Direito Constitucional Câmara dos Deputados CEFOR/DRH SUPREMACIA DA CONSTITUIÇÃO Normas Constitucionais: classificação, aplicabilidade e interpretação Objetivos da aula Apresentar a classificação das normas constitucionais segundo a espécie e a aplicabilidade; Conceituar a hermenêutica constitucional, seus principais métodos, princípios e pressupostos, a partir da premissa da supremacia da Constituição. 1
Supremacia da Constituição Classificação das Normas Constitucionais Classificação das Normas Constitucionais 2
Classificação das Normas Constitucionais Classificação das Normas Constitucionais A HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL 3
A Hermenêutica O termo hermenêutica vem do grego herméneuin, que significa expressar, explicar, traduzir, interpretar. A Hermenêutica Este termo está ligado à história e aos mitos gregos. A origem está na palavra grega hermeios, como referência ao sacerdote do oráculo de Delfos e o mensageiro alado HERMES. A Hermenêutica A função de Hermes não se restringia ao leva-etraz de mensagens, mas tinha como tarefa tornar as mensagens e oráculos compreensíveis. 4
A Hermenêutica, como ciência da Interpretação. A Hermenêutica procura estabelecer os princípios, métodos e regras necessários à interpretação de um texto. Interpretação das Normas Constitucionais O que é interpretar? Interpretar consiste em conferir ou atribuir um sentido à norma, com vistas à sua aplicação ao caso concreto (Henrique Savonitti Miranda) Interpretação das Normas Constitucionais A palavra interpretar é de origem latina e significa entre entranhas, deve-se aos adivinhos e feiticeiros que adivinhavam, previam o futuro através do manuseio das entranhas de animais mortos. Através dessa prática, traziam respostas aos homens, interpretando o seu futuro. 5
Funções da Interpretação conferir a aplicabilidade da norma jurídica às relações sociais que lhe deram origem; estender o sentido da norma a relações novas, inéditas ao tempo de sua criação; temperar o alcance do preceito normativo, para fazê-lo corresponder às necessidades reais e atuais de caráter social, ou seja, aos seus fins sociais e aos valores que pretende garantir Funções da Interpretação Eros Roberto Grau(*) entende que a interpretação do direito não pode ser dissociada da sua aplicação, afirma que interpretar é dar concreção (= concretizar) ao direito, reconhecendo para tanto, como único intérprete, verdadeiramente, autêntico o Juiz, que é o responsável pela construção da norma decisão. (*) GRAU, Eros Roberto. Ensaio e discurso sobre a interpretação/aplicação do direito. São Paulo: Malheiros Editores, 3a Ed, 2005, p. 24 e 34 Funções da Interpretação Que métodos devem ser utilizados para que a interpretação desempenhe com sucesso as suas funções? 6
Métodos de interpretação clássicos Interpretação Autêntica Ocorre quando o próprio órgão legiferante edita norma com função meramente interpretativa. Interpretação Judicial É dado pelo Poder Judiciário. Trata-se da jurisprudência. Concretiza-se no entendimento explicitado por juízes e tribunais. 7
Interpretação Administrativa Representa o entendimento da Administração Pública acerca de determinada norma. Interpretação Doutrinária É a interpretação realizada por mestres, juristas e especialistas do Direito. Esse tipo de interpretação normalmente é encontrada em livros, obras científicas e pareceres jurídicos. Interpretação Literal É também chamada de gramatical. Concentra-se na literalidade do texto, levando em conta aspectos semânticos e/ou gramaticais. 8
Interpretação Sistemática Analisa a norma nas suas relações com o sistema jurídico a que pertence. Parte do pressuposto de que o Direito é um sistema harmônico e, portanto, para compreender qualquer das suas partes, é necessário situá-la no todo em que se insere. Interpretação Histórica Trata-se de uma técnica que tem fundamento na Escola Histórica de Savigny. E desse modo, o intérprete ao se utilizar de tal técnica, deve analisar a lei sob o ponto de vista de uma realidade histórica, que se situa na progressão do tempo. Interpretação Histórica Segundo o Professor Miguel Uma lei nasce obedecendo a certos ditames, a determinadas aspirações da sociedade, interpretadas pelos que a elaboram, mas o seu significado não é imutável. 9
Interpretação Teleológica Por esse método, tenta-se interpretar a norma tendo em vista a finalidade para que foi criada. Métodos de interpretação clássicos Métodos de Interpretação Constitucional Método jurídico (hermenêutico clássico) Método tópico problemático Método hermenêutico concretizador Método científico-espiritual Método normativo-estruturante Método da comparação constitucional 10
Método jurídico (hermenêutico clássico) Encara a constituição como uma lei; Busca descobrir sua verdadeira intenção (mens legis) a partir de elementos históricos, gramaticais, finalísticos e lógicos. Método tópico problemático A partir do reconhecimento do caráter de multiplicidade axiológica (variedade de valores) que reveste as normas constitucionais, esse método reconhece que a melhor interpretação das Cartas Constitucionais é a que se faz quando se procura soluções para casos tópicos, partindo do problema para encontrar o significado da norma. Método hermenêutico concretizador Diferentemente do método anterior, faz o caminho inverso, parte da Constituição para o problema. O intérprete deve se valer de suas précompreensões sobre o tema; Deve atuar como mediador entre a norma e o caso concreto; Deve estabelecer um círculo hermenêutico do subjetivo para objetivo, até alcançar a compreensão. 11
Método científico-espiritual A interpretação deve se concentrar na realidade social e nos valores subjacentes ao texto constitucional; A Constituição deve ser interpretada como algo dinâmico e que se renova constantemente no compasso da vida em sociedade. O Estado e a Constituição devem ser vistos como fenômenos culturais. Método normativo-estruturante O texto normativo revela apenas um feixe inicial do que realmente significa aquele comando jurídico, ou seja, a norma não se restringe ao texto, e para sua satisfatória descoberta é necessária uma busca ampla sobre as facetas administrativas, legislativas e jurisdicionais do Direito Constitucional, a partir do que se poderá utilizá-la, aplicando-a ao caso concreto. Método da comparação constitucional Propõe a comparação entre os diversos textos constitucionais visando a descoberta de pontos de divergências e convergências. A interpretação dos institutos se implementaria mediante comparação nos vários ordenamentos jurídicos. 12
Pressupostos Hermenêuticos Constitucionais Supremacia da Constituição Unidade da Constituição Maior efetividade possível Harmonização Unidade da Constituição A Constituição é algo uno e indecomponível A Constituição é um sistema, ou seja, um conjunto de elementos que mantém entre si intrínseca relação de pertencialidade. A Constituição deve ser considerada na sua globalidade. Maior efetividade possível Deve-se buscar atribuir ao dispositivo constitucional sob exame o máximo de eficácia. Não se pode empobrecer a Constituição. 13
Harmonização normas e princípios constitucionais são interdependentes. o postulado da harmonização se relaciona com a da unidade da Constituição Agentes de interpretação constitucional Interpretação político-legislativa (interpretação autêntica); Interpretação promovida pelo Poder Executivo Interpretação doutrinária; Fontes interpretativas genéricas: a sociedade aberta dos intérpretes da Constituição (Peter Häberle). Os critérios de interpretação constitucional hão de ser tanto mais abertos quanto mais pluralista for a sociedade. Aplicação das normas jurídicas no tempo Recepção A questão da ordem jurídica vigente quando surge uma nova constituição 14
Aplicação das normas jurídicas no tempo Repristinação A nova constituição faz reviver normas revogadas (ou tidas por inconstitucionais) durante a vigência da Carta anterior? Até a próxima aula! Visitem o blog do curso: http://nilsonm.wordpress.com 15