Sumário Apresentação... 9 Conceitos básicos... 11 Gramática, variação e normas... 13 Dinah Callou A propósito de gramática e norma... 15 O ensino e a constituição de normas no Brasil... 21 A propósito de variação e mudança... 23 O ideal e o uso lingüísticos... 27 Saberes gramaticais na escola... 31 Afranio Gonçalves Barbosa Erros e acertos no ensino de Língua Portuguesa... 32 O ensino de Língua Portuguesa na escola: os saberes envolvidos.. 36 Fenômeno em foco... 43 Sistematizando e concluindo: a questão do ensino... 50 Questões de descrição gramatical... 55 Concordância nominal... 57 Silvia Figueiredo Brandão O que diz a gramática tradicional: o cânone... 60 O que mostram as pesquisas sobre a categoria de número... 63 A (difícil/fácil) tarefa: o ensino (da concordância nominal)... 79
Concordância verbal... 85 O que propõe a abordagem tradicional... 86 O que propõem as pesquisas de cunho descritivo... 87 Das pesquisas ao ensino da concordância verbal... 92 Pronomes pessoais... 103 Célia Regina Lopes A visão tradicional... 105 A classe dos pronomes: por uma definição coerente... 106 A variação entre nós e a gente: alguns resultados empíricos... 113 E as contribuições ao ensino? O que ensinar? Últimos comentários... 115 Colocação pronominal... 121 O que propõe a abordagem tradicional... 124 O que propõe a abordagem descritiva... 125 Das pesquisas ao ensino da colocação pronominal... 140 Questões de teoria gramatical... 147 Flexão e derivação: o grau... 149 Carlos Alexandre Gonçalves O que diz a tradição gramatical... 150 O que dizem os morfólogos... 151 O que dizem as pesquisas lingüísticas... 153 A questão do ensino (Como fazer? O que pensar? O que priorizar?)... 164 Classes de palavras... 169 Maria da Aparecida de Pinilla O que propõe a tradição... 171 O que propõem as pesquisas... 173 A questão do ensino das classes de palavras... 180 Termos da oração... 185 Maria Eugênia Duarte Confronto entre abordagem tradicional e outras perspectivas... 186 Por que e como ensinar... 201 Coordenação e subordinação... 205 Maria Eugênia Duarte Confronto entre abordagem tradicional e outras perspectivas... 208
Por que e como ensinar... 222 Correlação... 225 Violeta Virginia Rodrigues Processos sintáticos na tradição gramatical... 226 A correlação em outras abordagens... 231 O ensino da correlação... 232 A questão do texto... 237 Texto e contexto... 239 Maria Aparecida Pauliukonis Tradição e metodologia de ensino... 240 Objetivos da escola para o ensino de texto... 241 Uma nova concepção de texto... 242 O que se entende por estratégia... 244 Importância do contexto... 245 Da língua ao discurso... 247 Conclusão... 256 As organizadoras... 259 Os autores... 261
Apresentação Já é possível enfrentar o grande desafio que se impôs quando uma grande massa de brasileiros trouxe às escolas seus falares, suas gramáticas particulares. Ao se expor uma diversidade lingüística que, no ambiente escolar e nos livros didáticos, se fingia não existir, se tornou urgente uma mudança radical nas práticas descritivas e pedagógicas. Este livro resulta do crescente interesse em atender às exigências dessa mudança e em assumir uma posição objetiva ante a realidade escolar. Dispostos a enfrentar os riscos dessa nova realidade, 11 docentes-pesquisadores do Setor de Língua Portuguesa do Departamento de Letras Vernáculas da UFRJ juntaram-se para ministrar aulas no curso de extensão intitulado Dos estudos lingüísticos ao ensino de português: reflexões e propostas, coordenado por, uma das organizadoras do livro. Como desdobramento dessa etapa inicial, reuniram-se, neste livro encaminhamentos, diretrizes e sugestões sobre o ensino de gramática considerada parte integrante do conteúdo programático de Língua Portuguesa pautados no conhecimento teórico-científico e nos padrões lingüísticos e socioculturais que se observam, hoje, no país. É certo que, para cumprir tal propósito, se partiu de uma determinada concepção de ensino de Língua Portuguesa. Em linhas gerais, adotamos três princípios fundamentais à prática didático-pedagógica: (i) o objetivo maior do ensino de Língua
10 Ensino de gramática Portuguesa é desenvolver a competência de leitura e produção de textos; (ii) a unidade textual em toda a sua diversidade de tipos e gêneros, nos diferentes registros, variedades, modalidades, consoante as possíveis situações sociocomunicativas deve ser o ponto de partida e de chegada das aulas de Português; e (iii) os elementos de natureza formal relativos aos diferentes níveis da gramática são essenciais para a construção do texto. Nesse sentido, qualquer elemento estrutural deve ser objeto de ensino, uma vez que constitui matéria que viabiliza as atividades de leitura e produção textual. Em outras palavras, o texto é composto de enunciados, que, ao lado dos elementos pertinentes à enunciação e por eles motivados, dão forma e sentido ao ato comunicativo. Com base nesses pressupostos, o livro estrutura-se em quatro seções. A primeira, de caráter introdutório, trata dos conceitos básicos ao desenvolvimento de toda a obra, como gramática, variação e normas e dos saberes gramaticais presentes na escola. A segunda compreende temas relacionados à descrição de fatos lingüísticos (concordância nominal; concordância verbal; pronomes pessoais; colocação pronominal) e a terceira trata de elementos de natureza teórica (flexão e derivação: o grau; classes de palavras; termos da oração; coordenação e subordinação; correlação). Por fim, a última seção focaliza a concepção de texto como um ato comunicativo em que se concretizam os fatos gramaticais anteriormente trabalhados (texto e contexto). Estamos conscientes de que a ansiedade de boa parte dos profissionais de Língua Portuguesa recai sobre o modus operandi: como ensinar? A resposta a essa questão depende do uso de metodologia fundamentada em bases científicas, o que implica admitir que a dinâmica natural da língua impõe constante atualização e, conseqüentemente, mudança de estratégias no nível pedagógico. Esperamos, como organizadoras deste livro, que ele contribua para que, em bases sólidas e sem medo de ousar, cada professor de língua materna se sinta, nos diferentes níveis do processo de escolarização, o agente por excelência de um ensino produtivo, que leve em conta as exigências que permitem ao indivíduo exercer plenamente sua cidadania partilhando, com espírito crítico, todos os bens tecnológicos e culturais à disposição do homem moderno, sem, no entanto, perder de vista a importância da contribuição dos mais diferentes segmentos sociais, que, com suas falas particulares, construíram e continuam a construir o português do Brasil que a nós todos une e identifica em sua rica heterogeneidade. Silvia Figueiredo Brandão