UNIDADE 1 FILOSOFIA ANTIGA



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Transcrição:

UNIDADE 1 FILOSOFIA ANTIGA CAPÍTULO 1 ORIGEM DA FILOSOFIA Para uma melhor compreensão da matéria, é importante deixar bem claro que é um erro chamar as póleis gregas de cidades-estados, dentre tantos motivos destacarei apenas dois. O primeiro é a imprecisão histórica; o termo cidade é romano (civitas em latim), e o Estado é invenção da modernidade, ainda não existindo nesse tempo. CONTEXTO HISTÓRICO Na antiguidade a região conhecida como Grécia não era um estado unificado, com poder centralizado, governo único, e suas cidades-estados (póleis) obedecendo a esse poder. Era na verdade, uma região que por suas peculiaridades históricas e geográficas abrigava povos de origem, costumes e crenças comuns, unidos por uma mesma língua. Alguns podem retrucar e argumentar que isso não tem importância. Para eles eu destaco o segundo motivo, que é a carga de preconceitos que esses termos carregam. E quando uso o termo preconceito não estou usando-o de forma pejorativa, mas em seu sentido literal, isto é, de ideias preconcebidas, sem reflexão. Quando se fala em cidade imaginamos nossas formas de aglomeração humana em um mesmo espaço, uma arena em que cada indivíduo procura o seu bem, se dar bem sem prejudicar a busca do bem do outro, estejam esses bens correlacionados ou não. O termo bem, aqui, não está sendo usado no sentido metafísico, mas no sentido de propriedade mesmo, seja ele (bem) posses materiais, fama, dinheiro ou poder. Noutra vertente, quando usamos o termo estado vem à nossa cabeça um poder exterior a nós que por meio de um governo, quer se intrometer em nossas vidas, quer seja positivando/regulando nossas relações sociais, quer seja tributanto nossos salários ou negócios, quer seja ditando quando, onde, e como será gasto nossas riquezas. Quando se fala em estado, temos um governo, uma sociedade civil (organizada ou não) e uma democracia representativa. Uns que comandam e outros que são comandados. Como veremos a seguir, a Grécia, melhor dizendo, a Atenas da época clássica, gerou uma forma de organização da vida humana que serviu de base durante esses milênios para nossas sociedades. Mas é importante deixar claro que usar o termo cidade-estado para designar essa forma de organização político-social dos gregos é uma monstruosidade que precisa ser corrigida pelos manuais do ensino médio. Continuar com isso é permanecer no erro de olhar o outro pelo nosso umbigo, querer entender suas formas de expressão a partir das nossas. Esse tipo de pensamento é que causa discórdia e não aceitação do outro, o que gera guerras e mais guerras. A história desse povo na antiguidade é dividida em quatro períodos. A sua formação se dá pela união das civilizações Cretense e Micênica no período que ficou convencionado chamar de pré-homérico (Secs. XX a XII a. C.), cujo fim ocorre com a invasão dórica que ocasionou a primeira diáspora grega, quando eles ocuparam todas as áreas banhadas pelo mar Egeu na forma de pequenos núcleos rurais. Começa a partir de então o período homérico (Secs. XII a VIII a. C.), que leva esse nome por causa das obras do grande poeta Homero, que nos conta, por meio da Ilíada e Odisseia, como foi essa época. Os pequenos núcleos rurais deram origem aos genos que, comandado por um pater, eram formados por pessoas que acreditavam ser de uma mesma descendência. Apesar de terem um líder, a terra era de propriedade de todos. Nesse período, houve um grande aumento populacional que não foi acompanhado pela produção de alimentos, pois haviam poucas terras férteis. Muitos genos se dividiram, houve disputas e distribuição desigual de terras que passaram a ser propriedade privada. Foi um período de turbulência e muitas pessoas ficaram marginalizadas. Desse modo, a sociedade, que era essencialmente agrária e patriarcal, ficou estruturada da seguinte forma: Página 1

1) Eupátridas = os paters e seus parentes mais próximos que detinham as maiores e melhores terras; 2) Demiurgos = trabalhadores livres 3) Georgoi = pequenos proprietários de terras; 4) Thetas = homens livres, mas marginalizados por que sobraram na divisão e disputas por terras; 5) Escravos Essa instabilidade gerou a necessidade de alguns genos se aliarem. Dessas alianças resultaram as fratrias, e da união destas, as tribos. O poder do pater passou a ser exercido por grupos de latifundiários bem nascidos conhecidos como eupátridas. Até que finalmente foram formados os demos que tinha como líder o basileu (rei), que era o mais fodão dos eupátridas. Para sobreviver, muitos gregos tiveram que buscar terras férteis para o cultivo de alimentos. Eles se lançaram ao mar à procura dessas regiões e se estabeleceram, além do Mar Egeu, por quase toda região europeia banhada pelo Mar Mediterrâneo (principalmente no sul da península itálica e na região da Sicília, que ficou conhecida como Magna Grécia), adentrando também na região do Mar Negro fundando apoikias (novos demos - colônias) em todos esses territórios. Essa busca de novas terras foi Segunda Diáspora grega. coisas, e mesmo sem ter a tecnologia de que dispomos hoje, eles tinham a imaginação trabalhando a todo vapor. Com ela criaram diversas histórias que foram passadas de forma oral por várias gerações. A palavra grega mythos significa contar, narrar, conversar. O mito é uma narrativa fantasiosa que visa dar uma explicação para a origem de determinada coisa, seja ela o homem, o amor, a doença, o mundo, os deuses, etc. Mas além disso, é também uma forma de justificação da estrutura social da época. Dito de outro jeito, o mito é uma forma de ver não só o mundo natural, como também de entender e aceitar a divisão e funcionamento da sociedade. Tanto é que os mitos se sustentam apenas na autoridade de quem os conta. O poeta-rapsodo, tem autoridade inquestionável, seja porque recebeu a narrativa de uma tradição oral respeitada, seja porque é considerado alguém escolhido pelos deuses para receber uma revelação e passá-la aos outros. Esses devem receber a informação como verdade inquestionável. Desse modo, os mitos não dão espaço para questionamentos e nem reflexão, perpetuando a forma de ver e entender tanto o mundo natural quanto o social. Perceba que os grandes reis (basileu) são protegidos ou escolhidos pelos deuses e os grandes guerreiros, como Aquiles, possuem vínculos com eles. Você se atreveria a discutir com eles, ou questionar sua autoridade? Fica difícil, não é? Os mitos sobre a origem do mundo são as cosmogonias (cosmos = mundo ordenado + gonia = gerar), já os que narram a origem dos deuses são as teogonias (theos = seres divinos + gonia = gerar. Admitem incoerências, contradições e são muito limitados deixando vários questionamentos em aberto. Foi basicamente nessa época que houve o ressurgimento da escrita entre os gregos, quando eles adaptaram o alfabeto fenício à sua língua. A Ilíada e a Odisseia descrevem vários aspectos da cultura e as diversas formas de relacionamento social dessa época, e mais importante, influenciaram muito as várias gerações gregas que tiveram o guerreiro bom e belo como um ideal de formação a ser alcançado. O MITO Antes mesmo do advento da Filosofia o homem tinha já possuía a curiosidade de saber sobre a origem das No entanto, sucessivos acontecimentos acabaram derrubando muitas dessas explicações e uma nova forma de ver o mundo (incluindo a sociedade) precisava ser criada. A PÓLIS E O SURGIMENTO DA FILOSOFIA Com a segunda diáspora, começa o período arcaico (Sécs. VIII a VI a. C.), quando tivemos a formação de vários demos espalhados por todo o mediterrâneo, intensificando as trocas de mercadorias e fazendo florescer novamente o comércio. É importante destacar que nessa época surge a moeda como um meio de facilitar as transações comerciais. Página 2

A partir daí, foi só questão de tempo para que os demos se unissem e formassem as póleis (eram mais de 1000), que foram governadas por conselhos de eupátridas (proprietários de terras) dando início aos regimes oligárquicos (governo de poucos). Eles desenvolveram leis, distribuíam a justiça, e ditavam a divindade a ser cultuada. Agora, com um número muito maior de póleis, e várias delas sendo importantes centros comerciais e portos estratégicos para a navegação, a principal atividade econômica deixou de ser a agricultura, e o comércio passa a ser o seu principal fator de desenvolvimento econômico. Esse desenvolvimento econômico proporcionou uma melhora significativa na qualidade de vida material da população. A partir daí os gregos passaram a ter tempo para fazer algo além de comercializar, eles agora iriam pensar. A consolidação das póleis seguido de uma relativa estabilidade política e econômica, e um longo período de prosperidade foi o terreno fértil para o nascimento da Filosofia. Algumas invenções e atividades que se desenvolveram, ou foram criadas, juntamente com a polis foram cruciais para o seu surgimento. São elas: As navegações ao desbravarem os mares os gregos iriam realmente descobrir se existiam os monstros e sereias que os mitos contavam. A invenção do calendário isso proporcionou aos gregos verem que as estações do ano não eram vontade dos deuses mas fenômenos naturais que podiam ser previstos. A moeda Você certamente sabe quanto custa uma caneta, um caderno ou uma meia. Mas você sabe quanto vale um real? Sabe porque um real vale um real, e cem reais vale cem reais? Pois é, esse é um exercício de abstração que requerem cálculos complexo. Os gregos deixaram de trocar as coisas e passaram a usar a moeda quando adquiriam essa capacidade de abstração. A escrita alfabética se eu desenhar um homem e te mostrar, você vai saber que aquilo representa um homem. Mas se eu te mostrar esse símbolo A política Esse ponto é bastante importante porque marca uma ruptura no modo de encarar a organização social. A pólis é um lugar onde os homens decidem o seu próprio destino, e não mais os deuses. E esse governo dos homens só era possível porque eles eram livres para criarem suas próprias leis, que eram fruto do debate público, ou seja, da palavra que era posta sob questionamento. E esse tipo de discurso proporcionado pela atividade política foi fundamental para o surgimento do discurso filosófico, que nasceu como diálogo. A palavra que sempre pode ser debatida e questionada. Lembrem-se que no mito, a palavra era inquestionável. Nas póleis gregas não havia muita diferença de riqueza entre os cidadãos e a monarquia não era a forma de governo predominante entre eles. Todos eram responsáveis pela defesa da pólis, então, não fazia sentido não terem participação na tomada de decisões sobre os rumos da mesma. Foi assim que nasceu a política na forma de democracia. Os gregos acreditavam que um homem livre que vivia em pleno gozo de suas faculdades mentais e corporais deveria viver em uma comunidade política que se autodeterminava por leis que ela mesma criava por meio do debate, e não por um homem (rei) ou alguma divindade. A vida na pólis era voltada para que eles desenvolvessem plenamente suas capacidades humanas, fruto de sua natureza. Cada cidadão era estimulado a exercitar as virtudes e reprimir os vícios. E a justiça necessária para controlar esse lado ruim só pode ser encontrada em uma comunidade bem ordenada, de homens virtuosos, justos e livres, que governam a si mesmos, ou seja, na pólis. Essa visão histórica da formação da sociedade grega desde os núcleos rurais até a formação das póleis, nos ajuda a entender não apenas o surgimento da filosofia, mas o por que dela ter sido uma invenção grega. Ela não foi um milagre repentino desse povo, mas o resultado de uma gestação que vinha acontecendo no seio das transformações ocorridas na sociedade grega durante séculos. PRÉ-SOCRÁTICOS OS PRIMEIROS FILÓSOFOS Tendo Sócrates como a grande referência na filosofia antiga, os historiadores consentiram em chamar esse primeiro período filosófico de pré-socrático. É de se ressaltar que essa convenção tem como critério não apenas uma ordem cronológica, mas a linha de investigação filosófica, pois ao tempo de Sócrates ainda haviam pré-socráticos. Esses primeiros filósofos se preocuparam em tentar explicar a physis (natureza/mundo/universo) de Página 3

uma forma racional (cosmologia), dando uma explicação diferente da dos mitos, que recorriam aos deuses. Diferentemente da explicação mítica que dizia que o universo havia sido criado do nada, para eles o universo havia sido gerado de um princípio universal. E descobrir essa arché seria a chave para entender todas as coisas. Eles acreditavam que a physis apesar de estar em constante movimento (devir) possuía um elemento de permanência e que este seria o seu princípio originador, seu fundamento, e explicaria a causa da mudança. Dentre esses filósofos haviam os que acreditavam que a arché era um único elemento, estes eram os monistas. Mais tardiamente, outros pré-socráticos começaram a defender que eram vários, e ficaram conhecidos como pluralistas. Tales de Mileto (640-546 a. C.), que talvez tenha sido o primeiro filósofo, e estava na lista dos sete sábios da Grécia, acreditava que a água era a origem de tudo. Anaximandro (610-547 a. C.) dizia que o princípio criador não poderia ser conhecido pelos sentidos, mas somente pelo intelecto já que ele é o apeiron (indeterminado). Anaxímenis (588-524 a. C.) argumentava que o ar seria esse princípio originador de tudo. Pitágoras de Samos (570-490 a. C.) creditava aos números a origem de tudo, mas desde que entendidos como harmonia e proporção. Ou seja, tudo na natureza é proporcional e harmônico. Heráclito de Éfeso (535-475 a. C.), um dos filósofos mais importantes desse período, atribuía ao fogo a origem das coisas, já que para ele a realidade/physis é uma eterna luta de contrários que tem esse elemento como sua causa. Autor da famosa frase que caracteriza bem o seu pensamento: Um homem não pode se banhar duas vezes no mesmo rio, porque na segunda vez o rio e o homem não serão os mesmos. Para ele, o universo está em constante mudança, tudo flui, tudo está em transformação constante. E isso é assim porque todas as coisas possuem os oposto em constante guerra. O real é a mudança e a permanência é ilusória. Você já não é tão jovem quanto quando começou a ler essas palavras, mas ainda é jovem, mas está envelhecendo, mas ainda é jovem, mas está envelhecendo, mas ainda é jovem, mas está envelhecendo, mas ainda é jovem, mas está envelhecendo. Parmênides (510-470 a. C.) de Eleia, rompe com os filósofos que o precederam na maneira de pensar o mundo. E por isso não se adequa a classificação de monista ou pluralista. Ele afirmava que o elemento de permanência, de origem, de fundamento, das coisas/mundo (physis) não pode ser encontrado na sua mutabilidade constante. Melhor dizendo, não se pode encontrar o princípio (arché) imutável do universo na sua própria mudança, ainda mais quando a investigação é conduzida pelos sentidos. Para ele a mudança seria apenas uma ilusão dos sentidos, e o que é essencial nas coisas só pode ser captado pelo pensamento. Por esse motivo, é que haviam tantas opiniões contrárias sobre o Ser das coisas, porque os filósofos estavam trilhando um caminho errado que só os levava à ilusão. A mudança (devir) não existe, é uma ilusão dos sentidos, Heráclito estava errado. O Ser é e o não ser não é. O Ser é o Logos (razão), a permanência, é imutável e sem contradições. Página 4

Continuaremos a estudar os outros filósofos présocráticos (pluralistas) quando adentrarmos no período clássico, por que contextualizando-os socialmente poderemos entender melhor suas teorias e a influência delas em seu meio social. CAPÍTULO 2 FILOSOFIA CLÁSSICA A maturação e desenvolvimento da filosofia clássica ocorre em Atenas devido a uma série de acontecimentos que passaremos a analisar a seguir. É importante entendermos o contexto histórico para que as teorias filosóficas desse período possam fazer sentido, pois a Filosofia como construção humana está limitada a seu tempo e contexto social, embora muitos queria fazer parecer que não. ATENAS EM QUESTÃO Atenas foi fundada pelos jônios na região da Ática. Inicialmente esteve sob o regime monárquico, e depois oligárquico. Era governada pelos Eupátridas (bem nascidos), que além de possuírem as maiores e melhores terras, ainda tinham como escravos outros atenienses, que foram pequenos proprietários de terras que não conseguiram saldar suas dívidas. Sem um solo propício para agricultura, e com um porto (Pireu) estrategicamente localizado no Mediterrâneo, os Atenienses se lançaram ao mar. Tornaram-se grandes marinheiros e desenvolveram o comércio de forma significativa. O comércio enriqueceu muitos atenienses que não tinham o sangue azul dos eupátridas e estavam doidos por participação política. A isso, some a insatisfação dos escravizados por dívidas, dos potencialmente escravos, e ainda, rebeliões provocadas por estes. Pronto, o barril de pólvora estava cheio e prestes a explodir. Dracon em 620 a. C., tentou acalmar os ânimos tornando públicas por meio da escrita, as leis da pólis, que antes eram conhecidas só pelos eupátridas. Não adiantou muita coisa. Escolheram Sólon, um dos sete sábio da Grécia, que instituiu profundas reformas na sociedade. Dentre as quais podemos citar: Perdoou a dívida dos atenienses escravizados, e acabou com a escravidão por dívidas; Limitou o tamanho da propriedade; Modificou o critério de classificação social, do nascimento para a riqueza; Com isso, modificou o critério para participação nos cargos públicos (magistraturas), permitindo a participação dos comerciantes na política; Permitiu a participação de todos os atenienses na Assembleia (Eclésia), mesmo o mais pobre; Criou a boulé, que era um conselho de 400 membros escolhidos pela Eclésia, e que tinha a função de criar projetos de leis para serem votados por esta; Deu cidadania a todo aquele que contribuísse com a pólis. Ficou decidido que, o que Sólon fizesse não poderia ser modificado por 10 anos. Então, depois de fazer essas reformas Sólon deixou Atenas, tanto para não perder sua vida, quanto para não usar de seu prestígio e tornar-se um tirano. Apesar de profundas, essas reformas trouxeram ainda mais tensões. E de toda insatisfação emergiu em 546 a. C. o primeiro tirano de Atenas, Pisístrato. Nessa época o termo tirano não tinha toda a carga negativa que tem hoje, e designava apenas uma forma ilegítima de governo. Não é que o tirano fosse cruel e mandasse cortar a cabeça de quem olhasse torto pra ele, é que ele não chegou ao poder com o apoio dos que detinham o poder. Pisístrato foi até um bom governante, manteve inalteradas as leis de Sólon, construiu grandes obras, patrocinou as artes, os jogos e os festivais, e projetou Atenas como grande centro comercial e cultural da Grécia. Seus sucessores foram uns bocós e não souberam se manter no poder, abrindo espaço novamente para conflitos internos, quando Clístenes toma o poder em 510 a. C. Agora pasmem, em 594 a. C., os grupos dominantes da época, decidiram eleger um homem sábio para fazer reformas que pudessem colocar fim ao clima de guerra que afligia a sociedade ateniense. Página 5

Clístenes governou Atenas de 510 a 507 a. C, e ousou muito ao dividir o território da Ática em 10 tribos, e cada tribo em 03 DEMOS. Com isso ele queria acabar com a influência das tradicionais famílias nobres aristocráticas. É claro que para ocupar cargos públicos ainda era necessário ter uma certa quantidade de riqueza, como Sólon havia estipulado. Mas cada vez menos isso dependia da família a que se pertencia. A boulé (que criava projeto de lei) passou a ter 500 membros. Cada DEMO elegia 50, e cada tribo a presidia sucessivamente durante o ano. Perceba o salto qualitativo nesse regime de participação política que mais tarde viária a ser chamado de DEMOCRACIA. Inicialmente os recursos obtidos ficaram na ilha de Delos (por isso o nome), mas com o tempo foram transferidos para Atenas. Mesmo com o fim das ameaças externas a Liga permaneceu, e ninguém mais poderia dela se desligar, pois Atenas logo interferia. O que antes não era obrigação, tornou-se submissão. Dessa maneira, portanto, Atenas, sob a liderança de um líder democrático, construiria com as riquezas dos outros a sua ERA DE OURO. Foi nessa época que a cidade foi embelezada com grandes templos e obras públicas. Só para se ter uma ideia, o Partenon, um dos maiores feitos de arquitetura da humanidade, foi erguido nesta época. A Eclésia (assembleia popular) passou também a, além de votar, discutir os projetos de lei. Provavelmente a boulé tinha mais poderes que a Eclésia no início do processo de construção desse novo regime, mas com o tempo a situação se inverteu. O OSTRACISMO foi uma instituição muito famosa criada também por ele. Não era uma pena, mas uma forma de defender o novo regime contra levantes tirânicos. Se uma pessoa estava se tornando demasiadamente famosa, prestigiada, e influente, ela era banida da pólis por um período de 10 anos e depois retornava como se nada tivesse acontecido. Pense bem. Num regime onde todos devem ser iguais, não deve haver essas grandes personalidades, senão, não haveria isonomia, que era a base do sistema. As reformas de Clístenes no sistema político de Atenas acabou influenciando toda a Grécia, e seu governo foi a transição entre o período arcaico e o clássico. No período clássico (Sec. V ao IV a. C.), as Guerras Médicas (os medos faziam parte do povo Persa, daí o nome) foram o pano de fundo para um maior destaque de Atenas dentre todas as póleis gregas. Eles já estavam se sentido os maiorais por terem suas instituições como modelo do que de melhor se poderia ter. Agora, iam colocar os músculos para trabalharem. Diante dessas invasões as póleis gregas, persuadidas por Atenas, fizeram uma aliança militar conhecida como Liga de Delos. Claro que isso tinha um custo, e que ninguém era obrigado a participar. No entanto, seria bom contar com uma certa segurança não é mesmo? É inegável que toda a glória alcançada por Atenas teve como sustentação material a submissão das outras póleis. No entanto, deve-se deixar bem claro que apesar da relação dos atenienses com os outros fosse de hostilidade, entre eles, imperava os ideais mais nobres como igualdade, liberdade e justiça. Em virtude disso, a forma de governo que tem por base esses ideais pôde florescer em sua plenitude. Em Atenas o exercício da atividade política era básico, algo comum na vida de seus habitantes. A participação na tomada de decisões dos assuntos que dizem respeito à administração da pólis era a principal e mais nobre atividade que um homem livre poderia se dedicar. Foi nessa época que surgiu na cena política ateniense um grande orador, de família aristocrática, e excelente estrategista militar. Péricles (495 429 a.c.) liderou Atenas em seu esplendor (não é à toa que esse século recebeu seu nome), quando na assembleia, juntamente com seus concidadãos, aprimorou o regime democrático a ponto de afirmar o seguinte em seu discurso fúnebre: Página 6

Nosso regime político não se propõe tomar como modelo as leis de outros: antes somos modelos que imitadores. Como tudo nesse regime depende não de poucos, mas da maioria, seu nome é democracia. Nela, enquanto no tocante às leis todos são iguais para a solução de suas divergências particulares, no que se refere à atribuição de honrarias o critério se baseia no mérito e não na categoria a que se pertence... O primeiro cidadão ateniense instituiu a mistoforia, que era uma justa quantia em dinheiro para que mesmo o mais lascado dos homens livres pudesse participar diretamente da administração da cidade. Agora, não precisava mais nem ser de família nobre, e nem ter riqueza suficiente para ocupar determinado cargo. Tal salário era necessário porque esses gregos acreditavam que todos os cidadãos eram iguais (isonomia) e por esta razão, tinham direito de se expressar (isegoria) na assembleia, e de ter participação no poder (isocracia). Para eles não havia outra maneira, a única forma de DEMOCRACIA era a DIRETA. Basicamente, a estrutura política estava arquitetada da seguinte forma: ASSEMBLÉIA Conselho de cidadãos que tomavam as decisões mais importantes da pólis. Eles se reuniam no monte Pnyx (imagem abaixo). Claro que não tinham essas cadeiras, mas olhe a vista que eles tinham da acrópole. Imagine os atenienses tomando as decisões da pólis com a vista das maravilhas que eles foram capazes de fazer. Era mesmo algo grandioso. Para todos os cargo públicos uma pessoa só podia ser eleita uma única vez na vida, para dar oportunidade para outros participarem do poder. Na boulé podia-se eleger duas vezes, e para estrategos podia ser indefinidas vezes, isso por que esse cargo exigia habilidades especiais de guerra. Somente podiam participar desses cargos os homems filhos de pais atenienses maiores de 20 anos, pois apenas eles eram considerados Zoôn politikons. Eram membros de famílias aristocráticas, pequenos proprietários de terras, comerciantes e artesãos. Mas a sociedade ateniense não era formada apenas por eles; haviam também os que eram excluidos da cidadania. Nesse grupo temos os metecos, que eram os estrangeiros residentes ou não na pólis; as mulheres, que serviam basicamente para cuidar da casa e reproduzir; e finalmente os escravos, que eram os prisioneiros de guerra. Não por coincidencia, os escravos começaram a aumentar quando a democracia estava em seu auge. Ora, para haver tempo livre para os cidadãos se dedicarem à política alguem tinha que ficar trabalhando. Estimasse que eles fossem ¼ da popolação, no máximo. Em Atenas não havia tratamento duro com os escravos, não existiam pessoas acorrentadas andando pelas ruas, chicotadas e esquartejamentos em praça pública. Pelo contrário, era muito comum os escravos serem libertados. Habitantes de outras póleis estranhavam quando andavam nas ruas de Atenas e viam escravos andando na rua como se fossem livres. Nas fazendas e no mercado eles trabalhavam lado a lado com o seu senhor. Não há nenhum registro de rebeliam de escravos em Atenas. A possibilidade de conquista da liberdade que estava no horizonte, abrandava a relação entre senhor e escravo. OS PLURALISTAS BOULÉ Conselho de 500 cidadãos que propunham as leis. ESTRATEGO 10 generais com mandatos de 01 ano. Nesse período a filosofia continuou progredindo com os filósofos pré-socrático. O próprio Péricles tinha um desses sábios como mestre, seu nome era Anaxágoras (499-428 a. C.). Ele defendia que o princípio gerador de todas as coisas não é único, que a physis era formada de várias partículas (sementes espermatas) ordenadas por uma inteligência universal. Página 7

Diferentemente dele, Empédocles (490-430 a. C.) acreditava que os elementos água, terra, ar e fogo eram os princípios criadores, que formavam as coisas pela união e repulsão, pelo amor e ódio. Demócrito (460-370 a. C.) era contemporâneo de Sócrates, mas como o objeto de sua investigação ainda era a physis, ele é considerado um pré-socrático. Segundo ele, o mundo é formado por partículas invisíveis e indivisíveis chamadas átomos, que se chocavam ao acaso no vazio para formar os corpos percebidos pelos nossos sentidos. Percebam que esses pré-socráticos do período clássico, defendem não um, mas vários os elementos criadores do universo. Será coincidência eles defenderem isso no tempo em que a constituição da pólis, ou seja, do mundo social, dependesse de muitos e não de um só? Ou terá sido essa forma de organização social fundamentada nessa nova visão da constituição do universo? Independentemente da resposta, o fato é que havia agora uma nova visão do mundo, seja ele físico ou social, e em ambos não havia mais o predomínio de uma arché que a tudo governava, mas, a relação entre vários elementos que regidos por leis constituíam o cosmos. No mundo da physis cabia aos homens descobrirem essas leis, no mundo da pólis cabia a eles criarem-na. E essa atividade divina de criarem as leis, que trariam ordem ao caos, era feita no espaço público da pólis, na ÁGORA (praça central onde se discutiam diversos assuntos), por meio da palavra, através do discurso. póleis vendendo seu conhecimento, pois não eram ricos para se manter no ócio intelectual. Protágoras (480-410 a. C.) foi o primeiro e mais ilustre dos sofistas. Nascido em Abdera, mudou-se para Atenas onde se tornou muito famoso e requisitado pelas famílias ricas. Defendia que não havia um conhecimento e uma verdade absolutas sobre as coisas, e que o mundo era relativo ao que os homens percebiam dele. Daí sua famosa frase: o homem é a medida de todas as coisas. Sua doutrina relativista impossibilitava a construção de um saber objetivo no qual se pudesse chegar a critérios que estabelecessem e diferenciassem o verdadeiro do falso, o certo do errado. Tudo dependia de quem ou que grupo estava falando. As regras sociais, bem como a própria pólis são convenções, e como tal, mudam de acordo com que as convencionou, sendo, portanto, relativas. O maior crédito que se deve atribuir aos sofistas foi o de ter voltado o debate filosófico da cosmologia, para a área do humano, da pólis, da ética, da política. Pois foi por se contrapor a eles que Sócrates deu início ao conhecimento filosófico herdado pelo ocidente. QUESTÕES 1. A construção de uma cosmologia que desse uma explicação racional e sistemática das características do universo, em substituição à cosmogonia, que tentava explicar a origem do universo baseada nos mitos, foi uma preocupação da Filosofia a) medieval. b) antiga. c) iluminista. d) contemporânea. SOFISTAS É também nesse contexto de valorização do humano, da palavra, de se expressar bem e de convencer o público por meio da oratória para se sair bem no cenário político, que surgiram os sofistas, um conjunto de sábios que ensinavam retórica (arte de falar bem e persuadir o público). A palavra sofista vem do grego sophós e quer dizer sábio. Eles eram homens que viviam viajando entre as 2. A atividade intelectual que se instalou na Grécia a partir do séc. VI a.c. está substancialmente ancorada num exercício especulativo-racional. De fato, [...] não é mais uma atividade mítica (porquanto o mito ainda lhe serve), mas filosófica; e isso quer dizer uma atividade regrada a partir de um comportamento epistêmico de tipo próprio: empírico e racional. Página 8

SPINELLI, Miguel. Filósofos Pré-socráticos. Porto Alegre: EDIPUCRS, 1998, p. 32. Sobre a passagem da atividade mítica para a filosófica, na Grécia, assinale a alternativa correta. a) A mentalidade pré-filosófica grega é expressão típica de um intelecto primitivo, próprio de sociedades selvagens. b) A filosofia racionalizou o mito, mantendo-o como base da sua especulação teórica e adotando a sua metodologia. c) A narrativa mítico-religiosa representa um meio importante de difusão e manutenção de um saber prático fundamental para a vida cotidiana. d) A Ilíada e a Odisseia de Homero são expressões culturais típicas de uma mentalidade filosófica elaborada, crítica e radical, baseada no logos. 3. Para referir-se à palavra e à linguagem, os gregos possuíam duas palavras: mythos e lógos. Diferentemente do mythos, lógos é uma síntese de três ideias: fala/palavra, pensamento/ideia e realidade/ser. Lógos é a palavra racional em que se exprime o pensamento que conhece o real. É discurso (ou seja, argumento e prova), pensamento (ou seja, raciocínio e demonstração) e realidade (ou seja, as coisas e os nexos e as ligações universais e necessárias entre os seres). [...] Essa dupla dimensão da linguagem (como mythos e lógos) explica por que, na sociedade ocidental, podemos comunicarnos e interpretar o mundo sempre em dois registros contrários e opostos: o da palavra solene, mágica, religiosa, artística e o da palavra leiga, científica, técnica, puramente racional e conceitual. (CHAUÍ, M. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 2011, p. 187-188). 08) O lógos é, ao mesmo tempo, o exercício da razão e sua enunciação para os seres humanos. 16) O lógos é muito mais do que a palavra, é a expressão das qualidades essenciais do ser, a possibilidade de conhecer as coisas nos seus fundamentos primeiros. 4.O ser humano, desde sua origem, em sua existência cotidiana, faz afirmações, nega, deseja, recusa e aprova coisas e pessoas, elaborando juízos de fato e de valor por meio dos quais procura orientar seu comportamento teórico e prático. Entretanto, houve um momento em sua evolução histórico-social em que o ser humano começa a conferir um caráter filosófico às suas indagações e perplexidades, questionando racionalmente suas crenças, valores e escolhas. Nesse sentido, pode-se afirmar que a filosofia a) é algo inerente ao ser humano desde sua origem e que, por meio da elaboração dos sentimentos, das percepções e dos anseios humanos, procura consolidar nossas crenças e opiniões. b) existe desde que existe o ser humano, não havendo um local ou uma época específica para seu nascimento, o que nos autoriza a afirmar que mesmo a mentalidade mítica é também filosófica e exige o trabalho da razão. c) inicia sua investigação quando aceitamos os dogmas e as certezas cotidianas que nos são impostos pela tradição e pela sociedade, visando educar o ser humano como cidadão. d) surge quando o ser humano começa a exigir provas e justificações racionais que validam ou invalidam suas crenças, seus valores e suas práticas, em detrimento da verdade revelada pela codificação mítica. A partir do texto, assinale a(s) alternativa(s) correta(s). 01) O mythos é uma linguagem que comunica saberes e conhecimentos. 02) As coisas próprias do domínio religioso são inefáveis, ou seja, não podem ser pronunciadas e ditas pela linguagem humana. 04) O mythos não possui o mesmo poder de convencimento e de persuasão que o lógos. 5. O surgimento da filosofia entre os gregos (Séc. VII a.c.) é marcado por um crescente processo de racionalização da vida na cidade, em que o ser humano abandona a verdade revelada pela codificação mítica e passa a exigir uma explicação racional para a compreensão do mundo humano e do mundo natural. Dentre os legados da filosofia grega para o Ocidente, destaca-se: Página 9

a) a concepção política expressa em A República, de Platão, segundo a qual os mais fortes devem governar sob um regime político oligárquico. b) a criação de instituições universitárias como a Academia, de Platão, e o Liceu, de Aristóteles. c) a filosofia, tal como surgiu na Grécia, deixou-nos como legado a recusa de uma fé inabalável na razão humana e a crença de que sempre devemos acreditar nos sentimentos. d) a recusa em apresentar explicações preestabelecidas mediante a exigência de que, para cada fato, ação ou discurso, seja encontrado um fundamento racional. 6. Não é fácil definir se a ideia dos poemas homéricos, segundo a qual o Oceano é a origem de todas as coisas, difere da concepção de Tales, que considera a água o princípio original do mundo; seja como for, é evidente que a representação do mar inesgotável colaborou para a sua expressão. Em todas as partes da Teogonia, de Hesíodo, reina a vontade expressa de uma compreensão construtiva e uma perfeita coerência na ordem racional e na formulação dos problemas. Por outro lado, a sua cosmologia ainda apresenta uma irreprimível pujança de criação mitológica, que, muito mais tarde, ainda age sobre as doutrinas dos fisiólogos, nos primórdios da filosofia científica, e sem a qual não se poderia conceber a atividade prodigiosa que se expande na criação das concepções filosóficas do período mais antigo da ciência Werner Jaeger. Considerando o texto acima sobre o surgimento da filosofia na Grécia, seguem as afirmativas abaixo: I. O surgimento da filosofia não coincide com o início do uso do pensamento racional. II. O surgimento da filosofia não coincide com o fim do uso do pensamento mítico. III. Tales de Mileto, no século VI a.c., ao propor a água como princípio original do mundo, rompe, definitivamente, com o pensamento mítico. IV. Mitos estão presentes ainda nos textos filosóficos de Platão (século IV a.c.), como, por exemplo, o mito do julgamento das almas. V. Os primeiros filósofos gregos, chamados présocráticos, em sua reflexão, não se ocupavam da natureza (Physis). Das afirmativas feitas acima a) apenas a afirmação V está correta. b) apenas as afirmações III e V estão corretas. c) apenas as afirmações II e IV estão corretas. d) apenas as afirmações I, II e IV estão corretas. e) apenas as afirmações I, III e V estão corretas. 7. É no plano político que a Razão, na Grécia, primeiramente se exprimiu, constituiu-se e formou-se. A experiência social pode tornar-se entre os gregos o objeto de uma reflexão positiva, porque se prestava, na cidade, a um debate público de argumentos. O declínio do mito data do dia em que os primeiros Sábios puseram em discussão a ordem humana, procuraram defini-la em si mesma, traduzi-la em fórmulas acessíveis a sua inteligência, aplicar-lhe a norma do número e da medida. Assim se destacou e se definiu um pensamento propriamente político, exterior a religião, com seu vocabulário, seus conceitos, seus princípios, suas vistas teóricas. Este pensamento marcou profundamente a mentalidade do homem antigo; caracteriza uma civilização que não deixou, enquanto permaneceu viva, de considerar a vida pública como o coroamento da atividade humana. Considerando a citação acima, extraída do livro As origens do pensamento grego, de Jean Pierre Vernant, e os conhecimentos da relação entre mito e filosofia, é incorreto afirmar que a) os filósofos gregos ocupavam-se das matemáticas e delas se serviam para constituir um ideal de pensamento que deveria orientar a vida pública do homem grego. b) a discussão racional dos Sábios que traduziu a ordem humana em fórmulas acessíveis a inteligência causou o abandono do mito e, com ele, o fim da religião e a decorrente exclusividade do pensamento racional na Grécia. Página 10

c) a atividade humana grega, desde a invenção da política, encontrava seu sentido principalmente na vida pública, na qual o debate de argumentos era orientado por princípios racionais, conceitos e vocabulário próprios. d) a política, por valorizar o debate público de argumentos que todos os cidadãos podem compreender e discutir, comunicar e transmitir, se distancia dos discursos compreensíveis apenas pelos iniciados em mistérios sagrados e contribui para a constituição do pensamento filosófico orientado pela Razão. e) ainda que o pensamento filosófico prime pela racionalidade, alguns filósofos, mesmo após o declínio do pensamento mitológico, recorreram a narrativas mitológicas para expressar suas ideias; exemplo disso e o Mito de Er utilizado por Platão para encerrar sua principal obra, A República. 8. A filosofia surgiu quando alguns gregos, admirados e espantados com a realidade, insatisfeitos com as explicações que a tradição lhes dera, começaram a fazer perguntas e buscar respostas para elas, demonstrando que o mundo e os seres humanos, os acontecimentos materiais e as ações dos seres humanos podem ser conhecidos pela razão humana (CHAUI, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Editora Ática, 2011. p.32). Considerando o exposto, assinale o que for correto. 01) A filosofia surgiu na Grécia durante o séc. VI a.c.. Apesar de seu nascimento ser considerado o milagre grego, é conhecida a frequentação de Atenas por outros sábios que viveram no século VI a.c., como Confúcio e Lao Tse (provenientes da China), Buda (proveniente da Índia) e Zaratustra (proveniente da Pérsia), fazendo da filosofia grega uma espécie de comunhão dos saberes da antiguidade. 02) O surgimento da filosofia é coetâneo ao advento da pólis (cidade). Novas estruturas sociais e políticas permitiram o desenvolvimento de formas de racionalidade, modificadoras da prática do mito. 04) Por serem os únicos filósofos a praticar a retórica, os sofistas representam, indiscutivelmente, o ponto mais alto da filosofia clássica grega (séculos V e IV a.c.), ultrapassando Sócrates, Platão e Aristóteles. 08) Filósofo é aquele que busca certezas sem garantias de possuí-las efetivamente. Por essa razão, o filósofo deseja o conhecimento do mundo e das práticas humanas por meio de critérios aproximativos e compartilhados (de aceitação comum), através do debate. 16) A atividade filosófica pode ser definida, entre outras habilidades, pela capacidade de generalização e produção de conceitos, encontrando, sob a multiplicidade de objetos do mundo, relações de semelhança e de identidade. 9. No início do século XX, estudiosos esforçaram-se em mostrar a continuidade, na Grécia Antiga, entre mito e filosofia, opondo-se a teses anteriores, que advogavam a descontinuidade entre ambos. A continuidade entre mito e filosofia, no entanto, não foi entendida univocamente. Alguns estudiosos, como Cornford e Jaeger, consideraram que as perguntas acerca da origem do mundo e das coisas haviam sido respondidas pelos mitos e pela filosofia nascente, dado que os primeiros filósofos haviam suprimido os aspectos antropomórficos e fantásticos dos mitos. Ainda no século XX, Vernant, mesmo aceitando certa continuidade entre mito e filosofia, criticou seus predecessores, ao rejeitar a ideia de que a filosofia apenas afirmava, de outra maneira, o mesmo que o mito. Assim, a discussão sobre a especificidade da filosofia em relação ao mito foi retomada. Considerando o breve histórico acima, concernente à relação entre o mito e a filosofia nascente, assinale a opção que expressa, de forma mais adequada, essa relação na Grécia Antiga. a) O mito é a expressão mais acabada da religiosidade arcaica, e a filosofia corresponde ao advento da razão liberada da religiosidade. b) O mito é uma narrativa em que a origem do mundo é apresentada imaginativamente, e a filosofia caracteriza-se como explicação racional que retoma questões presentes no mito. c) O mito fundamenta-se no rito, é infantil, pré-lógico e irracional, e a filosofia, também fundamentada no rito, corresponde ao surgimento da razão na Grécia Antiga. Página 11

d) O mito descreve nascimentos sucessivos, incluída a origem do ser, e a filosofia descreve a origem do ser a partir do dilema insuperável entre caos e medida. 10. A passagem do Mito ao Logos na Grécia antiga foi fruto de um amadurecimento lento e processual. Por muito tempo, essas duas maneiras de explicação do real conviveram sem que se traçasse um corte temporal mais preciso. Com base nessa afirmativa, é correto afirmar: a) O modo de vida fechado do povo grego facilitou a passagem do Mito ao Logos. b) A passagem do Mito ao Logos, na Grécia, foi responsabilidade dos tiranos de Siracusa. c) A economia grega estava baseada na industrialização, e isso facilitou a passagem do Mito ao Logos. d) O povo grego antigo, nas viagens, se encontrava com outros povos com as mesmas preocupações e culturas, o que contribuiu para a passagem do Mito ao Logos. e) A atividade comercial e as constantes viagens oportunizaram a troca de informações/conhecimentos, a observação/assimilação dos modos de vida de outros povos, contribuindo, assim, de modo decisivo, para a construção da passagem do Mito ao Logos. ao criar um pensamento distinto das narrativas mitológicas, destituiu o poder monárquico de sua fundamentação teórica e lançou, assim, as condições suficientes para a comunidade cívica. b) Nas cidades gregas, o desenvolvimento da atividade política dos cidadãos instaurou um pensamento exterior à religiosidade, favorecendo a busca por explicações exclusivamente racionais sobre os fenômenos cósmicos, naturais e humanos, ou seja, a substituição das narrativas míticas pelas investigações filosóficas. c) A atividade política dos cidadãos gregos, orientada para os problemas práticos da vida, consistiu em obstáculo para o desenvolvimento da reflexão filosófica, pois a filosofia, com sua natureza estritamente contemplativa, afasta os homens de sua realidade cotidiana, desvirtuando-os para temas cosmológicos irrelevantes. d) A filosofia e a política são sinônimos entre os gregos antigos, pois a prática da cidadania nas assembleias era tomada como pura especulação filosófica, ao mesmo tempo que a reflexão filosófica, desde suas origens, concentra-se unicamente nos problemas políticos atinentes à humanidade e) O desenvolvimento da atividade política, com seus intermináveis e desgastantes debates, fomentou a filosofia, à medida que os cidadãos procuravam nas teses filosóficas de procedência espiritualista um consolo para suas aflições cotidianas, bem como nelas depositavam suas esperanças de recompensa pelos infortúnios do mundo terreno na eternidade de um paraíso isento de conflitos. 11. A palavra não é mais o termo ritual, a fórmula justa, mas o debate contraditório, a discussão, a argumentação. Supõe um público ao qual ela se dirige, como a um juiz que decide em última instância, de mãos erguidas, entre os dois partidos que lhes são apresentados; é essa escolha puramente humana que mede a força de persuasão respectiva dos dois discursos, assegurando a vitória de um dos oradores sobre seus adversários. VERNANT, Jean-Pierre. As origens do pensamento grego. São Paulo: Bertrand Brasil, 1992. p. 34-35. O texto citado refere-se ao exercício da cidadania nas cidades gregas da Antiguidade clássica. Segundo Jean- Pierre Vernant, o universo espiritual das pólis gregas contribuiu decisivamente para o surgimento da filosofia. Assinale a alternativa que relaciona corretamente cidadania e filosofia na Grécia Antiga. a) Entre a filosofia e a prática da cidadania há uma relação de necessidade causal, posto que a vida política das sociedades gregas foi gerada pela reflexão filosófica, que, 12. Leia o texto e as assertivas abaixo a respeito das relações entre o nascimento da filosofia e a mitologia. O nascimento da filosofia na Grécia é marcado pela passagem da cosmogonia para a cosmologia. A cosmogonia, típica do pensamento mítico, é descritiva e explica como do caos surge o cosmos, a partir da geração dos deuses, identificados às forças da natureza. Na cosmologia, as explicações rompem com a religiosidade: a arché (princípio) não se encontra mais na ordem do tempo mítico, mas significa princípio teórico, enquanto fundamento de todas as coisas. Daí a diversidade de escolas filosóficas, dando origem a fundamentações conceituais (e portanto abstratas) muito diferentes entre si. ARANHA, M. L. A; MARTINS, M. H. P. Filosofando. São Paulo: Moderna, 1993, p. 93. I - Uma corrente de pensamento afirma que houve ruptura completa entre mito e filosofia, tal corrente é a que defende a tese do milagre grego. II - Outra corrente de pensamento afirma que não houve ruptura completa entre mito e filosofia, mas certa continuidade, é a que defende a tese do mito noético. Página 12

Assinale a alternativa correta. A) I é falsa e II verdadeira. B) I é verdadeira e II falsa. C) I e II são verdadeiras. D) I e II são falsas. 13. Dentre as teorias que explicam o nascimento da filosofia na Grécia Antiga, há uma que enfatiza o seu surgimento político. Qual característica da polis grega teria contribuído para o nascimento da filosofia? A) A proeminência, no espaço público, do pensamento e da reflexão sobre a palavra. B) Com a polis advém uma revolução social na Grécia: o surgimento da nova classe dirigente dos sábios ou Reis filósofos. C) A existência de um discurso público e dialogado, baseado na troca de opiniões e no desenvolvimento de argumentos persuasivos. D) A fundação de um cosmo social laico, expulsando, dos domínios da polis, a religião, o sagrado e os sacerdotes. A) Os sentidos atestam e conduzem à verdade absoluta do ser. B) O ser é o eterno devir, mas o devir é de alguma maneira regido pelo Logos. C) O discurso se move por teses e antíteses, pois essas são representações exatas do devir. D) Quem afirma que o ser não existe anda pelo caminho do erro. 14. De um modo geral, o conceito de physis no mundo pré-socrático expressa um princípio de movimento por meio do qual tudo o que existe é gerado e se corrompe. A doutrina de Parmênides, no entanto, tal como relatada pela tradição, aboliu esse princípio e provocou, consequentemente, um sério conflito no debate filosófico posterior, em relação ao modo como conceber o ser. Para Parmênides e seus discípulos: A) A imobilidade é o princípio do não-ser, na medida em que o movimento está em tudo o que existe. B) O movimento é princípio de mudança e a pressuposição de um não-ser. C) Um Ser que jamais muda não existe e, portanto, é fruto de imaginação especulativa. D) O Ser existe como gerador do mundo físico, por isso a realidade empírica é puro ser, ainda que em movimento. 15. Leia o texto abaixo: Afasta o pensamento desse caminho de busca e que o hábito nascido de muitas experiências humanas não te force, nesse caminho, a usar o olho que não vê, o ouvido que retumba e a língua: mas, com o pensamento, julga a prova que te foi fornecida com múltiplas refutações. Um só caminho resta ao discurso: que o ser existe. REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. História da filosofia: filosofia pagã antiga. Tradução de Ivo Storniolo. São Paulo: Paulus, 2003. p. 35. Com base no pensamento de Parmênides, assinale a alternativa correta. Página 13

GABARITO 1. b 2. c 3. 1/8/16 4. d 5. d 6. d 7. b 8. 2/8/16 9. b 10. e 11. b 12. c 13. c 14. b 15. d Página 14