CARACTERIZAÇÃO DE SISTEMAS PRODUTIVOS EM ASSENTAMENTOS RURAIS NO MUNICÍPIO DE CENTENÁRIO DO SUL-PR

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1 CARACTERIZAÇÃO DE SISTEMAS PRODUTIVOS EM ASSENTAMENTOS RURAIS NO MUNICÍPIO DE CENTENÁRIO DO SUL-PR Luis Artur Bernardes da Rosa¹; Maria de Fátima Guimarães²; Sergio Luis Carneiro³; Dimas Soares Júnior4 ¹Extensionista do Instituto EMATER. Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Agronomia UEL. ²Professor Doutor do Dep. de Agronomia, UEL, C.P 6001, CEP Londrina PR. Tel ³ Extensionista do Instituto EMATER. 4Pesquisador do IAPAR. Autor para correspondência: Luis Artur Bernardes da Rosa, Rua Heloísa Helena Muniz da Silva 112 Vale do Arvoredo - CEP , Londrina, PR, Brasil. Tel.: (43)

2 CARACTERIZAÇÃO DE SISTEMAS PRODUTIVOS EM ASSENTAMENTOS RURAIS NO MUNICÍPIO DE CENTENÁRIO DO SUL-PR. DA ROSA, Luis Artur B.; GUIMARÃES, Maria de F.; CARNEIRO, Sergio L.; SOARES JÚNIOR, Dimas. RESUMO A reforma agrária é uma alternativa de desenvolvimento rural geradora de renda e emprego para os trabalhadores rurais. Nos anos de 2000 e 2001 foram assentadas 49 famílias de agricultores no município de Centenário do Sul-PR, participantes do Programa Banco da Terra. O objetivo deste estudo é analisar as características sociais, ambientais e econômicas dos sistemas produtivos de dois assentamentos procurando contribuir com as intervenções dos agentes de assistência técnica e extensão rural. A pesquisa teve caráter descritivo, foram utilizados questionários estruturados para entrevistar 24 agricultores assentados. A análise dos resultados abordou características sociais, econômicas e ambientais dos sistemas produtivos. Palavras chave: agricultores familiares, banco da terra, reforma agrária. INTRODUÇÃO A promoção do desenvolvimento rural brasileiro inclui a redução da miséria no campo. A reforma agrária é uma alternativa de desenvolvimento rural geradora de renda e emprego para os trabalhadores rurais. As políticas públicas estabeleceram programas de reforma agrária, entre elas o Banco da Terra criado no período de 1998 a 2002 e posteriormente substituído pelo Programa de Crédito Fundiário (PARANÁ, 2007). No município de Centenário do Sul, 49 famílias de agricultores organizadas em três associações adquiriram duas propriedades rurais financiadas pelo Banco da Terra. Nestes municípios o apoio do Banco da Terra foi destinado à aquisição da terra e infra-estrutura básica, e os investimentos iniciais para as atividades econômicas foram apoiados pelo Programa Nacional de Apoio a Agricultura Familiar - PRONAF. A posse da terra e o acesso a recursos para implantação de atividades produtivas são insuficientes para garantir a permanência destas famílias na atividade rural. O grande desafio destas famílias é administrar a unidade produtiva (LIMA et al.,1995) desde a ocupação do solo até a comercialização, buscando a sustentabilidade do sistema, gerando recursos suficientes à sua sobrevivência e ao pagamento das dívidas contraídas. Este estudo aborda características diversas presentes nos sistemas produtivos apresentando uma visão ampliada da realidade de dois assentamentos. OBJETIVO O objetivo deste estudo é analisar as características sociais, ambientais e econômicas dos sistemas produtivos dos assentamentos do programa Banco da Terra de Centenário do Sul, procurando contribuir com as intervenções dos agentes de assistência técnica e extensão rural. MÉTODO O programa banco da terra assentou 49 famílias em Centenário do Sul, sendo estes assentados o universo desta pesquisa, perfazendo 84 pessoas.

3 Para serem beneficiários do Banco da Terra os pretendentes deveriam atender os requisitos de possuírem renda bruta anual máxima de R$ ,00 reais, capital próprio de qualquer espécie de no máximo R$ ,00 reais e nos últimos 15 anos ter atuado na agropecuária por pelo menos cinco anos. No município de Centenário do Sul 49 agricultores estão distribuídos em dois assentamentos e organizados em três associações. Na pesquisa de caráter descritivo (GIL,1999), a coleta dos dados foi realizada em reunião organizada pelo extensionista da Emater onde participaram 24 agricultores, sendo nove, oito e sete de cada uma das associações, que foram entrevistados com utilização de questionários estruturados aplicados por profissionais do Emater e do Iapar no mês de maio de 2006, tomando como referência para a coleta das informações o período entre julho de 2005 a junho de RESULTADOS Caracterização Ambiental No município de Centenário do Sul a classificação climática de Köppen indica uma região com clima subtropical; temperatura média no mês mais frio inferior a 18 o C e temperatura média no mês mais quente acima de 22 o C, com verões quentes, geadas pouco freqüentes e tendência de concentração das chuvas nos meses de verão, contudo sem estação seca definida. O solo, o relevo e o clima não são fatores limitantes à produção das culturas tradicionais. O preparo do solo é feito de forma convencional com máquinas alugadas. Processos erosivos ocorrem nas áreas de cultivo anual. As áreas com maior preservação do solo estão ocupadas com café e pastagem. A pouca cobertura florestal inicial, em algumas áreas de reserva legal, e a total ausência em outras áreas não sofreram alterações. Caracterização Social Dos entrevistados 54% são mulheres e 46% são homens, sendo que 78% possuem idade inferior a 49 anos. No município mais de 95% do trabalho nas atividades agropecuárias é de origem familiar sendo que cada família dispõe em média 2,86 equivalenteshomens para o trabalho agropecuário. Do universo de 84 pessoas participantes das famílias dos grupos entrevistados 5% são analfabetos, 34% estudaram até a quarta série, 36% possuem o ensino fundamental, 23% o ensino médio e duas pessoas com nível superior. 30% continuam estudando. Quanto às condições de moradia e conforto, constatou-se que 21 casas são de alvenaria e apenas três de madeira, 21 tem geladeira e televisor, 22 tem fogão a gás, cinco tem freezer, três tem computador, cinco tem telefone fixo e 16 tem celular. Acima de 75% dos entrevistados utilizam serviços públicos de atendimentos médicos, odontológicos e de transportes coletivos. Os meios de transporte individual são utilizados por seis pessoas que possuem veículo e nove que possuem moto. Quando questionados sobre o período férias, 20 entrevistados declararam que as famílias não tiram férias.

4 A participação em organizações comunitárias é realizada por 15 entrevistados que participam da associação local dos agricultores, 16 que participam do sindicato dos trabalhadores e 21 da igreja. Quanto à sucessão familiar, 25% dos entrevistados informaram que seus filhos pretendem continuar trabalhando na propriedade, 25% pretendem deixar a propriedade, 12,5% já estão fora, 16,5% pretendem continuar morando na propriedade, mas trabalhando fora e 21% não souberam responder. Caracterização Econômica A aquisição dos lotes foi feita em conjunto por meio das associações e o prazo para pagamento foi de 20 anos com quatro anos de carência. A cota individual dos recursos liberados foi em média de R$ ,00 para pagamento da terra e construção de residência. Passados os quatro anos de carência as prestações anuais do crédito fundiário não foram pagas por nenhuma associação. Todos os associados estão inadimplentes, mesmo aqueles que tinham condições de pagamento e não puderam fazê-lo individualmente. Para implantação das culturas e infra-estrutura na propriedade foram liberados recursos do Pronaf para as associações no valor médio de R$ 9.000,00 para cada associado, com prazo de pagamento de oito anos. As parcelas deste financiamento também não foram pagas por nenhuma associação. Os assentados tiveram acesso individual a recursos do Pronaf na modalidade custeio. Porém, frustração nas últimas safras impediram o pagamento destas dívidas. Todos os assentados foram protestados pelo banco, estão impedidos de acessarem outros financiamentos governamentais e sem crédito no comércio local. O solo das unidades produtivas nos assentamentos está em sua maior parte ocupado com lavouras temporárias principalmente algodão, soja, milho, feijão e mandioca e outros produtos de subsistência e lavouras permanentes onde predomina café e pastagem. Muitos agricultores ainda não cumpriram totalmente as exigências do projeto inicial de ocupação do solo. Nos assentamentos foram levantadas a renda bruta da produção (RBP) e outras rendas (OR) das unidades pesquisadas no período julho/2005 a junho/2006. A RBP corresponde ao valor total da venda dos produtos agropecuários e OR corresponde aos valores recebidos de aposentadorias e trabalhos fora da propriedade. A renda bruta da produção agropecuária dos entrevistados está apresentada na tabela 1 distribuídas em seis classes de rendas por ha, com intervalo de classe de R$ 331,90. Tabela 1 Classes de RBP (R$) por ha nos assentamentos do município de Centenário do Sul, no período julho/2005 a junho/2006 Classes Média Freqüência Percentual 60,26 392,16 226, ,6 392,16 724,07 558, ,8 724, ,98 890,2 4 16, , , , , , , , , , , , ,5 O grupo estudado apresenta elevada variação da RBP. Mesmo sob sofrendo a influência de muitos fatores ambientais e sociais comuns, o resultado

5 econômico final da atividade agropecuária ainda depende de um elevado conjunto de variáveis que interferem de forma específica em cada sistema produtivo. Nos grupos estudados, 19 agricultores possuem rendas provenientes de fora da unidade produtiva que representam uma importante fonte de renda para as famílias (tabela 2) (GRAZIANO, 1999). Tabela 2 Classes de OR (R$) nos assentamentos do município de Centenário do Sul, no período julho/2005 a junho/2006. Classes Média Freqüência 180, , , , , , , , , , , , , , ,90 1 Os trabalhos fora da unidade produtiva podem indicar a necessidade de suplementação das rendas agrícolas, por insuficiência de geração de renda nos sistemas produtivos. Também podem indicar que os agricultores estão atentos às oportunidades oferecidas pelo ambiente para aumentarem a renda familiar. CONCLUSÕES A obtenção de dados nas áreas social, ambiental e econômica dos sistemas produtivos permitiu uma visualização mais ampla das famílias e de suas relações com os fatores de produção, especialmente a ocupação do solo. A orientação para ocupação do solo está fortemente relacionada a objetivos econômicos com desequilíbrio ambiental. De um modo geral está ausente uma preocupação individual e coletiva com a questão ambiental. As famílias assentadas possuem baixos níveis de escolaridade, fator importante na administração de sistemas produtivos e na comercialização da produção. O acesso aos serviços públicos e a qualidade das residências indicam aumento da qualidade de vida dos assentados. As características econômicas relacionadas a renda bruta da produção mostram uma variação elevada entre as unidades produtivas, apontando para possibilidades de obtenção de rendas mais elevadas e suficientes quando os sistemas produtivos estão melhor organizados. As rendas provenientes de fora da unidade produtiva representam uma importante diversificação de renda e contribuem para a sobrevivência dos agricultores. As intervenções da extensão rural nas unidades produtivas que melhoram a eficiência dos sistemas, agregam valor aos produtos e ampliam os canais de comercialização podem representar alternativas de curto prazo mais eficazes a estes agricultores. REFERÊNCIAS GIL,A.C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5.ed.São Paulo:Atlas,1999. GRAZIANO da SILVA, J. O novo rural brasileiro. Campinas: UNICAMP, PARANÁ. Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento. Crédito Fundiário do Paraná. Disponível em < Acesso em: 11.jun LIMA, Arlindo Jesus Prestes de; et al. Administração da unidade de produção familiar: Modalidades de trabalho com agricultores. Ijuí: UNIJUÍ, 1995.

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