UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU AVM FACULDADE INTEGRADA

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Transcrição:

UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU AVM FACULDADE INTEGRADA LOGISTICA REVERSA DE MEDICAMENTOS DOMÉSTICOS Betania Martins Alhan de Oliveira Orientador Prof. Jorge Tadeu Vieira Lourenço Rio de Janeiro 2012

2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU AVM FACULDADE INTEGRADA LOGISTICA REVERSA DE MEDICAMENTOS DOMÉSTICOS Apresentação de monografia à AVM Faculdade Integrada como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Logística Empresarial Por:. Betania Martins Alhan de Oliveira.

3 DEDICATÓRIA...às minhas duas pérolas: Gabriela e Giovanna, por compreender minhas ausências, minha energia é o desafio, minha motivação é o impossível; é por isso que eu preciso ser à força e a esmo, inabalável.

4 AGRADECIMENTOS a Deus, que se mostrou criador, que foi criativo. Seu fôlego de vida em mim me foi sustento e me deu coragem para questionar realidades e propor sempre um novo mundo de possibilidades. Às minhas filhas Gabriela e Giovanna, agradeço pelo amor e carinho incondicionais, pois esses são meu alicerce, os quais me permitem lutar,lhes agradeço pela admiração, já que esta me instiga a estar fazendo sempre o melhor para lhes surpreender e fazer com que sintam orgulho de mim, vocês são a razão do meu viver. À minha Mãe Carminha Obrigado por seu amor,dedicação, pelas conversas,pela atenção,pelos conselhos infalíveis,pelo elogio que só vem de quem ama e,principalmente,por te importares comigo. Te Amo Muito. À minha Mãe Barbara, você é muito importante, agradeço a ti com emoção. Obrigado... Pelo direito de nascer! Aos meus Irmãos, Andréa, André, Josafá e Janaína que compartilham da minha caminhada e que mesmo distantes torceram por mim. A minha Tia Nana tão pequena, e tão forte, é um exemplo de coragem, agradeço pelo carinho, apoio e pelos conselhos, os quais guardam comigo e tento segui-los. Aos amigos Aldenora, Leila, Afonso, José e Luciana pelo carinho e atenção dispensados com as minhas filhas e por ser meu apoio logístico quando preciso me ausentar. Ao meu príncipe, cúmplice de resgates, amor de minha vida: José Carlos, agradeço pelo apoio, companheirismo, pela sinceridade e por fazer os meus dias melhores. À Amiga Carmem pelo acolhimento em sua residência, pelos inúmeros puxões de orelha, que sempre soaram como incentivo. Ao Amigo Levi e Anilton, por me receberem na Logística e me despertarem o interesse neste seguimento que vocês dominam brilhantemente, vocês são nota 10, ou melhor nota 1000. Aos amigos e colegas, em especial, Thaís e Adriana,pelo incentivo e pelo apoio. Ao Professor Jorge Tadeu, pela orientação deste trabalho. A todos aqueles que de alguma forma estiveram e estão próximos de mim, fazendo esta vida valer cada vez mais a pena.

5 RESUMO O uso de medicamentos é essencial para a manutenção da saúde da população, porém a facilidade de aquisição e o incentivo da mídia geram um uso excessivo e, com isso, o acúmulo nas residências. Muitos desses medicamentos são utilizados novamente sem considerar prazo de validade ou são descartados de maneira inadequada, o que gera um problema ambiental e de saúde pública. O presente trabalho avaliou o acúmulo de medicamentos, o seu uso após o vencimento e a maneira de descarte dos mesmos. Avaliou-se também se as pessoas possuem consciência do impacto ambiental causado pelo descarte inadequado e se já receberam alguma informação sobre o descarte correto. Este trabalho tem como objetivo, a preocupação sobre as conseqüências do descarte doméstico de medicamentos ao meio ambiente. A contaminação de águas e solo por fármacos tem sido verificada em todo o mundo o que demanda atitudes efetivas para a redução dos impactos ambientais decorrentes. A população tem sua parcela de responsabilidade no processo, devendo estar esclarecida e envolvida no processo de conscientização da geração de resíduos bem como da importância do uso racional de medicamentos como sendo uma das medidas necessárias a diminuir as sobras decorrentes de aquisição desnecessária ou do cumprimento do esquema terapêutico proposto, além de outras. Para tanto, as ações essenciais consistem em preservar e cuidar, para alcançar melhores condições de vida. Para que esses cuidados com o meio se transformem em ações concretas, é preciso conscientização e mudanças de atitudes. Portanto, entende-se que, por meio da Educação Ambiental, é possível desenvolver um trabalho interdisciplinar, em que se agreguem significações para cada gesto honesto com a natureza.

6 METODOLOGIA Os métodos que levaram ao problema proposto, foram embasados em revistas, livros e regulamentações da ANVISA através de sites, e órgãos responsáveis pela proteção ao meio ambiente.

7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 08 PROBLEMA 13 OBJETIVO 14 CAPÍTULO I CONTEXTUALIZAÇÃO DO PROBLEMA 15 CAPÍTULO II DESCARTE INADEQUADO DOS MEDICAMENTOS 22 CAPÍTULO III DESTINO FINAL DOS MEDICAMENTOS 33 CONCLUSÃO 36 REFERÊNCIA BIBLIOGRAFICA 38 ÍNDICE 41

8 INTRODUÇÃO O crescimento demográfico e a expansão industrial trouxeram como consequência, quadros de contaminação atmosférica, do solo e dos recursos hídricos em todo o mundo. Por outro lado, também tem havido uma maior conscientização quanto à deterioração do meio ambiente e a necessidade de se reverter ou, ao menos, minimizar esse processo. Uma das discussões mais atuais está relacionada ao descarte de medicamentos e seu impacto ambiental decorrente da contaminação do meio ambiente. Com o uso de medicamentos, que é essencial para a manutenção da saúde da população, a facilidade de aquisição e o incentivo da mídia geram um uso excessivo e, com isso, o acúmulo nas residências. Muitos desses medicamentos são utilizados sem considerar prazo de validade ou são descartados de maneira inadequada, gerando um problema ambiental e de saúde pública. Os resíduos são classificados de acordo com o grau de periculosidade que oferecem aos profissionais da saúde, à população e ao meio ambiente. De acordo com a Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente CONAMA nº 5, de 5 de agosto de 1993, artigo 3º, os resíduos de medicamentos encontram-se no Grupo B, o qual engloba os resíduos químicos, caracterizados pela presença de substâncias químicas. Dentro desta classe encontram-se os produtos farmacêuticos e os quimioterápicos. Tais resíduos geram prejuízos ao meio ambiente, causando contaminação do solo e da água. O consumidor é uma peça chave na solução do problema, mas, para que esse papel seja exercido de forma consciente e absoluta, é necessária a educação juntamente com a consciência ambiental e o acesso à informação ambientalmente correta, para que assim, com essa informação, possa exercer de forma plena a defesa da sustentabilidade. O Brasil está entre os maiores consumidores mundiais de medicamentos e com a sua economia estável agregada ao maior acesso a medicamentos, estabelecido pelas políticas governamentais adotadas, contribuem para o aumento do consumo que trará como consequência, maior

9 quantidade de embalagens e sobras de medicamentos que ter como destino o lixo comum. São os geradores de resíduos de serviços de saúde, todos os serviços relacionados com o atendimento da saúde humana ou animal, drogarias e farmácias de manipulação e distribuidores de produtos farmacêuticos. Destaque especial deve ser dado à indústria farmacêutica pela geração de uma quantidade considerável de resíduos devido tanto a devolução e recolhimento de medicamentos do mercado, quanto ao descarte de medicamentos rejeitados pelo controle de qualidade e de perdas inerentes ao processo. O descarte efetuado pelo consumidor final é o que apresenta maior lacuna na legislação. O Brasil tem baixa infraestrutura, ou seja, faltam aterros sanitários adequados e incineradores licenciados em vasta região de seu território o que compromete a aplicabilidade de medidas ágeis que possam, ao menos, minimizar o problema. A conscientização da população quanto ao descarte de medicamentos não é somente um problema verificado em nosso país. Em Londres, foi evidenciado por 80% dos entrevistados, e reconheceram que a disposição final de medicamentos é um problema, entretanto não necessariamente ambiental, e a maioria dos medicamentos indesejáveis é descartada pelo sistema de lixo e esgoto doméstico. Mesmo os medicamentos que não são descartados e são consumidos (como parte do processo de recuperação da saúde) acabam sendo eliminados no meio ambiente. Fármacos de diversas classes terapêuticas, como antibióticos, hormônios, antiinflamatórios entre inúmeras outras tem sido detectados em esgoto doméstico, águas superficiais e subterrâneas em concentrações na faixa de ngl a µgl em várias partes do mundo porque podem ser excretados do organismo como metabólitos, hidrolisados ou inalterados além que, se forem eliminados na forma conjugada poderão ser facilmente clivados disponibilizando, assim, substâncias ativas nos esgotos domésticos que seguirão, com o esgoto bruto, para as estações de tratamento de esgoto (ETEs) sendo submetido aos

10 tratamentos convencionais, o que não será suficiente para a sua completa inativação. A destinação final dos resíduos de origem farmacêutica é um tema relevante para a saúde pública decorrente das diferentes propriedades farmacológica dos medicamentos que, inevitavelmente, se tornarão resídua. O gerenciamento de resíduos sólidos está fundamentado na Resolução CONAMA nº. 358 (2005), e na RDC nº. 306, (2004), portanto, cabendo ao estabelecimento de saúde o seu gerenciamento desde a geração até a sua disposição final. Saliente-se aqui que os medicamentos são classificados como resíduos do grupo B, englobando as substâncias químicas que poderão apresentar risco a saúde pública ou ao meio ambiente, dependendo de suas características (inflamabilidade, corrosividade, reatividade e toxicidade). Esta Resolução dispõe sobre o Regulamento Técnico para o gerenciamento de resíduos de serviços de saúde (RSS), se constitui em um conjunto de procedimentos de gestão, planejados e implementados a partir de bases científicas e técnicas, normativas e legais, com o objetivo de minimizar a produção de resíduos e proporcionar aos resíduos gerados, um encaminhamento seguro, de forma eficiente, visando a proteção dos trabalhadores, a preservação da saúde publica, dos recursos naturais e do meio ambiente. A legislação existente é direcionada aos estabelecimentos de saúde e não engloba a população no geral o que dificulta o entendimento sobre os impactos decorrentes do descarte doméstico de medicamentos. Inúmeras são as causas das sobras de medicamentos e, dentre elas, podemos citar as apresentações das especialidades farmacêuticas com quantidades aquém ou além dos esquemas posológicos normalmente empregados, a propaganda de medicamentos estimulando a aquisição não necessária, a não adesão dos pacientes ao tratamento prescrito, a alteração de esquema medicamentoso durante o tratamento, entre inúmeras outras. Outro aspecto que é de importância está relacionado ao recolhimento dos lotes que apresentam não conformidades e que as indústrias farmacêuticas devem retirar do mercado e

11 dar a destinação devida, gerando muito resíduo que, provavelmente, irão ser encaminhado para a incineração. Na verdade, o denominado recall, como ocorreu recentemente nos EUA com produtos infantis, gerou milhões de unidades de medicamentos que serão destruídos, e situações assim não são incomuns. Tendo em vista a realidade do consumo de medicamentos em nosso país, o panorama de destinação final dos mesmos, as consequências ao meio ambiente e a saúde da população, este trabalho tem como objetivo verificar a contextualização atual do desperdício e descarte domiciliar de medicamentos, os possíveis impactos ambientais que estes podem representar, para que possamos intensificar a discussão sobre a questão em diversos segmentos e fomentar atitudes efetivas no controle de contaminação ambiental e a conscientização do uso racional de medicamentos como uma das ações a serem concretizadas em todo o ciclo do medicamento. Seria importante uma ação efetiva dos administradores, como a implantação de projetos municipais que estabeleçam normas e campanhas de conscientização visando à orientação da população quanto ao uso e ao descarte correto dos medicamentos. Outro ponto a considerar é o estabelecimento de uma estrutura para que se realize esse descarte. Uma primeira atitude seria a definição de locais para a coleta, com a confecção de folhetos explicativos, orientando sobre a importância do descarte adequado, como ocorre com os resíduos dos hospitais e das UBS. Feitas essas observações iniciais, este estudo apresenta-se dividido em três capítulos. O primeiro conta um pouco sobre o crescimento da população e o consumo desordenado de medicamentos, devido a facilidade de aquisição desses produtos, consecutivamente provocando o aumento do volume de lixo, e a eliminação destes de maneira inadequada, levando ao desequilíbrio do eco sistema como um todo, explica também que pela falta de conscientização e orientação da população, esse índice aumentará cada vez mais, caso não seja implantado programas para a redução desses problemas,

12 e o que já está sendo feito pelos órgãos responsáveis para que isso seja solucionado. O segundo demonstra quais os fatores que levam ao descarte inadequado dos medicamentos, e a importância da conscientização da população sobre esse tema, mostra a maneira correta para o descarte dessas embalagens, os pontos em estabelecimentos para a eliminação desses produtos, dá dicas de como fazer a separação dessas embalagens nas residências, relaciona as leis que regem o controle desses medicamentos, e os projetos que estão sendo elaborados para esses fins e as ações propostas para o cenário atual. O terceiro capítulo aborda o que deve ser feito, e o que ainda há para fazer, implementando uma série de medidas e não meramente soluções provisórias para o descarte desses componentes, assim como dizia Silva(2005), lixo nada mais é lixo nada mais é do que o reflexo da sociedade que o produz, quanto mais industrializada, rica tem-se mais resíduos pelo fato de consumir mais, (2005, p.15), e assim contribuindo na contaminação do meio ambiente, a ANVISA possui várias resoluções falando sobre a questão, incentivando os estabelecimentos farmacêuticos a participarem de programas para de coleta desses medicamentos, sendo assim, como afirma Silva (2005): enquanto o homem não se conscientizar que faz parte do meio ambiente e que não está acima deste, a natureza será cada vez mais prejudicada, porém se houver tal consciência irá ocorrer uma integração saudável e satisfatória para ambos levando ao equilíbrio. (2005, p. 8).

13 O PROBLEMA O problema proposto para o trabalho será baseado no descarte aleatório de medicamentos em desuso, vencidos ou sobras atualmente é feito por grande parte das pessoas no lixo comum ou na rede pública de esgoto, podendo trazer como consequências a agressão ao meio ambiente, a contaminação da água, do solo e de animais, além do risco à saúde de pessoas que possam reutilizá-los por acidente ou mesmo intencionalmente devido a fatores sociais ou circunstanciais diversos. O consumo indevido de medicamentos descartados inadequadamente pode levar ao surgimento de reações adversas graves, intoxicações, entre outros problemas, comprometendo decisivamente a saúde e qualidade de vida dos usuários. Assim, considerando todo o universo de medicamentos lançados aos aterros sanitários, e os impactos ambientais gerados por uma infinidade de princípios ativos, esta proposta pretende dar uma solução ecologicamente correta a toda essa gama de medicamentos, fornecido por minha empresa.

14 OBJETIVO Minha proposta se dividirá em duas fases; a primeira fará uma campanha de recolhimento do medicamento em sobra, para posterior aproveitamento, (Reutilização) e ser encaminhado para doação, nas comunidades pobres. Na segunda, o restante do medicamento recolhido, irá para a triagem, ou seja, separação dos componentes aproveitáveis dentro da reciclagem. O medicamento original terá seus componentes separados, ou seja, tampas plásticas, borrachas, tampas de alumínio e o vidro propriamente dito, que terão destino ecologicamente correto. Confeccionando folhetos explicativos sobre a importância do descarte correto dos medicamentos, para incentivar os clientes a trazerem seus medicamentos em desuso e entregar aos Farmacêuticos de nossa Drogaria. Na medida em que os medicamentos em desuso forem chegando, vão ser catalogados e separados por validade, conforme mencionado acima, os que estiverem em condições de uso, serão enviados para a Igreja Nossa Senhora de Aparecida de Nilópolis aos cuidados dos Médicos que fazem atendimentos comunitários, e os vencidos serão encaminhados à incineradora Residuall que é nossa parceira nesta pesquisa. Com isso serão identificados os percentuais de pacientes que consomem todo o medicamento. Conservando assim, o meio ambiente e a sustentabilidade dos seres vivos.

15 CAPÍTULO I 1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO PROBLEMA Conforme levantamento estatístico disponibilizado pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF) baseado nos relatórios de atividades fiscais dos Conselhos Regionais de Farmácia, até dezembro de 2009, o Brasil contava com 550 indústrias farmacêuticas, 79.010 drogarias, 7.164 farmácias com manipulação, 8.284 farmácias públicas e 5.490 farmácias hospitalares. No Brasil, as vendas totais de medicamentos em 2009 somavam R$ 30,2 bilhões ficando em oitavo lugar, a expectativa que nos próximos três anos haja um crescimento desse mercado dentre 8 e 11% até 2013 o que, são consideradas elevadas comparativamente as expectativas de expansão global que deveria ficar entre 2 e 5%. Com o aumento da população e do consumo, o lixo tornou-se um dos maiores problemas no mundo. Somente no Brasil, são geradas diariamente 241 mil toneladas de lixo, sendo 90 mil produzidas nos domicílios. Na cidade de São Paulo, o volume chega a cerca de 10 mil toneladas por dia. Para alguns produtos e embalagens, como a latinha de alumínio e o papelão, a participação da população na coleta e reciclagem é fundamental. Em 2009, pela oitava vez consecutiva, o Brasil foi campeão mundial na reciclagem de latinhas do total de latas de alumínio para bebidas comercializadas no mercado interno em 2008, 91,5% foram recicladas. Há, no entanto, uma série de produtos que ainda precisam de solução para o descarte correto, como programas de coleta específicos e conscientização da população. No caso dos medicamentos, as embalagens primárias aquelas que têm contato direto com o produto, como comprimidos em blisteres ou em cartelas, xarope nos vidros e até ampolas de injeção e seringas, por exemplo é considerado um resíduo perigoso e constituem risco

16 ambiental, uma vez que a maioria das pessoas descarta esses produtos no lixo doméstico ou no vaso sanitário, contaminando o solo e a água. Somente no varejo são vendidas, aproximadamente, 170 milhões de unidades de medicamentos e/ou produtos farmacêuticos por mês. De acordo com a Resolução da Diretoria Colegiada nº. 80, de 11 de maio de 2006, as farmácias e drogarias podem fracionar medicamentos a partir das embalagens especialmente desenvolvidas para essa finalidade, de modo que possam ser dispensados em quantidades individualizadas para atender as necessidades terapêuticas de usuários de medicamentos, considerando as exigências legais envolvidas para tal prática. Essa medida foi criada considerando, principalmente, o desperdício de medicamentos e as consequências de utilização decorrente das sobras para a prática da automedicação. Entretanto, cabe aqui salientarmos que mesmo o usuário tendo o número correto de unidades posológicas para o tratamento, esse fato não garante que a adesão ao tratamento estabelecido seja efetivada e, portanto, caso não seja cumprido o esquema posológico proposto, a sobra também estará presente. Em relação à contaminação das águas, o lançamento de resíduos de fármacos no ambiente através de esgotos domésticos, tratados ou não, é a principal rota de entrada. No entanto, devem ser considerados os efluentes rurais, a presença de fármacos no esterco animal utilizado para adubação de solos e a disposição inadequada após expiração do prazo de validade. O resíduo gerado por desperdício de medicamentos não é verificado somente no Brasil. Estudo recente conduzido em Portugal verificou que 21,7% dos medicamentos prescritos não são aproveitados, considerando como causas a inadequação das unidades constantes nas apresentações ao

17 tratamento prescrito e a não adesão dos pacientes ao esquema posológico estabelecido, gerando um impacto nos encargos financeiros relacionados ao co-financiamento do Sistema Nacional de Saúde de Portugal. A utilização de antibióticos foi objeto de estudo realizado em Santa Catarina, verificando que parte da população interrompe o tratamento com essa classe terapêutica sem motivo justificável além de que, de maneira geral, a população amostrada não possui informação e dimensão a respeito da resistência bacteriana, acrescido ao fato da geração de resíduo que em algum momento será descartado. A sobra de medicamentos decorrentes de utilização em enfermidades anteriormente apresentadas, foi evidenciada através de estudo realizado onde um grande número de domicílios cujos moradores são usuários do SUS, não aderiram ao tratamento posológico prescrito trazendo, assim, como possíveis consequências os insucessos terapêuticos e a geração de resíduos. O problema de resíduos liberados ao meio ambiente é muito amplo e devemos considerar neste contexto, também, a eliminação dos medicamentos depois de administrados e que estarão contribuindo, também, com a contaminação ambiental. A taxa de excreção da forma inalterada depende do fármaco, da dose e do indivíduo. De modo geral, 40 a 90% da dose administrada são excretados em sua forma original e a maior parte dos fármacos que chega aos ETEs, são provenientes de excreção metabólica após prescrição na medicina humana e veterinária. Os estrogênios sintéticos se constituem classe de fármacos intensamente discutida, considerando os possíveis efeitos adversos correspondentes por interferirem no desenvolvimento e reprodução de organismos aquáticos, além de estarem relacionados ao desenvolvimento de vários tipos de cânceres em humanos. Estudo envolvendo peixes jovens da espécie Rutilus rutilus, que foram expostos a estrogênios sintéticos além de

18 outros perturbadores endócrinos, evidenciou uma feminização dos peixes machos. 1.1 Conseqüências Existe falta de informação quanto ao procedimento correto de descarte de medicamentos não utilizados e/ou vencidos por grande parte da população. O descarte de medicamentos vencidos no lixo comum poderá trazer comprometimento à saúde pública considerando a nossa realidade nacional onde existem pessoas que sobrevivem de restos adquiridos nos lixões da cidade, sendo expostas aos riscos inerentes a esse tipo de produto. De maneira geral, o descarte de medicamentos é realizado no lixo doméstico em razão de desconhecimento de informações sobre o destino correto conforme evidenciado em estudos. 1.2 Condutas estabelecidas em alguns países e aplicadas em estados Brasileiros Nos Estados Unidos da América do Norte, segundo a Food and Drug Administration Agency, quando um medicamento tem sua data de validade expirada, é recomendada a retirada de todos os comprimidos, cápsulas ou drágeas de suas embalagens primárias e colocá-los em saco plástico misturando-os com lixo orgânico (borra de café, por exemplo), que deverá ser descartado no lixo comum, o qual faz com que outras pessoas quando os encontrar fique desencorajado a consumi-los. Já em relação aos medicamentos líquidos, a orientação é que sejam esvaziados em pia e o frasco descartado em lixo comum. Aparentemente não há a preocupação em relação ao descarte de medicamentos no esgoto ou lixo comum. Em São Paulo, um projeto de Lei Municipal nº 272/10, publicado em 17 de junho de 2010, dispõe sobre a implantação de pontos de entrega

19 voluntária de medicamentos vencidos e institui a política de informação sobre os riscos ambientais causados pelo descarte incorreto desses produtos, no âmbito da cidade em questão. A responsabilidade pelo recolhimento e destinação final dos medicamentos vencidos coletado em cada ponto implantado para esse fim será do poder executivo, por meio do RG do competente. Demonstrando preocupação com o meio ambiente, recentes iniciativas de orientação à população foram estabelecidas por supermercados na cidade de São Paulo/SP na criação de postos de coleta de medicamentos vencidos e também de embalagens primárias (ampolas, frascos de vidro, cartelas vazias etc.) que serão encaminhados à incineração cujo processamento será coordenado pelo Departamento de Limpeza Urbana da Prefeitura de São Paulo. Além disso, as embalagens secundárias e as bulas serão descartadas em postos comuns de reciclagem de papel. Em Curitiba, no estado do Paraná, são encontrados postos de recolhimento de medicamentos vencidos, em pontos de ônibus além de caminhões, que ficam estacionados em pontos estratégicos, cujo endereço está disponível no site da Prefeitura Municipal para o recolhimento de lixos domésticos, considerados impróprios para o descarte no lixo comum. Importante que saibamos como os outros países estabelecem condutas, para minimizar o impacto ambiental decorrente do descarte doméstico de medicamentos, e com a análise dos modelos existentes, poderão delineadas ações para serem utilizadas em nosso país. Em Portugal, existe um sistema integrado de gestão de resíduos de embalagens e de medicamentos que realiza o recolhimento de medicamentos, bem como de suas embalagens, em postos de coleta instalados em drogarias e em pontos de fácil acesso para os consumidores em todo o território nacional, como também realizam o recolhimento de embalagens e medicamentos de uso veterinário, que a partir de uma seleção e segregação de embalagens, as envia

20 para reciclagem e, quanto aos medicamentos o destino é a incineração. Este trabalho está engajado também às campanhas de conscientização da população para o descarte nos postos de coleta dispersos pelo país. Neste contexto, o Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens e Medicamentos (SIGREM) de Portugal recebeu cerca de seiscentas toneladas de embalagens e medicamentos fora do prazo de validade. A resistência bacteriana é um problema de saúde pública ambiental e mundial, que limita o tratamento de infecções em razão ao surgimento de bactérias resistentes aos antibióticos e interfere no equilíbrio dos ecossistemas, que poderá ser em decorrência tanto pelo mau uso dos antimicrobianos quanto pelo descarte das eventuais sobras no ambiente. Em se tratando do manejo de resíduos contendo substâncias como hormônios (produtos que os contenham), antimicrobianos, citostáticos, antineoplásicos, imunossupressores, digitálicos, imunomoduladores, antirretrovirais, bem como resíduos de produtos e insumos farmacêuticos sujeitos ao controle especial, especificados pela Portaria de nº 344/98, a regulamentação sanitária orienta que devem ser submetidos a um tratamento ou disposição final específicos, o que compreende disposição em aterros de resíduos perigosos ou que possam ser encaminhados para sistemas licenciados de disposição final. É importante frisar que o consumidor, em razão da sua inerente vulnerabilidade, deve ser tratado com o elo mais frágil da cadeia de produção e consumo. Na definição de seu papel na logística reversa para os medicamentos vencidos, embalagens e demais resíduos gerados por seu consumo, deve-se sempre pensar na sua comodidade, estabelecendo-se um sistema prático de coleta pós-consumo, em postos de fácil acesso, de preferência instalados no mesmo lugar em que o produto foi adquirido, ou seja, nas farmácias e drogarias.

21 É fundamental, entretanto, que a incineração esteja interconectada a um sistema avançado de depuração de gases e tratamento/recirculação de líquidos de processo, considerando que os gases efluentes de um incinerador carregam grandes quantidades de substâncias em concentrações muito acima dos limites das emissões legalmente permitidas e necessitam de tratamento físico-químico para a remoção e neutralização de poluentes decorrentes do processo térmico empregado.

22 CAPITULO II 2 DESCARTE INADEQUADO DOS MEDICAMENTOS POR FALTA DE INFORMAÇÃO O destino dos medicamentos que sobram de tratamentos finalizados e dos que são comprados em quantidades desnecessárias são guardados para serem utilizados novamente. Assim, a falta de tempo para ir ao médico ou a carência de atendimento de consultas gratuitas, ou o acreditar que não é necessário procurar um médico faz com que se utilizem prescrições anteriores. (GASPARINI, 2010). Quanto à questão da devolução de medicamentos não utilizados ás farmácias, a fim de evitar o seu descarte ainda dentro do prazo de validade, a questão passa por aspectos delicados quanto ao desconhecimento de como este medicamento foi armazenado uma vez que freqüentemente não está de acordo com as condições especificadas pelo fabricante para manutenção da integridade do medicamento e, portanto, a sua estabilidade comprometendo, assim, a possibilidade de sua utilização por outros segmentos da sociedade. Em relação ao gerenciamento dos resíduos, tais princípios devem ser considerados: reduzir, segregar e reciclar. A primeira providência para um melhor gerenciamento dos resíduos de serviços de saúde é a redução no momento da geração. Evitar o desperdício é uma medida que tem um benefício duplo: economia de recursos não somente em relação ao uso de materiais, mas também em seu tratamento diferenciado. A segregação correta dos resíduos garante o encaminhamento para coleta, tratamento e disposição final especial dos resíduos que realmente necessitam desses procedimentos, reduzindo as despesas com o tratamento ao mínimo necessário.

23 O mesmo autor afirma que a população é a peça chave na solução dos problemas causados pelos medicamentos quando inadequadamente descartados no ambiente. Porém, para que esse papel seja exercido de forma consciente e absoluta, é necessária a educação juntamente com a consciência ambiental e o acesso à informação ambientalmente correta, para que assim, com essa informação, possa exercer, de forma plena, a defesa da sustentabilidade. Ainda, conforme Gasparini (2010), o descarte inadequado é feito pela maioria das pessoas por falta de informação e divulgação sobre os danos causados pelos medicamentos ao meio ambiente e por carência de postos de coleta. (2010, p.42) Para tal, a falta de informação faz com que as pessoas descartem esses medicamentos no lixo comum ou em vasos sanitários, mas conforme Sotoriva (2009), o sistema de esgoto brasileiro não está preparado para fazer o tratamento adequado de resíduos tóxicos provenientes de medicamentos que são atirados na pia ou no vaso sanitário. Existem algumas tendências básicas quanto às tentativas de minimização desses resíduos: reciclagem, incineração completa e aterros sanitários. A incineração e os demais processos de destruição térmica constituem hoje um conjunto de processos que tem importância relevante em decorrência de suas características de redução de peso, volume e da periculosidade dos resíduos, e conseqüentemente a agressão ao meio ambiente. Esta importância tende a crescer no Brasil, como vem ocorrendo nos países desenvolvidos, devido às dificuldades de construção de novos aterros e necessidade de monitoramento ambiental do local do aterro por longos períodos, inclusive após a desativação.

24 Figura1: Descarte Irregular de medicamentos em Picos (Extraído do BLOG, 2012). No entanto, o descarte inadequado de medicamentos vencidos pode causar sérias intoxicações no ser humano e também no meio ambiente. Os remédios têm componentes resistentes que se não forem tratados acabam voltando para nossa casa e a gente pode até consumir água com restos de remédios. Eles são produtos químicos e não podem ser jogados no lixo comum. (NASCIMENTO, 2008, p. 01) 2.1 Como descartar medicamentos e embalagens de produtos farmacêuticos: Todos os medicamentos devem ser descartados em sua embalagem original, por exemplo: cartela de comprimidos, vidro de xarope, bisnaga com pomadas e cremes etc.; tomando o cuidado de deixar as embalagens sempre fechadas. Não é necessário destacar os comprimidos.

25 Seringas e agulhas também podem ser descartadas. O ideal é a utilização de um recipiente rígido para armazenagem como, por exemplo, latas de achocolatados, eliminando o risco de acidentes. Caixas de medicamentos e bulas (papel) devem ser entregues nas Estações de Reciclagem, uma vez que as mesmas não tiveram contato direto com o medicamento. Figura 2: Descarte Correto de Medicamentos (Extraído do BLOG, 2012).

26 2.2 Dicas de como armazenar os medicamentos em casa Guardar os medicamentos juntamente com as bulas e em suas embalagens originais; Os medicamentos devem ser guardados longe da luz, umidade e do calor e, em alguns casos, devem ser armazenados em geladeira. Leia a bula/embalagem para verificar qual a condição ideal de armazenagem e conservação; Alguns efeitos indesejados podem ocorre do armazenamento errado ou de produtos vencidos; Os medicamentos não devem ficar ao acesso de crianças; Ao adquirir medicamentos verifique o prazo de validade; O descarte correto dos medicamentos deve ser feitos em postos de coleta presentes em farmácias, unidades básicas de saúde e unidades de saúde da família e nunca descartá-los em pias, vasos sanitários ou lixo doméstico; Medicamentos que não estejam vencidos e em perfeitas condições de uso, podem ser entregues para doação, em farmácias comunitárias, abrigo de idosos, etc, desde que a instituição tenha um farmacêutico responsável, que fará uma avaliação do estado desses medicamentos. O conhecimento popular de que os medicamentos vencidos não apresentam mais efeito, sendo assim isentos de quaisquer atividades farmacológica e/ou biológica é um equívoco. Estes produtos geralmente continuam apresentando ação às vezes menos intensas, porém, mais tóxicas sobre os organismos vivos, como o ser humano, peixes e bactérias, entre outros. 2.3 - Uso racional de medicamentos O uso racional de medicamentos é uma questão que vem sendo discutida pela população em que a adequação posológica ao número de unidades seria uma das soluções para minimizar o consumo excessivo de medicamentos.

27 De acordo com Gasparini (2010), os medicamentos são essenciais para a manutenção da saúde da população, porém, a mídia dá um grande incentivo ao consumo excessivo de medicamentos e isso faz aumentar o acúmulo de medicamentos não utilizados nas residências. Na verdade são vários fatores que influenciam o consumo de medicamentos, entre eles pode-se citar a propaganda, a oferta de medicamentos, as doenças, as prioridades do sistema de saúde e suas estruturas. Sabe-se que a publicidade é, sem dúvida, o fator predominante para o uso racional, pois a indústria farmacêutica gasta boa parte de seu orçamento em publicidade e acaba convencendo a população da cura de doenças utilizando certos medicamentos. O consumo de medicamentos, como já citado, também está relacionado com os recursos econômicos e humanos destinados ao serviço de saúde, no qual no Brasil existem programas de saúde que distribuem gratuitamente a maioria dos medicamentos básicos para diversos tratamentos de saúde, sendo que esta distribuição gratuita é importante para quem realmente necessita de medicamentos, mas também é um incentivo para o consumo exagerado sem real necessidade de um tratamento. De acordo com Laporte (1985), existem muitos medicamentos inúteis, em que a sua eficácia terapêutica jamais foi comprovada, sendo que alguns são usados para tratamento de problemas que têm raízes sociais e não podem ser resolvidos com remédios, mas os fabricantes e as farmácias exercem pressão para expandir constantemente o mercado sem procurar preencher uma necessidade real. Portanto, o uso racional de medicamentos indica observância do princípio de que, a não geração de resíduos incluídos a estes, os medicamentos, passam pelo adequado gerenciamento na fabricação, distribuição, venda e prescrição dos mesmos. Para adequar o consumo à produção crescente de tecnologias, a sociedade contemporânea necessita encurtar cada vez mais a temporalidade das ações, eliminando a durabilidade dos bens e tornando-os rapidamente substituíveis. O medicamento moderno é

28 parte dessa sociedade que, por meio de significados simbólicos, também produz necessidades de consumo que devem incorporar os bens que são produzidos em escala. No entanto, para o consumo de medicamentos é necessário observar sua validade e aparência, pois medicamentos utilizados fora desse prazo podem causar efeitos indesejados e oferecer riscos à saúde. Segundo a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o prazo de validade de um medicamento, corresponde ao tempo durante o qual o produto poderá ser usado, caracterizado como período de vida útil e fundamentada nos estudos de estabilidade específicos. (ANVISA, 2010). Portanto, enquanto os medicamentos vencidos aguardam a mobilização das condições adequadas de descarte, devem permanecer em recipientes adequadamente identificados em locais discriminados dos demais e também identificado para impedir de forma inequívoca que sejam utilizados inadequadamente. 2.4 Contexto Legal Medicamento Lei nº 5991/1973 - Dispõe sobre o controle sanitário do comércio de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos. Lei nº 6360/1976 - Dispõe sobre a vigilância sanitária a que ficam sujeitos os medicamentos, as drogas, os insumos farmacêuticos. Portaria nº 3.916/1998 - Política Nacional de Medicamentos. Resolução CNS nº 338/2004 - Política Nacional de Assistência Farmacêutica.

29 2.5 Contexto Legal Resíduo Resolução CONAMA nº. 358, de 29 de abril de 2005 Dispõe sobre o tratamento e a disposição final dos resíduos dos serviços de saúde e dá outras providências. Lei nº. 11.445, de 05 de janeiro de 2007 Estabelece as Diretrizes Nacionais para o Saneamento Básico. Lei nº. 12.305, de 2 de agosto de 2010 Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Decreto nº 7.404, de 23 de dezembro de 2010 Regulamenta a Lei nº 12.305/2010. Portaria 344/98 e a Instrução Normativa n. 6/2009 - Regulamento Técnico de substâncias e medicamentos sujeitos a controle especial. Resolução da Diretoria Colegiada RDC nº. 306/2004 - Regulamento Técnico para o gerenciamento de resíduos de serviços de saúde. Resolução da Diretoria Colegiada RDC nº. 56/2008 - Boas Práticas Sanitárias no Gerenciamento de Resíduos Sólidos nas áreas de Portos, Aeroportos, Passagens de Fronteiras e Recintos Alfandegados. Resolução da Diretoria Colegiada RDC nº. 81/2008 Regulamento Técnico de Bens e Produtos Importados. Resolução da Diretoria Colegiada RDC nº. 88/2008 - Proíbe em inaladores a presença do gás CFC, um propulsor que danifica a camada protetora de ozônio. Resolução da Diretoria Colegiada RDC nº.44/2009 Dispões sobre Boas Práticas em Farmácias e Drogarias.

30 2.6 Contexto legal Projetos de Lei PLC N 595/2011 - Altera o Artigo 6ª à Lei 5.991/1973, para dispor sobre o recolhimento e o descarte consciente de medicamentos. PLS N 148/2011 - Altera a Lei nº 12.305/2010, para disciplinar o descarte de medicamentos de uso humano ou de uso veterinário. PL N 396/2011 -Dispõe sobre o fracionamento de medicamentos. PLS N 229/2010 - Altera a Lei nº 12.305/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, para dispor sobre o gerenciamento dos resíduos de serviços de saúde pelos Municípios. PLS N 8044/2010 - Institui a Política Nacional de Medicamentos. PL N 5.087/2009 - Obriga as industrias farmacêutica e as empresas de distribuição de medicamentos, a dar destinação adequada a medicamentos com prazos de validade vencidos e dá outras providências. PLS N 259/2008 - Altera a Lei nº 6.360, de 23 de setembro de 1976, para dispor sobre a impressão do número do lote e das datas de fabricação e de validade de medicamentos. PL N 718/2007 - Altera o Decreto-Lei nº 467/1969, para dispor sobre a devolução de embalagens vazias de produtos de uso veterinário. PL N 7.029/2006 - Acrescem dispositivos ao art. 22 da Lei nº 6.360/1976, para dispor sobre registro e fracionamento de medicamentos para dispensação, e dá outras providências. PL N 1.564/2003 - PLC61/2006 - Altera a Lei nº 9.787/1999, dispondo sobre a prescrição de medicamentos pela

31 PL N 3.125/2000 - Alteram dispositivos da Lei nº 7.802/1989, que dispõe sobre a pesquisa, a experimentação, a produção, a embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercialização, a propaganda comercial, a utilização, a importação, a exportação, o destino final dos resíduos e embalagens, o registro, a classificação, o controle, a inspeção de agrotóxicos e afins, e dá outras providências. 2.7 Ações Propostas Realização de painéis e seminários regionais / estaduais. Inserir o tema descarte de medicamentos nas Conferências de Saúde. Fortalecimento das ações do Grupo de Trabalho Temático de Medicamentos GTT de Medicamentos, no âmbito da PNRS. Participação da discussão de regulamentação sobre o tema no Congresso Nacional e nas instâncias estaduais e municipais Incentivo à realização de painéis e seminários regionais, estaduais e municipais. Inserir o tema descarte de medicamentos nas Conferências de Saúde/2011. Fortalecimento das ações do Grupo de Trabalho Temático Medicamentos GTT, no âmbito da PNRS. Participação da discussão de regulamentação sobre o tema no Congresso Nacional e nas instâncias estaduais e municipais 2.7.1 O que é o GTT de Medicamentos? O Grupo de Trabalho Temático (GTT) de Medicamentos foi criado em 16 de março de 2011, pelo Grupo Técnico Assessor GTA do Comitê Orientador para a implantação da Logística Reversa no País, no âmbito da PNRS. O GTT de Medicamentos é coordenado pelo Ministério da Saúde com o apoio da Anvisa, constituído por representantes do Poder Público, do setor

32 empresarial da cadeia farmacêutica, das entidades de classe e da sociedade civil. O GTT tem caráter provisório, com data de término do trabalho em seis meses, podendo ser prorrogado por mais seis meses. 2.7.2 Objetivo do GTT de Medicamentos Elaborar proposta de logística reversa de resíduos de medicamentos, dentro dos parâmetros estabelecidos pela PNRS, subsidiando a elaboração do Edital de chamamento para Acordo Setorial, dando embasamento ao GTA e ao Comitê Orientador na tomada de decisões pertinentes ao tema. 2.7.3 Objetos do GTT de Medicamentos Estudos de viabilidade técnica e econômica da implantação da logística reversa Avaliação dos impactos sociais e econômicos da Logística Reversa de Medicamentos Edital de chamamento para Acordo Setorial

33 CAPÍTULO III 3 DESTINO FINAL DOS MEDICAMENTOS A sociedade atual enfrenta um grande problema, pois mesmo sabendo que os medicamentos não devem ser descartados em qualquer lugar do meio ambiente não existe um destino correto para os mesmos. Segundo Silva (2005), desde tempos mais remotos, há registros históricos de que as pessoas fazem uso de remédios com alguma finalidade seja aliviar dores, prevenir ou curar doenças ou até mesmo na alteração do humor, mas de forma inadequada, se automedicando e descartando os medicamentos que restam do tratamento em lugares não adequados. A destinação final dos resíduos de medicamentos ainda se resume na adoção de soluções imediatas, em que quase sempre são fundamentadas no simples descarte, predominando o descarte no lixo comum, pois conforme Silva (2005), lixo nada mais é do que o reflexo da sociedade que o produz, quanto mais industrializada, rica tem-se mais resíduos pelo fato de consumir mais, (2005, p.15), e assim contribuindo na contaminação do meio ambiente. A incineração de resíduos sólidos seria o destino adequado para os medicamentos que necessitam ser descartados, pois segundo Bidone (2005) a incineração é um processo de oxidação à alta temperatura que destrói ou reduz o volume ou recupera materiais ou substâncias, ou seja, transformar os rejeitos em materiais inertes, reduzindo peso e volume. De acordo com Alvarenga / Nicoletti (2010),a incineração é atualmente a maneira indicada para destino e diminuição do volume dos medicamentos inutilizados, como método de evitar que estes sejam descartados indevidamente no ambiente, trazendo como conseqüências a poluição de água e solo, devemos considerar que a incineração por sua vez não é o método ideal, uma vez que gera emissão de gases tóxicos à atmosfera. (2010, p.38)

34 No entanto, existem dificuldades que apenas poderão ser superadas com a integração de todos os envolvidos nessa questão. Segundo Silva (2005), para tentar solucionar a questão da quantidade de lixo, propõe-se uma mudança no comportamento social, principalmente nos padrões de produção e consumo com a diminuição de medicamentos descartados. Na Resolução n 44 de 17 de agosto de 2009, a ANVISA dispõe no artigo 93 que fica permitido às farmácias e drogarias participar de programas de coleta de medicamentos a serem descartados pela comunidade com o intuito de preservar a saúde pública e a qualidade do meio ambiente. Porém, não há legislação específica para cobrar desses estabelecimentos à realização destas campanhas, atribuindo então a responsabilidade para a comunidade em devolver a esses lugares os medicamentos não utilizados. Conforme a legislação brasileira, as farmácias não têm a obrigação de receber remédios que não serão mais usados. Já os postos de saúde não podem aceitar os medicamentos, mesmo dentro da data de validade, porque não é possível saber como eles foram armazenados. Os órgãos de saúde sabem que o problema existe, mas pouco faz para solucioná-lo. As normas existentes dizem respeito aos estabelecimentos de serviços de saúde. Porém, ainda não foram editadas normas que abranjam o consumidor final com relação ao descarte de medicamentos, pois os estados e municípios têm autonomia para criar as próprias leis que estabeleçam a forma correta de se descartar os remédios. Uma prática a ser adotada seria realizar a incineração, pois os compostos formados ficam inertes, ou seja, não reagem e dessa forma não acarretam riscos à natureza. Apesar das altas temperaturas garantirem o processo, a vigilância sanitária exige testes no material após incineração para garantir e documentar o procedimento.

35 Para que a incineração fosse uma solução, os medicamentos descartados deveriam ser encaminhados a empresas autorizadas pela vigilância sanitária. Porém, de acordo Sottoriva (2009), o problema do descarte incorreto de medicamentos vencidos pelos cidadãos se dá pela falta de divulgação sobre os problemas causados ao meio ambiente e também da carência de postos de coleta. Infelizmente eles ainda são restritos nas cidades brasileiras e algumas unidades de saúde ainda não estão preparadas para lidar com essa situação. A melhor solução seria o investimento na melhoria contínua do processo e da estrutura para impedir que os produtos se tornem inservíveis (por vencimento ou deterioração) durante o tempo de estocagem. Essas mudanças e desastres não se restringem apenas ao ambiente físico e biológico, mas também as relações sociais, econômicas e culturais. Para tal, Silva (2005) afirma que enquanto o homem não se conscientizar que faz parte do meio ambiente e que não está acima deste, a natureza será cada vez mais prejudicada, porém se houver tal consciência irá ocorrer uma integração saudável e satisfatória para ambos levando ao equilíbrio. (2005, p. 8).

36 CONCLUSÃO Uma das discussões mais atuais está relacionada ao descarte de medicamentos e seu impacto ambiental decorrente da contaminação do meio ambiente. A conscientização da população quanto ao descarte de medicamentos não é somente um problema verificado em nosso país. Mesmo os medicamentos que não são descartados e são consumidos (como parte do processo de recuperação da saúde) acabam sendo eliminados no meio ambiente. A destinação final dos resíduos de origem farmacêutica é um tema relevante para a saúde pública decorrente das diferentes propriedades farmacológica dos medicamentos que, inevitavelmente, se tornarão resídua. Aparentemente não há a preocupação em relação ao descarte de medicamentos no esgoto ou lixo comum. Pois a responsabilidade pelo recolhimento e destinação final dos medicamentos vencidos coletados em cada ponto implantado para esse fim será do poder executivo. O destino dos medicamentos que sobram de tratamentos finalizados e dos que são comprados em quantidades desnecessárias são guardados para serem utilizados novamente. Em relação ao gerenciamento dos resíduos, tais princípios devem ser considerados: reduzir, segregar e reciclar. A sociedade atual enfrenta um grande problema, pois mesmo sabendo que os medicamentos não devem ser descartados em qualquer lugar do meio ambiente não existe um destino correto para os mesmos. A destinação final dos resíduos de medicamentos ainda se resume na adoção de soluções imediatas, e que quase sempre são fundamentadas no simples descarte, predominando o descarte no lixo comum, lixo nada mais é do

37 que o reflexo da sociedade que o produz, quanto mais industrializada, rica temse mais resíduos, pelo fato de consumir mais, e assim contribuindo na contaminação do meio ambiente. O problema do descarte incorreto de medicamentos vencidos pelos cidadãos se dá pela falta de divulgação sobre os problemas causados ao meio ambiente e também da carência de postos de coleta, quando houver essa conscientização com certeza o mundo viverá muito melhor. Entre os aspectos positivos do trabalho, destaca-se a preocupação dos órgãos envolvidos quanto ao descarte correto dos medicamentos e a participação ativa nas atividades propostas, expondo suas concepções. Partindo desse principio, a idéia proposta neste estudo, foi fundamentado no esclarecimento da população e a implantação destes postos para a melhoria e bem estar de todos os envolvidos. Ao finalizar este trabalho, considera-se a relação com o meio ambiente tão importante quanto à sua preservação. Assim, a contaminação dos recursos ambientais por medicamentos descartados pode causar um grande impacto ambiental. As tecnologias e a inteligência humana não são eficientes para os impactos que estão sendo causados ao meio ambiente. Portanto, a partir desse trabalho foi possível mostrar que as iniciativas individuais são fundamentais para a conscientização da humanidade, em que a ação de cada indivíduo é de extrema importância para ajudar a preservar os recursos naturais.