EDUCAÇÃO AMBIENTAL: premissas e caminhos

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1 UNIVERSIDADE BARRA MANSA - UBM CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU EM LICENCIAMENTO E GESTÃO AMBIENTAL EDUCAÇÃO AMBIENTAL: premissas e caminhos Profª. DSc. Elza Neffa DSc. Thais Gallo Barra Mansa/Rio de Janeiro Abril 2012

2 INTRODUÇÃO Transformações velozes em todos os níveis da vida planetária caracterizam o século XXI como uma época de: compressão do espaço e do tempo; ruptura de padrões e de visões de mundo; constituição de laços frágeis; vivência de incertezas que demanda mudanças nos valores relacionados à racionalidade, à moralidade, à ética e à espiritualidade.

3 Neste século, torna-se evidente que a ênfase no método científico e no pensamento racional, analítico, levou os seres humanos a atitudes profundamente antiecológicas. Como conseqüências dessa maneira de pensar destacam-se: a dominação da natureza; a atomização das pessoas; a degradação moral e material (corrupção); a simplificação dos fenômenos complexos; a separação entre conhecimento científico e saberes tradicionais; a concepção da vida como uma luta competitiva pela existência; a supervalorização do desenvolvimento econômico em detrimento do desenvolvimento humano; a desterritorialização do capital e a criação de centros hegemônicos mais poderosos que os estados nacionais; a fragmentação das ideias e dos saberes.

4 Constitui-se um desafio para a humanidade superar os obstáculos criados pela ação humana em sociedades que vêm incorporando sentimentos de: pessimismo em relação ao futuro; mal-estar diante da pobreza; precaução no uso dos recursos naturais; necessidade de adoção de valores éticos na produção do conhecimento e no desenvolvimento de tecnologias. Cerca de 6,5 milhões de brasileiros vivem em favelas, como a foto em Olinda.

5 Tais desafios têm levado os cientistas a reverem o paradigma clássico (cartesiano-newtoniano) e apontado para a construção de uma ciência com consciência que seja capaz de: perceber o universo como uma rede de relações dinâmicas; conceber a realidade a partir de uma sequência de ordem-desordem-interação-organização-criação; integrar o ser humano à natureza; explicar a contradição, a unidade na diversidade, a interrelação e a interdependência dos fenômenos físicos e antropossociais; adotar a noção de imprevisibilidade; presentificar o não-científico no científico; rejuntar os saberes e os fragmentos em que os homens se desfizeram para revelar uma nova ordem planetária e um sujeito ético-solidário com sensibilidade ecológica e responsabilidade socioambiental.

6 No segundo quartel do século XX, a degradação ambiental e a queda na qualidade de vida mobilizaram a comunidade internacional que destacou o binômio desenvolvimento/meio ambiente no cenário mundial.

7 Importantes eventos realizados a partir da década de 1970 identificaram o Desenvolvimento Sustentável como meta e a Gestão Ambiental e a Educação Ambiental (EA) como instrumentos desse processo de sensibilização (SOUZA e NOVICKI, 2010, pp ).

8 O envolvimento dos sujeitos sociais com a sustentabilidade dos ecossistemas desencadeou processos de recuperação disseminados por meio de políticas públicas de Educação Ambiental, a partir da formulação de ações alternativas às práticas socioambientais excludentes e predatórias.

9 Marcos legais da EA Nessa perspectiva, algumas iniciativas e preocupações relacionadas às questões socioambientais configuraram uma trajetória de proposições, políticas e leis relacionadas à Educação Ambiental, que são destacadas a seguir:

10 Educação Ambiental A expressão Educação Ambiental surgiu em 1965 na Conferência de Educação da Universidade de Keele, na Grã Bretanha.

11 Em 1972, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) enfatizou a educação como elemento primordial ao combate à crise ambiental planetária. ordpress.com/2011/03/0 3/crise-ambiental spot.com/2006/03/semterra.html Htt://treesforever.blogslpot. com/2010/08/vivemos-um-g rave-crise-de-percepcao.html materia/pobreza.html

12 Em 1975, o I Encontro Internacional de Educação Ambiental, realizado em Belgrado/Iugoslávia, lançou o Programa Internacional de Educação Ambiental (PIEA) pela UNESCO/PNUMA e a Carta de Belgrado, cujas recomendações mencionaram uma nova ética global capaz de permitir a erradicação da pobreza, da fome, do analfabetismo, da poluição, da dominação e da exploração humana. /2010/05/reuniao-bimestral-comas-maes-dos_22.html Dentre essas recomendações, encontra-se a orientação para o desenvolvimento da EA contínua, multidisciplinar, integradora às diferenças regionais e voltada para os interesses nacionais.

13 Em 1977, a I Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental, realizada em Tbilisi/Geórgia (Ex-URSS) pela UNESCO/PNUMA, demonstrou que a degradação ambiental encontra-se no paradigma norteador da estratégia desenvolvimentista da sociedade industrial, que estabelece uma visão de mundo unidimensional, utilitarista, economicista, onde o ser humano assume uma relação de exterioridade e de domínio sobre a natureza. Com base nesse pressuposto, foram definidos princípios, objetivos e estratégias para o desenvolvimento da Educação Ambiental no mundo. Ponto culminante da primeira fase do Programa Internacional de EA, iniciado em 1975, essa Conferência foi considerada encontro de referência, recomendando cinco níveis de atuação do educador: o do conhecimento (compreensão de problemas e apresentação de propostas de experiências práticas); o da consciência (sensibilização); o do comportamento (atitude e motivação para ação); o das aptidões (desenvolvimento de habilidades); e o da participação (incentivo).

14 Os princípios da Conferência de Tbilisi (1977), alicerçados em uma abordagem interdisciplinar, crítica e transformadora, que considera a complexidade dos problemas ambientais e a multiplicidade dos fatores na resolução dos problemas práticos, são os alicerces para a EA como um processo permanente no qual os indivíduos e a comunidade tomam consciência do seu meio ambiente e adquirem conhecimento, valores e habilidades que os tornam capazes de agir, individual e coletivamente, sobre a problemática socioambiental. /03/educacao-ambiental.html

15 10) a EA deve estimular e potencializar o poder das diversas populações, promovendo oportunidades para as mudanças democráticas de base que estimulem os setores populares da sociedade; 11) a EA deve valorizar as diferentes formas de conhecimento, que é diversificado, acumulado e produzido socialmente; 12) a EA deve ser planejada para capacitar as pessoas a trabalharem conflitos de maneira justa e humana; 13) a EA deve promover a cooperação e o diálogo entre os indivíduos e instituições com a finalidade de criar novos modos de vida, baseados em atender às necessidades básicas de todos os indivíduos; 14) a EA deve integrar conhecimentos, aptidões, valores, atitudes e ações; 15) a EA deve ajudar a desenvolver uma consciência ética sobre todas as formas de vida com as quais compartilhamos este planeta, respeitar seus ciclos vitais e impor limites à exploração dessas formas de vida pelos seres humanos.

16 Nos últimos 40 anos, aproximadamente, o Brasil tem se destacado no processo de consolidação da Educação Ambiental em diferentes espaços pedagógicos: escolas; unidades de conservação; movimentos sociais; comunidades vulneráveis a empreendimentos licenciados; instituições públicas e privadas.

17 Educação Ambiental Definida como uma práxis sociopolítica transformadora das relações sociais, ou seja, como um espaço de diálogo, de interação, de participação e de envolvimento dos sujeitos em processos geradores de trabalho e renda, a educação ambiental é entendida como um processo permanente de aprendizagem capaz de contribuir: para o desenvolvimento da aptidão crítico-reflexiva dos sujeitos sobre os sistemas socioambientais complexos; para a criação de estratégias alternativas que fomentem: a produção de múltiplos saberes a partir do diálogo entre conhecimentos científicos e saberes articulados ao senso comum; a hibridação de práticas tradicionais e tecnologias modernas; a participação social e o exercício da cidadania; a refuncionalização dos processos econômicos e tecnológicos voltados à implementação de práticas produtivas que resultem na emancipação humana.

18 Atributo Ambiental na Educação Segundo a Proposta de Diretrizes Curriculares para a Educação Ambiental, o atributo ambiental, na tradição brasileira e latino-americana, não é visto como mera função adjetivante para especificar um tipo particular de educação, mas se constitui em elemento identitário que demanda um campo de valores e práticas, mobilizando atores sociais comprometidos com uma prática político-pedagógica transformadora e emancipatória, capaz de promover outra ética e uma nova cidadania: a ética e a cidadania ambiental (MEC/SECAD, 2011, p. 1).

19 Em 1981, a Política Nacional de Meio Ambiente (PNMA-BRASIL), implementada por meio da Lei 6.938/81 na gestão do Presidente da República João Batista de Figueiredo, inovou em relação à responsabilidade do poluidor independente da existência de culpa e ao novo papel do Ministério Público como legitimador das ações de responsabilidade por danos causados ao meio ambiente.

20 Dentre seus princípios, a lei aponta: um meio ambiente ecologicamente equilibrado, o conceito de ambiente natural como patrimônio público a ser necessariamente garantido e protegido, o uso racional do solo, da água e do ar, a proteção dos ecossistemas, o uso planejado dos recursos naturais, o zoneamento de atividades poluentes, a proteção e a recuperação de áreas degradadas, a educação ambiental a ser promovida em todos os níveis de ensino, dando uma feição democrática às instituições federais e estaduais ligadas ao meio ambiente.

21 Esta lei criou o Sistema Nacional de Meio Ambiente SISNAMA que, estruturado como uma rede de organizações, apresenta como funções: a formulação de políticas públicas de meio ambiente, a articulação entre as instituições componentes de sistemas em âmbito federal, estadual e municipal e a execução dessas políticas por meio dos órgãos competentes. cao-ambiental-perpassa-aspectosecologicos-economicos-e-ambintais

22 2011/02/nov-regimento-do-conama -em-debate.html O CONAMA possui 103 conselheiros com direito a voto e uma estrutura administrativa constituída por: Plenário, Comitê de Políticas Ambientais, Câmaras Técnicas, Grupos de Trabalho, Grupos Assessores.

23 Essa estrutura tem como responsabilidade e competência: o estabelecimento de normas e de critérios para o licenciamento de atividades efetiva ou potencialmente poluidoras, a ser concedido pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal e Municípios; realização de Estudos de Impacto Ambiental e Relatórios de Impacto Ambiental - EIA/RIMA; A decisão sobre multas e outras penalidades; o estabelecimento de normas, critérios e padrões relativos ao controle e à manutenção da qualidade do meio ambiente, com vistas ao uso racional dos recursos ambientais; o estabelecimento sistemático de monitoramento, avaliação e cumprimento das normas ambientais; o incentivo à criação, à estruturação e ao fortalecimento institucional dos Conselhos Estaduais e Municipais de Meio Ambiente; a avaliação sistemática da implementação e da execução da política e das normas ambientais do país, estabelecendo sistemas de indicadores e, por fim, a deliberação, sob a forma de resoluções, proposições, recomendações e moções, para o cumprimento da PNMA (BRASIL. MMA. CONAMA. 2006, p.11).

24 A partir dessa diretriz, os órgãos ambientais das três esferas federadas passam a ter a responsabilidade de: promover a troca de informações, a formação da consciência ambiental, a fiscalização e o licenciamento ambiental, criar Comissões Tripartites, conselhos, órgãos e fundos de meio ambiente, na perspectiva de estabelecer uma política ambiental integrada às demais políticas de governo (BRASIL. MMA. IBAMA, 2006a). A criação do SISNAMA implicou a constituição do Conselho Nacional de Meio Ambiente CONAN, órgão colegiado de caráter deliberativo e consultivo do Ministério de Meio Ambiente, instituído com a finalidade de assessorar e propor diretrizes e políticas ambientais e de deliberar sobre normas e padrões para um ambiente ecologicamente equilibrado e essencial à sadia qualidade de vida.

25 Em 1986, foi aprovada a resolução CONAMA n o. 001, que estabelece as responsabilidades, os critérios básicos e as diretrizes gerais para o uso e a implementação da Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) como um dos instrumentos da Política Nacional de Meio Ambiente.

26 Em 1987, no Plenário do Conselho Federal de Educação/MEC foi aprovado o Parecer 226, formulado pelo conselheiro Arnaldo Niskier, que relatava a necessidade de inclusão da Educação Ambiental nos currículos escolares de 1º e 2º Graus e sugeria a criação de Centros de Educação Ambiental. pa-do-brasil-para-colorir-atividades.html

27 /2008/10/constituio-brasileira-de html titui%c3%a7%c3%a3o_rederal Em 1988, a Constituição da República Federativa do Brasil reconheceu o direito constitucional de todos os cidadãos brasileiros à Educação Ambiental e atribuiu ao Estado o dever de promover a Educação Ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente (art. 225, 1º, inciso VI). Segundo Souza&Novicki (2010, p.105), embora a EA seja concebida como um dos instrumentos capaz de assegurar o direito de acesso a esse bem, no parágrafo 1 o (inciso VI) é apresentada como incumbência tipicamente atinente ao poder público, sem menção à coletividade. Esse poder visaria à promoção da EA em todos os níveis de ensino e, ainda, em termos da conscientização pública para a preservação do meio ambiente, ou seja, sob perspectiva formal e não-formal de EA.

28 Em 1991, a Portaria 678/MEC instituiu a obrigatoriedade da inclusão de temas/conteúdos referentes à Educação Ambiental nos currículos dos diversos níveis e modalidades de ensino do Brasil. Nesse mesmo ano, a Portaria 2.421/MEC, criou o Grupo de Trabalho para Educação Ambiental, com o objetivo de definir com as Secretarias Estaduais de Educação, as metas e as estratégias para a implantação da EA no país e elaborar proposta de atuação do MEC na área da educação formal e não-formal, preparatório para a Conferência da ONU sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento Rio 92.

29 cnumad-levi-freire-jr.html Em 1992, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento - Rio/92 (CNUMAD, 1992), com a participação de 173 chefes de estado e de governo, aprovou o documento intitulado Agenda 21, dentre outros acordos internacionais.

30 Agenda 21 enda21_00.shtml

31 Agenda 21 Programa de ação para todo o planeta, constituído na Rio - 92, que apresenta compromissos da humanidade com o século XXI, a partir da elaboração de diretrizes para o desenvolvimento sustentável, incluindo construção de Agendas 21 nacionais, regionais e locais. Instrumento de planejamento participativo, é considerado um importante meio de se conduzir processos de mobilização, de troca de informações e de geração de consensos em torno de problemas e soluções locais, assim como, uma forma de se estabelecer prioridades voltadas à gestão de estados, municípios, bacias hidrográficas, unidades de conservação, bairros, escolas (SOUZA e NOVICKI, 2010, p. 37).

32 Ações prioritárias da Agenda 21 brasileira a economia da poupança na sociedade do conhecimento; a inclusão social para uma sociedade solidária; a estratégia para sustentabilidade urbana e rural; os recursos naturais estratégicos: água, biodiversidade e floresta; a governança e a ética para promoção da sustentabilidade.

33 Passos da Agenda 21 local 1. mobilizar para sensibilizar governo e sociedade; 2. criar o Fórum da Agenda 21 local; 3. elaborar o diagnóstico participativo; 4. elaborar o plano local de desenvolvimento sustentável; 5. implementar o plano local de desenvolvimento sustentável.

34 Paralelo a essa Conferência, foi realizado o Fórum das Organizações Não- Governamentais e Movimentos Sociais da Rio-92, organizado por entidades da sociedade civil, que contou com a presença de mais de dez mil representantes do mundo no debate que aprovou 34 tratados, dentre eles, dois importantes e complementares documentos para uma sociedade sustentável : a Carta da Terra, que propõe uma série de princípios para a sustentabilidade da vida no planeta, e o Tratado da Educação Ambiental para as Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global, compromisso da sociedade civil com a Educação Ambiental e o Meio Ambiente, destacando-se o papel da Educação Ambiental na construção da Cidadania Ambiental. Além desses, foram elaborados a Carta do Rio Sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente, a Convenção das Mudanças Climáticas e a Convenção da Biodiversidade e a Declaração das Florestas.

35 Htto://www.pescaki.com/index.php?/topic/543 0-rio-pombamais-uma-ameaca/ 6/barragem-de-oiticica-gera-disputaentre.html s.com.br/conscientizacao/susten tabilidade-na-escola-o-dever-decada-um/ No âmbito da Rio 92 também foi promovido pelo MEC, o Workshop sobre Educação Ambiental no CIAC de Rio das Pedras, em Jacarepaguá/Rio de Janeiro, daí resultando a Carta Brasileira de Educação Ambiental que destaca a necessidade de se capacitar recursos humanos para a EA. Segundo Souza e Novicki (2010, p ), embora a CNUMAD (2001) tenha destacado a importância da educação e da mobilização de indivíduos e organizações para a avaliação dos impactos ambientais e para o incremento dos processos decisórios em relação aos aspectos que afetam as comunidades, nenhuma referência foi feita à expressão Educação Ambiental, mas somente à educação sobre o meio ambiente e o desenvolvimento, com ênfase nas soluções técnicas marcadas pelo lógica do mercado e nas políticas públicas ambientais prédecididas pelo poder público, sem que houvesse espaço para uma participação social crítica.

36 Nesse mesmo ano de 1992, foram criados os Núcleos Estaduais de Educação Ambiental do IBAMA NEA s e da Rede Brasileira de Educação Ambiental (REBEA). a-mxico-julho-1991/?lang=pt-pt ursos/concursos- Previstos/concurso-previsto-mma

37 Em 1994, a partir da determinação do ministro do Meio Ambiente e da Amazônia Legal, Henrique Brandão Cavalcanti, e da participação do MMA/IBAMA/MEC/MCT/MINC, na Presidência da República de Fernando Henrique Cardoso, foi instituído o Programa Nacional de Educação Ambiental ProNEA que definiu sete linhas de ação: superior.html?uid=33ad5c34a19d477f8d6b5e acf9 /O..EMI O+ESTILO+DO+LULA+E+ENGANAR.html

38 1) EA no ensino formal; 2) Educação no processo de gestão ambiental; 3) Realização de campanhas específicas de EA para usuários de recursos naturais; 4) Cooperação com os que atuam nos meios de comunicação e com os comunicadores sociais; 5) Articulação e integração das comunidades em favor da AE; 6) Articulação intra e interinstitucional; 7) Criação de uma rede de centros especializados em EA, integrando universidades, escolas profissionais e centros de documentação, em todos os estados da Federação. Este programa foi elaborado pelo IBAMA com o objetivo de instrumentalizar o sistema de educação formal, não formal, supletivo e profissionalizante, com vistas a ampliar a sensibilização e a difusão de conhecimentos teórico-práticos voltados para a preservação do meio ambiente e para a conservação dos recursos naturais.

39 Nesse ano de 1994 foi publicada pela UNICEF a Agenda 21 elaborada em português por crianças e jovens. e/index.php/archives/ blog/saudades-deminha-infancia/ 21/docs/livro

40 1995 Realização da Conferência Nacional de Educação Ambiental em Brasília e Declaração de Brasília para Educação Ambiental promovida pelo MMA; Obrigatoriedade de que todos os Projetos Ambientais de desenvolvimento sustentável incluam o componente de Educação Ambiental;

41 1996 Criação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n. 9394/96) que preconiza no artigo 36, 1º que os currículos de Educação Básica, de Ensino Fundamental e Médio devem abranger, obrigatoriamente, (...) o conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política, especialmente do Brasil ; Criação da Lei n. 9276/96 que estabelece o Plano Plurianual do Governo 1996/1999 e define como principais objetivos da área de meio ambiente a promoção da EA através da divulgação e uso de conhecimentos sobre tecnologias de gestão sustentável dos recursos naturais, procurando garantir a implementação do PRONEA. db htmll

42 1997 Realização da Conferência Internacional sobre Meio Ambiente e Sociedade: Educação e Consciência Pública para a Sustentabilidade, em Thessaloniki/Grécia, que reconheceu o processo insuficiente do desenvolvimento, após passados cinco anos da Rio 92. Nesse encontro, o Brasil apresentou a Declaração de Brasília para EA, consolidado após a CNEA, que reconhece o enriquecimento da visão de EA a partir das Conferências Internacionais. umentos-arqueologicos-nagrecia/

43 Aprovação da Lei 9.795/99 que instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental (Pnea) definindo EA como: processo por meio do qual o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências, voltados para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade (Art. 1 º ) No art. 3 o especificou o direito à EA como parte do processo educativo mais amplo. Nos arts. 4 o e 5 o discriminou os princípios e os objetivos da EA. No art. 10 º salientou que a EA será desenvolvida como uma prática educativa integrada, contínua e permanente em todos os níveis e modalidades do ensino formal, destacando, no 3 o, a incorporação de conteúdos relacionados à ética ambiental nos cursos de formação e especialização técnico-profissional, em todos os níveis.

44 Comentários Segundo Layrargues (2002, p.11), ainda que essa lei tenha aproximado o conceito de meio ambiente a abordagens críticas ao considerar a existência de uma interdependência entre seres humanos e natureza e ao preconizar a defesa da participação social, individual e coletiva na atuação para a resolução de problemáticas ambientais, a PNEA constituiu-se a partir de insuficientes debates políticos e sociais e de um incipiente arcabouço teórico-conceitual que se manifesta na concepção de EA voltada para a conservação do meio ambiente e fundada numa perspectiva naturalista.

45 Em 1999, o Governo Federal institui: a Portaria 1648 do MEC, que cria um Grupo de Trabalho com representantes de todas as Secretarias do Ministério para discutir a regulamentação da Lei 9.795/99; a Coordenação de Educação Ambiental - COEA na Secretaria de Ensino Fundamental no MEC; o Programa PCNs em Ação atendendo às solicitações dos Estados; e o Departamento de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente para desenvolver ações, a partir das diretrizes definidas pela Lei n o 9795/99.

46 Nesse mesmo ano, foi aprovada a Lei n o /99 que instituiu a Política Estadual de Educação Ambiental do Rio de Janeiro como veículo articulador do Sistema Estadual de Meio Ambiente e do Sistema de Educação, criou o Programa Estadual de Educação Ambiental e complementou a Lei Federal n o 9.795/99. Com a promulgação dessa lei, a Coordenação Estadual de Educação Ambiental CEEA/SEEDUC assumiu a atribuição de propor, analisar e executar a política e o Programa Estadual de Educação Ambiental do estado Rio de Janeiro, no âmbito da rede pública de ensino objetivando ampliar e garantir a participação popular no processo de gestão ambiental pública, de modo a possibilitar a descentralização e o compartilhamento das responsabilidades na comunidade escolar, o que se estabelece por meio do fortalecimento dos espaços públicos de participação e de qualificação de gestores públicos e da sociedade.

47 1999 Criação do Grupo Interdisciplinar de Educação Ambiental GIEA, no âmbito da Lei n o 3.325, para acompanhamento da Política Estadual de EA do Rio de Janeiro. Este grupo é formado por representantes dos órgãos de Meio Ambiente, Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia, Saúde, Trabalho, Universidades, da Assembléia Legislativa e de representantes de organizações não-governamentais.

48 2001 Criação do Sistema Brasileiro de Informação em Educação Ambiental e Práticas Sustentáveis (Sibea), coordenado pelo Ministério de Meio Ambiente em parceria com Instituições de Ensino Superior - IES, ONGS e redes, com o objetivo de articular e integrar ações governamentais e organizar e difundir informações produzidas em atividades de Educação Ambiental; es/sistemas/sibea/index.htm Lançamento pelo MEC do Programa Parâmetros em Ação Meio Ambiente na Escola e no Congresso Brasileiro de Qualidade de Educação; Criação do Núcleo de Referência em Educação Ambiental na Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro NUREDAM/UERJ e realização do I Fórum de Educação Ambiental: Lixo é vida, organizado por alunos do curso de Pedagogia. uerj.br/nuredam_nuredam.htm

49 2001 Criação da Lei nº , de 09/01/01, que aprovou o Plano Nacional de Educação PNE orientando que a Educação Ambiental deve ser implementada na Educação Básica, no Ensino Fundamental e Médio, estabelecendo, dessa forma, que a abordagem da Educação Ambiental aconteça em todos os níveis e modalidades de ensino;

50 2003 Realização da I Conferência Nacional de Meio Ambiente com o tema Vamos Cuidar do Brasil. Este evento buscou ampliar a participação da sociedade na construção de um país sustentável fortalecendo o Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama). Seis temas estratégicos orientaram os debates: Água; Biodiversidade e Espaços Territoriais Protegidos; Agricultura, Pecuária, Pesca e Florestas; Infraestrutura: Transporte e Energia; Meio Ambiente Urbano e Mudanças Climáticas. A Conferência Nacional foi precedida de Pré-Conferências realizadas em todos os estados e no Distrito Federal. m/2010/05/vamos-cuidar-do-brasil-precisa-sede.html eventos-mainmenu-58/92-curso-deeduca-ambiental-formando-juventude-demeio-amiente

51 2004 Reestruturação da Coordenação Geral de EA (CGEA) que é alocada na Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD) no MEC, oportunizando a transversalidade e o enraizamento da EA; passeata-ecologia-dia-da-arvore.html Implantação do Programa Vamos Cuidar do Brasil com as Escolas promovido pela SECAD/MEC. 07_01_archive.html com/2009/05/conferencia-e-umainiciativa-do-orgao.html

52 2007 Apresentação da Proposta de Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do MEC (BRASIL. MEC. SECAD, 2007); Implementação do Programa Agenda 21 na Escola: Formando Elos de Cidadania desenvolvido em parceria entre as Secretarias de Estado do Ambiente, Educação e Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro, com execução na Fase I pela UERJ e o Coletivo Jovem do Rio de Janeiro e, na Fase II, pela UERJ e CEDERJ, com financiamento do Fundo Estadual de Conservação Ambiental - Fecam.

53 2010 Resolução CONAMA n o. 422, de 23 de março de 2010, estabelece diretrizes para as campanhas, ações e projetos de Educação Ambiental, conforme a lei n o.9795 de 27/04/1999 considerando, dentre outras providências, a educomunicação como campo de intervenção social, com vistas a promover o acesso democrático dos cidadãos à produção e à difusão da informação, a partir do envolvimento da ação comunicativa no espaço educativo formal ou não formal para garantir que as políticas de meio ambiente abordem a Educação Ambiental em consonância com a Política Nacional de Educação Ambiental PNEA.

54 Segundo Loureiro (2009), no processo de Gestão Ambiental, a EA tem importância estratégica para a: socialização de informações e de conhecimentos; autonomia dos grupos sociais; participação popular; democratização de informações.

55 O reconhecimento dessa importância ocorreu a partir das atividades realizadas nas unidades protegidas e no licenciamento, com base: na publicação da Lei 9985/ Sistema Nacional de Unidade de Conservação - SNUC e do Decreto 5758/ Programa Estratégico de Áreas protegidas PNAP; nos pressupostos teórico-metodológicos da educação no processo de gestão ambiental promovidas pela Coordenação Geral de Educação Ambiental do IBAMA CGEAM ( ).

56 Concepções de Educação Ambiental A partir das sínteses realizadas por Guimarães (2000), Lima (2002) e Loureiro (2006) podem ser observados dois eixos para o discurso da Educação Ambiental, com diferentes interpretações um conservador e outro emancipatório.

57 Abordagem conservadora A abordagem conservadora ou comportamentalista inicia-se na década de 80, no Brasil, e apóia-se na dimensão individual da educação que, pautada por uma visão naturalista da crise ambiental e estimulada por grupos dominantes comprometidos em manter a ordem social capitalista e os interesses do mercado, não estimula a problematização da sociedade e o entendimento dialético da relação sociedade-natureza. Propõe respostas instrumentais, a partir de ações descontextualizadas e despolitizadas que, desfocadas da discussão crítica sobre o padrão civilizatório atual, responsabiliza um homem genérico, a-histórico, pela degradação socioambiental.

58 Abordagem emancipatória A abordagem emancipatória, comprometida com a realização da autonomia e das liberdades humanas em sociedade, com o gerenciamento de conflitos e a diminuição das vulnerabilidades socioambientais, com o exercício da cidadania e a socialização de conteúdos e de práticas que contribuam para a ampliação da solidariedade, da participação e da justiça social, insere-se nos debates clássicos do campo da educação, em especial, nas formulações da dialética marxista e do pensamento crítico de Paulo Freire e, no campo ambiental, nos diálogos estabelecidos por Edgar Morin (Teoria da Complexidade) e por Enrique Leff (com a reunião da teoria da complexidade, a hermenêutica e a dialética marxista), dentre outros.

59 As propostas político-pedagógicas de Educação Ambiental, fundamentadas em distintas concepções teóricas e matrizes ideológicas, podem ser caracterizadas como: educação comportamental; educação para o desenvolvimento sustentável; alfabetização ecológica; educação ambiental popular; Ecopedagogia ou pedagogia da Terra; educação para a gestão ambiental; educação ambiental crítica, transformadora, emancipatória.

60 Educação Ambiental Comportamental Insere-se em setores governamentais e científicos vinculados ao tecnicismo, à preservação do patrimônio natural, ao ensino da ecologia e à resolução de problemas e de suas causas superficiais (LOUREIRO, 2006a, p. 80). A principal ênfase recai na proteção ao mundo natural onde se estabelece uma relação dicotômica com o ser humano, apresentado como destruidor. Tal concepção integra-se a uma ética conservacionista moderna que emerge de uma racionalidade instrumental, marcada pelo antropocentrismo e pelas ego-ações (BRUGGER, 2004, p. 22).

61 Educação Ambiental Comportamental Enraizada no ambientalismo pragmático e em fundamentos tecnicistas, sugere um discurso da cidadania sem, entretanto, aprofundar as causas estruturais dos conflitos socioambientais. Suas atividades são desenvolvidas de forma mecânica, não estimulando a crítica sobre as complexas relações existentes entre os indivíduos/grupos sociais/instituições favorecendo ao adestramento ambiental, onde não há elaboração de propostas para superação da crise e, sim, adequação dos indivíduos ao sistema social vigente.

62 Educação para o Desenvolvimento Sustentável Nascida no bojo do discurso desenvolvimentista defendido pelo Estado e pelo empresariado, a concepção de desenvolvimento sustentável baseia-se no diagnóstico de problemas ambientais globais denominado Nosso Futuro Comum, apresentado pelo Relatório Brundtland - documento organizado pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU, em O conceito de desenvolvimento sustentável estabelecido nesse Relatório pressupõe o atendimento às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as suas próprias necessidades, garantindo, ao mesmo tempo, o crescimento econômico e a construção de uma sociedade ecologicamente sustentável, promovendo a integração entre desenvolvimento econômico e sustentabilidade socioambiental. Em outras palavras, é aquele que garante, ao mesmo tempo, o crescimento econômico e a construção de uma sociedade ecologicamente sustentável, promovendo a integração do desenvolvimento econômico com a sustentabilidade socioambiental.

63 Educação para o Desenvolvimento Sustentável A tendência denominada educação orientada para a sustentabilidade só surge, mais tarde, na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento - Rio/92 (CNUMAD, 1992) com a elaboração do documento Agenda 21. No Capítulo 36 da Seção IV desta Agenda, sob o título Promovendo a Conscientização Ambiental, a educação assume o papel de promotora do desenvolvimento sustentável ao nortear a universalização da educação básica integrada aos conceitos de meio ambiente e de desenvolvimento.

64 Alfabetização Ecológica Modelo biologicista de Educação Ambiental, a Alfabetização Ecológica é sintetizada por Layrargues como uma modalidade da educação ambiental inspirada na Ecologia Profunda e no eco-anarquismo, que defende o ponto de vista de que a causa da atual crise ambiental está localizada no universo cultural do ser humano moderno, que consolidou uma visão de mundo antropocêntrica, cartesiana e reducionista, incapaz de perceber as complexas relações causais entre a ação antrópica e os impactos ambientais dela decorrentes. Por causa disso, a Alfabetização Ecológica é uma proposta de mudança paradigmática, que é antes de tudo, uma educação para valores, porque visa substituir o sistema de pensamento cartesiano dominante pelo pensamento sistêmico ou ecológico (2003, p. 5).

65 Educação Ambiental Popular Propõe uma ação educacional direcionada para a construção de sociedades sustentáveis, numa perspectiva contra-hegemônica, por meio de práticas pessoais e coletivas cotidianas, que compreende o processo educativo como prática social para formação da cidadania. Na Educação Popular, destacam-se: intencionalidade política e social; articulação entre pesquisa e participação; relação entre teoria e prática; interação dialética entre conhecimento científico e conhecimento tradicional; visão da totalidade concreta; mobilização social e participação popular como meio de instrumentalização e de superação das condições alienantes e empobrecedoras.

66 Ecopedagogia ou Pedagogia da Terra Movimento político e educativo surgido das discussões e dos momentos de elaboração da Carta da Terra, também conhecida como Declaração do Rio de Janeiro, a Pedagogia da Terra, aprovada no Fórum das Organizações Não- Governamentais e Movimentos Sociais da Rio-92, propõe uma série de princípios para a sustentabilidade da vida no planeta na perspectiva de transformar as relações humanas, sociais e ambientais, com base na noção de cidadania planetária. Nessa perspectiva, a natureza é concebida como um todo dinâmico, relacional e auto-organizado em interação com as relações estabelecidas na sociedade.

67 Educação para Gestão Ambiental Formulada no âmbito governamental brasileiro por educadores da Divisão de Educação Ambiental do IBAMA, esta abordagem apresenta uma perspectiva democrática do processo de gestão ambiental que se condiciona à responsabilidade do poder público e da coletividadede defender o meio ambiente, envolvidos em diferentes interesses e em conflitos socioambientais estabelecidos em meio a assimétricas relações de poder político e econômico.

68 Educação para Gestão Ambiental Nesse contexto, a gestão ambiental é entendida como processo de mediação de conflitos de interesses, e a educação, aí inserida, enfrenta o desafio de criar as condições para a participação política dos diferentes segmentos sociais, tanto na formulação de políticas públicas como na sua aplicação (LAYRARGUES, 2000, 139), com vistas a ampliar os espaços públicos que viabilizem a emancipação política da sociedade civil e a possibilitar a efetiva responsabilização para a gestão ambiental.

69 Educação para Gestão Ambiental Dentre os fundamentos conceituais necessários à reflexão da articulação da educação ambiental com a educação para a cidadania, preconizados na perspectiva socioambiental, essa abordagem salienta a economia ecológica, as externalidades, os produtos e os serviços ambientais, os riscos, a justiça ambiental, os conflitos socioambientais, a natureza como patrimônio coletivo e, como principal instrumento pedagógico, a participação democrática no destino da sociedade.

70 Educação Ambiental Emancipatória, Crítica, Transformadora A Educação Ambiental Transformadora origina-se das pedagogias críticas e emancipatórias da educação, nos anos de 1980, com a aproximação de educadores, ambientalistas e militantes de movimentos sociais enfocando a transformação da sociedade. Essa abordagem tem como referenciais, no campo da educação, o pensamento crítico (Paulo Freire, Snyder e Giroux) e, no que se refere ao meio ambiente, autores como Capra, Morin, Leff, e Boff, dentre outros. Propõe uma educação baseada em práticas críticas e em conteúdos que transcendem a preservação ambiental. Postula um trabalho de resistência à reprodução e à dominação ideológicas (Loureiro, 2004, p. 121).

71 Educação Ambiental Crítica Para Carvalho, essa concepção objetiva a construção social de conhecimentos que façam sentido à vida dos sujeitos. Tem como princípio colaborar para uma mudança de valores e atitudes, contribuindo para a formação de um sujeito ecológico capaz de identificar, problematizar e agir em relação às questões socioambientais, tendo como horizonte uma ética preocupada com a justiça ambiental (2004, p. 18).

72 Educação Ambiental Emancipatória Para Lima, a educação ambiental emancipatória procura enfatizar e associar as noções de mudança social e cultural, de emancipação/libertação individual e social e de integração no sentido de complexidade (2004, p.94) na perspectiva de transformar situações de dominação e sujeição através da tomada de consciência, pelos sujeitos, de seus direitos e de seu potencial para recriar as relações à sua volta, seja com outros sujeitos, seja com a sociedade e o ambiente no qual estão inseridos.

73 Na ciência pós-moderna confluem sentidos vindos de nossas práticas individuais e comunitárias, locais e planetárias. Trata-se de interações e de intertextualidades organizadas em torno de projetos locais de conhecimento integrado, temático, não disciplinar, que avançam à medida que o objeto se amplia, procedendo pela diferenciação e pelo alastramento das raízes em busca de novas e mais variadas interfaces.

74 O trabalho, como finalidade e como ponte para interação entre o ser humano e a natureza, é uma categoria social que permite ao homem tornar eficientes as forças, as relações e as qualidades da natureza - liberando-as e dominando-as de modo a desenvolver suas próprias capacidades e alcançar níveis mais altos de consciência.

75 Ao produzir, transformando a natureza para assegurar a sua sobrevivência, os homens não estabelecem apenas relações individuais, relações técnicas de produção, mas desenvolvem relações com seus semelhantes por meio da prática social e, ainda, no âmbito de sua própria subjetividade com uma prática simbolizadora, pela qual criam e lidam com os bens culturais.

76 O trabalho, além de desenvolver as habilidades humanas, permite que a convivência facilite a aprendizagem, o aperfeiçoamento dos instrumentos e o enriquecimento da afetividade, fruto do relacionamento humano.

77 É por isso que se diz que o ser humano é um ser de relações! Na medida em que se relaciona com a natureza, pelo trabalho, com a sociedade, pela prática social, e consigo mesmo, pelo cultivo de sua subjetividade, o ser humano se humaniza. Assim, o trabalho é o elemento fundamental para a configuração de sua existência.

78 Isto significa que as condições de trabalho podem, também, acarretar a desumanização do indivíduo, quando o trabalho se dá em situação alienante, com atividades mecânicas desenvolvidas como se o ser humano fosse um animal ou uma máquina, num processo de auto-degradação.

79 A formação de uma nova representação de produção sustentável demanda dinâmicas produtivas que integrem o ser humano à natureza e um processo de reeducação frente às práticas predatórias de exploração dos recursos naturais, às formas de participação da sociedade civil e, também, aos modelos econômicos insustentáveis.

80 Instaurar uma nova pedagogia pressupõe assumir compromissos éticos e políticos que, fundamentados em uma forma complexa de pensar (MORIN, 2007), poderão apontar alternativas emancipatórias e caminhos para uma cultura de participação e de cooperação que engendrem uma rede de solidariedade em um processo de hominização.

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