ANDRÉA BELTRÃO JEREMY MERCER THIAGO BERNARDES BELA GIL REVISTA DO ITAÚ PERSONNALITÉ N O 28 ANO 7

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1 REVISTA DO ITAÚ PERSONNALITÉ N O 28 ANO 7 ANDRÉA BELTRÃO JEREMY MERCER THIAGO BERNARDES BELA GIL ANDRÉA BELTRÃO Me sinto no primeiro dia de aula, com lancheira e mochila novas setembro outubro novembro 2014 JEREMY MERCER THIAGO BERNARDES BELA GIL EXEMPLAR DISTRIBUÍDO NAS AGÊNCIAS PERSONNALITÉ

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3 EDITORIAL A atriz Andréa Beltrão, capa desta nova edição da Revista Personnalité, em plena forma aos 51 anos, diz que se sente uma criança no primeiro dia de aula, com lancheira e mochila novas. Ela conseguiu captar o espírito com que se atravessa as reportagens e perfis que virão a seguir. A declaração de Andréa é também o lema que tinge, com mais do que tinta, cada uma das páginas de cada uma de nossas 28 edições: grandes experiências merecem ser vividas com intensidade. Assim, abrimos as portas para mais uma série de histórias que permitem a você, leitor, a oportunidade de se emocionar, refletir e, sobretudo, compartilhar momentos especiais. De um guia para conhecer algumas das mais fantásticas cidades do planeta montado em uma bicicleta a um punhado de lançamentos com a mais contemporânea e preciosa música erudita nacional, reunimos personagens, trajetórias e destinos surpreendentes. Deslocamos o repórter Daniel Setti para um desses destinos. No sul da França, o jornalista realizou uma entrevista reveladora com Jeremy Mercer, o escritor canadense que viveu por um semestre dentro da livraria mais famosa do mundo, a charmosa Shakespeare and Company, em Paris. Um tipo de experiência que transformou sua vida tanto quanto a busca do arquiteto Thiago Bernardes pela herança (sendo filho e neto de dois gênios da arquitetura brasileira, Claudio e Sergio Bernardes, respectivamente) que moldou sua carreira de sucesso. No Rio de Janeiro, estivemos com Bela Gil, a chef e apresentadora de TV que botou na mesa e no prato de muitos brasileiros os conceitos da alimentação saudável, mas de sabor. A filha de Gilberto Gil ensinará como é possível fazer arte com os mais simples dos recursos: caçarolas e ingredientes fresquinhos. Vire a página e inicie conosco esta viagem por experiências de vida capazes de inspirar e nos fazer mudar. Um abraço e boa leitura, André Sapoznik Itaú Personnalité FELIPE PAGANI TOWER BRIDGE, EM LONDRES, UMA DAS METRÓPOLES QUE ENTRARAM NA REPORTAGEM CIDADE EM DUAS RODAS

4 COLABORADORES EXPEDIENTE COLABORADORES O escritor e jornalista RUY CASTRO, 66 anos, vive dizendo que, se pudesse, escreveria sobre Doris Day todos os meses. Doris foi um fenômeno mundial nos anos 50 e 60, mas, hoje, poucas pessoas se lembram dela e a maioria costuma reduzi-la ao estereótipo da eterna virgem do cinema americano. Vibrei quando a Revista Personnalité me deu a oportunidade de revelar ao leitor um lado surpreendente de uma das grandes cantoras populares do século 20. Jornalista especializado em música erudita, IRINEU FRANCO PERPETUO, 43 anos, é colaborador da revista Concerto, dá palestras para o Theatro Municipal de São Paulo e ministra cursos na Casa do Saber. Nesta edição de Revista Personnalité, escreveu Memória viva, sobre os principais compositores de música erudita contemporânea. Enquanto o Brasil se ufana com justiça de sua música popular, nossa produção erudita é bem pouco conhecida, executada e divulgada, mesmo por aqui. Se no início da carreira o fotógrafo paulista VICTOR AFFARO, 33 anos, direcionava sua lente para a arquitetura e o design, mais tarde os retratos se tornaram sua grande paixão. Formado em publicidade pela PUC-SP, Victor viveu em Nova York e Londres, e a fotografia já o levou para países como China, Índia, Chade e Laos. Nessas ocasiões aproveitou para retratar o povo e seu cotidiano. Nesta edição, foi o responsável pelos cliques dos compositores da música contemporânea erudita brasileira. Há dois anos no Rio de Janeiro, o jornalista paulistano PEDRO HENRIQUE FRANÇA, 29 anos, é colaborador das revistas GOL Linhas Aéreas Inteligentes, GQ, Joyce Pascowitch e Poder. Para Revista Personnalité, entrevistou a atriz Andréa Beltrão. Ela é exatamente o que apresenta para o jornalista: não tem estratégia de imagem, falas coordenadas ou tipo. Andréa é o que todos os seus amigos dizem: uma mulher extremamente culta, que não faz da sua inteligência o seu cartão de visitas. FREDERICO ROZÁRIO (ARQUIVO PESSOAL) / IZILDA FRANÇA (ARQUIVO PESSOAL) / ANA ALEXANDRINO (ARQUIVO PESSOAL) / DARYAN DORNELLES (ARQUIVO PESSOAL) ARQUIVO PESSOAL / ARQUIVO PESSOAL / ARQUIVO PESSOAL / MARCIA BONFADINI (ARQUIVO PESSOAL) Editor Paulo Lima Diretor Superintendente Carlos Sarli Diretor Editorial Fernando Luna Diretor Financeiro Agenor S. Santos Diretora de Publicidade e Circulação Isabel Borba Diretora de Eventos e Projetos Especiais Proprietários Ana Paula Wehba Diretora de Criação Ciça Pinheiro Diretor de Núcleo Tato Coutinho Diretor de Redação Décio Galina Editor Carlos Messias Produtora Executiva Kika Pereira de Sousa Assistente de Produção Juliana Carletti Projeto Gráfico Beth Slamek Departamento Comercial Supervisora de Projetos Especiais e Planejamento Comercial Ana Carolina Costa Oliveira Assistente Comercial da Diretoria Gabriela Trentin Assistente de Arte Marketing Publicitário Fabiana Cordeiro Gerentes de Contas Flavia Marangoni e Roberta Rodrigues Assistente de Tráfego Comercial Aline Trida Para anunciar Representantes AL/SE Pedro Amarante BA Caio Silveira CE Ananias Gomes DF Alaor Machado ES Dídimo Effgen GO Antonio Cordeiro MG Rodrigo Freitas PE Wladmir Andrade PR Raphael Muller RJ X² Representação RS/ SC Ado Henrichs SP Antonio Carlos Bonfá Junior SP interior/ litoral Daniel Paladino SP Permutas Denis Oliveira USA Multimedia Pesquisa de Imagens Aldrin Ferraz (coordenação) Bibliotecário Daniel de Andrade Estagiários Mayã Maia e Arthur Fernandes Produção Gráfica Walmir S. Graciano Produtor Gráfico Cleber Trida Tratamento de Imagens Roberto Longatto e Roberto Oliveira Revisão Ecila Cianni (coordenação), Janaína Mello, Jaqueline Couto e Marcos Visnadi Projetos Especiais e Eventos Coordenação Regina Trama Editor de Arte Rafael Kendi Analista Mariana Beulke Trade e Circulação Diretora Daniela Basile Analista de Trade Renata Vilar Coordenadora de Assinaturas Andrea Fernandes Gerente de Circulação Adriano Birello Analista de Circulação Vanessa Marchetti Projetos Digitais Diretor de Mídias Eletônicas de Custom Publishing Beto Macedo Editores de Arte Débora Andreucci e Diego Maldonado Assistente de Arte Isabela Jordani Redatora Site Carla Braga Gerente de Negócios Izabella Zuanazzi Núcleo de Vídeo Coordenação Ana Rosa Sardenberg Produção Lorena Almeida Assistente de Produção e Finalização Viviane Gualhanone Montador Pitzan Oliveira Diretor de Fotografia Pedro Marques Relações Públicas Taís Neri Assistentes de RP Julio Hercowitz e Monalisa de Oliveira Estagiária Luiza Nascimento Colaboram nesta edição: Vanina Batista (direção de arte), Kiki Tohmé (designer), Edmundo Clairefont (edição de texto), Bruna Bopp, Daniel Setti, Fabiano Rampazzo, Fausto Salvadori Filho, Irineu Franco Perpetuo, Juliana Carletti, Luis Patriani, Manoella Barbosa, Marcus Preto, Mariana Filgueiras, Pedro Henrique França, Ruy Castro, Sergio Pinheiro (texto), Amets Iriondo, Carol Quintanilha, Daryan Dornelles, Gil Inoue, Nana Moraes, Pedro Loes, Victor Affaro (foto), Adriana Komura e Bruno Algarve (ilustração), Ana Hora (produção) Antônio Medeiros e Su Tonani (figurino) Lu Moraes e Manu Monteiro (make) Comitê Itaú responsável por esta edição Fernando Chacon, André Sapoznik, Cristiane Portella, Danielle Sardenberg, Camila Carneiro e Elisangela Bonamigo Colaboradores DPZ Propaganda Marcello Barcelos e Elvio Tieppo Capa e quarta capa Nana Moraes / Divulgação/TV Globo Revista Personnalité é uma publicação trimestral da Trip Editora e Propaganda em parceria com o Itaú Personnalité. Endereço para correspondência: rua Cônego Eugênio Leite, 767, , São Paulo, SP. A Trip Editora, cons ci en te das questões am bi en tais e sociais, utiliza papéis Suzano com certificado FSC (Forest Stewardship Council) para impressão deste material. A Certificação FSC garante que uma matériaprima florestal provenha de um manejo considerado social, ambiental e economicamente adequado. Impresso na Stilgraf Certificada na Cadeia de Custódia FSC Radicado em Barcelona desde 2006, o jornalista paulistano DANIEL SETTI, 35 anos, começou a vida profissional há 14 anos redigindo biografias de músicos. Entre as colaborações mais recentes, ele tem editado textos para o site brasileiro do FC Barcelona. Nesta edição, viajou para Saint Maime, na França, onde entrevistou o escritor Jeremy Mercer. O dia que passei com Jeremy e família foi ótimo. Ele é uma figura simpática, com uma pluralidade de assuntos estimulante e que vive de uma forma muito interessante. A designer gráfica e ilustradora ADRIANA KOMURA, 31 anos, integra o coletivo internacional Puck Collective e colabora com publicações como Serafina e Tpm. Em 2013 fundou com dois amigos a editora independente República Books, que já lançou impressos em feiras de arte no Brasil e no exterior. Nesta edição, ilustrou o texto sobre o escritor Jeremy Mercer. Já visitei a livraria em que ele morou quando fui a Paris uma vez. Ela realmente tem uma atmosfera meio mágica. MARIANA FILGUEIRAS, 33 anos, é repórter de cultura do jornal O Globo e colaboradora da revista Piauí. Fez mestrado em literatura comparada na Universidade de Santiago de Compostela e na University of St Andrews, na Escócia. Agora escreve o livro Inventário afetivo dos botequins cariocas e organiza duas coletâneas de crônicas. Para esta edição, entrevistou a chef e apresentadora Bela Gil. Depois de entrevistar a Bela nunca mais fui ao supermercado do mesmo jeito. Pai de Manuela e de Miguel, nascido em agosto, o carioca DARYAN DORNELLES, 43 anos, é formado em cinema e jornalismo pela Universidade Federal Fluminense. Fotógrafo há 17 anos, Daryan lançou o livro Retratos sonoros, com fotos de grandes nomes da música brasileira (veja a reportagem Os dois lados da foto na página 24). Para esta edição, também fotografou a apresentadora Bela Gil. Minha impressão foi a melhor possível! A Bela passa a calma e a serenidade do pai.

5 SUMÁRIO 10 Cá entre Nós Música, gastronomia, viagem dicas de quem sabe viver bem 15 Prestígio TUDO EM CASA A gravação da canção Hidden waters celebrou duas das grandes paixões do pianista Sergio Mendes: sua cidade natal, Niterói, e os 45 anos de casamento com a cantora Gracinha Leporace 16 ME SINTO NO PRIMEIRO DIA DE AULA Aos 51 anos, Andréa Beltrão acorda cedo, dorme tarde, corre na praia, faz TV, cinema, ensaia na madrugada uma nova peça: Faço tudo o que quero e me divirto loucamente. Brinco que vou entregar o corpo dela à Nasa para pesquisa, diz Fernanda Torres 52 ARQUITETO EM CONSTRUÇÃO Neto e filho de dois gigantes da arquitetura, Thiago Bernardes precisou superar o peso do passado para achar seu próprio caminho. 68 RECEITA DE VIDA Como Bela Gil aprendeu o caminho da cozinha com o pai, Gilberto Gil, tornou-se nutricionista, chef e, aos 26 anos, apresentadora de um Cinco projetos marcam a sua trajetória. Para mim é muito natural programa de alimentação saudável na TV brasileira 24 OS DOIS LADOS DA FOTO Fotógrafo e fotografados resgatam as lembranças cristalizadas no livro Retratos sonoros, com grandes nomes da música brasileira 32 VIDA DURA EM PARIS O escritor Jeremy Mercer passou seis meses dormindo na Shakespeare and Company, a livraria mais famosa do mundo, e nunca mais foi o mesmo 40 CIDADE EM DUAS RODAS No ritmo das bicicletas, tudo pode ser diferente. Quatro experientes ciclistas criam roteiros para surpreender você em Amsterdã, Barcelona, Londres e São Paulo 68 NANA MORAES / ADRIANA KOMURA / GIL INOUE / DARYAN DORNELLES fazer arquitetura. Virei arquiteto por preguiça 60 A HISTÓRIA POR TRÁS DA MARCA O designer e pesquisador Chico Homem de Melo, autor do livro Linha do tempo do design gráfico no Brasil, elege e analisa cinco das mais importantes logomarcas do país 76 MEMÓRIA VIVA A obra de Almeida Prado, Gilberto Mendes e Aylton Escobar, três dos mais importantes compositores brasileiros 82 DORIS DAY, CONHECE? A eterna virgem do cinema? O símbolo da pureza americana? Ou uma mulher que passou o diabo em sua vida pessoal. Aos 90 anos, o nome de uma das maiores cantoras do século 20 reserva algumas surpresas 90 Primeira Pessoa MÁQUINA DO TEMPO O escritor e jornalista Humberto Werneck não usa mais sua Olivetti Lettera 22, mas segue muito conectado a ela

6 CÁ ENTRE NÓS VIAGEM, GASTRONOMIA E CULTURA CONVIDADOS ESPECIAIS ABREM SUAS PREFERÊNCIAS CÁ ENTRE NÓS TRILHA SONORA _ STACEY KENT, cantora Em visita ao Brasil, a intérprete americana comentou, em bom português, alguns temas de jazz, bossa nova e folk que marcaram sua juventude POR CARLOS MESSIAS SONHOS _ MAYA GABEIRA, surfista A big rider se apaixonou pelas ondas gigantes no Havaí, mas não vê a hora de desembarcar na Itália, para curtir a praia apenas na areia POR BRUNA BOPP 1 1. CORCOVADO, STAN GETZ E JOÃO GILBERTO Versão de Stan Getz e João Gilberto para a composição de Tom Jobim. Ouvi o disco Getz/ Gilberto [1964] pela primeira vez quando tinha 14 anos e se tornou parte da minha vida, escutava todo dia. É uma ótima lembrança. 2. LEMBRA DE MIM, DORI CAYMMI Esta faixa conta com a participação de Nana 5 2 Caymmi e faz parte do disco Contemporâneos [2002], no qual também tocaram Chico Buarque, Caetano Veloso e Edu Lobo. Este é um álbum muito emocionante. 3. HOW LONG HAS THIS BEEN GOING ON?, ELLA FITZGERALD E DUKE ELLINGTON Interpretação do tema de George e Ira Gershwin. Descobri o disco [Ella and Duke at the Côte D Azur, de 1967] também na adolescência, quando frequentava a Tower Records de Nova York. É um álbum ao vivo e você escuta a explosão de emoções no palco. Um registro muito poderoso. 4. THE BOXER, SIMON & GARFUNKEL A voz do Paul Simon é sensacional. Tem uma musicalidade incrível e harmoniza lindamente com a do Art Garfunkel. O disco, Bridge Over Troubled Water [1970], foi um dos que mais escutei na vida SO NICE (SUMMER SAMBA), MARCOS VALLE Do disco Samba 68, um dos mais importantes da minha vida. Adoro a música do Marcos, pois tem essa alma brasileira, essa batida do final dos anos 60. A voz dele é tão doce. 6. STARDUST, LOUIS ARMSTRONG Ele cantando esta música, para mim, é a definição do jazz. Escutei pela primeira vez ainda quando criança e logo soube que esse seria o meu mundo. 7. CHEEK TO CHEEK, ELLA FITZGERALD E LOUIS ARMSTRONG Uma das muitas e incríveis versões de Ella and Louis [1956], um álbum muito importante para mim. Os dois demonstraram uma química indescritível. 8. WHERE DO THE CHILDREN PLAY?, CAT STEVENS Faixa de abertura do disco Tea for the Tillerman [1970]. O Cat Stevens é um dos meus cantores favoritos. Como os brasileiros, ele canta uma saudade. Sua voz é forte e calma ao mesmo tempo. Ele me inspira muito. DIVULGAÇÃO Ç / DIVULGAÇÃO Ç / DISCOS: REPRODUÇÃO Ç DIVULGAÇÃO / VINCE CAVATAIO/GETTY IMAGES / MAURIZIO RELLINI/ CORBIS Ã ILHA DE OAHU, 2004 JORNADA INESQUECÍVEL Aos 17 anos, fiz as malas e me mudei para a ilha de Oahu, no Havaí, logo depois de terminar o ensino médio. O North Shore era o lugar perfeito para me apaixonar pelas ondas e não só por elas. Acabei me apaixonando por tudo. Experimentei uma sensação de liberdade que só a vida próxima à natureza pode permitir. Descobri minha comida favorita, o ahi poke, prato com atum cru e arroz, típico da região, e encontrei a praia dos meus sonhos: Waimea. Às 6h30, em março, é perfeita: muito sol e pouca gente. Há dez anos, eu volto para lá todo inverno. POSITANO PRÓXIMA PARADA Em um ano, viajo mais de 30 vezes, quase sempre acompanhando a temporada de ondas em cada lugar do mundo. Mas nunca tive muito tempo de aproveitar a Europa. Por isso, sonho em conhecer a Itália. Mais especificamente a cidade de Positano. Acho lindas aquelas casas tomando a costa, de cara para o mar Mediterrâneo. Quero pedalar pelas ruas, ouvindo Lorde e David Bowie, e passar o dia na praia desta vez sem ondas. 10 Ouça no tablet a seleção musical de Stacey Kent 11

7 CÁ ENTRE NÓS CÁ ENTRE NÓS PASSE A PASSE _ NANDO REIS, músico Sentado nos ombros do pai, o ex-titã comemorou o gol de Jairzinho sobre a Inglaterra na Copa de 70 e se apaixonou de vez pelo futebol POR LUIS PATRIANI ÁGUA NA BOCA _ STELLA ROUX, chef Mesclando o que aprendeu no litoral paulista e no restaurante La Côte Saint Jacques, na França, Stella Roux é chef do Figo, em São Paulo POR JULIANA CARLETTI FOTOS PEDRO LOES BOLO DE CHOCOLATE BELGA COM GANACHE Bolo Ingredientes 90 g de farinha de trigo 74 g de açúcar 34 g de chocolate em pó 2 g de fermento químico 1 g de bicarbonato de sódio 1 ovo 125 ml de água 59 g de manteiga 34 g de chocolate belga Mais do que a própria partida e o gol da vitória, o momento mais marcante da minha consciência futebolística foi o que aconteceu no pósjogo entre Brasil 1 x 0 Inglaterra, pela Copa do Mundo de 1970, no México. Eu tinha apenas 7 anos de idade. A primeira memória não foi despertada pelos grandes lances como a antológica defesa do goleiro Gordon Banks após a cabeçada de Pelé ou o gol de Jairzinho, um chutaço no ângulo depois de receber passe preciso do nosso onipresente camisa 10. O que me vem à mente é a imagem de meu pai, José Carlos, me carregando, sentado em seus ombros, para ver e participar da comemoração do povo que se aglomerava na rua Augusta, em São Paulo. A festa, os gritos, as buzinas, toda aquela comemoração efusiva me impressionou e estabeleceu a minha relação de afetividade com o futebol. O gol de Jairzinho foi muito além do lance que decretou o triunfo da seleção brasileira diante dos ingleses pela primeira fase do mundial, ele abriu no meu cérebro o arquétipo do futebol e a associação indelével desse esporte com o espírito de toda uma nação. FICHA TÉCNICA BRASIL 1 X 0 Inglaterra 7/6/1970, Estádio Jalisco, Guadalajara (México). 1ª Fase Grupo 3 2ª Rodada BRASIL Félix, Carlos Alberto Torres, Piazza, Brito, Everaldo, Clodoaldo, Rivellino, Paulo Cézar Caju, Jairzinho, Tostão (Roberto Miranda) e Pelé. INGLATERRA Gordon Banks, Wright, Labone, Bobby Moore, Cooper, Mullery, Ball, Bobby Charlton (Astle), Peters, Husrt e Lee (Bell). GOL Jairzinho aos 14 minutos do 2º tempo. DIVULGAÇÃO Ç / POPPERFOTO/GETTY / IMAGES / POPPERFOTO/GETTY / IMAGES Foi enquanto cursava o último ano de biologia marinha, em Santos, que Stella Roux teve a oportunidade de estudar gastronomia. Fez estágio em Maresias (SP), no restaurante Seu Sebastião, com o chef Eudes Assis, que aponta como um incentivador até hoje. Depois, foi morar na França. Lá, trabalhou por um ano na cozinha do restaurante La Côte Saint Jacques, três estrelas Michelin, que fica na região da Borgonha. Trouxe comigo o respeito que se deve ter dentro da cozinha, diz. Além dos segredos da gastronomia francesa, aproveitou a temporada para conhecer o marido, e também chef, Martin Roux. Aos 27 anos, Stella integra a equipe de chefs do restaurante Figo, que prioriza ingredientes orgânicos e frescos. Aqui, ela ensina como preparar um bolo de chocolate belga com ganache. 1. UM SABOR INESQUECÍVEL. 5. PRATO PREFERIDO. O pudim de leite da minha mãe. O coelho ao molho mostarda (lapin à la moutarde) preparado pelo meu marido. 2. TEMPERO INDISPENSÁVEL. Alho, pimenta e erva fresca. 6. UM HÁBITO NO TRABALHO. Sempre converso com todos os funcionários. 3. PRIMEIROS PASSOS NA COZINHA. Acho importante o diálogo na cozinha, pois exige Foi no susto. Não foi planejado, nada romântico não só disposição física, mas mental também. do tipo já cozinhava com a minha avó. 6. INSPIRAÇÃO. 4. UM HOBBY. Ao criar, penso nisto: fazer alguma coisa gostosa Mergulho. Sempre fui apaixonada pelo mar. para que a pessoa saia satisfeita. Esse é o ápice. Modo de preparo Colocar todos os ingredientes secos em um bowl e misturar bem, acrescentar a água e os ovos e mexer. Em outro recipiente, derreter a manteiga e o chocolate em banhomaria. Acrescentar ao resto da massa e misturar bem. Distribuir nas panelinhas, untadas com manteiga e farinha, e levar ao forno preaquecido à 180 C, durante 14 minutos. Rendimento: 4 porções Tempo de preparo: 15 minutos Leia no tablet a receita da cobertura de ganache Figo R. Diogo Jácome, 372 São Paulo (SP) Tel.: (11) O Figo faz parte do Menu Personnalité. Conheça os pratos em: itau.com.br/personnalite/experiencia 12 NA FOTO MAIOR, JAIRZINHO ESTUFA A REDE INGLESA; NA FOTO MENOR, A DEFESA MILAGROSA DE GORDON BANKS 13

8 CÁ ENTRE NÓS A MENSAGEM DA GARRAFA _ EDGARD SCANDURRA, músico Durante uma viagem ao Uruguai, para tocar com Arnaldo Antunes, o guitarrista se encantou pelo vinho Don Pascual Brut Blanc de Noirs POR LUCIANA LANCELLOTTI POR Manoella Barbosa _ TUDO EM CASA PRESTÍGIO SERGIO MENDES A gravação da canção Hidden waters celebrou duas das grandes paixões do pianista Sergio Mendes: sua cidade natal, Niterói, e os 45 anos de casamento com a cantora Gracinha Leporace Em 2009, viajei com Arnaldo Antunes para dois shows em dupla, em Buenos Aires e Montevidéu. No Uruguai, conheci um delicioso rosé, Don Pascual. É produzido em uma vinícola muito respeitada. Simplesmente adorei: frutado e fresco, servido na beira da praia de água doce, sob um azul-celeste espetacular. Além de saber que a vinícola é responsável por alguns dos melhores vinhos locais, fiquei interessado em outras garrafas desse simpático vizinho. O TIPO Por definição, o Blanc de Noirs é um vinho branco elaborado a partir de uvas tintas. A cor, salmão brilhante, é resultado do breve contato com as cascas durante a prensagem. Um vinho jovial, frutado e refrescante. O PRODUTOR O rótulo destaca a sede do Estabelecimiento Juanicó, a maior vinícola do Uruguai, localizada na principal região produtora, Canelones, no sul do país. O lugar teve vários proprietários, entre eles Don Francisco Juanicó, que em 1830 rompeu com os métodos tradicionais de cultivo e construiu uma adega subterrânea. Em 1979, a vinícola passou para as mãos da família Deicas. A MARCA A linha Don Pascual foi criada em Em cinco anos, tornou-se a marca líder no Uruguai. O nome é um tributo ao francês-basco Pascual Harriague. Ele chegou ao país no século 19 e introduziu nos vinhedos locais uma uva da sua região: a Tannat. Em solo uruguaio, a casta encontrou seu terroir mais expressivo, tornandose símbolo da viticultura no país. O PAÍS Em termos de vinhos, o Uruguai vem sendo considerado a bola da vez entre os países sulamericanos. A produção é pequena, mas há rótulos de ótima qualidade. O clima conta com sol intenso e influências do oceano Atlântico e das correntes e dos ventos da Antártica. AS UVAS Uma assemblage (mistura de uvas) elaborada com duas castas: a Pinot Noir (85%), considerada a mais feminina das uvas, e a Shiraz (15%), que se destaca pela versatilidade (produz vinhos de diferentes estilos de acordo com a origem geográfica). CHRIS VON AMELN/FOLHAPRESS / / DIVULGAÇÃO Ç / BKWINE.COM/ALAMY / ARQUIVO PESSOAL/DIVULGAÇÃO Ã Em uma quinta-feira de manhã, em sua casa em Los Angeles, Sergio Mendes finaliza uma xícara de café preto antes de falar sobre a imagem que estampa esta página. A foto foi tirada durante a gravação de Hidden waters, explica. A música, registrada em abril de 2003 em um estúdio nos arredores da cidade californiana, é um dos pontos altos de Magic. O álbum, lançado este ano, traz parcerias com Carlinhos Brown, John Legend, Milton Nascimento e grande elenco. Um desses nomes é o de Gracinha Leporace, esposa de Sergio. A cantora responde pelos vocais da faixa citada por Mendes. Sei que no idioma tupi Niterói significa água escondida [hidden water, em inglês], conta. Essa canção é uma homenagem à minha cidade natal. Composta, produzida e arranjada por ele, Mika Mutti e Katie Thompson, a obra é uma declaração de amor. Seus versos cantam o sol no seus olhos e o verão no seu sorriso. É mesmo especial. Demonstra a afinidade musical entre mim e Gracinha. No momento do clique, ela soltava o gogó no estúdio, não muito longe de mim, conta o músico aos risos. MOMENTO MAIS AUTORAL A faixa marca o casamento de 45 anos que se estendeu pelos palcos a carioca Gracinha é também responsável por boa parte dos vocais nos shows de Mendes. O importante é a amizade entre nós, diz o compositor, ao lado da mulher. Além disso, admiração e uma boa dose de humor. Rir dos imprevistos da noite anterior. Acho que esta foto delimita um momento atual, e isso é importante. Eu penso e vivo o hoje. Na estrada desde a década de 1960, quando se tornou um expoente da bossa nova, Mendes, 73 anos, um virtuose do piano, possui uma carreira de sucesso internacional inconteste. Com três Grammy no armário e mais de 35 discos lançados, é o autor de Mas que nada, um sambanovo de 1963 que ficou famoso na voz de Jorge Ben. O hit foi a primeira música em português a ficar entre as top 5 na parada da Billboard ganhou até versão do grupo pop norte-americano The Black Eyed Peas. Mais recentemente, Real in Rio, trilha sonora que compôs para a animação Rio, foi indicada ao Oscar em Pois foi em meio a essa temporada de conquistas que Sergio Mendes tomou fôlego para soltar o novo CD Magic, na praça. A foto tem muito a ver com um momento mais autoral, que andava em falta em meus trabalhos anteriores. Hidden waters me ajudou a resgatar isso. 14 SERGIO MENDES EM ESTÚDIO PRÓXIMO À CIDADE DE LOS ANGELES, ENQUANTO GRAVAVA HIDDEN WATERS, EM A MÚSICA ESTÁ NO ÁLBUM MAGIC, LANÇADO ESTE ANO 15

9 POR Pedro Henrique França, do Rio de Janeiro FOTOS Nana Moraes ME SINTO NO PRIMEIRO DIA DE AULA, COM LANCHEIRA E MOCHILA NOVAS DIVULGAÇÃO/TV GLOBO Aos 51 anos, Andréa Beltrão acorda cedo, dorme tarde, corre na praia, faz TV, cinema, ensaia na madrugada uma nova peça: Faço tudo o que quero e me divirto loucamente. Brinco que vou entregar o corpo dela à Nasa para pesquisa, diz Fernanda Torres ANDRÉA BELTRÃO COMO ÂNGELA NA NOVELA CORPO A CORPO (1985); NA PÁGINA AO LADO, A ATRIZ POSA PARA A REVISTA PERSONNALITÉ

10 PERSONNALITÉ ANDRÉA BELTRÃO uma sexta-feira, quando Andréa Beltrão sai do elevador É de seu prédio, um edifício com vista para a orla de Copacabana. São pouco mais de 11 horas. Andréa havia acordado às 6h30 para fazer ginástica. Depois, nadou no mar. Dali a minutos, já se via resolvendo um punhado de pendências domésticas. De cara lavada, a carioca estava, enfim, pronta para uma maratona de maquiagem, fotos e entrevista que só terminaria 7 horas depois. À noitinha, a agenda da atriz ainda se estendia indefinidamente. Madrugada adentro, encararia o primeiro ensaio de sua nova peça, provisoriamente chamada de Nômades, um trabalho colaborativo que estreia em outubro, no Rio, e envolve os dramaturgos Marcio Abreu, Newton Moreno e Patrick Pessoa, além das atrizes Malu Galli e Mariana Lima. No caminho do estúdio para o local do ensaio, não se percebe vestígio de cansaço em seu rosto. Me sinto uma criança no primeiro dia de aula, com lancheira e mochila novas. Aquela sexta-feira não era um desvio de rotina para Andréa Beltrão. A artista acorda no máximo às 7 horas. Nada de 2 mil a 3 mil metros, quatro vezes por semana. Dia sim, dia não, corre do Posto 6 de Copacabana até o final do Leme: quase 4 quilômetros. Pratica pilates ( para ficar fortinha ) e tem feito aulas de flamenco. E não dorme cedo para dar conta dessa maratona. Uma noite normal de sono sua varia de 5 a 6 horas de duração. Tanta disposição endossa as palavras de Fernanda Torres, sua colega de Tapas & beijos, o humorístico semanal da Globo, em cartaz há quatro anos e com temporada garantida para Brinco que vou entregar o corpo dela à Nasa para pesquisa, diz. Nas duas semanas que a gente teve de folga durante a Copa, eu fui ver os jogos. Ela foi fazer um filme... O filme é a sequência de Pequeno dicionário amoroso, de 1997, um dos primeiros sucessos da retomada do cinema brasileiro. Dirigido pela mesma Sandra Werneck, o longa, previsto para meados de 2015, promove o reencontro dos personagens de Andréa e Daniel Dantas depois de 15 anos. Eles estão maduros, conta Beltrão. Tem uma pegada diferente, com os filhos deles, uma temática parecida com minha casa. No lar, são três filhos Francisco, 19 anos, Rosa, 17, e José, 15 e o marido, o diretor de TV e cinema Mauricio Farias, com quem está desde que trabalharam juntos na novela A viagem, de Para celebrar os 20 anos de relacionamento fizeram uma grande festa no Rio de Janeiro no ano passado. Atleta desde garota, é flamenguista e fanática por futebol. Um de seus programas preferidos é assistir a uma partida na TV, seja lá quem estiver em campo. A atriz conta estar por fora das novidades musicais. E tem resistência à literatura contemporânea. Prefere ler os clássicos, como Dom Quixote, de Cervantes, e Os miseráveis, de Victor Hugo. Não compra, no entanto, a tese de que antes tudo era melhor. Acho isso caído, diz. Mas confesso que preferia quando não tinha tanta câmera em tudo. Redes sociais, não tem. Selfie, detesta. Pior é que você não gosta e sempre chega alguém: Tira uma selfie comigo?, conta. Acho uma chatice incomensurável. Dona de dois prêmios Shell o maior reconhecimento teatral do país pelas peças A prova (2002) e As centenárias (2008), Andréa chegou aos 51 anos em setembro cheia de dedicação à arte: 28 projetos na TV, 24 longasmetragens e 13 peças quatro delas ao lado de sua amiga inseparável, Marieta Severo. O ator Fábio Assunção se diz fã de Andréa. É uma parceira inteligente, superantenada com os acontecimentos do mundo e tem bagagem emocional. Andréa é intuitiva. Amo trabalhar com ela [na série Tapas & beijos], em cena e fora de cena. Sou fã. Ao longo de um dia, Andréa Beltrão conversou com Revista Personnalité. Com a franqueza de quem há mais de 20 anos faz análise, repassou a vida e a carreira. Concluiu que é uma mulher realizada. Realizada até a última gota. ADRIANA LORETE / AGÊNCIA AO GLOBO / RICARDO B. LABASTIER/JC IMAGEM DIVULGAÇÃO/TV GLOBO CORPO BRASILEIRO Quando era criança tinha um sonho de ser nadadora. Nadei muitos anos, competi alguma vezes, ganhei umas medalhinhas. Meu sonho mesmo era ir para a Olimpíada de Moscou [em 1980]. Mas não aconteceu. Um dia, meio perdida, meu padrinho me levou até O Tablado [companhia de teatro fundada por Maria Clara Machado]. Acho que ele nem tinha intenção real de me ver como atriz, era mais para eu não ficar tão largada. Mas aí me apaixonei. Foi lá que atuei numa primeira peça, O auto da Compadecida [Ariano Suassuna], em que fiz o João Grilo. Meu professor de canto, o Victor Prochet, diz que é coisa de Deus. Eu não acredito em Deus [risos]... mas adoro o papa Chico. A ATRIZ VERSUS A ESPORTISTA Acho que são ofícios iguais. É preciso treinar ou ensaiar muito para fazer uma curva qualquer diferente. Para ir na linha reta do conforto talvez você não precise suar tanto. Mas para trabalhar com pessoas e projetos que tenham alguma reflexão, uma fagulha que mexa com alguém, acho que só se consegue isso se realmente você se dedicar muito. Que nem o Zico treinou não sei quantas vezes o chute numa toalha pendurada no cantinho direito do gol. Com o ator é a mesma coisa. Corre, treina, aquece, pega, puxa a cadeira, erra a luz, olha a marca É muito parecido. ZELDA SCOTT A Zelda Scott [da série Armação ilimitada, de 1985] foi uma das minhas personagens mais marcantes na TV. Conheci pessoas maravilhosas, tive o prazer de participar das entranhas do programa, da realização dele. Visitava ilhas de edição e sonorização, foi minha superfaculdade de audiovisual. Ao mesmo tempo, a Zelda era muito interessante, me deu oportunidade de experimentar várias coisas diferentes, testar minhas possibilidades, minhas limitações. VIDA COMUNISTA Nasci em Em 70 eu tinha 7 anos e a gente vivia um momento bastante tumultuado da ditadura isso estava muito perto, dentro da minha casa, inclusive. Mas essa educação comunista não era uma coisa dogmática ou partidária. Era muito mais no sentido de divisão, de felicidade, de um mundo bom para todo mundo. Que é o que todo mundo quer: as pessoas de bem, legais, mais nobres, sendo comunistas ou não. É o que tiro desse momento da minha vida. EDUCAÇÃO PÚBLICA Minha educação na escola pública não é nada mais do que o reflexo do que se vivia naquele tempo. As escolas públicas eram de ponta, de vanguarda. O primário e o ginásio estudei ali no George Fischer, do lado do clube do Flamengo, no Leblon. Era uma escola-modelo. Depois fui para o Pedro II. E meus filhos estudaram no Pedro II a vida toda. Fiz questão que estudassem lá porque acredito no ensino da escola federal e gosto da mistura, da integração, e de ser 100% laica. O VERDADEIRO ARTISTA A [atriz] Cristina Pereira tem uma definição que acho genial: uns são artistas, outros são negociantes. Ou seja, uns são artistas, estão aqui para tudo e a qualquer momento. E outros estão de passagem, fazendo um nome para abrir um negócio. A PAIXÃO PELO TEATRO Toda atriz que é vocacionada, e tem essa paixão pelo teatro, sonha em ter um seu. Eu sempre sonhei. A Marieta já tinha feito um projeto desse na vida dela, que quase aconteceu. E 18 ACIMA, A PARTIR DO ALTO: ANDRÉA COM DANIEL DANTAS NO FILME PEQUENO DICIONÁRIO AMOROSO (1997); EM CENA DO ESPETÁCULO AS CENTENÁRIAS (2007), AO LADO DA GRANDE AMIGA MARIETA SEVERO, DE QUEM É SÓCIA NO TEATRO POEIRA KADU MOLITERNO (JUBA) E ANDRÉ DE BIASE (LULA) BEIJAM ANDRÉA BELTRÃO (QUE VIVEU A PERSONAGEM ZELDA SCOTT), SOB O OLHAR DO JOVEM JONAS TORRES (BACANA), EM CENA DO SERIADO ARMAÇÃO ILIMITADA (1985) 19

11 _ Andréa Beltrão fala sobre Marieta Severo e vice-versa ANDRÉA POR MARIETA Eu era produtora da peça A senhora do lar, do Mauro Rasi, e já admirava muito o talento da Andréa. Tinha certeza de que ela era especial e resolvi chamá-la. Ficamos logo juntas no mesmo camarim e foi amizade à primeira vista. Até hoje ela me surpreende, mesmo conhecendo-a profundamente como atriz. Andréa é camaleônica, uma pessoa dotada para a profissão que escolheu na vida. Tem intuição e uma inteligência cênica enorme. Gosta do ensaio, do aprofundamento, de trilhar cada caminho com intensidade e muito prazer. É o melhor exemplo da mulher moderníssima. Dá conta e é atenta a todos os papéis que exerce: mãe, atriz e atleta. A Nanda [Fernanda Torres] tem razão: só a Nasa para explicar mesmo. Eu só teria o bem mais precioso da minha carreira, o teatro Poeira e o Poeirinha, com uma parceira destemida e corajosa como ela. As pessoas falam que ser sócia de amiga não dá certo. E eu digo que dá certo porque somos amigas. Temos uma sintonia muito fina, um mesmo olhar sobre a vida e, sobretudo, uma atenção e uma delicadeza muita grande sobre a outra. Para mim, essa é a fórmula do sucesso. MARIETA POR ANDRÉA Eu brinco com ela que a minha vida é a.m. e d.m., antes e depois da Marieta. Sua aparição foi uma revolução na minha vida. É uma pessoa que não tem idade, muito mais jovem que eu e até que as próprias netas, muitas vezes. Antigamente, brincava de quero ser igual a você. Já não dá mais, perdi essa ilusão. Me basta estar ao lado dela para o resto da vida. Ela me deu muito sentido na vida, coragem, força, liberdade. A gente se aconselha bastante, tem um mar de compreensão entre nós. E conseguimos construir algumas coisas. Primeiro nossa amizade, que é muito sólida e... maleável. Ela é madrinha do meu filho mais velho, o Francisco. Depois, fizemos um teatro juntas, o Poeira. Só não vamos casar porque temos uns namorados muito legais. Mas a gente até poderia: sou muito apaixonada por ela. LEONARDO AVERSA / AGÊNCIA O GLOBO / CAMILA MAIA/AG O GLOBO ESTEVAM AVELLAR/TV GLOBO um dia, num encontro prosaico, saímos para jantar. Conversávamos sobre as dificuldades nos teatros comerciais, como era complicado tudo dar certo para estrear uma peça. Uma de nós falou: Bom mesmo seria ter um teatro bem pequenininho, para 20 pessoas. Começamos a delirar. A gente saía da [gravação da série] A grande família e rodava lugares na zona sul, um imóvel que pudesse virar um teatro. Ficamos muitas madrugadas assim até que o Aderbal [Freire Filho, diretor de teatro e namorado de Marieta Severo] falou de uma casa em Botafogo. Fomos lá ver, nos apaixonamos, compramos e reformamos tudo. O TEATRO POEIRA Manter um teatro é um trabalho enorme que traz uma recompensa incrível. Com o fato de ter o Poeira a gente vive isso sempre. Pensa e respira teatro. Não acho que seja a manifestação artística mais nobre. Quando é chato, é insuportável. Mas a vida no teatro tem uma coisa de especial. A presença física hoje em dia é muito importante. E uma noite nunca será igual à outra. VICIADA EM TRABALHO Sei que trabalho bastante, mas não sou workaholic, não. Eu vivo tanto. Faço ginástica, tomo minha cerveja, meu vinho, seja lá o que for. Saio, vou a festas de amigos, danço até as 5 horas. Sou a primeira a abrir a pista e a última a sair. E ainda termino na pizzaria Guanabara, 5 e meia da manhã. TAPAS & BEIJOS Dentro da TV, o programa [em que divide a tela com Fernanda Torres] tem o apelido de arrocha : aquele sucesso que agrada muita gente, de crianças a pessoas mais velhas. Ele tem grandes talentos. O sucesso que se construiu não foi por acaso. Tem um trabalho de pesquisa, aprofundamento e linguagem que o Mauricio [Farias, diretor] e a equipe dele desenvolvem há muitos anos. Entramos ali para dar corpo e voz a isso. A QUALIDADE DO HUMOR Aprecio todo tipo de humor. O humor é revolucionário. A melhor maneira de a gente se ver é através dele. É impossível viver bem sem rir de você mesmo. A vida fica muito pesada. Agora, não curto humor vexatório. Eu gosto muito de gente, de gente engraçada. Mas não de gente que sacaneia o outro. Fico constrangida. Talvez eu seja careta, não sei. Me incomoda quando você usa alguém para fazer uma piada. Desconfio do caráter desse humor, da qualidade dele. Gosto de humor forte, pesado, escrachado, com palavrão, sem palavrão, não me interessa. Mas gosto quando a qualidade humana se mantém. Aí acho incrível de bonita aquela gargalhada. NA PÁGINA AO LADO, MARIETA SEVERO E ANDRÉA BELTRÃO DURANTE A CONSTRUÇÃO DO TEATRO POEIRA, EM BOTAFOGO (2005); FESTA DE INAUGURAÇÃO DO TEATRO (2005); ACIMA, ANDRÉA E FERNANDA TORRES, EM TAPAS & BEIJOS ANDRÉA BELTRÃO 21 _ Ela esconde uma irmã gêmea, só isso explica, brinca Fernanda Torres A Andréa é uma atriz Rolls-Royce. Acho que é a mais vocacionada que eu já conheci. É absolutamente atriz. Eu não, eu tenho dúvidas. Ela é capaz de gravar, ensaiar uma peça e ainda sair. Não sei que horas dorme, mas eu estaria no hospital se tentasse ser assim. Andréa tem um clone em casa e esconde uma irmã gêmea, só isso explica. Além de tudo, é incrivelmente culta. E não exibe isso, pelo contrário. Tem muita certeza do que pensa e não faz alarde do seu preparo intelectual. E adora o popular, adora folhetim. É uma mulher do colégio Pedro II, criada em escola pública, e que saía no tapa no recreio. Andréa não tem nenhum gosto pelo lado esnobe da vida.

12 PERSONNALITÉ ANDRÉA BELTRÃO _ Não tenho a menor ideia de por que ela me escolheu, diz Mauricio Farias Andréa sempre foi uma atriz com enorme talento e carisma. Lembro de me sentir hipnotizado ao vê-la em Pedra sobre pedra [novela de 1992]. No começo, quando ainda estávamos namorando, cheguei a achar que o trabalho talvez pudesse nos atrapalhar. Mas isso não aconteceu. Depois de A viagem [de 1994, codirigida por Mauricio], ficamos cinco anos sem dividir os sets. Voltamos a nos encontrar em 1999, num quadro que fizemos para o Zorra total. De lá para cá foram 15 anos de parceria praticamente ininterrupta. Adoro trabalhar com ela. Andréa é divertida nos bastidores, gosta dos colegas de elenco e das equipes, cria a sua volta um ótimo ambiente. Tenho orgulho de tudo o que fizemos profissionalmente. No cinema, Verônica foi especial. Trabalhamos juntos nos mínimos detalhes do roteiro até os dias de filmagem. Considero o filme resultado das nossas afinidades. Mas temos nossas diferenças. Sou mais racional, enquanto Andréa reage sempre mais emocionalmente. Ela tem um jeito muito especial de ver o mundo, sempre pelo viés da alegria, uma característica espetacular que me ensinou um bocado sobre como viver. De certa forma, a gente se complementa. Em casa, Andréa cuida muito mais das crianças do que eu. Faz isso naturalmente, por prazer e sem muito esforço. É uma mãe extremamente amorosa e preocupada. Não à toa, são loucos por ela. Me apaixonei assim que a conheci porque ela é uma mulher linda e encantadora. Depois, porque cada minuto que passo ao lado dela é maravilhosamente divertido. Mas não tenho a menor ideia de por que ela me escolheu. TV ABERTA Meus filhos não assistem à TV aberta. Eles só veem futebol. Ficam muito no computador. Eu gosto: de novela, de jornalismo e alguns programas. Fui criada vendo TV aberta. É um ruído muito familiar. Outro dia estava jantando e tava passando um jogo fuleeeeiro, chinelo contra o chinelão. É um prazer ouvir aqueles gritos. Me traz coisas boas. Como passar e ouvir o porteiro com radinho de pilha. Me traz um cheiro de comida. A TV aberta tem valor quase sentimental pra mim. PRIVACIDADE Os paparazzi não me dão muita bola, não sou cara a eles. Fico com pena porque eles ficam se escondendo, um negócio meio degradante. Quando morava no Leblon, o reino desse tipo de imprensa, já tinha alguns que eu dava até bom dia. Um golpe bom é usar a mesma roupa do dia anterior [risos]. Daí não tem como ficarem fotografando, porque parece que tiraram 800 fotos no mesmo dia e não dez em 80 dias diferentes. APOSENTADORIA Quando tinha 30 anos, pensava: Quando tiver 50. E agora, aos 50, fico pensando nos 70. Mas foram 50 muito bem vividos. Faço tudo o que quero e me divirto loucamente. A coisa mais bacana que conquistei foi a aceitação da minha angústia e de não ter vergonha de ter medo, ficar sem graça ou não saber. É engraçado, remete à minha infância, àqueles momentos em que a gente não sabe o que fazer. E quando a gente cresce vai se educando a mostrar sempre uma segurança. Agora descobri que a insegurança é ótima, não saber o que dizer é ótimo e que a angústia é criadora. Até com meus filhos estou diferente. Dei tudo o que podia como mãe. Agora vejo que a vida tem que agir mais do que eu. Amparo, mas agora é eles com a vida deles. O mesmo para mim. O que a vida vai me oferecer? ADOLESCÊNCIA Adoro adolescente. Ele tem uma folha em branco em frente e está no auge da potência física, hormonal, emocional. É uma coisa bem bicho. O jovem para mim tem essa imagem. Uma potência enorme sem saber por onde ir. Vejo meu filho com 19 anos e penso: Meu Deus, quanta vida está aí dentro. DESEJOS Netos, netos! Estou naquelas de oferecer dinheiro, dar uma viagem a cada neto [risos]. Fora isso, queria ter uma vida longa, saudável, que meus filhos fossem muito felizes e que as pessoas que amo e todo mundo com quem trabalho fossem felizes. Uma utopia ingênua e romântica. MAKE: LU MORAES/ FIGURINISTA: ANTÔNIO MEDEIROS O MARIDO MAURICIO FARIAS E ANDRÉA BELTRÃO: 20 ANOS DE PARCERIA 22 Baixe a Revista Personnalité no tablet e assista à entrevista com Andréa Beltrão 23

13 POR Marcus Preto FOTOS Daryan Dornelles OS DOIS Fotógrafo e fotografados resgatam as lembranças cristalizadas no livro Retratos sonoros, com grandes nomes da música brasileira LADOS TOM ZÉ (2014) Gosto porque é quase uma caricatura. Gosto porque é a fisionomia com que eu enfrento o establishment e a burguesia reacionária. Gosto porque fotografia, tradicionalmente, é uma exibição de beleza. E esta, como se vê, exibe coisa muito mais significativa. Não gosto porque tem uma sombra em uma das minhas orelhas, e é com as duas que eu ouço. Gosto porque meus olhos estão bem expressivos. Gosto porque há uma gota de luz em cada olho. Gosto porque me lembra o que Walter Benjamin num famoso ensaio no qual incluiu o [desenho] Angelus novus, de Klee falava daquele anjo. Voando de costas, ele vê a destruição provocada pela história. Algo neste retrato imita aquele anjo terrível. Daryan: Sempre quis fotografar o Tom. Aliás, não tem fotógrafo que não queira. Fui convidado para fazer a capa do próximo disco [Vira Lata na Via Láctea]. Fizemos tudo rapidamente. Fiquei bem feliz com o resultado. DARYAN DORNELLES/DIVULGAÇÃO DARYAN DORNELLES/DIVULGAÇÃO DA FOTO

14 MALLU MAGALHÃES (2008) Quando vejo esta fotografia, vem a mim um sorriso da minha mãe. Um sorriso de orgulho, de carinho, de boa lembrança e do desejo de um futuro em paz. Dessa época, poucas fotos captam a pureza das minhas intenções. Esta é uma delas: revela o que minha mãe gostaria de ver. Daryan: Fiz esta foto no primeiro show que ela fez no Rio, na extinta casa de show Cinemathèque, em Botafogo. Escutei e gostei de cara. Senti que tinha alguma coisa ali que iria crescer, iria acontecer. Lembro que foi bastante rápido. Ela nem deve se lembrar direito desse dia. FOTOS DARYAN DORNELLES/DIVULGAÇÃO MILTON NASCIMENTO (2009) Conheci Daryan há uns cinco anos. Ele esteve lá em casa, no Rio. Confesso que a maioria das sessões de fotos me cansam um pouco, mas, quando Daryan me propôs que entrasse de paletó na piscina, percebi de imediato que se tratava de um cara diferente. Até hoje, quando me perguntam sobre as minhas fotos preferidas, esta sempre está nas cabeças. E, quando ele me contou sobre o livro, não resisti em perguntar-lhe se minha foto estaria no projeto. Para minha felicidade, ela estava lá, ao lado de outros retratos geniais. Gosto de todas ali! Daryan é um craque! Daryan: Assim que fui chamado para fazer a foto, pensei: O que farei?. Já tinha fotografado o Milton duas vezes e queria algo diferente. Acreditei que iria convencê-lo a entrar na piscina de paletó. Pedi com todo carinho do mundo e ele aceitou

15 DADO VILLA-LOBOS (2007) Anos e anos se passam e realmente continuo não me relacionando bem com minhas fotos. É como quando você ouve a própria voz na secretária eletrônica e não se reconhece. Tiramos esta foto no meu antigo estúdio, na Gávea, na maior tranquilidade e normalidade possíveis. Tudo muito certo. Prendi meu cachorro, Salvador, que estava inquieto, e tudo seguiu sem mais delongas. Eu em casa com meus instrumentos, contemplativo. Esse cara sou eu...? Definitivamente, sou eu mesmo. Eu me reconheço nele. Daryan: Uma das fotos mais antigas do livro. Fiz com uma Hasselblad, uma câmera médio formato, para a extinta revista Bizz. Foi tudo super na boa, falamos de música e futebol. Já jogamos a mesma pelada juntos. O Dado tem estilo. TIÊ (2011) Uau!, foi o que eu pensei quando vi a foto. Nem me lembrava dela. Que coisa selvagem! Eu estava grávida, meio com preguiça de fotografar, e ele resolveu tudo de uma maneira rápida. E lindíssima! Já fiz vários trabalhos com Daryan e nos tornamos amigos. Fiquei orgulhosa de estar presente no livro justamente com uma foto em que apareço selvagem e não doce, como costumo estar em quase todas. Daryan buscou e mostrou esse outro lado. Daryan: Esta foi feita na sessão das fotos para o segundo álbum dela [A coruja e o coração, de 2011]. Lembro que tínhamos um briefing e que o cabelo seria parte do retrato. Ela ficou descendo e subindo a cabeça até dar o efeito desejado. Acho poética esta imagem. FOTOS DARYAN DORNELLES/DIVULGAÇÃO 28 Baixe a Revista Personnalité no tablet e assista à entrevista com Daryan 29

16 ANDRÉA BELTRÃO PERGUNTA: A EXPERIÊNCIA DE TER VIVIDO EM UMA LIVRARIA MUDOU SUA PERSPECTIVA COMO ESCRITOR? 30 JEREMY MERCER RESPONDE: Mudou. A maior lição que aprendi foi humildade. Quando mais jovem, eu tinha uma noção exagerada do meu talento. Acreditava que poderia mudar o mundo com as minhas palavras. Mas, ao viver tendo em volta de mim tantos livros e absorvendo tudo aquilo que aqueles grandes autores têm para dizer, percebi o lugar insignificante que eu ocupava no universo literário. Comecei a lidar com minha obra com mais carinho e desenvolvi um interesse maior pelo meu leitor. Quando você dorme ao lado de 30 mil dos maiores livros já escritos, você entende de verdade a assustadora responsabilidade que é pedir a alguém para que ela leia o seu livro quando poderia estar lendo um Camus, um Tolstói, um Joyce ou um García Márquez. 31

17 POR Daniel Setti, de Saint Maime, Provence ILUSTRAÇÕES Adriana Komura VIDA DURA O escritor Jeremy Mercer passou seis meses dormindo na Shakespeare and Company, a livraria mais famosa do mundo, e nunca mais foi o mesmo EM PARIS

18 PERSONNALITÉ JEREMY MERCER e você teve a sorte de viver em Paris, quando jovem, sua presença irá acompanhá-lo pelo resto da vida, onde quer que esteja, porque Paris é uma festa S ambulante. A frase presente no livro de memórias sobre a temporada que Ernest Hemingway passou na Cidade Luz na década de 1920 martela diariamente na cabeça do escritor Jeremy Mercer. Em dezembro de 1999, Mercer, um canadense de 28 anos vindo de Ottawa, desembarcou em Paris a poucos dias da virada do ano. A data tinha aquele tipo de simbolismo ideal para quem buscasse um recomeço digno de uma jornada de formação: jovem que abandona um passado algo promissor em busca das excitantes incertezas de um futuro sem um tostão no bolso no outro lado do Atlântico. Descascada a lorota romântica, a verdade trazia muito mais desespero do que fantasia. Repórter policial do jornal The Ottawa Citizen, Jeremy tinha uma boa vida em seu país. Emprego estável, um salário invejável, um elegante sedã alemão preto financiado, um apartamento em um bairro elegante do centro, uma coleção de camisas e paletós caros pendurada no armário, lembra. Parecia tudo certo, até tudo dar errado. Jeremy caiu na lista negra de um ladrão cujo nome ele revelara em um de seus dois livros-reportagem sobre crimes, The Champagne Gang (1997, inédito no Brasil). Ameaçado, o escritor se refugiou na França às pressas, praticamente com a roupa do corpo. Após um início depressivo, topou em um domingo chuvoso com a livraria especializada em língua inglesa Shakespeare and Company. Aberta em 1951 por George Whitman ( ), um folclórico colecionador literário e viajante americano, o estabelecimento hoje dirigido por sua filha foi inspirado na lendária librairie homônima que a norte-americana Sylvia Beach manteve entre 1919 e 1941 em outro edifício de Paris, reduto de gente como James Joyce (Sylvia publicou a primeira edição da obraprima Ulisses), Ezra Pound e Hemingway. Ao ser convidado para um chá no andar superior, o rapaz descobriu o hábito de meio século de George: abrigar, entre as estantes apinhadas de raridades, romancistas, poetas e sonhadores andarilhos. O lugar tinha história. Nos intervalos da redação de Quarteto de Alexandria, Lawrence Durell tomava tragos na livraria, parada estratégia para Allen Ginsberg em suas idas e vindas à Índia. Na Shakespeare, outro beatnik, Gregory Corso, foi visto roubando velhas antologias em mais de uma ocasião. Em troca de cama e teto, Whitman, que se gabava de ter hospedado 40 mil pessoas em 50 anos, lhes pedia que atendessem no balcão, faxinassem, escrevessem suas biografias e lessem um livro por dia. Uma ética anárquica e romântica que contrastava com o status de livraria mais famosa do mundo do negócio. Quando deu por si, Mercer, duplamente apto ao perfil dos alojados pelo livreiro pessoas em apuros e escritores pobres, já contabilizava seis meses no prédio. A escassez de dinheiro o obrigou a ser criativo filava boias em vernissages, e a falta de chuveiro da biblioteca-comuna o transformou em um especialista em higienização pessoal improvisada. Mas em Paris até mesmo a mais pé de chinelo das vidas tem algo de feérico e inesquecível. MOMENTO DEFINIDOR A experiência em Paris é tida pelo escritor como um momento definidor de sua vida. A bagagem armazenada em meio ano na Shakespeare supera em muito os 88 volumes devorados em sua missão de ler um livro por dia. O canadense saiu dessa primeira temporada na capital francesa qual um explorador, alguém capaz de recriar uma faceta alternativa, charmosa e aventureira de uma Paris que não está nos guias. Protegido de George Whitman, conheceu em primeiro lugar pessoas figuras possíveis só na literatura como Simon, o poeta que chegara para duas semanas e acumulava cinco anos de casa; travou contato com autores que admirava (Sparkle Hayter, Lauren Davis, Christopher Cook Gilmore); ajudou o dono a editar revistas; e se envolveu com diferentes mulheres uma o levou às Ilhas Maurício. Entre os desafios pessoais, prometeu e cumpriu que leria Ulisses, de Joyce, antes dos 40. Uma segunda herança dos tempos que gastou sobretudo na Rive Gauche (a porção de Paris à esquerda do Sena) é sua peculiar visão da cidade. A Paris de Jeremy Mercer é uma Paris pé no chão, uma urbe que mistura os grandes museus e as paisagens deslumbrantes de Montmartre ( de onde se veem os domos de pedra calcária e os cavalos de pedra da Sacré-Coeur e é possível brincar de identificar os monumentos, como o Panthéon, o Louvre, a Ópera e a estrutura de ferro da Torre Eiffel ). Mas é também uma Paris de vielas, como a rua com 1,80 metro de largura que fica próxima à charmosa pracinha em que sobrevive a árvore mais antiga da cidade. É a Paris dos queijos baratos e inesquecíveis da place Maubert-Mutualité e das feirinhas de rua

19 JEREMY MERCER 1 _ A Paris de Jeremy Mercer O escritor canadense ainda vai ao menos quatro vezes por ano a Paris. Para não perder o costume, e também porque a personagem de seu novo projeto uma sobrevivente do Holocausto mora na capital francesa. O foco de suas memórias na cidade, no entanto, circunda o Quartier Latin, onde a Shakespeare and Company ocupa o epicentro, no número 37 da rue de la Bûcherie. Sempre que pode, revisita seus lugares e hábitos favoritos. 1. LA CHOPPE DU CHÂTEAU ROUGE Company naturalmente ocupa um lugar especial Em tempos de verba zero, Jeremy vinha atrás do cuscuz no coração do autor. gratuito que acompanhava as garrafas de vinho. (2, Quai de Montebello, Quartier Latin) (40, Rue de Cligancourt, Montmartre) 7. A ÁRVORE MAIS ANTIGA 2. LES FONTAINES Nos arredores da livraria, há um pequeno jardim, Square Cada vez que venho, passo aqui, como o delicioso pato René Viviani-Montebello, defronte à igreja Saint Julien le e revivo aqueles tempos. Pauvre, e que exibe provavelmente a árvore mais velha (9, Rue Soufflot, Sorbonne) de Paris, uma falsa acácia plantada em Ali, nos arredores, há uma rua, Rue du Chat qui Pêche, que tem 3. LES DEUX MAGOTS 1,80 metro de largura, uma raridade dos tempos da cidade Tem 202 anos de história, durante os quais alimentou antes das reformas projetadas por Haussmann. de Picasso a Sartre, passando por, claro, Hemingway. Mercer frequentava a convite do dramaturgo e poeta 8. FEIRAS DE RUA irlandês Ulick O Connor, hoje com 86 anos, e garante: Um dos charmes discretos de Paris são as feiras de rua. dá para sentir o peso da história ali. A mais famosa fica na Bastilha, mas nos arredores da (Place St. Germain de Près) livraria existe uma bastante charmosa. Na place Maubert- Mutualité é possível comprar queijos, vinhos, frutas de 4. POLLY MAGGOO produtores locais, lembrancinhas e roupas. Em Um livro por dia, Jeremy descreve assim uma noitada em seu bar favorito: Entre goles de cerveja e tragos 9. JARDIN DES PLANTES de cigarro, a conversa abordava as viagens planejadas, Uma das dicas de Mercer é praticar caminhadas os filmes que pensavam em dirigir, os livros que tinham vespertinas pelo Jardin des Plantes, um parque a apenas que escrever. Nos olhos de todos brilhava algo parecido 15 minutos de caminhada do Sena, na Rue Cuvier, a um sonho. Isso era o melhor de Paris. Mesmo crítico e que conta com um pequeno zoológico. quanto ao atual aspecto do local, mais turístico e asséptico, Mercer nunca esquecerá do Polly Magoo. 10. ABBEY BOOKSHOP (3-5, Rue du Petit Pont, Quartier Latin) Mesmo vivendo entre livros, Mercer adorava visitar outras livrarias de porte pequeno, como esta, 5. LE TENNESSEE especializada em literatura canadense. O bar de jazz onde o escritor aprendeu a apreciar música (29, Rue de la Parcheminerie, Quartier Latin, ao vivo, sob um critério: volume que permita a conversa. abbeybookshop.wordpress.com) (12, Rue André Mazet, Quartier Latin) 11. RED WHEELBARROW 6. CAFÉ PANIS Outra que se dedica a autores anglofalantes. A segunda não casa dos que habitam a Shakespeare and (22, Rue St. Paul, Le Marais) 36 ARQUIVO PESSOAL

20 PERSONNALITÉ JEREMY MERCER _ Os melhores livros para ler em Paris PARIS É UMA FESTA Ernest Hemingway (1964) Li no avião quando estava a caminho e me tocou, diz Jeremy. Tive a mesma impressão que Hemingway: a cidade te marca tanto que, pelo resto de sua vida, você vê o mundo pelos olhos de Paris. IS PARIS BURNING? Larry Collins e Dominique Lapierre (1965) Uma reportagem sobre a liberação de Paris das mãos dos nazistas, em agosto de É fascinante ler sobre Hitler querendo destruir a cidade, diz Mercer. De fato, as pontes foram envolvidas por dinamite, mas um soldado alemão rebelde se recusou a acionar os comandos, porque achava que Paris tinha que ser salva. VIAGEM AO FIM DA NOITE Louis-Ferdinand Céline (1932) É importante recordar que Paris é bem mais do que uma fantasia. Céline é controverso por suas opiniões políticas e um feio antissemitismo, mas este é um clássico francês e um lembrete de que há um mar revolto de depressão e desespero em Paris, como em qualquer cidade. O relato sobre toda essa experiência é o saboroso Um livro por dia Minha temporada parisiense na Shakespeare and Company (ed. Casa da Palavra). O volume já foi traduzido para 14 idiomas e vendeu 150 mil exemplares no mundo. Em Paris há tanta gente atrás dos seus sonhos, e tanta energia vindo disso, explica o autor, um homem alto e magro que carrega seis tatuagens espalhadas pelo corpo, entre elas, cravada no peito, a pequena folha de bordo da bandeira canadense. A cidade me deu uma profunda sede por leitura, ópera, música, todos esses bens mentais, conta. A cultura do Canadá é tão naïf... Já a experiência europeia cria uma complexidade que simplesmente não existe lá. Por isso, Paris foi romantizada por tantos norte-americanos. Ao deixar a peculiar utopia socialista disfarçada de livraria, como a definia George Whitman, ele nunca mais seria o mesmo. Viveria por mais de um ano na capital em um edifício comunitário, onde organizava exposições e shows. Abandonou de vez a cidade em Passou cinco meses em Pequim, seis em Oia, na Grécia; visitou a Índia. Só começaria a assentar ao conhecer Geraldine, uma enfermeira belga, na fila do supermercado em Marselha, em No ano seguinte, inauguraram uma família. Jeremy residiu em Marselha até o ano passado, quando se afincou num povoado de 900 habitantes: Saint Maime, na Provence. Foi ali que ele recebeu Revista Personnalité, no fim de julho. Naquela tarde, Mercer, um ruivo sardento de 42 anos, puxou pela memória aquilo que dividiu com George Whitman e seus colegas. Paris, seu lar por mais de três anos, é, enfim, inesquecível : Ela nunca sairá do meu ser. Em um cinematográfico casarão de 300 anos, ele mora com a mulher, os filhos Santoline, 5, e Rosco, 4, e uma fauna composta de duas cadelas, quatro gatos, três galinhas, um coelho e uma galinha-d angola uma égua estava prestes a chegar. Em cerca de 8 horas de convívio, absorve-se um pouco a rotina do escritor, dividida entre a preparação de um calhamaço sobre lendas da Provence, outro com uma sobrevivente do Holocausto, artigos para veículos como World Literature Today, traduções e aulas na faculdade de jornalismo na Universidade Aix-Marseille. Sobretudo, seu tempo é gasto nas infinitas tarefas do lar. Em um momento ele está operando a máquina de cimento para erguer o tão sonhado escritório com vista paradisíaca ( ficará lindo... quando pronto, diz aos suspiros Geraldine); minutos depois, cata milho ao velho piano para tocar o Frère Jacques, que aprendeu só para ensinar aos filhos. Como Hemingway, eu sempre medirei as coisas em comparação com o que vivi em Paris, afirma. O ex-repórter policial, cujo título mais recente é When the guillotine fell, de 2008, sobre o último condenado à morte na França (inédito no Brasil), me leva para um passeio. Acabamos de cruzar com um burro em plena via principal da formidável vila vizinha Forcalquier. Se Paris me define? Sim e não, diz. Por exemplo: eu estaria vivendo aqui se não tivesse tido aquela experiência? Teria vivido em uma ilha grega? Então, isso mudou minha vida toda. Tive os melhores dez anos desde que me mudei de lá, por causa de Paris, por causa daquela livraria. Dez anos de vida livre. E agora... vida dura. Fim de tarde em Saint Maime. Não muito tempo depois de proferir o lamento sobre a vida dura sem muita ênfase, é verdade, Jeremy irrompe aos berros no banheiro térreo e arranca as crianças do banho. Partem em disparada em direção ao enorme jardim da casa, o que reserva a mais fabulosa das vistas. De longe, a reportagem vê ele e a companheira, cada um com um filho molhado no colo, contemplando o transcendental arco-íris completo que acaba de se formar sobre os campos de lavandas e flores. A vida dura Leia no tablet como foi a experiência de Jeremy Mercer no Brasil

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