Comunicação para alterações sociais



Documentos relacionados
Orientação para requerentes à Série 8 da Solicitação de Propostas ao Fundo Mundial de Luta contra a SIDA, a Tuberculose e o Paludismo

O VALOR DAS VERDADEIRAS PARCERIAS PARA O REFORÇO DAS CAPACIDADAES LOCAIS: A EXPERIÊNCIA DO FOJASSIDA. Pretoria Africa du Sul

Diretrizes Consolidadas sobre Prevenção, Diagnóstico, Tratamento e Cuidados em HIV para as Populações-Chave

Avaliando o Cenário Político para Advocacia

FORMAÇÃO SOBRE: GÉNERO E DESENVOLVIMENTO

UNDIME 17 de junho de Mariana Alcalay UNESCO Brazil Project Officer

Pacto Europeu. para a Saúde. Conferência de alto nível da ue. Bruxelas, de junho de 2008

A PROMOÇÃO DA SAÚDE A CARTA DE OTTAWA

Uma agenda para a mudança: conseguir acesso universal à água, ao saneamento e à higiene (WASH) até 2030.

Declaração de Odense. O ABC para a Equidade Educação e Saúde. 4.ª Conferência Europeia das Escolas Promotoras de Saúde:

nossa vida mundo mais vasto

2011 O Ano Europeu do Voluntariado

Mainstreaming Externo do HIV. Instrumento 2 e

DECLARAÇÃO DE POLÍTICA DE DIREITOS HUMANOS DA UNILEVER

Aspectos a Abordar. Como Comunicar na Área dos Resíduos Paula Mendes (LIPOR) paula.mendes@lipor.pt. Porquê Comunicar? Estratégia de Comunicação

Encontro Os Jovens e a Política

Sistema de Monitorização e Avaliação da Rede Social de Alcochete. Sistema de Monitorização e Avaliação - REDE SOCIAL DE ALCOCHETE

em nada nem constitui um aviso de qualquer posição da Comissão sobre as questões em causa.

(2006/C 297/02) considerando o seguinte: constatando que:

Nota: texto da autoria do IAPMEI - UR PME, publicado na revista Ideias & Mercados, da NERSANT edição Setembro/Outubro 2005.

ACTIVIDADES DE ENRIQUECIMENTO CURRICULAR ANO LECTIVO 2011 / 2012 TIC@CIDADANIA. Proposta de planos anuais. 1.º Ciclo do Ensino Básico

Carta dos Direitos do Cliente

VERSÃO RESUMIDA (PILARES E OBJECTIVOS ESTRATÉGICOS)

NORMAS INTERNACIONAIS DO TRABALHO Convenção (n.º 102) relativa à segurança social (norma mínima), 1952

Portuguese version 1

Projecto REDE CICLÁVEL DO BARREIRO Síntese Descritiva

Case study. Gente com Ideias UMA EQUIPA COM RESPONSABILIDADE SOCIAL

Projecto de Intervenção Comunitária Curso de Preparação para Prestadores de Cuidados Informais

YOUR LOGO. Investir na mulher pode ser uma etapa importante na prevenção e combate ao HIV/SIDA. Nome do participante: Boaventura Mandlhate

Descrição de Tarefas para a Posição de Director de Programas, Políticas e Comunicação da AAMOZ

VOLUNTARIADO E CIDADANIA

ANEXO I ROTEIRO PARA APRESENTAÇÃO DE PROJETOS FIA Cada projeto deve conter no máximo 20 páginas

Espaço t Associação para o Apoio à Integração Social e Comunitária. Instituição Particular de Solidariedade Social

FUNDAMENTOS DE UMA EDUCAÇÃO CIENTÍFICA

Índice Descrição Valor

Os principais constrangimentos, recomendações e sinergias emanados do Annual Review mee9ng

REGULAMENTO DAS COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DO ENFERMEIRO ESPECIALISTA EM ENFERMAGEM DE SAÚDE DA CRIANÇA E DO JOVEM

CARTA DE OTTAWA. PRIMEIRA CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE PROMOÇÃO DA SAÚDE Ottawa, novembro de 1986

Consultoria Para Mapeamento os Actores e Serviços de Apoio as Mulheres Vitimas de Violência no País 60 dias

154 a SESSÃO DO COMITÊ EXECUTIVO

LIDERANÇA PARA A MUDANÇA

REGULAMENTO DA COMISSÃO DE AUDITORIA DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA IMPRESA-SOCIEDADE GESTORA DE PARTICIPAÇÕES SOCIAIS, S.A.

Estabelecendo Prioridades para Advocacia

PRINCÍPIOS DO RIO. Princípio 1

A Ponte entre a Escola e a Ciência Azul

Integração de uma abordagem de género na gestão de recursos hídricos e fundiários Documento de Posição de organizações e redes dos PALOPs

ROCK IN RIO LISBOA Princípios de desenvolvimento sustentável Declaração de propósitos e valores Política de Sustentabilidade do evento

Carta do Conselho da Europa sobre a Educação para a Cidadania Democrática e a Educação para os Direitos Humanos

1. SUMÁRIO EXECUTIVO 2. GERAÇÃO BIZ

PERFIL DO JOVEM EMPREENDEDOR

POLÍTICAS DE GESTÃO PROCESSO DE SUSTENTABILIDADE

O Que São os Serviços de Psicologia e Orientação (SPO)?

Termo de Referência nº Antecedentes

PLANO ESTRATÉGICO DE ACÇÃO 2009/2013

ACORDO DE COOPERAÇÃO ENTRE OS ESTADOS MEMBROS DA COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA SOBRE O COMBATE AO HIV/SIDA

QUANDO TODO MUNDO JOGA JUNTO, TODO MUNDO GANHA!

TERMOS DE REFERÊNCIA REALIZAÇÃO DE UMA FORMAÇÃO SOBRE DIREITOS HUMANOS E GÉNERO NO KUITO, PROVINCIA DO BIÉ, ANGOLA

Educação para a Cidadania linhas orientadoras

COMISSÃO DA BACIA DO ZAMBEZE OPORTUNIDADES DE EMPREGO

ALIANÇA ESTRATÉGICA DA SAÚDE E AMBIENTE PARA A IMPLEMENTAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE LIBREVILLE

Recomendação CM/Rec (2013)1 do Comité de Ministros aos Estados-Membros sobre a Igualdade de Género e Media (adotada pelo Comité de Ministros a 10 de

A CARTA DE BANGKOK PARA A PROMOÇÃO DA SAÚDE EM UM MUNDO GLOBALIZADO

AGRUPAMENTO DE CENTROS DE SAÚDE

Apresentar queixa por corrupção à ICAC

Padrões Sociais e Ambientais de REDD+ no Programa ISA Carbono do SISA : Ações e Resultados. Rio Branco, 10 de Maio de 2013

Princípios de Manila Sobre Responsabilidade dos Intermediários

Worldwide Charter for Action on Eating Disorders

INTRODUÇÃO. Sobre o Sou da Paz: Sobre os Festivais Esportivos:

Relatório das Ações de Sensibilização do Projeto De Igual para Igual Numa Intervenção em Rede do Concelho de Cuba

Delegação da União Europeia no Brasil

NCE/10/00116 Relatório final da CAE - Novo ciclo de estudos

III Fórum Rede Portuguesa de Cidades Saudáveis 15 de Outubro de 2010, Ponta Delgada, Açores Saúde em Todas as Políticas Locais

Estratégia Nacional de Educação para o Desenvolvimento. ( ) ENED Plano de Acção

Indicadores Gerais para a Avaliação Inclusiva

ÍNDICE APRESENTAÇÃO 02 HISTÓRIA 02 OBJECTIVOS 02 CURSOS 04 CONSULTORIA 06 I&D 07 DOCENTES 08 FUNDEC & IST 09 ASSOCIADOS 10 PARCERIAS 12 NÚMEROS 13

A Gestão, os Sistemas de Informação e a Informação nas Organizações

Uma organização pode ser descrita como um arranjo sistemático, onde esforços individuais são agregados em prol de um resultado coletivo

III Simpósio Nacional Desafios do Profissional de Serviço Social

PROPOSTA DE PROJECTO DE ROTEIRO DE ELABORAÇÃO DE ESTRATÉGIA NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DE ESTATÍSTICA

Um currículo de alto nível

Como...fazer o pré-teste de materiais de extensão rural com pequenos agricultores

Promover um ambiente de trabalho inclusivo que ofereça igualdade de oportunidades;

CHAMADA DE ARTIGOS do SUPLEMENTO TEMÁTICO A EDUCAÇÃO POPULAR EM SAÚDE NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE

ARTIGO TÉCNICO. Os objectivos do Projecto passam por:

PROJETO de Documento síntese

Política de Responsabilidade Socioambiental

MMX - Controladas e Coligadas

2. REDUZINDO A VULNERABILIDADE AO HIV

OFICINA DA PESQUISA DISCIPLINA: COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL

Realizou-se dia 24 de Março, na Maia, nas instalações da Sonae Learning Center, a 6ª sessão da CoP, desta vez presencial.

Programa de Desenvolvimento Social

COOPERAÇÃO ENTRE PORTUGAL E ANGOLA EM C&T

Transcrição:

+ Orientação Técnica Informação Técnica Essencial para Formulação de Propostas Comunicação para alterações sociais A comunicação é um elemento essencial dos esforços de prevenção, tratamento e cuidados em relação à SIDA. Historicamente, tais esforços têm sido limitados pela atenção dada ao envio de mensagens sobre como se comportar ou como se transmite o VIH, com menos atenção prestada a culturais e sociais onde ocorrem tais comunicações. Estes contextos apresentam muitas vezes barreiras a alterações de comportamento individuais. A comunicação para alterações sociais é uma maneira abrangente de responder a causas sociais, tais como desigualdade entre sexos e estigma, com impacto na efectividade da comunicação. A abordagem cobre várias áreas de Prestação de Serviços incluindo: Prevenção: Comunicação para Alterações de Comportamento (BCC) Meios de Comunicação de Massa Prevenção: Comunicação para Alterações de Comportamento (BCC) Aproximação à Comunidade e Escolas Elaboração de Políticas, incluindo Política do Local de Trabalho Reforço da Sociedade Civil e Reforço da Capacidade Institucional Redução do Estigma em todos os Contextos A comunicação para alterações sociais engloba a utilização estratégica de sensibilização, os media, comunicação entre pessoas e baseada em diálogo, e mobilização social para acelerar sistematicamente alterações nas causas subjacentes de risco, vulnerabilidade e impacto do VIH. Exige uma avaliação da natureza específica de tais causas para conceber uma resposta apropriada. Também exige uma estimativa da estratégia nacional existente sobre comunicação no campo do VIH e a gama de oportunidades de comunicação para tirar o máximo de meios indígenas de comunicação e de reforço de canais e capacidades existentes. Todas as actividades de comunicação para prevenção do VIH devem ser combinadas e ligadas entre si no âmbito de uma estratégia de comunicação unificadora que aborde conhecimentos e comportamentos individuais, atitudes ou normas colectivas, políticas e

regulamentos de nível social. Os elementos necessários para implementar a estratégia unificada serão descritos em várias áreas de prestação de serviços (SDA) em relação a objectivos ou componentes específicos desta estratégia abrangente. A soma total de resultados no âmbito de todas as SDA de comunicação, deve representar uma estratégia abrangente e unificada para alterações de comportamento e sociais apoiando a prevenção do VIH. Fundamento lógico para incluir na proposta a comunicação para alterações sociais As abordagens de comunicação para alterações sociais e de comportamento foram rigorosamente avaliadas com impacto demonstrável em alterações de comportamento, sensibilização e influência nas normas sociais. Foi demonstrado produzir alterações duráveis em prátivas nocivas profundamente enraizadas; de violência doméstica a complicidade na polícia em violência contra homens que têm relações sexuais com outros homens. A falta de uma integração da comunicação para alterações de comportamento em estratégias de comunicação mais vastas tem sido um factor importante na incapacidade de afectar alterações de comportamento sustentáveis. Principais actividades de comunicação para alterações sociais a ter em consideração, e áreas mais pertinentes de prestação de serviços relacionadas com tais actividades Objectivo Actividade SDA Criação de capacidades Aproximação comunitária Métodos de participação em diálogo e habilitação comunitários Sociedade civil e capacidade institucional reforçadas para exprimir prioridades locais, comunicar, defender e analisar criticamente políticas e exigir contas às autoridades Criação de coesão/capital social e bem-estar universal e alteração de normas sociais nocivas Resolução de problemas comunitários Motivar para alterações encorajando as pessoas a avaliar como o VIH os afecta pessoalmente divulgação de informações utilizando uma vasta gama de métodos de comunicação Prevenção: BCC: aproximação à comunidade e escolas Reforço da Sociedade Civil e Reforço da Capacidade Institucional Prevenção: BCC meios de comunicação de massa Prevenção: BCC aproximação à comunidade e escolas

incluindo media e aproximação por colegas Promoção de diálogo sobre normas sociais Redução do estigma Luta contra o estigma a nível interpessoal, comunitário e institucional Ajudar pessoas a exercer e reivindicar os seus direitos Ajudar pessoas a lutar contra e a mudar as suas próprias ideias e práticas Divulgação de informações por meio de vasta gama de metodologias de comunicação incluindo media e colegas Vulnerabilidades diminuidas graças a luta contra as causas de vulnerabilidade e risco incluindo redução de barreiras legais e de políticas. Melhor qualidade de comunicação para alterações sociais Catalização da reflexão e acção a nível individual, comunitário e político Facilitação de diálogo e acção comunitários para alterar normas e espaço aberto para mudar políticas e leis Ligação entre diálogo e ideias locais e processos governamentais para melhorar serviços e políticas Análise de políticas e actividades reduzindo barreiras legais e políticas Promoção Investigação rigorosa definindo as causas de risco e vulnerabilidade a nível individual, relacional e comunitário para informar outras actividades Controlo e avaliação de SCC e troca de resultados entre projectos semelhantes para aprender e maior responsabilidade Avaliação da estratégia nacional existente de comunicação sobre o VIH e da gama de oportunidades de comunicação para conseguir o melhor de maneiras indígenas de comunicação e de reforço Elaboração de Políticas, incluindo Política do Local de Trabalho

de canais e capacidades existentes Como definir certos indicadores essenciais Além de utilizar indicadores de The Monitoring and Evaluation Toolkit (Segunda edição, Janeiro de 2006, Suplemento Março 2008) http://www.theglobalfund.org/pdf/guidelines/m&e%20toolkit_addendu m_march%202008_en.pdf), Who Measures Change? An Introduction to Participatory Monitoring and Evaluation of Communication for Social Change of Communication for Social Change Consortium (Will Parks, Denise Gray-Felder, Jim Hunt & Ailish Byrne (2005) poderá ser útil para definir indicadores em comunicação para alterações sociais pois apresenta as seguintes abordagens e estruturas de indicadores M&E: 1. Técnica com alteração mais importante 2. Controlo e avaliação de redes 3. Avaliação dos domínios de capacidade comunitária 4. Avaliação da participação comunitária 5. Controlo e avaliação da promoção da saúde 6. Avaliação da comunicação para alterações sociais 7. Indicadores de alterações sociais do VIH/SIDA 8. Controlo e avaliação da promoção O documento está disponível em: http://www.communicationforsocialchange.org/publicationsresources.php?id=283 Também pode consultar o documento de ONUSIDA (2007) Framework for Monitoring and Evaluating HIV Prevention Programmes for Most-at- Risk Populations, disponível em: http://data.unaids.org/pub/manual/2007/20070420_me_of_prevention_ in_most_at_risk_populations_en.pdf, e o Índice Composto de Políticas Nacionais (NCPI) concebido para avaliar o progresso em desenvolvimento e implementação de políticas e estratégias nacionais sobre a SIDA, na definição de indicadores. O questionário NCPI faz parte da Sessão Especial da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre o VIH/SIDA (2007): Directrizes sobre elaboração de indicadores de base. Pode ser consultado em: http://data.unaids.org/pub/manual/2007/20070411_ungass_core_indic ators_manual_en.pdf Enfrentar questões de diferença de sexos, direitos humanos e justiça A comunicação para alterações sociais permite que comunidades e programas nacionais de luta contra a SIDA enfrentem barreiras estruturais para respostas eficazes sobre a SIDA, tais como

desigualdade entre os sexos, violações dos direitos humanos e estigma relacionado com o VIH.