Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul Faculdade de Comunicação Social. Patricia Lima da Silva Relações Públicas Internacionais

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1 Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul Faculdade de Comunicação Social Patricia Lima da Silva Relações Públicas Internacionais Porto Alegre 2008

2 Patricia Lima da Silva Relações Públicas Internacionais Itália Trabalho acadêmico considerado um dos requisitos para obtenção de grau na disciplina Relações Públicas Internacionais do curso de Relações Públicas da Faculdade de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Professor Dr. Jacques Alkalai Wainberg Porto Alegre

3 Sumário Aspectos Gerais... 5 A República Italiana... 5 Importância econômica e política do país... 5 População, densidade e principais cidades... 6 Migração, grupos étnicos, idiomas e religião... 7 Etnicidade... 7 Migração... 7 Idioma... 8 Religião... 8 Transportes e Comunicação... 9 Transportes... 9 Transporte Rodoviário... 9 Transporte Ferroviário... 9 Transporte Marítimo Transporte Aéreo Telecomunicações Organização Política e Administrativa Organização política Organização administrativa Organizações e acordos internacionais Economia, Moeda e Finanças Conjuntura econômica Dados gerais Setor primário Setor secundário Setor terciário Moeda Comércio Exterior Relações comerciais com outros países Balança comercial A Itália por dentro História Geografia Relevo Clima

4 Hidrografia Vegetação Vulcões Terremotos Ilhas Cultura Italiana A Itália em Números Governo Economia Comunicação Transportes Forças Militares Geografia Curiosidades Itália: cidade proíbe construção de castelos de areia Bibliografia

5 Aspectos Gerais A República Italiana Nome oficial: República Italiana Capital: Roma Cidade mais populosa: Roma ( hab ) Área total: km² Governo: República parlamentarista Formação: Unificação (17/03/1861) e República (02/06/1946) Importância econômica e política do país A República Italiana é composta pela península, situada na Europa meridional junto ao mar Mediterrâneo, e por várias ilhas adjacentes. As duas principais são a Sicília, a sudoeste, e a Sardenha, a oeste. Os Alpes formam uma fronteira natural, ao norte, sendo os países fronteiriços a França, a noroeste, a Suíça e Áustria, ao norte, e a Eslovênia, a nordeste. O país também compartilha uma fronteira marítima através do mar Adriático com a Croácia e a Eslovênia e através do Mar Lígure com a França. Os estados independentes de San Marino e a Cidade do Vaticano são enclaves no território italiano¹ 1. Também pertence ao país a comuna de Campione d'italia, um enclave no território da Suíça de língua italiana. O país inclui 92% da região física de língua italiana, delimitada convencionalmente pelo divisor de águas alpino. A língua principal é o italiano. A área do país é km² (excluindo a República de São Marino e o Vaticano), da qual 38% é composta por terras aráveis e colheitas, 15% por pastos e 21% por florestas, segundo dados de De acordo com o censo de 2001, a população eleva-se a 57 milhões, mas as estimativas do Economist Intelligence Unit (EIU) apontavam para 58 milhões, em O crescimento demográfico foi rápido nos anos 60 (apesar da emigração substancial), mas diminui bastante entre os anos 70 e 80. Como a taxa de mortalidade foi superior a de natalidade entre 1993 e o princípio dos anos 2000, o crescimento populacional resultou da imigração. Existem muitas cidades de tamanho médio na Itália, 42 das quais têm uma população de 100 mil habitantes. As principais cidades são Roma, a capital (2,7 milhões de habitantes), Milão (1,3 milhões), Nápoles (1 milhão), Turim (901 mil), Palermo (679 mil) e Genova (632 mil). As principais cidades italianas abrigam um patrimônio histórico e artístico de valor incalculável, o que atrai mais de 35 milhões de turistas anualmente. Uma das grandes potências econômicas do mundo, a Itália apresenta grande disparidade interna: o norte é bastante industrializado, enquanto o sul é agrícola e mais 1 Além dos enclaves supracitados, os territórios seguintes não pertencem ao país: o Principado de Mônaco, Nice com Briga e Tenda, algumas listras dos Alpes próximas à fronteira francesa (Monginevro, Moncenisio e Piccolo San Bernardo), a região suíça de língua italiana (Cantão de Tessino e alguns vales de Grigioni), a península da Ístria e uma parte de Friuli-Venezia Giulia, a ilha da Córsega e o arquipélago de Malta 5

6 pobre. A marca de sua história política recente é a instabilidade: 59 gabinetes já se sucederam desde o fim da II Guerra Mundial, em Apesar disso, a Itália é um país desenvolvido com o décimo PIB mais alto em 2007, membro do G8, da OMC, da OTAN e fundador da União Européia, tendo assinado o Tratado de Roma em A Itália é chamada il Belpaese ("belo país", em italiano) pelos seus habitantes, devido à beleza e a variedade das suas paisagens e por ter o maior patrimônio artístico do mundo; o país detém o maior número de patrimônios mundiais da UNESCO. População, densidade e principais cidades Em Janeiro de 2008, a população italiana passou de 59,6 milhões, a quarta maior da União Européia, e a 23ª maior do mundo. A densidade populacional é de 196,1 habitantes por km², o quinto maior da União Européia, sendo o norte a parte mais densa; um terço do país contém quase a metade da população. Depois da II Guerra Mundial, a Itália passou por um grande crescimento econômico que levou a população rural a mover-se para as cidades, e ao mesmo tempo passou de uma nação caracterizada por massiva emigração à um país receptor de imigrantes. A alta fertilidade persistiu até a década de 1970, e depois passou para abaixo da taxa de reposição como em 2007, um em cada cinco italianos é aposentado. Apesar disso, graças principalmente a imigração das décadas de 80 e 90, nos anos 2000 a Itália viu um acréscimo populacional natural pela primeira vez em anos. As maiores regiões metropolitanas da Itália são: Grande Milão - 7,4 milhões de pessoas Grande Roma - 3,8 milhões de pessoas Grande Nápoles - 3,1 milhões de pessoas Grande Turim - 2,4 milhões de pessoas 6

7 Etnicidade Migração, grupos étnicos, idiomas e religião A Itália apresenta uma reduzida diversidade étnica (a população residente é italiana em mais de 95%). Merecem destaques algumas minorias étnicas, mas de nacionalidade italiana, concentradas nos vales alpinos fronteiriços (franceses no Valle d Aosta, bávaros-austríacos em Trentino-Alto Ádige e eslavos em Friuli-Venezia Giulia e no Trieste) e nas regiões e ilhas do sul (gregos e albaneses). Estão presentes na Itália pequenas minorias de marroquinos, chineses e filipinos, sobretudo no norte. Migração Depois da unificação italiana, o feudalismo que controlava por séculos as terras do país ruiu, e muitos italianos passaram por severas situações de pobreza. O norte foi o primeiro afetado, e grandes levas de imigrantes saíram do país principalmente em direção ao Brasil e à Argentina, a partir da década de Anos depois, a região sul também sentiu os efeitos da mudança política na agricultura, e a imigração dobrou de número em 1900 e o destino principal agora era os Estados Unidos. O pico foi em 1913, quando pessoas deixaram a Itália. O fenômeno só diminuiu devido à eclosão da I Guerra Mundial, quando a Itália precisou da população para reconstruir o país e a instalação do regime fascista, que restringiu a imigração na década de O primeiro grande movimento migratório de italianos em direção ao Brasil ocorreu logo após a unificação, em 1875, pioneiramente para o sul do país, embora a maior massa de imigrantes tenha se instalado em São Paulo, para trabalhar na colheita do café. A imigração italiana foi massiva até o começo do século XX, mas depois das constantes notícias de trabalho semi-escravo no Brasil, a Itália baixou o "decreto Prinetti" que proibia a imigração subsidiada em direção ao país, direcionando o fluxo imigratório italiano para os Estados Unidos e a Argentina. As maiores comunidades italianas se encontram em São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde profundamente fazem parte da cultura local. Depois da II Guerra Mundial, o país que era uma das maiores fontes de imigrantes do mundo, passou a receber imigrantes vindos do mundo todo, intensificado principalmente depois da década de No fim de 2006, estrangeiros compreendiam 5% da população ou quase 3 milhões de pessoas, um aumento de desde o ano antecedente. Em 7

8 algumas cidades italianas, como Brescia, Milão e Pádua, o total de imigrantes é maior que 10% da população. A mais recente onda de migração tem vindo principalmente das nações européias (47,75%), particularmente da Europa oriental, substituindo o Norte da África (17,43%) como a maior fonte de imigrantes. Por volta de romenos estão oficialmente registrados como habitantes da Itália, mas estimativas não-oficiais afirmam que o número atual pode ser duas vezes maior, ou ainda mais. Em 2006, os outros imigrantes vinham da Ásia (17,43%) e América Latina (8,90%). Pequenos grupos vinham da África subsaariana e América do Norte. Idioma O idioma oficial é o italiano, falado por quase toda a população. O italiano padrão é uma língua derivada do dialeto da Toscana, sobretudo aquele falado na região de Florença. Existem diversas línguas e dialetos falados no dia-a-dia pela população italiana, como o sardo (na Sardenha), napolitano (em Campânia), vêneto (no Vêneto), friulano (em Friuli- Venezia Giulia), francês (no Valle d'aosta), alemão (em Trentino-Alto Ádige), esloveno (em Trieste). Religião O Catolicismo Romano é de longe a maior religião do país, embora a Igreja Católica não seja mais a religião oficial do estado. 87,8% dos italianos identificam-se católicos romanos, embora apenas um terço descrevem-se como membros ativos (36,8%). A sede mundial da Igreja Católica Romana situa-se no Vaticano, um Estado religioso independente, encravado em território Italiano, e que tem por representante a figura do Papa. Outros grupos cristãos na Itália incluem mais de cristãos ortodoxos, incluindo imigrantes, e por volta de Gregos ortodoxos, Pentecostais e Evangélicos (0,8%), dos quais são membros da Assembléia de Deus, Testemunhos de Jeová (0,4%), e de outras religiões. A minoria religiosa mais antiga do país é comunidade judaica, que compreende por volta de pessoas, mas não é mais o maior grupo não-cristão da Itália. Como resultado da significante imigração de outras partes do mundo, Muçulmanos (1.4% da população total) moram no país, mas apenas são cidadãos italianos. Ainda, tem budistas (0,2%), Sikhs, e Hindus (0.1%) na Itália. 8

9 Transportes Transportes e Comunicação A localização estratégica, em uma Europa interessada em intensificar as relações comerciais com jovens países como a Eslovênia ou a Croácia, obriga a uma eficiente articulação entre os vários modelos de transportes, os interfaces com a rede ferroviária e o aproveitamento das condições portuárias subjacentes ao estatuto da península. Existem cerca de km de rodovias utilizáveis na Itália, incluindo os km de autoestradas.[6] Existem cerca de 133 aeroportos na Itália, incluindo os dois hubs de Malpensa Internacional (perto de Milão) e o Internacional Leonardo Da Vinci-Fiumicino (perto de Roma). O país tem 27 grandes portos, sendo o maior em Gênova, que também é o segundo maior do Mar Mediterrâneo, depois de Marselha km de hidrovias passam pela Itália. Transporte Rodoviário Nos últimos anos, vimos uma intensificação na construção de estradas na Itália. Em 1995, a rede rodoviária era de 307,8 mil quilômetros,sendo que atualmente já atinge mais de 650 mil quilômetros. A Autoestrade, empresa pública até 1999, foi a principal dinamizadora deste ritmo de construção. Paralelamente à sua alienação, o Governo optou por aplicar uma certa descentralização na gestão das estradas italianas, transferindo para o âmbito regional a responsabilidade pela gestão de cerca de 30 mil quilômetros de estradas. O forte incremento do tráfego de veículos pesados, componente essencial no transporte e distribuição de mercadorias atualmente, coloca novas necessidades às infraestruturas rodoviárias italianas. Transporte Ferroviário A rede ferroviária abrange cerca de 20 mil quilômetros, 80% dos quais controlados pela Ferrovie dello stato (FS). Nos últimos anos algumas linhas foram descontinuadas, devido à fraca utilização, e verifica-se uma melhor integração das várias redes. Apesar da fraca participação do setor privado, o processo gradual de liberalização do setor ferroviário iniciou-se em 200, com a atribuição de sete licenças (relativas a serviços já liberalizados pela união Européia) a empresas privadas. O governo italiano já manifestou, também, a intenção de dividir a Ferrovie dello Stato em quatro áreas de negócios autônomas (transporte de mercadorias, transporte inter-cidades, infra-estrutura e transporte local), com o intuito de privatizar as duas primeiras áreas. As linhas férreas na Itália totalizam km, a 17ª maior do mundo. Trens de alta velocidade incluem os trens classe ETR, dos quais o ETR 500 viaja a 300 km/h. Em 1991, a Treno Alta Velocità SpA foi criada, uma sociedade de propósito específico pertencente a RFI 9

10 (controlada pela Ferrovie dello Stato) para o planejamento e construção de linhas para trem de alta velocidade ao longo das linhas mais importantes da Itália e saturadas. O objetivo da construção do TAV é de melhorar a viagem ao longo das linhas ferroviárias mais saturadas da Itália e adicionar novos trilhos a estas linhas, notadamente Milão-Nápoles e Turim-Milão- Veneza. Um dos focos do projeto é tornar a rede ferroviária da Itália em um sistema ferroviário de passageiros moderno e de alta tecnologia, de acordo com os atuais padrões ferroviários. Um propósito secundário era de introduzir os trens de alta velocidade ao país e os seus corredores principais. Quando a demanda das linhas regulares for reduzida com a abertura de linhas de alta velocidade dedicadas, as linhas regulares serão utilizados prioritariamente para a trens regionais de baixa velocidade e trens de carga. Com estas idéias concretizadas, a rede ferroviária italiana poderá ser integrada com outras redes ferroviárias européias, particularmente o TGV francês, o ICE alemão e o espanhol AVE. Transporte Marítimo A via marítima tem sido uma forma privilegiada para o transporte de alimentos, especialmente para um país importador líquido desses bens e como uma costa marítima de aproximadamente quilômetros. Os portos mais importantes são Gênova (na foto), Gióia Tauro (principal porto de contêineres da Europa), La Spezia, Livorno, Nápoles, Palermo (na Sicília), Trieste e Veneza. Apesar de a Itália possuir uma das maiores frotas de mundo e beneficiar de uma geografia favorável à exploração da via marítima, os portos nacionais são subaproveitados, devido à falta de integração entre o transporte marítimo e o rodoviário. Porém, medidas estão sendo tomadas no intuito de permitir aos portos italianos uma maior competitividade, estabelecendo autoridades independentes (nos 19 principais) e uma progressiva liberalização dos serviços portuários. Transporte Aéreo Existem na Itália mais de uma centena de aeroportos operacionais, porém o pais ainda não possui um transporte aéreo eficaz, devido a dificuldades de viabilização da companhia de aviação doméstica (Alitalia). Mesmo depois da ajuda de três bilhões de liras (em 1997) com a prévia autorização da Comissão européia, e de aliança com a holandesa KLM, que se romperia em 2000 dados os sucessivos atrasos na privatização da Alitalia, a empresa continua a acumular perdas. Depois dos acontecimentos de 11 de setembro, já foram demitidos cerca de funcionários, houve a alienação de 7 aviões Boeing e o cancelamento de dezenas de rotas. 10

11 O aeroporto Leonardo Da Vinci (Fiumicino), em Roma, e o Malpensa, em Milão, são eleitos para vôos de longa distância, enquanto o aeroporto Ciampino, em Roma, e o Linate, em Milão, asseguram os vôos europeus. Existem, ainda, vôos internacionais regulares para Veneza, Turim, Nápoles, Pisa, Florença, Genova, Bologna, Bérgamo e Verona, justificados pela permanente chegada de turistas (a Itália é o quarto destino turístico do mundo). Telecomunicações Assim como os outros estados membros da União Européia, o segmento dos telefones fixos foi completamente liberalizado no início de 2001, finalizando um processo que iniciou em Nessa altura, a rede de telecomunicações, e atividades associadas, era monopolizada pela Telecom Itália. Esse monopólio estatal começou a ser privatizado em 1997 para, dois anos depois, passar a ser controlado pela Olivetti (uma das principais empresas italianas, que tinha abandonado a área de produção de computadores por dificuldades financeiras). No segmento de celulares, o processo de liberalização também começou em 1994 com a atribuição da segunda licença à Omnitel (agora controlada pela britânica Vodafone), que passava a concorrer com a subsidiária da Telecom Itália para os celulares, a TIM (Telecom Itália Mobile). Após quatro anos também entrou no mercado um terceiro operador, a Wind, uma joint-venture entre a Ente Nazionale per l EnergiaElettrica (Enel) e a France Télécom. Finalmente, em O mercado passou a contar com um quarto operador, a Blu, liderada pela Autoestrade e pela British Telecom. No final de 2000, o Governo decidiu vender cinco licenças para os celulares de terceira geração (UMTS), obtendo com essa transação, uma receita inferior à esperada: 26,75 bilhões de liras contra os 40 bilhões previstos pelos vários responsáveis governamentais, apesar de terem sido orçamentados 25 bilhões de liras. Os novos detentores de licenças para os UMTS são a TIM, a Omnitel, a Wind (os três já a operar no GSM), a Ipse, liderada pelos espanhóis da Telefonica e pelos finlandeses da Sonera, e a Andala, controlada pela Hutchison Whampoa e Tiscali. A principal crítica ao relativo fracasso na atribuição das licenças para o UMTS devese ao modelo escolhido, que já havia fracassado na Holanda quando sete consórcios concorreram a seis licenças. Também as desavenças públicas entre a Autostrade e a British Telecom não favoreceram a motivação para parcerias entre empresas estrangeiras e italianas. Apesar de a Itália apresentar um baixo nível de computadores per capita relativamente a outros países europeus (191,8 computadores pessoais por cada mil habitantes em 1999), a utilização da internet está em franca expansão, em parte devido ao acesso gratuito introduzido em O Plano de Ação para a Sociedade de Informação, aprovado em junho de 2000, estabelece cursos e centros universitários de tecnologias de informação, bem como investe fortemente na informatização das escolas e na formação acadêmica no setor. 11

12 Organização Política e Administrativa Organização política A Constituição italiana de 1948 estabeleceu um parlamento bicameral, que é formado por uma Câmara dos Deputados (Camera dei Deputati) e de um Senado (Senato della Repubblica) além de um sistema judiciário; e um sistema executivo composto de um Conselho de Ministros (Consiglio dei ministri), encabeçado pelo primeiro-ministro (Presidente del consiglio dei ministri). O presidente da república (Presidente della Repubblica, atualmente Giorgio Napolitano) tem direito a um mandato de sete anos e é ele quem escolhe o primeiro-ministro, e este propõe os outros ministros, que são aprovados pelo presidente. O Conselho de Ministros precisa ter apoio (fiducia - confiança) de ambas as casas do parlamento. Os deputados que são eleitos para o parlamento são eleitos diretamente pela população. De acordo com a legislação italiana de 1993, a Itália tem membros únicos de cada distrito do país, para 75% dos postos no parlamento. Os outros 25% dos postos parlamentares são distribuídos regularmente. A Câmara dos Deputados possui oficialmente 630 membros (mas de fato, são apenas 619 depois das eleições italianas de 2001). O Senado é composto por 315 senadores, eleitos pelo voto popular, bem como ex-presidentes e outras pessoas (não mais que cinco), indicadas pelo presidente da república, de acordo com provisões constitucionais especiais. Ambos, a Câmara de Deputados e o Senado, são eleitos para um mandato de no máximo cinco anos de duração, mas eles podem ser dissolvidos antes do término do mandato. Leis podem ser criadas na Câmara de deputados ou no Senado, e para serem aprovadas, precisam da maioria em ambas as Câmaras. Serão apresentadas aos eleitores listas de coalizão e partidos para ambas as casas. Os partidos e as coalizões precisarão de um mínimo de votos para alocar cadeiras. As cadeiras serão alocadas de acordo com a posição de um candidato na respectiva lista do partido. Aqueles, nos primeiros lugares, têm uma chance melhor de conquistar uma cadeira do que os que estiverem mais abaixo. O governo de Berlusconi (atual primeiro-ministro) aprovou grandes mudanças no sistema eleitoral em dezembro de 2005, restaurando na Itália um sistema de representação proporcional plena e revertendo reformas que vigoravam há mais de dez anos. Críticos dizem que a iniciativa de Berlusconi foi deliberada para melhorar a posição da coalizão de governo na eleição de abril, e prejudicar as chances da oposição de obter uma maioria significativa. Mas o governo alegou que o novo sistema garante maior estabilidade, porque garante que a coalizão que obtiver a maioria dos votos pelo menos 340 dos 630 assentos da Câmara dos Deputados, dando-lhe automaticamente uma maioria. 12

13 O sistema judiciário italiano é baseado nas leis romanas, modificadas pelo Código Napoleônico e outros estatutos adicionados posteriormente. Há também uma corte constitucional (Corte Costituzionale), uma inovação pós-segunda guerra mundial. Organização administrativa As vinte regiões da Itália integram a primeira subdivisão do país, tendo sido instituídas com a Constituição de 1948 com o objetivo de reconhecer, proteger e promover a autonomia local. Cinco regiões possuem um estatuto especial (Friuli-Venezia Giulia, Sardenha, Sicília, Trentino-Alto Ádige, e Vale de Aosta), o que lhes garante maior autonomia para legislar sobre diversas matérias independentes do governo central. Estas cinco regiões são autônomas por fatores culturais, lingüísticos e geográficos. Cada região tem um conselho (consiglio regionale, na Sicília assemblea regionale) eleito e uma junta (giunta regionale) encabeçada por um presidente. As quinze regiões de estatuto ordinário foram estabelecidas nos anos 70 e elas serviam prioritariamente para descentralizar a máquina de governo do estado. Depois de uma reforma da constituição em 2001, as competências legislativas das regiões de estatuto ordinário foram ampliadas e os controlos estatais foram significativamente reduzidos senão completamente apagados, como o comissário do governo central. Mas a autonomia financeira é ainda muito limitada. Além da capital, Roma, três outras cidades têm mais de um milhão de habitantes: Milão, a mais rica do país, Nápoles e Turim. Outras cidades importantes são Gênova, Veneza, Florença e Bolonha. 13 Fonte: The Europa World Yearbook

14 Organizações e acordos internacionais A Itália é membro, entre outras, das seguintes organizações internacionais: Banco Asiático de Desenvolvimento (BAsD) Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento (BERD) Banco Inter-Americano de Desenvolvimento (BID) Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) Organização das Nações Unidas (ONU) e dos seus organismos especializados, dos quais se destacam: AID (Associação Internacional de desenvolvimento) BIRD (Banco Interamericano para a Reconstrução e Desenvolvimento) FAO (Organização para a Agricultura e Alimentação) FMI (Fundo Monetário Internacional) OIT (Organização Mundial do Trabalho) OMC (Organização Mundial de Saúde) UIT (União Internacional das Telecomunicações) UNESCO (Organização para a Educação, Ciência e cultura) UNIDO (Organização para o Desenvolvimento Industrial) WIPO (Organização Internacional da Propriedade Intelectual) A nível regional, a Itália integra o Conselho da Europa, a União da Europa Ocidental (UEO) e a União Européia (EU). A União Européia, de que a Itália é membro fundador, é uma organização regional de integração, constituída originariamente em 1957 (então sob a designação de Comunidade Econômica Européia). A união Européia é, atualmente, composta por 25 membros. 14

15 Economia, Moeda e Finanças Conjuntura econômica Segundo o PIB, a Itália foi a sétima maior economia do mundo em 2006 e a quarto maior da Europa. Segundo a OCDE, em 2004, a Itália foi a sexta maior exportadora de produtos manufaturados do mundo. Essa economia permanece dividida em um norte industrialmente desenvolvido, dominado por empresas privadas, e um menos desenvolvido e agrícola sul. No Índice de Liberdade Econômica de 2008 o país foi classificado em 64 de 162 países, ou 29 de 41 países europeus, a mais baixa qualificação do UE-15 e atrás de muitos países europeus ex-socialistas. De acordo com esses dados do Banco Mundial, a Itália tem elevados níveis de liberdade de investir, fazer negócios, e comércio. Por outro lado, a Itália tem uma burocracia ineficiente, direitos de propriedade relativamente baixos e altos níveis de corrupção (comparado com outros países europeus), altos impostos, e grande consumo público de cerca de metade do PIB. A Itália tem sido muitas vezes chamada de o homem doente da Europa, com governos tendo dificuldades em prosseguir com essas reformas importantes. A Itália tem estado em declínio econômico, se comparado com a maioria dos outros países do UE-15. A maioria das matérias-primas necessárias às indústrias italianas, e mais de 75% das necessidades energéticas, são importadas. Ao longo da última década, a Itália tem prosseguido uma política fiscal apertada, a fim de satisfazer as exigências da União Econômica e Monetária e tem sido beneficiada com baixas de taxas de juro e inflação. A Itália aderiu ao euro a partir da sua introdução no bloco em O desempenho econômico da Itália foi, em algumas vezes, mais atrasado do que o dos seus parceiros da UE, e o atual governo tem adotado numerosas reformas de curto prazo destinadas a melhorar a competitividade e o crescimento a longo prazo. Apesar disso, ela tem andado devagar na execução de certas reformas estruturais aconselhada por economistas, tais como a diminuição da carga fiscal, a flexibilização das leis trabalhistas e a revisão do caro sistema de pensão, devido ao abrandamento econômico e da oposição de sindicatos trabalhistas. A Itália tem um número menor de corporações multinacionais do que outras economias de mesma dimensão. Em vez disso, a principal força econômica do país tem sido a sua grande base de pequenas e médias empresas. Algumas destas empresas fabricam produtos que são tecnologicamente avançados e, por isso, fazem frente a crescente concorrência da China e outras economias emergentes da Ásia, que são capazes de oferecer um produto mais barato devido aos baixos custos trabalhistas. Estas empresas italianas reagem à concorrência asiática concentrando-se em produtos mais avançados tecnologicamente, enquanto deslocam manufaturas de menor nível tecnológico para fábricas instaladas em países onde a mão-deobra é mais barata. As empresas italianas são, em média, de pequeno porte, permanece como um fator limitante à economia, e o governo vem trabalhando para incentivar 15

16 integrações e fusões e para reformar as rígidas regulamentações que tradicionalmente têm sido um obstáculo ao desenvolvimento de grandes corporações no país. As principais exportações da Itália são automóveis (Grupo Fiat, Aprilia, Ducati, Piaggio), produtos químicos, petroquímicos (Eni), eletricidade (Enel, Edison), eletrodomésticos (Merloni, Candy), tecnologia aeroespacial e de defesa (Alenia, Agusta, Finmeccanica), armas de fogo (Beretta); mas os produtos exportados mais famosos do país estão nos campos da moda (Armani, Valentino, Versace, Dolce & Gabbana, Roberto Cavalli, Benetton, Prada, Luxottica), alimentos (Ferrero, Barilla, Martini & Rossi, Campari, Parmalat), veículos de luxo (Ferrari, Maserati, Lamborghini, Pagani) e iates (Ferretti, Azimut). O Turismo também é muito importante para a economia italiana: com mais de 37 milhões de turistas por ano, a Itália é classificada como o quinto principal destino turístico do mundo Dados sobre o PIB Italiano Anos USD/Bilhões Crescimetno PIB - % 1,8 0,4 0,4 Fonte: Banco Central da Itália Inflação Taxa de inflação (p) % 2,8 2,5 2,7 1,9 Fonte: Banco Central da Itália - (p) Previsão Desemprego Anos (p) Taxa de desemprego % 9,5 9,0 8,9 9,0 Fonte: Banco Central da Itália - (p) Previsão 2004 Dados gerais Produto interno bruto nominal: 1,836 trilhão de dólares Produto interno bruto PPP: 1,694 trilhão de dólares Produto nacional bruto: 1,724 bilhão de dólares Renda per capita nominal: dólares Renda per capita PPP: dólares Moeda: Euro Inflação: ~2.6% Crescimento econômico anual: ~1,9% Desemprego: 8,5% Déficit da administração pública: 1,25% Dívida nacional: ~62% do PIB nominal Balança comercial: déficit de 1,3 bilhões de dólares 16

17 Setor primário A Itália, nos anos que antecederam a Segunda Guerra Mundial - mais exatamente, os anos do fascismo italiano - era um país agrário. A agricultura empregava mais de 50% da força de trabalho do país até a ascensão do fascismo - que promoveu a industrialização da Itália. Em 1953, 8 anos após o fim da guerra, apenas 30% da força de trabalho trabalhava na agricultura. Atualmente, esta taxa é de apenas 9,5%. Aproximadamente um milhão de pessoas trabalha em fazendas. Uma geografia acidentada, com relativamente pouco terreno propício à prática da agricultura ou da pecuária (relativo à população do país) fazem com que a Itália seja uma importadora de alimentos. Cerca de 40% da Itália é cultivável. A maior parte das fazendas do país é pequena - a área média de uma fazenda é de sete hectares, com mais de 75% das fazendas italianas tendo menos de cinco hectares de tamanho. A maior parte das fazendas do país são os donos da fazenda na qual eles trabalham. Os agricultores do norte do país conseguem se sustentar muito bem, conseguindo obter dinheiro para melhorias, modernização e mecanização de 17

18 suas fazendas, e, assim, compensar pela falta de mão-de-obra na região. Já os agricultores do sul do país são pobres, em sua maioria. A maioria das grandes fazendas e latifúndios da Itália localizam-se no sul do país. Estas fazendas utilizam-se primariamente de mão-de-obra humana. O norte da Itália produz primariamente grãos, arroz, soja e carne, enquanto o sul do país produz primariamente frutas, vegetais, óleo de oliva, vinho e trigo. O país possui quantidades expressivas de bovinos, ovinos, suínos e aviários, mas a quantidade de carne produzida pela pecuária italiana é insuficiente para atender à demanda da população do país. A maioria da carne do país é importada de outros países - especialmente a Argentina. A pesca e a indústria madeireira empregam aproximadamente 150 mil pessoas. No total, o setor primário da Itália emprega aproximadamente 1,18 milhões de pessoas, e é responsável por 3% do PIB nacional. Setor secundário O setor secundário da Itália é responsável por 25% do PIB italiano, empregando aproximadamente 5 milhões de pessoas. A Itália é um país altamente industrializado. Porém, esta industrialização não é uniforme no país. A maior parte - mais de 82% - dos produtos industrializados na Itália são fabricados no noroeste do país, em um triângulo formado pelas cidades de Milão, Gênova e Turim. O governo italiano tem tentado, desde o final da década de 1950, estimular a industrialização da região sul do país, tendo obtido, porém, pouco sucesso. Muito dos produtos industrializados na Itália são exportados para outros países. A principal indústria de manufaturação do país é a indústria têxtil: a Itália é uma das maiores fabricantes de roupas e tecidos em geral do mundo. Outras importantes indústrias de manufaturação na Itália são, em ordem decrescente de importância, produtos alimentícios, derivados de petróleo e gás natural, maquinário industrial, equipamentos de transporte, e produtos químicos. As maiores empresas do país são a ENI, uma empresa petrolífera; a Fiat, empresa automobilística; e a Parmalat, que lida com produtos alimentícios. A indústria de manufatura responde por 23,25% do PIB italiano, empregando 4,75 milhões de pessoas. A mineração de recursos naturais na Itália é limitada, devido à ausência de grandes quantidades de reservas naturais no país. A Itália depende de importações procedentes de outros países para a fabricação de seus produtos industrializados. Algumas reservas minerais expressivas - ferro, alumínio, carvão, granito e fosfato - estão localizadas ao sul do país. O recurso natural mais importante da Itália é o gás natural. O país possui quantidades razoáveis deste recurso no Vale do Rio Pó, que é transportado em gasodutos para o norte do país. Reservas de petróleo são muito limitadas - o país possui pequenas reservas de petróleo na Sicília - e é obrigada a importar este recurso natural para a geração de eletricidade, A maior parte do petróleo italiano vêm da Líbia e do Irã. A mineração emprega 50 mil trabalhadores, e responde por 0,25% do PIB italiano. 18

19 A maior parte da eletricidade no país é gerada em usinas termoelétricas, que utiizam-se da queima de carvão para a geração de energia elétrica. Cerca de 25% da eletricidade italiana é gerada em hidrelétricas, e aproximadamente um quinto da eletricidade consumida no país é importada da Alemanha ou da França. A geração de eletricidade responde por 1% do PIB italiano e emprega aproximadamente 200 mil pessoas. A indústria de construção corresponde por 5% do PIB do país, e emprega aproximadamente 1,5 milhões de pessoas. Setor terciário O setor terciário da Itália é responsável por cerca de 68% do PIB da Itália. A maior fonte de renda terciária do país é o turismo - a Itália é um pólo turístico conhecido internacionalmente, e suas várias atrações e pontos de interesse atraem milhões de turistas das mais variadas parte do mundo anualmente. A Itália é o terceiro país mais visitado por turistas estrangeiros, somente atrás da Espanha e da França. O turismo é a principal fonte de renda de várias cidades italianas como Roma, Nápoles e Veneza. Se contarmos todos os restaurantes, hotéis e lojas e redes comerciais - todas dependentes do turismo, em diferentes degraus de importância - o comércio corresponde por 17% do PIB italiano, e empregando mais de quatro milhões de pessoas. Serviços públicos e governamentais, tais como atividades militares e administração pública, respondem por 19% do PIB da Itália, e emprega mais de 4,6 milhões de pessoas. Já os serviços pessoais, comunitários e sociais correspondem por 10% do PIB do país, empregando aproximadamente um milhão de pessoas. Esta última categoria inclui estabelecimentos como pequenas empresas instituições de educação tais como escolas e universidades, firmas de advocacia e centros hospitalares. Moeda Euro (EUR ou ) é a moeda comum para as nações que pertencem à União Européia e que aderiram à zona Euro. As moedas de euro têm dois lados diferentes; um lado comum, europeu, mostrando o valor da moeda e um lado nacional, mostrando um desenho escolhido pelo país membro da UE onde a moeda foi cunhada. Cada país membro tem um ou vários desenhos únicos a esse país. As moedas de euro italianas possuem cada uma um desenho único, mas referentes a um tema comum que visa honrar as obras de arte italianas mais conhecidas. Cada moeda foi desenhada por um designer diferente, nomeadamente, da moeda de 1 cêntimo à de 2 euros: Eugenio Driutti, Luciana De Simoni, Ettore Lorenzo Frapiccini, Claudia Momoni, Maria Angela Cassol, Roberto Mauri, Laura Cretara e Maria Carmela Colaneri. Todos os desenhos têm em comum as 12 estrelas do União do fundo de quintal, o ano de distribuição e as letras sobrepostas "RI", de Repubblica Italiana (República Italiana). 19

20 Não há moedas italianas com data anterior a 2002, porque apesar de a sua cunhagem ter começado antes, só foram distribuídas ao público em

21 Comércio Exterior Relações comerciais com outros países O maior parceiro da Itália é a União Européia - com quem a Itália faz cerca de 59% de suas trocas comerciais - seguida pelos Estados Unidos da América. Os quatro maiores parceiros comerciais da Itália são a Alemanha, a França, os Estados Unidos e os Países Baixos. A percentagem de cada uma nas relações e trocas comerciais são de 19%, 13%, 9% e 6%, respectivamente. Outros parceiros comerciais importantes são a Argentina, o Brasil, a Líbia e o Irã. A Itália é membro-fundadora da União Européia e do G8. À parte da União Européia, os Estados Unidos são o maior parceiro comercial da Itália. Em 2000, a balança comercial entre os Estados Unidos e a Itália foi de 39,9 bilhões de dólares. O valor das exportações de produtos italianos aos Estados Unidos foi de 24,5 bilhões de dólares, enquanto que o valor das importações de produtos americanos à Itália foi de 12,4 bilhões de dólares, gerando um ávit comercial de 12,1 bilhões de dólares à Itália, nas relações comerciais Estados Unidos - Itália. Em 1999, os Estados Unidos investiram cerca de 14,1 bilhões de dólares na Itália. Balança comercial Desde a década de 1980, a balança comercial (exportações - importações) da Itália tem sido negativa, ou seja, o custo das importações tem sido maior que o dinheiro ganho nas exportações. O maior responsável por este desbalanceamento é o petróleo - a Itália, que se utiliza de grandes quantidades de petróleo para a geração de eletricidade, uso como combustível e fabricação de plástico, produz apenas 6% do petróleo que consome. O déficit da Itália na sua balança comercial é de 1,3 bilhões de dólares. O turismo e o dinheiro gasto pelos turistas (na ordem dos bilhões de dólares) no país equilibram positivamente esta balança comercial. Contando-se o turismo e somente o dinheiro gasto pelos turistas (aproximadamente 50 bilhões de dólares, ou 2,7% do PIB italiano), o ávit da balança comercial da Itália é de mais de 48 bilhões de dólares. 21

22 A Itália por dentro História A história da Itália influenciou fortemente a cultura e o desenvolvimento social, tanto na Europa como no resto do mundo. A população da Itália remonta aos tempos préhistóricos, época da qual foram encontrados importantes vestígios arqueológicos. Entre os diversos povos da Antigüidade são dignos de menção, em particular, os Lígures, os Vênetos e os Celtas no norte, os latinos e os etruscos Samnitas no centro, enquanto no sul prosperaram colônias Gregas (Magna Grécia), e na Sardenha desde o segundo milênio a.c. floresceu a antiga civilização dos Sardenhos. Uma das mais importantes culturas antigas desenvolvidas em solo italiano foi a Etrusca (a partir do século VIII a.c.), que influenciou profundamente Roma e sua civilização, na qual muitas tradições importantes de origem Mediterrânea e Eurasiática encontraram a mais original e duradoura síntese política, econômica e cultural. Nascida na Península Itálica, desde sempre terra de origem e de encontro entre diversos povos e culturas, a civilização romana foi capaz de explorar as contribuições provenientes dos etruscos e de outros povos itálicos, da Grécia e de outras regiões do Mediterrâneo Oriental (Palestina - o berço do Cristianismo - Síria, Fenícia e Egito). Graças ao seu império, Roma difundiu a cultura Heleno-romana pela Europa e pelo Norte de África que foram os limites de sua civilização. Após a queda do Império Romano do Ocidente, o território da península se dividiu em vários estados, alguns independentes, alguns parte de estados maiores (inclusive fora da península Itálica). O mais duradouro entre eles foram os Estados Pontifícios, que resistiram até a tomada italiana de Roma em 1870 e que foi mais tarde reconstituído como o Vaticano, no coração da capital italiana. Depois da queda do último imperador romano do Ocidente, seguiu-se a o domínio dos Hérulos e, em seguida, dos Ostrogodos. A reanexação da Itália ao Império Romano do Oriente realizado por Justiniano, em virtude das Guerras Góticas, na metade do século VI d.c., foi curta, uma vez que, já entre 568 e 570, os lombardos, povos germânicos provenientes da Hungria, ocuparam parte do país, mas representaram uma formidável continuidade política e cultural e a garantia da prosperidade econômica da península e de toda a Europa por muitos anos. Depois a área sob domínio romano-bizantino foi sujeita a fragmentações territoriais, mas conseguiu resistir até o final do século XI, enquanto os lombardos tiveram que se submeter aos Francos comandados por Carlos Magno a partir da segunda metade do século VIII. No ano 800, a Itália central tornou-se parte do Sacro Império Romano- Germânico, embora pouco depois a Sicília tenha passado ao domínio árabe. O desenvolvimento de cidades-estado (a partir do século XI) deu novo impulso à vida econômica e cultural do norte e centro da Itália, enquanto no Sul, com a invasão normanda, formou o Reino da Sicília um dos mais modernos, tolerantes e mais bem administrados da 22

23 Europa naquela época. Dos municípios formaram-se as repúblicas marítimas e mais tarde, as signorias. Durante a época das cidades-estado começou o Humanismo e o Renascimento, caracterizado por um grande renascimento das artes, que teve grande influência no resto da Europa. A ocupação estrangeira e as diversas transformações dos estados que tinham se formado continuaram até a primeira metade do século XIX, quando se desenvolveu, influenciados pela Revolução Francesa e as Guerras Napoleônicas, uma série de movimentos a favor da criação de uma Itália independente e unificada; este período é chamado de Risorgimento. A Itália contemporânea nasceu como um estado unitário, quando em 17 de março de 1861, a maioria dos estados da península e as duas principais ilhas foram unidas sob o comando do Rei da Sardenha Vittorio Emanuele II da casa de Sabóia. O arquiteto da unificação da Itália era o primeiro-ministro da Sardenha, conde Camillo Benso de Cavour, que apoiou (embora não reconhecendo diretamente) Giuseppe Garibaldi, permitindo a anexação do Reino das Duas Sicílias ao Reino da Sardenha- Piemonte. O processo de unificação teve a ajuda da França, que - juntamente com o Reino Unido - tinha um interesse em criar um estado anti-habsburgo comandado por uma dinastia amiga (Sabóia) e capaz de impedir o surgimento de um estado republicano e democrático na Itália (desejada por alguns "patriotas", como Mazzini e como já tinha acontecido em parte, em Roma, Milão, Florença e Veneza durante o movimento revolucionário de 1848). A primeira capital foi Turim, a antiga capital do Reino de Sardenha e ponto de partida do processo de unificação da Itália. Depois da Convenção de setembro (1864), a capital foi transferida para Florença. Em 1866, a Itália adquiriu do Império Austríaco, o Vêneto, após a guerra, na qual a Itália era aliada à Prússia de Bismarck. Na unificação, permaneceram excluídos a Córsega e a região de Nice, cidade natal de Garibaldi, assim como Roma e os territórios vizinhos que estavam sob o controle do Papa e protegido por Napoleão III. Graças à derrota da França pelos Prussianos, após uma rápida ação militar em 20 de setembro de 1870, também fora anexada Roma e proclamada a capital do reino. Mais tarde, com o Tratado de Latrão em 1929, o Papa obteve a soberania da Cidade do Vaticano. Outra entidade autônoma dentro das fronteiras italianas é a República de San Marino. Mas mesmo após a conquista de Roma em 1870, a Unificação da Itália ainda não estava completa, pois faltavam ainda as chamadas "terras irredentas": O Trentino, Trieste, a Ístria e a a Dalmácia que os nacionalistas clamavam como pertencentes à Itália. O Trentino, Trieste, a Ístria e Fiume foram anexados depois dos tratados de paz, após a Primeira Guerra Mundial, impostos pela França, Inglaterra e Estados Unidos aos Impérios Centrais, perdedores da guerra. Após a Primeira Guerra Mundial, instalou-se a ditadura fascista, que envolveu a perda da liberdade política por mais de vinte anos e a desastrosa participação do país na Segunda Guerra Mundial junto com a Alemanha. Após o fim da guerra, em 2 de junho de 1946, um referendo estabeleceu o abandono da monarquia como uma forma de governo e a adoção de uma república parlamentar. No mesmo dia os cidadãos italianos foram 23

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