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Transcrição:

gramática Abaurre Pontara Avelar professor módulo 13 FORMAS VERBAIS SIMPLES E PERIFRÁSTICAS Agência Lew Lara CAPÍTULOs Campanha publicitária da Fundação S.O.S. Mata Atlântica veiculada na internet entre 2000 e 2001. A palavra Descubra é uma forma verbal simples. As expressões está acontecendo e estão tirando são formas verbais perifrásticas. Que sentido essas formas verbais perifrásticas imprimem à mensagem do anúncio? 1 Perífrases verbais 2 Tempos e modos verbais: emprego e sentido 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 1

Quando duas pessoas pedalam juntas em uma bicicleta de dois lugares, o deslocamento é diferente do obtido por duas pessoas pedalando cada uma em sua bicicleta. O mesmo acontece nas perífrases verbais. A associação de dois verbos em uma locução produz, muitas vezes, efeitos que não seriam possíveis se cada uma das formas tivesse sido usada isoladamente. 2

O que acontece com o sentido quando os verbos se combinam? Mais do que marcar o passado, o presente ou o futuro, os tempos verbais apresentam nuances de sentido que permitem aos falantes da língua explorar um conjunto amplo de recursos para caracterizar as ações, os processos e os estados que pretendem expressar. Neste módulo, você vai estudar as perífrases verbais, ou locuções verbais, que são combinações de um verbo principal e um verbo auxiliar. Essa combinação é importante para definir sentidos específicos que envolvem as categorias de tempo, modo, voz e aspecto. Outro importante aspecto relacionado ao uso dos verbos diz respeito à articulação textual. Quando organizamos várias informações em um texto, precisamos garantir que a correlação entre os tempos e modos verbais que as apresentam seja feita de modo coerente. Este é outro aspecto do uso dos verbos que será trabalhado neste módulo. Professor: Consulte o Plano de Aulas. As orientações pedagógicas e sugestões didáticas vão facilitar seu trabalho com os alunos. Objetivos Ao final deste módulo, você deverá ser capaz de: saber como são formadas as perífrases verbais do português; reconhecer o paradigma dos tempos compostos; caracterizar as circunstâncias em que os diferentes tempos verbais podem ser utilizados; compreender a correlação entre tempos e modos verbais. 3

Capítulo 1 Perífrases verbais 1 Introdução A tira a seguir apresenta, em tom bem-humorado, um conflito entre pai e filho. Leia-a com atenção e responda às questões de 1 a 3. VERISSIMO Figura 1. VERISSIMO, Luis Fernando. Aventuras da Família Brasil Parte II. Porto Alegre: L&PM, 1993. p. 10. 1 Embora não seja explicitada, a natureza da relação entre as personagens da tira fica evidente para o leitor. a) O que, na tira, sugere estarmos diante de um diálogo entre pai e filho? O que sugere estarmos diante de uma relação entre pai e filho é a atitude de aconselhamento e autoridade por parte da personagem mais velha. b) Que situação dá origem ao conflito apresentado? O conflito é desencadeado pelo fato de, na visão do pai, o filho estar alheio à realidade. 2 As duas primeiras frases da tira trazem conselhos, enquanto a última representa uma ordem. a) Que formas verbais são empregadas para expressar os conselhos e a ordem? As formas verbais empregadas no aconselhamento são precisa começar a prestar (atenção) e pode viver; na ordem, emprega-se a forma tire. b) Aponte diferenças formais entre as categorias verbais utilizadas em um e outro caso. No aconselhamento, os elementos verbais são formados por mais de um item; na ordem, por um único item. 4

3 O último enunciado indica que a ordem dada pelo pai deve ser atendida em uma situação específica. a) Que forma verbal indica essa situação? A forma composta estiver falando, antecedida pelo advérbio de tempo quando, indica a situação em que o filho deve obedecer à ordem do pai. b) Durante o discurso do pai, que atitude do filho fica evidenciada no último enunciado? O conteúdo do último enunciado evidencia que o filho, ao usar o fone de ouvido, não escutou os conselhos que estavam sendo dados. Na tira, o pai emprega formas verbais específicas para tentar convencer o filho a mudar de atitude. Nos dois primeiros enunciados, as formas precisa e pode, associadas aos valores de necessidade e possibilidade, respectivamente, são usadas para exprimir conselhos sobre o comportamento do garoto. Essas formas verbais vêm acompanhadas de verbos no infinitivo (começar e viver). No contexto do último enunciado, a forma estiver, seguida pelo gerúndio falando, indica uma situação específica em que o pai pretende ser obedecido. As três formas resultantes (precisa começar, pode viver e estiver falando), que mostram a combinação de dois itens verbais, recebem o nome de perífrases ou locuções verbais. 2 Verbos auxiliares e verbos principais Isto é essencial! As perífrases ou locuções verbais resultam da combinação de um ou mais verbos auxiliares e um verbo principal. Nas perífrases verbais, o verbo auxiliar é responsável por apresentar as marcas gramaticais de número-pessoa e modo-tempo. O verbo principal, que ocorre em uma das formas nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio), apresenta o significado expresso pela locução. Noções gramaticais: primeira pessoa do singular do presente do indicativo, voz ativa, aspecto durativo Ideia central da ação praticada: estudar tenho estudado Os verbos ter, haver, ser e estar figuram entre os auxiliares usados com mais frequência. Ter e haver, em particular, podem ocorrer com o particípio do verbo principal para formar os chamados tempos compostos, cujo paradigma será apresentado no item 4. Há outros verbos do português que também podem apresentar a função de auxiliar, como ir (vou estudar), poder (posso estudar), dever (devo estudar), começar (comecei a estudar), dentre outros. As diferentes locuções verbais formadas a partir desses verbos serão abordadas no item 5. 5

3 Paradigmas das conjugações dos verbos ter, haver, ser e estar Veja, a seguir, a conjugação de ter, haver, ser e estar, que formam grande parte das locuções verbais do português. Essas formas compõem o grupo dos chamados verbos anômalos, uma vez que seus radicais exibem profundas irregularidades. 3.1 Modo indicativo Presente Ter Haver Ser Estar Eu tenho hei sou estou Tu tens hás és estás Ele(a) tem há é está Nós temos havemos somos estamos Vós tendes haveis sois estais Eles(as) têm hão são estão Pretérito imperfeito Ter Haver Ser Estar Eu tinha havia era estava Tu tinhas havias eras estavas Ele(a) tinha havia era estava Nós tínhamos havíamos éramos estávamos Vós tínheis havíeis éreis estáveis Eles(as) tinham haviam eram estavam Pretérito perfeito Ter Haver Ser Estar Eu tive houve fui estive Tu tiveste houveste foste estiveste Ele(a) teve houve foi esteve Nós tivemos houvemos fomos estivemos Vós tivestes houvestes fostes estivestes Eles(as) tiveram houveram foram estiveram Pretérito mais-que-perfeito Ter Haver Ser Estar Eu tivera houvera fora estivera Tu tiveras houveras foras estiveras Ele(a) tivera houvera fora estivera Nós tivéramos houvéramos fôramos estivéramos Vós tivéreis houvéreis fôreis estivéreis Eles(as) tiveram houveram foram estiveram 6

Futuro do presente Ter Haver Ser Estar Eu terei haverei serei estarei Tu terás haverás serás estarás Ele(a) terá haverá será estará Nós teremos haveremos seremos estaremos Vós tereis havereis sereis estareis Eles(as) terão haverão serão estarão Futuro do pretérito Ter Haver Ser Estar Eu teria haveria seria estaria Tu terias haverias serias estarias Ele(a) teria haveria seria estaria Nós teríamos haveríamos seríamos estaríamos Vós teríeis haveríeis seríeis estaríeis Eles(as) teriam haveriam seriam estariam 3.2 Modo subjuntivo Presente Ter Haver Ser Estar Eu tenha haja seja esteja Tu tenhas hajas sejas estejas Ele(a) tenha haja seja esteja Nós tenhamos hajamos sejamos estejamos Vós tenhais hajais sejais estejais Eles(as) tenham hajam sejam estejam Pretérito imperfeito Ter Haver Ser Estar Eu tivesse houvesse fosse estivesse Tu tivesses houvesses fosses estivesses Ele(a) tivesse houvesse fosse estivesse Nós tivéssemos houvéssemos fôssemos estivéssemos Vós tivésseis houvésseis fôsseis estivésseis Eles(as) tivessem houvessem fossem estivessem 7

Futuro Ter Haver Ser Estar Eu tiver houver for estiver Tu tiveres houveres fores estiveres Ele(a) tiver houver for estiver Nós tivermos houvermos formos estivermos Vós tiverdes houverdes fordes estiverdes Eles(as) tiverem houverem forem estiverem 3.3 Modo imperativo Afirmativo Ter Haver Ser Estar tem tu há tu sê tu está tu tenha você haja você seja você esteja você tenhamos nós hajamos nós sejamos nós estejamos nós tende vós havei vós sede vós estai vós tenham vocês hajam vocês sejam vocês estejam vocês Negativo Ter Haver Ser Estar não tenhas tu não hajas tu não sejas tu não estejas tu não tenha você não haja você não seja você não esteja você não tenhamos nós não hajamos nós não sejamos nós não estejamos nós não tenhais vós não hajais vós não sejais vós não estejais vós não tenham vocês não hajam vocês não sejam vocês não estejam vocês 3.4 Formas nominais Infinitivo impessoal ter haver ser estar Infinitivo pessoal Ter Haver Ser Estar Eu ter haver ser estar Tu teres haveres seres estares Ele(a) ter haver ser estar Nós termos havermos sermos estarmos Vós terdes haverdes serdes estardes Eles(as) terem haverem serem estarem Gerúndio tendo havendo sendo estando Particípio tido havido sido estado 8

4 Tempos compostos Os chamados tempos compostos resultam da combinação de ter ou haver com um verbo principal no particípio. Observe a tira a seguir. QUINO Figura 2. QUINO. A família da Mafalda. Coord. trad. e texto final de Mônica Stahel. São Paulo: Martins Fontes, 1999. p. 5. No último quadrinho, Mafalda explica ao pai por que colocou o dedo em seu olho: (...) tinha entrado um biquíni no seu olho. Tinha entrado é uma forma verbal do pretérito mais-que-perfeito composto do modo indicativo. A forma simples equivalente seria entrara. Veja a seguir a conjugação dos tempos compostos dos verbos regulares cantar, bater e partir. 4.1 Modo indicativo Cantar Pretérito perfeito Eu Tu Ele(a) Nós Vós Eles(as) tenho (hei) tens (hás) tem (há) temos (havemos) tendes (haveis) têm (hão) Bater tenho (hei) tens (hás) tem (há) temos (havemos) tendes (haveis) têm (hão) Partir tenho (hei) tens (hás) tem (há) temos (havemos) tendes (haveis) têm (hão) Cantar Pretérito mais-que-perfeito Eu Tu Ele(a) Nós Vós Eles(as) tinha (havia) tinhas (havias) tinha (havia) tínhamos (havíamos) tínheis (havíeis) tinham (haviam) Bater tinha (havia) tinhas (havias) tinha (havia) tínhamos (havíamos) tínheis (havíeis) tinham (haviam) Partir tinha (havia) tinhas (havias) tinha (havia) tínhamos (havíamos) tínheis (havíeis) tinham (haviam) 9

Cantar Bater Partir Futuro do pretérito Eu Tu Ele(a) Nós Vós Eles(as) teria (haveria) teria (haveria) teria (haveria) terias (haverias) terias (haverias) terias (haverias) teria (haveria) teria (haveria) teria (haveria) teríamos (haveríamos) teríamos (haveríamos) teríamos (haveríamos) teríeis (haveríeis) teríeis (haveríeis) teríeis (haveríeis) teriam (haveriam) teriam (haveriam) teriam (haveriam) 4.2 Modo subjuntivo Cantar Bater Partir Cantar Bater Partir Pretérito perfeito Eu Tu Ele(a) Nós Vós Eles(as) tenha (haja) tenha (haja) tenha (haja) tenhas (hajas) tenhas (hajas) tenhas (hajas) tenha (haja) tenha (haja) tenha (haja) tenhamos (hajamos) tenhamos (hajamos) tenhamos (hajamos) Pretérito mais-que-perfeito tenhais (hajais) tenhais (hajais) tenhais (hajais) tenham (hajam) tenham (hajam) tenham (hajam) Eu Tu Ele(a) Nós Vós Eles(as) tivesse (houvesse) tivesse (houvesse) tivesse (houvesse) tivesses (houvesses) tivesses (houvesses) tivesses (houvesses) tivesse (houvesse) tivesse (houvesse) tivesse (houvesse) tivéssemos (houvéssemos) tivéssemos (houvéssemos) tivéssemos (houvéssemos) tivésseis (houvésseis) tivésseis (houvésseis) tivésseis (houvésseis) tivessem (houvessem) tivessem (houvessem) tivessem (houvessem) 10 Cantar Bater Partir Futuro Eu Tu Ele(a) Nós Vós Eles(as) tiver (houver) tiver (houver) tiver (houver) tiveres (houveres) tiveres (houveres) tiveres (houveres) tiver (houver) tiver (houver) tiver (houver) tivermos (houvermos) tivermos (houvermos) tivermos (houvermos) tiverdes (houverdes) tiverdes (houverdes) tiverdes (houverdes) tiverem (houverem) tiverem (houverem) tiverem (houverem)

4.3 Formas nominais Cantar Infinitivo pessoal (pretérito) Eu Tu Ele(a) Nós Vós Eles(as) ter (haver) teres (haveres) ter (haver) termos (havermos) terdes (haverdes) terem (haverem) Bater ter (haver) teres (haveres) ter (haver) termos (havermos) terdes (haverdes) terem (haverem) Partir ter (haver) teres (haveres) ter (haver) termos (havermos) terdes (haverdes) terem (haverem) Infinitivo impessoal (pretérito) Gerúndio (pretérito) Cantar ter (haver) Cantar tendo (havendo) Bater ter (haver) Bater tendo (havendo) Partir ter (haver) Partir tendo (havendo) 5 Forma e emprego de algumas locuções verbais As locuções verbais são empregadas em contextos gramaticais específicos, alguns dos quais vêm apresentados a seguir. 5.1 Locuções verbais para a expressão de modalidade Verbos como poder, dever e precisar ocorrem como auxiliares nas locuções para a expressão de modalidade, que diz respeito à atitude do falante em relação ao que está sendo expresso pelo conteúdo do enunciado. Por essa razão, tais verbos costumam ser chamados de modais. As locuções que expressam modalidade podem indicar possibilidade (posso estudar), obrigatoriedade (devo estudar), necessidade (preciso estudar) etc. Observe a figura a seguir. VERISSIMO Figura 3. VERISSIMO, Luis Fernando. Aventuras da família Brasil. Porto Alegre: L&PM, 1985. p. 28. 11

Na tira, os verbos dever e poder, usados como auxiliares modais, são fundamentais para caracterizar a atitude das personagens em relação ao conteúdo de suas falas. No primeiro quadrinho, o emprego de dever mostra que uma das personagens entende que ter vergonha de fazer greve é uma obrigação. No segundo quadrinho, a mesma personagem justifica seu ponto de vista por meio de uma construção em que descreve o que lhe parece uma impossibilidade, indicada pelo auxiliar modal poder, precedido pelo advérbio não: Milhares de jovens da sua idade não podem estudar neste país. O último enunciado é o responsável pelo tom de crítica que marca a tira: o jovem, mostrando não ter compreendido, ou não ter concordado com as colocações da outra personagem, recorre ao verbo modal de obrigatoriedade para indagar se é realmente ele quem está na obrigação de ter vergonha: Eu devia ter vergonha?! Os auxiliares ter e haver, que integram tempos compostos, também podem ocorrer como auxiliares modais em locuções que expressam obrigatoriedade (tenho de estudar) e propósito (hei de estudar). Na linguagem espontânea, é comum que o uso modal do verbo ter ocorra seguido da conjunção que (tenho que estudar). Figura 4 Ca mi solão de D. João VI. 5.2 Locuções verbais para a expressão da voz passiva O verbo ser ocorre com uma forma verbal no particípio para formar a voz passiva analítica. Há, contudo, outros verbos que também podem formar locuções com o particípio para expressar o sentido passivo. Observe o texto a seguir. O camisolão do príncipe regente O camisolão aí abaixo tem história. Teria sido a vestimenta usada pelo então príncipe regente e futuro dom João VI em várias das noites dentro do navio que trouxe a família real de Lisboa ao Rio de Janeiro. O traje, ainda em bom estado, andou guardado por muito tempo no Museu Imperial de Petrópolis. Agora, sai do armário para integrar a exposição Sonhos de João, que o museu inaugura no fim de janeiro. Em vários pontos do camisolão, está bordada a inscrição Salve o príncipe Museu Imperial, Petrópolis Figura 5 Retrato de D. João VI, 1817, de Jean Baptiste Debret. Óleo sobre tela, 0,60 m x 0,42 m. regente, para sempre imperador do Oriente e do Ocidente. Na exposição, será exibida ainda uma carta em que Carlota Joaquina reclama do cardápio do navio. Veja, São Paulo, ano 40, ed. 2041, n. 52, p. 35, 29 dez. 2007. Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro 12

No texto, ocorrem três locuções formadas por auxiliar + particípio andou guardado, está bordada e será exibida que expressam um conteúdo passivo. Nas frases em que essas locuções aparecem, não são apresentados os elementos que seriam interpretados como o agente das ações de guardar, bordar e exibir. Por sua vez, os elementos interpretados como pacientes dessas mesmas ações respectivamente, o traje, a inscrição e uma carta correspondem ao sujeito sintático das construções. 5.3 Locuções verbais para a expressão de aspecto Verbos como continuar, começar, acabar, voltar etc. ocorrem como auxiliares aspectuais em locuções que permitem identificar o estágio em que se encontra uma ação, um processo ou um estado. Podem, por exemplo, indicar que determinado fato está sendo expresso em seu início (comecei a estudar), em seu desenvolvimento (continuei a estudar), após sua conclusão (acabei de estudar) ou após uma retomada que se segue a uma interrupção (voltei a estudar). Uma das locuções mais frequentes para a expressão de aspecto é aquela em que o verbo estar ocorre seguido de uma forma no gerúndio. Observe a propaganda a seguir. Agência DPZ Figura 6. Revista Pasta, São Paulo, n. 2, p. 72, fev./mar. 2006. 13

No texto, quando se informa que o menino leitor Está vivendo as emoções de uma partida de quadribol ao lado de Harry Potter, observamos que a locução verbal (está vivendo) expressa um aspecto durativo, que apresenta um fato em seu desenvolvimento. Os verbos flexionados no pretérito perfeito simples do indicativo traduzem a ideia de um aspecto conclusivo, com os fatos apresentados após o seu término (cruzou, subiu, viu, aprontou, descobriu). Explora-se, assim, o contraponto entre as aventuras já vividas durante a leitura de vários livros e a que acontece no presente (a leitura de um dos livros da série Harry Potter), identificada por meio da locução verbal. 5.4 Uma locução verbal polêmica Em fevereiro de 2001, o publicitário Ricardo Freire iniciou uma curiosa campanha no Jornal da Tarde. O texto abaixo foi o seu ponto de partida. Para você estar passando adiante Este artigo foi feito especialmente para que você possa estar recortando e possa estar deixando discretamente sobre a mesa de alguém que não consiga estar falando sem estar espalhando essa praga terrível da comunicação moderna, o gerundismo. Você pode também estar passando por fax, estar mandando pelo correio ou estar enviando pela internet. O importante é estar garantindo que a pessoa em questão vá estar recebendo esta mensagem, de modo que ela possa estar lendo e, quem sabe, consiga até mesmo estar se dando conta da maneira como tudo o que ela costuma estar falando deve estar soando nos ouvidos de quem precisa estar escutando. Sinta-se livre para estar fazendo tantas cópias quantas você vá estar achando necessárias, de modo a estar atingindo o maior número de pessoas infectadas por esta epidemia de transmissão oral. Mais do que estar repreendendo ou estar caçoando, o objetivo deste movimento é estar fazendo com que esteja caindo a ficha nas pessoas que costumam estar falando desse jeito sem estar percebendo. Nós temos que estar nos unindo para estar mostrando a nossos interlocutores que, sim!, pode estar existindo uma maneira de estar aprendendo a estar parando de estar falando desse jeito. FREIRE, Ricardo. The best of Xongas. São Paulo: Mandarim, 2001. p. 154. (Fragmento.) 14 O texto de Ricardo Freire focaliza o chamado gerundismo, que, em termos estruturais, corresponde a uma perífrase verbal construída a partir do uso de dois verbos auxiliares (normalmente, ir ou poder + estar) seguidos de uma forma no gerúndio. Sequências do tipo possa estar recortando, possa estar deixando e vá estar recebendo são exemplos dessa perífrase.

Uma das hipóteses para explicar a origem de tais locuções em português seria a tradução de manuais norte-americanos para treinamento de operadores na área de telefonia comercial. Nesses textos, uma estrutura temporal típica do futuro em inglês (futuro do verbo to be + gerúndio: we will be doing, sending, writing etc.) aparece com frequência. Essa estrutura teria sido traduzida literalmente para o português, dando origem ao gerundismo. Note que essas locuções com o gerúndio vêm sendo usadas para expressar o futuro, tempo verbal para o qual o português já dispõe de duas outras formas: o futuro do presente simples (levarei, farei etc.) e as locuções com o verbo ir seguido de uma forma infinitiva (vou levar, vou fazer etc.). De tão generalizado, o gerundismo tornou- -se alvo de críticas constantes, como na campanha promovida por Ricardo Freire. Muitas tiras, a exemplo da reproduzida a seguir, ironizam seu uso. Figura 7. Leia o texto para responder às questões de 1 a 4. Amigos para sempre GALHARDO, Caco. Os pescoçudos. Folha de S.Paulo, São Paulo, 27 maio 2005. Exercícios dos conceitos A regra básica dos amigos pra sempre é lembrar sempre que a gente vai ser amigo para sempre. Isso minimiza muitas coisas. A verdade é que vamos ter que nos aturar a vida toda. Então, o melhor é que a gente brigue pouco. Ou brigue sem muitos atos dramáticos. E sem ofensas pesadas. (...) Mas não temos como fugir! Estamos como que amarrados pela amizade. Podemos até dar tempos, sumidas. Mas não tem jeito. (...) E essas pessoas conhecem a gente tanto, mas tanto! Na verdade, um amigo pra sempre conhece a gente mais que qualquer família. E não liga se a gente dá chilique. Não liga se a gente fica de ligar e não liga. E nem a gente liga. Com um amigo para sempre a gente toma liberdades. Podemos deixar cinco recados seguidos nas secretárias deles. Sabemos que não, não vamos perdê-los. Algumas vezes a gente acha que um amigo é para sempre e não era. Uma hora a coisa para de rolar. Isso é triste. Mas tem gente que entra na nossa vida e vai ficando. Ficando, ficando. Amizade, eu acabo achando sempre, é melhor que amor. Pelo menos é quando eu consigo falar para sempre. LEMOS, Nina. Blog 02 neurônio, 6 ago. 2003. Disponível em: <cf.uol.com.br>. Acesso em: 25 out. 2004. 15

1 Esse texto trata das regras a serem seguidas entre amigos para sempre. a) Quais são elas? Em primeiro lugar, esses amigos devem lembrar-se de que serão amigos para sempre. Portanto, devem brigar pouco, sem atos dramáticos e sem ofensas pesadas. b) Por que essas regras devem ser seguidas? Porque vão ter de conviver para sempre. 2 Quando a autora apresenta essas regras, opõe dois tempos: presente e futuro. a) Identifique as formas verbais que indicam cada um desses tempos. As formas verbais que indicam o presente são: é (três ocorrências), minimiza e brigue. As que indicam o futuro são: vai ser e vamos ter (que nos aturar). b) O que cada um desses tempos verbais indica em relação à amizade? Os verbos no presente indicam as regras a serem seguidas pelos amigos para sempre. Os que estão no futuro indicam os motivos para que isso ocorra: o fato de que serão amigos para sempre e que terão, portanto, de conviver eternamente. 3 Além das formas verbais de futuro já identificadas por você, há uma outra, apresentada no quarto parágrafo. a) Identifique-a. A forma verbal é: (não) vamos perdê-los. b) Você deve ter notado que essas formas verbais de futuro são perifrásticas, formadas pelo verbo auxiliar ir + infinitivo do verbo principal. Explique a relação estabelecida no texto entre essas formas verbais e o tipo de amizade ali caracterizada. As formas verbais utilizadas (perífrases do futuro do presente do indicativo) traduzem a certeza de que a amizade será para sempre. Tal convicção é a base argumentativa para apresentar as regras que devem reger esse tipo de relacionamento. Como esse tempo verbal nomeia ações futuras, a opção pelo uso de locuções verbais no futuro comprova a eternização da amizade. Por isso, algumas atitudes podem ser tomadas sem medo de perder esse vínculo. 16

c) O futuro do presente simples do modo indicativo traduziria exatamente a mesma ideia pretendida pela autora do texto. Como se pode explicar, então, a opção pelas formas perifrásticas de futuro? Justifique. As formas perifrásticas de futuro são características da linguagem oral e denotam informalidade. Como se pode observar, o texto pretende apresentar a um(a) amigo(a) aquilo que caracteriza uma amizade para sempre. A opção pela informalidade se manifesta em outras características do texto, como o uso frequente de a gente em lugar de nós, os termos chilique e liga em vez de telefona etc. 4 A partir do quarto parágrafo, a autora caracteriza esse tipo de amizade e constata que, algumas vezes, nos enganamos ao pensar que esse laço será duradouro. a) Como se caracterizam, segundo a autora, os amigos para sempre? Segundo ela, são pessoas que nos conhecem muito, mais que nossa própria família, e com as quais são permitidas certas atitudes (ter chilique, prometer telefonar e não cumprir e não se importar se o outro faz o mesmo, deixar inúmeros recados na secretária eletrônica do amigo), porque temos a certeza de que a amizade não se perderá. b) Transcreva a passagem, no penúltimo parágrafo, que revela que um amigo será para sempre, em oposição àqueles que não permanecem. Mas tem gente que entra na nossa vida e vai ficando. Ficando, ficando. c) Que forma verbal é utilizada para identificar esse tipo de amigo? Que efeito cria no texto, considerando o assunto tratado? A forma verbal utilizada é a perífrase vai ficando, com a posterior repetição, por duas vezes, apenas do verbo no gerúndio. A retomada do gerúndio, nesse caso, indica a permanência e a durabilidade da amizade, o que comprovaria que ela é para sempre. d) No último parágrafo, a autora estabelece uma comparação entre a amizade e o amor. Em que consiste essa comparação? A autora afirma que a amizade é melhor que o amor. Para ela, a superioridade da amizade ao amor se deve ao fato de que a amizade pode ser para sempre, e o amor não. 17

Leia o texto para responder às questões 5 e 6. Glossário Flirts. Flertes. 131. Mais que perfeito Eu tinha saído do laboratório da Itacolomi Film onde Rolah tinha dado uma hora preguiçosa de pose para observações contratuais. Ela tinha me confessado pela manhã que seus amores anteriores com pastores não tinham passado de pequenos flirts de criança. Agora quando tínhamos descido a escada longa eu me tinha baixado até os orquestrais cabelos loiros. E tínhamo-nos juntado no doce e carnoso grude dum grande beijo mudo como um surdo. ANDRADE, Oswald de. Em: Memórias sentimentais de João Miramar. São Paulo: Globo, 2004. p. 139. (Fragmento.) 5 O título do texto está associado ao uso que o narrador faz das formas verbais. a) Identifique-as. Tinha saído; tinha dado; tinha (me) confessado; (não) tinham passado; tínhamos descido; (me) tinha baixado; tínhamo (-nos) juntado. b) Em que tempo e modo estão conjugadas essas formas verbais? Todas as formas verbais presentes no texto estão conjugadas no pretérito mais-que-perfeito (composto) do indicativo. 6 Considerando a situação apresentada pelo narrador, é possível afirmar que o título do texto se refere ao momento vivido por ele. a) Explique essa afirmação. Podemos afirmar que o título do texto se refere ao momento amoroso único, mais que perfeito, que o narrador vive com a personagem apresentada (Rolah): ela confessa a ele que seus amores anteriores não foram importantes, e os dois se beijam apaixonadamente. b) De que maneira a escolha das formas verbais, associada ao título do texto, constitui-se como um recurso para enfatizar esse momento? A utilização de formas verbais do pretérito mais-que-perfeito composto para relatar os acontecimentos vividos pelo narrador reforça a ideia central do texto: o momento mais que perfeito protagonizado por ele e Rolah. O fato de essa expressão ser grafada sem hífen, no título, também reafirma tal relação, já que, quando designa o tempo verbal, ela leva esse sinal gráfico. 18

Professor: Consulte o Banco de Questões e incentive os alunos a usar o Simulador de Testes. Retomada dos conceitos 1 (Fuvest-SP) Sobre o emprego do gerúndio em frases como Nós vamos estar analisando os seus dados e vamos estar dando um retorno assim que possível, um jornalista escreveu uma crônica intitulada Em 2004, gerundismo zero!, da qual extraímos o seguinte trecho: Quando a teleatendente diz: O senhor pode estar aguardando na linha, que eu vou estar transferindo a sua ligação, ela pensa que está falando bonito. Por sinal, ela não entende por que eu vou estar transferindo é errado e ela está falando bonito é certo. a) Você concorda com a afirmação do jornalista sobre o que é certo e o que é errado no emprego do gerúndio? Justifique sucintamente sua resposta. O jornalista considera erro o que está em desacordo com o uso prescrito pela gramática normativa ou não atende às formas em que costuma ser empregado. Nessa perspectiva, a construção vou estar transferindo pode ser considerada errada, ou seja, inadequada em relação à norma da língua. b) Identifique qual de seus vários sentidos assume o sufixo empregado na formação da palavra gerundismo. Cite outra palavra em que se utiliza o mesmo sufixo com esse mesmo sentido. O sufixo -ismo anexado à palavra gerúndio para formar gerundismo traz, neste caso, a ideia de vício, mania, mau uso. Em consumismo, oportunismo, modismo teríamos também o mesmo valor negativo associado ao sufixo. Professor: O nome gerundismo designa a tendência a indicar o futuro simples por meio da construção ir + estar + gerúndio. O que a norma determina, nesse caso, é fazê-lo por meio do verbo ir (no presente) + infinitivo: eu vou transferir. A construção ir + estar + gerúndio pode ser usada de forma legítima para designar uma ação futura simultânea a outra mencionada também no futuro. Exemplo: Amanhã, quando você estiver dormindo, eu já vou estar trabalhando. 2 (UFSCar-SP) Leia o texto seguinte. Desculpe-nos pela demora em responder a sua reclamação sobre a sua TV de plasma. Precisávamos ter a certeza de que a nossa matriz aqui no Brasil estaria nos enviando a referida peça. Na próxima semana, estaremos fazendo uma revisão geral no aparelho e vamos estar enviando ele para o senhor. Atenciosamente... Texto do e-mail de uma empresa, justificando o atraso em consertar um aparelho eletrônico. Observa-se, nesse texto, um problema de estilo comum nas correspondências comerciais e nas comunicações de telemarketing e também um desvio da norma-padrão do português do Brasil. 19

a) Identifique o problema de estilo e redija o trecho em que ele ocorre, corrigido. As construções estaria nos enviando, estaremos fazendo e vamos estar enviando constituem um problema de estilo denominado gerundismo. Os trechos podem ser corrigidos, respectivamente, com as formas verbais enviaria, faremos e enviaremos. b) Identifique o desvio e redija o trecho em que ele ocorre, corrigido. O desvio gramatical ocorre no trecho vamos estar enviando ele, pois, contrariando o que prescrevem as regras da gramática normativa, o pronome pessoal reto está desempenhando função sintática de objeto direto, que é típica de pronomes oblíquos. O trecho, portanto, pode ser corrigido com as seguintes formas verbais: enviá-lo-emos ou o enviaremos. 3 (PUC-RJ, adaptada) A frase sublinhada nos trechos abaixo pode causar alguma estranheza, especialmente considerando-se que integra um texto escrito. Reescreva-a de modo a eliminar a(s) inadequação(ões): Trecho de uma nota sobre a festa de lançamento do filme Eu, tu, eles, de Andrucha Waddington, estrelado por Regina Casé: (...) Quem ficou en com a atuação de Regina foi Pedro Almodóvar. O cineasta já conhecia a atriz das festas de Caetano Veloso, mas nunca a viu atuar. Ele comentou que Regina impressiona por ser uma mulher exuberante, de gestos largos e com a capacidade de compor um personagem tão comedido. Os dois tricotaram a noite inteira. Jornal do Brasil, 15 ago. 2000, Caderno B, coluna Registro. O cineasta já conhecia a atriz das festas de Caetano Veloso, mas nunca a tinha visto atuar. 4 (UFJF-MG) Leia, com atenção, o fragmento abaixo destacado do texto de Leandro Konder: Texto I Nem tudo, porém, está perdido. Com o tempo, as massas vão ganhando experiência e vão se tornando mais exigentes em suas decisões e em suas escolhas. 20

Compare-o, agora, com a seguinte alternativa de reescrita: Texto II Nem tudo, porém, está perdido. Com o tempo, as massas vão ganhar experiência e vão se tornar mais exigentes em suas decisões e em suas escolhas. Responda: a) Qual é a principal diferença morfológica entre as formas negritadas em (I) e (II)? Gabarito oficial. Em (I), os verbos principais das locuções estão no gerúndio; em (II), no infinitivo. b) Com relação ao tempo, o que a escolha das formas verbais em (I) informa ao leitor? Gabarito oficial. O uso do gerúndio, em (I), informa um processo contínuo e gradual. c) Qual seria o efeito de sentido, para o leitor, se Konder tivesse optado, naquele fragmento (I), pelas formas verbais da alternativa (II) (vão ganhar e vão se tornar)? Gabarito oficial. A forma verbal de infinitivo não deixa explícita a noção de processo contínuo, apenas aponta para um acontecimento futuro. 5 (PUC-RJ, adaptada) Ao estudar a língua dos Hopi, no que hoje é o Arizona, Whorf observou que ela era privada de estruturas temporais. Os verbos, por exemplo, não tinham formas para designar eventos no passado. Mesmo as metáforas linguísticas que criassem uma conexão entre espaço e tempo como a certo ponto ou um longo período de tempo inexistiam. Essa característica exercia efeitos decisivos sobre o pensamento dos índios: seria responsável por uma visão de mundo atemporal. Essa tese da atemporalidade, porém, foi refutada. O linguista Ekkehart Malotki descreveu em Hopi time as nuanças com que a língua consegue descrever o tempo. Há mais de 200 expressões hopi para o tempo (...) como ontem, hoje, cedo ou tarde, passando por períodos do dia, meses e estações do ano até um diferenciado sistema de suplementos verbais que permitem a descrição precisa de um curso de eventos. Porém, com sua visão errônea da língua Hopi, Whorf ironicamente proveu a melhor prova para a hipótese da relatividade linguística. Provavelmente ele não descobriu as diversas definições de tempo porque procedeu [a] sua análise a partir da visão de mundo e com as expectativas de um falante europeu. JÄGER, Ludwig. A palavra cria o mundo. Viver: mente e cérebro, ano XIII, n. 151, p. 51, ago. 2005. 21

a) Na língua portuguesa, as formas verbais expressam, entre outras coisas, o curso de eventos no tempo. No primeiro parágrafo do texto, o futuro do pretérito tem outro emprego. Transcreva essa forma verbal, indicando seu emprego. Gabarito oficial. No último período, a forma verbal seria indica hipótese. b) Reescreva o trecho Provavelmente ele não descobriu as diversas definições de tempo (...), substituindo provavelmente por é provável. Faça todas as alterações necessárias. Gabarito oficial. É provável que ele não tenha descoberto as diversas definições de tempo (...). 6 (UFPel-RS) As afirmações I e II estão incorretas porque: (I) a locução verbal estavam sendo mortas possui um sentido de processo contínuo inexistente em haviam morrido (ação acabada ocorrida em um passado anterior), daí uma não ser equivalente à outra; (II) corriam indica uma ação contínua no passado, e haviam corrido, uma ação acabada ocorrida em um passado anterior, por isso também não se equivalem e não se substituem. A terra tremeu, o mar se revoltou e em minutos formaram-se ondas pequenas que corriam à velocidade de aviões. Próximo à praia, encrespavam-se, chegando a 20 metros de altura, e ganhavam força a ponto de avançar 5 quilômetros sobre o litoral de 11 países do sul da Ásia e na costa leste da África, na manhã seguinte ao Natal do ano passado. Até o final de janeiro haviam morrido mais de 230 mil pessoas, principalmente na Indonésia, no Sri Lanka, na Índia e na Tailândia, e havia milhões de feridos e desabrigados, além de cidades destruídas, sem água, energia elétrica e estradas. Passado o impacto inicial da catástrofe que devastou de modo talvez irreparável a vida de moradores de regiões já pobres, os geofísicos ficaram intrigados com as peculiaridades e os possíveis desdobramentos do maior terremoto ocorrido nos últimos 40 anos e o quarto maior registrado desde que surgiram os primeiros sismógrafos, em 1900. É a primeira vez que se registra um tremor tão forte de magnitude 9 fora do chamado Cinturão Sísmico do Pacífico, a falha sinuosa que acompanha o litoral dos países da Oceania, do leste da Ásia e da costa oeste das Américas do Norte e do Sul, na qual se concentram 80% dos terremotos do planeta. Pesquisa Fapesp, n. 8, fev. 2005. Observando o uso das formas verbais no texto, analise as asserções que seguem. I. A forma verbal haviam morrido pode ser substituída sem alteração de sentido por estavam sendo mortas. II. O último verbo da primeira frase pode ser substituído sem prejuízo do sentido por haviam corrido. III. A hipotética substituição da forma concentram por concentrariam poderia mostrar a dúvida do autor acerca do fato narrado. IV. A forma havia, pertencente ao registro formal, é intercambiável com a forma verbal tinha, ainda que a última se associe ao registro informal. Está correto somente o que se afirma em: a) I e II. c) III e IV. e) II e III. b) II e IV. d) I e III. 22

7 (UFRRJ) Eugênia coxeava um pouco, tão pouco, que eu cheguei a perguntar- -lhe se machucara o pé. A forma verbal destacada pode ser substituída, sem alteração de sentido, pela forma composta: a) teria machucado. d) tem machucado. b) tivesse machucado. e) teve machucado. c) tinha machucado. Essa é a forma composta do pretérito mais-que-perfeito. 8 (UFPA) O enunciado em que o verbo auxiliar possibilita a compreensão de que é necessário ao vendedor possuir uma determinada qualidade é: a) O custo do amendoim oferecido gratuitamente faz parte do custo total do negócio (...). b) (...) esse consumidor torna-se um cliente em potencial, podendo adquirir o produto em outra oportunidade. c) A oferta dos produtos e serviços deve ser honesta (...). d) (...) a expectativa de lucro não pode ter um caráter imediatista. e) É bom lembrar: um consumidor satisfeito é um cliente fiel. 9 (UFRN) No trecho abaixo, as formas verbais em destaque estão no tempo presente. As obras que a República manda editar [...], logo que são impressas [...], distribuem-se [...] por quem as queira. Observando-se o registro culto da língua e a coerência temporal, a conversão desse presente em passado levaria as formas verbais, respectivamente, às seguintes flexões: a) tinha mando eram imprimidas distribuíram-se queria. b) mandou foram impressas eram distribuídas quis. c) mandava eram impressas distribuíam-se quisesse. d) havia mandado foram imprimidas foram distribuídas quisera. Nessa frase, dever, como verbo auxiliar, indica a necessidade de a oferta de produtos e serviços ser honesta. A única alternativa em que a correlação dos tempos verbais está correta é a c. 23

Capítulo 2 Tempos e modos verbais: emprego e sentido 1 Introdução Observe o texto a seguir, que introduz um artigo publicado na revista Superinteressante sobre o antigo Egito, e responda às questões de 1 a 3. Sandro Vannini/Corbis/Latin Stock Figura 1 Máscara de ouro do faraó Tutancâmon, que reinou entre 1333 e 1324 a.c. Na sala, pai e filho estão entretidos com jogos de tabuleiro e bebem cerveja em um final de tarde de domingo. A perna engessada de um deles não permitiu que fossem a uma cervejaria. No quintal, as crianças se divertem brincando de amarelinha e entre os cães de estimação que correm no corredor. Em um dos quartos, duas adolescentes experimentam novos cosméticos e cremes hidratantes, enquanto conversam sobre métodos contraceptivos e o teste de gravidez que a mais velha fará no dia seguinte. No quarto principal, uma mulher divide seus pensamentos entre a contabilidade de sua padaria e o divórcio prestes a se concretizar. Para amenizar a dor de cabeça, ela toma um remédio à base de ácido acetilsalicílico, o princípio ativo da aspirina. Se alguém perguntasse onde e quando essa cena aconteceu, a resposta poderia muito bem ser o Brasil ou os Estados Unidos há muito pouco tempo. Mas, por mais incrível que possa parecer, se alguém respondesse que a situação deu- -se no Egito no tempo dos faraós, estaria absolutamente certo. A chance de momentos como esses terem ocorrido durante o reinado de Tutancâmon ou Ramsés é praticamente tão grande quanto no Ocidente do século 20. Escondidos sob a mística de pirâmides e maldições de múmias, os avanços científicos e culturais dos povos do antigo Egito costumam surpreender mesmo a quem se considera iniciado no assunto. GIMENEZ, Karen. A fantástica ciência do antigo Egito. Superinteressante, São Paulo, ed. 191, p. 44-45, ago. 2003. (Fragmento.) 24

1 Considere o primeiro parágrafo do texto e responda: a) Que estratégia o autor utiliza para criar uma atmosfera de modernidade? O autor apresenta elementos que podem fazer parte do cotidiano de qualquer pessoa nascida nos dias atuais: jogos de tabuleiro, cerveja, amarelinha, cosméticos e cremes hidratantes, métodos contraceptivos, teste de gravidez, contabilidade da padaria, divórcio, remédio à base de ácido acetilsalicílico. b) Por que se espera que o leitor se surpreenda ao saber que o antigo Egito pode ser o pano de fundo da cena descrita? Pelo menos de acordo com o senso comum, não se esperaria que uma sociedade da época de Tutancâmon ou Ramsés apresentasse elementos como os que foram enumerados. 2 Que recurso gramatical o autor do texto emprega para dinamizar a cena descrita? O autor emprega, predominantemente, formas verbais do presente do indicativo. 3 Como esse recurso contribui para criar no leitor a expectativa de que a cena tenha se dado no mundo moderno, e não no antigo Egito? O uso de verbos no presente do indicativo confere vivacidade à cena descrita e contribui para criar no leitor a impressão de que os fatos descritos tenham ocorrido em um momento próximo ao da enunciação, e não em um ambiente de quatro mil anos atrás. No primeiro parágrafo do texto, predominam as formas verbais no presente do indicativo: estão, bebem, divertem, correm, experimentam, conversam, divide, toma. O uso dessas formas imprime ao texto um efeito que, além de conferir vivacidade ao dia a dia das personagens, contribui para criar a expectativa de que estamos diante de uma cena ocorrida nos dias atuais, e não há quarenta séculos. Note que, se essas mesmas formas verbais fossem flexionadas no pretérito, o efeito gerado seria bastante diferente: Na sala, pai e filho estavam entretidos com jogos de tabuleiro e bebiam cerveja em um final de tarde de domingo. (...) as crianças se divertiam brincando de amarelinha e entre os cães de estimação que corriam no corredor.... Este capítulo é dedicado ao emprego e sentido dos tempos e modos verbais. Você verá que as formas verbais permitem ao usuário da língua recorrer a diferentes estratégias para situar temporalmente os fatos que pretende expressar. 25

2 Modo indicativo 2.1 Presente As formas verbais no presente do indicativo são usadas nos seguintes casos: Para indicar um fato que ocorre no momento em que é enunciado: Neste instante, a cidade enfrenta um enorme engarrafamento. A seleção brasileira vence a Argentina por um a zero, mas esse placar pode mudar até o final da partida. A locução com o verbo estar no presente do indicativo, seguido de uma forma no gerúndio, também é comumente empregada para indicar um fato que se dá no momento da enunciação. Observe o exemplo presente na tira a seguir. Laerte Figura 2. LAERTE. Classificados: livro 1. São Paulo: Devir, 2001. p. 41. Na tira, o efeito de humor é criado pelo aspecto durativo associado à ação verbal, apresentada no mesmo momento de sua ocorrência. Como o aspecto durativo indica que a ação do verbo ocupa uma razoável extensão de tempo, é engraçado imaginar alguém que está caindo em uma escada há meia hora. Para a afirmação de verdades eternas ou fatos apresentados como inquestionáveis: A Terra é redonda. Quem ama não mata. Para aproximar, do momento da enunciação, fatos ocorridos no passado, como nos exemplos apresentados a seguir (esse caso é o que se costuma denominar presente histórico): Todos estavam reunidos na sala do Tribunal. Nesse momento entra o réu, acompanhado do seu advogado, e agride fisicamente um dos guardas que o escoltavam. Em 1492, Cristóvão Colombo chega à América. Para indicar um evento futuro cuja ocorrência se dará em um tempo próximo: Hoje à noite, o presidente embarca para Brasília. As crianças só voltam da viagem na próxima semana. para indicar uma ação habitual, ainda que não esteja ocorrendo no momento em que é enunciada. Observe o texto a seguir. 26

Espera Um dia não, um dia sim, ele telefona Um sábado sim, um sábado não, ele aparece O enxoval está pronto, só falta marcar o dia do casamento Um dia sim, dois dias não, ele telefona Dois sábados não, um sábado sim, ele aparece O vestido de noiva está pronto, só falta marcar a data do casamento Um sábado ele telefona, no outro mês ele aparece Ela sabe que ele está muito ocupado É bom lavar novamente todo o enxoval, pôr o vestido de noiva no sol Um dia não, um sábado não Um mês não, um ano não Ela vende o enxoval, rasga o vestido de noiva CUNHA, Helena Parente. Cem mentiras de verdade. 2. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1990. p. 8. No texto, todas as formas verbais são empregadas no presente do indicativo (telefona, aparece, está, falta, sabe, é, vende, rasga). Os verbos mostram, inicialmente, as ações habituais de certa figura masculina em um compromisso amoroso: Um dia não, um dia sim, ele telefona / Um sábado sim, um sábado não, ele aparece. Com a possibilidade de casamento ficando mais concreta, as ações que indiciavam o compromisso vão perdendo a regularidade, até desaparecerem por completo: Um dia não, um sábado não / Um mês não, um ano não. Além de indicar ações habituais, o presente também é usado junto ao verbo saber, que revela a crença da mulher em relação à garantia de compromisso da figura masculina: Ela sabe que ele está muito ocupado. Por fim, o emprego de formas verbais no presente para expressar a atitude da mulher frente ao desaparecimento do homem contribui para imprimir um caráter dinâmico, vivaz, à frustração vivenciada: Ela vende o enxoval, rasga o vestido de noiva. 2.2 Pretérito O pretérito serve para indicar ações, estados e processos que pertencem a um momento anterior à enunciação. Há três formas de pretérito. Pretérito perfeito A forma simples do pretérito perfeito indica o aspecto concluso, que serve para expressar um fato totalmente concluído no passado. Observe a carta a seguir, enviada à revista Época por um leitor que participou da Passeata dos Cem Mil, em 1968. O ano que mudou o mundo Vivi 1968 com 18 anos. Vi a correria na Avenida Rio Branco, com cavalos sendo jogados sobre a população. Meus olhos choraram com o gás lacrimogêneo. Vi espancamento, ouvi tiros e vi uma pessoa ser baleada em frente à sede do Jornal do Brasil. Vi Vladimir Palmeira discursar na Cinelândia. Vi a correria dos estudantes na Esplanada do Castelo. Vi cavalos, montados por policiais, caindo, impulsionados pelas bolas de gude jogadas a seus pés no Agência O Globo Figura 3 Passeata dos Cem Mil, no Rio de Janeiro, em 26 de junho de 1968. 27

asfalto da Rio Branco. Estava presente em carne e osso na famosa e oportuna passeata dos Cem Mil. Caminhei nela da Candelária à Cinelândia. (...) Realmente, 1968 foi o ano que mudou o mundo. SILVA, Luiz Roberto da. O ano que mudou o mundo. Época, São Paulo, n. 504, p. 8, 14 jan. 2008. Na carta, o fato de o episódio descrito remontar ao ano de 1968 leva ao predomínio de verbos na forma do pretérito perfeito (vivi, vi, choraram, ouvi, caminhei, foi e mudou), o que permite marcar os eventos como fatos concluídos. A recorrência do verbo ver na forma do pretérito perfeito nos faz visualizar as experiências narradas (a correria na avenida Rio Branco, o espancamento, a visão de uma pessoa baleada etc.) como um conjunto de fatos circunscritos a um evento específico, sem prolongamentos para além do ponto temporal em que ocorrem. O efeito seria diferente se, em vez do pretérito perfeito, o autor fizesse uso do pretérito imperfeito. Se dissesse, por exemplo, via a correria em vez de vi a correria, ou o ano que mudava o mundo em vez de o ano que mudou o mundo, o foco passaria a ser o desenvolvimento dos fatos, e não a sua apresentação como pertencentes a um conjunto de experiências passadas já concluídas. É importante destacar a diferença entre o significado expresso pelas formas simples e composta do pretérito perfeito. O sentido de vi espancamento, como se pode perceber, não seria o mesmo que o de tenho visto espancamento. No primeiro caso, que corresponde à forma simples, a experiência de ver se apresenta como terminada, inteiramente concluída. No segundo, que corresponde à forma composta, a experiência seria estendida ao momento de sua enunciação e não poderia ser tratada como um fato concluso, terminado. Pretérito imperfeito Opõe-se ao pretérito perfeito por apresentar o aspecto inconcluso. O pretérito imperfeito do indicativo é normalmente usado para designar ações, processos e estados no passado tidos como habituais, rotineiros e/ou no meio de seu desenvolvimento. Observe o trecho seguinte, extraído do romance Fogo morto, de José Lins do Rego. O bater do martelo do mestre José Amaro cobria os rumores do dia que cantava nos passarinhos, que bulia nas árvores, açoitadas pelo vento. Uma vaca mugia por longe. O martelo do mestre era forte, mais alto que tudo. (...) Ouvia o gemer da filha. Batia com mais força na sola. (...) Tinha aquela filha triste, aquela sinhá de língua solta. Ele queria mandar em tudo como mandava no couro que trabalhava, queria bater em tudo como batia naquela sola. A filha continuava chorando como se fosse uma menina. O que era que tinha aquela moça de trinta anos? Por que chorava, sem que lhe batessem? (...) Por que chorava daquele jeito? Sempre chorava assim sem que lhe batessem. Bastava uma palavra, bastava um carão para que aquela menina ficasse assim. Um bode parou bem junto do mestre. O animal era manso. O mestre levantou-se, sacudiu milho no chão para a cria comer. Depois voltou para o seu tamborete e começou o serviço outra vez. Pela estrada gemia um carro de boi, carregado de lã. REGO, José Lins do. Fogo morto. Rio de Janeiro: José Olympio, 1998. p. 9. (Fragmento.) 28

As formas do pretérito imperfeito são predominantes no fragmento. Os fatos indicados por essas formas apresentam prolongamento temporal, sem uma conclusão expressa. A filha do mestre José Amaro, por exemplo, é apresentada como alguém que continuava chorando como se fosse uma menina, sem que o mestre soubesse por que ela chorava daquele jeito. Os elementos que compõem o cenário em torno do mestre também estão associados a fatos inconclusos, que se estendem no tempo: (...) os rumores do dia que cantava nos passarinhos, que bulia nas árvores (...) ; Uma vaca mugia (...) ; (...) gemia um carro de boi (...). Da mesma forma, o mestre encontra-se imerso em um universo que também é caracterizado por meio de fatos expressos no pretérito imperfeito, o que confere um caráter de perpetuação ao incômodo vivenciado pela personagem: Ouvia o gemer da filha. Batia com mais força na sola ; (...) queria mandar em tudo como mandava no couro que trabalhava, queria bater em tudo como batia naquela sola. Esse estado de coisas só tem uma interrupção quando um bode para junto ao mestre, o que leva ao emprego de formas no pretérito perfeito para caracterizar um conjunto de ações que serão prontamente concluídas: Um bode parou (...) ; O mestre levantou-se, sacudiu milho (...) ; (...) voltou para o seu tamborete e começou o serviço outra vez. Pretérito mais-que-perfeito Refere-se a um fato ocorrido no passado, anterior a outro que também ocorreu no passado. Observe o trecho a seguir, que apresenta parte do depoimento de um alpinista brasileiro em uma expedição ao K2, uma das maiores montanhas do mundo. (...) Havíamos caminhado 50 quilômetros em quatro dias, a 4.000 metros de altitude e estávamos ao lado de um pequeno lago, onde o vento era cortante. O sol, que havia nos torrado durante toda a caminhada, fazendo a temperatura chegar a escaldantes 44 graus, tinha sumido e todos procuravam em suas mochilas as japonas de pena de ganso para espantar o frio. Mas aos pobres carregadores, com roupas velhas e esfarrapadas, restava apenas apertar-se uns aos outros, evitando, com o calor humano, que o vento os congelasse. Não pude me demorar. Contei rapidamente quantas rúpias ainda me restavam e dividi tudo por 86. Deu 240 rúpias para cada, perto de 4 dólares. Com a ajuda do sardar, como é chamado o mestre dos carregadores, meu inglês era traduzido para o urdo e assim pude agradecer ao esforço daqueles bravos homens, que haviam levado em suas costas 25 quilos cada um. (...) NICLEVICZ, Waldemar. Subi, vi e venci. Viagem e turismo, São Paulo, ano 7, n. 9, ed. 71, p. 90, set. 2001. (Fragmento.) Glossário Rúpia. Moeda util i z a d a n a s I l h a s S e y c h e l l e s, n a Índia, na Indonésia, em Mascate, em Maurício, no Nepal, na República das Maldivas e no Sri Lanka. Urdo (m. q. urdu). Língua nacional da República Islâmica do Paquistão. www.niclevicz.com.br O trecho descreve o momento em que o alpinista Waldemar Niclevicz e sua equipe se encontravam junto a um pequeno lago, após uma caminhada de quatro dias. As formas verbais no pretérito mais-que-perfeito composto expressam fatos ocorridos antes da chegada a esse lago: (...) Havíamos caminhado 50 quilômetros Figura 4 Acampados, os carregadores aguardam o início de mais uma expedição ao K2. 29

(...) ; O sol, que havia nos torrado (...) tinha sumido (...) ; (...) haviam levado em suas costas 25 quilos cada um. Essas formas verbais correspondem, portanto, a fatos ocorridos no passado que são anteriores a outro fato (a chegada ao pequeno lago) também ocorrido no passado. O pretérito mais-que-perfeito exerce, assim, uma importante função na ordenação temporal dos eventos, pois ajuda o usuário da língua a fixar a localização de um fato em relação a outro. É importante destacar que a forma simples do pretérito mais-que-perfeito apresenta o mesmo significado que a forma composta. As formas verbais que foram destacadas no texto, por exemplo, poderiam ser realizadas como caminháramos, torrara, sumira e levaram. Contudo, diferentemente da forma composta, a forma simples costuma estar associada a contextos formais de fala e escrita. 2.3 Futuro Há duas formas de futuro no modo indicativo: o futuro do presente e o futuro do pretérito. Futuro do presente Refere-se a um fato futuro com relação ao momento presente: Tenho certeza de que comprarei um carro japonês no próximo ano. Como ocorre com toda ação futura, sua realização é uma probabilidade. No caso, como o desejo de comprar um carro vem expresso por um tempo do modo indicativo, assume-se que tal fato provavelmente ocorrerá. Na tira abaixo, vemos outro exemplo de uso do futuro do presente na fala da personagem Lucy. 2008 United Media/IPress Figura 5. SCHULZ, Charles. Minduim. Jornal da Tarde, São Paulo, 1 nov. 2003. Na tira, o efeito de humor é obtido pelo fato de Lucy e Linus estarem construindo castelos de areia que, evidentemente, não resistirão à ação do tempo e, portanto, não poderão ser vistos pelas pessoas depois de passados mil anos. Aliás, a chuva que aparece no canto superior direito provavelmente destruirá a construção dentro de pouquíssimo tempo. De olho na fala A forma do futuro do presente é pouco usada pelos falantes. O que se observa, tanto na fala quanto na língua escrita informal, é a ocorrência de uma locução verbal constituída pelo verbo ir no presente do indicativo e pelo infinitivo do verbo principal. Em lugar de dizerem Amanhã farei uma prova importante, as pessoas costumam dizer Amanhã vou fazer uma prova importante. 30

Futuro do pretérito Refere-se a um fato futuro, que pode ocorrer ou não, relacionado a um fato passado: Eu tinha certeza de que compraria um carro japonês no ano passado, mas infelizmente não pude realizar esse meu desejo. As formas no futuro do pretérito indicam situações hipotéticas, normalmente associadas a condições que, se não forem cumpridas, impedirão sua realização. No exemplo abaixo, a realização dos prognósticos de Fabiano está condicionada à ocorrência efetiva da chuva anunciada pelo halo leitoso que envolve a lua. (...) Uma, duas, três, havia mais de cinco estrelas no céu. A lua estava cercada de um halo cor de leite. Ia chover. Bem. A caatinga ressuscitaria, a semente do gado voltaria ao curral, ele, Fabiano, seria o vaqueiro daquela fazenda morta. Chocalhos de badalos de ossos animariam a solidão. Os meninos, gordos, vermelhos, brincariam no chiqueiro das cabras, Sinhá Vitória vestiria saias de ramagens vistosas. As vacas povoariam o curral. E a caatinga ficaria toda verde. RAMOS, Graciliano. Vidas secas. 71. ed. Rio de Janeiro: Record, 1996. p. 15. (Fragmento.) Por vezes, as formas do futuro do pretérito são usadas quando se quer expressar gentileza e educação: Você não gostaria de me acompanhar até o escritório do advogado? Também é comum o uso do futuro do pretérito para indicar incerteza: Será que ele teria coragem de denunciar o deputado? 3 Modo subjuntivo O modo subjuntivo é utilizado para enunciar ações verbais incertas, geralmente relacionadas a desejos e sentimentos. Por esse motivo, as noções temporais associadas a esse modo não expressam informações tão precisas quanto as formas do modo indicativo. Os tempos do subjuntivo são geralmente empregados em estruturas subordinadas, nas quais mantêm uma relação com o tempo e modo da ação expressa na oração principal. Professor: Como os tempos do subjuntivo são utilizados em estruturas subordinadas, achamos importante identificar as diferentes orações nos exemplos que ilustram os usos dos tempos desse modo. 3.1 Presente O presente do subjuntivo é utilizado em dois contextos básicos. Associado ao tempo presente: oração principal oração subordinada substantiva subjetiva É uma pena que alguns jovens não conheçam o prazer da boa leitura. presente do indicativo presente do subjuntivo 31

Associado ao tempo futuro: oração principal oração subordinada adjetiva restritiva Mudarei para uma cidade de praia no dia em que não precise mais trabalhar. futuro do presente do indicativo presente do subjuntivo As formas do presente do subjuntivo são frequentemente utilizadas com um sentido exortativo, expressando o desejo de que algo se realize, como na propaganda ao lado. Reprodução Que, em 2002, o Bonde traga diversão e boas notícias pra você. Figura 6. Top Magazine, ano 4, n. 41, 2002. 3.2 Pretérito imperfeito O pretérito imperfeito do subjuntivo pode ser associado a ações relacionadas a um momento presente, passado ou futuro. É importante compreender que a noção de tempo, nesse caso, não se define somente pela flexão verbal, mas também pela possibilidade de realização da ação expressa pelo subjuntivo em um momento determinado. Uso do pretérito imperfeito do subjuntivo associado ao tempo presente: oração subordinada adverbial condicional oração principal Se Cláudia tivesse coragem, ligaria para o ex-namorado. 32 pretérito imperfeito do subjuntivo futuro do pretérito do indicativo

LISTA Uso do pretérito imperfeito do subjuntivo associado ao tempo passado: oração principal oração subordinada adverbial condicional Não havia CD dos Titãs que ele não comprasse. pretérito imperfeito do indicativo pretérito imperfeito do subjuntivo Uso do pretérito imperfeito do subjuntivo associado ao tempo futuro: oração principal oração subordinada adverbial condicional Talvez a viagem pudesse ser proveitosa para João, locução verbal (sentido futuro) se ele não abandonasse seus objetivos. pretérito imperfeito do subjuntivo A charge a seguir, que faz uma sátira a George Bush, apresenta formas verbais no pretérito imperfeito (fizesse) e no presente (estejam, possa) do subjuntivo. Note que, diferentemente do que ocorreria no modo indicativo, não é a expressão de certeza que prevalece na fala de Bush, mas o desejo de que suas intenções se tornem realidade. Pelo uso das formas verbais em questão, o presidente informa tanto o desejo de que algo, no passado, tivesse acontecido (Eu pedi para que o Irã não fizesse a bomba) como de que alguma coisa, no presente, passe a ser realidade (Eu quero que eles a estejam fazendo, para que eu possa atacá-los). NO ÚLTIMO ANO EU PEDI PARA QUE O IRÃ NÃO FIZESSE A BOMBA. AGORA, EU QUERO QUE ELES A ESTEJAM FAZENDO, PARA QUE EU POSSA ATACÁ-LOS. Copyright 2007 Daryl Cagle All rights Reserved Figura 7 Charge de Daryl Cagle publicada na revista Veja, ano 40, ed. 2041, n. 52, p. 119, em 29 de dezembro de 2007. 33

3.3 Futuro O futuro do subjuntivo é utilizado para indicar uma eventualidade (a possibilidade de realização de um fato) em momento futuro. Observe a tira a seguir. 2008 Creators Syndicate/IPress Figura 8. HART, Johnny. A.C. Jornal da Tarde, São Paulo, 3 dez. 2003. Na tira, há duas ocorrências do verbo fazer no futuro do subjuntivo: Se eu fizer análise durante 10 anos, vou ser mais popular com os homens? e Se eu fizer dieta durante 3 meses, também!. Nos dois casos, a personagem explora possibilidades futuras de alcançar maior popularidade entre os homens. O humor da tira está na conclusão a que ela chega enquanto conversa com seu analista: a dieta pode levar ao resultado pretendido bem mais rapidamente do que a análise. Observe a estrutura sintática das duas orações. oração subordinada adverbial condicional Se eu fizer análise durante 10 anos, futuro do subjuntivo 4 Modo imperativo oração principal vou ser mais popular com os homens? locução verbal (sentido futuro) O modo imperativo, que pode assumir uma forma afirmativa e uma forma negativa, expressa ordens, conselhos, súplicas etc. No quadrinho abaixo, a personagem montada no cavalo dá ordens para que o seu animal tenha alguma iniciativa. As ordens são expressas pelo uso de formas verbais no imperativo afirmativo: Mexa-se, idiota. / Tente me derrubar! O efeito de humor presente na tira vem da forma como o cavalo seguiu a ordem que lhe foi dada, contrariando a intenção real do seu montador. Fernando Gonsales 34 Figura 9. GONSALES, Fernando. Níquel Náusea. Folha de S.Paulo, São Paulo, 15 jan. 2008.

A propaganda a seguir traz um exemplo do imperativo negativo, que tem sentido equivalente ao do imperativo afirmativo. Trata-se igualmente de uma ordem, pela qual se procura determinar o que não deve ser feito: Cigarro incomoda. Não fume no trabalho. Figura 10. 29 o Anuário. São Paulo: Clube de Criação de São Paulo, 2005. p. 237. Há ainda um uso do infinitivo verbal que apresenta o mesmo valor do imperativo afirmativo. Observe a tira a seguir. Laerte Publicis Salles Norton Figura 11. LAERTE. Deus 3: a missão. São Paulo: Olho d Água, 2003. p. 9. É evidente, pela fala do militar, que ele está dando uma série de ordens aos soldados. Os infinitivos, neste caso, poderiam ser todos substituídos por formas do imperativo afirmativo: Em frente! Desembarquem e destruam o que aparecer! Hospital? Destruam!! Canteiro de begônias? Destruam!! Escolinha de balé? Destruam!! Clube de bocha? Destruam!! E ninho de metralhadora? Tomem muito cuidado. 35

5 Correlação de tempos e modos Um importante aspecto do estudo dos verbos diz respeito à maneira como são escolhidos os modos e tempos verbais, de forma a garantir uma perfeita articulação entre diferentes orações no interior dos períodos. Essa articulação torna-se essencial nas relações de subordinação, já que o uso de um determinado tempo/ modo na oração principal irá definir qual tempo/modo deverá ser usado na oração subordinada que a ela se vincula. A seguir, são apresentados exemplos de algumas correlações entre tempos e modos verbais no interior de períodos compostos por subordinação. De olho na fala Hoje em dia, é muito comum ouvirmos falas como Eu preciso que você faz isso para mim ou Você quer que eu faço isso para você?. Nos dois casos, embora os falantes observem a correção dos tempos entre as orações subordinadas (presente na oração principal presente na oração subordinada), equivocam-se na flexão de modo utilizada nas orações subordinadas. Nos dois casos, foi usado o modo indicativo quando o correto seria utilizar o modo subjuntivo: Eu preciso que você faça isso para mim; Você quer que eu faça isso para você?. O mesmo tipo de equívoco se manifesta em construções no pretérito. Exemplo: Eu queria que ele me dava uma carona para o trabalho. Com o uso dos modos adequados (indicativo na oração principal e subjuntivo na subordinada), a forma correta seria: Eu queria que ele me desse uma carona para o trabalho. Agora que você aprendeu a fazer a correlação entre tempos e modos verbais, pode evitar esse tipo de equívoco. 5.1 Presente do indicativo presente do subjuntivo O uso do tempo presente na oração principal faz com que o verbo da oração subordinada seja flexionado no mesmo tempo. Observe. Eu espero que você faça os exercícios com atenção. presente do indicativo presente do subjuntivo 5.2 Pretérito imperfeito do indicativo pretérito imperfeito do subjuntivo Se alterarmos o tempo verbal da oração principal do exemplo anterior para o pretérito imperfeito do indicativo, veremos que o verbo da oração subordinada irá naturalmente para o pretérito imperfeito do subjuntivo. Veja: Eu esperava que você fizesse os exercícios com atenção. pretérito imperfeito pretérito imperfeito do indicativo do subjuntivo 36

5.3 Futuro do pretérito do indicativo pretérito imperfeito do subjuntivo O futuro do pretérito do indicativo é um tempo associado à incerteza, à relação entre um fato futuro e um fato passado. Por esse motivo, costuma ser utilizado nos períodos compostos por subordinação em que a oração subordinada exprime uma condição. Observe a propaganda abaixo. Reprodução Figura 12. Revista Pasta, São Paulo, n. 2, p. 70, fev./mar. 2006. Se o Masp estivesse em Nova York, você arranjaria tempo para ir. pretérito imperfeito do subjuntivo futuro do pretérito do indicativo No exemplo, embora a oração subordinada adverbial condicional ( Se o Masp estivesse em Nova York ) anteceda a oração principal, é nela que se explicita a condição para que a ação ali nomeada (arranjar tempo para ir ao museu) possa acontecer. 37

De olho na fala A tira apresentada a seguir evidencia um tipo de correlação entre tempo e modo muito comum na linguagem falada. 2008 United Media/IPress Figura 13. SCHULZ, Charles. Minduim. Jornal da Tarde, São Paulo, 4 dez. 1997. Em vez de flexionar o verbo da oração principal no futuro do pretérito ( Eu a morderia ), os falantes optam por utilizar o pretérito imperfeito do indicativo ( Eu mordia ela ), como fez Snoopy. Essa estrutura, perfeitamente aceitável na oralidade, estabelece corretamente a correlação de modos (indicativo na principal, subjuntivo na subordinada) e não é vista como problemática, porque mantém a relação de tempos verbais no pretérito. Exercícios dos conceitos Leia o texto para responder às questões de 1 a 3. Verbo sem tempo presente Houve época em que os habitantes de Paris costumavam dizer que, na sua cidade, era tão difícil encontrar vagas para estacionar que, ao avistar uma, paravam o carro e depois verificavam o que fazer. A situação só foi amenizada no início dos anos 70, quando os franceses começaram a fazer o que propunha o relatório de Maurice Grimaud, prefeito da Polícia de Paris. Grimaud sustentava uma política inteligente para o problema de estacionamento com a conjugação do verbo estacionar no pretérito perfeito composto: Tenho estacionado. Mas neste tempo o usuário só pode conjugar o verbo nas garagens de grande capacidade se tem como pagar os preços (absurdos) cobrados, produto da lei da oferta e da procura. O centro do Rio tem três grandes edifícios-garagens: Menezes Côrtes, no Castelo, Avenida 1, na Praça Mauá, e, recentemente, o subsolo da Praça Mahatma Gandhi, no fim da Avenida Rio Branco. Infelizmente, o poder público não aproveitou estes melhoramentos. Tem dificultado o estacionamento de longa duração, na via pública, no interior do nosso centro comercial, ao contrário do que acontece em todas as cidades onde existe uma política de estacionamento que ajuda a minorar os males da circulação. O estacionamento no centro da cidade está totalmente deteriorado. Em artérias importantes para a circulação, estaciona-se em fila dupla, até tripla, e às vezes com as vagas perpendiculares ao fluxo, o que em caso de manobra para estacionar, além de perigoso, interrompe o tráfego. A garagem inaugurada no final da Avenida Rio Branco o que podia dar início a um ciclo de aproveitamento do 38

subsolo das praças merece do poder público um estudo com vistas à restrição de estacionamento em vias importantes. (...) A via pública foi feita para se circular, embarcar e desembarcar do automóvel, também para instalar paradas de ônibus e carga e descarga. Resta saber onde isso pode ser permitido. (...) Anima- -me e me desperta esperanças a conjugação do verbo estacionar, no seu pretérito perfeito composto, e ver nascer uma grande garagem sob uma praça. (...) Celso Franco é consultor de trânsito. FRANCO, Celso. Jornal do Brasil, 23 mar. 2003. 1 O texto transcrito trata do problema de estacionamento na cidade do Rio de Janeiro. Em que consiste esse problema? O texto trata da falta de uma política que garanta o estacionamento dos carros por longos períodos na via pública e no interior do centro comercial da cidade, sem que isso signifique aumentar as dificuldades de circulação. 2 Para introduzir a questão, o autor usa como exemplo a política adotada por Paris, quando a cidade enfrentava problema semelhante. Esse exemplo faz referência à conjugação de um determinado verbo em um tempo específico. a) Identifique-a. O autor faz referência à política parisiense com base na conjugação do verbo estacionar no pretérito perfeito composto do indicativo: tenho estacionado. b) Qual o aspecto verbal indicado por esse tempo? O aspecto verbal desse tempo é durativo. c) De que maneira o uso desse tempo verbal se relaciona ao problema de estacionamento discutido no texto? Por apresentar um aspecto durativo, o pretérito perfeito do indicativo sugere uma possível solução para a dificuldade de se estacionar por longos períodos no centro comercial de grandes cidades, em geral com fluxo intenso de veículos. Para que isso aconteça, porém, é preciso que haja garagens subterrâneas, como em Paris. 3 Segundo o autor do texto, os motoristas do Rio de Janeiro, em geral, não podem conjugar o verbo estacionar no pretérito perfeito do indicativo. a) Que motivos apresenta para isso? Segundo Franco, só podem conjugar o verbo nesse tempo as pessoas que conseguem pagar os altos preços cobrados pelas garagens de grande capacidade no Rio de Janeiro. O autor afirma que a falta de políticas públicas para o aproveitamento do subsolo de praças é o que faz com que as vias públicas importantes tenham grandes problemas de circulação. 39

b) Por que o autor afirma que o nascimento de uma garagem sob uma praça permitiria a conjugação do verbo estacionar no pretérito perfeito? Porque isso permitiria que os veículos pudessem ficar estacionados durante longos períodos sem comprometer a circulação de vias públicas importantes. 4 O trecho a seguir, extraído de um texto de Martha Medeiros, trata dos cuidados a serem tomados no que diz respeito às relações pessoais. Não pode tocar (...) Há questões que arriscam ser maculadas com palavras, que um olhar aproximado demais poderia danificar. (...) Mantenha-se atrás da faixa amarela, não chegue muito perto, não se acerque de meus traumas, não invada meus mistérios, não se atrite com meu passado, não tente entender nada. É proibido tocar no sagrado de cada um. Todas as relações do mundo possuem prateleiras de cristais. Há sempre um suspense, uma delicadeza ao transitar pela fragilidade do outro. Melhor não falar muito alto, é mais prudente ir devagar e com cuidado. Para não estragar, para não quebrar, para o afeto durar por muitos séculos. MEDEIROS, Martha. Coisas da vida. Porto Alegre: L&PM, 2005. p. 201-202. a) Por que é preciso ter cuidado e delicadeza no que diz respeito às questões íntimas de cada indivíduo? Porque há questões muito delicadas e íntimas (traumas, mistérios, marcas do passado) que podem ser expostas de forma dolorida por meio de uma aproximação invasiva. b) Para indicar a reação defensiva de quem deseja se resguardar no que tem de mais íntimo, a autora usa um mesmo tempo verbal. Qual é ele? Por que é utilizado? A autora usa formas verbais no imperativo: uma no afirmativo (mantenha-se) e as demais no negativo (não chegue, não se acerque, não invada, não se atrite, não tente entender). Esse tempo é utilizado para indicar a proibição de tocar no que é mais íntimo na vida de alguém. Como o imperativo pode indicar uma ordem ou comando, nesse caso é perfeitamente adequado. 40

Professor: Consulte o Banco de Questões e incentive os alunos a usar o Simulador de Testes. Retomada dos conceitos 1 (Unifesp) Leia os versos e analise as considerações sobre as formas verbais neles destacadas. I. Olha, Marília, as flautas dos pastores... Como o eu lírico faz um convite à audição das flautas dos pastores, poderia ser empregada a forma Ouça, no lugar de Olha. II. Vê como ali, beijando-se, os Amores... A forma verbal, no imperativo, expressa um convite do eu lírico para que a amada se delicie, junto a ele, com o belo cenário. III. Mas ah! Tudo o que vês... A forma verbal, também no imperativo, sugere que, neste ponto do poema, a amada já viu tudo o que o seu amado lhe mostrou. Está correto o que se afirma apenas em: a) I. b) II. c) III. d) I e II. e) I e III. 2 (PUC-SP) Yahoo tenta comprar AOL e barrar avanço do Google O Yahoo negocia com a Time Warner a compra do site America Online (AOL), segundo a revista Fortune. A compra seria uma tentativa de chamar atenção dos investidores e tirar o foco do Google. O Yahoo era líder em buscas na internet até a chegada do Google, que detém o domínio desse mercado. O Estado de São Paulo, 30 out. 2006. Em relação aos verbos destacados no texto, é possível afirmar que: a) todos estão no modo subjuntivo e, por isso, expressam os fatos como possibilidades. b) todos estão no modo indicativo; no entanto, seria expressa o fato como possibilidade. c) negocia e detém estão no modo indicativo, ao passo que seria e era estão no subjuntivo; por isso, os primeiros expressam os fatos como verdades, enquanto os últimos os expressam como possibilidades. d) negocia e detém estão no modo imperativo, ao passo que seria e era estão no modo indicativo; por isso, os primeiros expressam os fatos como ordens, enquanto os últimos os expressam como verdades. e) negocia, era e detém estão no modo indicativo, ao passo que seria está no modo subjuntivo; por isso, os primeiros expressam os fatos como possibilidades, enquanto o último os expressa como verdade. As afirmativas I e III estão incorretas porque: (I) o imperativo afirmativo da segunda pessoa do singular do verbo ouvir é ouve (e não ouça); (III) a forma vês está no presente do indicativo (e não no imperativo). Todos os verbos do texto estão no modo indicativo: negocia e detém, no presente; era, no pretérito imperfeito; seria, no futuro do pretérito (que, no caso, indica o fato expresso como possibilidade). 3 (PUC-RJ) Cidade sem carros é possível, garante urbanista Metrópole projetada para até 3 milhões de pessoas seria movida por transporte público Imagine a vida em uma metrópole livre do barulho, da poluição e de todas as dificuldades de se mover por ruas dominadas por carros, ônibus e caminhões. Todas as necessidades básicas, de supermercados a farmá- 41

cias, estariam a cinco minutos a pé da porta de sua casa. A viagem para o trabalho seria feita em um serviço de transporte público barato, rápido, seguro e confortável e duraria no máximo 35 minutos. Essa é parte da visão de futuro descrita pelo sociólogo e urbanista holandês J. H. Crawford em seu site Carfree Cities ( cidades livres de carros, em inglês). A proposta de Crawford é simples, porém ousada: banir o uso de automóveis em áreas urbanas e (re)construir cidades em função disso. As nações industrializadas cometeram um terrível erro ao adotar o carro como principal meio de locomoção nos meios urbanos, disse Crawford à Ciência Hoje On-line. O automóvel trouxe para as cidades sérios problemas ambientais, sociais e estéticos. Crawford projetou uma cidade modelo sem carros, constituída por 100 bairros circulares, com ruas estreitas que se dirigem para a via central de transporte. Com base no contorno da cidade, o transporte principal seria o metrô, que teria apenas três linhas, cada uma com início em três das seis folhas, passagem pelo centro e final nas outras três. O metrô funcionaria 24 horas por dia, com intervalos de somente quatro minutos entre os trens. Dois pontos da cidade estariam assim separados por no máximo 35 minutos. Entre os bairros, as viagens de curta distância poderiam ser feitas a pé (durariam não mais que 10 minutos) ou de bicicleta (cinco minutos). No caso de emergências médicas, policiais e de incêndio, o uso de veículos poderia ser cogitado. O comércio e indústrias leves poderiam ser fixados em áreas residenciais, como nas cidades convencionais, e as ruas deveriam estar sempre guardadas pela polícia. Isso ajudaria a reduzir a ocorrência de crimes, pois quase todas as regiões da cidade estariam ocupadas durante todo o dia, afirma Crawford. Pequenas praças na interseção da maioria das ruas, somadas a um ideal de 80% de áreas verdes em toda a cidade, criariam um clima de boa vizinhança. Como as pessoas teriam mais contato umas com as outras, elas conversariam mais e deixariam o individualismo de lado, diz o urbanista. Texto adaptado de Ciência Hoje On-line, 4 maio 2004. a) Com base na leitura do texto, continue o período abaixo enumerando mais duas vantagens do projeto urbanístico de J. H. Crawford. Utilize a mesma estrutura sintática do item já enumerado. O projeto urbanístico de J. H. Crawford teria, entre outras, as seguintes vantagens: facilitaria o deslocamento dos cidadãos entre os bairros,... Gabarito oficial. O projeto urbanístico de J. H. Crawford teria, entre outras, as seguintes vantagens: facilitaria o deslocamento dos cidadãos entre os bairros, reduziria os níveis de poluição e tornaria mais seguro o ambiente urbano. 42

b) Considerando o teor do texto, justifique o predomínio do emprego de verbos no futuro do pretérito do indicativo. Gabarito oficial. Uma das funções características do futuro do pretérito do indicativo é a expressão de suposições e situações hipotéticas. É, portanto, natural e plenamente justificável que tal tempo verbal prevaleça no texto, uma vez que se trata ali da apresentação de um projeto de cidade, de suposições sobre o que aconteceria na hipótese de tal projeto ser efetivamente realizado. 4 (UFSCar-SP, adaptada) Leia o poema de Drummond e responda: Não faças versos sobre acontecimentos. Não há criação nem morte perante a poesia. Diante dela, a vida é um sol estático, não aquece nem ilumina. As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam. (...) Nem me reveles teus sentimentos, que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem. O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia. (...) Não recomponhas tua sepultada e merencória infância. Não osciles entre o espelho e a memória em dissipação. Que se dissipou, não era poesia. Que se partiu, cristal não era. Penetra surdamente no reino das palavras. Lá estão os poemas que esperam ser escritos. Estão paralisados, mas não há desespero, há calma e frescura na superfície intata. (...) Chega mais perto e contempla as palavras. Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra e te pergunta, sem interesse pela resposta, pobre ou terrível, que lhe deres: Trouxeste a chave? (...) Carlos Drummond de Andrade, Procura da poesia. Que modo verbal caracteriza e domina a construção desse poema? Por quê? O imperativo. Primeiro, Drummond utiliza o imperativo negativo ( Não faças, Nem me reveles ) para aconselhar o aspirante a poeta a não versejar sobre os assuntos referidos nas três primeiras estrofes; depois, serve-se do imperativo afirmativo ( Penetra, Chega, contempla ) para apontar-lhe os elementos que devem nortear o fazer poético. 43

5 (Fuvest-SP) Glossário Basculante. Tipo de janela. Gastura. Inquietação nervosa, aflição, mal-estar. Às seis da tarde Às seis da tarde as mulheres choravam no banheiro. Não choravam por isso ou por aquilo choravam porque o pranto subia garganta acima mesmo se os filhos cresciam com boa saúde se havia comida no fogo e se o marido lhes dava do bom e do melhor choravam porque no céu além do basculante o dia se punha porque uma ânsia uma dor uma gastura era só o que sobrava dos seus sonhos. Agora às seis da tarde as mulheres regressam do trabalho o dia se põe os filhos crescem o fogo espera e elas não podem não querem chorar na condução. Marina Colasanti, Gargantas abertas. a) O texto faz ver que mudanças históricas ocorridas na situação de vida das mulheres não alteraram substancialmente sua condição subjetiva. Concorda com essa afirmação? Justifique sucintamente. Sim. O texto trata das mudanças no papel das mulheres ao longo dos tempos: antes, elas cuidavam da organização doméstica; depois, ingressaram no mercado de trabalho, assumindo outras funções sociais. Apesar disso, segundo o texto, a natureza das mulheres permaneceu essencialmente a mesma. No passado, elas choravam com ou sem motivo. No presente, evitam fazê-lo apenas quando estão em público. b) No poema, o emprego dos tempos do imperfeito e do presente do indicativo deixa claro que apenas um deles é capaz de indicar ações repetidas, durativas ou habituais. Concorda com essa afirmação? Justifique sucintamente. Não. Os verbos no imperfeito do indicativo indicam ações repetidas no passado, revelando práticas que eram comuns no comportamento feminino e conferiam às mulheres determinada natureza ou essência. Os verbos no presente do indicativo também manifestam ações recorrentes, caracterizando a nova condição feminina. 44

6 (UEL-PR) Assinale a alternativa que transmite apenas ideias de ações realizadas no passado, de forma duradoura e repetitiva. a) O motorista que desmontou o esquema PC Farias e foi peça-chave... b) Tenho orgulho. Ele foi corajoso. c) Eu não gostava da noite porque me separava deles. Era triste. d) Normalmente, as pessoas falam dele de forma respeitosa. e) Mexeu com gente importante e era a parte mais fraca. Os verbos da alternativa assinalada estão todos no pretérito imperfeito do indicativo, que indica, usualmente, ações recorrentes do passado. 7 (Unicamp-SP) As gramáticas costumam definir os tempos verbais de forma simplificada. C. Cunha e L. Cintra, por exemplo, em sua Nova gramática do português contemporâneo, dizem que o futuro designa um fato ocorrido após o momento em que se fala. Observe como Bastos Tigre joga com essa noção de futuro para dar uma interpretação engraçada do sétimo mandamento: Não furtarás prega o Decálogo e cada homem deixa para amanhã a observância do sétimo mandamento. Em: Mendes Fradique, Grammatica portugueza pelo methodo confuso. a) Qual a interpretação usual (feita, por exemplo, por um rabino, um pastor ou um padre) desse mandamento? A interpretação de que as pessoas não devem furtar. b) Qual a interpretação feita por Bastos Tigre? Já que o tempo verbal empregado é o futuro do presente, indicativo de fato ocorrido após o momento da fala, a interpretação indica que as pessoas deixam sempre para amanhã a observância desse mandamento, sentindo-se autorizadas a furtar hoje. 8 (FGV-SP) Assinale a alternativa que contenha, corretamente, os verbos das orações abaixo no futuro do subjuntivo. a) Se o menino se entretiver com o cão que passear na rua... Se não couber na bolsa o frasco que você me emprestar... b) Se o menino se entreter com o cão que passear na rua... Se não caber na bolsa o frasco que você me emprestar... c) Se o menino se entretiver com o cão que passear na rua... Se não caber na bolsa o frasco que você me emprestar... d) Se o menino se entreter com o cão que passear na rua... Se não couber na bolsa o frasco que você me emprestar... e) Se o menino se entretesse com o cão que passeava na rua... Se não cabesse na bolsa o frasco que você me emprestasse... Apenas na alternativa assinalada os verbos estão corretamente conjugados no futuro do subjuntivo. 45

Para saber mais Usos das formas verbais perifrásticas A escolha pela utilização de estruturas verbais simples ou perifrásticas relaciona-se ao projeto de texto que um autor pretende desenvolver. Na crônica transcrita a seguir, veremos como a autora indica a decisão de satisfazer desejos ou sonhos sem se importar com os limites impostos pela razão, por meio do uso recorrente de locuções verbais. Porque sim Você tem uma razão muito forte para, neste final de ano, reatar com aquela amiga a quem magoou, para passar um dia inteiro deitada na cama pensando na vida, para interromper a dieta e cair de boca no seu doce preferido. A razão inquestionável e inatacável é: porque sim. Você passou um ano inteiro fazendo coisas porque não. Você foi a festas barulhentas e lotadas porque não queria ficar sozinha. (...) Você se frustrou porque não conseguiu a bolsa de estudos na Inglaterra. (...) Ainda assim, você passou o ano sorridente e bem- -humorada, porque não esperavam outra coisa de você. Agora chegou a época do ano em que você não precisa mais se preocupar em dar explicação. Por quê? Porque sim. Acabei de determinar que o final do ano é o momento ideal para expurgar as culpas e para fazer tudo o que lhe passar pela cabeça, sem se importar se é policamente correto ou incorreto, se vai dar certo ou não. É a hora de ouvir seus instintos e atender às suas vontades, hora de se permitir uma certa irresponsabilidade, tomar atitudes desamparada pela razão. Por quê? Você sabe por quê. Vou comprar um vestido vermelho, porque sempre quis ter um. Vou alugar uma moto por um dia, porque nunca tive uma moto. Vou ligar para o Gustavo e dizer que fui apaixonada por ele, porque ele nunca soube disso. Vou ler toda a obra de Shakespeare, porque me deu na telha. Vou pegar um ônibus e só descer na última parada, porque me deu vontade. Vou comprar um disco de alguém [sic] que eu nunca ouvi falar, sem escutar na loja. Porque sim. Um exercício de desprendimento: desatar os nós que enlaçam atos e motivos. Fazer as coisas por impulso. Por quê? Porque às vezes é bom a gente mostrar pra si mesmo quem é que está no comando. MEDEIROS, Martha. Montanha russa. Porto Alegre: L&PM, 2001. p. 103-104. Acervo do Museu Lasar Segall IPHAN/MinC 46

Para Martha Medeiros, devemos às vezes fazer algo simplesmente porque assim o desejamos, sem qualquer culpa ou motivo sensato. A razão para isso é simples: porque sim, como revela o título do texto. A fim de demonstrar seu raciocínio, no quarto parágrafo, a autora faz uso de uma estrutura sintática em que os desejos a serem realizados são indicados por formas perifrásticas, associadas aos motivos (aparentemente insensatos ) para tais decisões. Observe que todas as formas verbais são construídas pelo verbo auxiliar ir + infinitivo do verbo pessoal. O objetivo de Martha Medeiros com o uso recorrente dessas formas é marcar a decisão de realizar certos desejos ou sonhos em um futuro próximo e a certeza de que eles serão concretizados, ainda que não haja um motivo forte para isso. Perceba, também, que o fato de o texto ser uma crônica, em que é comum haver maior informalidade no uso da linguagem para garantir certa aproximação com o leitor, é outro elemento determinante da presença dessas formas perifrásticas de futuro, geralmente associadas à oralidade. Por meio do uso intencional dessa estrutura recorrente, a autora pretende refletir sobre o fato de, às vezes, precisarmos fazer as coisas por impulso, apenas porque ficaremos felizes. Da teoria à prática E você? O que gostaria de realizar simplesmente porque sim? Sua tarefa será desenvolver uma crônica para apresentar seus desejos e sonhos. No momento de explicitá-los, utilize exatamente a mesma estrutura perifrástica que predomina no quarto parágrafo da crônica lida: verbo auxiliar ir + infinitivo do verbo principal. Além disso, associe cada forma perifrástica aos motivos para a realização das vontades e dos desejos apresentados. Antes de escrever o texto, faça uma lista do que deseja concretizar e o motivo pelo qual quer que isso aconteça. Em seguida, organize suas ideias, pensando qual será a melhor maneira de usar locuções verbais para obter o efeito pretendido. Professor: O objetivo da atividade é que os alunos façam uso intencional de construções verbais perifrásticas. Dada a natureza da tarefa a ser cumprida, eles terão de utilizar locuções constituídas pelo auxiliar ir + infinitivo do verbo principal que indiquem os sonhos e desejos escolhidos para fazer parte da crônica que estão escrevendo. No momento de avaliar o resultado do trabalho proposto, é importante observar se as perífrases foram corretamente construídas e se elas expressam, no texto, a ideia de certeza de concretização futura, à semelhança do que foi visto na crônica de Martha Medeiros. 47

Navegando no módulo PERÍFRASES VERBAIS VERBO AUXILIAR + VERBO PRINCIPAL TEMPOS COMPOSTOS Formados a partir da combinação de TER/HAVER e um verbo na forma do particípio: LOCUÇÕES MODAIS Dentre outros valores, podem expressar: LOCUÇÕES ASPECTUAIS Permitem identificar o estágio em que se encontra uma ação, um processo, uma experiência ou um estado, podendo expressar: Indicativo Pretérito perfeito: tenho (hei) estudado Pretérito mais-que-perfeito: tinha (havia) estudado Futuro do presente: terei (haverei) estudado Futuro do pretérito: teria (haveria) estudado Subjuntivo Presente: tenha (haja) estudado Pretérito mais-que-perfeito: tivesse (houvesse) estudado Futuro: tiver (houver) estudado formas nominais Infinitivo: ter (haver) estudado Gerúndio: tendo estudado Possibilidade: posso estudar Obrigatoriedade: devo estudar, tenho de estudar Necessidade: preciso estudar Propósito: hei de estudar Início: comecei a estudar Continuidade: continuo a estudar / estou estudando Fim: acabei de estudar Interrupção: parei de estudar Retorno após interrupção: voltei a estudar etc. GRAMÁTICA Maria Luiza M. Abaurre Marcela Pontara Juanito Avelar LOCUÇÕES PARA A EXPRESSÃO DE VOZ passiva Seguem o padrão das locuções com SER + PARTICÍPIO na voz passiva analítica: Estar + particípio: O livro está emprestado. Ficar + particípio: O livro ficou emprestado. Permanecer + particípio: O livro permanece emprestado. etc. 48