O QUE ESTÁ ACONTECENDO? MINHA CONTA AUMENTOU! Todos os anos ocorrem reajustes nas tarifas de energia elétrica. Esse aumento é autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica - ANEEL e no caso de Goiás o aumento foi de 19,37%. Além disso, com a falta de chuvas e queda do nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas a geração de energia foi reduzida, sendo necessário a ativação das usinas termoelétricas do país (movidas a combustíveis como o gás natural, carvão, óleo combustível e diesel), visando atender a demanda de energia e poupar água nas represas. Porém a energia produzida pelas usinas termoelétricas é mais cara. E esse custo adicional foi repassado ao consumidor através das bandeiras tarifárias. BANDEIRAS TARIFÁRIAS O sistema de bandeiras tarifárias cria uma relação entre o valor pago pelo consumidor e o custo atualizado pago pelas geradoras. Além de indicar que o custo de geração de energia está elevado, por conta do acionamento de termelétricas para poupar água nos reservatórios, o sistema de bandeiras repassa mensalmente às tarifas parte dos custos adicionais na geração. Com isso, a receita que as distribuidoras tiverem com o pagamento será descontada do cálculo do reajuste
tarifário anual. COMO FUNCIONAM AS BANDEIRAS TARIFÁRIAS? Elas são classificadas por cores - verde, amarela e vermelha - e indicam, a cada mês, se a energia custará mais ou menos em função do custo extra das distribuidoras com o uso de termelétricas. As bandeiras tarifárias funcionam como um semáforo de trânsito: a bandeira verde significa custos baixos para gerar a energia, portanto, a tarifa de energia não terá nenhum acréscimo naquele mês. A bandeira amarela indicará um sinal de atenção, pois os custos de geração estão aumentando. Já a bandeira vermelha mostra que o custo da geração está mais alto, por exemplo, com o maior acionamento de termelétricas. As bandeiras amarela e vermelha apresentarão custos extras nas contas de luz para cada 100 quilowatts-hora consumidos. Uma vez por mês, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) calcula o Custo Marginal de Operação (CMO) nas reuniões do Programa Mensal de Operação (PMO) - quando também é decidido se haverá ou não a operação das usinas termelétricas e o custo associado a essa geração. Após cada reunião, com base nas informações do ONS, a Aneel aciona a bandeira tarifária vigente no mês seguinte. Para janeiro e fevereiro, a bandeira tarifária foi a vermelha, o que significa um acréscimo de R$3,00 a cada 100 kw/h consumidos. A partir do mês de março os valores serão de R$2,50 para
bandeira amarela e de R$5,50 para bandeira vermelha, a cada 100 kw/h. MAS NEM TODO AUMENTO ESTÁ CERTO! A CELG deixou de fazer, em algumas cidades de Goiás, as medições de energia nos meses de setembro a dezembro de 2014. A medição de energia nestas cidades só foi regularizada em Janeiro. Durante este período as contas de energia dos consumidores foram cobradas pela média de consumo do ano ou pelo valor mínimo. A quantidade de KWH não cobrada neste período foi acumulada e cobrada integralmente na conta de energia do mês de Fevereiro de 2015. A ANEEL possui regulamentação aplicável neste caso: O art. 113 1º da Resolução 479 informa que caso a distribuidora de energia elétrica não efetue a medição da energia elétrica corretamente deve parcelar o pagamento da diferença no dobro de meses nos quais ocorreram erros na medição, ou seja, se forem 04 meses sem medição deve parcelar em 08 vezes a dívida dos consumidores. O Centro de Apoio Operacional do CONSUMIDOR entende que não tendo sido o consumidor quem deu causa à
dívida, ou seja, tendo sido ato unilateral da CELG deixar de fazer as medições de energia a tempo e modo, não deve haver cobrança de juros de parcelamento e de multa por atraso nestes casos. Ainda que não se tratando de dívida relacionada a consumo atual, a CELG não deve se valer de cortes pela ausência de pagamento destes valores. Por fim, que como se tratou de consumo contraído no ano de 2014, que a estes valores deve ser aplicada a tarifa do ano de consumo, e sem incidência das Bandeiras de Consumo, uma vez que esta medida não pode ser retroativa. COMO SEI SE ISSO ACONTECEU COMIGO? As contas ficaram mais caras pelo reajuste da tarifa e pelas bandeiras tarifárias, mas se as suas contas de energia em 2015 estão bem mais caras que o normal, verifique suas faturas de energia referentes aos meses de setembro a dezembro de 2014. Observe se houve medição do seu consumo ou se a cobrança foi feita através da média de consumo. A informação deve estar na primeira página, no centro e ao lado esquerdo do gráfico de histórico de consumo. Se houver a informação de que a medição foi através de "média" por três meses ou mais, verifique suas faturas atuais e veja se o consumo aumentou de forma exagerada. Se sim, pode ser que algo esteja errado.
O QUE FAZER? Caso você tenha constatado esse problema em sua fatura, procure o Ministério Público de sua cidade, tendo em mãos suas faturas que apresentam o problema. Algumas Promotorias de Justiça já propuseram Ação Civil Pública em desfavor da CELG e já obtiveram decisões liminares a favor dos consumidores. Não deixe de buscar os seus direitos. O Ministério Público está de portas abertas, pronto para defender o consumidor. Informativo online CAO Consumidor Produzido pelo Centro de Apoio Operacional do Consumidor e Usuários de Serviços Públicos Sugestões e Contato: caoconsumidor@mpgo.mp.br 62 3243 8044