Fundação Getulio Vargas Tópico: CPS 17/05/2012 Correio Braziliense Online - DF Editoria: Cidades Pg: 04:00:00 Brasília, a cidade mais conectada Diego Amorim (Diego Amorim) A capital é recordista de inclusão digital, com o maior número de computadores domésticos, além de ser a campeã de acesso à internet por meio de banda larga Na casa da estudante de gastronomia Gabriele há cinco computadores: %u201ctoda hora, dou uma olhadinha. É quase o dia inteiro na internet%u201d Os brasilienses são os que mais têm computador em casa, acesso à internet e ao serviço de banda larga. O Distrito Federal lidera os principais rankings de inclusão digital do país, segundo um estudo inédito divulgado ontem, no Rio de Janeiro, pela Fundação Getulio Vargas (FGV), com base em dados do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A capital federal ficou à frente de São Paulo e do Rio de Janeiro, com margens consideráveis. Dois em cada três brasilienses possuem computador: a proporção de 66,48% é quase o dobro da nacional (34,11%). Desses, 58% são ligados à internet e, entre os conectados, 73,6% usam a banda larga. Brasília não é só o lugar onde a população tem mais computador. É também onde mais se utiliza a internet de melhor qualidade, comentou o responsável pela pesquisa, Marcelo Neri. A liderança, acrescenta ele, é folgada, o que caracteriza o DF como a região mais computadorizada do país. Os elevados índices médios de renda e escolaridade da população, aliados à alta densidade demográfica, explicam os resultados, segundo Neri. Quem pertence às classes A e B possui 11 vezes mais chance de ter acesso à internet do que os integrantes de grupo de faixas de renda mais baixas. Os que chegaram à universidade têm 100 vezes mais probabilidade de serem conectados, na comparação com quem não
frequentou os bancos escolares. Alagoas 22,18% Ceará 21,01% Pará 20,53% Piauí 17,39% Maranhão 15,16% A proximidade com os poderes da República também contribui para a liderança do DF. As atividades ligadas ao funcionalismo público exigem conectividade, disse Neri. Nos últimos três meses, 56,2% da população local utilizaram a internet, seja por meio de computadores ou smartphones. É o maior percentual do país, ainda de acordo com a pesquisa. No estado de São Paulo, segundo colocado, 43,9% dos moradores acessaram a rede no mesmo período. Mercado O DF se destaca, ainda, na inclusão digital entre estudantes, trabalhadores, jovens e idosos (veja tabelas abaixo). A estudante de gastronomia Gabriele Pires, 19 anos, mora em uma casa onde há cinco computadores, sendo quatro portáteis, além de ter um celular com acesso à internet. Assim como a maioria dos brasileiros, ela não consegue mais se imaginar sem estar conectada. Toda hora, dou uma olhadinha. É quase o dia inteiro na internet, reconheceu. Gabriele usa o computador para acessar as redes sociais, para estudar e passar o tempo. Quando uma das cinco máquinas dá defeito ou fica lenta demais, utiliza alguma outra disponível na casa. Apesar de considerar computador um objeto pessoal, a estudante destaca a vantagem de ter tantas opções. Não fico sem internet, disse. Ontem, a família trocou a empresa que fornecia banda larga, em busca de melhoria na qualidade do serviço. O mapa da inclusão digital não surpreende o especialista em telecomunicações e professor da Universidade de Brasília (UnB) Humberto Abdala. Ele reforça a relação entre renda e conectividade. Temos uma situação privilegiada em Brasília. Mais uma vez, a renda per capita mais elevada é a razão para a cidade liderar esses rankings, avaliou, antes de sustentar que os brasilienses fazem questão de ter acesso a tecnologia de ponta. A pesquisa, completa Abdala, reflete a pujância do mercado de informática na capital do país. Para o professor, os moradores do DF trocam de computador com mais frequência, e antes mesmo de a máquina deixar de funcionar. A abundância de crédito nos últimos anos impulsionou as compras de artigos voltados à tecnologia. Ele lembrou que quase todas as ofertas de emprego atualmente exigem conhecimentos básicos de informática. Apartheid digital O estudo mostrou uma desigualdade muito expressiva. Os estados mais pobres apresentaram os piores índices de inclusão digital. No Maranhão, último colocado nos principais rankings, 15,16% da população têm computador e, desses, somente 10,98% com acesso à internet. DF no topo dos rankings Principais resultados do Mapa da Inclusão Digital: População Distrito Federal 66,48% São Paulo 56,9% Santa Catarina 54,03% Rio de Janeiro 52,82% Paraná 48,96% Média nacional 34,11%
Distrito Federal 58,69% São Paulo 48,22% Rio de Janeiro 43,91% Santa Catarina 41,66% Paraná 38,71% Média nacional 33% Tocantins 17,21% Ceará 16,25% Pará 13,75% Piauí 2,87% Maranhão 10,98% Estudantes Distrito Federal 68,99% São Paulo 60,57% Santa Catarina 60,22% Rio de Janeiro 55,85% Rio Grande do Sul 55,55% Média nacional 42,1% Alagoas 21,1% Ceará 20,54% Pará 19,04% Piauí 17,41% Maranhão 13,61% Distrito Federal 60,75% São Paulo 50,78% Santa Catarina 45,79% Rio de Janeiro 45,63% Rio Grande do Sul 42,66% Média nacional 33,51% Amazonas 16,14% Ceará 15,75% Piauí 12,56% Pará 12,27% Maranhão 9,59% População ocupada Distrito Federal 68,29% São Paulo 61,31% Santa Catarina 57,69% Rio de Janeiro 57,09% Paraná 53,16%
Média nacional 45,84% Alagoas 26,4% Ceará 24,87% Pará 22,75% Piauí 20,53% Maranhão 18,08% Distrito Federal 60,21% São Paulo 52,17% Rio de Janeiro 47,72% Santa Catarina 44,22% Rio Grande do Sul 42% Média nacional 37,13% Amazonas 19,67% Ceará 19,32% Pará 15,42% Piauí 15,38% Maranhão 13,24% Jovens (15 a 29 anos) Distrito Federal 65,07% São Paulo 58,06% Santa Catarina 57,92% Rio de Janeiro 54,3% Rio Grande do Sul 52,59% Média nacional 40,94% Alagoas 21,26% Ceará 20,44% Pará 18,89% Piauí 17,99% Maranhão 14,75% Distrito Federal 56,6% São Paulo 48,5% Rio de Janeiro 44,35% Santa Catarina 43,92% Paraná 40,64% Média nacional 32,47% Amazonas 15,59% Ceará 15,56% Piauí 13,07% Pará 12,06% Maranhão 10,48% Idosos (60 anos ou mais)
Distrito Federal 61,18% São Paulo 42,18% Rio de Janeiro 41,11% Santa Catarina 32,26% Paraná 30,37% Média nacional 29,79% Paraíba 16,88% Ceará 16% Tocantins 12,42% Piauí 12,03% Maranhão 10,81% Distrito Federal 54,73% São Paulo 36,04% Rio de Janeiro 34,96% Santa Catarina 25,45% Espírito Santo 25,18% Média nacional 24,57% Pará 12,83% Ceará 12,63% Piauí 8,85% Tocantins 8,81% Maranhão 7,93%