Teorias de Media e Comunicação



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Transcrição:

Teorias de Media e Comunicação (4) Teóricos Contemporâneos Rita Espanha Mestrado em Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação 1º Semestre 2012/2013 terça-feira, 20 de Novembro de 2012 Página 2

Jürgen Habermas: a esfera pública O filósofo e sociólogo alemão Habermas está ligado à Escola de Frankfurt de pensamento social. Esta escola era constituída por autores que se inspiravam em Marx, mas que acreditavam que os seus pontos de vista tinham de ser radicalmente revistos para serem aplicados na atualidade, nomeadamente na atenção a dar à influência da cultura na sociedade capitalista moderna. terça-feira, 20 de Novembro de 2012 Página 3

Escola de Frankfurt estudos da indústria cultural : Industrias do entretenimento filmes, televisão, música popular, rádio, jornais e revistas; Sustentavam que a proliferação da indústria da cultura, com os seus produtos pouco exigentes, minava a capacidade dos indivíduos no que diz respeito ao pensamento independente e crítico terça-feira, 20 de Novembro de 2012 Página 4

Habermas... E a esfera pública pegou em alguns desses temas e desenvolveu-os de maneira diferente. Ele analisa o desenvolvimento dos meios de comunicação social desde o princípio do séc. XVIII até aos nossos dias, traçando um percurso daquilo que chama de esfera pública desde o seu aparecimento até ao seu declínio terça-feira, 20 de Novembro de 2012 Página 5

Esfera pública É um espaço de debate público onde se podem discutir questões de interesse geral e uma área na qual se podem formar opiniões; Desenvolveu-se primeiro nos salões e cafés de Londres, Paris e outras cidades europeias; O debate político tornou-se um assunto de particular importância, embora apenas envolva uma pequena parte da população terça-feira, 20 de Novembro de 2012 Página 6

Habermas afirma que os salões e cafés foram vitais para o início do desenvolvimento da democracia; Foram eles que introduziram a ideia de ser possível a resolução de problemas políticos através da discussão pública; A esfera pública em princípio envolve indivíduos que se encontram de igual para igual num fórum de debate público terça-feira, 20 de Novembro de 2012 Página 7

Habermas conclui: O que se esperava deste desenvolvimento inicial da esfera pública não se realizou totalmente; O debate democrático é abafado nas sociedades modernas pelo desenvolvimento da indústria cultural; O desenvolvimentos dos Mass media e o entretenimento de massas leva a que a esfera pública se torne um logro; terça-feira, 20 de Novembro de 2012 Página 8

A política é encenada no parlamento e nos meios de comunicação social, ao mesmo tempo que os interesses comerciais triunfam sobre os interesses do público; A Opinião pública não se forma através da discussão aberta e racional mas sim através da manipulação e do controlo, como por exemplo na publicidade terça-feira, 20 de Novembro de 2012 Página 9

J. Baudrillard (1929-2007) O autor francês pós-modernista Jean Baudrillard, teve o seu trabalho muito influenciado por Innis e Mcluhan; Considera que o impacto dos modernos meios de comunicação de massas é muito diferente, e muito mais profundo, do que o de qualquer outra tecnologia. terça-feira, 20 de Novembro de 2012 Página 10

O advento dos mass media, em particular os meios eletrónicos como a televisão, transformou a própria natureza das nossas vidas; A televisão não representa só o mundo, mas, de uma forma gradual, define o que ele é define o mundo em que vivemos (ex: Julgamento de O.J.Simpson... Ou mesmo do caso casa pia...) terça-feira, 20 de Novembro de 2012 Página 11

A estes casos Baudrillard chama hiperrealidade : Já não existe uma realidade (os acontecimentos em si) que a televisão nos permite ver. A realidade é, de facto, uma profusão de imagens nos ecrãs de televisão que define os acontecimentos como algo global... terça-feira, 20 de Novembro de 2012 Página 12

A hiper-realidade... Antes do inicio da Guerra do Golfo de 1991, Baudrillard escreveu um artigo chamado A Guerra do Golfo não pode acontecer ; Mas ela aconteceu... No final da Guerra, o autor voltou a escrever um artigo com o título: A Guerra do Golfo não aconteceu O que queria ele demonstrar? terça-feira, 20 de Novembro de 2012 Página 13

O autor pretendia demonstrar que esta guerra não era igual às outras, que antes aconteceram na história. Que se tratava de uma guerra da Era da Informação, um espetáculo televisivo, que permitia a George Bush e a Saddam Hussein, exatamente como quaisquer outros espectadores por todo o mundo, assistirem à cobertura da CNN para saberem o que realmente estava a acontecer. terça-feira, 20 de Novembro de 2012 Página 14

Baudrillar sustenta, assim, que, numa era em que os meios de comunicação social estão em todo o lado, criou-se, na verdade, uma nova realidade a hiperrealidade composta pela mistura do comportamento das pessoas com as imagens dos media; O mundo da hiper-realidade é construído por simulacros imagens que só ganham o seu significado a partir de outras imagens e que, assim, não se fundamentam, de forma alguma, numa realidade externa terça-feira, 20 de Novembro de 2012 Página 15

Nenhum líder político da atualidade poderá ganhar uma eleição senão aparecer constantemente na televisão: a imagem televisiva do líder é a pessoa que a maioria dos espectadores conhecem... terça-feira, 20 de Novembro de 2012 Página 16

John Thompson: os media e a sociedade moderna Inspirando-se em Habermas, John Thompson analisou a relação entre os meios de comunicação social e o desenvolvimento das sociedades modernas industriais; Desde os primeiros tempos da impressão até à comunicação eletrónica, os meios de comunicação social desempenharam um papel central no desenvolvimento das instituições modernas terça-feira, 20 de Novembro de 2012 Página 17

Em relação à Escola de Frankfurt, contudo, Thompson é bastante crítico: Considera a atitude desta escola demasiado negativa em relação à Indústria da Cultura. Os modernos meios de comunicação social de massas, para o autor, não impedem o nosso juízo crítico de facto, eles fornecem-nos muitas formas de informação a que antes não tínhamos acesso. terça-feira, 20 de Novembro de 2012 Página 18

Segundo Thompson: As mensagens dos media são vulgarmente discutidas por indivíduos no ato da receção e posteriormente... Essas mensagens são transformadas através de um processo subsequente de contar e recontar, de interpretar e reinterpretar, pelo contrário, pela anedota e pela crítica... Ao apoderarmo-nos dessas mensagens e ao incorporá-las de uma forma rotineira nas nossas vidas, estamos constantemente a moldar e a dar novos contornos às nossas capacidades e aos nossos conhecimentos, a testar os nossos sentimentos e a expandir os horizontes da nossa experiência (Media e Modernidade, 1995) terça-feira, 20 de Novembro de 2012 Página 19

Tipos de Interação - Thompson Características da Interação Interacção Face-aface Interacção Mediada Quase-Interacção mediada Constituição no espaço e no tempo Contexto de co-presença; sistemas de referência no espaço e no tempo partilhado Separação dos contextos; disponibilidade ampliada no tempo e no espaço Separação dos contextos; disponibilidade ampliada no tempo e no espaço Alcance das pistas simbólicas Multiplicidade de pistas simbólicas Estreitamento do alcance das pistas simbólicas Estreitamento do alcance das pistas simbólicas Orientação da acção Orientada para receptores específicos Orientada para recetores específicos Orientada para um raio indefinido de potenciais receptores Dialógica ou Dialógica Dialógica Monológica monológica terça-feira, 20 de Novembro de 2012 Página 20

3 tipos de interação 1. Face-a-face: Ocorre com a situação de pessoas a conversarem, é rica em pistas que os indivíduos se servem para dar sentido ao que os outros dizem; 2. Mediada: envolve a utilização de um meio de comunicação social tecnológico papel, conexões elétricas, impulsos eletrónicos. Uma das suas características reside no facto de se estender tanto no espaço como no tempo ultrapassa em grande medida os contextos de interação face a face. Exemplo de mediada direta: falar ao telefone (mas não há tantas pistas como no face a face) terça-feira, 20 de Novembro de 2012 Página 21

3. quase-interação mediada: tipo de interação criada pelos meios de comunicação de massas. Estende-se através do espaço e do tempo mas não liga os indivíduos de forma direta. Por isso é monológica: programa de televisão só funciona num sentido (mas pode gerar processos de comunicação face a face) terça-feira, 20 de Novembro de 2012 Página 22

Segundo este autor, os 3 tipos de interação coexistem nas nossas vidas. Os meios de comunicação de massas alteram o equilíbrio entre o público e o privado na vida de cada um de nós. Ao contrário do que diz Habermas, muito mais informação vem hoje até ao domínio público em comparação com o que acontecia no passado e isso leva, muito frequentemente, ao debate e à controvérsia. terça-feira, 20 de Novembro de 2012 Página 23

Em obra anterior, Ideology and Modern Culture, o autor defende que só é possível entender as transformações culturais associadas ao surgimento das sociedades modernas se reservarmos um papel de relevo ao desenvolvimento dos media e ao seu impacto. terça-feira, 20 de Novembro de 2012 Página 24

Nesta obra (Media e Modernidade) Compreender as transformações da organização social do poder simbólico para entender o impacto social do desenvolvimento das novas redes de comunicação e dos fluxos de informação terça-feira, 20 de Novembro de 2012 Página 25

Para isso. Temos de pôr de lado a ideia (intuitivamente plausível) de que os meios de comunicação servem para transmitir informação e conteúdo simbólico a indivíduos cujas relações com os outros permanecem inalteradas terça-feira, 20 de Novembro de 2012 Página 26

Pelo contrário O usos dos meios de comunicação implica a criação de novas formas de ação e de interação no mundo social, novos tipos de relações sociais e novas maneiras de relacionamento do indivíduo com os outros e consigo próprio. terça-feira, 20 de Novembro de 2012 Página 27

Quando os indivíduos usam os media Entram em formas de interação que diferem dos tipos de interação face a face que caracterizam (caracterizavam) a maioria dos nosso encontros quotidianos. São capazes de agir em favor de outros fisicamente ausentes, ou responder a outros em lugares distantes. terça-feira, 20 de Novembro de 2012 Página 28

O uso dos meios de comunicação transforma a organização espacial e temporal da vida social, criando novas formas de ação e interação, e novas maneiras de exercer o poder, que já não está ligado à partilha de um local comum. terça-feira, 20 de Novembro de 2012 Página 29