Avaliação Semanal Correcção



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Transcrição:

Avaliação Semanal Correcção 1. Mulher de 32 anos, caucasiana. Antecedentes pessoais e familiares irrelevante. 11 Gesta, 11 Para, usa DIU. Recorreu ao S.U. por dor abdominal de início súbito, localizada na FID. Teve um episódio de vómito. Sem febre, com taquicardia. Suada. Tinha dor à palpação na FID mas sem sinais de irritação peritoneal à percussão. Refira as hipóteses de diagnóstico mais prováveis bem como os exames subsidiários que solicitaria para confirmar o diagnóstico, justificando. É mais provável que se trate de gravidez ectópica (apesar do DIU, que pode não ter sido eficaz) e menos provável uma apendicite aguda em fase inicial (apesar de não ter tido irritação peritoneal nem febre ). Exames que pediria: p-hcg para confirmar gravidez ectópica, bem como ecografia pélvica para diagnóstico diferencial gravidez ectópical apendicite e exames analíticos para ver se havia leucitose com neutrofilia que é mais próprio da apendicite. A hipótese mais provável de diagnóstico é a de gravidez ectopica, hipótese reforçada pelo facto de a doente não apresentar sinais de irritação peritoneal, nem febre. Outras hipóteses de diagnóstico seriam patologias do apêndice não agudas. Os exames auxiliares a efectuar seriam hemograma, para despistar sinais de inflamação (leucicitose e t da PCR), ecografia abdominal e pélvica e a p-hcg Hipóteses de diagnóstico: gravidez ectopica complicada com hemorragia abdominal (taquicardia e suada) - mais provável, doença inflamatória pélvica; apendicite. Exames subsidiários: ecografia abdomino-pélvica doseamento da p-hcg hemograma 1

2. Homem de 72 anos, sem antecedentes pessoais e familiares relevantes. Recorreu ao SU por dor abdominal generalizada tipo cólica, paragem de emissão de gases e fezes, vómitos entéricos e distensão abdominal desde há 4 dias. Emagrecimento de 10 Kg nos últimos 6 meses. Refira as hipóteses de diagnóstico mais prováveis bem como os exames subsidiários que solicitaria para confirmar o diagnóstico. Hipótese de diagnóstico: carcinoma colorrectal estenosante ( cólon distal ) complicado de oclusão intestinal. Outra hipótese seria patologia herniária (possível causa de oclusão intestinal facilmente confirmada pelo exame fisico) embora dado os sintomas gerais a hipótese mais provável é mesmo o carcinoma colorrectal. Exames subsidiários: Rx abdominal simples de pé Rectosigmoidoscopia (colonoscopia total) Tac abdomino-pélvico para estadiamento da doença Hipóteses e diagnóstico: Carcinoma colorrectal ( factores: idade, estado geral do doente), em oclusão Exames: Rx simples abdominal de pé (avaliação dos níveis hidroaéreos e nível de obstrução) Colonoscopia Tac abdomino-pélvico para estadiamento da doença 2

3. Mulher de 25 anos, saudável até há 2 anos, altura em que começa a referir astenia e emagrecimento. Actualmente mantém uma drenagem purulenta peri-anal, com vários trajectos fistulosos. Recentemente apresenta vários nódulos em ambos os membros inferiores. Refira qual o diagnóstico mais provável e como orientaria a doente. Dada a sintomatologia o diagnóstico mais provável será a de doença de Crohn com atingimento peri-anal. Como a doença afecta todo o tubo digestivo e o ileon distal é o segmento mais afectado a doente deverá realizar uma colonoscopia com biopsia e um Rx contrastado. Relativamente ao estudo da fistula, se se tratar de um trajecto complicado como acontece nesta doença poderá ser efectuada uma RMN. Se comfinnado o diagnóstico a doente deverá iniciar anti-inflamatórios e imunossupressores. O tratamento cirúrgico só é reservado para complicações como os abcessos, fistulas e obstrução. O diagnóstico mais provável é o de doença de Crohn com atingimento perirectal, devido à sintomatologia sistémica ( emagrecimento e astenia), idade, fistulas perianais múltiplas e manifestações extra-intestinais como o eritema nodoso. Esta doença deveria ser confmnada com Rx contrastado, colonoscopia com biopsias e RMN para as fistulas peri-anais. O tratamento é médico com antibióticos, anti-inflamatórios. Em caso de complicações: estenoses e fistulas o tratamento é cirúrgico. A cirurgia deve ser o mais conservadoramente possível para evitar o síndrome de intestino curto, já que esta doença é recidivante. O tratamento das fistulas pode implicar fistulotomia com colocação de seton. 3

4. Comente a afinnação: Nem sempre é fácil estabelecer o diagnóstico diferencial entre carcinoma colorrectal, diverticulite aguda e colite isquémica. O diagnóstico diferencial entre estas três patologias pode, de facto, ser complicado devido a uma relativa semelhança de apresentação clínica - perdas hemáticas, alterações do trânsito intestinal, embora a maior parte das vezes a colite isquémica curse com diarreia sanguinolenta enquanto que as outras duas com obstipação. A dor abdominal não é tão aguda num caso de carcinoma colorrectal ( á excepção do aparecimento de complicações como a obstrução ou a perfuração) sendo de instalação aguda numa colite isquémica e diverticulite aguda. Os sintomas sistémicos acompanhantes poderão também ajudar a dirigir o diagnóstico (asteia, emagrecimento, anemia) bem como outros sinais (febre e leucicitose no caso de uma diverticulite). O diagnóstico diferencial entre estas patologias pode ser dificil por vários factores. Surgem tipicamente na mesma faixa etária, podem ter apresentações semelhantes ( perda hemática, dor localizada no quadrante inferior esquerdo do abdomén ou generalizada, alterações de trânsito intestinal, náuseas e vómitos) para além de que com alguma frequência a doença diverticular co-existe em doentes com carcinoma colorrectal ou colite isquémica. Contudo há sinais e sintomas típicos de carcinoma ( astenia, anorexia, emagrecimento), eventuais adenomegalias, de diverticulite (marcadores inflamatórios) e o conhecimento de antecedentes pessoais e factores de risco para a colite isquémica. O recurso judicioso a exames complementares de diagnóstico ajudam a fazer o diagnóstico. 20 de Outubro de 2006 4