Contas nacionais: ótica da produção Introdução Você já deve ter ouvido falar no Produto Interno Bruto (PIB) e em como as políticas econômicas afetam o dia a dia das pessoas. Vamos agora entender um pouco mais sobre estes termos? Você vai estudar, nesta aula, uma matéria atual, presente na mídia e de grande interesse da sociedade. Ao final desta aula, você será capaz de: entender o que são agregados e políticas econômicas; entender o que são e como são formados os agregados econômicos: valor bruto da produção, produto interno bruto e renda. O que são agregados macroeconômicos Os agregados macroeconômicos identificam as principais contas nacionais. O objetivo de conhecê-las é ode contabilizá-las e, desta forma, acompanhar a evolução da economia ao longo do tempo. O estudo destes agregados é ponto de partida para que você entenda a economia de um país. São eles: produto: é o valor, o resultado econômico de todos os esforços dos setores primário, secundário e terciário, incluindo-se o Estado(em sistemas econômicos que possuam um governo) para a produção final de bens e serviços; renda: é o somatório da remuneração dos insumos (materiais básicos) de uma economia. O total dos salários pagos (remuneração do insumo trabalho) somado aos aluguéis e/ou royalties recebidos (remuneração do insumo terra e recursos naturais), somados aos juros (remuneração do insumo capital), somados aos lucros (remuneração do insumo iniciativa empresarial), geram a renda; despesas: também conhecidas por dispêndios, representam a totalidade gasta pelos agentes econômicos para a aquisição de bens e serviços produzidos. O que são políticas macroeconômicas Trata-se de um conjunto de ações intencionais, integradas e sistêmicas (inseridas em sistemas de tomada de decisão), gerenciadas pelo Estado objetivando, por exemplo, gerar renda, emprego, controlar a inflação e, sobretudo, prover o desenvolvimento da sociedade. As políticas econômicas manipulam os agregados macroeconômicos para que sejam atingidas metas de produção e crescimento econômico. - 1 -
FIQUE ATENTO Políticas econômicas são sempre adotadas em conjunto, ao menos para o caso brasileiro, em que elas são geridas pelo Ministério da Fazenda e pelo Banco Central do Brasil. Figura 1 - Sede do Ministério da Fazenda Fonte: Filipe Frazao / Shutterstock As principais políticas econômicas, para economias que possuam governo e mantenham relações com o exterior (economias abertas), são: política monetária, que trata da oferta e da demanda de moeda em circulação. O Governo pode ofertar um volume maior de moeda e, neste caso, diz-se que a economia está monetizada ou, ainda, retira-se amoeda de circulação. A principal ferramenta para a execução desta política é a oferta e demanda de títulos públicos; política fiscal, exercida através de variações de tributos e de gastos do Governo; - 2 -
EXEMPLO Quando o Governo toma medidas da chamada austeridade fiscal, reduzindo gastos e buscando a elevação de impostos, está tomando medidas de política fiscal. política cambial, que define a taxa de câmbio do país com o resto do mundo, ou seja, a relação de valor de sua moeda como outras moedas, alterando, desta forma, o volume de importações e exportações e o resultado do balanço de pagamentos e, em especial, da balança comercial. FIQUE ATENTO Há outras políticas formuladas pelos gestores de uma economia e que somam-se às três que mencionamos, como as políticas: de geração de renda e emprego; de distribuição de renda e diminuição da pobreza; e de concessão de créditos. Todas envolvem importantes medidas de impacto na economia e são desdobramentos dos conceitos de políticas fiscal, monetária e cambial. - 3 -
Figura 2 - A política monetária trabalha a oferta e demanda por moeda Fonte: Lisa S / Shutterstock Conceituação de valor bruto da produção Se você somar o valor bruto (isto é, sem a exclusão de impostos, pagamentos e outras taxas) de tudo o que é produzido nos setores primário, secundário e terciário, incluindo-se o Estado, obterá o valor bruto da produção (VBP). O VBP remete a todos os bens que foram produzidos na economia, sejam bens de consumo (destinados ao uso imediato dos agentes, de sigla BC), bens de capital (destinados a produzir outros bens, como máquinas e ferramentas, de sigla BK), bens intermediários (que são produzidos como parte da produção de outros bens, como tecidos para roupas, de sigla BI) e os bens públicos (fornecidos pelo Estado, como iluminação pública, calçadas, forças armadas e segurança nacional, de sigla BP). Esta contabilização, no entanto, pode gerar contagens em duplicidade ou até mesmo em multiplicidade do valor dos bens produzidos, já que um insumo que seja utilizado na elaboração de um bem final pode ter o seu valor total considerado na composição do valor final deste bem. Por exemplo, se uma peça de algodão tem valor de R$ 10 e uma camisa tem valor de R$ 30, você poderia deduzir que a produção teve valor total de R$ 40, quando, na verdade, ela teve valor total de R$ 30. Para evitar essa dupla (ou múltipla) contagem, você deve considerar apenas o valor agregado bruto, que contabiliza apenas valores agregados, eliminando, desta forma, a múltipla contagem. Vamos especificar para você: parte da produção poderá não ser usada para produzir outros bens, mas sim exportada. Isto vale, sobretudo, para os bens intermediários cuja demanda externa também é grande (tratemos os bens intermediários exportados por XBI). Da mesma forma, a produção pode contar com bens intermediários importados (de sigla MBI). Assim, a produção de uma economia corresponde à soma de seus bens produzidos, de acordo com a equação: - 4 -
Abrindo este raciocínio para os outros tipos de bens fabricados em uma economia (BC, BK e BP), você poderá observar que nem todos os bens são necessariamente consumidos internamente, no chamado mercado doméstico (chamaremos os bens consumidos no mercado doméstico por: DBC, DBK e DBP; com D de doméstico). Eles também podem ser exportados (chamaremos assim: XBP. XBC e XBK). Tenha atenção, portanto ao conceito de produto, que considera os valores finais utilizados para a produção de bens e serviços nos três setores da economia. Conceituação de produto interno bruto O valor monetário obtido pelo somatório de tudo que é produzido nos três setores da economia para elaboração de bens e serviços finais é chamado de produto interno bruto, o PIB. Assim, a equação anterior pode ser aberta, considerando-se a possibilidade de exportações de bens, da seguinte forma: Em outras palavras, o PIB é soma de todos dos valores agregados de tudo o que é produzido na economia para consumo ou exportação, no espaço geográfico que comporta esta economia, normalmente ao longo de um ano. EXEMPLO Outras variáveis podem ser medidas em períodos maiores ou menores, a critério do pesquisador. O consumo, por exemplo, por ser sazonal (varia mais em determinados períodos) e poderá ser medido mensalmente. Desdobrando-se este conceito, pode-se afirmar que o PIB é composto pelo consumo das famílias (C) para a aquisição de bens e serviços (DBC + MBC), pelos investimentos (I) realizados pelas empresas (DBK + MBK), pelos gastos governamentais (G, formado por DBP + XBP) e pelo saldo líquido das transações realizadas com o resto do mundo (X-M), conhecidos como saldo de transações reais (SILVA, 1999).O PIB é uma medida quantitativa e que considera apenas valores agregados para a elaboração do produto final. - 5 -
Figura 3 - Bens de capital Fonte: Nadezhda Sundikova / Shutterstock FIQUE ATENTO O PIB configura-se como uma relevante medida de verificação do crescimento econômico capaz de sinalizar políticas econômicas indutoras de desenvolvimento. - 6 -
Figura 4 - Participação dos países na composição do PIB mundial em 2015 Fonte: MaxxiGo / Shutterstock Saiba que o termo em inglês Gross Domestic Product (GDP) corresponde ao nosso Produto Interno Bruto. SAIBA MAIS Mankiw (2006, p. 500) aprofunda os conceitos de PIB, renda e despesa neste capítulo sugerido sob o título Medindo a Renda Nacional. Conceituação de renda nacional No primeiro tópico, conceituamos para você a renda como o agregado macroeconômico que computa os valores de todas as remunerações dos fatores de produção em um determinado período. Contudo, esta definição pode ser mais apurada através do conceito de renda nacional, visível quando a economia possui um governo. Você sabe que um governo se mantém através de impostos. Neste sentido, a renda nacional é o somatório da - 7 -
remuneração de todos os fatores de produção percebidos por todos os proprietários destes mesmos fatores, deduzidos os impostos e somados às transferências realizadas pelo Governo para o setor privado através de pagamentos de subsídios para as empresas e de pensões e outros benefícios previdenciários para as famílias. SAIBA MAIS Quer conhecer um caso prático da aplicação dos conceitos vistos até então? Acesse o portal da prefeitura de São José dos Pinhais/PR, através do link: < http://www.sjp.pr. gov.br/pib-e-renda/>. Renda = PIB Como você sabe, o PIB mede o valor final de todos os bens e serviços produzidos em uma economia em um determinado período de tempo e, como todos estes bens e serviços são consumidos, você pode concluir que o PIB também é uma medida da despesa. Como você viu que renda = despesa, pode-se afirmar que o PIB é uma medida tanto da despesa quanto da renda (MANKIW, 2006, p. 500). Assim, torna-se legítima a identidade: A identidade produto = renda = despesaconfigura o modelo conhecido como Fluxo Circular da Renda. Como você pode observar, a geração de produto traz como consequência a remuneração dos insumos através da renda. Sendo consumida na forma de bens, a renda se iguala à despesa. Por exemplo, se a despesa de um empresário for de R$ 1 milhão com o pagamento de salários, a renda dos trabalhadores será usada para o consumo dos bens produzidos, retornando-se, assim, a renda para o fluxo circular. Fechamento Dentro dos referenciais de estudo da Macroeconomia, os agregados macroeconômicos são uma das dimensões de estudo principais. A partir destas estruturas, são deduzidas diversas outras identidades que conformam e auxiliam o desenvolvimento das políticas econômicas e a obtenção dos indicadores de crescimento nas economias modernas. A medição do valor da produção dos bens e serviços necessários ao funcionamento da sociedade, neste sentido, gera uma base de cálculo que será útil para a discussão de outros importantes pontos da Macroeconomia, como por exemplo, o consumo das famílias e das empresas, e os investimentos. - 8 -
Nesta aula, você teve a oportunidade de: entender o que são os grandes agregados econômicos; perceber como as políticas econômicas estão associadas ao produto, à renda e à despesa; identificar a diferença entre os conceitos de valor bruto da produção e o valor agregado da produção; aprender a relação existente na identidade produto = renda = despesa. Referências CARVALHO, J; GWARTNEY, J; STROUP, R; SOBEL, R. Fundamentos de Economia. Vol. 1.Macroeconomia. São Paulo: Cengage Learning, 2008. MANKIW, N. G. Introdução à Economia. Tradução Alan Vidigal Hastings. São Paulo: Thomson Learning, 2006. PREFEITURA de São José dos Pinhais. Portal da Prefeitura. PIB e Renda. PIB a preços Correntes. 2016. Disponível em:<http://www.sjp.pr.gov.br/pib-e-renda/>. Acesso em: 25/12/2017. SILVA, J. C. F. Modelos de Análise Macroeconômica. Rio de Janeiro: Campus, 1999. - 9 -