Aula 2 A distância no espaço

Documentos relacionados
Objetivos. em termos de produtos internos de vetores.

Geometria Analítica II - Aula 4 82

Capítulo Coordenadas no Espaço. Seja E o espaço da Geometria Euclidiana tri-dimensional.

Aula 10 Regiões e inequações no plano

Geometria Analítica. Volume 3 - Módulo 3 3ª edição. Jorge J. Delgado Goméz Kátia Rosenvald Frensel Nedir do Espírito Santo

J. Delgado - K. Frensel - L. Crissaff Geometria Analítica e Cálculo Vetorial

Aula 10 Produto interno, vetorial e misto -

Aula 5 Equações paramétricas de retas e planos

J. Delgado - K. Frensel - L. Crissaff Geometria Analítica e Cálculo Vetorial

Aula 17 Superfícies quádricas - parabolóides

Aula 18 Cilindros quádricos e identificação de quádricas

Distância entre duas retas. Regiões no plano

Aula Exemplos diversos. Exemplo 1

Aula 15 Superfícies quádricas - cones quádricos

Coordenadas e distância na reta e no plano

Aula 6 Produto interno

Geometria Analítica - Aula

Plano cartesiano, Retas e. Alex Oliveira. Circunferência

Álgebra Linear I - Lista 7. Respostas

Aula Exemplos e aplicações - continuação. Exemplo 8. Nesta aula continuamos com mais exemplos e aplicações dos conceitos vistos.

Capítulo 2. Retas no plano. 1. Retas verticais e não-verticais. Definição 1

Aula 4 Colinearidade, coplanaridade e dependência linear

Aula 8 Cônicas - Translação de sistemas de coordenadas

1 Distância entre dois pontos do plano

Posição relativa entre retas e círculos e distâncias

Obter as equações paramétricas das cônicas.

O Plano no Espaço. Sumário

Geometria Analítica II

Material Teórico - Módulo: Vetores em R 2 e R 3. Módulo e Produto Escalar - Parte 1. Terceiro Ano - Médio

Retas e círculos, posições relativas e distância de um ponto a uma reta

Aula 12. Ângulo entre duas retas no espaço. Definição 1. O ângulo (r1, r2 ) entre duas retas r1 e r2 se define da seguinte maneira:

Capítulo 12. Ângulo entre duas retas no espaço. Definição 1. O ângulo (r1, r2 ) entre duas retas r1 e r2 é assim definido:

Capítulo Equações da reta no espaço. Sejam A e B dois pontos distintos no espaço e seja r a reta que os contém. Então, P r existe t R tal que

Aula Distância entre duas retas paralelas no espaço. Definição 1. Exemplo 1

Aula 4 Produto Interno

Aula 3 Vetores no espaço

Geometria Analítica - Aula

Geometria Analítica II - Aula 5 108

Álgebra Linear I - Aula 6. Roteiro

5 de setembro de Gabarito. 1) Considere o ponto P = (0, 1, 2) e a reta r de equações paramétricas. r: (2 t, 1 t, 1 + t), t R.

Aula 4. Coordenadas polares. Definição 1. Observação 1

1 Vetores no Plano e no Espaço

Álgebra Linear I - Aula 8. Roteiro

Aula Elipse. Definição 1. Nosso objetivo agora é estudar a equação geral do segundo grau em duas variáveis:

Aula 3 A Reta e a Dependência Linear

A equação da circunferência

Escola Secundária de Alberto Sampaio Ficha Formativa de Matemática A Geometria II O produto escalar na definição de lugares geométricos

0 < c < a ; d(f 1, F 2 ) = 2c

Material Teórico - Módulo: Vetores em R 2 e R 3. Módulo e Produto Escalar - Parte 2. Terceiro Ano - Médio

Coordenadas no espaço. Prof. Rossini Bezerra FBV

Preliminares de Cálculo

Universidade Tecnológica Federal do Paraná Câmpus Campo Mourão Departamento de Matemática

Curvas Planas em Coordenadas Polares

A Reta no Espaço. Sumário

Álgebra Linear I - Aula 2. Roteiro

Álgebra Linear I - Aula 9. Roteiro

1. Operações com vetores no espaço

MATEMÁTICA A - 10o Ano Geometria Propostas de resolução

Escola Secundária com 3º ciclo D. Dinis 10º Ano de Matemática A Funções e Gráficos Generalidades. Funções polinomiais. Função módulo.

Cálculo Diferencial e Integral Química Notas de Aula

Avaliação 1 Solução Geometria Espacial MAT 050

UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA DEPARTAMENTO DE MATEMÁTICA LISTA DE EXERCÍCIOS DE MAT243-CÁLCULO III

Produto interno e produto vetorial no espaço

Geometria Analítica I

Geometria Analítica I - MAT Lista 1 Profa. Lhaylla Crissaff

Ricardo Bianconi. Fevereiro de 2015

ELIPSE. Figura 1: Desenho de uma elipse no plano euclidiano (à esquerda). Desenho de uma elipse no plano cartesiano (à direita).

MATEMÁTICA MÓDULO 16 CONE E CILINDRO. Professor Haroldo Filho

Aula 7 Simetrias e simetrias das cônicas

1. Encontre as equações simétricas e paramétricas da reta que:

Aula 1 Coordenadas no espaço

Plano Cartesiano e Retas. Vitor Bruno Engenharia Civil

54 CAPÍTULO 2. GEOMETRIA ANALÍTICA ( ) =

Vetores e coordenadas espaciais

Aula 9 Cônicas - Rotação de sistemas de coordenadas

MATEMÁTICA A - 12o Ano N o s Complexos - Conjuntos e condições Propostas de resolução

Aula 22 Produto vetorial, produto misto e volume

Aula Exemplos e aplicações. Exemplo 1. Nesta aula apresentamos uma série de exemplos e aplicações dos conceitos vistos.

10. Determine as equações cartesianas das famílias de retas que fazem um ângulo de π/4 radianos com a reta y = 2x + 1.

18REV - Revisão. LMAT 3B-2 - Geometria Analítica. Questão 1

MATEMÁTICA A - 12o Ano N o s Complexos - Conjuntos e condições Propostas de resolução

Sistemas de equações lineares com três variáveis

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Rio Grande do Sul Campus Rio Grande CAPÍTULO 4 GEOMETRIA ANALÍTICA

Equações da reta no plano

CÔNICAS - MAT Complementos de Matemática para Contabilidade FEAUSP - Diurno 2 o semestre de 2015 Professor Oswaldo Rio Branco de Oliveira ELIPSE

54 CAPÍTULO 2. GEOMETRIA ANALÍTICA ( ) =

Coordenadas Cartesianas

P1 de Álgebra Linear I de setembro de Gabarito

Equações paramétricas das cônicas

MATEMÁTICA A - 12o Ano N o s Complexos - Conjuntos e condições Propostas de resolução

Álgebra Linear I - Aula 6. Roteiro

RETA E CIRCUNFERÊNCIA

Derivadas Parciais Capítulo 14

Aula 19 Elipse - continuação

Na forma reduzida, temos: (r) y = 3x + 1 (s) y = ax + b. a) a = 3, b, b R. b) a = 3 e b = 1. c) a = 3 e b 1. d) a 3

Todos os exercícios sugeridos nesta apostila se referem ao volume 3. MATEMÁTICA III 1 ESTUDO DA CIRCUNFERÊNCIA

Transcrição:

MÓDULO 1 - AULA 2 Objetivos Aula 2 A distância no espaço Determinar a distância entre dois pontos do espaço. Estabelecer a equação da esfera em termos de distância. Estudar a posição relativa entre duas esferas em termos de distância. Nesta aula, veremos como ampliar a noção de distância, já estudada no Módulo 2, do Pré-Cálculo, para determinar a distância entre dois pontos no espaço. Veremos que a distância entre dois pontos dados, em relação a um sistema ortogonal de coordenadas cartesianas, pode ser obtida usando somente o Teorema de Pitágoras. Consideremos um sistema ortogonal de coordenadas cartesianas OXY Z no espaço e dois pontos, P 1 = (x 1, y 1, z 1 ) e P 2 = (x 2, y 2, z 2 ). A nossa tarefa é medir a distância de P 1 a P 2 que designaremos d(p 1, P 2 ). Para tal, vamos desmembrar a situação em três etapas: Caso A. Os pontos P 1 e P 2 têm duas coordenadas iguais. Suponhamos que os pontos têm a segunda e a terceira coordenadas iguais, os outros casos são tratados de maneira análoga e deixamos para você o dever de completar o argumento, imitando o que faremos em seguida. Como y 1 = y 2, os pontos P 1 e P 2 pertencem ao plano Q : y = y 1, paralelo ao plano Π XZ. Analogamente, como z 1 = z 2, P 1 e P 2 também pertencem ao plano R : z = z 1, paralelo ao plano Π XY. Portanto, P{ 1 e P 2 pertencem y = y1 à reta Q R : z = z, paralela ao eixo OX (interseção 1 dos planos Π XZ e Π XY paralelos a Q e R, respectivamente). Assim, os planos A : x = x 1 e B : x = x 2 intersectam perpendicularmente a reta Q R em P 1 e P 2 respectivamente. A intersecta o eixo OX no ponto A = (x 1, 0, 0) e B intersecta o eixo OX no ponto Figura 2.1: d(p 1, P 2 ) = d(a, B). B = (x 2, 0, 0) (Figura 2.1). Como A e B são planos paralelos, as distâncias d(a, B) e d(p 1, P 2 ) são iguais. Acompanhe a construção na Figura 2.1. 19 CEDERJ

No entanto, já sabemos que a distância ao longo de um eixo é dada pelo módulo da diferença entre as coordenadas dos pontos: d(a, B) = x 1 x 2. Portanto, nas condições do caso A, concluímos: d(p 1, P 2 ) = x 1 x 2. Caso B. Os pontos P 1 e P 2 têm apenas uma coordenada igual. De novo, suponhamos que as terceiras coordenadas dos pontos sejam iguais e deixamos você completar os detalhes dos casos correspondentes quando os pontos têm apenas a primeira ou a segunda coordenada coincidentes. Sendo z 1 = z 2, os pontos pertencem ao plano Q : z = z 1. Consideremos o ponto auxiliar P 3 = (x 1, y 2, z 1 ) obtido pela interseção dos planos x = x 1 e y = y 2 com o plano Q. Como o ponto P 1 pertence ao plano x = x 1 (paralelo ao plano Π Y Z ) e P 2 pertence ao plano y = y 2 (paralelo ao plano Π XZ ), o Figura 2.2: P 1 e P 2 com uma coordenada igual. triângulo P 1 P 3 P 2 formado sobre o plano Q é retângulo, tendo por catetos os segmentos P 1 P 3 e P 3 P 2, e por hipotenusa, o segmento P 1 P 2, cuja medida desejamos determinar. Veja a construção na Figura 2.2. Aplicamos agora o caso A para determinar a distância de P 1 a P 3 (comprimento do cateto P 1 P 3 ), assim como a distância de P 3 a P 2 (comprimento do cateto P 3 P 2 ) d(p 1, P 3 ) = y 1 y 2 e d(p 3, P 2 ) = x 1 x 2, e usamos o Teorema de Pitágoras para determinar a distância de P 1 a P 2 : d(p 1, P 2 ) = d(p 1, P 3 ) 2 + d(p 3, P 2 ) 2 = y 1 y 2 2 + x 1 x 2 2. Assim, nas condições do caso B: se P 1 e P 2 têm a terceira coordenada igual, concluímos que: d(p 1, P 2 ) = (x 1 x 2 ) 2 + (y 1 y 2 ) 2. Caso C. Os pontos P 1 e P 2 não têm coordenadas iguais. Nesse caso, o mais geral possível, os pontos não estão sobre uma reta paralela a um dos eixos coordenados nem sobre um plano paralelo a um dos planos coordenados. O ponto P 1 pertence ao plano Q : z = z 1, paralelo ao plano Π XY. Esse plano é intersectado perpendicularmente pelos planos x = x 2 e y = y 2, que CEDERJ 20

MÓDULO 1 - AULA 2 contêm P 2, no ponto P 3 = (x 2, y 2, z 1 ). Logo, o triângulo P 1 P 3 P 2 é retângulo, tendo por catetos os segmentos P 1 P 3 e P 3 P 2, e por hipotenusa, o segmento P 1 P 2, cujo comprimento desejamos determinar. Veja a Figura 2.3. Como os pontos P 1 e P 3 têm a terceira coordenada em comum, usamos o caso B para determinar a distância entre eles: d(p 1, P 3 ) = (x 1 x 2 ) 2 (y 1 y 2 ) 2. Como o segmento P 3 P 2 é paralelo ao eixo OZ, o seu comprimento é, segundo o caso A: d(p 2, P 3 ) = z 1 z 2. Finalmente, usando o Teorema de Pitágoras, obtemos: Figura 2.3: Distância de P 1 a P 2, caso geral. d(p 1, P 2 ) = d(p 1, P 3 ) 2 + d(p 2, P 3 ) 2 ( ) 2 = (x1 x 2 ) 2 + (y 1 y 2 ) 2 + z1 z 2 2 = (x 1 x 2 ) 2 + (y 1 y 2 ) 2 + (z 1 z 2 ) 2. Assim, temos o seguinte destaque: A distância no espaço Em relação a um sistema ortogonal de coordenadas cartesianas OXY Z, a distância entre P 1 = (x 1, y 1, z 1 ) e P 2 = (x 2, y 2, z 2 ) é o número real nãonegativo: d(p 1, P 2 ) = (x 1 x 2 ) 2 + (y 1 y 2 ) 2 + (z 1 z 2 ) 2. (2.1) Além disso, observe que, mesmo quando os pontos têm uma ou duas coordenadas coincidentes, a fórmula (2.1) pode ser aplicada. Exemplo 2.1 Determinar a distância entre P 1 e P 2, onde: a. P 1 = (3, 2, 1) e P 2 = (1, 2, 3). Solução: d(p 1, P 2 ) = (3 1) 2 + (2 2) 2 + (1 3) 2 = 4 + 0 + 4 = 8 = 2 2. b. P 1 = ( 1, 1, 1) e P 2 = (1, 3, 0). Solução: d(p 1, P 2 ) = ( 1 1) 2 + (1 3) 2 + (1 0) 2 = 4 + 4 + 1 = 9 = 3. 21 CEDERJ

Exemplo 2.2 Verificar que os pontos P 1 = (1, 2, 1), P 2 = (3, 1, 0) e P 3 = (1, 1, 2) são vértices de um triângulo retângulo. Solução: Os lados do triângulo têm comprimentos: d(p 1, P 2 ) = (1 3) 2 + (2 1) 2 + (1 0) 2 = 4 + 1 + 1 = 6, d(p 1 P 3 ) = (1 1) 2 + (2 1) 2 + (1 2) 2 = 0 + 1 + 1 = 2, d(p 3, P 2 ) = (1 3) 2 + (1 1) 2 + (2 0) 2 = 4 + 0 + 4 = 8, Figura 2.4: Exemplo 2.2 Como d(p 3, P 2 ) 2 = d(p 1, P 2 ) 2 + d(p 1, P 3 ) 2, concluímos que o triângulo de vértices P 1, P 2 e P 3 é retângulo, tendo como hipotenusa o segmento P 2 P 3 e como catetos os segmentos P 1 P 2 e P 1 P 3. Observação As propriedades da distância no plano que conhecemos do Módulo 2 do Pré- Cálculo continuam válidas para a distância no espaço. Enunciamos essas propriedades apenas para fazer mais completa a nossa explanação: Propriedades da distância. Sejam P, Q e R pontos do espaço. Então: A. d(p, Q) 0. B. d(p, Q) = 0 P = Q. C. d(p, Q) = d(q, P ). D. d(p, R) d(p, Q) + d(q, R) (desigualdade triangular). Exemplo 2.3 Determinar a equação que as coordenadas de um ponto P = (x, y, z) devem satisfazer para pertencer à esfera de centro P 0 = (x 0, y 0, z 0 ) e raio r 0. CEDERJ 22

MÓDULO 1 - AULA 2 Solução: A esfera E(P 0, r), de centro no ponto P 0 e raio r, é o conjunto formado pelos pontos P = (x, y, z) cuja distância até o ponto P 0 é igual a r, isto é: P E(P 0, r) d(p, P 0 ) = r (x x0 ) 2 + (y y 0 ) 2 + (z z 0 ) 2 = r Portanto, a equação cartesiana da esfera E(P 0, r) é (Figura 2.5): Figura 2.5: Esfera E(P 0, r). E(P 0, r) : (x x 0 ) 2 + (y y 0 ) 2 + (z z 0 ) 2 = r 2 (2.2) Definição 2.2 Seja E(P 0, r) a esfera de centro no ponto P 0 e raio r e seja P um ponto no espaço. Dizemos que P é um ponto interior a E(P 0, r), se d(p, P 0 ) < r. Quando d(p, P 0 ) > r dizemos que P é um ponto exterior a E(P 0, r). Exemplo 2.4 A esfera E(P 0, r), de centro no ponto P 0 = (x 0, y 0, z 0 ) e raio r > 0, divide o espaço em três partes. A primeira, sendo a região limitada pela superfície da esfera, é o conjunto dos pontos interiores à esfera; a segunda, a região exterior, que é ilimitada e a terceira, o conjunto dos pontos do espaço que formam a superfície da esfera E(P 0, r), sendo bordo comum às duas primeiras. Caracterizar as regiões limitada e ilimitada por meio de inequações nas variáveis x, y e z. Solução: A região limitada pela esfera E(P 0, r) costuma ser chamada de bola aberta, de centro P 0 e raio r, designandose por B(P 0, r) ou B P0 (r), e consiste dos pontos do espaço cuja distância até P 0 é menor que r: P B(P 0, r) d(p, P 0 ) < r (x x0 ) 2 + (y y 0 ) 2 + (z z 0 ) 2 < r. Bola fechada... A bola fechada de centro P 0 e raio r, designada B(P 0, r), é o conjunto: B(P 0, r)=b(p 0, r) E(P 0, r), onde E(P 0, r) é a esfera de centro P 0 e raio r. Isto é, a bola fechada é formada pela esfera (casca) e pela região por ela limitada (recheio). Interior e exterior Na Figura 2.6, o ponto A pertence ao exterior da esfera E(P 0, r), enquanto o ponto B pertence ao interior da mesma, isto é, à bola aberta, de centro P 0 e raio r. Tomando quadrados na desigualdade, temos: Figura 2.6: Interior e exterior. B(P 0, r) = {(x, y, z) (x x 0 ) 2 + (y y 0 ) 2 + (z z 0 ) 2 < r 2 }. Analogamente, a região ilimitada determinada pela esfera E(P 0, r) consiste dos pontos do espaço que não pertencem à esfera nem à bola aberta por ela limitada. Portanto, tal região ilimitada é o conjunto: 23 CEDERJ

{(x, y, z) (x x 0 ) 2 + (y y 0 ) 2 + (z z 0 ) 2 > r 2 }. Se desejarmos usar coordenadas para resolver um problema geométrico abstrato (em que não há especificação prévia de sistemas de coordenadas), ficamos na liberdade de escolher o sistema de modo que a situação se torne o mais simples possível. Pense, por exemplo, que se deseja modelar o movimento da roda de um carro. É mais ou menos evidente que o melhor lugar para colocarmos a origem do nosso sistema de coordenadas é no centro da roda, pois com essa escolha, o movimento da roda torna-se uma rotação plana em volta da origem. Pense na complexidade que acarretaria analisar o problema se a origem do sistema de coordenadas for colocada em algum outro lugar do espaço (por exemplo sobre a própria roda). Vejamos um exemplo prático de natureza mais simples: Exemplo 2.5 Caracterizar, o conjunto dos pontos eqüidistantes de dois pontos dados A e B no espaço. Solução: Começamos observando que o ponto médio do segmento AB evidentemente está à mesma distância de A do que de B, isto é, eqüidista dos pontos A e B. Escolhamos um sistema ortogonal de coordenadas cartesianas OXY Z no espaço, tal que: A origem seja o ponto médio de AB. O segmento AB esteja contido no eixo OY. Em relação a esse sistema de coordenadas, temos A = (0, r, 0) e B = (0, r, 0), para algum escalar r R distinto de zero. Seja P = (x, y, z) um ponto do espaço que eqüidista de A e B, então: Figura 2.7: Escolha das coordenadas. d(p, A) = x 2 + (y r) 2 + z 2 = x 2 + (y + r) 2 + z 2 = d(p, B), CEDERJ 24

MÓDULO 1 - AULA 2 ou seja, x 2 + (y r) 2 + z 2 = x 2 + (y + r) 2 + z 2. Expandindo os quadrados e cancelando os termos comuns, temos 4yr = 0, e como r 0, concluímos y = 0. Logo, P = (x, y, z) eqüidista dos pontos A = (0, r, 0) e B = (0, r, 0) se, e somente se, y = 0. Isso significa que os pontos do espaço que eqüidistam de dois pontos dados Figura 2.8: Plano eqüidistante de A e B. A e B formam o plano que intersecta perpendicularmente o segmento AB no ponto médio. Posição relativa entre duas esferas no espaço Nesta parte, continuando com a idéia do exemplo anterior, analisamos a posição relativa em que duas esferas podem ser encontradas no espaço. Proposição 2.1 Sejam S 1 e S 2 esferas centradas em A 1 e A 2 de raios R 1 > 0 e R 2 > 0, respectivamente, e seja L = d(a 1, A 2 ) = L, então, a. S 1 S 2 = se, e somente se, L > R 1 +R 2 ou R 2 > R 1 +L ou R 1 > R 2 +L. b. S 1 S 2 é um único ponto se, e somente se, R 1 + R 2 = L ou R 1 + L = R 2 e L > 0 ou R 2 + L = R 1 e L > 0. c. S 1 S 2 é uma circunferência se, e somente se, L < R 1 + R 2, R 2 < R 1 + L e R 1 < R 2 + L. d. S 1 = S 2 se, e somente se, L = 0 e R 1 = R 2. Demonstração: Seja OXY Z um sistema ortogonal de coordenadas cartesianas, tal que O = A 1 e A 2 = (0, 0, L), com L 0. Em relação a esse sistema de coordenadas, as equações de S 1 e S 2 são: S 1 : x 2 + y 2 + z 2 = R 2 1 e S 2 : x 2 + y 2 + (z L) 2 = R 2. Começamos assumindo que L > 0. Temos que P = (x, y, z) S 1 S 2 se, e somente se, as coordenadas de P satisfazem simultaneamente as equações de S 1 e S 2. Substituindo a equação de S 1 na equação de S 2 e resolvendo para z, obtemos que a coordenada z de P deve satisfazer: z = L2 + R 2 1 R2 2 2L. (2.3) 25 CEDERJ

verificam: Além disso, da equação de S 1, vemos que as coordenadas x e y de P x 2 + y 2 = R 2 1 z2. (2.4) No segundo membro da equação (2.4), temos as seguintes posibilidades: R 2 1 z2 = 0, R 2 1 z2 < 0 ou R 2 1 z2 > 0. A condição R 2 1 z 2 = 0, equivale a z = R 1. Neste caso, a equação (2.4) equivale a x 2 + y 2 = 0, isto é, a x = 0 e y = 0. Logo, se R 2 1 z2 = 0, então P = (0, 0, z), com z = R 1 ou z = R 1. Usando a equação (2.3), determinamos qual dessas duas possibilidades para a cota do ponto P é a correta. De fato, z = R 1, quando L 2 + R 2 1 > R 2 2 e z = R 1, quando L 2 + R 2 1 < R2 2. Portanto, a condição R 2 1 z2 = 0 é satisfeita se, e somente se, S 1 S 2 consiste apenas de um ponto. A condição R 2 1 z2 < 0, equivale a z < R 1. Mas neste caso, teriamos x 2 +y 2 < 0 o qual nunca acontece. Assim, neste caso, não existem valores x e y que satisfaçam a equação (2.4). Portanto, a condição R 2 1 z2 < 0 equivale a S 1 S 2 =. A condição R 2 1 z2 > 0 equivale a z > R 1. Neste caso, a equação (2.4) é a equação de um círculo contido no plano z 0 = L2 +R 2 1 R2 2, com centro no ponto (0, 0, z 0 ) e raio r = R1 2 z0. 2 De fato, lembre que um 2L ponto P = (x, y, z 0 ) no plano z = z 0, é um ponto do círculo de centro (0, 0, z 0 ) e raio r se, e somente se, d(p, (0, 0, z 0 )) = r. Isto é, se, e somente se, (x 0)2 + (y 0) 2 + (z 0 z 0 ) 2 = r. Tomando quadrados em ambos os lados desta equação, obtemos x 2 + y 2 (2.4). = r 2, que é exatamente a equação Portanto, a condição R 2 1 z 2 > 0, equivale a dizer que S 1 S 2 é uma circunferência. Resumindo, temos as seguintes possibilidades: S 1 S 2 consiste apenas de um ponto R 1 = z ; S 1 S 2 = R 1 < z ; S 1 S 2 é uma circunferência R 1 > z. Vejamos o que essas condições representam em termos de relações entre os raios e a distância entre os centros. Substituindo (2.3) em (2.4), obtemos: x 2 + y 2 = R 2 1 (L2 + R 2 1 R2 2 )2 4L 2 = 4R2 1 L2 (L 2 + R 2 1 R2 2 )2 4L 2, CEDERJ 26

ou seja, A distância no espaço x 2 + y 2 = (R 2 + L R 1 )(R 2 + R 1 L)(R 1 + L R 2 )(R 1 + R 2 + L) 4L 2. Logo S 1 S 2 consiste de um único ponto P se, e somente se, R 1 = R 2 +L ou L = R 1 + R 2 ou R 2 = R 1 + L, pois R 1 + R 2 + L > 0. As três situações são mostradas nas Figuras 2.9, 2.10 e 2.11. MÓDULO 1 - AULA 2 S 1 S 2 = {P }... Quando S 1 S 2 consiste apenas do ponto P, dizemos que S 1 e S 2 são tangentes em P. O plano perpendicular ao segmento A 1 A 2 que passa por P é o chamado plano tangente a S 1 e S 2 em P. Figura 2.9: L = R 1 + R 2. Figura 2.10: R 1 = L + R 2. Figura 2.11: R 2 = L + R 1. Como L > 0, se um dos números R 2 +L R 1, R 2 +R 1 L ou R 1 +L R 2 é negativo, então os outros dois são positivos. Logo, S 1 S 2 = se, e somente se, R 2 + L < R 1 ou R 1 + R 2 < L ou R 1 + L < R 2. possibilidades. Nas Figuras 2.12, 2.13 e 2.14 mostramos essas três Figura 2.12: R 2 + L < R 1. Figura 2.13: R 1 + R 2 < L. Figura 2.14: R 1 + L < R 2. Finalmente, C : S 1 S 2 é um círculo se, e só se, R 1 +R 2 > L, R 2 +L > R 1 e R 1 + L > R 2. Neste caso, o círculo C tem centro no ponto ( C = 0, 0, L2 + R1 2 ) R2 2, 2L seu raio é 27 CEDERJ

Figura 2.15: L > R 1 e L > R 2. Calculando r... Figura 2.16: O valor do raio r do círculo S 1 S 2 é calculado usando o esquema da figura acima, junto com o Teorema de Pitágoras. 4R 2 r = 1 L 2 (L 2 + R1 2 R2 2 )2, 2L e está contido no plano P : z = L2 + R1 2 R2 2 2L paralelo ao plano cartesiano Π XY sendo, portanto, perpendicular à reta que contém os centros das esferas, como mostramos na Figura 2.15. No caso em que L = 0, isto é, A 1 = A 2, note que S 1 = S 2 se, e somente se, R 1 = R 2, e S 1 S 2 = se, e somente se, R 1 > R 2 ou R 2 > R 1. Exemplo 2.6 Determine a posição relativa entre as esferas: S 1 : (x 1) 2 + y 2 + (z 1) 2 = 1, S 2 : (x 2) 2 + (y 1) 2 + z 2 = 1. Solução: Das equações, vemos que S 1 é a esfera de centro A 1 = (1, 0, 1) e raio R 1 = 1, e S 2 é a esfera de centro A 2 = (2, 1, 0) e raio R 2 = 1. A distância entre os centros A 1 e A 2 é: L = d(a 1, A 2 ) = (1 2) 2 + (0 1) 2 + (1 0) 2 = 1 + 1 + 1 = 3. Como L < R 1 + R 2, R 2 < R 1 + L e R 1 < R 2 + L, a Proposição 2.1 implica que S 1 S 2 é um círculo. Além disso, como L > R 1 e L > R 2, A 1 está no exterior de S 2 e A 2 está no exterior de S 1. Resumo Nesta aula, vimos a noção de distância no espaço e enunciamos suas propriedades. Vimos que a equação da esfera no espaço é dada de maneira simples a partir da distância. Finalmente, usamos a distância para descrever a posição relativa entre duas esferas. Exercícios 1. Determine a distância da origem O do sistema OXY Z aos pontos: A = (4, 2, 4); B = ( 4, 3, 1); C = ( 8, 1, 3); D = (1, 1, 1). 2. Verifique que o ponto P = (2, 2, 3) é eqüidistante dos pontos A = (1, 4, 2) e B = (3, 7, 5). 3. Verifique que o triângulo de vértices A = (3, 1, 2), B = (0, 4, 2) e C = ( 3, 2, 1) é isósceles. CEDERJ 28

MÓDULO 1 - AULA 2 4. Verifique que o triângulo de vértices A = (3, 1, 6), B = ( 1, 7, 2) e C = (1, 3, 2) é retângulo. 5. Determine o ponto do eixo OX que está a 12 unidades de distância do ponto P = ( 3, 4, 8). 6. Determine o centro e o raio de uma esfera que passa pelo ponto P = (4, 1, 1) e é tangente aos três planos coordenados. 7. Determine a equação da esfera do exercício anterior. 8. Determine a equação da esfera que passa pelo ponto P = (1, 1, 1) e tem centro C = ( 1, 1, 1). 9. Determine a posição relativa entre as esferas: S 1 : x 2 + y 2 + z 2 = 4, S 2 : x 2 + (y 1) 2 + (z 1) 2 = 1. 10. Determine a posição relativa entre as esferas: S 1 : x 2 + y 2 + z 2 2x + 2y = 7, S 2 : x 2 + y 2 + z 2 2 2z + 1 = 0. 11. Se A = (x 1, y 1, z 1 ) e B = (x 2, y 2, z 2 ) são dois pontos do espaço, verifique que o ponto M AB = ( 1(x 2 1 + x 2 ), 1(y 2 1 + y 2 ) + 1(z 2 1 + z 2 )) é eqüidistante de A e B. No Exercício 11 Note que o ponto M AB é o ponto médio do segmento AB, pois 1 2 (x 1 x 2 ) é o ponto médio do segmento da reta real que tem extremidades x 1 e x 2, similarmente 1 2 (y 1 y 2 ) e 1 2 (z 1 z 2 ) são os pontos médios dos segmentos da reta real que têm extremidades y 1 e y 2 e z 1 e z 2, respectivamente. 12. Determine o ponto médio do segmento AB, onde: a. A = (1, 1, 1) e B = (0, 1, 0). b. A = (2, 1, 3) e B = (3, 2, 1). c. A = (0, 0, 1) e B = (1, 0, 0). d. A = (1, 0, 2) e B = (0, 1, 1). Auto-avaliação Resolvendo os Exercícios de 1 a 5, você ficará familiarizado com o procedimento do cálculo de distâncias no espaço. Nos Exercícios 6, 7 e 8, você irá adquirir maior familiaridade com a equação da esfera e resolvendo os Exercícios 9 e 10, fixará o conteúdo da Proposição 2.1. É muito importante que, embora sejam simples, resolva os Exercícios 11 e 12, pois a noção de ponto médio será usada nas aulas seguintes. Se tiver alguma dúvida, reveja a aula e volte aos exercícios. Em última instância, procure os tutores. 29 CEDERJ