RIMA Rima é a coincidência de sons no final ou mesmo no interior de versos. De tudo, ao meu amor serei atento Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele se encante mais meu pensamento -anto -ento no final externas Lembranças, que lembrais meu bem passado internas Para que sinta mais o mal presente Deixai-me se quereis viver contente externas internas internas Não me deixeis morrer neste estado (Lembranças, que lembrais meu bem passado, Luís Vaz de Camões)
A rima quanto sua posição na estrofe POEMA a) Cruzada ou alternada: ABAB Minha desgraça não é ser poeta, Nem na terra de amor não ter um eco, E meu anjo de Deus, o meu planeta Tratar-me como trata-se um boneco (Minha Desgraça, Álvares de Azevedo) B) Interpolada ou intercalada: ABBA Eu, filho do carbono e do amoníaco, Monstro de escuridão e rutilância, Sofro, desde a epigênese da infância, A influência má dos signos do zodíaco. (Psicologia de um Vencido, Augusto dos Anjos) C) Emparelhada: AABB Aos que me dão lugar no bonde e que conheço não sei de onde, aos que me dizem terno adeus sem que lhes saiba os nomes seus[...] (Obrigado, Carlos Drummond de Andrade) d) Encadeada ou Internas: Quando rimam palavras que estão no fim do verso e no interior do verso seguinte: Salve Bandeira do Brasil querida Toda tecida de esperança e luz Pálio sagrado sobre o qual palpita A alma bendita do país da Cruz.
A rima quanto sua posição na estrofe e) Misturadas: Não tem ordem determinada entre as rimas. A chuva chove mansamente como um sono Que tranqüilize, pacifique, resserene A chuva chove mansamente Que abandono! A chuva é a música de um poema de Verlaine E vem-me o sonho de uma véspera solene, Em certo paço, já sem data e já sem dono Véspera triste como a noite, que envenene Num velho paço, muito longe, em terra estranha, Com muita névoa pelos ombros da montanha Paço de imensos corredores espectrais, Onde murmurem, velhos órgãos, árias mortas, Enquanto o vento, estrepitando pelas portas, Revira in-fólios, cancioneiros e missais (A Chuva Chove, Cecília Meireles) POEMA f) Versos brancos ou soltos: São os que não tem rima. A rosa com cirrose A anti-rosa atômica Sem cor sem perfume Sem rosa sem nada. (Rosa de Hiroshima, Vinícius de Moraes)
POEMA De tudo, ao meu amor serei atento Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele se encante mais meu pensamento Quero vivê-lo em cada vão momento E em seu louvor hei de espalhar meu canto E rir meu riso e derramar meu pranto Ao seu pesar ou seu contentamento Rima B Rima B ESQUEMA RÍMICO Rima A Rima A E assim quando mais tarde me procure Quem sabe a morte, angústia de quem vive Quem sabe a solidão, fim de quem ama Eu possa me dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama Mas que seja infinito enquanto dure Rima D Rima C Rima E O esquema rímico do poema é: ABBA ABBA CDE DEC
RIMA quanto à tonicidade a) Agudas: Quando a rima acontece entre palavras oxítonas ou monossilábicas. Exemplo: Valor/Amor, és/viés POEMA b) Graves: Quando a rima acontece entre palavras paroxítonas. Exemplo: Santa/planta, mala/sala, toque/choque. c) Esdrúxulas: Quando a rima acontece entre palavras proparoxítonas. Exemplo: Mágico/Trágico, Fábula/tábula.
POEMA Rima quanto à sonoridade a) Perfeitas (consoantes, soantes, totais): Há uma perfeita identidade dos sons finais, assim como uma semelhança entre as últimas vogais e consoantes. Exemplo: Fada/dourada, rosa/formosa, anil/brasil. b) Imperfeitas (assonantes, toantes, parciais): Quando, ou há identidade apenas entre as vogais finais, não havendo necessariamente identidade entre os sons finais, ou quando o sonoridade é semelhante, mas a grafia das palavras é diferente. Exemplo: Estrela/vela, vertigem/virgem, mais/faz, seis/fez.
POEMA Rimas quanto ao valor a) Pobres: Quando a rima acontece entre palavras da mesma classe gramatical. Falar/amar (verbo/verbo), o calor/o sabor(subs./subss.), bonito/bendito (adj./adj). b) Ricas: Quando a rima acontece entre palavras de classes gramaticais diferentes. Exemplo: Cantando/bando (verbo/subs.), mar/navegar (subs./verbo). c) Raras: Quando a rima acontece entre palavras de difícil combinação melódica. Exemplo: Cisne/tisne (ave/fuligem). d) Preciosas: Rimas entre verbos na forma verbo-pronome com outras palavras. Exemplo: Estrela/Tê-la, Tranqüilo/segui-lo.