RIO GRANDE DO NORTE SECRETARIA DO ESTADO DA SAÚDE PÚBLICA NORMA TÉCNICA PARA FLUXO DE PACIENTES CIRÚRGICOS ENTRE HOSPITAIS GERAIS ESTADUAIS DE REFERÊNCIA DA REGIÃO METROPOLITANA E MOSSORÓ E AS UNIDADES PROPOSITORAS E SOLICITADORAS DE REFERÊNCIAS (UNIDADES MUNICIPAIS E HOSPITAIS REGIONAIS ESTADUAIS) O SECRETÁRIO DE ESTADO DA SAÚDE PÚBLICA, no uso das atribuições conferidas pelo art. 54, I, III, XIII, da Lei Complementar Estadual n.º 163, de 5 de fevereiro de 1999 e Decreto nº 23.513, de 19 de junho de 2013; CONSIDERANDO o art. 196 da Constituição Federal do Brasil que afirma que a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. CONSIDERANDO a necessidade de uma melhoria na qualidade da assistência prestada à população; CONSIDERANDO que existe um déficit real de profissionais de saúde na rede estadual para manter todas as unidades de atendimentos de urgência e emergência estaduais funcionando como referências para todas as condições cirúrgicas; CONSIDERANDO que historicamente tem se observado que as demandas nos hospitais de urgências estão relacionadas a atendimentos de baixa complexidade e de caráter ambulatorial que poderiam ser realizados em outros níveis de atenção; CONSIDERANDO que as necessidades do SUS de acordo com a proposta de regulação do acesso é uma das ações junto ao Ministério Público para inserção de todos os leitos da rede pública, conveniada/contratada na Central de Regulação do Estado para assim organizar a demanda junto aos serviços das unidades de saúde; CONSIDERANDO a necessidade manter os serviços funcionando e com isso garantir a manutenção das escalas assistenciais; CONSIDERANDO que a observação do perfil de assistência hospitalar de cada unidade de saúde, em consonância com as linhas de cuidados das redes prioritárias de atenção à saúde, deve ser de priorização do atendimento de urgência e emergência nos hospitais estaduais;
CONSIDERANDO as urgências como uma das portas de entrada do sistema e a possibilidade de reordenamento dos fluxos de referência e contra-referência de pacientes no SUS a partir dessa porta, com integração aos demais níveis de atenção, por meio do Complexo Regulador; CONSIDERANDO a necessidade de estabelecer um fluxo ao paciente cirúrgico, em especial para o cuidado ao usuário com abdome agudo, traumas torácicos e abdominais ou lesões vasculares, a fim de nortear os municípios e os hospitais regionais dentro da Rede de Urgência e Emergência; CONSIDERANDO que os fluxos descritos abaixo serão revisados periodicamente a fim de avaliar a eficácia e eficiência do processo proposto; CONSIDERANDO que são hospitais gerais estaduais de referência da região metropolitana o Pronto Socorro Clóvis Sarinho/Hospital Walfredo Gurgel (PSCS/HMWG), Hospital José Pedro Bezerra (HJPB), Hospital Regional Deoclécio Marques de Lucena (HRDML) e o Hospital Tarcísio Maia (HTM) em Mossoró; Normatiza: Art. 1º Estabelecer o fluxo de atendimento ao usuário com abdome agudo: 1º Os pacientes que necessitem de avaliação ou intervenção cirúrgica serão removidos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgências (SAMU) ou por referência dos pronto-atendimentos de hospitais municipais e regionais, que entrarão em contato com as seguintes unidades de referência, obedecendo à divisão por regiões de saúde: PSCS/HMWG : distrito sul, leste e oeste de Natal; HRDML: 1ª região, 4ª região, 5ª região, parte da 7ª região (Macaíba, São José do Mipibú, Parnamirim, parte do distrito sul de Natal) HJPB: 3ª região, distrito norte de Natal, Extremoz, São Gonçalo do Amarante; HTM: 2ª região, 6ª região, 8ª região. Art. 2º - Estabelecer o fluxo de atendimento ao usuário com tórax ou abdome traumatizado por causas externas: 1º Os pacientes que necessitem de avaliação ou intervenção cirúrgica serão removidos para as unidades de referência por meio do Serviço de Atendimento Móvel de Urgências (SAMU) ou por referência dos pronto-atendimentos de hospitais municipais e regionais estaduais: PSCS/HMWG: referência para pacientes com traumas graves (politraumatizados com suspeita real de traumatismo craniano TCE e/ou com fraturas expostas) de todas as regiões, exceto 2ª região, 6ª região, 8ª região; pacientes com traumas de tórax e/ou abdome com ou sem trauma ortopédico associado do distrito sul, leste e oeste de Natal; e traumas abdominais e/ou torácicos com trauma ortopédico associado da 3ª região, distrito norte de Natal, Extremoz, São Gonçalo do Amarante;
HRDML: referência para pacientes com traumas torácicos e/ou abdominais com ou sem traumas ortopédicos da 1ª região, 4ª região, 5ª região, parte da 7ª região (Macaíba, São José do Mipibú, Parnamirim, parte do distrito sul de Natal) os pacientes serão acolhidos no pronto-socorro e será feita a intervenção cirúrgica. Caso os pacientes estabilizados pela cirurgia geral possuam traumas ortopédicos que necessitem de intervenção imediata da ortopedia, serão transferidos para o PSCS/HMWG, e se estes não necessitem de intervenção imediata da mesma, após a estabilização pela cirurgia geral, poderão permanecer no HRDML e serão inseridos no mapa de cirurgias eletivas, via Central Metropolitana de Regulação (CMR) e aguardará para realizar cirurgia na própria unidade ou ser transferido para outro hospital a fim de realizar cirurgia ortopédica em segundo tempo; HJPB: referência para pacientes com traumas torácicos e/ou abdominais sem traumas ortopédicos associados da 3ª região, distrito norte de Natal, Extremoz, São Gonçalo do Amarante; HTM: referência para pacientes com traumas graves ou que apresentem apenas traumas torácicos e/ou abdominais com ou sem trauma ortopédico associado da 2ª região, 6ª região, 8ª região. Art. 3º Estabelecer o fluxo de atendimento ao usuário que necessite de drenagem de tórax: 1º Os pacientes que necessitem de avaliação ou intervenção cirúrgica serão removidos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgências (SAMU) ou por referência dos pronto-atendimentos de hospitais municipais e regionais, e deverão entrar em contato com as seguintes unidades: PSCS/HMWG: distrito sul, leste e oeste de Natal; HRDML: 1ª região, 4ª região, 5ª região, parte da 7ª região (Macaíba, São José do Mipibu, Parnamirim, parte do distrito sul de Natal) HJPB: 3ª região, distrito norte de Natal, Extremoz, São Gonçalo do Amarante; HTM: 2ª região, 6ª região, 8ª região. Art. 4º Estabelecer o fluxo de atendimento ao usuário que necessite de paracentese e drenagem de abcessos periféricos: 1º Os pacientes que buscarem, por demanda espontânea, as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e os pronto-atendimentos de hospitais municipais e regionais estaduais, realizarão esses procedimentos nas mesmas e se for necessário internamento, estes acontecerão nos leitos dos hospitais municipais e regionais estaduais, e para os pacientes de Natal nas unidades hospitalares por meio da CMR. 2º Caso os pronto-atendimentos dos hospitais municipais e regionais estaduais necessitem de algum suporte diante do quadro clínico destes pacientes, entrarão em contato com o HRDML e com o HJPB para discutir o caso e ver a necessidade ou não de referenciar. Se os mesmos forem encaminhados, e, após realizar procedimento nessas instituições, existir a necessidade de permanecerem internados, retornarão às unidades de origem ou a um município vizinho que possua leitos para internação, se estiverem hemodinamicamente estáveis.
3º Caso o PSCS/HMWG seja procurado por demanda espontânea, os pacientes serão acolhidos e, apresentando condições de transferência, serão encaminhados preferencialmente às UPA`s e aos pronto-atendimentos do município de Natal ou para o pronto-atendimento que dá suporte a sua cidade de origem. Em último caso os encaminhamentos serão ao HRDML ou ao HJPB. Art. 5º Estabelecer o fluxo de atendimento ao usuário que necessite de atendimento referente a doenças vasculares: 1º Os pacientes com doença vascular serão avaliados nas UPA`s e nos pronto-atendimentos de hospitais municipais e regionais. Se for identificada a necessidade de internamento, este será realizado nos leitos dos hospitais municipais e regionais estaduais de sua proximidade. 2º Para os pacientes de Natal, as UPA`s e pronto-atendimentos municipais entrarão em contato com a CMR para realizar o internamento nas unidades hospitalares e nos leitos de retaguarda. 3º O PSCS/HMWG será referência para os casos de pacientes com urgência e emergência vasculares, como: trombose venosa profunda, traumas vasculares, aneurisma de aorta roto, isquemia crítica, embolia arterial, erisipela bolhosa necrotizante, pacientes sépticos por problemas vasculares e os que necessitem de intervenção nas próximas vinte e quatro horas. Os pronto-atendimentos dos hospitais municipais e regionais estaduais entrarão em contato com o hospital, fazendo regulação dos pacientes para avaliação com o cirurgião vascular de plantão. Se, após análise do caso, não seja caracterizado uma urgência ou emergência, mas apresentar indicação cirúrgica, os pacientes serão incluídos, via CMR, no agendamento de cirurgias vasculares eletivas e aguardará em sua unidade de origem, leitos de retaguarda ou no Hospital Estadual Dr. Ruy Pereira dos Santos (HEDRPS). Esses leitos também podem ser direcionados para o tratamento clínico desses pacientes. 4º Caso as UPA s ou os pronto-atendimentos dos hospitais municipais e regionais estaduais necessitem de algum suporte diante do quadro dos pacientes com doenças vasculares que não se caracterizem como urgência ou emergência, inclusive os pacientes não sépticos com pé diabético, podem fazer agendamento ambulatorial via CMR ou entrar em contato diretamente com o HEDRPS, nos casos em que não podem aguardar agendamentos longos, sendo disponiblizadas duas vagas por horário de atendimento ambulatorial. Esse atendimento será regulado pelo médico da unidade de origem juntamente com o médico plantonista do hospital. Após a avaliação, sendo necessário o internamento, os pacientes permanecerão no HEDRPS ou ficarão internados em hospital municipal, regional estadual e de retaguarda, a depender das vagas, para dar continuidadeao tratamento. Se for necessário procedimento cirúrgico esse será agendado, via CMR, e os pacientes aguardarão no leito em que estiverem internados, até serem transferidos para HEDRPS a fim de realizar cirurgia. 5º Os pacientes que realizaram procedimento cirúrgico no HEDRPS e após avaliados pelo cirurgião vascular estiverem de alta desta clínica e se apresentarem em condições de transferência, retornarão às unidades de origem onde permanecerão internados ou num município vizinho que possua leitos para internação, dando continuidade ao tratamento. Se for necessário reavaliação com o cirurgião vascular pode ser agendado retorno na própria unidade.
6º Caso os pacientes sejam acolhidos inicialmente no HRDML, HTM ou HJPB, permanecerão nessas unidades acompanhados pelo clínico geral e receberão parecer do cirurgião vascular na unidade. Sendo necessária a realização de procedimento cirúrgico esse será agendado, via CMR, e os pacientes transferidos para HEDRPS, onde ocorrerá a cirurgia. Art. 6º - Estabelecer o fluxo de atendimento ao usuário que se encontra internado em hospitais gerais estaduais de referência da região metropolitana e de Mossoró aguardando exclusivamente procedimentos que serão realizados em outras unidades, consultas e exames: 1º Os pacientes hemodinamicamente estáveis que estiverem necessitando de cirurgias e que aguardam transferência pela CMR, poderão ser transferidos para aguardar em leitos de retaguarda ou de hospitais municipais ou regionais estaduais. 2º Os pacientes que estiverem aguardando marcação de exames de alta complexidade poderão ser transferidos para aguardar em leitos de retaguarda ou de hospitais municipais ou regionais estaduais; se houver necessidade de reavaliação com especialista, retornarão ao hospital de referência, por meio da CMR. 3º Os pacientes que estiverem aguardando consultas ou reavaliação com especialistas e estejam hemodinamicamente estáveis, poderão ser transferidos para aguardar em leitos de retaguarda ou de hospitais municipais ou regionais estaduais, por meio da CMR. Art. 7º - Diante da possibilidade de transferência dos pacientes para o aguardo de cirurgias e procedimentos em unidades hospitalares municipais, regionais estaduais e em domicílio, ela deverá ser realizada considerando que é um processo de regulação do SUS. A responsabilidade é do âmbito da saúde municipal, estadual e federal. O tempo para a realização dos mesmos não é de responsabilidade do médico da urgência nem da direção da unidade hospitalar e sim do Sistema Único de Saúde. Art. 8º As unidades hospitalares estaduais da região metropolitana ou de Mossoró quando necessitarem de pareceres de especialidades que não possuem em sua própria instituição, buscarão dentro da rede estadual (nos demais hospitais de referência) o parecer que necessita. Art. 9º As unidades consideradas de referência para os fluxos aqui explicitados não poderão negar atendimento para as indicações clínicas a que se destinam, considerando que as mesmas caracterizam-se como serviços vaga zero. Art. 10º No caso de superlotação em um dos serviços estaduais frente aos outros ou dificuldade de material para realizar procedimentos, deve haver entre os mesmos uma corresponsabilidade modo a prestar uma melhor assistência e efetivar o papel da rede de atenção à saúde, ajudando no que for preciso. Art. 11º A regulação entre os serviços ocorrerá diretamente entre os profissionais médicos que irão realizar o envio e o recebimento do paciente. Dessa forma, a comunicação será entre o SAMU e o hospital de referência e/ou entre o médico do hospital regional estadual ou municipal e a unidade
hospitalar de referência. Caso a comunicação não ocorra de forma satisfatória, será seguido o fluxo acima descrito. Art. 12º A ambulância municipal ou do hospital que está referenciando o caso, mediante regulação prévia, deverá permanecer na unidade de referência até que a equipe de saúde avalie o paciente e informe se ele ficará ou se será transferido para outro hospital. Art. 13º O SAMU, os serviços municipais e regionais estaduais realizarão o encaminhamento mesmo com a negativa do hospital de referência desde que este esteja dentro do fluxo estabelecido para a unidade, considerando o perfil da mesma. Art. 14º O encaminhamento indevido para unidades hospitalares de referência ou sem regulação, ou ainda a negativa de alguma unidade ou médico de receber algum paciente que esteja dentro do perfil da unidade onde desempenha suas atividades laborais e considerando os fluxos acima descritos, estarão sujeitos a punições e advertências administrativas e ao encaminhamento ao Conselho Regional de Medicina. Esta norma entra em vigor a partir de 10 de julho de 2014. LUIZ ROBERTO LEITE FONSECA Secretário de Estado da Saúde Pública