (n 30). Os resultados obtidos são oriundos da aplicação de um questionário estruturado aplicado durante a pesquisa, com entrevista face a face e preenchimento supervisionado. O mesmo divide-se em cinco partes, visando facilitar a compreensão do respondente e a tabulação dos dados. A primeira parte trata do perfil do respondente e dos seus familiares; na segunda parte, tem-se a avaliação dos serviços sociais; na terceira parte, a avaliação da habitação; na quarta parte, aparecem as questões técnico-construtivas e de materiais utilizados; e a quinta e última parte trata do as built. Para a realização desta análise foram considerados os seguintes itens: educação, lazer, abastecimento, transporte, saúde e infra-estrutura. A seguir será apresentada a descrição dos serviços sociais existentes. Educação: Verificou-se que todas as escolas localizadas nos conjuntos são estaduais ou municipais. As mesmas oferecem ensino regular de primeiro e segundo graus. A ênfase no nível de satisfação dos usuários se deu no tocante à distância entre a escola e a moradia, opinião dos pais ou responsáveis sobre a aprendizagem e a existência de vagas para realização de matrículas. Lazer: No tocante ao lazer, o morador foi questionado quanto à existência ou não de áreas de recreação e ainda seu nível de satisfação. Como lazer foram considerados os seguintes itens: quadras esportivas, campo para futebol, praças e locais para prática de caminhadas. Abastecimento: Em relação ao abastecimento, o morador foi questionado

16 TERRA E CULTURA, ANO XVIII, Nº 35 7 quanto a seu nível de satisfação em relação à existência e proximidade de mercados, mini-mercados, padarias, farmácias, bazares, feiras-livres, enfim, pequenos comércios, no próprio conjunto. Transporte: Londrina é servida por duas empresas de transporte coletivo: Transporte Coletivo Grande Londrina Ltda TCGLL e FRANCOVIG & Cia Ltda. As regiões norte, leste e oeste são atendidas pela TCGLL e a região sul é atendida pela FRANCOVIG & Cia Ltda. O transporte coletivo é integrado, possuindo um terminal central, terminais na zona norte e zona sul da cidade, facilitando e reduzindo custos do transporte, tendo em vista que o usuário, para deslocar-se de uma região a outra da cidade, paga apenas uma passagem. Saúde: A cidade de Londrina possui onze hospitais, sendo sete na região central e os demais na periferia. A região norte possui um hospital, Anísio Figueiredo, com 56 leitos e número de atendimento oscilando entre 200 e 250 pacientes por dia. Possui também oito centros de saúde (CS) para atendimentos não emergenciais, tais como: triagem, encaminhamento, acompanhamento e marcação de consultas. Neste item o morador foi questionado quanto ao nível de satisfação em relação à qualidade do atendimento, distância entre a habitação e a unidade de saúde e tempo de espera para o atendimento. Infra-Estrutura: Londrina, em termos de rede de energia elétrica, é atendida pela Companhia Paranaense de Energia Elétrica (COPEL), que cobre 100% do perímetro urbano. A água tratada e o esgoto sanitário ficam por conta da Companhia de Saneamento do Paraná (SANEPAR), que atende 100% do perímetro urbano em termos de água tratada, 75% do perímetro urbano em termos de esgoto sanitário e 80% da zona norte em termos de esgoto sanitário. Os serviços telefônicos são realizados pela SERCOMTEL S.A. Telecomunicações, que possui cabeamento em 100% do perímetro urbano. Cabe salientar neste item que na cidade não existe mais a venda de linhas telefônicas, bastando o usuário fazer o pedido de ligação (mediante o pagamento de uma taxa que pode ser parcelada na conta telefônica) e o telefone será instalado, o que facilita a utilização deste serviço também pela população de baixa renda. Assim sendo, o nível de satisfação do usuário foi aferido, em relação a eventuais carências, tarifas e qualidade do atendimento, tendo em vista que os conjuntos são atendidos por todos os serviços descritos. A seguir serão apresentados os registros fotográficos dos principais serviços sociais, infra e superestrutura dos conjuntos habitacionais da Zona Norte.

17 TERRA E CULTURA, ANO XVIII, Nº 35 8 Foto 01: Terminal de transporte coletivo de bairro (promove integração no transporte coletivo). Foto 02: Supermercado, banco e lojas, em mini shopping.

18 TERRA E CULTURA, ANO XVIII, Nº 35 9 Foto 03: Posto de plantão do Corpo de Bombeiros e serviço de transporte de emergência em caso de acidentes. Foto 04: Hospital Anísio Figueiredo.

19 TERRA E CULTURA, ANO XVIII, Nº Foto 05: Um dos reservatórios elevados de distribuição de água tratada. Foto 06: Área de lazer espaço aberto e gramado destinado à prática de esportes.

20 TERRA E CULTURA, ANO XVIII, Nº Foto 07: Espaço para lazer, destinado a prática esportiva. O mesmo encontra-se abandonado e sem equipamentos. Foto 08: Espaço destinado à prática esportiva, contudo, encontra-se com equipamentos quebrados, sem pintura e em situação de abandono.

21 TERRA E CULTURA, ANO XVIII, Nº DIAGNÓSTICOS A seguir apresentam-se os resultados obtidos através da aplicação do questionário. Estes mostram as características dos conjuntos que compõem a amostra. A tabulação dos dados apresentada a seguir visa auxiliar no processo de compreensão, análise de resultados e futuras recomendações para projetos similares. Avaliação dos serviços sociais (opinião dos moradores): Razoável 30% Ruim 3% Péssimo 0% Ótimo 13% Bom 54% Gráfico 01 Educação (escolas e creches). Péssimo 0% Ótimo 7% Bom 13% Ruim 50% Razoável 30% Gráfico 02 Lazer (áreas de recreação).

22 TERRA E CULTURA, ANO XVIII, Nº Ruim 20% Péssimo 3% Ótimo 3% Bom 37% Razoável 37% Gráfico 03 Abastecimento (mercados, padarias, etc). Razoável 3% Ruim 0% Péssimo 0% Ótimo 27% Bom 70% Gráfico 04 Transporte (quantidade e qualidade). Ruim 10% Péssimo 0% Ótimo 13% Razoável 37% Bom 40% Gráfico 05 Saúde (postos de saúde e hospitais).

23 TERRA E CULTURA, ANO XVIII, Nº Bom 17% Péssimo 0% Ruim 0% Razoável 0% Ótimo 83% Gráfico 06 Infra-estrutura (água tratada, luz, etc). Em relação à avaliação dos serviços sociais realizada pelos moradores que compõem a amostra, destacam-se alguns pontos, tais como: 54% dos moradores classificaram como bom o item educação; no item lazer, a insatisfação dos moradores (50% classificaram como ruim) se dá em função da quase inexistência de espaços públicos destinados ao lazer. Cabe destacar que alguns conjuntos possuem espaços destinados ao lazer, contudo não têm infraestrutura/equipamentos ou encontram-se em péssimas condições de uso. No item abastecimento, é importante salientar que, geralmente, os minimercados, padarias, farmácias entre outros são construídos na avenida principal, destinada pelas próprias leis de zoneamento como avenida comercial. Logo, a insatisfação aumenta na medida em que as habitações levantadas se aproximam da periferia dos conjuntos. Na questão dos transportes, a zona norte possui terminais urbanos interligados ao terminal central, o que facilita o uso dos transportes de massa e diminui o custo dos mesmos. É preciso destacar que praticamente todos os conjuntos possuem linhas exclusivas de ônibus. Os resultados neste item foram bastante satisfatórios, concentrando-se entre ótimo (27%) e bom (70%) e isto demonstra que os moradores pesquisados aprovam o transporte urbano municipal. Em relação à infra-estrutura, destaca-se que pavimentação asfáltica, galerias de águas pluviais, água tratada e energia elétrica com iluminação pública são itens obrigatórios para a concessão do habite-se. Contudo, redes de esgotos sanitários foram incorporadas aos conjuntos habitacionais, paulatinamente, chegando hoje a 80% de abrangência. A seguir (diagrama 01) serão apresentados os resultados das médias da avaliação dos serviços sociais (opinião dos moradores) nos conjuntos habitacionais.

24 TERRA E CULTURA, ANO XVIII, Nº Item Média Moda D.P. Diagrama de Paretto Lazer 2,50 2 0,35 Abastecimento 3,23 3 0,16 Saúde 3,57 4 0,31 Educação 3,77 4 0,16 Segurança contra crimes 3,90 4 0,07 Transporte 4,27 4 0,19 Infra-estrutura 4,80 5 0,14 0,00 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 Para a realização dos cálculos das Médias, Modas e Desvios-Padrão do Diagrama, foram atribuídos valores aos conceitos, conforme segue: 1-péssimo; 2-ruim; 3-razoável; 4-bom; 5-ótimo. Legenda: Médias inferiores ao mínimo aceitável (3,00) Médias superiores ao mínimo aceitável (3,00) Em relação aos serviços sociais (diagrama 01), destaca-se que o item de maior insatisfação é o lazer. O item de maior satisfação é a infra-estrutura, envolvendo: água tratada, energia elétrica, telefone, asfalto e esgoto sanitário. Em relação ao lazer, a média obtida reflete a situação de abandono dos espaços públicos destinados ao lazer, a falta de equipamentos e as péssimas condições de uso dos mesmos, quando existem. Em relação ao item infra-estrutura, é importante destacar que todos os conjuntos habitacionais que compõem a amostra possuem os itens mencionados. Logo, a pouca insatisfação que existe se dá em função dos custos das tarifas ou eventuais falhas no abastecimento, decorrentes de problemas nas redes de água tratada e energia elétrica. Fazendo-se uma comparação entre a média, a moda e o desvio-padrão de cada item do diagrama 01, observa-se que os entrevistados têm opiniões convergentes. A moda encontra-se próxima à média e o desvio-padrão é bastante reduzido. CONCLUSÕES Neste artigo, destacam-se também os problemas relativos ao desenvolvimento urbano. MARICATO (1984) destaca o desprezo da política habitacional em relação ao desenvolvimento urbano, salientando a má localização dos empreendimentos (a lógica do terreno barato não se sustenta diante do custo social embutido na extensão da ocupação urbana até as fronteiras antes desocupadas ou com uso predominantemente rural) e ainda o alto custo das redes de infraestrutura, transporte e demais serviços sociais, para dar condições mínimas aos novos conjuntos habitacionais. Estes problemas foram detectados em Londrina,

25 TERRA E CULTURA, ANO XVIII, Nº Salvador, Aracaju, Goiânia e outras cidades. Os grandes conjuntos habitacionais populares, constituídos de casas ou apartamentos, em sua grande maioria extremamente adensados, com ausência de espaços para lazer, paisagens áridas, desconsideram qualquer planejamento e deixam para trás o passado e o presente cultural dos moradores, formando verdadeiros guetos: os conjuntos populares da COHAB. No caso das habitações isoladas, as reformas e as ampliações executadas pelos moradores acabam modificando esta paisagem monótona, segundo DICKOW (1996). No tocante aos serviços sociais (diagrama 01), a média da satisfação dos usuários enquadra-se entre razoável e bom. Recomenda-se atenção especial ao item lazer, pois o mesmo foi alvo de críticas da maioria dos entrevistados. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMORIM, Luiz Manoel Eirado; LOUREIRO, Cláudia. Uma figueira pode dar rosas?: um estudo sobre as transformações nos conjuntos populares. In: SEMINÁRIO INTERNACIONAL NUTAO 2000 Anais. São Paulo, Núcleo de Pesquisa em Arquitetura e Urbanismo NUTAU/Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAUUSP, 2000, p (em CD-ROM). DICKOW, Bernadeth. Habitação popular no Paraná: uma avaliação histórica. FAU USP, São Paulo, 1996 (dissertação de mestrado). LOPES, Paulo Adeildo. Avaliação pós-ocupação aplicada nos conjuntos habitacionais populares em Londrina Pr: critérios básicos para a reabilitação e a manutenção predial. São Paulo, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo -FAUUSP, 2000, (dissertação de mestrado). MARICATO, Ermínia T. M. Indústria da construção e política habitacional. FAU USP, São Paulo, 1984 (tese de doutorado). MASCARÓ, Juan Luis. O custo das decisões arquitetônicas. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, ORNSTEIN, Sheila; ROMÉRO, Marcelo (Colaborador). Avaliação Pós-Ocupação do Ambiente Construído. São Paulo, Studio Nobel: Editora da Universidade de São Paulo, SZÜCS, Carolina Palermo; NASCIMENTO, Lise Longo do. Flexibilidade e contextualização na habitação de interesse social. In: SEMINÁRIO IN- TERNACIONAL NUTAO 2000 Anais. São Paulo, Núcleo de Pesquisa em Arquitetura e Urbanismo NUTAU/Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAUUSP, 2000, p (em CD-ROM).

26 TERRA E CULTURA, ANO XVIII, Nº SZÜCS, Carolina Palermo; RAZERA, Alessandra Martini. Espaços abertos em conjuntos habitacionais: um estudo de caso. In: SEMINÁRIO INTER- NACIONAL NUTAU 2000 Anais. São Paulo, Núcleo de Pesquisa em Arquitetura e Urbanismo NUTAU/Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAUUSP, 2000, p (em CD-ROM).

27 TERRA E CULTURA, ANO XVIII, Nº POR UMA ARQUITETURA ECOLÓGICA *Antonio Manuel Nunes Castelnou 1 RESUMO Este artigo discute a atual corrente de arquitetura ecológica, identificando posturas distintas entre seus expoentes, conforme o rebatimento das questões ambientais surgidas no processo de amadurecimento e disseminação do pensamento ambientalista durante a segunda metade do século XX. Consiste basicamente em um trabalho desenvolvido na disciplina Conservação da Natureza e Sustentabilidade Sócio-Ambiental, do Curso de Doutorado em Meio Ambiente e Desenvolvimento da Universidade Federal do Paraná UFPR. PALAVRAS-CHAVE: Arquitetura Ecológica; Ecologia; Meio Ambiente. ABSTRACT This article is a discussion on the current trend of the ecological architecture, identifying distinct postures among its experts, according to the replies to environmental issues that came about in the process of maturation and dissemination of the environmental thought during the second half of the Twentieth Century. It consists basically on the work developed in the subject called Conservation of nature and Social-Environmental Sustainability, of the Doctorate Program in Environment and Development of Universidade Federal do Paraná - UFPR. KEY-WORDS: Green Architecture; Ecology; Environment. * Docente do Curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Filadélfia de Londrina UniFil. Arquiteto e engenheiro civil. Mestre em Tecnologia do Ambiente Construído pela Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo EESC/USP. Doutorando em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Paraná UFPR.

28 TERRA E CULTURA, ANO XVIII, Nº Hoje em dia, as questões ambientais vêm sendo cada vez mais salientadas, não somente pela ação de organismos não-governamentais, como também através de cientistas, urbanistas, ecólogos e demais estudiosos que acabaram por influenciar todo o discurso político mundial. Ouve-se muito falar sobre o equilíbrio ecológico e a preservação da natureza, mas a maioria das pessoas ainda desconhece o verdadeiro significado e papel que estes termos possam ter. Nos últimos anos, porém, essa preocupação tem aumentado bastante, especialmente no âmbito da cultura, quando artistas, arquitetos, historiadores e outros peritos em patrimônio tanto natural quanto cultural voltaram-se para a defesa da preservação do meio ambiente. Como reflexo desse amplo processo de conscientização ambiental, passou-se ultimamente a se designar como ecológica a corrente arquitetônica que defende o uso de materiais e técnicas que não agridem o meio ambiente, de modo a minimizar seu impacto sobre os recursos naturais reconhecidamente limitados. O principal objetivo da chamada eco-arquitetura ou arquitetura sustentável seria o de produzir uma edificação que se adapte ao clima, iluminação, ventilação e topografia, tirando proveito das condições naturais do lugar e reduzindo ou até mesmo eliminando o desperdício energético (STEELE, 1997). Da mesma forma, no campo da arquitetura e urbanismo, ser ambientalmente consciente passou a significar também preservar os centros históricos, segundo a tendência de manter a identidade cultural e conservar a história que cada sítio tem em particular. Assim, preserva-se a memória do povo para que a nova geração possa desfrutar da beleza, cultura e tradição de sua própria história. A preocupação ambiental, a pesquisa de novas técnicas construtivas e a reciclagem de materiais, visando diminuir custos e proporcionar soluções projetuais ecologicamente corretas, passaram a se tornar metas da arquitetura ecológica. Entretanto, tal tendência, mesmo que bastante difundida no ambiente internacional, não pode ser vista como homogênea, pois é possível identificar, em seu processo de amadurecimento e disseminação, uma dicotomia do ponto de vista ético. Aplicando-se a tipologia sugerida por Foladori (2001a) para o pensamento ambientalista, verifica-se a existência tanto de posturas ecocentristas, que essencialmente valorizam o mundo natural e iniciativas individuais de transformação na relação homem/natureza, como também de atitudes tecnocentristas, as quais defendem uma arquitetura baseada na máquina, esta supostamente capaz de solucionar os possíveis problemas ambientais. No decorrer da história, os anseios humanos para dominar o mundo natural e os seus semelhantes serviram para fazer com que se trilhasse caminhos equivocados, já que isto somente pôde ser conseguido a um alto custo

29 TERRA E CULTURA, ANO XVIII, Nº (CHISHOLM, 1981). Aos poucos, o homem foi desprezando a natureza, ao sentir que seu espírito já a havia ultrapassado e que suas máquinas poderiam se encarregar das funções essenciais Segundo Lutzenberger (1980), via-se a economia como algo que transcendia o natural, o que acabou levando à cegueira ambiental, por um lado, e às contas fictícias e ilusórias, por outro. Como resultado disso, hoje em dia, a intensidade das características de urbanização em todo o mundo geraram dois grandes problemas: a questão urbana e a questão ambiental (BONDUKI, 1997). Foi a partir da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento CNUMAD (Rio de Janeiro, 1992), conhecida por Conferência da Terra, que se reforçaram as iniciativas visando associar essas duas questões. Muitos eventos internacionais sucederam-se desde então, tais como a Conferência Mundial sobre População e Desenvolvimento (Cairo, 1994), a Conferência sobre o Desenvolvimento Social (Copenhague, 1995) e a Conferência das Nações Unidas sobre Assentamentos Humanos (Istambul, 1996), esta conhecida por Cúpula das Cidades, que deu ênfase à questão urbana ambiental ao definir a sustentabilidade como princípio e os assentamentos humanos sustentáveis como objetivo mundial a ser perseguido. Embora a deterioração do meio ambiente seja um problema antigo e que sempre existiu na história da humanidade, nova, porém, é a intensidade dos processos de degradação que acompanham a recente urbanização, resultando em uma acelerada vulnerabilidade das cidades (MUNFORD, 2001). Com o avanço do industrialismo, houve a crescente migração populacional do campo para as cidades. Devido às conseqüentes mudanças sócio-econômicas, muitos passaram a viver na periferia dos centros urbanos, em locais com condições precárias de habitabilidade. Conforme Benévolo (1994), o século XIX foi marcado por inúmeras iniciativas para a melhoria das condições sanitárias das primeiras cidades industriais, através de planos e intervenções, sendo os ingleses e franceses os pioneiros em propostas urbanísticas. Geralmente, apontamse duas origens para o planejamento urbano: uma, ideológica, criada e introduzida por pensadores utópicos, tais como Robert Owen e Charles Fourier, com sua influência política e prática nas formulações atuais; e outra, tecnológica, decorrente das necessidades dos próprios administradores urbanos que, na procura de meios eficientes para controlar preceitos de saúde e serviços públicos, lançaram efetivamente as bases da legislação urbanística, como fez o Barão de Haussmann na cidade de Paris (CHOAY, 1992). A primeira metade do século XX foi caracterizada pela formação, difusão e discussão do pensamento moderno, o qual estabelecia que o passado deveria desaparecer como referência, buscando-se uma arquitetura que não se prendesse mais à tradição histórica e ao decorativismo eclético. Assim,

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