DIREITO ADMINISTRATIVO Conceito, Objeto e Fontes do Direito Administrativo Prof.ª Tatiana Marcello
Direito Administrativo Natureza Jurídica do Direito Administrativo O Direito é tradicionalmente dividido em dois grandes ramos: Direito Público x Direito Privado. O Direito Privado tem como objetivo principal regular os interesses entre particulares a fim de possibilitar o convívio harmonioso em sociedade. O Direito Público tem o objetivo regular os interesses da sociedade como um todo, disciplinando as relações entre o particular e o Estado, bem como as relações de entidades e órgãos estatais entre si.
Direito Público X Direito Privado Direito Público Característica: desigualdades nas relações jurídicas; considerando que o interesse público deve prevalecer sobre o privado, o Estado age com superioridade perante o particular (ex.: desapropriação). Exemplos: Direito Administrativo, Direito Constitucional e Direito Penal. Direito Privado Característica: existência de igualdade jurídica entre os polos da relação, já que não há motivo para que haja prevalência de interesses. O Estado também pode integrar uma relação regida pelo direito Privado (ex.: CEF, BB). Exemplos: Direito Civil e Direito Comercial.
Não há um ramo do direito em que todas as relações sejam reguladas por integralmente pelo direito privado. Quando as relações entre particulares puder refletir em interesses da coletividade, o Estado estabelece normas de direito público, impositivas e que irão prevalecer sobre as normas de direito privado e mesmo sobre a autonomia da vontade e a liberdade negocial das partes (Ex.: Direito do Consumidor). Portanto, o Direito Administrativo é um dos ramos do Direito Público, uma vez que rege a organização e o exercício das atribuições do Estado, visando à satisfação do interesse público.
Conceito de Direito Administrativo Celso Antônio Bandeira de Mello: é o ramo do Direito Público que disciplina a função administrativa e os órgãos que a exercem. Hely Lopes Meirelles: consiste no conjunto harmônico de princípios jurídicos que regem os órgãos, os agentes e as atividades públicas tendentes a realizar concreta, direta e imediatamente os fins desejados pelo Estado. Maria Sylvia Zanella Di Pietro: o ramo do direito público que tem por objetivo os órgãos, agentes e pessoas jurídicas administrativas que integra a Administração Pública, a atividade jurídica não contenciosa que exerce e os bens de que se utiliza para a consecução de seus fins, de natureza pública. Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo: o conjunto de regras e princípios que, orientados pela finalidade geral de bem atender ao interesse público, disciplinam a estruturação e o funcionamento das entidades e órgãos integrantes da Administração Pública, as relações entre esta e seus agentes, o exercício da função administrativa especialmente quando afeta interesses dos administrados e a gestão dos bens públicos.
Objeto e Abrangência do Direito Administrativo O Direito Administrativo tem por objeto: I as relações internas à Administração Pública (entre os órgãos e entidades administrativas, uns com os outros, e entre a Administração e seus agentes, estatutários e celetistas); II as relações entre a Administração e os Administrados, regidas predominantemente pelo direito público ou pelo direito privado; III as atividades de administração pública em sentido material exercidas por particulares sob regime predominantemente de Direito Público (como prestação de serviço público mediante concessão ou permissão).
O Direito Administrativo abrange não apenas as atividades desenvolvidas pelo Poder Executivo, mas também as desempenhadas pelo Poder Legislativo e Poder Judiciário, já que mesmo que atipicamente, estes últimos também exercem atividades administrativas.
Fontes do Direito Administrativo No Brasil o Direito Administrativo não se encontra codificado. As normas estão espalhadas na Constituição Federal, em diversas leis ordinárias e complementares, bem como em decretos-leis, medidas provisórias, regulamentos e decretos do Poder Executivo. Exemplos: Lei 8.112/90 (Estatuto do Servidor Federal); Lei 8.666/93 (Licitações); Lei 9.784/99 (Processo Administrativo Federal). A doutrina elenca como fontes do Direito Administrativo: a lei (fonte principal) a jurisprudência (fonte secundária, exceto súmulas vinculantes que são fontes principais) a doutrina (fonte secundária) os costumes (fonte indireta)
DIREITO ADMINISTRATIVO Regime Jurídico Administrativo Prof.ª Tatiana Marcello
Direito Administrativo Regime Jurídico-Administrativo A Administração Pública brasileira, nos 3 Poderes e em todos os níveis da Federação, atuam ora sob o regime jurídico de Direito Público (típico), ora predominantemente sob o regime de Direito Privado. Quando esses órgãos, entidades e agentes da Administração Pública agem regidos pelo Direito Público, diz-se que a atividade é desempenhada sob o denominado Regime Jurídico-Administrativo. O Regime Jurídico-Administrativo confere poderes especiais à Administração, mas também impõe restrições especiais à sua atuação.
O conjunto de prerrogativas/poderes conferidos à Administração Pública pelo Regime Jurídico-Administrativo deriva do chamado Princípio da Supremacia do Interesse Público. Já as restrições/limitações impostas à Administração no Regime Jurídico- Administrativo deriva do Principio da Indisponibilidade do Interesse Público.
Prerrogativas/Poderes Princípio da Supremacia do Interesse Público os interesses da coletividade são mais importantes que o os interesses individuais, portanto, a Administração Pública tem poderes especiais, não conferidos aos particulares. A Administração Pública está em uma posição de superioridade em relação aos particulares. Ex.: desapropriação; poder de polícia. Restrições/Limitações Princípio da Indisponibilidade do Interesse Público os agentes públicos não são os donos do interesse por eles defendidos, de forma que não podem dispor desses interesses. Os agentes, no exercício da função administrativa, estão obrigados a atuar conforme o determinado em lei e não de acordo com a vontade própria. Ex.: licitação; concurso público.
DIREITO ADMINISTRATIVO Noções de Governo, Estado e Administração Pública Prof.ª Tatiana Marcello
Noções de Estado Estado é a pessoa jurídica territorial soberana, formada pelo elementos povo, território e governo soberano. São necessários o 3 elementos para que tenhamos um Estado independente: um povo, em um território, organizado segundo sua livre e soberana vontade. O Estado é um ente personalizado (é uma PJ), capaz de adquirir direitos e contrair obrigações na ordem jurídica. A CF estabelece que a organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os estados-membros, o Distrito Federal e os municípios. Cada ente federado (U, E, DF e M) é uma pessoa jurídica de direito público dotada de autonomia política, chamadas, portanto, de entidades políticas. A União goza de natureza jurídica dúplice: PJ de Direito Público Interno e PJ de Direito Internacional Público.
Entidades Políticas (Adm. Direta) Administrativas (Adm. Indireta) Tem competência legislativa Não tem competência legislativa - União; - Estados; - Municípios; - DF. - Autarquia; - Fundação Pública; - Sociedade de Economia Mista; - Empresa Pública.
Formas de Estado: Estado Unitário há centralização política, sendo que um só poder central irradia para sua competência, de forma exclusiva, para todo território nacional e toda sua população (ex.: Uruguai, onde existe um só poder político central). Estado Federado há descentralização política, havendo diferentes entidades políticas autônomas no mesmo território, distribuídas regionalmente (ex.: Brasil, onde temos União, estados-membros, DF e municípios; entidades políticas autônomas e distintas em um mesmo território). Portanto, a nossa CF adotou como forma de estado o Federado, onde temos um poder político central (União), poderes regionalizados (estados-membros) e poderes locais (municípios), além do Distrito Federal (acumula poderes regionais e locais, já que não pode ser dividido em municípios), que coexistem sem subordinação/hierarquia, apenas uma coordenação.
Poderes do Estado: Nos Estados democráticos de direito usa-se a expressão Poderes para designar o conjunto de órgãos que recebem da constituição competências para exercerem determinadas funções estatais. No Brasil temos: Poder Executivo Poder Legislativo Poder Judiciário Os Poderes não têm personalidade jurídica (são órgãos de determinado ente federativo), mas são independentes e harmônicos entre si. A CF veda qualquer proposta de emenda constitucional tendente a abolir a separação dos Poderes (art. 60, 4º, II); portanto o Princípio da Separação dos Poderes tem status de cláusula pétrea.
Nosso sistema adotou um modelo flexível de separação dos Poderes, sendo que, apesar de cada Poder ter sua função típica, todos podem exercer funções dos demais Poderes (de forma atípica).
Estado Brasileiro União estadosmembros municípios Distrito Federal PE, PL, PJ PE, PL, PJ PE, PL PE, PL (PJ da União)
Noções de Governo Governo é o conjunto de órgãos constitucionais responsáveis pela função política do Estado. A Constituição vai trazer as atribuições do governo, que tem a incumbência de exercer a direção suprema e geral do Estado, determinar a forma de realização dos seus objetivos, estabelecer diretrizes que pautarão a atuação estatal e os planos governamentais. A noção de governo diz respeito à função política de comandar, coordenar, dirigir e estipular planos e diretrizes de atuação estatal (políticas públicas). Portanto, não se confunde com a noção de Administração Pública, pois esta é o aparelhamento que o Estado dispõe para a execução das políticas públicas estabelecidas pelo Governo.
Sistema de Governo (relação entre Poder Executivo x Legislativo): Parlamentarista há colaboração entre os Poderes Executivo e Legislativo. O poder é dividido em duas frentes: uma Chefia de Estado (Presidente ou Monarca) + uma Chefia de Governo (Primeiro Ministro ou Conselho de Ministros). O Primeiro Ministro é indicado pelo Presidente, mas sua permanência depende da confiança do Parlamento. Por outro lado, se o Governo entender que o Parlamento perdeu a confiança do povo, poderá dissolver o Parlamento, convocando novas eleições (ex.: Inglaterra, Alemanha). Presidencialista há o principio da divisão dos Poderes, que devem ser independentes e harmônicos entre si; o Presidente exerce a chefia do Poder Executivo como um todo (é Chefe de Estado e Chefe de Governo), tendo mandato fixo e não dependendo da confiança do Poder Legislativo para sua investidura ou permanência. Também não é possível que o Presidente dissolva o Poder Legislativo, que é eleito por período certo. No Brasil, vigora o sistema Presidencialista. A CF prevê que o Presidente da República é o Chefe do Poder Executivo Federal, auxiliado pelos Ministros de Estado. Pelo Princípio da Simetria das Esferas Políticas, os Governadores dos Estados e do Distrito Federal, bem como os Prefeitos municipais são os respectivos Chefes do Poder Executivo de cada ente.
Formas de Governo (relação entre governantes x governados): Monarquia a instituição do Poder se dá por hereditariedade, não por eleições; o mandado é vitalício (não temporário); o monarca não representa o povo (representa a linhagem de alguma família) e também não responde perante o povo por atos de governo (não tem dever de prestar contas (ex.: Inglaterra). Republicana (res publica = coisa do povo) a instituição do poder se da por meio de eleições; por um período certo de tempo; o governante representa o povo e deve prestar contas de seus atos. No Brasil, vigora a forma Republicana: a) instituição do poder se da por meio de eleições; b) mandato por um período certo de tempo; c) governante representa o povo; d) governante deve prestar contas de seus atos. Obs.: no Brasil, a primeira forma adotada foi Monarquia (chegada da família real portuguesa). A partir da Constituição de 1891 implantou-se a forma Republicana. Portanto, no Brasil temos o sistema Presidencialista sob a forma Republicana.
Noções de Administração Pública Administração Pública em sentido amplo x sentido estrito Administração Pública em sentido amplo abrange os órgãos do governo (exercem função política) e também os órgãos e pessoas jurídicas que desempenham função apenas administrativas. Função política são as políticas públicas (diretrizes e programas de ação governamental, planos de atuação...) Função administrativa é a simples execução das políticas públicas formuladas pelos órgãos do governo. Administração Pública em sentido estrito abrange apenas os órgãos e pessoas jurídicas administrativas que desempenham função puramente administrativa de execução de programas de governo. Em regra, quando se estuda a Administração Pública, é entendida como Administração pública em sentido estrito.
Administração Pública em sentido formal, subjetivo ou orgânico X Administração Pública em sentido material, objetivo ou funcional Administração Pública em sentido formal, subjetivo ou orgânico (quem exerce?) é o conjunto de órgãos, entidades e agentes que o nosso ordenamento jurídico definiu como integrantes da Administração Pública: Adm. Direta (órgãos da U, E, DF e M) + Adm. Indireta (Autarquias, Fundações Públicas, Empresas Públicas e Sociedade de Economia Mista). No Brasil, adota-se o critério formal. Administração Pública em sentido material, objetivo ou funcional (o que exerce?) é o conjunto de atividades que são consideradas próprias da função administrativa, independentemente de quem as exerça: serviço público, polícia administrativa, fomento e intervenção.
União Estados Municípios DF Administração Direta Autarquia Fundação Pública Sociedade de Econ. Mista Empresa Pública Administração Indireta Concessionárias Permissionárias Autorizatários Pessoas Privadas prestadoras de serviços públicos
PRINCÍPIOS DA ADMINISTAÇÃO PÚBLICA Supraprincípios do Direito Administrativo Os chamados supraprincípios são aqueles considerados centrais, dos quais decorrem todos os demais. Segundo a doutrina, são dois: Princípio da Supremacia do Interesse Público; Princípio da Indisponibilidade do Interesse Público.
Princípio da Supremacia do Interesse Público Chamado de Supraprincípio, o Princípio da Supremacia do Interesse Público sobre o privado ainda implícito na ordem jurídica. Significa que os interesses da coletividade são mais importantes que o os interesses individuais, portanto, a Administração Pública tem poderes especiais, não conferidos aos particulares. A Administração Pública está em uma posição de superioridade em relação aos particulares.
Princípio da Indisponibilidade do Interesse Público Também considerado um Supraprincípio, o Princípio da Indisponibilidade do Interesse Público prevê que os agentes públicos não são os donos do interesse por eles defendidos, de forma que não podem dispor desses interesses. Os agentes, no exercício da função administrativa, estão obrigados a atuar conforme o determinado em lei e não de acordo com a vontade própria. Decorre desse princípio a vedação de que o agente público renuncie aos poderes que lhe foram legalmente conferidos.
Princípios Constitucionais Básicos Explícitos Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência... Para memorizá-los, usa-se o macete do LIMPE : Legalidade Impessoalidade Moralidade Publicidade Eficiência
Princípio da Legalidade A administração pública só pode agir quando houver lei que determine ou autorize sua atuação. Assim, a eficácia da atividade da administração pública está condicionada ao que a lei permite ou determina. Para o os particulares: significa que podem fazer tudo o que a lei não proíba ; Para a administração pública: significa que o administrador só pode fazer o que a lei autorize ou determine. Esse princípio é o que melhor caracteriza o Estado de Direito, pois o administrador público não pode agir de acordo com sua própria vontade e sim de acordo com o interesse do povo, titular do poder. Como, em última instância, as leis são feitas pelo povo, através de seus representantes, pressupõe-se que estão de acordo com o interesse público.
Princípio da Impessoalidade O administrador público deve ser impessoal, tendo sempre como finalidade a satisfação do interesse público, não podendo beneficiar nem prejudicar a si ou determinada pessoa. Esse princípio é visto sob dois aspectos: a) como determinante da finalidade de toda atuação administrativa - inevitavelmente, determinados atos podem ter por consequencia benefícios ou prejuízos a alguém, porém, a atuação do administrador deve visar ao interesse público, sob pena de tal ato ser considerado nulo por desvio de finalidade; b) como vedação a que o agente público valha-se das atividades desenvolvidas pela administração para obter benefício ou promoção pessoal - é vedado a promoção pessoal do agente público pela sua atuação como administrador. Ex.: imposição de concurso público como condição para ingresso em cargo efetivo ou emprego público; exigência de licitações públicas para contratações pela administração.
Princípio da Moralidade A moral administrativa está ligada à ideia de ética, probidade e de boa-fé. Não basta que a atuação do administrador público seja legal, precisa ser moral também, já que nem tudo que é legal é honesto. Ato contrário a moral não é apenas inoportuno ou inconveniente, é considerado nulo.
Princípio da Publicidade Esse princípio é tratado sob dois prismas: a) exigência de publicação em órgão oficial como requisito de eficácia dos atos administrativos gerais que devam produzir efeitos externos ou onerem o patrimônio público - enquanto não for publicado, o ato não pode produzir efeitos; b) exigência de transparência da atuação administrativa - finalidade de possibilitar, de forma mais ampla possível, controle da administração pública pelo povo. Não é absoluto, pois é preciso preservar direitos à privacidade, intimidade...
Princípio da Eficiência O princípio da eficiência foi inserido o caput do art. 37 através da EC 19/1998. Visa a atingir os objetivos de boa prestação dos serviços, de modo mais simples, rápido e econômico, melhorando a relação custo/benefício da atividade da administração pública. O administrador deve ter planejamento, procurando a melhor solução para atingir a finalidade e interesse público do ato. Esse princípio, porém, não tem um caráter absoluto, já que não é possível afastar os outros princípios da administração sob o argumento de dar maior eficiência ao ato. Por exemplo, não se pode afastar as etapas legais (princípio da legalidade) de um procedimento licitatório a fim de ter maior eficiência.
Demais Princípios norteadores da Administração Pública Princípio do Contraditório Princípio previsto expressamente no art. 5º, LV da CF e também na Lei nº 9.784/1999 (Lei do Processo Administrativo Federal), preconiza que os interessados têm o direito de manifestação antes das decisões administrativas, ou seja, a Administração deve oportunizar que os afetados pela decisão sejam ouvidos antes do final do processo.
Princípio da Ampla Defesa O Princípio da Ampla Defesa, também previsto expressamente no art. 5º, LV da CF e na Lei nº 9.784/1999 (Lei do Processo Administrativo Federal), assegura aos litigantes (em processo judicial ou administrativo) a produção de todos os meios de provas, recursos e instrumentos necessários para sua defesa. Desse princípio decorre o chamado Princípio do Duplo Grau de Jurisdição, pelo qual o interessado tem o direito de recorrer das decisões que lhe sejam desfavoráveis.
Princípio da Autotutela O Princípio da Autotutela significa que a Administração Pública não necessita do poder Judiciário para rever seus próprios atos. Desse princípio decorre a regra prevista na Lei 9.784/1999: A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogá-los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos.
Princípio da Motivação O Princípio da Motivação, também presente na Lei nº 9.784/1999 (Lei do Processo Administrativo Federal) preconiza a necessidade de indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinam a decisão. Diferentemente do motivo que é o fato concreto que autoriza o ato, a motivação é a exposição do motivo.
Princípio da Finalidade Trata-se do atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou competências, salvo autorização em lei (Lei nº 9.784/1999). Ou seja, é proibido o manejo de prerrogativas da função administrativa para alcançar objetivos diferentes do definido em lei (pois a lei visa ao interesse público).
Princípio da Razoabilidade e da Proporcionalidade Implícitos na CF, esses princípios trazem a ideia de adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público. O agente deve realizar suas funções com equilíbrio, coerência e bom senso. Exemplo atual de aplicabilidade desses princípios foi a decisão do STF de que a existência de tatuagem não pode impedir um aprovado em concurso público de tomar posse, pois se trata de uma exigência desproporcional, sem razoabilidade.
Princípio da Hierarquia Esse princípio estabelece as relação de coordenação e subordinação entre órgãos da Administração Pública Direta. Subordinação hierarquia é típico da funções administrativas.