INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE



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Transcrição:

OAB - EXTENSIVO Disciplina: Direito Administrativo Prof. Flávia Cristina Data: 07/10/2009 Aula nº. 04 INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE 1. Modalidades a) Requisição b) Servidão c) Ocupação Temporária d) Limitação e) Tombamento f) Desapropriação As 5 primeiras são conhecidas como modalidades restritivas, pois não existe perda da propriedade, mas sim uma restrição no uso da propriedade. Já a 6ª modalidade há a perda da propriedade, por isso é denominada repressiva. A diferença entre a desapropriação e o confisco é que no confisco não há indenização, apesar de ambos os institutos serem considerados repressivos por haver a perda da propriedade. As hipóteses de confisco estão previstas no artigo 243 da Constituição Federal. 1.1. Quadro comparativo Requisição Recai sobre bens móveis, imóveis e serviços. Na requisição há situação de perigo, urgência. Caberá indenização se houver dano / prejuízo e será paga posteriormente. Tem natureza temporária. Recairá sobre algo determinado. Servidão Só recai sobre bens imóveis. Há presença do interesse público para execução de obras e serviços. Caberá indenização se comprovado o prejuízo e será prévia. Tem natureza nãotemporária. Recairá sobre imóveis determinados. Ocupação Só recais sobre bens imóveis. Existe a necessidade para realizar obras ou serviços. Caberá indenização se comprovado o prejuízo e será posterior. Tem natureza temporária. Recairá sobre imóveis determinados. Tem natureza Limitação Recai sobre bens móveis, imóveis e atividades. Existe interesse público abstrato. Não cabe indenização. Tem caráter nãotemporário. Recais sobre bens moveis e imóveis indeterminados. 1.2. Tombamento a) Recairá sobre bens móveis e imóveis; b) O objetivo é a proteção ao valor artístico, paisagístico, histórico, cultural, científico, etc; c) Poderá ser parcial ou total;

d) Em regra o tombamento não dará direito a indenização, só haverá indenização se a restrição for tão grande que impeça o uso pelo proprietário; e) O tombamento não retira a propriedade; f) O proprietário terá algumas obrigações / restrições; g) Não poderá destruir, mutilar, demolir h) Precisa de autorização para pintar ou reformar i) Deverá conservar o bem; j) No caso de alienação, o Poder Público terá preferência 1.3. Desapropriação 1.3.1. Modalidades e principais características UTILIDADE PÚBLICA NECESSIDADE PÚBLICA INTERESSE SOCIAL Poderão ser desapropriados Poderão ser desapropriados Tem por objetivo a redução das todos os bens passiveis de todos os bens passiveis de desigualdades sociais. desapropriação. desapropriação. Todos os bens da Federação poderão desapropriar nesse caso. Todos os bens da Federação poderão desapropriar nesse caso. a) Poderão ser desapropriados todos os bens passiveis de desapropriação. Indenização prévia e em dinheiro. Indenização prévia e em dinheiro. b) Qualquer ente da Federação poderá desapropriar. DL 3.365/41 DL 3.365/41 c) A indenização será prévia e em dinheiro. Tem caráter de maior urgência d) Lei 4.132/62 Em razão do descumprimento da função social da propriedade. a) Urbana - Só recai sobre imóveis. - Só poderá ser feita pelo Município (ou DF). - É uma punição. - cumprimento da sua função social art. 182, 2º da CF. - A indenização será paga em títulos da dívida pública, resgatáveis em até 10 anos. b) Rural - Só recai sobre imóveis. - Só poderá ser feita pela União - É uma punição. - cumprimento da sua função social art. 186 da CF. - A indenização será paga em títulos da dívida agrária, resgatáveis em até 20 anos. - A terra será destinada à reforma agrária. OBS.: o município poderá desapropriar imóvel rural desde que não seja pelo descumprimento da função social da propriedade. Exceto as hipóteses acima, a União poderá desapropriar bens dos Estados, DF. Municípios e particulares. Os Estados poderão desapropriar dos Municípios e particulares e o Município, somente dos particulares

1.3.2. Desapropriação por zona Ocorrerá quando o Poder Público desapropria área maior do que a necessária para realizar uma obra (ou serviço), em razão de: a) necessidade futura; b) supervalorização dos imóveis vizinhos a uma obra; 1.3.3. Direito de extensão É o direito do particular de exigir (do expropriado), que na desapropriação seja incluída área que se tornou inútil ou de difícil utilização. 1.3.4. Tredestinação Ocorre quando o Poder Público dá destinação ao bem diferente da prevista inicialmente. Essa poderá ser Lícita ou Ilícita a) Licita: a tredestinação continua sendo uma destinação pública; b) Ilícita: destinação é diversa e não-pública e caberá retrocessão (é o direito de preferência do exproprietário de reaver bem objeto de tredestinação ilícita). 1.3.5. Desapropriação indireta A desapropriação direta, são todas as acima listadas, as quais o próprio Poder Público tem interesse. A desapropriação indireta é uma ação movida pelo particular em face do Poder Público em razão de um esbulho realizado pelo Poder Público. 1.4. Estatuto da Cidade (Lei 10.257/01) Estabelece bases para uma política urbana, para uma ocupação racional do solo urbano. Traz alguns institutos relacionados a política urbana, ocupação social do solo, tudo para dar uma função social da propriedade, tais como: a) Parcelamento, utilização ou edificação compulsórios. Está ligado ao Plano Diretor b) Áreas não podem ser subutilizadas; c) Notificação ao proprietário; - prazo de até 1 ano, a contar da notificação, para apresentar um projeto - até 2 anos, a contar da aprovação do projeto, para iniciar as obras; d) não respeitadas as hipóteses acima, implantará o IPTU progressivo no tempo, que poderão ser aumentadas por 5 anos, até o limite de 15% de alíquota máxima; e) caso o proprietário não se manifeste, o Poder Público poderá manter a alíquota ou desapropriar. 1.4.1. Consórcio Imobiliário Conceito: Lei 10.257/01, art. 46, 1º 1.4.2. Operação Urbana Consorciada Conceito: Lei 10.257/01, art. 32, 1º. 1.4.3. Estudo de impacto de vizinhança Conceito: Lei 10.257/01, art. 36. RESPONSABILIDADE CIVIL EXTRACONTRATUAL DO ESTADO 1. Evolução histórica 1ª fase Teoria da Irresponsabilidade do Estado; 2ª fase Teoria da Responsabilidade Subjetiva. Nesta fase, era preciso comprovar:

- Ação - Dano - Nexo - Culpa / Dolo do agente 3ª fase - vigora a Responsabilidade Objetiva, a qual não exige a comprovação da culpa ou dolo dos agentes, ou seja, basta comprovar: ação, dano e nexo. 1.2. No Brasil 1ª posição é a teoria da Responsabilidade Objetiva (art. 37, 6º da CF), mas não é essa a posição majoritária. 2ª posição (posição majoritária adotada pelo STF) a) quando a responsabilidade for decorrente de uma ação, será responsabilidade objetiva do estado e, por isso, deverá provar: - Ação - Dano - Nexo Essa ação poderá ser lícita ou ilícita. b) quando a responsabilidade for de uma omissão, a responsabilidade será subjetiva, ou seja, será necessário provar: - Omissão - Dano - Nexo - Culpa administrativa, também denominada de falta administrativa c) quando o estado assume a guarda de pessoas, ou coisas perigosas, não importa se o dano foi causado por ação ou omissão, a responsabilidade será sempre objetiva 2. Teoria do Risco Como o Estado se defende quando está sendo acusado? Abordagem doutrinária (teorias não adotadas no Brasil): Risco Administrativo Quando o Estado for acusado, poderá utilizar as excludentes de responsabilidade: a) Culpa exclusiva da vítima b) Caso fortuito ou força maior c) E alguns autores ainda aceitam a culpa de terceiro como excludente de responsabilidade. Risco Integral Neste país não são admitidas excludentes de responsabilidade, ou seja, não há o que o estado possa alegar para se eximir da responsabilidade. O Brasil adota a teoria do administrativo, mas alguns autores entendem que nos casos de atividade nuclear e danos ao meio ambiente a teoria será da responsabilidade integral. 2.1. Responsabilidade do Agente Nesses casos o Estado terá que provar a culpa /dolo do agente para que haja a responsabilidade subjetiva para a ação de regresso do Estado contra seu agente. A denunciação da lide não é obrigatória, apesar da divergência doutrinária e jurisprudencial.

2.2. Responsabilidade do Estado por atos jurisdicionais Em regra, não haverá responsabilidade do estado por atos jurisdicionais, tendo em vista que nas lides sempre haverá uma pessoa que se sentirá prejudicada, exceto nos casos previstos no art. 5º, LXXV da CF. 2.3. Responsabilidade do Estado por atos legislativos Em regra, não haverá responsabilidade do estão por atos legislativos, exceto: a) quando a lei se tratar de efeito concreto b) quando a lei for declarada inconstitucional pelo STF BENS PÚBLICOS 1. Conceito Bem Público é aquele que pertence a uma pessoa jurídica de direito público OU afetada à prestação de serviço público. 2. Classificação dos Bens Públicos Critérios com relação a titularidade: quem é o dono do bem. Esse critério normalmente é pedido em Direito Constitucional. O critério que interessa ao Direito Administrativo é a classificação com relação à destinação a) bens de uso comum do povo: bem de uso livre, de uso indiscriminado por qualquer do povo. Apesar de ser de uso comum do povo, poderá ser cobrada para sua utilização, tal como acontece com a Zona Azul. b) bens de uso especial: é aquele que será utilizado para estabelecimento dos órgãos públicos ou destinado a prestação de serviço publico. c) bens dominiais ou dominicais: são os bens sem destinação (bens desafetados) 3. Regime Jurídico a) Imprescritibilidade - não poderá ser objeto de usucapião Atenção: o Poder Público não perde bens por usucapião, mas poderá adquirir bens por usucapião b) Impenhorabilidade (regra absoluta) - não poderá ser objeto de penhora. O Poder Público honrará seus débitos oriundos de sentença judiciária através de precatórios. c) Inalienabilidade (regra relativa) - Exceções: 1º passo para alienar bens públicos: desafetar 2º passo para alienar bem imóvel = interesse público devidamente justificado; avaliação prévia; licitação na modalidade concorrência; autorização legislativa caso este bem imóvel pertença a administração direta ou autarquia ou fundação pública 3º passo para alienar bem móvel = Interesse público devidamente justificado; avaliação prévia; licitação em qualquer modalidade; - Art. 17 da 8.666/90

QUESTÕES SOBRE O TEMA 1. (OAB/CESPE 2008.1) No que concerne à intervenção do Estado sobre a propriedade privada, é correto afirmar que a) a servidão administrativa afeta o caráter absoluto do direito de propriedade, implicando limitação perpétua do mesmo em benefício do interesse coletivo. b) as limitações administrativas constituem medidas previstas em lei com fundamento no poder de polícia do Estado, gerando para os proprietários obrigações positivas ou negativas, com o fim de condicionar o exercício do direito de propriedade ao bem-estar social. c) a requisição de bens móveis e fungíveis impõe obrigações de caráter geral a proprietários indeterminados, em benefício do interesse geral, não afetando o caráter perpétuo e irrevogável do direito de propriedade. d) o tombamento implica a instituição de direito real de natureza pública, impondo ao proprietário a obrigação de suportar um ônus parcial sobre o imóvel de sua propriedade, em benefício de serviços de interesse coletivo. 2. (OAB/CESPE 2008.2) Acerca das espécies de bens públicos, assinale a opção correta. A) Os terrenos de marinha acrescidos pertencem ao primeiro ente federado que os descobrir. B) São bens da União os recursos naturais da plataforma continental, sendo esta medida a partir da costa até o limite de 12 milhas marítimas. C) As terras devolutas são bens exclusivos da União. D) As correntes de água que banhem mais de um estado são bens da União. 3. (OAB/CESPE 2008.2) A modalidade de intervenção estatal que gera a transferência da propriedade de seu dono para o Estado é A) a desapropriação. B) a servidão administrativa. C) a requisição. D) o tombamento. GABARITO: 1. B 2. D 3. A