18º Encontro Nacional da ANAMMA

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1 18º Encontro Nacional da ANAMMA Os efeitos do PL de parcelamento do solo no meio ambiente e a gestão de APPs urbanas Cynthia Cardoso Goiânia, agosto/2008

2 Planejamento? Na perspectiva de planejamento qual é o papel dos gestores ambientais e profissionais responsáveis pela elaboração de projetos? Não seria possível a internalização/inserção da variável ambiental na construção/reconstrução das cidades? Instrumentos de regularização e planejamento

3 PL 3057/2000 Lei de Responsabilidade Territorial Urbana Dispõe sobre o parcelamento do solo para fins urbanos e regularização fundiária sustentável de áreas urbanas, e dá outras providências avaliação do Substitutivo adotado pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados, em 12/12/2007

4 Principais aspectos ambientais controversos Licença urbanística e ambiental integrada Natureza jurídica das licenças Gestão plena municipal Gestão de áreas de preservação permanente

5 Licença urbanística e ambiental integrada Art. 3º O parcelamento do solo para fins urbanos deve observar os requisitos urbanísticos e ambientais previstos em legislação e as exigências específicas estabelecidas pela licença urbanística e ambiental integrada do empreendimento, bem como, nos termos dos 2º e 3º do art. 33, pela licença ambiental estadual.

6 Licença urbanística e ambiental integrada Art. 2º, XX autoridade licenciadora: o Poder Executivo municipal responsável pela concessão da licença urbanística e ambiental integrada do parcelamento do solo para fins urbanos ou do plano de regularização fundiária, assegurada, nos casos expressos nesta Lei, a participação do Estado no licenciamento ambiental; SISNAMA Municipalização da gestão ambiental - Princípio da Subsidiariedade

7 Subordinação entre os entes federativos federalismo cooperativo x federalismo competitivo Art. 37, 6º Nos casos dos 2º e 3º do art. 33, o Município deve incorporar a licença ambiental final emitida pelo órgão ambiental competente, em sua íntegra, na licença final integrada. No caso de conflito entre as licenças, os Municípios deixarão de observar as análises de seus órgãos licenciadores ambientais?

8 Regulamentação do art. 23 da Constituição Federal Interfaces com o PLP (Projeto de Lei Complementar à Constituição Federal) nº 12/2003 regulamentação art. 23 PLP 12/2003: Art. 13 Os empreendimentos e atividades são licenciados ou autorizados, ambientalmente, por um único ente federativo, em conformidade com as atribuições estabelecidas nos termos desta Lei Complementar. PL 3057/2000: licenciamento municipal e, em alguns casos, estadual art. 33, 2º e 3º.

9 Licenciamento municipal e estadual Art. 33 2º No parcelamento implantado em Município que não tenha gestão plena, além da licença integrada a cargo da autoridade licenciadora municipal, exige-se licença ambiental emitida pelo Estado. 3º Além do caso previsto no 2º, exige-se licença ambiental emitida pelo Estado no parcelamento do solo para fins urbanos: I em áreas: a) maiores ou iguais a 1 (um) milhão de metros quadrados; b) localizadas em mais de um Município; c) com vegetação secundária em estágio médio e avançado de regeneração do bioma Mata Atlântica;

10 Regras definidoras do licenciamento ambiental PL 3057/2000, art. 33, 3º: PLP 12/2003: II cujo impacto ambiental direto ultrapasse os limites territoriais de um ou mais Municípios, de acordo com tipificação previamente definida por lei estadual ou por conselho estadual de meio ambiente; III cuja implantação coloque em risco a sobrevivência de espécie da fauna ou da flora silvestre ameaçada de extinção, na forma da legislação em vigor. Critérios utilizados para definir o órgão licenciador - localização, natureza da atividade, extensão do impacto, porte, potencial poluidor, de acordo com tipologia definida pelo respectivo Conselho arts. 7º, XIV; 8º, XIV; 9º, XIV, PLP 12/2003 Regra: licenciamento ambiental por um único ente federativo

11 Natureza jurídica das licenças ambientais Art. 2º, XXI licença urbanística e ambiental integrada: ato administrativo vinculado pelo qual a autoridade licenciadora estabelece as exigências de natureza urbanística e ambiental para o empreendedor implantar, alterar, ampliar ou manter parcelamento do solo para fins urbanos e para proceder à regularização fundiária; Natureza jurídica distinta das licenças ambientais e urbanísticas AIA Avaliação de impacto ambiental. A gestão ambiental pressupõe o exercício de um mínimo de discricionariedade para que seja possível incorporar dados resultantes dos demais instrumentos de gestão ambiental ex: monitoramento, zoneamento ecológico e econômico.

12 Gestão plena municipal Art. 2º, XXIV gestão plena: condição do Município que reúna simultaneamente os seguintes requisitos: a) Plano Diretor, independentemente do número de habitantes, aprovado e atualizado nos termos da Lei nº , de 10 de julho de 2001; b) órgãos colegiados de controle social nas áreas de política urbana e ambiental, ou, na inexistência destes, integração com entes colegiados intermunicipais constituídos com essa mesma finalidade, assegurados o caráter deliberativo das decisões tomadas, o princípio democrático de escolha dos representantes e a participação da sociedade civil na sua composição;

13 Gestão plena municipal c) órgãos executivos específicos nas áreas de política urbana e ambiental, ou integração com associações ou consórcios intermunicipais para o planejamento, a gestão e a fiscalização nas referidas áreas, nos termos da Lei nº , de 6 de abril de 2005; A Lei nº /2005 regulamenta o art. 241 da Constituição Federal: Art. 241 A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios disciplinarão por meio de lei os consórcios públicos e os convênios de cooperação entre os entes federados, autorizando a gestão associada de serviços públicos, bem como a transferência total ou parcial de encargos, serviços, pessoal e bens essenciais à continuidade dos serviços transferidos.

14 Consórcios públicos O art. 70, 1º da Lei nº 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais) determina que São autoridades competentes para lavrar auto de infração ambiental e instaurar processo administrativo os funcionários de órgãos ambientais integrantes do SISNAMA, designados para as atividades de fiscalização... O art. 6º da Lei nº 6.938/1981 arrola os órgãos e entidades que constituem o SISNAMA e assim define os órgãos locais: os órgãos ou entidades municipais, responsáveis pelo controle e fiscalização dessas atividades, nas suas respectivas jurisdições (art. 6º, inc. VI)

15 Aplicação da definição de gestão plena municipal possibilidade de implantação de condomínios urbanísticos (art. 4º, 4º); possibilidade de diminuição da área mínima dos lotes (125 m²) nas áreas de ZEIS (zona especial de interesse social) (art. 7º, parágrafo único); possibilidade de diminuição das áreas destinadas a uso público nos parcelamentos a serem implantados em ZEIS (art. 8º, 2º);

16 Aplicação da definição de gestão plena municipal exigência de licença ambiental estadual para Municípios que não possuírem gestão plena (art. 33, 2º); possibilidade do plano de regularização fundiária de interesse específico reduzir o percentual de áreas destinadas a uso público e tamanho dos lotes (art. 89, 3º);

17 Área urbana consolidada Art. 2º, II área urbana consolidada: a porção da zona urbana, definida pelo plano diretor ou pela lei municipal que estabelecer o zoneamento urbano, com densidade demográfica superior a 50 (cinqüenta) habitantes por hectare* e malha viária implantada, e que tenha, no mínimo, dois dos seguintes equipamentos de infra-estrutura urbana implantados: a) sistema de manejo de águas pluviais; b) disposição adequada de esgoto sanitário; c) abastecimento de água potável; d) distribuição de energia elétrica; e) coleta de resíduos sólidos;

18 Área urbana consolidada e PLP nº 12/2003 Art. 8º São ações administrativas do Estado, entre outras: Inc. XV autorizar o manejo e a supressão de vegetação, de florestas e formações sucessoras em: b) propriedades rurais e áreas urbanas não consolidadas, observadas as atribuições previstas no inciso XV do art. 7º;

19 Área urbana consolidada e PLP nº 12/2003 PLP 12/2003: Art. 9º São ações administrativas dos Municípios, entre outras: Inc. XV observadas as atribuições dos demais entes federativos previstos nesta Lei Complementar, autorizar: a) a supressão de vegetação em áreas urbanas consolidadas; * Como não há definição de área urbana consolidada no PLP 12/2003 usaríamos a do PL 3057/2000? Esta definição está adequada?

20 Regularização fundiária de interesse social Plano de regularização fundiária Art. 86 O plano de regularização fundiária de interesse social deve definir parâmetros urbanísticos e ambientais específicos, e identificar os lotes e as unidades autônomas, bem como as vias de circulação e as áreas destinadas a uso público ou a uso comum dos condôminos.... 2º O plano de regularização fundiária de interesse social deve respeitar as faixas mínimas e outras disposições sobre intervenção em APP previstas pela legislação ambiental que regula a matéria.

21 Regularização fundiária de interesse social 3º Nos assentamentos informais anteriores à entrada em vigor desta Lei, o plano de regularização fundiária de interesse social pode prever redução: I das faixas de APP previstas na legislação ambiental, desde que a regularização implique a melhoria das condições ambientais da área em relação à situação de ocupação irregular anterior;... 4º É vedada a regularização de assentamentos informais que, no plano de regularização fundiária de interesse social, insiram-se em situações de risco, nos termos dos incisos I, II e III do caput do art. 5º, sem que sejam adotadas as medidas previstas nos referidos dispositivos.

22 Regularização fundiária de interesse social Não haveria outras normas de proteção ambiental que deveriam ser seguidas na regularização fundiária de interesse social além das previstas para as APP s? Sustentabilidade? Na regularização fundiária de interesse específico há previsão de serem observadas as normas ambientais (art. 89)

23 Regularização fundiária de interesse social Art. 79 Lei municipal deve disciplinar em relação à regularização fundiária sustentável, no mínimo: I os critérios, as exigências e os procedimentos para a elaboração e a execução dos planos de regularização fundiária; II os requisitos e os procedimentos para a emissão da licença urbanística e ambiental integrada; III os mecanismos de controle social a serem adotados; IV as formas de compensação cabíveis. A tutela ambiental estaria inserida nestes dispositivos?

24 Áreas de preservação permanente * Art. 5º Não se admite o parcelamento do solo para fins urbanos: I em área alagadiça ou sujeita a inundação, antes de tomadas as providências para assegurar o escoamento ou a contenção das águas;

25 Áreas de preservação permanente Art. 12 Admite-se a intervenção ou supressão em vegetação de Área de Preservação Permanente (APP) por utilidade pública, interesse social ou baixo impacto ambiental, nos casos previstos pelas normas ambientais e por esta Lei.... 2º A APP pode ser transposta pelo sistema viário ou utilizada para a implantação e manutenção de sistemas de drenagem de águas pluviais, ou para atividades consideradas de utilidade pública, bem como para obras exigidas pelo Poder Público ou por concessionários de serviços públicos, desde que a intervenção seja de baixo impacto ambiental, a critério da autoridade licenciadora.

26 Áreas de preservação permanente Art. 125 Em parcelamento do solo para fins urbanos situado em área urbana consolidada, as APPs que, na data de entrada em vigor desta Lei, necessitem de recomposição podem ser utilizadas como espaços livres de uso público ou de uso comum dos condôminos para implantação de infra-estrutura destinada a esportes, lazer e atividades educacionais e culturais ao ar livre, desde que: I a vegetação seja preservada ou recomposta, com espécies nativas, de forma a assegurar o cumprimento integral das funções ambientais da APP; II a utilização da área não gere degradação ambiental;

27 Áreas de preservação permanente III seja observado o limite máximo de 10% (dez por cento) de impermeabilização do solo e 15% (quinze por cento) de ajardinamento; IV haja autorização prévia da autoridade licenciadora. 1º A porção da APP não utilizada na forma do caput deve ser deduzida da área total do imóvel para efeito de cálculo do percentual de áreas destinadas a uso público previsto no art. 8º.

28 Áreas de preservação permanente Art. 126 Ao longo de galeria ou canalização existente em área urbana consolidada na data de entrada em vigor desta Lei deve ser prevista faixa não edificável de 2 (dois) metros, mensurados a partir das faces externas da referida obra. Renaturalização de cursos d água Momento histórico da canalização/percepção dos cursos d água Cenário de alterações climáticas segurança previsão de cheias e inundações

29 Áreas de preservação permanente Conflitos de normas ambientais, urbanísticas, direito à moradia e à propriedade (função social e ambiental): 1965: Código Florestal 1979: Lei nº parcelamento do solo urbano 1986: Lei nº alteração das faixas marginais 1988: Constituição Federal 1989: Lei : MP s : Estatuto da Cidade 2002: Resoluções CONAMA nº 302 e : Resolução CONAMA nº 369

30 Áreas de preservação permanente áreas de preservação permanente com ocupação consolidada (passivo) X novos processos de parcelamento do solo urbano Desafio: criação de modelos de apropriação social das APP s considerando seus atributos e funções ambientais

31 Áreas de preservação permanente Temos trabalhado com planejamento ou por meio de mecanismos de comando/controle? Pró-atividade ou reatividade? Há proporcionalidade e razoabilidade na gestão pública e privada das APP s urbanas? Há parcerias e possibilidade de diálogo para revertermos nossas ações em ganha/ganha?

32 ANAMMA Muito obrigada!

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