Determinação da velocidade da luz Introdução



Documentos relacionados
DETERMINAÇÃO A VELOCIDADE DA LUZ PELO MÉTODO DE FOULCAULT. Determinação da velocidade da luz pelo método de Foulcault.

Descobertas do electromagnetismo e a comunicação

Experimento: Determinação da velocidade da luz

LENTES E ESPELHOS. O tipo e a posição da imagem de um objeto, formada por um espelho esférico de pequena abertura, é determinada pela equação

Introdução: Mas, todas estas lentes podem ser na verdade convergentes ou divergentes, dependendo do que acontece com a luz quando esta passa por ela.

Medição da Velocidade da Luz

O Polarímetro na determinação de concentrações de soluções

Demonstração da técnica de detecção sensível à fase: uma aplicação óptica. Davi R. Ortega, Túlio C. Rizuti da Rocha Orientador: Flávio Caldas da Cruz

UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA FACULDADE DE CIÊNCIAS INTEGRADAS DO PONTAL

Tópicos que serão explorados na aula

CAPÍTULO 1 MEDIÇÃO E O ERRO DE MEDIÇÃO

CIRCUITOS ELÉCTRICOS

Objetivos: Construção de tabelas e gráficos, escalas especiais para construção de gráficos e ajuste de curvas à dados experimentais.

Fibras Ópticas Medição da atenuação de uma fibra óptica multimodo

Física FUVEST ETAPA. ε = 26 cm, e são de um mesmo material, Resposta QUESTÃO 1 QUESTÃO 2. c) Da definição de potência, vem:

Gravação de redes holográficas de difracção

Medição de Tensões e Correntes Eléctricas Leis de Ohm e de Kirchoff (Rev. 03/2008) 1. Objectivo:

As divisões da óptica

OBJETIVO Verificar as leis da Reflexão Verificar qualitativamente e quantitativamente a lei de Snell. Observar a dispersão da luz em um prisma.

Vestibular1 A melhor ajuda ao vestibulando na Internet Acesse Agora! Cinemática escalar

Instituto Superior de Engenharia do Porto

Aluno(a): Nº. Professor: Fabrízio Gentil Série: 3 o ano Disciplina: Física - Óptica

Aula 1: Medidas Físicas

Tópico 8. Aula Prática: Movimento retilíneo uniforme e uniformemente variado (Trilho de ar)

QUEDA LIVRE. Permitindo, então, a expressão (1), relacionar o tempo de queda (t), com o espaço percorrido (s) e a aceleração gravítica (g).

Física IV. Interferência

Curso de Engenharia Civil. Física Geral e Experimental I Movimento Prof.a: Msd. Érica Muniz 1 Período

Centro de Formação Contínua de Professores de Cascais. Escola Secundária de S. João do Estoril

Teste de Avaliação 3 A - 06/02/2013

15 O sistema solar e seus planetas

VERSÃO 2. 11º ano de escolaridade. Teste Intermédio de Agrupamento Física e Química A AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE VOUZELA E CAMPIA AGEVC.

LUZ: se propaga por meio de ondas eletromagnéticas. É o agente físico responsável pela sensação visual.

Imagens ópticas (1)ë - Dióptros

ESTUDO DA CINÉTICA DE HIDRÓLISE ÁCIDA DO COMPOSTO Trans-[(Co(en) 2 Cl 2 )Cl]

3B SCIENTIFIC PHYSICS

Laboratório de Física /2012. Propriedades físicas de um filme fino magnético. Centro de Física da Matéria Condensada da UL

ACTIVIDADE LABORATORIAL 1.1 FÍSICA 11º ANO

08/12/2014 APLICAÇÕES DE ESPELHOS ESFERICOS TEORIA INTRODUÇÃO. Departamento de Física, Campus de Ji-Paraná Semestre2014-2

RESOLUÇÃO DA PROVA DA UFPR (2015) FÍSICA A (PROF. HAUSER)

Física e Química A. Actividade Prático-Laboratorial 1.3 Salto para a piscina

ESPELHOS PLANOS. Calcule a distância percorrida por esse raio.

Faro, 1 de Março de 2012

1.1. Viagens com GPS. Princípios básicos de funcionamento de um GPS de modo a obter a posição de um ponto na Terra.

Automação e Instrumentação

MEDIÇÃO DO COMPRIMENTO DE ONDA DA RADIAÇÃO DE UM LASER POR INTERFERÊNCIA ÓPTICA COM O BIPRISMA DE FRESNEL

EXPERIMENTO N o 6 LENTES CONVERGENTES INTRODUÇÃO

MOVIMENTO UNIFORMEMENTE VARIADO (M.U.V)

ASTRONOMIA. A coisa mais incompreensível a respeito do Universo é que ele é compreensível Albert Einstein

Lentes. Parte I. Página 1

Óptica Geométrica Ocular Séries de Exercícios 2009/2010

Teste de Avaliação 3 B - 08/02/2013

GUIA DE LABORATÓRIO LABORATÓRIO 2 LEI DE OHM

Ciências Físico - Químicas. Planificação de uma Actividade Laboratorial No contexto dos Novos Programas

Universidade Estadual de Campinas Instituto de Física Gleb Wataghin. Medida do comprimento de onda das ondas de rádio

10/11/2014 PROF. ROBINSON PROF. ROBINSON FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA, CAMPUS DE JI-PARANÁ, DEPARTAMENTO DE FÍSICA DE JI-PARANÁ DEFIJI

TEORIA 08/12/2014. Reflexão. Refração INTRODUÇÃO INTRODUÇÃO REFLEXÃO E REFRACÃO RAIOS INTRODUÇÃO 1 1 = 2 2 O ÍNDICE DE REFRAÇÃO

Medir a variação da resistência elétrica de um enrolamento de fio de Cu e um diodo com a temperatura;

Métodos de treino da resistência

DEFIJI Semestre :07:19 1 INTRODUÇÃO

Medida da velocidade de embarcações com o Google Earth

ÓPTICA GEOMÉTRICA PREGOLINI

SINAIS COMUNICAÇÃO. Numa grande parte das situações, o sinal enviado comporta-se como uma onda.

Valor verdadeiro, precisão e exatidão. O valor verdadeiro de uma grandeza física experimental às vezes pode ser considerado

APRESENTAÇÃO DO PROFESSOR

O ATRITO E A VARIAÇÃO DE ENERGIA MECÂNICA

CIRCUITOS E SISTEMAS ELECTRÓNICOS

Início Final Interrupções Fev

defi departamento de física

Todas as medições efectuadas no osciloscópio são basicamente medições de comprimentos nesta matriz.

CONTROLO DE UM STEP MOTOR

CIRCUITOS DE CORRENTE CONTÍNUA

Utiliza apenas caneta ou esferográfica de tinta indelével, azul ou preta.

Teorias da luz. Experiências

Prova experimental. Sábado, 30 de Junho de 2001

Departamento de Física Universidade do Algarve PÊNDULO SIMPLES

grandeza do número de elétrons de condução que atravessam uma seção transversal do fio em segundos na forma, qual o valor de?

Escola Secundária de Oliveira do Bairro

Anual de Física ª Lista de embasamento Espelhos Planos e Esféricos

AULA 4 - ESPELHOS ESFÉRICOS

Método de Monte Carlo e ISO

Velocidade à saída do escorrega, v 0. Altura de lançamento, H. Alcance, d

António Graça Quantificação do Limiar anaeróbio Controlo Através da Lactatémia

Lei de Coulomb. Charles Augustin de Coulomb

Prof. Rogério Porto. Assunto: Cinemática em uma Dimensão II

Electromagnetismo e Óptica

ORIENTAÇÃO. Para a orientação recorremos a certas referências. A mais utilizada é a dos pontos cardeais: Norte Sul Este Oeste

Indução Eletromagnética

Actividade Correspondência de gráficos

Manual de funcionamento

Relatório do trabalho sobre medição de temperatura com PT100

Aparelhos de Laboratório de Electrónica

F-128 Física Geral I 2 o Semestre 2012 LISTA DO CAPÍTULO 2

Barómetro Regional da Qualidade Avaliação da Satisfação dos Utentes dos Serviços de Saúde

Tarefa Inquiry: O que é Velocidade?

CONSERVAÇÃO DA ENERGIA MECÂNICA

GPS (Global Positioning System) Sistema de Posicionamento Global

Tópicos de Física Moderna ano 2005/2006

Escola Secundária Manuel Cargaleiro

CARTA GANTT CRONOGRAMA FÍSICO DA OBRA

Transcrição:

Determinação da velocidade da luz Introdução O objectivo desta experiência é determinar a velocidade da luz utilizando a radiação laser. De acordo com a teoria da relatividade, a velocidade da luz tem um significado especial, porque nenhum corpo no universo pode ter uma velocidade superior à velocidade da luz no vácuo, que é igual a 299792458 ms -1. A velocidade da luz foi medida pela primeira vez pelo astrónomo O. Roemer, em 1676. Roemer observou que o tempo do eclipse da lua Io de Júpiter era diferente durante o ciclo anual. Associando estas diferenças ao facto de a luz ter que percorrer distâncias diferentes estimou um valor para a velocidade da luz, 30800 Kms -1. Outros métodos foram entretanto desenvolvidos, entre os quais podemos citar: o método de paralaxe anual dos astros proposto por Bradley; o método da roda dentada de Fizeau; o método do espelho girante de Foucault e, em particular, com mais precisão o método interferométrico de Michelson. Com o advento dos lasers surgiram kits simples, de fácil manuseamento, que permitem a um aluno do ensino secundário medir a velocidade da luz. Modulando um laser semicondutor com um sinal de 1 MHz e dividindo o feixe, de modo que os percursos ópticos sejam diferentes quando observados no osciloscópio, verifica-se que estes sinais encontram-se desfasados. Este desfasamento deve-se ao facto dos feixes percorrerem distâncias diferentes. Deste modo, medindo a diferença do espaço percorrido e o desfasamento entre os dois feixes é possível determinar a velocidade da luz através da equação: c = s t

em que c é a velocidade da luz; s é a diferença entre as distâncias dos dois percursos ópticos; t é o tempo de desfasamento entre os dois sinais. Material necessário para realizar a experiência: Laser semicondutor; divisor de feixe (DF); espelhos (E); lente (L); receptor para descodificar o sinal de 1 MHz; osciloscópio, suportes para os diversos componentes. Montagem experimental O diagrama esquemático da montagem experimental é ilustrado na figura 1. Figura 1: Diagrama esquemático da experiência Determinação da velocidade da luz. 1

Procedimento A modulação do laser pode ser interna ou externa. Devido à precisão de leitura no osciloscópio, para que o erro relativo da medição do tempo seja inferior a 15%, o sistema deve ser montado de modo a que um dos feixes percorra pelo menos 40 metros. Com um percurso de 40 metros o feixe laser diverge, e assim deve-se incluir na montagem uma lente convergente de modo a fazer com que o spot laser incida num dos detectores do receptor. O alinhamento do sistema requer alguma perícia e paciência, sendo aconselhável recorrer a espelhos com dois graus de liberdade. Para que um dos percursos ópticos seja superior a 40 metros, quando a experiência é realizada em espaços curtos, terá que se idealizar esse percurso recorrendo a múltiplas reflexões. Tratamento dos resultados Para determinar a velocidade da luz, c, é necessário medir: - a diferença das distâncias, s, entre os dois percursos ópticos - o tempo, t, de desfasamento entre os dois sinais A distância é medida com uma fita métrica, enquanto o tempo é medido no osciloscópio. 2

Figura 30: Sinal observado no osciloscópio. A incerteza relativa da medição da velocidade da luz está relacionada com t e s: c c = s t + s t Tabela de resultados: Grandezas s / m t / s c / ms -1 [G] 50,00 1,6x10-7 3,1x10 8 G 0,05 0,2x10-7 0,4x10 8 [G] valor mais provável da medição e G erro associado à medição. Análise dos resultados O erro relativo da medição de s é de 0,1%, enquanto que o erro relativo da medição de t é de 12,5%. Assim o erro da medição da velocidade da luz é fortemente influenciado pela pouca precisão da escala do tempo. O erro relativo da velocidade da luz é de 12,9%, contudo o intervalo de medida engloba o valor teórico, pelo que podemos afirmar que esta medição é exacta. 3

4