Rodada #1 Direito do Trabalho Professora Elisa Pinheiro Assuntos da Rodada Direito do Trabalho Princípios e fontes do Direito do Trabalho. Hierarquia das fontes do Direito do Trabalho. Direitos constitucionais dos trabalhadores (art. 7º da CF/1988). Relação de trabalho e relação de emprego: requisitos e distinção; relações de trabalho lato sensu. Sujeitos do contrato de trabalho stricto sensu: empregado e empregador: conceito e caracterização; poderes do empregador no contrato de trabalho. Grupo econômico e sua repercussão nas relações de emprego; da sucessão de empregadores: conceito, caracterização e sua implicação ao contrato de trabalho; da responsabilidade solidária por créditos trabalhistas; terceirização e flexibilização. Contrato individual de trabalho: conceito, classificação, modalidades e características. Profissões regulamentadas. Alteração do contrato de trabalho: alteração unilateral e bilateral; o jus variandi. Transferência do empregado: conceito, limitações e características. Suspensão e interrupção do contrato de trabalho: caracterização, distinção e reflexos no contrato de trabalho. Hipóteses de suspensão e de interrupção do contrato de trabalho. Rescisão do contrato de trabalho. Modalidades de rescisão do contrato de trabalho.
Aviso prévio: prazo de duração. Estabilidade e garantias provisórias de emprego: espécies de estabilidade; despedida e reintegração de empregado estável. Duração do trabalho; jornada de trabalho; períodos de descanso; intervalo para repouso e alimentação; descanso semanal remunerado: base de cálculo; trabalho noturno e trabalho extraordinário; sistema de compensação de horas. Turnos ininterruptos de revezamento: conceito e implicações no contrato de trabalho. Do teletrabalho (Lei nº 13.467/2017). Salário mínimo: irredutibilidade e garantia. Férias: direito a férias e duração; período concessivo e período aquisitivo de férias; remuneração e abono de férias; férias coletivas. Salário e remuneração: conceito e distinções; composição do salário; modalidades de salário; formas e meios de pagamento do salário; adicionais salariais; gorjetas: conceito e natureza jurídica; 13º salário. Equiparação salarial: caracterização, requisitos, excludentes; princípio da igualdade de salário; desvio e acúmulo de função. FGTS e PIS/PASEP. Prescrição e decadência: conceito, distinção e prazos. Segurança e medicina no trabalho: CIPA; atividades insalubres ou perigosas: caracterização e remuneração do trabalho insalubre e perigoso; forma de cálculo; cumulação de adicionais de insalubridade e periculosidade. Proteção ao trabalho do menor; Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/90): do direito da profissionalização e à proteção no trabalho. Proteção ao trabalho da mulher; estabilidade da gestante; licença maternidade e Lei nº 9.029/95. Direito coletivo do trabalho: liberdade sindical (Convenção nº 87 da OIT); organização sindical: conceito de categoria; categoria diferenciada; convenções e acordos coletivos de trabalho. Direito de greve; dos serviços essenciais; greve do servidor público. Comissões de conciliação prévia. Da representação dos empregados. Renúncia e transação. Dano moral nas relações de trabalho. Súmulas da Jurisprudência uniformizada do Tribunal Superior do Trabalho sobre Direito do Trabalho. Súmulas Vinculantes do Supremo Tribunal Federal relativas ao Direito do Trabalho. 2
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a. Teoria em Tópicos 1. Princípios. 1.1. Conceito. Os princípios servem não só de parâmetro para a formação de novas normas jurídicas, mas também de orientação para a interpretação e aplicação das normas já existentes. Designam a estruturação de um sistema jurídico através de uma ideia mestre que ilumina e irradia as demais normas e pensamentos acerca da matéria. 1. 1.2. Funções dos princípios. Conforme entendimento doutrinário, os princípios possuem três funções: a) Integrativa ou construtiva; b) Interpretativa; e c) Normativa. Segundo a função integrativa ou construtiva, os princípios são utilizados pelo legislador no momento da criação das leis. Exatamente por isso, dizemos que os princípios são fontes materiais do direito. Conforme a função interpretativa, sempre que houver dúvida no que se refere à interpretação da norma jurídica, os princípios serão utilizados como meio para interpretá-las. 1 CASSAR. Vólia Bomfim. Direito do Trabalho. 9ª Edição. 2014. Editora Método. (grifei). 4
De acordo com a função normativa, nas situações em que não há norma específica para ser aplicada a um caso concreto, o julgador utilizará os princípios como forma de integração. 1.3. Princípios constitucionais e gerais aplicáveis ao Direito do Trabalho. São princípios gerais e constitucionais aplicáveis ao Direito do Trabalho. 1.3.1. Princípio da boa-fé e lealdade nos contratos De acordo com o princípio da boa-fé, tanto empregado como empregador devem agir em suas relações jurídicas com lealdade e boa-fé. Tal princípio é amparado através dos arts. 113 e 422 do Código Civil de 2002 (CC/02). Vejamos: Art. 113. Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua celebração. Art. 422. Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios de probidade e boa-fé. 1.3.2. Princípio da razoabilidade. O princípio da razoabilidade diz respeito ao fato de que nas relações jurídicas, os contratantes devem utilizar-se do bom-senso sempre que a lei não normatizar determinadas situações. Tem íntima relação com o princípio da proporcionalidade. 5
Na seara trabalhista, o princípio da razoabilidade pode ser exemplificado quando o empregador for utilizar-se do seu poder disciplinar em relação ao empregado. Caso as medidas punitivas utilizadas pelo contratante, não sejam razoáveis/proporcionais, poderão ser consideradas nulas pelo Poder Judiciário. 1.3.3. Princípio da dignidade humana. O princípio da dignidade humana veda a coisificação do ser humano. Ou seja, o homem não pode ser utilizado como mero objeto para se alcançar um meio (no caso a busca incessante pelo lucro). 1.4. Princípios Específicos do Direito do Trabalho. 1.4.1. Princípio da Proteção ao Trabalhador. O princípio da proteção ou protetor ou tutelar tem por intuito a proteção do empregado, uma vez que este é considerado a parte mais frágil na relação de 6
emprego. Logo, no momento da elaboração da lei, o legislador deve ter por objetivo a melhoria da condição social do trabalhador. Assim, o princípio protetor, visa, através da legislação, estabelecer o equilíbrio na relação de trabalho, uma vez que o empregador (como regra) possui situação econômica mais vantajosa em relação ao empregado. E este por sua vez, terá a legislação a seu favor. A partir do princípio da proteção, desdobram-se três subprincípios. Vejamos: Princípio da Norma mais Favorável. Segundo o princípio da norma mais favorável, no caso de duas ou mais normas possíveis de aplicação, será utilizada a mais favorável ao trabalhador. Ainda, será aplicada a norma mais favorável ao trabalhador, independente de sua posição na escala hierárquica (o que contrária a Pirâmide de Kelsen que vocês aprendem nas aulas de Direito Constitucional). DE OLHO NA REFORMA TRABALHISTA (LEI 13.467/2017)! A Reforma Trabalhista alterou o contido no art. 620 da CLT. Vejamos o texto antes e o depois da Lei 13.467/2017: Antes: art. 620: As condições estabelecidas em Convenção quando mais favoráveis, prevalecerão sobre as estipuladas em Acordo. 7
Depois: art. 620. As condições estabelecidas em acordo coletivo de trabalho sempre prevalecerão sobre as estipuladas em convenção coletiva do trabalho. Um exemplo de acordo com a antiga redação é o seguinte: existindo Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) que tratem sobre clausulas de horas extras, o intérprete deverá analisar qual desses instrumentos (CCT e ACT) é mais benéfico ao trabalho no que se refere às horas extras, e aplicá-lo à relação empregatícia. Agora esse exemplo não é mais verdadeiro, portanto, se tivermos CCT e ACT tratando sobre horas extras, caso a CCT seja mais benéfica (neste ponto: horas extras) que a ACT, a CCT não prevalecerá sobre a ACT. Portanto a nova regra é a seguinte: ACT sempre (sempre!) prevalece sobre CCT (mesmo que a CCT tenha condições mais benéficas). Outra mitigação do princípio da norma mais favorável ao empregado, diz respeito ao art. 444, parágrafo único da CLT: Art. 444, parágrafo único. A livre estipulação a que se refere o caput deste artigo aplica-se às hipóteses previstas no art. 611-A desta Consolidação, com a mesma eficácia legal e preponderância sobre os instrumentos coletivos, no caso de empregado portador de diploma de nível superior e que perceba salário mensal igual ou superior a duas vezes o limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social. Entretanto, o parágrafo único do art. 444, CLT somente se aplicará no caso de empregado portador de diploma de nível superior e que perceba salário mensal igual ou superior a 2 vezes o limite máximo dos benefícios do RGPS. Por fim, cabe esclarecer a flexibilização contida no art. 611-A da CLT. Vejamos: 8
Art. 611-A. A convenção coletiva e o acordo coletivo de trabalho, observados os incisos III e VI do caput do art. 8º da Constituição, têm prevalência sobre a lei quando, entre outros, dispuserem sobre: I - pacto quanto à jornada de trabalho, observados os limites constitucionais; II - banco de horas anual; III - intervalo intrajornada, respeitado o limite mínimo de trinta minutos para jornadas superiores a seis horas; IV - adesão ao Programa Seguro-Emprego (PSE), de que trata a Lei n o 13.189, de 19 de novembro de 2015; V - plano de cargos, salários e funções compatíveis com a condição pessoal do empregado, bem como identificação dos cargos que se enquadram como funções de confiança; VI - regulamento empresarial; VII - representante dos trabalhadores no local de trabalho; VIII - teletrabalho, regime de sobreaviso, e trabalho intermitente; IX - remuneração por produtividade, incluídas as gorjetas percebidas pelo empregado, e remuneração por desempenho individual; X - modalidade de registro de jornada de trabalho; XI - troca do dia de feriado; XII - enquadramento do grau de insalubridade e prorrogação de jornada em locais insalubres, incluída a possibilidade de contratação de perícia, afastada a licença prévia das autoridades competentes do Ministério do Trabalho, desde que 9
respeitadas, na integralidade, as normas de saúde, higiene e segurança do trabalho previstas em lei ou em normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho; XIV - prêmios de incentivo em bens ou serviços, eventualmente concedidos em programas de incentivo; XV - participação nos lucros ou resultados da empresa. TOME NOTA! O princípio da norma mais favorável ao trabalhador não é absoluto. Isso porque não se aplica quando existirem normas de ordem pública ou de caráter proibitivo. Pessoal, a maneira de se identificar a norma mais favorável se dá através de processos de comparação entre as normas existentes que tratem do mesmo objeto da controvérsia. E a respeito disso, temos as seguintes teorias a respeito da forma de aplicação das normas mais favoráveis: 10
Princípio da Condição mais Benéfica. De acordo com o princípio da condição mais benéfica ou mais favorável ao empregador, serão asseguradas aos trabalhadores, as vantagens conquistadas durante o contrato de trabalho. Assim, se, por exemplo, o empregador oferece por mera liberalidade almoço gratuitamente para seus empregados, não poderá, em momento futuro, cortar tal benefício. E é exatamente em decorrência desse princípio que se aduz que as normas contratuais que têm por objetivo a proteção do trabalhador, são vistas como direito adquirido. O que significa dizer que se estas normas vierem a sofrer alterações em prejuízo ao trabalhador, uma vez revogadas ou alteradas, só alcançarão os trabalhadores admitidos após a revogação ou alteração. A súmula nº 51 do TST é um exemplo do princípio da condição mais benéfica. Vejamos: Súmula 51 do TST. Norma regulamentar. Vantagens e opção pelo novo regulamento. Art. 468 da CLT. I - As cláusulas regulamentares, que revoguem ou alterem vantagens deferidas anteriormente, só atingirão os trabalhadores admitidos após a revogação ou alteração do regulamento. II - Havendo a coexistência de dois regulamentos da empresa, a opção do empregado por um deles tem efeito jurídico de renúncia às regras do sistema do outro. DE OLHO NA REFORMA TRABALHISTA (LEI 13.467/2017)! Não devemos nos esquecer do novel art. 611-A que nos apresenta uma série de conjunturas nas quais prevalecerão os dispostos nas negociações coletivas, mesmo que mais desfavoráveis ao obreiro. 11
Princípio in dubio pro operario. O princípio do in dubio pro operario (ou pro misero) assemelha-se ao princípio do Direito Penal in dubio pro reo. Assim, havendo dúvida, deverá ser aplicada a lei de maneira mais benéfica ao trabalhador. 1.5. Princípio da imperatividade das normas trabalhistas. De acordo com esse princípio, as normas trabalhistas devem prevalecer nas relações de emprego. Logo, é vedada (como regra) a declaração de vontade por parte do empregado e empregador, que tenha objetivo de afastar as partes das normas trabalhistas. Assim, o princípio da imperatividade das normas trabalhistas enaltece o fato de que no Direito do Trabalho prevalecem as normas cogentes (públicas), restringindo a autonomia das partes no que diz respeito à modificação das cláusulas contratuais previstas no contrato de trabalho. Exemplo: não podem as partes (empregado e empregador) reduzir as férias do obreiro de 30 dias para 20 dias. DE OLHO NA REFORMA TRABALHISTA (LEI 13.467/2017)! Este princípio também será mitigado em decorrência do disposto no art. 611-A da CLT, pois valoriza o negociado sobre o legislado, inclusive, ampliando as hipóteses de acordo individual entre empregador e empregado. 1.6. Princípio da primazia da realidade. 12
Segundo o princípio da primazia da realidade, os fatos prevalecem sobre a forma. O que significa que em havendo discrepância entre a realidade e aquilo que está documentado, deverá prevalecer a realidade. Exemplo: na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) do trabalhador consta como se ele auferisse salário no importe de R$1.000,00 (um mil reais). Todavia, ele recebe R$2.000,00. E tal fato pode ser facilmente constatado através dos depósitos que a empregadora realiza na conta bancária do empregado ou através de testemunhas que presenciavam o pagamento deste trabalhador. Na situação em comento, deverá ocorrer a retificação da CTPS do empregado para constar o salário de R$2.000,00, além do mais, as verbas trabalhistas (férias, 13º, etc.) devem ser pagas sobre este valor. 1.7. Princípio da inalterabilidade contratual lesiva ao empregado. O princípio da inalterabilidade contratual lesiva ao empregado tem por intuito proteger os trabalhadores contra alterações lesivas no contrato de trabalho, feitas pelo empregador, que possam suprimir ou reduzir os direitos e vantagens do empregado. Desta forma, em regra, são vedadas as alterações no contrato de trabalho que tragam prejuízos ao empregado. Se as alterações forem favoráveis, não há nenhum óbice. DE OLHO NA REFORMA TRABALHISTA (LEI 13.467/2017)! O princípio da inalterabilidade contratual lesiva ao empregado também foi mitigado pela Reforma Trabalhista. Portanto, temos, entre outras situações, as seguintes exceções a este princípio: 13
i. Art. 611-A, CLT trata da flexibilização dos direitos trabalhistas via negociação coletiva. ii. Art. 468, 2º CLT - possibilidade de suprimir a gratificação de função de confiança mesmo após 10 anos. 1.8. Princípio da continuidade da relação de emprego. Em conformidade com o princípio da continuidade da relação de emprego, os contratos de trabalho vigem por tempo indeterminado. Assim, a regra presumida é a de que os contratos sejam pactuados por prazo indeterminado, passando o obreiro a integrar a estrutura da empresa de forma permanente, somente por exceção admitindo-se o contrato por prazo determinado ou a termo. 2. Tal princípio encontra, inclusive, amparo constitucional. Vejamos: Art. 7º da CRFB/88. São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: I - relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos. A esse respeito, também já se pronunciou o TST: Súmula nº 212 do TST - Ônus da Prova - Término do Contrato de Trabalho - Princípio da Continuidade 2 SARAIVA. Renato. Direito do Trabalho Série Concursos Públicos. Editora Método. 15ª Edição. 2013. (grifei). 14
O ônus de provar o término do contrato de trabalho, quando negados a prestação de serviço e o despedimento, é do empregador, pois o princípio da continuidade da relação de emprego constitui presunção favorável ao empregado. Portanto, caso exista controvérsia sobre a modalidade de dispensa, nesta situação, cabe ao empregador provar que a iniciativa de dispensa partiu do próprio obreiro. Isso porque o princípio da continuidade de emprego consiste em presunção favorável ao trabalhador. 1.9. Princípio da irrenunciabilidade dos Direitos Trabalhistas. Segundo o princípio da irrenunciabilidade dos direitos trabalhistas (ou princípio da indisponibilidade de direitos ou princípio da inderrogabilidade ou princípio da imperatividade das normas trabalhistas), os direitos trabalhistas são (em regra), irrenunciáveis, indisponíveis e inderrogáveis. E isso se deve ao fato de as normas trabalhistas possuírem caráter imperativo. Ou seja, são normas de ordem pública (cogentes) e, por isso, os direitos que elas asseguram não são passiveis de livre disposição pelo empregado. Neste sentido: Art. 9º - Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação. DE OLHO NA REFORMA TRABALHISTA (LEI 13.467/2017)! O art. 444 do Texto Celetista informa que as relações contratuais de trabalho podem ser objeto de livre estipulação das partes interessadas em tudo quanto não contravenha às disposições de proteção ao trabalho, aos contratos coletivos que lhes sejam aplicáveis e às decisões das autoridades competentes. Ou seja, é a regra contida no 15
princípio da irrenunciabilidade dos direitos trabalhistas (limitação à autonomia da vontade quando da elaboração ou alteração das cláusulas contratuais trabalhistas). Todavia, em contrapartida, o parágrafo único (incluído pela Lei 13.467/2017) do art. 444 aduz que: a livre estipulação a que se refere o caput deste artigo aplica-se às hipóteses previstas no art. 611-A desta Consolidação, com a mesma eficácia legal e preponderância sobre os instrumentos coletivos, no caso de empregado portador de diploma de nível superior e que perceba salário mensal igual ou superior a duas vezes o limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social.. Assim, percebemos que essa limitação à autonomia da vontade nas relações trabalhistas é mitigada pelo parágrafo único, art. 444 da CLT. 1.10. Princípio da intangibilidade ou irredutibilidade salarial. Princípio com previsão constitucional no art. 7º, VI da CF/88 e normatização no art. 468 da CLT. Vejamos: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: VI - irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo. Entretanto, em regra, é vedado reduzir o salário, exceção ocorre nos casos em que existir acordo ou convenção coletiva dispondo em contrário. Art. 468 - Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento, e ainda assim desde que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia. 16
Também, a intangibilidade tem por intuito a proteção do salário do empregado contra os seus credores. Portanto, intangibilidade é a proteção salarial contra descontos não previstos em lei. Neste sentido, são possíveis descontos na remuneração do empregado, como é o caso da pensão alimentícia, contribuição previdenciária, dedução do imposto de renda, empréstimos bancários, entre outros, desde que autorizados legalmente. DE OLHO NA REFORMA TRABALHISTA (LEI 13.467/2017)! Em decorrência da Reforma Trabalhista, se for pactuada cláusula que reduza o salário ou a jornada, a convenção coletiva ou o acordo coletivo de trabalho deverão prever a proteção dos empregados contra dispensa imotivada durante o prazo de vigência do instrumento coletivo (art. 611-A, 3º, CLT). 2. Fontes do Direito do Trabalho. 2.1. Conceito de Fontes. Em termos gerais a expressão fonte significa início ou o princípio do qual surge o Direito. Desta feita, fonte em termos jurídicos designa a origem das normas jurídicas. 2.2. Classificação das Fontes. 17
2.3. Fontes Materiais. As fontes materiais são aqueles acontecimentos em âmbito social e político que servem para inpirar os legisladores quando da elaboração da leis. Desta forma, as fontes materiais se encontram em um momento anterior às fontes formais, uma vez que contribuem para a formação do direito material. Ou seja, contribuem para a formação do direito positivo de um Estado. Um exemplo muito comum de fontes materiais são as greves realizadas pelos trabalhadores em busca de novas e melhores condições de trabalho. 2.4. Fontes Formais. As fontes formais são aqueles comandos gerais, abstratos, imperativos e impessoais que conferem à norma jurídica um caráter de positividade e por isso obrigam os agentes sociais. ATENÇÃO! Fonte formal não significa norma escrita e sim norma positiva, ou seja, aquela que tem força coercitiva sobre seus destinatários. O costume é fonte formal assim como o é a lei. Assim, por exemplo, a gorjeta recebida pelo garçom é parcela espontânea, pois a lei não obriga ninguém a fazê-lo, mas o cliente do restaurante se sente coagido a tanto. 3. 2.4.1. Fontes Formais Autônomas. 3 CASSAR. Vólia Bomfim. Direito do Trabalho. 9ª Edição. 2014. Editora Método. (grifei). 18
As fontes formais autônomas ou diretas ou não estatais ou primárias ou profissionais (para o caso do Direito do Trabalho) são aquelas elaboradas pelos agentes sociais sem a intervenção do Estado. Assim, para a sua criação, as fontes formais autônomas contam com a participação direta dos destinatários das regras produzidas e sem a participação do Estado (através, por exemplo, dos legisladores como é o caso dos Senadores e Deputados Federais). São fontes formais autônomas: a) Convenção Coletiva de Trabalho; b) Acordo Coletivo de Trabalho; c) Regulamento de empresa; e d) Usos e Costumes. Convenção Coletiva e Acordo Coletivo. A convenção coletiva de trabalho é o acordo firmado entre o sindicato profissional (dos trabalhadores) e o sindicato da categoria econômica (dos empregadores). Vejamos o que diz o art. 611 da CLT a respeito: Art. 611. Convenção Coletiva de Trabalho é o acordo de caráter normativo, pelo qual dois ou mais Sindicatos representativos de categorias econômicas e profissionais estipulam condições de trabalho aplicáveis, no âmbito das respectivas representações, às relações individuais de trabalho. 19
Por sua vez, o acordo coletivo de trabalho é o acordo firmado entre o sindicato profissional (dos trabalhadores) e o empregador da categoria econômica, conforme art. 611, 1º da CLT. Art. 611, 1º. É facultado aos Sindicatos representativos de categorias profissionais celebrar Acordos Coletivos com uma ou mais empresas da correspondente categoria econômica, que estipulem condições de trabalho, aplicáveis no âmbito da empresa ou das acordantes respectivas relações de trabalho. Diante de tais premissas, os Acordos Coletivos de Trabalho (ACT) e as Convenções Coletivas de Trabalho (CCT) são fontes formais autônomas do Direito do Trabalho porque criam normas jurídicas a partir da intervenção direta dos seus destinatários. No caso em questão os destinatários da ACT são os sindicatos dos trabalhadores e o empregador. E os destinatários da CCT são os sindicatos dos empregados (categoria profissional) e os sindicatos dos empregadores (categoria econômica). PEGADINHA! Pessoal, muito cuidado, porque em provas os examinadores costumam trocar os conceitos de ACT e CCT. Assim, vocês têm que ter me mente que a relação jurídica entre os destinatários se dá da seguinte forma: CCT = sindicato profissional E sindicato econômico. ACT = sindicato profissional E empregador diretamente. 20
Regulamento de empresa. O regulamento de empresa ou regimento interno ou regulamento de fábrica ou regulamento de serviço é o ato normativo decorrente do poder diretivo do empregador. Ou seja, o regulamento de empresa consiste no conjunto de normas espontaneamente confeccionadas pelo empregador, com o intuito de estruturar e organizar internamente a empresa. Há de se salientar, que a doutrina diverge se o regulamento de empresa é ou não fonte do direito. Assim, parcela doutrinária entende que o regulamento de empresa não é fonte do Direito, uma vez que consiste apenas em condições gerais do contrato, no qual adere o empregado. Contudo, a corrente majoritária afirma que o regulamento de empresa é fonte do direito, se as regras constantes nele tiverem natureza geral e impessoal. Inclusive, as bancas examinadoras de concursos têm considerado o mesmo entendimento. Usos e Costumes. empresa. O costume consiste na prática reiterada de uma conduta numa dada região ou Um claro exemplo de costume é caso das gorjetas, pois em que pese não existir previsão expressa que obrigue o seu pagamento, grande parte das pessoas que frequentam estabelecimentos que as cobrem, pagam. E esta deverá ser repassada para os empregados (conforme art. 460 da CLT). Art. 460. Na falta de estipulação do salário ou não havendo prova sobre a importância ajustada, o empregado terá direito a perceber salário igual ao daquela 21
que, na mesma empresa, fizer serviço equivalente ou do que for habitualmente pago para serviço semelhante. Mas cuidado para não confundir uso com costume. Abaixo transcrevo uma perfeita conceituação dada pelo Ministro e doutrinador Maurício Godinho Delgado. Vejamos: Por uso entende-se a prática habitual adotada no contexto de uma relação jurídica específica, envolvendo as específicas partes componentes dessa relação e produzindo, em consequência, efeitos exclusivamente no delimitado âmbito dessas mesmas partes. Nessa acepção, o uso não emerge como ato-regra não sendo, portanto, norma jurídica. Tem, assim, o caráter de simples cláusula tacitamente ajustada na relação jurídica entre as partes envolvidas (cláusula contratual).. Por costume entende-se, em contrapartida, a prática habitual adotada no contexto mais amplo de certa empresa, categoria, região, etc., firmando um modelo ou critério de conduta geral, impessoal, aplicável ad futurum a todos os trabalhadores integrados no mesmo tipo de contexto. Os costumes têm, assim, caráter inquestionável de atos-regra, isto é, normas jurídicas. Fonte: Maurício Godinho Delgado. Curso de Direito do Trabalho. 11ª Edição. 2012. LTR, (grifo nosso). 2.4.2. Fontes Formais Heterônomas. As fontes heterônomas ou estatais ou imperativas são aquelas que para a sua criação, contam com a participação direta do Estado (que as criam ou intervém em sua elaboração). Assim, as fontes heterônomas são provenientes da atividade estatal. São fontes formais heterônomas: 22
a) Constituição; b) Leis (em geral); c) Sentença normativa; d) Súmulas vinculantes; e) Sentença arbitral; e f) Tratados e convenções internacionais ratificadas pelo Brasil. Constituição. A constituição é quem confere fundamento e eficácia a todas as demais regras existentes em nosso ordenamento pátrio. Assim, a constituição é a lei fundamental e suprema, isso porque estabelece a organização dos Poderes, a distribuição das competências e os direitos e garantias individuais. E como fruto do poder constituinte, trata-se de norma heterônoma, uma vez que há a participação estatal. Leis (em geral). As leis são frutos do Poder Legislativo, logo, são normas formais heterônomas, uma vez que há a participação direita do Estado. Nesta noção de lei incluímos as leis complementares, as leis ordinárias, as leis delegadas, os decretos-legislativos, os decretos ou regulamento que visam garantir o cumprimento da lei e das medidas provisórias (art. 84, VI, alíneas a e b da CF/88), as medidas provisórias, etc. 23
Assim, como quando da criação das leis há a intervenção direta ou indireta do Estado, as leis são consideradas fontes formais heterônomas do direito. Sentença normativa. É por meio das sentenças normativas que os tribunais finalizam o conflito coletivo e criam novas condições de trabalho. Assim, as sentenças normativas consistem em sentenças proferidas em dissídios coletivos, conforme art. 114, 2º, da CF/88. Art. 114, 2º Recusando-se qualquer das partes à negociação coletiva ou à arbitragem, é facultado às mesmas, de comum acordo, ajuizar dissídio coletivo de natureza econômica, podendo a Justiça do Trabalho decidir o conflito, respeitadas as disposições mínimas legais de proteção ao trabalho, bem como as convencionadas anteriormente. Neste sentido, as sentenças normativas são consideradas fontes formais heterônomas do Direito do Trabalho porque criam normas genéricas, impessoais e abstratas para a categoria a que se destinam. Exemplo: Inicia-se greve dos metalúrgicos na cidade Ouro Branco/MG. Todavia, o sindicato dos empregados e a empresa não conseguem chegar a um acordo no que diz respeito à jornada de trabalho e salários. Portanto, o dissídio coletivo é instaurado com o intuito de que o Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região venha a solucionar o impasse. Logo, o TRT 3ª Região, criará novas condições de trabalho para o caso em tela. Súmulas vinculantes. 24
A súmula vinculante consiste no posicionamento majoritário do Supremo Tribunal Federal (STF) e tem por escopo proporcionar segurança jurídica aos julgamentos futuros, conforme art. 103-A da CF/88. As súmulas vinculantes possuem efeito vinculante porque os juízes não poderão decidir de forma contrária a essas decisões sumuladas. Sentença arbitral. A arbitragem consiste em uma forma de solução de conflito coletivo realizada por um terceiro estranho à relação negocial, chamado de árbitro. o impasse. O árbitro é livremente escolhido pelos interessados e com poder decisório sobre Logo, é o árbitro quem exercerá o juízo arbitral, proferindo sentença que colocará fim ao litígio e, por tal razão, a sentença arbitral é considerada como fonte formal heterônoma. Tratados e convenções internacionais ratificadas pelo Brasil. Os tratados e convenções internacionais somente serão considerados fontes formais heterônomas do direito se forem ratificados pelo Brasil, momento em que ingressam no ordenamento jurídico com natureza de lei ordinária. Brasil. Exemplo: Convenções da Organização Internacional do Trabalho ratificadas pelo Por fim, destaco abaixo, um quadro para melhor visualização das fontes formais e de quem emanam. Vejamos: 25
Constituição Atos do Poder Legislativo Leis Decretos Legislativos Fontes Formais Fontes Heterônomas Atos do Poder Executivo Medida Provisória Decreto Portaria Atos do Poder Sentença Judiciário Normativa Convenção coletiva de trabalho Fontes Autônomas Acordo Coletivo de Trabalho Regulamento de Empresa 2.4.2.. Figuras polêmicas quanto à sua classificação como fontes formais. Jurisprudência. Jurisprudência consiste na interpretação reiterada pelos tribunais às normas jurídicas, a partir do julgamento de casos concretos levados à apreciação do Poder Judiciário. DE OLHO NA REFORMA TRABALHISTA (LEI 13.467/2017)! 26
Existia certa divergência se a jurisprudência seria ou não fonte formal do direito. Entretanto, a Reforma Trabalhista adicionou o 2º ao art. 8º da CLT, de forma que as súmulas e enunciados de jurisprudência não são fontes de direito. Vejamos: Art. 8º, 2 o Súmulas e outros enunciados de jurisprudência editados pelo Tribunal Superior do Trabalho e pelos Tribunais Regionais do Trabalho não poderão restringir direitos legalmente previstos nem criar obrigações que não estejam previstas em lei. Princípios. direito. Existe enorme celeuma sobre a natureza dos princípios como fontes formais do Assim, a doutrina de cunho positivista (doutrina tradicional) entende que os princípios possuem apenas função integrativa. Logo, não possuem força normativa autônoma e como consequência, não são fontes formais do direito. Por outro lado, conforme doutrina pós-positivista, os princípios são dotados de forma normativa, e por isso, são fontes formais do direito. Todavia, se for cobrado em concursos, acredito que o mais correto é tratar os princípios como fontes supletivas do direito. Ademais é o entendimento que tem prevalecido em provas. Inclusive, para afirmar tal colocação, o próprio art. 8º da CLT inclui a os princípios como fonte supletiva. Vejamos: Art. 8º - As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, na falta de disposições legais ou contratuais, decidirão, conforme o caso, pela jurisprudência, por analogia, por eqüidade e outros princípios e normas gerais de direito, principalmente do direito do trabalho, e, ainda, de acordo com os usos e costumes, o 27
direito comparado, mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevaleça sobre o interesse público. Doutrina. A doutrina não é considerada fonte do Direito, pois não vincula os magistrados e demais operadores do Direito. Ademais, a doutrina não é elencada nem como fonte subsidiaria (supletiva) do Direito através do art. 8º do Texto Celetista e nem no art. 4º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB). Equidade. A equidade não é fonte formal do Direito e sim método de interpretação e aplicação da norma jurídica. Todavia, apesar de não ser considerada fonte formal, a equidade é tida como fonte material no Direito do Trabalho brasileiro, devido à existência do poder normativo de Justiça do Trabalho., (Ricardo Resende. Direito do Trabalho Esquematizado. 4ª Edição. 2014. Editora Método). Analogia. A analogia é um método de integração da norma jurídica. Logo, não é fonte do Direito, apesar de citada em textos legais que fazem referência às fontes supletivas do Direito. 28
Contrato de Trabalho. O próprio contrato individual de trabalho, ao prever e estipular uma série de direitos e deveres às partes que figuram na relação de emprego pode ser visto como uma fonte formal do Direito do Trabalho, embora referido entendimento não seja unânime na doutrina.. Obviamente, no caso, não se verificam os requisitos da generalidade e abstração, por ser o contrato de trabalho firmado com o empregado, individualmente. No entanto, entendendo-se fonte formal de modo mais ampliativo, englobando todos os modos de materialização de direitos, pode-se incluir o contrato individual de trabalho no respectivo rol, por conter norma individual e concreta.. Fonte: Gustavo Felipe Barbosa. Curso de Direito do Trabalho. 8ª Edição. 2014. Editora Forense. 2.4.3. Fontes estatais e extraestatais. As fontes estatais são aquelas em que o Estado participa direta ou indiretamente da elaboração da norma. Exemplos: Constituição, leis (em sentido amplo) e sentenças normativas. Por sua vez, as fontes extraestatais são aquelas em que não há a participação do Estado. Pelo contrário, são oriundas das próprias partes. Exemplo: regulamento de empresa, o costume, a convenção e o acordo coletivo. 2.4.4. Fontes voluntárias e imperativas. Aqui a classificação das fontes formais leva em conta a vontade das partes. Desta forma, quanto à vontade das pessoas, as fontes se classificam em: 29
a) Voluntárias; e b) Interpretativas; As fontes voluntárias são aquelas que dependem da vontade dos interessados para a sua elaboração. Exemplo: convenção e o acordo coletivo de trabalho. Por sua vez, as fontes imperativas são aquelas impostas pela atuação direta ou indireta do Estado. Exemplo: Constituição, Leis, sentença normativa, etc. 2.5. Hierarquia entre as Fontes de Natureza Trabalhista. Em regra, de acordo com a pirâmide Kelsiana (pirâmide de Kelsen) existe uma hierarquia entre as normas, prevalecendo a Constituição no ápice, e as demais normas, em graus decrescentes, conforme verificamos abaixo: Todavia, no Direito do Trabalho, por força do princípio da norma mais favorável, aplica-se a fonte mais favorável aos trabalhadores, mesmo que esta seja de hierarquia inferior a norma menos favorável, salvo nos casos em que há norma proibitiva estatal. 30
Exemplo: A CF prevê remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em 50% à do normal. Entretanto, se a Convenção Coletiva rezar que o serviço extraordinário será pago em 100% à da hora normal, prevalecerá a Convenção Coletiva, pois mais benéfica ao trabalhador. 2.6. Demais alterações no art. 8º da CLT. DE OLHO NA REFORMA TRABALHISTA (LEI 13.467/2017)! O conteúdo original do art. 8º da CLT foi substancialmente alterado. Vejamos: 2.6.1. Aplicação subsidiária do direito comum ao direito do trabalho. Antes da reforma trabalhista, o art. 8º, parágrafo único da CLT informava que: o direito comum será fonte subsidiária do direito do trabalho, naquilo em que não for incompatível com os princípios fundamentais deste. Entretanto, o parágrafo único foi transformado no 1º com a seguinte redação: o direito comum será fonte subsidiária do direito do trabalho. Diante de tais premissas, muitos autores afirmam que o art. 8º, 1º da CLT retirará a exigência de compatibilidade entre a norma de aplicação subsidiária e os princípios norteadores do Direito do Trabalho. 2.6.2. Princípio da intervenção mínima na autonomia coletiva. Foi acrescentado ao art. 8º o 3º que nos informa: No exame de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho, a Justiça do Trabalho analisará exclusivamente a conformidade dos elementos essenciais do negócio jurídico, respeitado o disposto no art. 31
104 da Lei n o 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), e balizará sua atuação pelo princípio da intervenção mínima na autonomia da vontade coletiva. Portanto, o dispositivo em comento limita a atuação do Poder Judiciário no que tange aos instrumentos coletivos de trabalho. 32
b. Mapas mentais 33
34
c. Revisão 1 QUESTÃO 01. 2016 FCC- TRT - 20ª REGIÃO (SE) - TÉCNICO JUDICIÁRIO ADMINISTRATIVA. Considere: I. A obrigação de comprovar o término do contrato de trabalho quando negado o despedimento é do empregador. II. A descaracterização de um contrato de prestação de serviços de trabalhador sob sistema de cooperativa, desde que presentes os requisitos fático-jurídicos da relação empregatícia. III. As cláusulas regulamentares que alterem vantagens deferidas anteriormente, só atingirão os trabalhadores admitidos após a alteração do regulamento. Os itens I, II e III correspondem, respectivamente, aos princípios do Direito do Trabalho: a) continuidade da relação de emprego; irrenunciabilidade; razoabilidade. b) razoabilidade; primazia da realidade; intangibilidade salarial. c) continuidade da relação de emprego; primazia da realidade; condição mais benéfica. d) primazia da realidade; condição mais benéfica; instrumentalidade das formas. e) irrenunciabilidade; continuidade da relação de emprego; prevalência do negociado sobre o legislado. 35
QUESTÃO 02. 2016 FCC - TRT - 14ª REGIÃO (RO E AC) - TÉCNICO JUDICIÁRIO - ÁREA ADMINISTRATIVA. A doutrina dominante classifica como fontes formais autônomas do Direito do Trabalho: a) a Constituição Federal e as Medidas Provisórias. b) as Portarias do Ministério do Trabalho e Emprego MTE. c) os fatos sociais e políticos que contribuíram para formação e a substância das normas jurídicas trabalhistas. d) os acordos coletivos de trabalho e as convenções coletivas de trabalho. e) as greves de trabalhadores em busca de melhores condições de trabalho. QUESTÃO 03. 2016 FCC - TRT - 14ª REGIÃO (RO E AC) - ANALISTA JUDICIÁRIO - OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR FEDERAL. A relação objetiva evidenciada pelos fatos define a verdadeira relação jurídica estipulada pelos contratantes, ou seja, em matéria trabalhista, importa o que ocorre na prática mais do que as partes pactuaram, em forma mais ou menos expressa, ou o que se insere em documentos, formulários e instrumentos de contrato. Tal enunciado corresponde ao princípio específico do Direito do Trabalho: a) Condição mais benéfica. b) Primazia da realidade. c) Intangibilidade contratual lesiva. d) Busca do pleno emprego. 36
e) Continuidade da relação de emprego. QUESTÃO 04. 2016 FCC - TRT - 14ª REGIÃO (RO E AC) - ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA O Tribunal Superior do Trabalho editou a Súmula de Jurisprudência de n 212, segundo a qual o ônus de provar o término do contrato de trabalho, quando negados a prestação de serviço e o despedimento, é do empregador, pois determinado princípio do Direito do Trabalho constitui presunção favorável ao empregado. O referido princípio é o da a) indisponibilidade dos direitos trabalhistas. b) continuidade da relação de emprego. c) flexibilização das normas trabalhistas. d) intangibilidade salarial. e) primazia da realidade. QUESTÃO 05. 2016 FCC - TRT - 14ª REGIÃO (RO E AC) - ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA. O termo fonte do direito é empregado metaforicamente no sentido de origem primária do direito ou fundamento de validade da ordem jurídica. No Direito do Trabalho, o estudo das fontes é de relevada importância, subdividindo-se em algumas modalidades. Assim sendo, considera-se fonte formal heterônoma do Direito do Trabalho: 37
a) As convenções coletivas de trabalho firmadas entre sindicatos de categorias profissional e econômica. b) Os acordos coletivos de trabalho firmados entre uma determinada empresa e o sindicato da categoria profissional. c) As greves de trabalhadores por reajuste salarial de toda a categoria. d) Os fenômenos sociais, políticos e econômicos que inspiram a formação das normas juslaborais. e) A sentença normativa proferida em dissídio coletivo. QUESTÃO 06. 2015 FCC - TRT - 9ª REGIÃO (PR) - TÉCNICO JUDICIÁRIO - ÁREA ADMINISTRATIVA Considere: I. As convenções coletivas e os acordos coletivos de trabalho são exemplos de fontes formais autônomas do Direito do Trabalho. II. A legislação trabalhista faz referência aos costumes como fonte integradora do Direito do Trabalho. III. A jurisprudência não é considerada fonte formal de Direito do Trabalho, uma vez que não há previsão legal para sua utilização, bem como se refere apenas a casos concretos e específicos. Está correto o que se afirma em: a) I e II, apenas. b) III, apenas. 38
c) I, II e III. d) I e III, apenas. e) II, apenas. QUESTÃO 07. 2015 FCC - TRT - 4ª REGIÃO (RS) - ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA Em sentido genérico, 'fontes do direito' consubstancia a expressão metafórica para designar a origem das normas jurídicas. Na Teoria Geral do Direito do Trabalho, são consideradas fontes formais autônomas: a) fatores econômicos e geopolíticos. b) fatores sociais e religiosos. c) Constituição Federal e leis complementares. d) medidas provisórias e jurisprudência. e) acordo coletivo de trabalho e convenção coletiva de trabalho. 39
d. Revisão 2 QUESTÃO 08. 2015 FCC - TRT - 4ª REGIÃO (RS) - ANALISTA JUDICIÁRIO - OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR FEDERAL. A sentença normativa é a decisão proferida por um Tribunal do Trabalho em um dissídio coletivo, estabelecendo uma regra geral, abstrata e impessoal que vai reger às relações entre trabalhadores e empregadores de uma determinada categoria, sendo classificada no Direito do Trabalho como, a) fonte material heterônoma. b) fonte formal autônoma. c) regra de hermenêutica e não fonte do direito. d) fonte formal heterônoma. e) fonte material profissional. QUESTÃO 09. 2014 - FCC - TRT 19ª REGIÃO (AL) - ANALISTA JUDICIÁRIO ÁREA JUDICIÁRIA. A relação objetiva evidenciada pelos fatos define a verdadeira relação jurídica estipulada pelos contratantes, ainda que prevista de forma diversa em documento firmado pelas partes. Trata-se do princípio a) in dubio pro operario. b) primazia da realidade. 40
c) eventualidade. d) dispositivo. e) presunções favoráveis ao trabalhador. QUESTÃO 10. 2014 FCC - TRT 12ª REGIÃO (SC) - ANALISTA JUDICIÁRIO ÁREA JUDICIÁRIA/2014. A doutrina clássica conceitua os princípios como sendo proposições que se colocam na base de uma ciência, informando-a. Nesse contexto, é INCORRETO afirmar que o Direito Individual do Trabalho adota como regra o princípio da a) norma mais favorável ao trabalhador. b) imperatividade das normas trabalhistas. c) intangibilidade salarial. d) disponibilidade dos direitos trabalhistas. e) continuidade da relação de emprego. QUESTÃO 11. 2014 FCC - TRT 11ª REGIÃO (AM) - ANALISTA JUDICIÁRIO ÁREA JUDICIÁRIA. O Juiz do Trabalho pode privilegiar a situação de fato que ocorre na prática, devidamente comprovada, em detrimento dos documentos ou do rótulo conferido à relação de direito material. Tal assertiva, no Direito do Trabalho, refere-se ao princípio da a) irrenunciabilidade. 41
b) intangibilidade salarial. c) continuidade. d) primazia da realidade. e) proteção. QUESTÃO 12. 2014 - FCC - TRT 16ª REGIÃO (MA) - ANALISTA JUDICIÁRIO ÁREA JUDICIÁRIA. No tocante as fontes do Direito do Trabalho considere: I. As fontes formais traduzem a exteriorização dos fatos por meio da regra jurídica. II. São fontes formais do Direito do Trabalho as portarias ministeriais e a Constituição Federal brasileira. III. A sentença normativa e as leis são fontes materiais autônomas. Está correto o que se afirma APENAS em: a) I e II. b) I e III. c) II e III. d) III. e) II. QUESTÃO 13. 2013 - FCC - TRT 15ª REGIÃO (CAMPINAS) - TÉCNICO JUDICIÁRIO ÁREA ADMINISTRATIVA ADAPTADA. 42
No tocante às fontes do Direito, considere: I. Fontes formais são as formas de exteriorização do direito, como por exemplo, as leis e costumes. II. A sentença normativa é uma fonte heterônoma do Direito do Trabalho. III. A Convenção Coletiva de Trabalho, quanto à origem, classifica-se como uma fonte estatal. Está correto o que se afirma APENAS em: a) I. b) II. c) III. d) I e III. e) I e II. QUESTÃO 14 2013 FCC - TRT 5ª REGIÃO (BA) - TÉCNICO JUDICIÁRIO ÁREA ADMINISTRATIVA. Conforme previsão expressa contida na Consolidação das Leis do Trabalho, a Justiça do Trabalho, na falta de disposições legais ou contratuais, decidirá conforme o caso, NÃO podendo utilizar como fonte supletiva do Direito do Trabalho a) a jurisprudência. b) os usos e costumes. 43
c) valores sociais da livre iniciativa. d) os princípios gerais do Direito. e) a analogia e equidade. 44
e. Revisão 3 QUESTÃO 15. 2013 - TRT 18ª REGIÃO (GO) - ANALISTA JUDICIÁRIO OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR. Em relação aos princípios e fontes do Direito do Trabalho, é INCORRETO afirmar que; a) a analogia, os usos e costumes não são considerados fontes do direito do trabalho, por falta de previsão legal. b) o princípio da primazia da realidade prevê a importância dos fatos em detrimento de informações contidas nos documentos. c) o direito do trabalho se orienta pelo princípio da continuidade da relação de emprego. d) o acordo coletivo e a convenção coletiva de trabalho são fontes formais do direito do trabalho. e) a Consolidação das Leis do Trabalho prevê que a jurisprudência é fonte subsidiária do Direito do Trabalho. QUESTÃO 16 2013 - FCC - TRT 12ª REGIÃO (SC) - ANALISTA JUDICIÁRIO ÁREA JUDICIÁRIA. No estudo das fontes e princípios do Direito do Trabalho, a) a CLT relaciona expressamente a jurisprudência como fonte supletiva, a ser utilizada pelas autoridades administrativas e pela Justiça do Trabalho em caso de omissão da norma positivada. 45
b) o direito comum será fonte primária e concorrente com o direito do trabalho quando houver alguma omissão da legislação trabalhista, conforme norma expressa da CLT. c) a sentença normativa não é considerada fonte formal do direito do trabalho porque é produzida em dissídio coletivo e atinge apenas as categorias envolvidas no conflito. d) o princípio da aplicação da norma mais favorável aplica-se no direito do trabalho para garantia dos empregos, razão pela qual, independente de sua posição hierárquica, deve ser aplicada a norma mais conveniente aos interesses da empresa. e) o princípio da primazia da realidade do direito do trabalho estabelece que os aspectos formais prevalecem sobre a realidade, ou seja, a verdade formal se sobrepõe à verdade real. QUESTÃO 17. 2012 - FCC PGM-JOÃO PESSOA - PB/PROCURADOR MUNICIPAL. As Convenções e Acordos Coletivos são fontes a) heterônomas, classificadas quanto a sua origem como fontes extraestatais e profissionais. b) autônomas, classificadas quanto a sua origem como fontes estatais. c) autônomas, classificadas quanto a sua origem como fontes extraestatais e profissionais. d) heterônomas, classificadas quanto à vontade das pessoas como fontes imperativas. e) autônomas, classificadas quanto à vontade das pessoas como fontes imperativas. 46
QUESTÃO 18 2012 FCC - TST/ANALISTA JUDICIÁRIO ÁREA JUDICIÁRIA. A descaracterização de uma pactuada relação civil de prestação de serviços, desde que no cumprimento do contrato se verifiquem os elementos fáticos e jurídicos da relação de emprego, é autorizada pelo princípio do Direito do Trabalho denominado a) inalterabilidade contratual. b) primazia da realidade sobre a forma. c) continuidade da relação de emprego. d) intangibilidade salarial. e) boa-fé contratual. QUESTÃO 19. 2012 FCC - TRT 6ª REGIÃO (PE)/TÉCNICO JUDICIÁRIO ÁREA JUDICIÁRIA. O Regulamento da empresa BOA revogou vantagens deferidas a trabalhadores em Regulamento anterior. Neste caso, segundo a Súmula 51 do TST, as cláusulas regulamentares, que revoguem ou alterem vantagens deferidas anteriormente, só atingirão os trabalhadores admitidos após a revogação ou alteração do regulamento. Em matéria de Direito do Trabalho, esta Súmula trata, especificamente, do Princípio da a) Razoabilidade. b) Indisponibilidade dos Direitos Trabalhistas. c) Imperatividade das Normas Trabalhistas. d) Dignidade da Pessoa Humana. 47
e) Condição mais benéfica. QUESTÃO 20 2012 FCC - TRT 6ª REGIÃO (PE)/ANALISTA JUDICIÁRIO ÁREA ADMINISTRATIVA. Com relação às Fontes do Direito do Trabalho, considere: I. A Lei Ordinária que prevê disposições a respeito do 13º salário é uma fonte material autônoma. II. As fontes heterônomas decorrem do exercício da autonomia privada, ou seja, sujeitos distintos do Estado possuem a faculdade de editar. III. O contrato individual de emprego é uma fonte autônoma. IV. A Convenção Coletiva de Trabalho é uma fonte autônoma. Está correto o que se afirma APENAS em a) III e IV. b) I, II e III. c) I, II e IV. d) I e III. e) II e IV. QUESTÃO 21. 2011 FCC - TRT 20ª REGIÃO (SE)/ANALISTA JUDICIÁRIO EXECUÇÃO DE MANDADOS. 48
O princípio que possui como propósito tentar corrigir desigualdades, criando uma superioridade jurídica em favor do empregado diante da sua condição de hipossuficiente é especificamente o princípio da a) dignidade da pessoa humana. b) condição mais benéfica. c) primazia da realidade. d) proteção. e) boa-fé. 49
f. Normas comentadas Consolidação das Leis do Trabalho CLT. Art. 8º - As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, na falta de disposições legais ou contratuais, decidirão, conforme o caso, pela jurisprudência, por analogia, por eqüidade e outros princípios e normas gerais de direito, principalmente do direito do trabalho, e, ainda, de acordo com os usos e costumes, o direito comparado, mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevaleça sobre o interesse público. 1 o O direito comum será fonte subsidiária do direito do trabalho. 2 o Súmulas e outros enunciados de jurisprudência editados pelo Tribunal Superior do Trabalho e pelos Tribunais Regionais do Trabalho não poderão restringir direitos legalmente previstos nem criar obrigações que não estejam previstas em lei. 3 o No exame de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho, a Justiça do Trabalho analisará exclusivamente a conformidade dos elementos essenciais do negócio jurídico, respeitado o disposto no art. 104 da Lei n o 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), e balizará sua atuação pelo princípio da intervenção mínima na autonomia da vontade coletiva. (Devemos nos manter atentos ao fato de que o caput do art. 8º, possibilita a aplicação dos princípios norteadores do Direito do Trabalho, assim como as fontes de direito, etc., com o intuito de suprir as lacunas.) CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988. Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: 50
VI - irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo. Súmulas, Orientações Jurisprudências e demais enunciados do TST: Súmula nº 212 do TST - Ônus da Prova - Término do Contrato de Trabalho - Princípio da Continuidade O ônus de provar o término do contrato de trabalho, quando negados a prestação de serviço e o despedimento, é do empregador, pois o princípio da continuidade da relação de emprego constitui presunção favorável ao empregado. 51
g. Gabarito 1 2 3 4 5 C D B B E 6 7 8 9 10 A E D B D 11 12 13 14 15 D A E C A 16 17 18 19 20 A C B E A 21 *** *** *** *** D *** *** *** *** 52
h. Breves comentários às questões QUESTÃO 01. 2016 FCC- TRT - 20ª REGIÃO (SE) - TÉCNICO JUDICIÁRIO ADMINISTRATIVA. Considere: I. A obrigação de comprovar o término do contrato de trabalho quando negado o despedimento é do empregador. O item I corresponde ao princípio da continuidade da relação de emprego, segundo o qual, em regra, o contrato de trabalho rege-se por tempo indeterminado. Ademais, a Súmula nº 212 do TST, reforça o princípio em comento. Vejamos: Súmula nº 212, TST: O ônus de provar o término do contrato de trabalho, quando negados a prestação de serviço e o despedimento, é do empregador, pois o princípio da continuidade da relação de emprego constitui presunção favorável ao empregado. II. A descaracterização de um contrato de prestação de serviços de trabalhador sob sistema de cooperativa, desde que presentes os requisitos fático-jurídicos da relação empregatícia. O item II corresponde ao princípio da primazia da realidade, segundo o qual a verdade dos fatos prevalece sobre a verdade forma, ou seja, a verdade documental. III. As cláusulas regulamentares que alterem vantagens deferidas anteriormente, só atingirão os trabalhadores admitidos após a alteração do regulamento. O item III corresponde ao princípio da condição mais benéfica (espécie do gênero princípio da proteção). Neste sentido, vejamos o que diz a súmula nº 51, item I Do TST: 53
I - As cláusulas regulamentares, que revoguem ou alterem vantagens deferidas anteriormente, só atingirão os trabalhadores admitidos após a revogação ou alteração do regulamento. (ex-súmula nº 51 - RA 41/1973, DJ 14.06.1973). Os itens I, II e III correspondem, respectivamente, aos princípios do Direito do Trabalho: a) continuidade da relação de emprego; irrenunciabilidade; razoabilidade. b) razoabilidade; primazia da realidade; intangibilidade salarial. c) continuidade da relação de emprego; primazia da realidade; condição mais benéfica. d) primazia da realidade; condição mais benéfica; instrumentalidade das formas. e) irrenunciabilidade; continuidade da relação de emprego; prevalência do negociado sobre o legislado. Resposta: C QUESTÃO 02. 2016 FCC - TRT - 14ª REGIÃO (RO E AC) - TÉCNICO JUDICIÁRIO - ÁREA ADMINISTRATIVA. A doutrina dominante classifica como fontes formais autônomas do Direito do Trabalho: a) a Constituição Federal e as Medidas Provisórias. Item errado, pois a Constituição Federal e as Medidas Provisórias são fontes formais heterônomas. b) as Portarias do Ministério do Trabalho e Emprego MTE. 54
Item errado, pois as Portarias do Ministério do Trabalho e Emprego são fontes formais heterônomas. c) os fatos sociais e políticos que contribuíram para formação e a substância das normas jurídicas trabalhistas. Item errado, pois os fatos sociais e políticos que contribuíram para formação e a substância das normas jurídicas trabalhistas são fontes materiais. d) os acordos coletivos de trabalho e as convenções coletivas de trabalho. Item certo, pois os acordos coletivos de trabalho e as convenções coletivas de trabalho são fontes formais autônomas. e) as greves de trabalhadores em busca de melhores condições de trabalho. Item errado, pois as greves de trabalhadores em busca de melhores condições de trabalho são fontes materiais. Resposta: D QUESTÃO 03. 2016 FCC - TRT - 14ª REGIÃO (RO E AC) - ANALISTA JUDICIÁRIO - OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR FEDERAL. A relação objetiva evidenciada pelos fatos define a verdadeira relação jurídica estipulada pelos contratantes, ou seja, em matéria trabalhista, importa o que ocorre na prática mais do que as partes pactuaram, em forma mais ou menos expressa, ou o que se insere em documentos, formulários e instrumentos de contrato. Tal enunciado corresponde ao princípio específico do Direito do Trabalho: a) Condição mais benéfica. 55
Item errado, pois de acordo com o princípio da condição mais benéfica, serão asseguradas aos trabalhadores, as vantagens conquistadas durante o contrato de trabalho. Assim, se, por exemplo, o empregador oferece por mera liberalidade almoço gratuitamente para seus empregados, não poderá em momento futuro, cortar tal benefício. b) Primazia da realidade. Item certo, pois segundo o princípio da primazia da realidade, os fatos prevalecem sobre a forma. O que significa que em havendo discrepância entre a realidade e aquilo que está documentado, deverá prevalecer a realidade. c) Intangibilidade contratual lesiva. Item errado, pois segundo tal princípio, em regra, o contrato não pode ser alterado para pior. d) Busca do pleno emprego. Item errado. Previsto no art. 170, VIII, CF/88. Vejamos: Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: VIII - busca do pleno emprego. e) Continuidade da relação de emprego. Item errado, pois em conformidade com o princípio da continuidade da relação de emprego, os contratos de trabalho vigem por tempo indeterminado. Assim, a regra presumida é a de que os contratos sejam pactuados por prazo indeterminado, passando o obreiro a integrar a estrutura da empresa de forma permanente, somente por exceção admitindo-se o contrato por prazo determinado ou 56
a termo., (Renato Saraiva. Direito do Trabalho Série Concursos Públicos. Editora Método. 15ª Edição. 2013), (grifo nosso). Resposta: B QUESTÃO 04. 2016 FCC - TRT - 14ª REGIÃO (RO E AC) - ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA O Tribunal Superior do Trabalho editou a Súmula de Jurisprudência de n 212, segundo a qual o ônus de provar o término do contrato de trabalho, quando negados a prestação de serviço e o despedimento, é do empregador, pois determinado princípio do Direito do Trabalho constitui presunção favorável ao empregado. O referido princípio é o da a) indisponibilidade dos direitos trabalhistas. b) continuidade da relação de emprego. c) flexibilização das normas trabalhistas. d) intangibilidade salarial. e) primazia da realidade. Item B certo, pois em conformidade com o princípio da continuidade da relação de emprego, os contratos de trabalho vigem por tempo indeterminado. Assim, a regra presumida é a de que os contratos sejam pactuados por prazo indeterminado, passando o obreiro a integrar a estrutura da empresa de forma permanente, somente por exceção admitindo-se o contrato por prazo determinado ou a termo., (Renato Saraiva. Direito do Trabalho Série Concursos Públicos. Editora Método. 15ª Edição. 2013), (grifo nosso). 57
Ademais, vejamos o que diz a súmula nº 212, TST: Súmula 212 TST O ônus de provar o término do contrato de trabalho, quando negados a prestação de serviço e o despedimento, é do empregador, pois o princípio da continuidade da relação de emprego constitui presunção favorável ao empregado. Resposta: B QUESTÃO 05. 2016 FCC - TRT - 14ª REGIÃO (RO E AC) - ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA. O termo fonte do direito é empregado metaforicamente no sentido de origem primária do direito ou fundamento de validade da ordem jurídica. No Direito do Trabalho, o estudo das fontes é de relevada importância, subdividindo-se em algumas modalidades. Assim sendo, considera-se fonte formal heterônoma do Direito do Trabalho: a) As convenções coletivas de trabalho firmadas entre sindicatos de categorias profissional e econômica. Item errado, pois aqui temos fontes formais autônomas. b) Os acordos coletivos de trabalho firmados entre uma determinada empresa e o sindicato da categoria profissional. Item errado, pois aqui temos fontes formais autônomas. c) As greves de trabalhadores por reajuste salarial de toda a categoria. Item errado, pois aqui temos fontes materiais. 58
d) Os fenômenos sociais, políticos e econômicos que inspiram a formação das normas juslaborais. Item errado, pois aqui temos fontes materiais. e) A sentença normativa proferida em dissídio coletivo. Item certo, pois estamos diante de uma fonte formal heterônoma. Resposta: E QUESTÃO 06. 2015 FCC - TRT - 9ª REGIÃO (PR) - TÉCNICO JUDICIÁRIO - ÁREA ADMINISTRATIVA Considere: I. As convenções coletivas e os acordos coletivos de trabalho são exemplos de fontes formais autônomas do Direito do Trabalho. Item certo, lembrando que as fontes formais autônomas para a sua criação, contam com a participação direta dos destinatários das regras produzidas e sem a participação do Estado (através, por exemplo, dos legisladores como é o caso dos Senadores e Deputados Federais). II. A legislação trabalhista faz referência aos costumes como fonte integradora do Direito do Trabalho. Item certo, lembrando que o costume consiste na prática reiterada de uma conduta numa dada região ou empresa. Um claro exemplo de costume é caso das gorjetas, pois em que pese não existir previsão expressa que obrigue o seu pagamento, grande parte das pessoas que frequentam estabelecimentos que as cobrem, pagam e esta deverá ser repassada para os empregados (conforme art. 460 da CLT). 59
III. A jurisprudência não é considerada fonte formal de Direito do Trabalho, uma vez que não há previsão legal para sua utilização, bem como se refere apenas a casos concretos e específicos. Item errado, pois Jurisprudência consiste na interpretação reiterada pelos tribunais às normas jurídicas, a partir do julgamento de casos concretos levados à apreciação do Poder Judiciário. Existe certa divergência se a jurisprudência seria ou não fonte formal do direito. Entretanto, doutrina majoritária considera que a jurisprudência será considerada fonte do direito se for reiterada, como nos casos das Súmulas do Colendo Tribunal Superior do Trabalho (C. TST). Inclusive, para afirmar tal colocação, o próprio art. 8º da CLT inclui a jurisprudência como fonte supletiva. Está correto o que se afirma em: a) I e II, apenas. b) III, apenas. c) I, II e III. d) I e III, apenas. e) II, apenas. Resposta: A QUESTÃO 07. 2015 FCC - TRT - 4ª REGIÃO (RS) - ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA Em sentido genérico, 'fontes do direito' consubstancia a expressão metafórica para designar a origem das normas jurídicas. Na Teoria Geral do Direito do Trabalho, são consideradas fontes formais autônomas: 60
a) fatores econômicos e geopolíticos. b) fatores sociais e religiosos. c) Constituição Federal e leis complementares. d) medidas provisórias e jurisprudência. e) acordo coletivo de trabalho e convenção coletiva de trabalho. Item E certo. As fontes formais autônomas ou diretas ou não estatais ou primárias ou profissionais (para o caso do Direito do Trabalho) são aquelas elaboradas pelos agentes sociais sem a intervenção do Estado. Assim, as fontes formais autônomas para a sua criação, contam com a participação direta dos destinatários das regras produzidas e sem a participação do Estado (através, por exemplo, dos legisladores como é o caso dos Senadores e Deputados Federais). São fontes formais autônomas: e) Convenção Coletiva de Trabalho; f) Acordo Coletivo de Trabalho; g) Regulamento de empresa; e h) Usos e Costumes. Resposta: E QUESTÃO 08. 2015 FCC - TRT - 4ª REGIÃO (RS) - ANALISTA JUDICIÁRIO - OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR FEDERAL. 61
A sentença normativa é a decisão proferida por um Tribunal do Trabalho em um dissídio coletivo, estabelecendo uma regra geral, abstrata e impessoal que vai reger às relações entre trabalhadores e empregadores de uma determinada categoria, sendo classificada no Direito do Trabalho como, a) fonte material heterônoma. b) fonte formal autônoma. c) regra de hermenêutica e não fonte do direito. d) fonte formal heterônoma. e) fonte material profissional. Item D certo, pois é por meio das sentenças normativas que os tribunais finalizam o conflito coletivo e criam novas condições de trabalho. Neste sentido, as sentenças normativas são consideradas fontes formais heterônomas do Direito do Trabalho porque criam normas genéricas, impessoais e abstratas para a categoria a que se destinam. Resposta: D QUESTÃO 09. 2014 - FCC - TRT 19ª REGIÃO (AL) - ANALISTA JUDICIÁRIO ÁREA JUDICIÁRIA. A relação objetiva evidenciada pelos fatos define a verdadeira relação jurídica estipulada pelos contratantes, ainda que prevista de forma diversa em documento firmado pelas partes. Trata-se do princípio a) in dubio pro operario. 62
Item errado, pois este princípio, corolário do princípio da proteção ao trabalhador, recomenda que o intérprete deve optar, quando estiver diante de uma norma que comporte mais de uma interpretação razoável e distinta, por aquela que seja mais favorável ao trabalhador, já que este é a parte fraca da relação. Ou seja, quando emergir da norma dúvida a respeito da sua interpretação, desde que seja razoável, o exegeta deverá optar por aquela que beneficiar o hipossuficiente, (Vólia Bomfim Cassar. Direito do Trabalho. 9ª Edição. 2014. Editora Método), (grifo nosso). b) primazia da realidade. Item certo, pois De acordo com o princípio da primazia da realidade, prevalecerá a verdade real sobre a verdade formal ou documental. Assim, se o contrato de trabalho mascara as reais condições da prestação de serviço pelo trabalhador, o instrumento do contrato de trabalho será desconsiderado para prevalecer a realidade. Exemplo: empregado contratado para exercer a função de auxiliar de cozinha e recebendo como tal. Mas na realidade, exercia a função de cozinheiro (função mais bem remunerada que a de auxiliar de cozinha). Provada tal situação, deverá prevalecer a função de cozinheiro e todos os seus benefícios (como salário maior da de auxiliar de cozinha). c) eventualidade. Item errado, pois o princípio em comento é à seara processual e não ao Direito do Trabalho (área material). De acordo com o princípio da eventualidade, a parte deverá exercer plenamente sua faculdade de manifestação, esgotando seu direito no momento próprio e especificamente estabelecido por lei, sob pena de perder este direito. d) dispositivo. Item errado, pois o princípio do dispositivo é também conhecido como princípio da inércia, segundo o qual o processo começa por iniciativa da parte. Não é inerente ao Direito do Trabalho. 63
e) presunções favoráveis ao trabalhador. Item errado. Previsto na súmula 212 do TST, in verbis: Súmula nº 212 do TST - Ônus da Prova - Término do Contrato de Trabalho - Princípio da Continuidade O ônus de provar o término do contrato de trabalho, quando negados a prestação de serviço e o despedimento, é do empregador, pois o princípio da continuidade da relação de emprego constitui presunção favorável ao empregado. Resposta: B QUESTÃO 10. 2014 FCC - TRT 12ª REGIÃO (SC) - ANALISTA JUDICIÁRIO ÁREA JUDICIÁRIA/2014. A doutrina clássica conceitua os princípios como sendo proposições que se colocam na base de uma ciência, informando-a. Nesse contexto, é INCORRETO afirmar que o Direito Individual do Trabalho adota como regra o princípio da a) norma mais favorável ao trabalhador. Item certo, pois o princípio da norma mais favorável é um princípio do Direito do Trabalho, no qual autoriza o interpreta da lei a aplicar a norma mais benéfica ao trabalhador, mesmo que essa lei esteja em posição hierárquica inferior no sistema jurídico. Observação: A Reforma Trabalhista alterou o contido no art. 620 da CLT. Vejamos o texto antes e o depois da Lei 13.467/2017: Antes: art. 620: As condições estabelecidas em Convenção quando mais favoráveis, prevalecerão sobre as estipuladas em Acordo. 64
Depois: art. 620. As condições estabelecidas em acordo coletivo de trabalho sempre prevalecerão sobre as estipuladas em convenção coletiva do trabalho. Portanto a nova regra é a seguinte: ACT sempre (sempre!) prevalece sobre CCT (mesmo que a CCT tenha condições mais benéficas. b) imperatividade das normas trabalhistas. Item certo, pois segundo o princípio da irrenunciabilidade dos direitos trabalhistas (ou princípio da indisponibilidade de direitos ou princípio da inderrogabilidade ou princípio da imperatividade das normas trabalhistas), os direitos trabalhistas são (em regra), irrenunciáveis, indisponíveis e inderrogáveis. E isso se deve ao fato de as normas trabalhistas possuírem caráter de imperatividade. Ou seja, são normas de ordem pública (cogentes) e por isso, os direitos que elas asseguram não são passiveis de livre disposição pelo empregado. c) intangibilidade salarial. Item certo, pois a intangibilidade significa proteção dos salários contra descontos não previstos em lei. A intangibilidade tem como fundamento a proteção do salário do trabalhador contra seus credores. As inúmeras exceções estão expressamente previstas em lei, tais como: o pagamento de pensão alimentícia, a dedução de imposto de renda, contribuição previdenciária, contribuição sindical, empréstimos bancários, utilidades e outros., (Vólia Bomfim Cassar. Direito do Trabalho. 9ª Edição. 2014. Editora Método). d) disponibilidade dos direitos trabalhistas. Item errado, pois o correto não é disponibilidade e sim indisponibilidade dos direitos trabalhistas. Assim, segundo o princípio da irrenunciabilidade dos direitos trabalhistas (ou princípio da indisponibilidade de direitos ou princípio da inderrogabilidade ou princípio da 65
imperatividade das normas trabalhistas), os direitos trabalhistas são (em regra), irrenunciáveis, indisponíveis e inderrogáveis. Ademais, a indisponibilidade inata aos direitos trabalhistas constitui-se talvez no veículo principal utilizado pelo Direito do Trabalho para tentar igualizar, no plano jurídico, a assincronia clássica existente entre os sujeitos da relação socioeconômica de emprego. O aparente contingenciamento da liberdade obreira que resultaria da observância desse principio desponta, na verdade, como o instrumento hábil a assegurar efetiva liberdade no contexto da relação empregatícia: e que aquele contingenciamento atenua ao sujeito individual obreiro a inevitável restrição de vontade que naturalmente tem perante o sujeito coletivo empresarial., (Maurício Godinho Delgado. Curso de Direito do Trabalho. 11ª Edição. 2012. LTR). e) continuidade da relação de emprego. Item certo, em conformidade com o princípio da continuidade da relação de emprego, os contratos de trabalho vigem por tempo indeterminado. Resposta: D QUESTÃO 11. 2014 FCC - TRT 11ª REGIÃO (AM) - ANALISTA JUDICIÁRIO ÁREA JUDICIÁRIA. O Juiz do Trabalho pode privilegiar a situação de fato que ocorre na prática, devidamente comprovada, em detrimento dos documentos ou do rótulo conferido à relação de direito material. Tal assertiva, no Direito do Trabalho, refere-se ao princípio da a) irrenunciabilidade. 66
Item errado, pois segundo o princípio da irrenunciabilidade dos direitos trabalhistas (ou princípio da indisponibilidade de direitos ou princípio da inderrogabilidade ou princípio da imperatividade das normas trabalhistas), os direitos trabalhistas são (em regra), irrenunciáveis, indisponíveis e inderrogáveis. E isso se deve ao fato de as normas trabalhistas possuírem caráter de imperatividade. Ou seja, são normas de ordem pública (cogentes) e por isso, os direitos que elas asseguram não são passiveis de livre disposição pelo empregado. b) intangibilidade salarial. Item errado, pois a intangibilidade tem por intuito a proteção do salário do empregado contra os seus credores. Assim, intangibilidade é a proteção salarial contra descontos não previstos em lei. Neste sentido, são possíveis descontos na remuneração do empregado, como é o caso da pensão alimentícia, contribuição previdenciária, dedução do imposto de renda, empréstimos bancarias, entre outros, desde que autorizados legalmente. c) continuidade. Item errado, pois a relação de emprego, como regra geral, tende a ser duradoura, em face da própria natureza humana que impulsiona o homem na busca do equilíbrio e da estabilidade de suas relações em sociedade. Imagina-se que o empregado, quando aceita um emprego, pretenda neste permanecer por tempo indefinido. Esta é a noção de engajamento do empregado na empresa. Em virtude disto, a regra geral quanto ao prazo do contrato de emprego é que este é indeterminado e a exceção é o contrato a termo. Por isto, o contrato a termo deve ser expresso (art. 29 da CLT). Não havendo prova do ajuste de vigência do pacto, a presunção é de que o contrato de trabalho é indeterminado. 67
Fonte: Vólia Bomfim Cassar. Direito do Trabalho. 9ª Edição. 2014. Editora Método. d) primazia da realidade. Item certo, pois segundo o princípio da primazia da realidade, os fatos prevalecem sobre a forma. O que significa que em havendo discrepância entre a realidade e aquilo que está documentado, deverá prevalecer a realidade. e) proteção. Item errado, pois o princípio da proteção ou protetor ou tutelar tem por intuito a proteção do empregador, uma vez que este é considerado a parte mais frágil na relação de empregado. Logo, no momento da elabora da lei, o legislador deve ter por objetivo a melhoria da condição social do trabalhador. Assim, o princípio protetor, visa, através da legislação, estabelecer o equilíbrio na relação de trabalho, uma vez que o empregador (como regra) possui situação econômica mais vantajosa em relação ao empregado. E este por sua vez, terá a legislação a seu favor. Resposta: D QUESTÃO 12. 2014 - FCC - TRT 16ª REGIÃO (MA) - ANALISTA JUDICIÁRIO ÁREA JUDICIÁRIA. No tocante as fontes do Direito do Trabalho considere: I. As fontes formais traduzem a exteriorização dos fatos por meio da regra jurídica. Item certo, pois as fontes formais exteriorizam as normas jurídicas. Assim, as fontes formais são aqueles comandos gerais, abstratos, imperativos e impessoais que conferem à norma jurídica um caráter de positividade e por isso obrigam os agentes sociais. 68
II. São fontes formais do Direito do Trabalho as portarias ministeriais e a Constituição Federal brasileira. Item certo, pois no âmbito do Direito do Trabalho, as Portarias Ministeriais exercem função de elevada importância. Os arts. 155, I, e 200 da CLT, por exemplo, autorizam o Ministério do Trabalho e Emprego a expedir ato normativo para tratar de questões relacionadas com a medicina, segurança e higiene do trabalho, assim consideradas as normas destinadas à proteção da vida e saúde do trabalhador., (José Cairo Jr. Coleção OAB Vol. 8. Direito e Processo do Trabalho. 2014. 2ª Ed. Editora Juspodivm). III. A sentença normativa e as leis são fontes materiais autônomas. Item errado, pois as sentenças normativas e as leis são fontes heterônomas. Ademais, as fontes heterônomas ou estatais ou imperativas são aquelas que para a sua criação contam com a participação direta do Estado, que as criam ou intervém em sua elaboração. Está correto o que se afirma APENAS em: a) I e II. b) I e III. c) II e III. d) III. e) II. Resposta: A QUESTÃO 13. 2013 - FCC - TRT 15ª REGIÃO (CAMPINAS) - TÉCNICO JUDICIÁRIO ÁREA ADMINISTRATIVA ADAPTADA. 69
No tocante às fontes do Direito, considere: I. Fontes formais são as formas de exteriorização do direito, como por exemplo, as leis e costumes. Item certo, pois as fontes formais são a exteriorização das normas jurídicas, ou seja, as fontes formais são normas de observância obrigatória pela sociedade. Todos devem cumpri-las, pois são imperativas. Exemplo: convenção, acordo coletivo e leis., (Henrique Correia. Direito do Trabalho para os concursos de Analista do TRT e MPU. 5ª Edição. 2014. Editora Juspodivm), (grifo nosso). II. A sentença normativa é uma fonte heterônoma do Direito do Trabalho. Item certo, pois as fontes heterônomas ou estatais ou imperativas são aquelas que para a sua criação contam com a participação direta do Estado, que as criam ou intervém em sua elaboração. Assim, as fontes heterônomas contam com a atividade direta estatal. São fontes formais heterônomas: a) Constituição; b) Leis (em geral); c) Sentença normativa; d) Súmulas vinculantes; e) Sentença arbitral; e f) Tratados e convenções internacionais ratificadas pelo Brasil. III. A Convenção Coletiva de Trabalho, quanto à origem, classifica-se como uma fonte estatal. 70
Item errado, pois a Convenção Coletiva de Trabalho não se classifica como fonte estatal. Desta forma, a convenção coletiva de trabalho é o acordo firmado entre o sindicato profissional (dos trabalhadores) e o sindicato da categoria econômica (dos empregadores). E como verificamos, não há nesta situação a presença direta ou indireta do Estado. Está correto o que se afirma APENAS em: a) I. b) II. c) III. d) I e III. e) I e II. Resposta: E QUESTÃO 14 2013 FCC - TRT 5ª REGIÃO (BA) - TÉCNICO JUDICIÁRIO ÁREA ADMINISTRATIVA. Conforme previsão expressa contida na Consolidação das Leis do Trabalho, a Justiça do Trabalho, na falta de disposições legais ou contratuais, decidirá conforme o caso, NÃO podendo utilizar como fonte supletiva do Direito do Trabalho a) a jurisprudência. b) os usos e costumes. c) valores sociais da livre iniciativa. 71
d) os princípios gerais do Direito. e) a analogia e equidade. Item C errado, pois como percebemos a partir da leitura do art. 8º da CLT, os valores sociais do livre iniciativa não é uma fonte do direito do trabalho. Art. 8º - As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, na falta de disposições legais ou contratuais, decidirão, conforme o caso, pela jurisprudência, por analogia, por eqüidade e outros princípios e normas gerais de direito, principalmente do direito do trabalho, e, ainda, de acordo com os usos e costumes, o direito comparado, mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevaleça sobre o interesse público. Resposta: C QUESTÃO 15. 2013 - TRT 18ª REGIÃO (GO) - ANALISTA JUDICIÁRIO OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR. Em relação aos princípios e fontes do Direito do Trabalho, é INCORRETO afirmar que; a) a analogia, os usos e costumes não são considerados fontes do direito do trabalho, por falta de previsão legal. Item errado, pois os usos e os costume são fontes supletivas (subsidiárias) do Direito, inclusive consignados no art. 8º da CLT. Vejamos: Art. 8º - As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, na falta de disposições legais ou contratuais, decidirão, conforme o caso, pela jurisprudência, por analogia, por eqüidade e outros princípios e normas gerais de direito, principalmente do direito do trabalho, e, ainda, de acordo com os usos e costumes, o 72
direito comparado, mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevaleça sobre o interesse público. Por sua vez, a analogia é um método de integração da norma jurídica. Logo, não é fonte do Direito, apesar de citada em textos legais que fazem referência às fontes supletivas do Direito. b) o princípio da primazia da realidade prevê a importância dos fatos em detrimento de informações contidas nos documentos. Item certo, pois segundo o princípio da primazia da realidade, os fatos prevalecem sobre a forma. O que significa que em havendo discrepância entre a realidade e aquilo que está documentado, deverá prevalecer a realidade. c) o direito do trabalho se orienta pelo princípio da continuidade da relação de emprego. Item certo, pois em conformidade com o princípio da continuidade da relação de emprego, os contratos de trabalho vigem por tempo indeterminado. Assim, a regra presumida é a de que os contratos sejam pactuados por prazo indeterminado, passando o obreiro a integrar a estrutura da empresa de forma permanente, somente por exceção admitindo-se o contrato por prazo determinado ou a termo., (Renato Saraiva. Direito do Trabalho Série Concursos Públicos. Editora Método. 15ª Edição. 2013), (grifo nosso). Tal princípio encontra, inclusive, amparo constitucional. Vejamos: Art. 7º da CRFB/88. São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: 73
I - relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos. A esse respeito, também já se pronunciou o TST: Súmula nº 212 do TST - Ônus da Prova - Término do Contrato de Trabalho - Princípio da Continuidade O ônus de provar o término do contrato de trabalho, quando negados a prestação de serviço e o despedimento, é do empregador, pois o princípio da continuidade da relação de emprego constitui presunção favorável ao empregado. d) o acordo coletivo e a convenção coletiva de trabalho são fontes formais do direito do trabalho. Item certo, pois o acordo coletivo e a convenção coletiva são consideradas fontes formais heterônomas do Direito do Trabalho. e) a Consolidação das Leis do Trabalho prevê que a jurisprudência é fonte subsidiária do Direito do Trabalho. Item certo, pois a doutrina majoritária considera que a jurisprudência será considerada fonte do direito se for reiterada, como nos casos das Súmulas do Colendo Tribunal Superior do Trabalho (C. TST). Inclusive, para afirmar tal colocação, o próprio art. 8º da CLT inclui a jurisprudência como fonte supletiva. Vejamos: Art. 8º - As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, na falta de disposições legais ou contratuais, decidirão, conforme o caso, pela jurisprudência, por analogia, por eqüidade e outros princípios e normas gerais de direito, principalmente do direito do trabalho, e, ainda, de acordo com os usos e costumes, o 74
direito comparado, mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevaleça sobre o interesse público. Resposta: A QUESTÃO 16 2013 - FCC - TRT 12ª REGIÃO (SC) - ANALISTA JUDICIÁRIO ÁREA JUDICIÁRIA. No estudo das fontes e princípios do Direito do Trabalho, a) a CLT relaciona expressamente a jurisprudência como fonte supletiva, a ser utilizada pelas autoridades administrativas e pela Justiça do Trabalho em caso de omissão da norma positivada. Item certo, pois a Jurisprudência consiste na interpretação reiterada pelos tribunais às normas jurídicas, a partir do julgamento de casos concretos levados à apreciação do Poder Judiciário. Destaca-se que existe certa divergência se a jurisprudência seria ou não fonte formal do direito. Entretanto, doutrina majoritária considera que a jurisprudência será considerada fonte do direito se for reiterada, como nos casos das Súmulas do Colendo Tribunal Superior do Trabalho (C. TST). Inclusive, para afirmar tal colocação, o próprio art. 8º da CLT inclui a jurisprudência como fonte supletiva. Vejamos: Art. 8º - As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, na falta de disposições legais ou contratuais, decidirão, conforme o caso, pela jurisprudência, por analogia, por eqüidade e outros princípios e normas gerais de direito, principalmente do direito do trabalho, e, ainda, de acordo com os usos e costumes, o 75
direito comparado, mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevaleça sobre o interesse público. b) o direito comum será fonte primária e concorrente com o direito do trabalho quando houver alguma omissão da legislação trabalhista, conforme norma expressa da CLT. Item errado, pois conforme art. 8º, 1º, CLT. O direito comum será fonte subsidiária do direito do trabalho. c) a sentença normativa não é considerada fonte formal do direito do trabalho porque é produzida em dissídio coletivo e atinge apenas as categorias envolvidas no conflito. Item errado, pois as sentenças normativas são consideradas fontes formais heterônomas do Direito do Trabalho porque criam normas genéricas, impessoais e abstratas para a categoria a que se destinam. d) o princípio da aplicação da norma mais favorável aplica-se no direito do trabalho para garantia dos empregos, razão pela qual, independente de sua posição hierárquica, deve ser aplicada a norma mais conveniente aos interesses da empresa. Item errado, pois no Direito do Trabalho, por força do princípio da norma mais favorável, aplica-se a fonte mais favorável aos trabalhadores, mesmo que esta seja de hierarquia inferior a norma menos favorável, salvo nos casos em que há norma proibitiva estatal. Entretanto, lembrem-se que a ACT sempre (sempre!) prevalece sobre CCT (mesmo que a CCT tenha condições mais benéficas). e) o princípio da primazia da realidade do direito do trabalho estabelece que os aspectos formais prevalecem sobre a realidade, ou seja, a verdade formal se sobrepõe à verdade real. 76
Item errado, pois segundo o princípio da primazia da realidade, os fatos prevalecem sobre a forma. O que significa que em havendo discrepância entre a realidade e aquilo que está documentado, deverá prevalecer a realidade. Assim, prevalece a verdade real e não a verdade formal. Resposta: A QUESTÃO 17. 2012 - FCC PGM-JOÃO PESSOA - PB/PROCURADOR MUNICIPAL. As Convenções e Acordos Coletivos são fontes a) heterônomas, classificadas quanto a sua origem como fontes extraestatais e profissionais. b) autônomas, classificadas quanto a sua origem como fontes estatais. c) autônomas, classificadas quanto a sua origem como fontes extraestatais e profissionais. d) heterônomas, classificadas quanto à vontade das pessoas como fontes imperativas. e) autônomas, classificadas quanto à vontade das pessoas como fontes imperativas. Item C certo. Assim, as convenções e acordos coletivos de trabalho são fontes: a) Autônomas porque não são criados com interferência do Estado, mas sim pelos destinatários dela. b) Extraestatais porque não há a interferência do Estado direta ou indiretamente. c) Profissionais porque emanam da atividade normatizadora dos grupos interessados em elaborar seus padrões genéricos de conduta, que refletem sobre o contrato individual de emprego. 77
Resposta: C QUESTÃO 18 2012 FCC - TST/ANALISTA JUDICIÁRIO ÁREA JUDICIÁRIA. A descaracterização de uma pactuada relação civil de prestação de serviços, desde que no cumprimento do contrato se verifiquem os elementos fáticos e jurídicos da relação de emprego, é autorizada pelo princípio do Direito do Trabalho denominado a) inalterabilidade contratual. Item errado, pois o princípio da inalterabilidade contratual lesiva ao empregado tem por intuito proteger os trabalhadores contra alterações lesivas no contrato de trabalho, feitas pelo empregador, que possam suprimir ou reduzir os direitos e vantagens do empregador. Desta forma, são vedadas as alterações no contrato de trabalho que tragam prejuízos ao empregado. Se as alterações forem favoráveis, não há nenhum óbice. Contudo, deve-se esclarecer que o princípio da inalterabilidade contratual lesiva ao empregado também foi mitigado pela Reforma Trabalhista. Portanto, temos, entre outras situações, as seguintes exceções a este princípio: iii. Art. 611-A, CLT trata da flexibilização dos direitos trabalhistas via negociação coletiva. iv. Art. 468, 2º CLT - possibilidade de suprimir a gratificação de função de confiança mesmo após 10 anos. b) primazia da realidade sobre a forma. Item certo, pois segundo o princípio da primazia da realidade sobre a forma ou princípio do contrato realidade deve-se pesquisar, preferentemente, a prática concreta efetivada ao 78
longo da prestação de serviços, independentemente da vontade eventualmente manifestada pelas partes na respectiva relação jurídica. A prática habitual na qualidade de uso altera o contrato pactuado, gerando direitos e obrigações novos as partes contratantes (respeitada a fronteira da inalterabilidade contratual lesiva)., (Maurício Godinho Delgado. Curso de Direito do Trabalho. 11ª Edição. 2012. LTR). c) continuidade da relação de emprego. Item errado, pois segundo o princípio da continuidade da relação de empregado, a regra presumida é a de que os contratos sejam pactuados por prazo indeterminado, passando o obreiro a integrar a estrutura da empresa de forma permanente, somente por exceção admitindo-se o contrato por prazo determinado ou a termo., (Renato Saraiva. Direito do Trabalho Série Concursos Públicos. Editora Método. 15ª Edição. 2013), (grifo nosso). d) intangibilidade salarial. Item errado, pois a intangibilidade tem por intuito a proteção do salário do empregado contra os seus credores. Assim, intangibilidade é a proteção salarial contra descontos não previstos em lei. Neste sentido, são possíveis descontos na remuneração do empregado, como é o caso da pensão alimentícia, contribuição previdenciária, dedução do imposto de renda, empréstimos bancarias, entre outros, desde que autorizados legalmente. e) boa-fé contratual. Item errado, pois de acordo com o princípio da boa-fé, tanto empregado como empregador devem agir em suas relações jurídicas, com lealdade e boa-fé. Resposta: B 79
QUESTÃO 19. 2012 FCC - TRT 6ª REGIÃO (PE)/TÉCNICO JUDICIÁRIO ÁREA JUDICIÁRIA. O Regulamento da empresa BOA revogou vantagens deferidas a trabalhadores em Regulamento anterior. Neste caso, segundo a Súmula 51 do TST, as cláusulas regulamentares, que revoguem ou alterem vantagens deferidas anteriormente, só atingirão os trabalhadores admitidos após a revogação ou alteração do regulamento. Em matéria de Direito do Trabalho, esta Súmula trata, especificamente, do Princípio da a) Razoabilidade. Item errado, pois o princípio da razoabilidade diz respeito ao agir dos homens sempre em conformidade com o senso de razoabilidade no que diz respeito às condições e os meios à consecução dos resultados pretendidos. b) Indisponibilidade dos Direitos Trabalhistas. Item errado, pois segundo o princípio da irrenunciabilidade dos direitos trabalhistas (ou princípio da indisponibilidade de direitos ou princípio da inderrogabilidade ou princípio da imperatividade das normas trabalhistas), os direitos trabalhistas são (em regra), irrenunciáveis, indisponíveis e inderrogáveis. E isso se deve ao fato de as normas trabalhistas possuírem caráter de imperatividade. Ou seja, são normas de ordem pública (cogentes) e por isso, os direitos que elas asseguram não são passiveis de livre disposição pelo empregado. Todavia, este princípio também será mitigado em decorrência do disposto no art. 611-A da CLT, pois valoriza o negociado sobre o legislado, inclusive, ampliando as hipóteses de acordo individual entre empregador e empregado. c) Imperatividade das Normas Trabalhistas. 80
Item errado, pois de acordo com esse princípio, as normas trabalhistas devem prevalecer nas relações de emprego. Logo, é vedada (como regra), a declaração vontade, por parte do empregado e empregador, que tenha objetivo de afastar as partes das normas trabalhistas. Assim, o princípio da imperatividade das normas trabalhistas enaltece o fato de que no Direito do Trabalho prevalecem as normas cogentes (públicas), restringindo a autonomia das partes no que diz respeito à modificação das cláusulas contratuais previstas no contrato de trabalho. d) Dignidade da Pessoa Humana. Item errado, pois o princípio da dignidade humana veda a coisificação do ser humano. Ou seja, o homem não pode ser utilizado como mero objeto para ser alcançar um meio (no caso a busca incessante pelo lucro). e) Condição mais benéfica. Item certo, pois este princípio importa na garantia de preservação, ao longo do contrato, da cláusula contratual mais vantajosa ao trabalhador, que se reveste do caráter de direito adquirido (art. 59, XXXVI, CF/88). Ademais, para o princípio, no contraponto entre dispositivos contratuais concorrentes, há de prevalecer aquele mais favorável ao empregado., (Maurício Godinho Delgado. Curso de Direito do Trabalho. 11ª Edição. 2012. LTR). Resposta: E QUESTÃO 20 2012 FCC - TRT 6ª REGIÃO (PE)/ANALISTA JUDICIÁRIO ÁREA ADMINISTRATIVA. Com relação às Fontes do Direito do Trabalho, considere: 81
I. A Lei Ordinária que prevê disposições a respeito do 13º salário é uma fonte material autônoma. Item errado, pois a lei ordinária é fonte formal heterônoma do Direito. II. As fontes heterônomas decorrem do exercício da autonomia privada, ou seja, sujeitos distintos do Estado possuem a faculdade de editar. Item errado, pois as fontes heterônomas decorrem da autonomia pública e não privada. Destaca-se que as fontes heterônomas decorrem do exercício do poder Estatal. III. O contrato individual de emprego é uma fonte autônoma. Item certo. Obviamente, no caso, não se verificam os requisitos da generalidade e abstração, por ser o contrato de trabalho firmado com o empregado, individualmente. No entanto, entendendo-se fonte formal de modo mais ampliativo, englobando todos os modos de materialização de direitos, pode-se incluir o contrato individual de trabalho no respectivo rol, por conter norma individual e concreta.. Fonte: Gustavo Felipe Barbosa. Curso de Direito do Trabalho. 8ª Edição. 2014. Editora Forense. IV. A Convenção Coletiva de Trabalho é uma fonte autônoma. Item certo, pois as Convenções Coletivas de Trabalho (CCT) são fontes formais autônomas do Direito do Trabalho porque criam normas jurídicas a partir da intervenção direta dos seus destinatários. Está correto o que se afirma APENAS em a) III e IV. b) I, II e III. c) I, II e IV. d) I e III. 82
e) II e IV. Resposta: A QUESTÃO 21. 2011 FCC - TRT 20ª REGIÃO (SE)/ANALISTA JUDICIÁRIO EXECUÇÃO DE MANDADOS. O princípio que possui como propósito tentar corrigir desigualdades, criando uma superioridade jurídica em favor do empregado diante da sua condição de hipossuficiente é especificamente o princípio da a) dignidade da pessoa humana. Item errado, pois o princípio da dignidade da pessoa humana consiste em um caminho a ser trilhado por todos sem distinção. Assim, a dignidade do ser humano se concretiza a partir do momento que o indivíduo respeitados seus direitos vitais mínimos (igualdade, trabalho, liberdade de locomoção, moradia, etc.). Na seara laboral, o princípio da dignidade humana veda a coisificação do ser humano. Ou seja, o homem não pode ser utilizado como mero objeto para ser alcançar um meio (no caso a busca incessante pelo lucro). b) condição mais benéfica. Item errado, pois de acordo com o princípio da condição mais benéfica, serão asseguradas aos trabalhadores, as vantagens conquistadas durante o contrato de trabalho. c) primazia da realidade. Item errado, pois segundo o princípio da primazia da realidade, os fatos prevalecem sobre a forma. O que significa que em havendo discrepância entre a realidade e aquilo que está documentado, deverá prevalecer a realidade. 83
d) proteção. Item certo, pois informa este principio que o Direito do Trabalho estrutura em seu interior, com suas regras, institutos, princípios e presunções próprias, uma teia de proteção a parte hipossuficiente na relação empregatícia o obreiro, visando retificar (ou atenuar), no plano jurídico, o desequilíbrio inerente ao plano fático do contrato de trabalho., (Maurício Godinho Delgado. Curso de Direito do Trabalho. 11ª Edição. 2012. LTR). e) boa-fé. Item errado, pois de acordo com o princípio da boa-fé, tanto empregado como empregador devem agir em suas relações jurídicas, com lealdade e boa-fé. Tal princípio é amparado através do art. 422 do Código Civil de 2002 (CC/02). Vejamos: Art. 422. Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios de probidade e boa-fé. Resposta: D 84