DIREITO ADMINISTRATIVO
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- Terezinha Fraga Bardini
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1 ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA O Brasil constitui uma República Federativa integrada pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios que, de acordo com o Código Civil, são considerados pessoas jurídicas de direito público interno, ou seja, podem ser titulares de direitos e obrigações. A Constituição Federal em seus artigos 21, 22, 23, 24, 25 e 30 define as competências de cada um destes entes que integram a federação brasileira. Estas competências podem ser exercidas diretamente pelos entes federativos por meio de seus órgãos administrativos ou podem ser atribuídas a outras pessoas jurídicas criadas pelo Estado para exercício destas funções. No primeiro caso teremos a desconcentração administrativa, e no segundo a descentralização administrativa. Desconcentração da Administração Pública A desconcentração administrativa ocorre quando um ente federativo (União, Estado, Distrito Federal ou Municípios) reparte internamente suas competências entre diversos órgãos que o integram. A desconcentração nada mais é que uma repartição interna de competências dentro de uma mesma pessoa jurídica. A desconcentração dá origem aos órgãos administrativos que não possuem personalidade jurídica própria. Desta forma os atos provenientes dos órgãos administrativos são imputados às pessoas jurídicas na qual se encontram integrados. órgão público: Pode ser definido como um núcleo, um centro de competências estatais sem personalidade jurídica própria. Eles pertencem às pessoas jurídicas, mas não são pessoas jurídicas. São divisões internas, partes de uma pessoa governamental. Por isso também recebem o nome de repartições públicas. Por não possuíram personalidade jurídica própria, os órgãos não podem ser acionados judicialmente para responderem pelos danos que seus agentes causarem a terceiros.
2 Eventual ação de ressarcimento deverá ser realizada contra a pessoa jurídica a que integram. Além destas características, cabe destacar que entre os órgãos públicos e as pessoas jurídicas que os instituiu existe relação hierárquica, ou seja, os órgãos estão subordinados à pessoa jurídica da qual fazem parte. Descentralização da Administração Pública A descentralização se verifica quando um ente federativo (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) cria, geralmente por meio de lei, uma nova pessoa jurídica (pública ou privada) e a ela transfere uma determinada competência de sua titularidade (descentralização funcional, por serviços ou outorga). Também pode ocorrer quando o Estado transfere o exercício de uma competência a uma pessoa jurídica de direito privado previamente existente, seja por meio de um contrato ou de um ato administrativo (descentralização por colaboração). A descentralização dá origem às entidades administrativas que são pessoas jurídicas dotadas de personalidade jurídica própria, distinta daquela do ente que as criou (Art. 1º 2º, II da Lei 9.784/99). Assim, diferentemente do que ocorre em relação aos órgãos públicos aos órgãos públicos, as entidades respondem diretamente pelos atos a ela imputados.
3 Eventual ação de ressarcimento poderá ser proposta diretamente contra ela. Não existe propriamente relação de hierarquia ou subordinação entre a Administração Direta e Administração Indireta (entidades), mas sim um controle finalístico ou supervisão ministerial. Administração Direta: consideram-se Administração Direta todos os entes federativos (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) e os órgãos públicos que os integram. Administração Indireta: Autarquias, Fundações Públicas, Empresas Públicas, Sociedade de Economia Mista, Concessionárias, Permissionárias. AUTARQUIAS Segundo Alexandre Mazza são pessoas jurídicas de direito público interno, pertencentes à Administração Público Indireta, criadas por lei específica para o exercício de atividade típicas da Administração Pública. Conceito Legal: art. 5º, I, Decreto-lei nº 200/67. Ex: INSS, BACEN, IBAMA, INCRA, DETRANs.
4 Pessoas Jurídicas de Direito Público Criadas por Lei Específica (art. 37, XIX, CF) (extinção também por lei específica Princípio do Paralelismo de Forma). Dotadas de autonomia gerencial, patrimonial e orçamentária. Exercem atividades típicas da Administração Pública, mas não exercem atividade econômica. Possuem imunidade tributária. Seus bens são públicos Praticam atos administrativos Celebram contratos administrativos Responsabilidade Civil Objetiva (Administração Direta só responderá subsidiariamente) FUNDAÇÕES PÚBLICAS Fundação: No Direito Civil fundação é um patrimônio destacado por um fundador para uma finalidade específica, em regra, de cunho social. Fundação Pública: pessoa jurídica composta por um patrimônio personalizado, que presta atividade não lucrativa e atípica do Poder Público, mas de interesse coletivo, como educação, cultura, pesquisa, entre outras, sempre merecedoras de amparo estatal. Trata-se de personificação de uma finalidade. Fundação Pública x Fundação Privada Celso Antônio Bandeira de Mello A fundação pública (instituída pelo Estado) não pode se submeter ao direito privado. Maria Sylvia Zanella Di Pietro admite a existência de fundações públicas de direito público e de direito privado (posição predominante na doutrina e já respaldada pela jurisprudência do STF). Fundação Pública de Direito Público Trata-se de uma espécie do gênero autarquia. A distinção fundamental é que enquanto as autarquias são criadas para exercerem atividades típicas de Estado (fiscalização, tributação, poder de polícia) as fundações de direito público, em
5 regra são criadas para o exercício de atividades que não são típicas do Estado (podem ser exercidas tanto pelo Estado quanto pela iniciativa privada): saúde, educação, cultura, etc. É também denominada de fundação autárquica ou autarquia fundacional. Ex: FUNAI Todas as regras citadas aplicáveis às autarquias também se aplicam às fundações públicas. Fundação Pública de Direito Privado Também denominada fundação governamental. Não se submetem integralmente ao direito privado. O regime é hibrido. Sujeitam-se fiscalização contábil e financeira pelos Tribunais de Contas visto que há recursos públicos. Ex: FAUEPG, FAUEL. Criação autorizada por meio de lei. Bens são considerados privados. Sujeitas a licitações e contratos administrativos. Não possuem regime especial de contratação, estando seus agentes no regime geral, contudo, aplicam-se as regras de acumulação, teto remuneratório e são equiparados aos servidores públicos para fins penais e de improbidade administrativa. Só responderão objetivamente pelos danos causados por seus agentes se forem prestadoras de serviços públicos.
6 EMPRESAS ESTATAIS É o gênero do qual são espécie as Empresas Públicas e as Sociedades de Economia Mista. Ambas são pessoas jurídicas de direito privado criadas pelo Estado para prestar serviços públicos (Art. 175, CF) ou para desenvolver atividades econômicas (art. 173, CF). CARACTERISTICAS COMUNS Sujeitas a controle pelo Tribunal de Contas; Obrigatoriedade de realizar concurso público; Proibição de acumulação de cargos, empregos e funções públicas; Contratação de pessoal pelo regime da CLT (empregados não possuem estabilidade); Remuneração não sujeita ao teto constitucional, exceto se receberem recursos públicos para pagamento de despesa com pessoal ou de custeio em geral; Criação autorizada através de lei. EMPRESAS PÚBLICAS Pessoa jurídica de direito privado, criadas por autorização legislativa, com totalidade de capital público e regime organizacional livre (qualquer das formas admitidas em Direito). Ex: BNDES, CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, INFRAERO. Obs: as demandas judiciais que envolvam Empresas Públicas Federais serão de competência da Justiça Federal. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA São pessoas jurídicas de direito privado, criadas mediante autorização legislativa, com maioria de capital público e organizadas obrigatoriamente como sociedades anônimas. Ex: Petrobras, Banco do Brasil. Obs: Suas demandas judiciais serão de competência da justiça comum estadual.
7 REFERÊNCIA SALVAN, J; DALAZOANA, V. Direito Administrativo: Cursos Preparatórios SOMAR, 2016.
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