Solidariedade. Educação Sexual

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Transcrição:

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DR. FRANCISCO SANCHES Uma Escola de Cidadania Página 1 de 7 Temáticas para o 7º ano Solidariedade Educação Sexual (De harmonia com artigo 5.º da Lei n.º 60/2009, de 6 de Agosto) NOTA: As planificações sobre "Sexualidade" destinadas ao 7ºº ano foram elaboradas pelos professores do Agrupamento que frequentaram a formação na escola. Algumas destas planificações estão disponíveis para consulta na disciplina "Educação para a Saúde", existente na plataforma moodle do AEFS. Esta proposta de currículo foi elaborada a partir de bibliografia referida nos anexos à planificação. Professores responsáveis Maria José Rodrigues Dias (grupo 290) Gastão Veloso (grupo 290) Oferta complementar 2013-2014 Temática A solidariedade 7ºano

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DR. FRANCISCO SANCHES Uma Escola de Cidadania Página 2 de 7 Introdução A temática sobre Educar para a Solidariedade constitui uma componente curricular da oferta complementar (Despacho Normativo 13-A/2012 de 5 de junho), a desenvolver no 7º ano de escolaridade, aprovada pelo Conselho Pedagógico do Agrupamento de escolas Dr. Francisco Sanches, em 4 de julho de 2012, num total de 36 horas, sendo para efeitos do estipulado na Lei nº 60/2009 de 6 de agosto de 2009, no que se refere à educação para a sexualidade. Sugere-se que a planificação desta componente curricular seja feita (submetida à análise, integração de contributos interdisciplinares e aprovação) em reunião de conselho de turma em Setembro. Princípios orientadores Desenvolver a consciência cívica dos alunos, como elemento fundamental no processo de formação de cidadãos responsáveis, críticos, ativos e intervenientes na sociedade; Educar para a solidariedade e promover o auto-conhecimento e o conhecimento do outro, de modo a possibilitar a aquisição de atitudes de solidariedade, partilha cooperação e cuidado com os outros e com o mundo; Estabelecer, na abordagem dos diferentes temas e questões, objetivos a nível dos valores, dos conhecimentos e das competências para a ação cívica, entendida como o desempenho de um papel ativo na vida da escola, da comunidade e da sociedade em geral, tendo como referência os valores dos Direitos Humanos assentes promotores da solidariedade e cooperação entre todos. Objetivos específicos Refletir criticamente sobre o conceito de solidariedade e reconhecer a complexidade do tema em estudo; Identificar diferentes tipos de solidariedade e dar exemplos práticos da sua concretização; Interpretar textos que aludam ao valor da solidariedade; Oferta complementar 2013-2014 Temática A solidariedade 7ºano

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DR. FRANCISCO SANCHES Uma Escola de Cidadania Página 3 de 7 Mobilizar os conhecimentos adquiridos, estabelecendo um discurso correto, coerente e pessoal sobre o conceito de solidariedade; Identificar atitudes, comportamentos ou situações de solidariedade ou falta de solidariedade na família, na escola e na sociedade; Conhecer organizações de solidariedade social de âmbito local, nacional e internacional; Pesquisar e organizar informação relevante sobre organizações de solidariedade social; Refletir sobre o conceito de voluntariado e os princípios que o orientam; Identificar situações de cuidado e falta de cuidado na ação humana na natureza; Mobilizar os valores do respeito e da solidariedade em ordem à orientação do comportamento humano em relação à natureza em situações do quotidiano. Temática geral: Educar para a Solidariedade Tema 1. Solidariedade: em busca de uma definição Tema 2. Dimensão local e internacional da solidariedade. Concretizações da Solidariedade. 2.1 Organizações de solidariedade social (ONG, IPSS, Fundações ) 2.2 Solidariedade e Voluntariado Tema 3. Solidariedade e Ambiente: cuidar do mundo Oferta complementar 2013-2014 Temática A solidariedade 7ºano

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DR. FRANCISCO SANCHES Uma Escola de Cidadania Página 4 de 7 Tema 1. Solidariedade: em busca de uma definição Conteúdo Competências Sugestões de atividades Ponto de partida: conhecimento dos alunos sobre a temática da solidariedade. Solidariedade como prática: solidariedade ou solidariedades? Tipos e exemplos de solidariedade: Solidariedade orgânica (ou natural ): família, vizinhos, grupo de amigos Solidariedade horizontal ( entre iguais ). Pertença a um grupo: associação, partido, sindicato, nação Solidariedade vertical (ou descendente ): Estado Social ou Estado de Bem-Estar. Solidariedade compassiva (ou ascendente ): aberta a todos, especialmente os mais vulneráveis (sociedade civil: IPPS, ONG, iniciativas de voluntariado, ). Conceito de Solidariedade Etimologia da palavra. O conceito jurídico de solidariedade. Perspetiva ética: Solidariedade: princípio ético fundamental da vida social. Responsabilidade comum e universal de todos os seres humanos. Solidariedade = Empatia + Partilha Relação: solidariedade, justiça e amor Expressa opinião própria sobre o que é a solidariedade e respeita as opiniões dos outros. Reflete criticamente sobre o conceito de solidariedade. Identifica diferentes tipos de solidariedade e dá exemplos práticos da sua concretização. Reconhece a complexidade do tema em estudo e compreende a inter-relação entre solidariedade, justiça e amor. Interpreta textos que aludem ao valor ético da solidariedade. Mobiliza os conhecimentos adquiridos, estabelecendo um discurso (oral e escrito) correto, coerente e pessoal sobre o conceito de solidariedade. Revela atitudes solidárias. Para mim, Solidariedade é Dinâmica: Dinâmica da Palavra ou Chuva de Ideias (ver anexo 1). Solidariedade: em busca de uma definição Dinâmica: Jogo dos Quadrados (ver anexos 2 e 3). Consolidação de conhecimentos. Dinâmica: Comentário de frases (ver anexo 4). Oferta complementar 2012-2013 Temática A solidariedade 7ºano

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DR. FRANCISCO SANCHES Uma Escola de Cidadania Página 5 de 7 Tema 2. Dimensão local e internacional da solidariedade. Concretizações da Solidariedade. Subtema Conteúdo Competências Sugestões de atividades 2.1 Organizações de solidariedade social (ONG, IPSS, fundações ) Solidariedade versus Falta de Solidariedade : Na família Na escola Na sociedade Organizações de solidariedade social: (Organismos das Nações Unidas, ONG, IPSS, Fundações, ) Nome Fundador Ano de fundação Missão Objetivos Áreas de atuação Principais campanhas/atividades Outras informações (sigla, símbolo, número de voluntários, principais locais onde atua, curiosidades ). Identifica atitudes, comportamentos ou situações concretas de Solidariedade e Falta de Solidariedade na família, escola e sociedade. Pesquisa informação relevante sobre uma organização de solidariedade social. Organiza a informação obtida, elaborando um trabalho correto e coerente sobre uma organização de solidariedade social. Expressa opinião própria sobre a importância das organizações de solidariedade social. Mobiliza os conhecimentos adquiridos, organizando uma palestra e/ou visita de estudo a uma organização de solidariedade social. Revela criatividade, empenho e atitudes solidárias. Solidariedade versus Falta de Solidariedade. Dinâmica: em grupo, completar tabela (ver anexo 5). Organizações de solidariedade social. Dinâmica: Raio-X da organização (ver anexo 6). Consolidação de conhecimentos. Hipótese 1 preparação / participação numa palestra realizada por uma organização de solidariedade social na escola (preparação da atividade + atividade + relatório, apresentado de forma criativa). Hipótese 2 - visita de estudo a uma dessas organizações presentes em Braga (guião da visita + visita + relatório, apresentado de forma criativa). Oferta complementar 2012-2013 Temática A solidariedade 7ºano

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DR. FRANCISCO SANCHES Uma Escola de Cidadania Página 6 de 7 Tema 2. Dimensão local e internacional da solidariedade. Concretizações da Solidariedade. Subtema Conteúdo Competências Sugestões de atividades 2.2 Solidariedade e Voluntariado Voluntariado formal O que é? Definição. Princípios orientadores. Quem são os voluntários? Características. Motivações. Campos de ação. Voluntariado Informal Ações possíveis. Uma proposta concreta Distingue voluntariado formal e voluntariado informal. Reflete sobre o conceito de voluntariado e os princípios que o orientam. Interpreta textos que caracterizam o voluntário. Reflete sobre as motivações dos voluntários. Mobiliza os conhecimentos adquiridos e planeia / executa uma atividade voluntária numa organização de solidariedade social. Expressa opinião própria e respeita as opiniões dos outros. Revela atitudes solidárias. Voluntariado: o que é? Voluntários: Quem são? Dinâmica: realização de ficha de trabalho (ver anexos 7 e 8). Motivações dos voluntários. Dinâmica: Philips 6x6 e complementação (ver anexo 9). Uma experiência de voluntariado. Dinâmica: Visualização de filme: Favores em Cadeia + elaboração de Lista de Ações (voluntariado informal) + Comemoração do Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre as Gerações 2012 (ver anexo 10). Oferta complementar 2012-2013 Temática A solidariedade 7ºano

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DR. FRANCISCO SANCHES Uma Escola de Cidadania Página 7 de 7 Tema 3. Solidariedade e Ambiente: cuidar do mundo Conteúdo Competências Sugestões de atividades A natureza do cuidado Cuidado - dimensão ontológica do ser humano (um ser de cuidado): Exemplos de Cuidado e Falta de Cuidado da ação humana na natureza Princípios de uma ética do cuidado Construir uma sociedade sustentável; Respeitar e cuidar os seres vivos; Melhorar a qualidade de vida humana; Conservar a diversidade do planeta Terra; Permanecer nos limites da capacidade de suporte impostos pela natureza; Modificar atitudes e comportamentos pessoais; Permitir que as comunidades cuidem do seu próprio meio ambiente. Concretizações do Cuidado com o planeta Terra Reflete sobre a noção de cuidado. Revela atitude crítica em relação ao sentido e finalidade da ação humana na natureza. Identifica situações de Cuidado e de Falta de Cuidado da ação humana na natureza. Mobiliza os valores do respeito, da responsabilidade e da solidariedade em ordem à orientação do comportamento humano em relação à natureza em situações do quotidiano. Mobiliza os conhecimentos adquiridos, propondo soluções concretas que sustentem o modo humano de ser cuidado na proteção da natureza. Revela atitudes de cuidado com os outros e a natureza. A natureza do cuidado. Dinâmica: texto A fábula de Higino (ver anexo 11). Cuidado e Falta de Cuidado da ação humana na natureza. Dinâmica: minifilme Agonia do Planeta (Youtube) e ficha de trabalho (ver anexo 12). Princípios de uma ética do cuidado. Dinâmica: em grupo, leitura do texto Ética do cuidado: alguns princípios e realização de ficha de trabalho (ver anexo 13). Concretizações do cuidado com o planeta. Dinâmica: projeto Mãos à obra - Vamos cuidar da terra! (ver anexo 14). Oferta complementar 2012-2013 Temática A solidariedade 7ºano

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DR. FRANCISCO SANCHES Uma Escola de Cidadania Oferta Complementar AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DR. FRANCISCO SANCHES 2013-2014

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DR. FRANCISCO SANCHES Uma Escola de Cidadania Introdução De harmonia com o Decreto-Lei nº139/2012 de 5 de Julho, As escolas, no âmbito da sua autonomia, devem desenvolver projetos e atividades que contribuam para a formação pessoal e social dos alunos, designadamente educação cívica, educação para a saúde, educação financeira, educação para os media, educação rodoviária, educação para o consumo, educação para o empreendedorismo e educação moral e religiosa, de frequência facultativa. (artº 15º). Na reunião do Conselho Pedagógico de seis de julho, ficaram definidas as temáticas a desenvolver por ano, no âmbito desta oferta complementar, a saber: 5º ano Cidadania e Segurança e Educação para os Direitos Humanos; 6.º ano Educação para a Saúde, Educação Ambiental e Educação para o consumo; 7.º ano Educação para a Solidariedade; 8.º ano Educação para a Sustentabilidade e Educação para os Media; 9.º ano Dimensão Europeia da Educação, Conhecimento do mundo do trabalho e Educação para o Empreendedorismo. Dado não ter havido alteração à Lei n.º 60/2009 de 6 de Agosto, que estabelece o regime de aplicação da educação sexual em meio escolar, esta temática curricular, que era desenvolvida até ao presente ano letivo pelo diretor de turma, no âmbito da área de Formação Cívica, passa a integrar o currículo da oferta complementar, em cada ano escolar. NOTA: As planificações sobre "Sexualidade", destinadas aos 5º, 7º, 8º e 9º anos, foram elaboradas pelos professores do Agrupamento que frequentaram a formação na escola. Algumas destas planificações estão disponíveis para consulta na Plataforma Moodle e na disciplina "Educação para a Saúde".

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DR. FRANCISCO SANCHES Uma Escola de Cidadania Esta oferta complementar será de um tempo semanal de quarenta e cinco minutos (45 ), de frequência obrigatória para os alunos ( Frequência obrigatória para os alunos, desde que criada pela escola Dec-Lei nº 139/2012 de 5 de Julho) e preferencialmente desenvolvida pelos diretores de turma (DT). Por designação da Direção do Agrupamento e do professor designado para coordenar esta área, o grupo de professores, abaixo indicado, elaborou as propostas do currículo a desenvolver em cada uma e que este documento apresenta. 5º ano Maria do Céu Lucas (grupo 200) Maria José Mendes (grupo 910) Gil Viana (grupo 260) 6º ano Paula Palmeira (grupo 330) Manuela Gomes (grupo 520) 7º ano Maria José Rodrigues Dias (grupo 290) Gastão Veloso (grupo 290) 8º ano Anabela Silva (grupo 520) 9º ano Cristina Canelas (psicóloga escolas) Lucinda Laura (grupo 420) Cristina Sousa (grupo 510)

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DR. FRANCISCO SANCHES Uma Escola de Cidadania

Critérios de Avaliação A avaliação das aprendizagens realizadas no âmbito da oferta complementar é de natureza qualitativa e não é considerada para efeitos da progressão do aluno, atendendo à sua natureza de opção de escola e portanto não obrigatória no currículo nacional. A avaliação é da responsabilidade do Conselho de Turma, envolvendo também a participação: a) dos alunos, através da sua auto -avaliação; b) dos encarregados de educação, através do diálogo com o diretor de turma; c) de outras entidades julgadas necessárias, nomeadamente os técnicos dos serviços especializados de apoio educativo (Psicólogo, Técnico de Educação Especial ou outros). A avaliação deve ter uma finalidade reguladora no processo de aprendizagem dos alunos e deve centrar-se em toda a informação recolhida no âmbito da avaliação diagnóstica, formativa e sumativa. Nos 2º e 3º ciclos, a avaliação sumativa interna ocorre no final de cada período letivo e é da responsabilidade dos professores que integram o conselho de turma e dos órgãos de gestão e administração do agrupamento de escolas. A expressão dessa informação resultante da avaliação sumativa interna traduz-se numa menção qualitativa de Não satisfaz, Satisfaz e Satisfaz bem, atendendo aos critérios indicados na página seguinte deste documento.

Compromisso com a aprendizagem Correção/adequação Capacidades a desenvolver Conhecimentos a adquirir Avaliação do desempenho dos alunos na disciplina de oferta complementar do º ano Domínio Critérios/parâmetros Perfil de desempenho/indicadores de avaliação Correção/adequação Na definição Na descrição Correção/adequação Na utilização Na participação No cumprimento de regras Na organização dos seus materiais escolares Na assiduidade Na pontualidade Reproduz informação. Interpreta factos/dados. Relaciona conceitos. Reconhece/identifica princípios, teorias, doutrinas. Apresenta um discurso oral e escrito claro e rigoroso. Seleciona fontes de informação. Recolhe informação. Utiliza linguagem específica da disciplina. Elabora/interpreta gráficos, esquemas, tabelas, textos. Responde a questões. Resolve problemas, situações. Realiza trabalhos de pesquisa. Utiliza técnicas de apoio à aprendizagem e expressão do conhº. (resumos, esquemas, sublinhados ) Utiliza dispositivos de apoio à aprendizagem e expressão do conhº (dicionários, enciclopédias, recursos informáticos ) Desenvolve as atividades propostas. Realiza os trabalhos que lhe são solicitados. Realiza os trabalhos de grupo. Respeita a participação dos colegas. Cumpre os prazos das tarefas que lhe são propostas. Responde às solicitações do professor e/ou dos colegas. Cumpre o horário definido. Traz sempre o material para as aulas. Tem o caderno diário organizado corretamente. Não falta sem justificação relevante. Não tem atrasos sem justificação relevante. Ponderações 40% 40% 20% Instrumentos de avaliação Fichas de trabalho Fichas de avaliação Fichas de autoavaliação Trabalhos de pesquisa Apresentações orais Apresentações escritas em suporte informático Grelhas de observação

doc 30 Descritores de Avaliação de SAE - Saúde, Ambiente e Empregabilidade Oferta Complementar (Decreto-Lei nº 13-A/2012 de 05/06) PROCURA E TRATAMENTO DE INFORMAÇÃO Recolhe, organiza e trata a informação de forma adequada 1 Recolhe, organiza e trata a informação com alguma dificuldade 2 Revela muita dificuldade na recolha, organização e tratamento da informação 3 Mobiliza os saberes com correção 4 Mobiliza os saberes com alguma correção 5 Mobiliza os saberes com pouca correção 6 MÉTODOS DE TRABALHO E DE ESTUDO Organiza o seu estudo e o seu trabalho na aula de forma adequada 7 Organiza o seu estudo e o seu trabalho na aula com alguma dificuldade 8 Não é capaz de organizar o seu estudo e o seu trabalho na aula 9 Aplica métodos de trabalho com correção 10 Aplica métodos de trabalho com alguma correção 11 Não demonstra métodos de trabalho e de estudo 12 Avalia o seu trabalho e o dos colegas com correção 13 Avalia o seu trabalho e o dos colegas com alguma correcção 14 Avalia o seu trabalho e o dos colegas com pouca correção 15 Utiliza as tecnologias de informação e comunicação com correção 16 Utiliza as tecnologias de informação e comunicação com alguma correção 17 Utiliza as tecnologias de informação e comunicação com pouca correção 18 Participa e desenvolve atividades e/ou projetos com muito empenho 19 Participa e desenvolve atividades e/ou projetos com empenho 20 Participa e desenvolve atividades e/ou projetos com pouco empenho 21 Cumpre sempre as regras estabelecidas 22 Nem sempre cumpre as regras estabelecidas 23 Raramente cumpre as regras estabelecidas 24 Revela autonomia na realização das aprendizagens 25 Revela pouca autonomia na realização das aprendizagens 26 Não é autónomo na realização das aprendizagens 27 COMUNICAÇÃO Comunica oralmente com correção 28 Comunica oralmente com alguma correção 29 Comunica oralmente com pouca correção 30 Comunica por escrito com correção 31 Comunica por escrito com alguma correção 32 Comunica por escrito com pouca correção 33 Diversifica e adequa as formas de comunicação com correção 34 Diversifica e adequa as formas de comunicação com alguma correção 35 Diversifica e adequa as formas de comunicação com pouca correção 36 RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS Observa e identifica situações problemáticas com correção 37 Observa e identifica situações problemáticas com alguma correção 38 Observa e identifica situações problemáticas com pouca correção 39 Utiliza métodos de resolução de problemas com correção 40 Utiliza métodos de resolução de problemas com alguma correção 41 Utiliza métodos de resolução de problemas com pouca correção 42 RELACIONAMENTO INTERPESSOAL E DE GRUPO Participa e coopera em atividades colectivas e de grupo 43 Tem alguma dificuldade em participar e cooperar em atividades coletivas e de grupo 44 Não participa nem coopera em atividades coletivas e de grupo 45 CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO SAE Saúde, Ambiente e Empregabilidade Oferta Complementar (Decreto-Lei nº 13-A/2012 de 05/06)

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DR. FRANCISCO SANCHES Uma Escola de Cidadania NÃO SATISFAZ Descritores Revela muita dificuldade na recolha, organização e tratamento da informação; 3 Mobiliza os saberes com pouca correção; 6 Não é capaz de organizar o seu estudo e o seu trabalho na aula com correção; 9 Não demonstra métodos de trabalho estudo; 12 Avalia o seu trabalho e o dos colegas com pouca correção; 15 Utiliza as tecnologias de informação e comunicação com pouca correção; 18 Participa e desenvolve projetos com pouca correção; 21 Raramente cumpre as regras estabelecidas; 24 Não é autónomo na realização das aprendizagens; 27 Comunica oralmente com pouca correção; 30 Comunica por escrito com pouca correção; 33 Diversifica e adequa as formas de comunicação com pouca correção; 36 Observa e identifica situações problemáticas com pouca correção; 39 Utiliza métodos de resolução de problemas com pouca correção; 42 Não participa nem coopera em atividades coletivas e de grupo. 45 SATISFAZ Recolhe, organiza e trata a informação com alguma dificuldade; 2 Mobiliza os saberes com alguma correção; 5 Organiza o seu estudo e o seu trabalho na aula com alguma correção; 8 Aplica métodos de trabalho com alguma correção; 11 Avalia o seu trabalho e o dos colegas com alguma correção; 14 Utiliza as tecnologias de informação e comunicação com alguma correção; 17 Participa e desenvolve projetos com alguma correção; 20 Nem sempre cumpre as regras estabelecidas; 23 Revela pouca autonomia na realização das aprendizagens; 26 Comunica oralmente com alguma correção; 29 Comunica por escrito com alguma correção; 32 Diversifica e adequa as formas de comunicação com alguma correção; 35 Observa e identifica situações problemáticas com alguma correção; 38 Utiliza métodos de resolução de problemas com alguma correção; 41 Tem alguma dificuldade em participar e cooperar em atividades coletivas e de grupo. 44 SATISFAZ BEM/BASTANTE Recolhe, organiza e trata a informação de forma adequada; 1 Mobiliza os saberes com correção; 4 Organiza o seu estudo e o seu trabalho na aula com correção; 7 Aplica métodos de trabalho com correção; 10 Avalia o seu trabalho e o dos colegas com correção; 13 Utiliza as tecnologias de informação e comunicação com correção; 16 Participa e desenvolve projetos com correção; 19 Cumpre sempre as regras estabelecidas; 22 Revela autonomia na realização das aprendizagens; 25 Comunica oralmente com correção; 28 Comunica por escrito com correção; 31 Diversifica e adequa as formas de comunicação com correção; 34 Observa e identifica situações problemáticas com correção; 37 Utiliza métodos de resolução de problemas com correção; 40 Participa e coopera em atividades coletivas e de grupo com correção. 43

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DR. FRANCISCO SANCHES Uma Escola de Cidadania Orientações de aplicação: Em rigor, os quinze descritores deverão ser usados, na medida em que só assim é abarcada a totalidade dos domínios em que é feita a aprendizagem do aluno: conhecimentos a adquirir, capacidades a desenvolver e compromisso com a aprendizagem. Cada Conselho de Turma/professor da disciplina de SAE pode, contudo, selecionar os descritores que melhor configurarem os objetivos definidos no contexto da realidade turma, determinante de gestões curriculares. A avaliação final deve espelhar e ser coerente com a predominância superior a 50% de um determinado grupo de descritores num dos níveis desta avaliação qualitativa. Exemplos para um universo de quinze descritores: Não Satisfaz Satisfaz Satisfaz Bem Total Avaliação final 8/ 15 7/ 15 - NS > 50% NS - 8/ 15 7/ 15 S > 50% S - 10/ 15 5/ 15 S > 50% S - 6/ 15 9/ 15 SB > 50% SB O responsável pela elaboração do documento Oferta complementar de escola/ 2012-2013 Maria do Céu Lucas Silva Vieira O diretor do AEFS Jorge Armando de Oliveira Queirós Amado

Anexo 2 Solidariedade: em busca de uma definição 1 1 - Solidariedade ou... Solidariedades? Solidariedade é um termo frequentemente presente tanto nos discursos oficiais dos governantes quanto nas conversas informais do cidadão comum. Empregue nas mais diversas circunstâncias e com diferentes significados, o termo solidariedade tornou-se polissémico e ambíguo, ao ponto de não se saber com precisão se, através dele, se apela a um sentimento, um valor, um direito ou um princípio de organização social (cf. Domingo Moratalla, 1997). São múltiplas, na forma e no conteúdo, as manifestações dessa realidade chamada solidariedade: - Solidariedade orgânica (ou natural ) fortemente presente nas sociedades tradicionais e expressa sobretudo ao nível dos laços de vizinhança e de proximidade familiar. - Solidariedade horizontal manifestada na pertença a um determinado grupo social: associação, partido, sindicato, nação ( solidariedade entre iguais ). - Solidariedade vertical (ou descendente ) observada nas sociedades modernas desenvolvidas e que se concretiza no Estado Social ou de Bem-Estar. Consiste no estabelecimento de medidas universais (gratuidade da educação e assistência médica, medidas de proteção social perante situações de doença ou desemprego, estabelecimento de serviços de assistência social, etc ) financiadas pelos recursos públicos procedentes do sistema fiscal redistributivo 2. 1 Este texto discute o conceito de solidariedade e constitui um apoio para a realização do Jogo dos Quadrados (ver anexo 3). No final dessa dinâmica, um resumo com as principais ideias deste texto deverá ser distribuído aos alunos. 2 É possível constatar algumas razões da insuficiência deste tipo de solidariedade: 1) a crise do Estado Social ou Estado de bem-estar - sempre que surge uma grave crise económica (como a que vivemos nos nossos dias), o número das pessoas que precisam de ajuda aumenta substancialmente enquanto o número daquelas que podem contribuir com recursos diminui, situação que impede o Estado de responder cabalmente às necessidades básicas de todas as pessoas; 2) a necessária reformulação da solidariedade em termos mundiais: de um ponto de vista global, não é possível um esquema de solidariedade descendente porque, na verdade, os que podem contribuir à escala mundial são uma minoria. Embora fundamental, esta forma de solidariedade vertical ou descendente precisa ser complementada com outras concretizações solidárias. Página 1 de 6

- Solidariedade compassiva (ou ascendente ) que procura organizar a vida social a partir dos direitos dos menos iguais. Esta forma de solidariedade vivida na sociedade civil - por exemplo, ao nível das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPPS), das Organizações Não-Governamentais (ONG) e das iniciativas de voluntariado, individuais ou organizadas, em favor dos mais vulneráveis - questiona o atual estilo de vida e coloca o desafio da construção de uma nova cultura solidária e sustentável (a nível económico, social, cultural, ambiental ) que substitua a impossível universalização da civilização do consumo desenfreado e da riqueza sem limites (cf. Silveira de Brito, 2003). Do ponto de vista ético 3, certas formas de solidariedade podem originar comportamentos problemáticos. Por um lado, o desrespeito pela autonomia dos indivíduos e a sua diluição no grupo e, por outro lado, o assumir de atitudes corporativas, expressão de uma solidariedade fechada e excludente. Refletindo sobre o tipo de vínculos sociais que se estabelecem, constata-se que se a cooperação, a integração e a coesão são utilizadas para subordinar a autonomia pessoal ao grupo, à nação ou Estado então está-se perante uma solidariedade sociológica, cultural, política ou jurídica, mas não perante uma solidariedade ética (Domingo Moratalla, 1997: 1122). Na verdade, numa perspetiva ética o preço da solidez comunitária não pode ser a autonomia pessoal, porque nos situaríamos ao nível de uma moral fechada, onde a solidariedade não seria mais do que a obediência à lei e sujeição à ordem estabelecida (ibid: 1122). Solidariedade pode então significar o compromisso em favor dos interesses do mesmo grupo social, significando deste modo uma associação para a ajuda mútua. Porém, obtém qualidade ética quando não se limita a parceiros de força igual, mas estende-se a todos os seres humanos, especialmente aqueles que mais necessitam. Neste 3 O termo ética vem do grego êthos e significa modo de ser ou caráter (Aranguren, 1972: 24-25). A ética é a reflexão sobre os princípios e valores que devem nortear os modos de ser e de fazer do ser humano. Analisa criticamente os princípios que regem um determinado sistema moral (dimensão prática). A palavra moral (mos-mores em latim) significa os costumes de uma determinada cultura. Muitos utilizam a expressão bons costumes como sinónimo de moral e, como há muitas culturas, tais hábitos fundam várias morais. Moral é a definição de máximas de conduta e de regras consideradas adequadas e coerentes com os princípios enunciados na ética. Trata, por isso, do comportamento concreto dos seres humanos. Em síntese, a moral responde à questão: O que devo fazer? E a ética Porque devo fazer aquilo que faço?. Página 2 de 6

sentido, a solidariedade significa um compromisso em favor dos membros mais vulneráveis da sociedade (cf. Hilpert, 1993). 2 Solidariedade (empatia/compaixão + partilha): uma aproximação conceptual O termo solidariedade tem a sua origem na palavra latina solidus. Na construção civil, solidus significa compacto, firme, estável. No campo jurídico remete para as obrigações contraídas in solidum, nas que havendo vários devedores, todos e cada um deles estão obrigados a assumir integralmente a dívida, no caso em que os demais se declarem insolventes. Quer dizer, ser solidário significa assumir as cargas dos demais, fazer próprias as cargas deles (Bilbao e Etxeberria, cit. in Silveira de Brito, 2003: 103). Na perspetiva sociológica, a consciência da origem, existência e destino comum é o ponto de partida da solidariedade social. A pessoa aceita que o desenvolvimento individual esteja dependente da colaboração com os outros e que, por sua vez, cada um ao dispor livremente de si mesmo e dos recursos existentes (materiais, sociais, culturais, ) deve fazê-lo cooperando com os outros, criando comunidade. A solidariedade expressa a condição ética da vida humana: formamos uma realidade ( compacta, firme, estável ) que se rege pela empatia e cooperação. A base da solidariedade é a empatia ( sentir com o outro, colocar-se na pele do outro ), atitude que pode adquirir a forma de compaixão, no seu sentido mais nobre (ibid: 103) 4. E se a empatia está na base da solidariedade, a sua meta / ápice é a partilha dos bens, sejam eles económicos, políticos, sociais ou culturais. O significado ético da solidariedade desdobra-se então desde a empatia com o outro até à prática da partilha com ele (cf. Silveira de Brito, 2003). A perspetiva ética afirmando o valor do outro, seja ele quem for (universalidade), permite romper com um tipo de solidariedade grupal-corporativa e rasgar os horizontes de uma solidariedade universal, aberta e justa. Deste modo, é possível transformar a interdependência real experimentada pelas pessoas em solidariedade desejada (UNESCO, 1996: 41) e efetivamente vivida, isto é, em capacidade de estabelecer vínculos e viver juntos. 4 Empatia é a capacidade de ver o mundo como o outro o vê, compreender o seu quadro de referência, a sua sensibilidade e as suas emoções profundas. Trata-se de fazer a experiência de pôr-se na pele do outro. Na empatia, a atitude fundamental não é a de interpretar, julgar, avaliar, mas a de tentar compreender o que está a ser comunicado pelo outro - por palavras, gestos e atitudes - procurando o significado pessoal que lhe é dado. Página 3 de 6

A Solidariedade é o reconhecimento prático da responsabilidade que os indivíduos e os grupos humanos têm de contribuir para o bem-estar dos outros, especialmente dos que têm maiores necessidades (cf. Bilbao e Etxeberria, 2001 cit. in Silveira de Brito, 2003). Daqui resulta que a solidariedade é uma virtude pessoal (dimensão personalista) e um princípio ético da vida social (dimensão estrutural) que afeta a vida da pessoa e da sociedade. A solidariedade não é um sentimento de compaixão vago, ou de enternecimento superficial pelos males sofridos por tantas pessoas, próximas ou distantes. Pelo contrário é a determinação firme e perseverante de se empenhar pelo bem comum, ou seja, pelo bem de todos e cada um, porque todos nós somos verdadeiramente responsáveis por todos (João Paulo II, 1987: n. 38). Trata-se portanto de um princípio ético fundamental que emana da responsabilidade comum e universal de todos os seres humanos. 3 - Solidariedade, justiça e amor Solidariedade e justiça estão indissoluvelmente associadas: só vinculando a realização da justiça à solidariedade se impede a compreensão desta última como um mero sentimento. O princípio pelo qual se rege a justiça é a igualdade, mas uma igualdade complexa uma vez que procura conceder a cada qual aquilo que lhe é devido, considerando as circunstâncias, os meios e as diferenças individuais das pessoas. Se justiça é dar a cada um o que é seu (suum cuique tribuere) não se pode, porém, interpretar este seu segundo a ordem social estabelecida, mas a partir de uma exigência prévia às configurações sociais. Isto porque a justiça deve precisamente corrigir os desvios que estão na base da ordem estabelecida e procurar dar a cada um aquilo de que está privado ou despojado (caso contrário, não há nem justiça nem solidariedade). Por isso, agir em favor da justiça é conferir ao outro o seu, isto é, o direito de ser sujeito, ser com liberdade, interioridade e dignidade inviolável, capaz de inscrever o seu nome e a sua vontade na história e no mundo. Não basta, porém, a justiça para a construção de uma sociedade verdadeiramente humana. Sem o amor, a justiça pode perder força e até valor ético. Como afirmou o grande escritor russo Fiodor Dostoyewsky: Não tendes ternura, só tendes justiça, por isso sois injustos. O amor é sempre necessário porque não há qualquer ordenamento justo que possa tornar supérfluo o serviço do amor. Quem quer desfazer-se do amor, Página 4 de 6

prepara-se para se desfazer do homem enquanto homem (Bento XVI, 2006: nº 28) e, deste modo, nunca haverá uma situação onde não seja precisa a caridade de cada um dos indivíduos, porque o homem, além da justiça, tem e terá sempre necessidade do amor (ibid, nº 29). Articulando a justiça e o amor como realidades intimamente implicadas, a solidariedade é justificada e enriquecida com outras dimensões, tais como a generosidade, a gratuitidade, a doação e o serviço desinteressado. A solidariedade pressupõe, por isso mesmo, não só a cooperação, «o dar», mas também «o dar-se». A solidariedade poderá entender-se de uma forma mais precisa quando reconhecemos que o eticamente relevante depende tanto de uma lógica da ação como de uma lógica da doação. [Por isso,] a solidariedade ética apela (...) a uma lógica mais constitutiva e básica, que não tem tanto a ver com o dar da cooperação quanto com o dar-se da generosidade (Domingo Moratalla, 1997: 1122). Generosidade que não consiste apenas em atribuir a cada um o que é seu (justiça), mas de oferecer o que é meu e faz falta ao outro. E como não se pode dar senão o que se possui, a generosidade está associada à liberdade pessoal e autodomínio (cf. Comte-Sponville, 19995). Assim compreendida, a solidariedade adquire profunda densidade antropológica e ética, conduzindo a pessoa a dar algo de si própria para enriquecer o outro. A solidariedade mantém pois uma relação mediadora com a justiça e o amor. A solidariedade pressupõe e plenifica a justiça. Procura a realização da justiça enquanto igualdade complexa que implica o reconhecimento da diferença. O amor ao outro é motivo fundamental da ação moral e a solidariedade o meio concreto empregue para o realizar. 4 - Referências bibliográficas Aranguren, J.L. (1972). Ética. Madrid: Revista de Ocidente. Bento XVI. (2006). Carta Encíclica Deus é Amor. Disponível em: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_benxvi_enc_20051225_deus-caritas-est_po.htm. Comte-Sponville, A. (1995). Pequeno Tratado das Grandes Virtudes. Lisboa: Editorial Presença. Domingo Moratalla, Agustín. (1997). Solidariedad. Diccionario de Pensamiento Contemporáneo. Madrid: San Pablo. Página 5 de 6

Hilpert, Konrad. (1993). Ética social / Solidariedade. Dicionário de Conceitos Fundamentais de Teologia. São Paulo: Paulus. João Paulo II. (1987). Carta Encíclica Sollicitudo rei socialis. Disponível em: http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/encyclicals/documents/hf_jpii_enc_30121987_sollicitudo-rei-socialis_po.html. Silveira de Brito, J. H. (2003). Da Solidariedade à Generosidade e à Justiça. Revista de Educação Social, 1, 99-107. UNESCO (1996). A educação: um tesouro a descobrir. Porto: Edições ASA. Página 6 de 6

Anexo 3 Jogo dos Quadrados 1 Objetivos A partir do jogo dos quadrados, refletir sobre algumas ideias-chave relacionadas com o conceito de solidariedade, nomeadamente: A presença de atitudes, tais como: empatia, colaboração, partilha, A inter-relação entre objetivos pessoais e objetivos do grupo (Pessoa versus Sociedade). 2 - Material a utilizar (por grupo de cinco pessoas!) - Cinco envelopes numerados de 1 a 5 contendo diferentes peças também numeradas de 1 a 5. (Os números nas peças correspondem aos respetivos envelopes. Por exemplo: as peças nº 1 encontram-se dentro do envelope 1 - ver esquema). - Dezasseis peças (10x10cm, em cartolina ou papel grosso) que formam um quebra-cabeças (puzzle) e permitem a construção de cinco quadrados de igual dimensão (ver esquema). 3 - Realização da dinâmica A turma é dividida em grupos de cinco voluntários. Cada equipa deve sentar-se à volta de uma mesa. Os restantes alunos (ou os que não quiserem participar como voluntários) serão Observadores. Página 1 de 6

OBSERVADORES Reunir em separado os observadores explicando as suas funções. Devem observar silenciosamente e anotar por escrito tudo o que de relevante acontecer durante o jogo. Os observadores poderão circular pela sala e observar o que acontece nos diferentes grupos, sem interferir ou fazer qualquer comentário. Guião para os Observadores : - O objetivo do jogo foi atingido por todos os grupos? Sim: todos os jogadores construíram o seu quadrado. Não: nem todos os jogadores conseguiram construir o seu quadrado ou foram construídos cinco quadrados, mas apenas por um ou alguns dos jogadores do grupo. - As regras foram cumpridas? Todas? Algumas? Nenhuma? Porquê? - Ocorreram comportamentos, tais como: Nervosismo? Risos? Passividade? Desistência? Outros? Porquê? - Ocorreram atitudes, tais como: Jogador nunca ofereceu peças; Jogador deu peças que sobravam (depois do seu quadrado feito); Jogador deu peças que os outros jogadores não precisavam; Jogador deu peças que lhe faziam falta ou desfez o quadrado para dar peças que outros jogadores precisavam; Jogador pediu peças; Jogador dobrou peças para construir quadrado; Jogador fez o quadrado do outro; Jogador conclui o seu quadrado e assumiu atitude passiva; Jogador fica com um quadrado pequeno (peça assinalada com o nº 1 no 2º quadrado do esquema acima representado); Outras atitudes Página 2 de 6

JOGADORES Explicar o jogo a todos os grupos: - Cada grupo realiza uma tarefa que, embora seja igual para todos os grupos, deve ser executada de forma independente (sem comunicação/troca de peças entre os diferentes grupos). - Cada jogador receberá um envelope com peças (mostrar um envelope com peças, como exemplo). - Objetivo do jogo: cada jogador construir um quadrado. - Regras: os jogadores 1) não podem falar; 2) não podem pedir peças; 3) podem oferecer peças. - No final do jogo, não podem sobrar nem faltar peças. - O jogo tem a duração de 20 min, após a abertura dos envelopes (em simultâneo para todos os grupos). Passado esse tempo (ou atingido o objetivo) o jogo está finalizado. Os grupos que terminem antes do tempo previsto devem permanecer em silêncio. Esclarecer quaisquer dúvidas. Entregar cinco envelopes a cada grupo. Cada jogador fica apenas com um dos envelopes e aguarda o início do jogo. Iniciar o jogo e, decorrido o tempo (ou atingido o objetivo por todos os grupos), concluir o jogo 1. 4 Conclusões do jogo Em plenário, iniciar a análise/discussão dos resultados ouvindo os observadores e os jogadores 2. O diálogo começa a partir dos registos dos observadores. Para cada observação, ou grupo de observações, deixar que todos participem de forma organizada, dando a sua opinião sobre o que aconteceu. 1 No final do jogo, cada grupo coloca as peças nos respetivos envelopes. As peças estão numeradas e devem ser colocadas nos envelopes, de acordo com o seguinte exemplo: peças nº 1 são guardadas no envelope 1. Informar os jogadores que a numeração das peças não tem nenhuma relação com a construção dos quadrados, servindo apenas para que sejam colocadas corretamente nos envelopes. 2 Os observadores devem limitar-se a descrever as atitudes/comportamentos que observaram, sem indicar o nome dos jogadores. O que importa é refletir, num clima de liberdade e confiança, sobre o que aconteceu, sem pessoalizar as situações para não magoar ninguém, nem gerar atitudes defensivas ou outras Página 3 de 6

IDEIAS A REALÇAR ALGUMAS CONCLUSÕES (VER ANEXO 2): Sociedade) Inter-relação entre realização pessoal e realização grupal/social (Pessoa versus Entre os polos Pessoa e Grupo/Sociedade deve existir um justo equilíbrio. Porém, ele é muitas vezes difícil de manter e quando tal não acontece ocorre o individualismo/egoísmo (o que conta é a minha realização, a qualquer custo) ou, do lado oposto, o totalitarismo do social que não reconhece nem respeita a autonomia e dignidade da pessoa. Exemplo a partir do jogo dos quadrados. Se o decisivo é a minha realização pessoal, então devo construir o meu quadrado a todo o custo e nada mais interessa. Esta atitude, contudo, compromete o objetivo do jogo - cada pessoa construir o seu quadrado - porque cada jogador depende dos outros para realizar a sua tarefa. Se o que conta é a realização do grupo enquanto grupo (enquanto associação abstrata e não conjunto de pessoas concretas, com autonomia e diferentes ritmos) o fundamental é então construir cinco quadrados, não interessa como (se for preciso, desrespeitam-se as regras). Os fins justificam quaisquer meios (tal como no primeiro caso, aliás!) e os mais capazes assumem o controlo do jogo e fazem o seu e o trabalho dos outros. Porém, esta atitude deturpa a finalidade do jogo, impede a realização do próprio objetivo do jogo: cada jogador deve construir um quadrado. Nota importante: Poder-se-á argumentar, ao longo da discussão, que com esta atitude - fazer o quadrado dos outros se pretendia apenas ajudar. Uma motivação altruísta, portanto. Resta saber - e considerando que as regras foram cumpridas, nomeadamente aquela que impedia os jogadores de falar - se essa ajuda seria interpretada pelas outras pessoas como tal ou, pelo contrário, como uma intromissão e desrespeito. Não basta querer ajudar. É necessário saber como ajudar. No caso concreto deste jogo, ajudar não era fazer o trabalho do outro e pelo outro (como, aliás, nunca é em Página 4 de 6

qualquer situação normal!), mas ajudar consistia em oferecer as peças que o outro precisasse para poder fazer o quadrado. Trata-se pois de ajudar subsidiariamente (na linha daquele célebre ensinamento: se vires alguém com fome não lhe dês um peixe, ensina-o antes a pescar). A solução, neste jogo como na vida social (onde o justo equilíbrio entre Pessoa e Sociedade é fundamental), passa pelo exercício da solidariedade Solidariedade = Empatia + Partilha Na vida social, a experiência da interdependência real deve ser transformada em solidariedade desejada (UNESCO), isto é, em capacidade de estabelecer vínculos e viver juntos. Cada ser humano deve aprender a viver consigo mesmo e com os outros, tornando-se cidadão, com direitos e deveres, membro de uma comunidade na qual se deve sentir chamado a viver de forma responsável e solidária. Exemplo a partir do jogo dos quadrados. A dinâmica própria deste jogo coloca em evidência a interdependência entre os jogadores (necessidade de trocar peças entre todos). Porém, o jogo só pode ser concluído com sucesso se essa interdependência conduzir a um comportamento solidário por parte de todos. No jogo dos quadrados, não basta pensar no meu quadrado e nas peças que me fazem falta, mas é necessário pensar nos quadrados dos outros e compreender que peças lhes fazem falta. Pôr-se na pele do outro (que neste caso concreto significa compreender o jogo do outro ), assumir a responsabilidade pela construção do meu quadrado e a dos quadrados dos outros, jogar a partir das minhas necessidades e das necessidades dos outros: eis a chave do sucesso neste jogo. E a isto chama-se empatia. Embora a empatia seja a primeira atitude necessária, ela por si só não é suficiente. Não chega pensar nos quadrados dos outros e compreender que peças lhes fazem falta. É necessário perceber quais dessas peças são minhas e posso oferecer. E se o fizer realizo uma efetiva partilha com os outros. Página 5 de 6

A partir deste jogo poder-se aprofundar a noção de partilha. Um jogador que dá peças que lhe sobram (por exemplo, depois de ter construído o seu quadrado) não partilha nada. Neste caso, dar essas peças é uma obrigação, um ato de elementar justiça (recorde-se que o valor que orienta a justiça é a igualdade - dar a cada um o que é seu - e, neste caso concreto, a igualdade é observada quando todos têm acesso às peças necessárias para a construção dos quadrados). As peças que sobram a um jogador não são suas por direito, até porque se sobram isso aconteceu porque algum jogador as ofereceu para ele poder construir o seu quadrado, não para as acumular. Ficar com peças para além das necessárias ( construir um quadrado = vida digna ) é privar, é despojar os outros jogadores de puderem também eles realizar o seu quadrado (também eles terem uma vida digna isto é, o direito de ser sujeito, ser com liberdade, interioridade e dignidade inviolável, capaz de inscrever o seu nome e a sua vontade na história e no mundo). Um jogador que dá peças que os outros jogadores não precisam tem uma atitude de falsa partilha (talvez, até de falsa caridade ). Revela falta de empatia, não saber ajudar (que complica mais do que ajuda, como já se observou anteriormente) ou então um interesse mesquinho e egoísta (no caso, por exemplo, de dar peças que sobram depois do seu quadrado feito, considerando que, nesse caso, elas só atrapalham já que nas instruções ao jogo é dito que no final não pode sobrar nem faltar peças). Um jogador que dá peças que lhe fazem falta ou desfaz o quadrado para dar peças que outros jogadores precisam revela uma verdadeira atitude de partilha. Partilhar não é dar o que me sobra (do ponto de vista ético, podemos por exemplo, dizer que nos sobra comida quando milhões de pessoas passam fome, seja à nossa porta ou no lugar mais recôndito do mundo?), nem naturalmente dar o que me sobra e não faz falta aos outros. Partilhar é dar o que é meu (todo o tipo de bens, tempo - talvez o maior bem! -, conhecimentos ) e, por isso, a partilha está intimamente ligada à generosidade. Na generosidade não se trata de atribuir a cada um o que é seu (justiça), mas de oferecer o que é meu e faz falta ao outro (Comte-Sponville, 1995). E como não se pode dar senão o que se possui, a generosidade está associada à liberdade pessoal e autodomínio. Numa relação social marcada pela partilha mútua todos ganham. Tal como no jogo dos quadrados onde dar e receber são momentos da mesma realidade. Quando todos dão, torna-se possível chegar à combinação das peças que permite que todos construam efetivamente os respetivos quadrados. Página 6 de 6

Anexo 4 Comentário de frases O(a) professor(a) poderá usar todas ou selecionar algumas frases Há alturas em que a melhor maneira de dizer é fazer. José Martí Eu não dou esmolas nem sermões; dou-me a mim mesmo. Walt Whitman Dormia e sonhava que a vida era apenas alegria; despertei e vi que tinha de servir; servi e descobri que servir era a alegria. Rabindranath Tagore Quando há só um a sonhar, é um sonho, uma fantasia, uma ilusão; mas quando vários, muitos, sonham juntos, o sonho transforma-se em esperança, em bonita utopia. Helder Câmara É vergonhoso ser-se feliz sozinho. Albert Camus

Dizem-me: «Come e bebe! Goza aquilo que tens!» Mas, como posso comer e beber, Se tiro ao faminto aquilo que como, E o meu copo de água faz falta ao sedento? E, no entanto, eu como e bebo. Bertolt Brecht Creio mais do que digo, digo mais do que amo, amo mais do que faço? Pedro Casaldáliga Para que eu possa ser, hei de ser de outro, sair de mim, procurar-me entre os outros, os outros que não são se eu não existo, os outros que me dão plena existência. Octavio Paz A solidariedade é a ternura dos povos. Gioconda Belli Não tendes ternura, Só tendes justiça, por isso sois injustos. Fiodor Dostoyewsky Partilhar com os demais não significa passar necessidade, mas que a solidariedade é praticada para que haja igualdade. Paulo de Tarso

A felicidade das pessoas está em partilhar aquilo que são e têm com os outros. Profeta Isaías A paz é fruto da solidariedade. João Paulo II Acima de tudo, tenta sempre ser capaz de sentir profundamente qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo. Ernesto Guevara O maior bem que fazemos aos outros Não é comunicar-lhes a nossa riqueza, mas revelar-lhes a sua. Louis Lavelle Ninguém pode dizer que é tão pobre, a ponto de não poder partilhar qualquer coisa, e ninguém pode dizer que é tão rico, que não tem nada para receber. Martin Nkafu Nkemnnkia

O egoísmo é antinatural. Nada cresce, a não ser com os outros. Ernesto Cardenal Quem quer fazer algo, encontra um meio, quem não quer fazer nada, arranja uma desculpa. Provérbio árabe. Em grupo: 1. Escolher os três textos que mais gostaram e explicar a escolha feita. Realizar apenas uma das seguintes tarefas: 2.1 Elaborar, a partir dos textos escolhidos, um spot publicitário (cartaz, PowerPoint, minifilme - Phototory, Moviemaker, ) sobre a importância da solidariedade nos nossos dias. 2.2 Elaborar, a partir dos textos escolhidos, uma breve comunicação (um pequeno discurso) sobre a importância da solidariedade nos nossos dias para ser apresentada numa reunião geral de alunos da escola. Dinâmica adaptada de: Miguel Bouzas (2001). Que é O VOLUNTARIADO. Lisboa: Paulinas

Identifica atitudes / comportamentos solidários e não solidários presentes na família, na escola e na sociedade. NA FAMÍLIA NA ESCOLA NA SOCIEDADE Solidariedade: Solidariedade: Solidariedade: Anexo 5 Falta de solidariedade: Falta de solidariedade: Falta de solidariedade:

Anexo 6 Raio - X da Organização Em grupo: 1 - Elaborar uma lista de organizações locais, nacionais e internacionais cujo âmbito de atuação seja a solidariedade social (pesquisar: web, jornais, revistas, entrevista a familiares, presidente de junta de freguesia, etc ). 2 Escolher uma organização e fazer o Raio - X da Organização, de acordo com tabela abaixo. 3 Apresentar à turma a organização, de forma criativa (cartaz, PowerPoint, minifilme - photostory, moviemaker, ). Alguns exemplos: Cruz Vermelha (Delegação de Braga), Caritas Portuguesa (Cáritas Diocesana de Braga), Centro Social da Paróquia de São Vítor (Braga), Oficinas de São José (Braga), Instituto Monsenhor Airosa (Braga), Ajuda de Berço, Aldeias de Crianças SOS, Banco Alimentar Contra a Fome, AMI - Assistência Médica Internacional, Médicos do Mundo, Associação de Apoio à Vítima, Ajuda à Igreja que Sofre, Liga dos Amigos dos Hospitais, Liga Portuguesa Contra o Cancro, Liga Portuguesa Contra a SIDA, Amnistia Internacional, VIDA - Voluntariado Internacional para o Desenvolvimento Africano, VIDES - Voluntariado Internacional de Educação à Solidariedade, UNICEF (United Nations International Children`s Emergency), FAO (Food and Agriculture Organization) - Organização para a Alimentação e a Agricultura, etc

Grelha de caracterização de instituição Nome: Fundador: Ano de fundação: Missão: Objetivos: Áreas de atuação: Principais campanhas / atividades: Outras informações: (sigla, símbolo, número de voluntários, principais locais onde atua, curiosidades ) Opinião do grupo sobre a importância da organização:

Anexo 7 VOLUNTARIADO: O QUE É? VOLUNTÁRIOS: QUEM SÃO? Lê os art.º 2.º e 6.º da Lei n.º 71/98, de 3 de novembro e responde às questões:, 1 - O que é o voluntariado? 2 - Enumera os princípios que orientam o voluntariado e explica, por tuas palavras, um desses princípios. Lê os seguintes textos: O voluntário é o indivíduo que de forma livre, desinteressada e responsável se compromete, de acordo com as suas aptidões próprias e no seu tempo livre, a realizar ações de voluntariado no âmbito de uma organização promotora (Art.º 3 da Lei n.º 71/98).

O voluntário atua desinteressadamente, com espírito responsável, sem remuneração económica, numa ação realizada em benefício da comunidade e que obedece a um programa de ação; é uma atividade solidária e social. O trabalho do voluntário não é a sua ocupação laboral habitual, é uma decisão responsável que respeita plenamente os indivíduos aos quais se dirige com a sua atividade e pode trabalhar isoladamente, embora, de um modo geral, atue em grupo (Bouzas, 2001: 11-12). O voluntariado social acaba por ser entendido como um serviço gratuito e desinteressado, que nasce da tripla conquista da cidadania: é um exercício de autonomia individual, de participação social e de solidariedade para com os últimos (ibid: 12). 3 - A partir destes textos, caracteriza o voluntário ( Quem é o voluntário? ).

Lei n.º 71/98 de 3 de novembro Bases do enquadramento jurídico do voluntariado Artigo 2. o Voluntariado 1 - Voluntariado é o conjunto de ações de interesse social e comunitário realizadas de forma desinteressada por pessoas, no âmbito de projetos, programas e outras formas de intervenção ao serviço dos indivíduos, das famílias e da comunidade desenvolvidos sem fins lucrativos por entidades públicas ou privadas. 2 - Não são abrangidas pela presente lei as atuações que, embora desinteressadas, tenham um carácter isolado e esporádico ou sejam determinadas por razões familiares, de amizade e de boa vizinhança. Artigo 6.º Princípios enquadradores do voluntariado 1 - O voluntariado obedece aos princípios da solidariedade, da participação, da cooperação, da complementaridade, da gratuitidade, da responsabilidade e da convergência. 2 - O princípio da solidariedade traduz-se na responsabilidade de todos os cidadãos pela realização dos fins do voluntariado. 3 - O princípio da participação implica a intervenção das organizações representativas do voluntariado em matérias respeitantes aos domínios em que os voluntários desenvolvem o seu trabalho. 4 - O princípio da cooperação envolve a possibilidade de as organizações promotoras e as organizações representativas do voluntariado estabelecerem relações e programas de ação concertada. 5 - O princípio da complementaridade pressupõe que o voluntário não deve substituir os recursos humanos considerados necessários à prossecução das atividades das organizações promotoras, estatutariamente definidas. 6 - O princípio da gratuitidade pressupõe que o voluntário não é remunerado, nem pode receber subvenções ou donativos, pelo exercício do seu trabalho voluntário. 7 - O princípio da responsabilidade reconhece que o voluntário é responsável pelo exercício da atividade que se comprometeu realizar, dadas as expectativas criadas aos destinatários do trabalho voluntário. 8 - O princípio da convergência determina a harmonização da ação do voluntário com a cultura e objetivos institucionais da entidade promotora.

Anexo 8 Voluntariado 1 O voluntariado pode ser distinguido em informal e formal. O voluntariado informal inclui comportamentos como por exemplo ajudar familiares, vizinhos ou idosos. O voluntariado formal caracteriza-se por comportamentos semelhantes, mas que se enquadram no âmbito de uma organização (cf. Ferreira, Proença e Proença, 2008). A Lei n.º 71/98, de 3 de Novembro enquadra juridicamente o voluntariado formal e não considera as ações de ajuda desenvolvidas pelas pessoas de forma esporádica ou circunstancial (voluntariado informal): Não são abrangidas pela presente lei as atuações que, embora desinteressadas, tenham um carácter isolado e esporádico ou sejam determinadas por razões familiares, de amizade e de boa vizinhança (art.º 2.º, n.º 2). Voluntariado Designa o conjunto de ações de interesse social e comunitário realizado de forma desinteressada e sem fins lucrativos no âmbito de iniciativas realizadas por organizações promotoras socialmente reconhecidas para o efeito (públicas ou privadas) e ao serviço dos indivíduos, das famílias e da comunidade. (cf. art.º 2.º). O Estado reconhece o valor social do voluntariado como expressão do exercício livre de uma cidadania ativa e solidária e promove e garante a sua autonomia e pluralismo (cf. art.º 5.º). Princípios enquadradores do voluntariado SOLIDARIEDADE - responsabilidade de todos os cidadãos pela realização dos fins do voluntariado. PARTICIPAÇÃO - intervenção das organizações representativas do voluntariado em matérias respeitantes aos domínios em que os voluntários desenvolvem o seu trabalho. COOPERAÇÃO concertação de esforços e projetos de entidades promotoras de voluntariado. COMPLEMENTARIDADE - o voluntário não deve substituir os recursos humanos das entidades promotoras. GRATUITIDADE - o voluntário não é remunerado pelo exercício do seu voluntariado. 1 Texto apoio à ficha VOLUNTARIADO: O QUE É? VOLUNTÁRIOS: QUEM SÃO? (ver anexo 7).

RESPONSABILIDADE - o voluntário é responsável pelo exercício da atividade que se comprometeu realizar, dadas as expectativas criadas aos destinatários desse trabalho voluntário. CONVERGÊNCIA - harmonização da atuação do voluntário com a cultura e objetivos da entidade promotora (art.º 6.º). Referências bibliográficas Lei n.º 71/98, de 3 de Novembro. Bouzas, Miguel, (2001). Que é O VOLUNTARIADO. Lisboa: Paulinas Ferreira, Marisa; Proença, Teresa; Proença, João, (2008). As motivações no trabalho voluntário, Revista Portuguesa e Brasileira de Gestão (vol. 7, nº 3, Julho/Setembro).

Anexo 9 Motivações dos voluntários Dinâmica PHILIPS 6X6 1ª Fase: (explicação da dinâmica) Trata-se de um trabalho de grupo. Cada grupo é formado por 6 pessoas e escolhe um secretário. Cada pessoa tem um minuto para falar. Não há diálogo nem discussão. O secretário anota fielmente a resposta de cada participante para depois apresentar em plenário. Se alguém não quiser falar, o grupo respeita o seu minuto, ficando em silêncio. Cada grupo escolhe também um cronometrista para anotar o tempo de cada intervenção. Tema: Para mim, os motivos que levam as pessoas a realizar voluntariado são 2ª Fase Em plenário cada secretário apresenta o resultado do seu grupo. O(a) professor(a) anota as ideias principais no quadro. O que já foi dito por outro secretário não se repete. 3ª Fase O(a) professor(a) reflete com a turma e organiza as ideias surgidas de acordo com as categorias altruísmo, aprendizagem e desenvolvimento, pertença e reconhecimento social, explicitando cada uma delas. As respostas dos alunos são sistematizadas na seguinte tabela (computador + videoprojector ou elaboração de acetato): Página 1 de 4

Tipos de Motivações Objetivos ALTRUISMO (SOLIDARIEDADE, ) Respostas dos alunos APRENDIZAGEM e DESENVOLVIMENTO Respostas dos alunos PERTENÇA Respostas dos alunos RECONHECIMENTO SOCIAL Respostas dos alunos Página 2 de 4

Texto de apoio ao professor A partir de uma revisão à literatura sobre as motivações dos voluntários, Ferreira, Proença e Proença (2008) agrupam as referidas motivações nas categorias: altruísmo, aprendizagem e desenvolvimento, pertença e reconhecimento social: Tipos de Motivações ALTRUISMO (SOLIDARIEDADE, ) APRENDIZAGEM e DESENVOLVIMENTO PERTENÇA RECONHECIMENTO SOCIAL Objetivos Ajudar os outros. Sentido de missão. Fazer algo que valha a pena. Ser útil. Preocupação com a natureza, Etc. Novos desafios e experiências. Aprender coisas novas e ganhar experiência. Preencher o tempo livre com mais qualidade. Enriquecimento pessoal e alargar horizontes, Etc Contacto social (fazer novos amigos, conhecer pessoas, sentido de pertença). Ser bem aceite na comunidade. Contactar com pessoas que têm os mesmos interesses. Ser útil à comunidade. Etc Interesse nas atividades da organização. Sentimentos de autoestima, confiança, satisfação, respeito e reconhecimento. Etc Adaptado de: Ferreira, Marisa; Proença, Teresa; Proença, João, (2008). As motivações no trabalho voluntário, Revista Portuguesa e Brasileira de Gestão. Vol. 7, nº 3, Julho/Setembro O sentimento fundamental de todo o voluntário pode ser definido como um «sentir-se afetado» perante as necessidades das pessoas, sobretudo as mais vulneráveis. Esta compaixão enraizada na pessoa é uma componente essencial da solidariedade. O voluntariado é uma concretização da solidariedade entendida como vivência da empatia/compaixão + partilha (cf. tema 1). Página 3 de 4

Os voluntários manifestam motivações altruístas, resultantes da relação com o outro. Pela ação que realizam, expressam valores humanistas. Motivos relacionados com «ajudar os outros», o «sentido de missão» ou a vontade de «fazer algo que valha a pena» são alguns exemplos das motivações incluídas na categoria altruísmo. O encontro com a riqueza dos outros permite uma oportunidade singular de aprendizagem e desenvolvimento pessoal, constituindo uma forte motivação para a ação voluntária. Muitas pessoas consideram que o voluntariado poderá ter impacto positivo no enriquecimento pessoal e alargamento de horizontes, razões que justificam a doação do seu tempo. Por outro lado, o voluntariado é uma excelente oportunidade para o exercício dos conhecimentos e habilidades dos voluntários. Outra importante motivação é a que se refere ao sentimento de pertença. O voluntário deseja e procura estabelecer relações com o outro, fazer parte da sua vida e da sua comunidade. A pertença a uma instituição ou a uma causa é fonte de motivação para o voluntário. A categoria pertença inclui elementos como o «fazer novos amigos», «conhecer pessoas» ou «ser bem aceite na comunidade». As recompensas ou benefícios associados ao voluntariado podem relacionar-se também com necessidades de reconhecimento social. Os voluntários esperam que a sua ação os compense e que isso seja uma fonte de confiança e satisfação, de respeito e reconhecimento. Página 4 de 4

Anexo 10 Ação voluntária: que fazem os voluntários? 1 - Voluntariado formal O voluntariado formal caracteriza-se por ações enquadradas no âmbito de uma organização. O seu campo de ação é imenso. Alguns exemplos: Dimensões Campos de ação Alguns exemplos PREVENÇÃO E REINSERÇÃO SOCIAL DESENVOLVIMENTO SOCIAL SENSIBILIZAÇÃO E DENÚNCIA SOCIAL Educação / alfabetização / formação Saúde Apoio jurídico, económico, pessoal e social Educação formal e não formal; Alfabetização e formação de educadores, professores ou técnicos; Apoio lúdico-pedagógico junto das crianças (educação não formal), campanhas de sensibilização, explicações, etc. Criação de centros de formação profissional, ATL, centros de informática, jardins-de-infância, centros de educação e bibliotecas escolares. Educação para a saúde através de intervenções preventivas e de campanhas de sensibilização; Apoio genérico a instituições de saúde; Formação de técnicos especializados; Criação de estruturas orientadas para combate a doenças crónicas e na constituição de farmácias comunitárias; Formação a mulheres na área da saúde materno/infantil. Ajuda na criação de autoemprego; Apoio a crianças e estudantes; Promoção da dignidade da mulher e da criança; Promoção do valor e do papel social da mulher; Dinâmicas de consciencialização para a igualdade do género, consubstanciadas, entre outros, na criação de centros de acolhimento, reabilitação e formação de adolescentes, bem como de formação profissional; Formação de técnicos (exemplo: carpinteiros, mecânicos e outros ).

Dimensões Campos de ação Alguns exemplos PREVENÇÃO E REINSERÇÃO SOCIAL DESENVOLVIMENTO SOCIAL SENSIBILIZAÇÃO E DENÚNCIA SOCIAL Infraestruturas Desenvolvimento comunitário em contexto rural e urbano Construção de escolas e melhoramentos / manutenção das suas condições de funcionamento; Construção de habitação própria ou para uso de instituições de apoio social, desportivo e recreativo; Recuperação de lares, padarias, bibliotecas, etc. (Re)construção de bombas de água/depósitos de água potável, etc. Combate à fome e à carência material extrema; Incentivo ao aleitamento materno; Animação sociocomunitária através de ações de capacitação cultural e integração social; Apoio à economia familiar; Apoio ao microcrédito e desenvolvimento de projetos agrícolas; Desenvolvimento do sentido de comunidade: formação de associações comunitárias, bibliotecas, criação de meios de informação e de comunicação (rádios, jornais, etc.); Dotação de recurso dos líderes locais para a intervenção na área da saúde e da educação. 2 - Voluntariado Informal Todas as pessoas podem fazer muitas coisas, mesmo que não sejam voluntárias em organizações promotoras de voluntariado. A - Visualização do filme Favores em Cadeia (opcional). Reflexão sobre as ideias principais do filme (fazer possível guião). B - Construção de Lista de Ações de voluntariado informal: Alguns exemplos, a acrescentar aos sugeridos pelos alunos: Ser generoso com o próprio corpo: dar sangue, doar órgãos para transplantes, em vida ou após a morte; Dedicar algum tempo a um serviço de voluntariado no Terceiro Mundo, quando isso seja possível; Integrar campanhas da Amnistia Internacional ou outras instituições, quando estas propõem protestos (por exemplo, escrevendo cartas,

subscrevendo e-mails) contra injustiças concretas verificadas em todo o mundo; Oferecer algumas horas de voluntariado (por exemplo nas férias) a uma instituição local de solidariedade social; Responder a pedidos / participar em campanhas realizados por instituições como a Cáritas, AMI, UNICEF, Médicos Sem Fronteiras ; Dar atenção aos idosos, visitá-los, perder tempo com eles; C - Uma proposta concreta Campo de ação Objetivos Possíveis tarefas Pessoas idosas Comemorar o Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre as Gerações (2012): Promovendo a convivência e a inclusão no meio social; Contribuindo para humanizar a última etapa da vida; Capitalizando o tempo disponível e a experiência que possuem. Visitas a residências, centros de dia, lares de idosos; Fazer-lhes companhia; Organização de atividades culturais, desportivas, de lazer e tempos livres; Encontros para refletir sobre as suas necessidades e procurar soluções; Desenvolvimento de atividades onde possam participar e partilhar as suas experiências. Realizar uma visita guiada à escola e/ou participação em algumas atividades do PAA. Outras. Sugestão de local: Centro Social da Paróquia de S. Victor. Justificação: Instituição de solidariedade social da freguesia onde se situa a escola. No passado, ocorreram pequenas atividades conjuntas e essa instituição revelou abertura no sentido de se estabelecer uma parceria futura entre as duas instituições.

Anexo 11 Fábula de Higino 1 Introdução Perceber a complexidade da «questão ecológica» é inseparável da compreensão do humano. Na verdade, a crise ecológica atual é fundamentalmente antropológica e ética. A degradação da natureza está ligada à forma como culturalmente é estabelecida a própria convivência humana: uma sociedade humana marcada por relações de força e dominação, de egoísmo e hedonismo reproduz as mesmas relações com a natureza. Por toda a parte, são visíveis as ressonâncias negativas da falta de cuidado com o ser humano e com a natureza. É urgente uma verdadeira transformação na maneira de pensar e de agir, uma real mudança de mentalidade que introduza novos estilos de vida. É urgente construir um novo conjunto de valores, de princípios e de inspirações que, gerando novas atitudes e ações, assegurem as condições de desenvolvimento e plena realização do ser humano, bem como salvaguardem o planeta. É urgente uma nova ética fundada no que é essencial do ser humano O cuidado é uma dimensão fundamental da vida. Cuidar de é um modo de ser que motiva atitudes e ações solidárias entre os seres humanos e de respeito e proteção da natureza. Porém, esta dimensão humana é muitas vezes menosprezada, considerada uma atividade menor e, erradamente, feminina. É importante redescobrir o modo humano de ser cuidado, retirá-lo do anonimato e reconhecer o estatuto a que tem direito: o de dimensão essencial da condição humana. Hoje, mais do que nunca, precisamos que uma ética do cuidado proteja a natureza, impeça o esgotamento dos recursos naturais e promova a qualidade de vida de todos os seres. Uma ética do cuidado é capital para a sobrevivência da humanidade e do planeta. 1 Texto de apoio. O seu conteúdo - natureza do cuidado - deve ser abordado da forma que o docente considerar mais adequada. Um resumo simplificado deverá ser disponibilizado aos alunos como síntese da temática. Página 1 de 4

A fábula de Higino Tudo o que existe e vive precisa de ser cuidado para continuar a existir e a viver. Por isso, uma tradição filosófica desde o escravo Higino (64 a.c. - 17 d.c.) até Martin Heidegger (1889-1976) afirma que a essência humana reside no cuidado. O cuidado é tão importante para o ser humano, e para a preservação de toda a forma de vida, que deu origem a uma história ancestral que pretende explicar o seu sentido: a fábula de Higino 2. Certo dia, ao atravessar um rio, Cuidado viu um pedaço de barro e teve uma inspiração. Pegou no barro e começou a dar-lhe forma. Enquanto contemplava a sua obra, apareceu Júpiter e Cuidado pediu-lhe que soprasse espírito sobre ela. Júpiter assim fez. Mas, quando Cuidado quis dar um nome à criatura que tinha moldado, Júpiter proibiu-o e exigiu que fosse imposto o seu nome. Enquanto Júpiter e Cuidado discutiam, surgiu, de repente, a Terra. E ela também quis conferir o seu nome à criatura, pois ela foi feita de barro, material do seu corpo. Originou-se uma discussão generalizada. Finalmente, de comum acordo, pediram a Saturno que fosse o árbitro nesta questão. Saturno tomou a seguinte decisão: Tu, Júpiter, deste-lhe o espírito. Receberás, pois, o espírito de volta por ocasião da sua morte. Tu, Terra, deste-lhe o corpo. Receberás, portanto, de volta o corpo quando ela morrer. Mas como tu, Cuidado, moldastes a criatura, ela ficará sob os teus cuidados, enquanto viver. E ela se chamará homem, isto é, feito de húmus, que significa terra fértil. 2 Caio Júlio Higino (Espanha, 64 a.c. - Roma, 17 d.c.) foi um escritor da Roma Antiga. Denominado em muitas fontes como "o liberto de Augusto", por causa do seu humilde passado como escravo, atingiu com talento e saber altos postos e o respeito da intelectualidade da época. Exerceu as funções de encarregado da biblioteca do Templo de Apolo onde ensinou filosofia. São-lhe atribuídos um livro de fábulas com relatos sobre mitologia e um outro sobre astronomia (cf. http://pt.wikipedia.org/wiki/higino). Página 2 de 4

Explorando a história A deusa Terra (Tellus) simboliza a dimensão material do ser humano: é húmus = terra fértil. Afirmar esta dimensão significa compreender o ser humano como ser com necessidades que precisam ser satisfeitas para sobreviver e crescer. Precisar de coisas (comer, beber, dormir,..) é algo próprio desta dimensão. Pertencer à terra, sentir-se terra permite, também, desenvolver uma nova sensibilidade e inserir o ser humano dentro de uma complexa comunidade: a terra é formada por uma imensa diversidade de micro-organismos, plantas e animais. E para todos os seres vivos, ela proporciona as condições de subsistência e evolução. O deus Júpiter, doador de espírito, simboliza a dimensão transcendente do ser humano. O ser humano é capaz de pensar, julgar, avaliar, ultrapassar os sentidos através da abstração. É um ser racional que confere sentido à vida, orientando-a de acordo com princípios e valores éticos. O ser humano perspetiva o futuro, luta para concretizar os seus sonhos, sendo capaz de se transcender, de superar as próprias limitações e ultrapassar as dificuldades e barreiras que encontra. O ser humano é capaz de sair de si mesmo para se relacionar com os outros e com a natureza. De acordo com a fábula de Higino, o cuidado é tão essencial que é anterior ao corpo fornecido pela Terra e ao espírito infundido por Júpiter. O cuidado é um a priori que está na origem da existência do ser humano: sem cuidado seria apenas uma porção de argila ou um espírito desencarnado. Por isso, o cuidado é uma chave fundamental para compreender a essência do ser humano e deve acompanhá-lo enquanto peregrina pelo tempo... Página 3 de 4

si: Natureza do cuidado: dimensão humana fundamental A palavra «cuidado» possui duas significações básicas, intimamente ligadas entre Solicitude, zelo, diligência, atenção; Preocupação, inquietação, sentido de responsabilidade porque quem cuida sente-se envolvido e ligado ao outro. O cuidado constitui um modo de ser mediante o qual a pessoa sai de si e centra-se no outro (no mundo) com solicitude. O cuidado é mais do que uma mera atitude ou ato, entre outros. Martin Heidegger, o filósofo do cuidado por excelência, afirma que do ponto de vista existencial o cuidado está a priori, antes de qualquer a atitude ou situação. O que significa dizer que o ser humano não tem cuidado, mas é cuidado! O cuidado é uma dimensão ontológica do ser humano, isto é, está relacionado com a sua identidade profunda, com a sua natureza. O cuidado é um modo-de-ser da pessoa: se não receber cuidado, desde o nascimento até à morte, o ser humano (como todos os seres!) definha e morre. O cuidado é um modo-de-ser no mundo: pelo cuidado, a relação com os outros e com a natureza não é de domínio, mas de convivência; não é de exploração, mas de interação e comunhão. O ser humano não existe, mas coexiste com todos os outros seres humanos e todos os seres da natureza. Cuidar dos seres implica acolhê-los e respeitá-los. O modo humano de ser-nomundo, na forma de cuidado, faz emergir as dimensões do respeito, da reciprocidade, da complementaridade e da solidariedade: sentimo-nos ligados e religados uns aos outros, formando um todo orgânico, compacto, firme, sólido embora diverso. Referência bibliográfica Boff, Leonardo (1999). Saber Cuidar. Ética do humano - compaixão pela terra. Petrópolis: Vozes. Página 4 de 4

Anexo 12 1 - Visualização do minifilme: Agonia do Planeta (6:09 min. Consultar em: http://www.youtube.com/watch?v=vkiczozla00) 2 - Análise de imagens: 1

A partir do minifilme Agonia do Planeta e das imagens anteriores, identifica situações de Falta de Cuidado e Cuidado da ação humana na natureza. Falta de Cuidado Cuidado 1. 1. 2. 2. 3. 3. 4. 4. 5. 5. 6. 6. 7. 7. 8. 8. 9. 9. 10. 10.

Anexo 13 Ética do cuidado: alguns princípios É urgente cuidar do nosso planeta. A ética que nasce desse cuidado conduz a um planeta sustentável. Princípios que dão corpo ao cuidado essencial com a terra: 1) Construir uma sociedade sustentável; 2) Respeitar e cuidar os seres vivos; 3) Melhorar a qualidade de vida humana; 4) Conservar a diversidade do planeta Terra; 5) Permanecer nos limites da capacidade de suporte impostos pela natureza; 6) Modificar atitudes e comportamentos pessoais; 7) Permitir que as comunidades cuidem do seu próprio meio-ambiente. Atualmente, as sociedades produzem má qualidade de vida para todos, sejam seres humanos ou outros seres da natureza. Todos sofrem por causa de um tipo de desenvolvimento que atende às necessidades de uma pequena parte da humanidade, deixando os demais na carência e miséria. É necessário mudar o tipo de desenvolvimento. É necessário construir uma sociedade sustentável, condição indispensável para um desenvolvimento verdadeiramente integral. Sustentável é a sociedade (ou o planeta) que produz o suficiente para si e para os seres de todos os ecossistemas; que tira da natureza somente o que esta pode repor; que mostra um sentido de solidariedade ao preservar para as sociedades futuras os recursos naturais que irão precisar. A sociedade deve assumir novos hábitos (nomeadamente, de consumo) e promover um tipo de desenvolvimento que respeite os limites da própria natureza. Não se trata de não consumir, mas de consumir de forma moderada e responsável. O fim deste modelo de desenvolvimento deve ser a pessoa humana, a sua comunidade, bem como todos os seres vivos que partilham com ela a aventura da vida neste planeta.

O desenvolvimento social deve melhorar a qualidade de vida humana. Isso implica valores como: vida saudável e longa, educação para todos, democracia participativa e garantia de respeito pelos direitos humanos. Tais valores só se alcançam se houver uma convivialidade entre as diferenças, cordialidade nas relações sociais, compaixão com todos aqueles que sofrem ou se sentem à margem. Os doentes, os idosos, os portadores de algum estigma social, numa palavra, as pessoas mais vulneráveis da sociedade merecem um cuidado especial. Por ele se mede o quanto de sustentabilidade e de cuidado essencial realizou e realiza uma sociedade. O cuidado com o próprio nicho ecológico exige que cada pessoa descubra que faz parte integrante do ecossistema local. É preciso que conheça o tipo micro-organismos, plantas e animais que convivem e partilham a mesma atmosfera, a mesma paisagem, o mesmo solo, as mesmas fontes de nutrientes ; é preciso que conheça a história dessas paisagens e visite os seus rios, cascatas e montanhas ; é preciso que conheça a história das populações que aí viveram no passado, como construíram o seu habitat, como se relacionaram com a natureza, como a conservaram ou não, quem foram os poetas e sábios, os heróis e heroínas Também a comunidade humana local deve fazer o mesmo percurso de inserção e cuidado com o meio ambiente local. Deve utilizar os seus recursos de forma racional, minimizar desgastes, reciclar materiais, conservar a biodiversidade... Deve conhecer a sua própria história e cultura, cuidar da cidade, das praças e lugares públicos, das casas e escolas, dos hospitais e monumentos, numa palavra, da sua memória coletiva. O que resulta de tudo isto é uma profunda harmonia onde todos encontram o seu lugar, acolhem-se mutuamente e sentem-se verdadeiramente em casa.

Um cuidado todo especial merece o nosso planeta Terra! Para cuidar dele, precisamos, urgentemente, educar para uma consciência ecológica e rever os nossos hábitos de consumo. 1 - A partir do texto anterior, indica alguns princípios fundamentais que promovem o Cuidado com o nosso Planeta. 2 - Escolhe um dos princípios anteriores e propõe ações concretas que possam conduzir à sua concretização. Princípio: Ações: