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Transcrição:

5 Considerações finais A recorrente pergunta o que é a verdade?, retomada das mais variadas formas em toda a história da filosofia, atravessa igualmente por inteiro cada gesto humano que pressupõe com a força de uma necessidade, a verdade da realidade do que é, a realidade do real, a lógica do sentido das coisas que são. Heidegger associou, desde o início de sua carreira acadêmica, a questão da verdade com a palavra grega logos, palavra que para ele significa simultaneamente lógica e linguagem. Esta questão da verdade foi tomada nesta dissertação como o fio condutor dos momentos mais decisivos da caminhada filosófica heideggeriana em sua perseverante pergunta sobre o ser, compreendendo desde seu entendimento da verdade como abertura existencial até o que chama de acontecimento poético da verdade. Heidegger mostrara que a verdade do descobrimento de uma ocultação original, a alétheia grega, que teria permanecido no pensamento grego e à este posterior como o seu impensado, era a verdade existencial do Dasein em sua unidade com o mundo, conforme o projeto de Ser e Tempo de fundar uma lógica filosófica que seria a verdade da lógica dominante, de origem escolástica, tornada mero jogo formal. Heidegger explicitou, então, que o entendimento do ser como constância da presença estabelecido desde a Grécia na metafísica ocidental fora forjado na doutrina platônica da verdade, promovendo, assim, uma concepção da lógica limitada aos sentidos de razão e causa. Pensando associadamente a noção de essência com a noção de verdade, Heidegger propôs um sentido verbal para essência [Wesen], contra a tradicional noção de essencialidade [Wesenheit] da essentia como substância, por sua vez baseada no ser como presença constante [Anwesenheit]. Este projeto de Ser e Tempo não chegou à ser acabado, sendo antes transformado, marcando a ocasião da viragem [Kehre] do pensamento heideggeriano a partir da primeira metade dos anos 1930, onde, orientado pela sua noção de história do ser [Seinsgechichte], investiga o sentido mais original da verdade e do próprio ser, que seria a verdade do ser, desenvolvendo uma nova

131 noção de mundo, de descobrimento e de verdade, que culminará em sua reflexão sobre a essência da linguagem 310. Neste acento na questão do ser enquanto ser, não mais como fundamento mas como a essência da linguagem, o lógos da lógica heideggeriana afasta-se mais radicalmente da tradição normativa da lógica metafísica e da ciência, indo ao encontro do próprio ser como origem, onde a história, antes centrada na temporalização do Dasein, desloca-se para a correspondência do ente humano à uma história do ser e de seus envios destinais. A negatividade do Dasein que sempre fora associada à finitude humana, é pensada agora acentuando a negatividade retrativa do ser na finitude que dá a forma das épocas, onde a essência da verdade seria originada da não-verdade, abrigando ainda a dissimulação e a aparência. Os problemas do niilismo, da obra de arte e a poesia de Hölderlin, aliados ao retorno aos pré-socráticos nesta mesma época, coincidem e orientam sua atenção para o tema do ditado poético [Dichtung], a linguagem nomeadora que traz em primeiro lugar um ente como um ente ao aberto. Este recurso à poesia que vai orientar seu pensamento tardio não aparece diretamente numa reflexão sobre a poesia ou a linguagem, mas, inicialmente, em seu estudo sobre a obra de arte 311. Investigando fenomenológica-hermeneuticamente a questão da verdade em seu retorno à pergunta sobre o ser, o nexo entre arte e verdade estabelecido em A Origem da Obra de Arte, define então a verdade como o pôr-se-em-obra da verdade. Heidegger parte da noção de verdade histórica do ser dos textos de 1930 que radicalizam a rejeição das teorias tradicionais das verdades eternas, para a noção de verdade eventual, onde a obra de arte seria o espaço de doação do acontecimento-apropriativo. Este acontecimento, nos mostra Heidegger, é onde se dá a mais original alétheia no acontecer concreto da abertura histórica do ser na obra, que ao instaurar a verdade, inicial e exemplarmente, se põe-em-obra. Este pôr, que Heidegger associa ao sentido da thesis grega, quer dizer instalar no não-encoberto, que estabelece e faz surgir o ente. A obra de arte é, assim, fenomenológicamente entendida como o vir-à-presença do ente, quando as coisas aparecem pela primeira vez, confrontando Heidegger, assim, a noção de criação como produção individual, favorecida pela tradição. 310 DASTUR, F. Heidegger La question du Logos, p. 10. 311 Cf. em DASTUR, F. Heidegger La question du Logos, introdução.

132 Na compreensão do homem como formador de mundos, mundos que são históricos e finitos, a noção de mundo é repensada articuladamente com uma nova idéia de natureza, que influenciado por Hölderlin e os pré-socráticos é associada por Heidegger à physis grega. À esta noção, que chamou de a terra, corresponderia ao fechado e encoberto da alétheia. Este encoberto estaria numa relação contrariante enquanto polêmica, ao desencoberto do mundo, num combate essencial que define os contornos das coisas que são, no primeiro desencobrir dos entes no traço [Auf-riss] do ajunte da fissura [Riss] entre mundo e terra. A noção de mundo como o mundo das relações cotidianas familiares unificadas pela significação, compreendidas pelo ser-no-mundo que é o Dasein, que excluia qualquer idéia de natureza ou de totalidade dos entes, vai ser repensada nesta época em favor de uma aproximação da idéia grega da physis, como emergir de uma força criadora, que Heidegger conecta com este poder nomeador da palavra poética. Esta passagem da filosofia para a poesia, ocorrida em A Origem da Obra de Arte, que inicia o aprofundamento do diálogo de Heidegger com os poetas e pensadores pré-socráticos, é conduzido pela consideração da possibilidade de uma póiesis artística-técnica, onde arte e técnica estariam unificadas como produção poética, e o proprio pensamento deixaria de ser uma técnica autoprodutora, sendo antes uma tentativa de um pensamento do sentido a partir de uma meditação recuada da maquinação técnica. Este pensamento mais próprio, respeitador do espaçamento entre ser e ente, não seria por sua vez um prelúdio à ação, mas constitui a própria ação decisiva, a partir da qual a relação do homem com o mundo em geral pode unicamente começar a transformar-se 312. Este pensar, que, não sendo nem teórico e nem prático, se abrigaria numa atitude de deixar-as coisas-serem por meio da atitude da serenidade [Gellasenheit], termo utilizado por Heidegger nos anos 1940, constituiria uma lógica originária, o que é reafirmado em 1943-44: A essa lógica mais originária cabe uma ação, que é ao mesmo tempo, um deixar, ou seja, cabe deixar vigorar o ser a partir de sua própria verdade. 313 312 HEIDEGGER, M. Die Herkunft der Kunst und die Bestimmung des Denkens, p.146, citado por BIEMEL, W. Elucidações acerca da conferência de Heidegger A origem da arte e a destinação do pensamento, p.21 313 HEIDEGGER. Heráclito, p. 289.

133 Para Heidegger, a obra de arte, ao pôr em obra a verdade do ser, na abertura de novos horizontes históricos-destinais, nos doa a medida do novo que é, medida esta que, por sua vez, ela recebe do ditado poético. Esta doação, que se marca pela ambiguidade do mostrar-se e ocultar-se, na aparência de uma forma tangível que assinala a verdade epocal pela obra aberta, seria, para Heidegger, a atividade do homem, que, na sua correspondência ao ser, afirma estas diferenças ao colocar em obra a obra a verdade do acontecimento apropriador. Definindo o ponto determinado entre o acabado e o inacabado, o espaço entre nascimento e a morte das épocas, a verdade e a não-verdade, a verdade que se põe-em-obra na obra de arte, concretizaria, assim, o sentido mais pleno da justiça na unidade da ética e do belo, como o ethos original. Enxergando no Dichtung o pro-ducere original no fundo original de todo pensamento e ação, neste pensamento não se configuraria mais como filosofia ou teoria ou ainda contraposto a uma ação, mas como uma prática meditante 314, no exercício do mais alto dos rigores. Este rigor, que se confunde com uma mais exigente e mais original Ética, inseparável nesta definição de Heidegger, de uma Lógica e de uma Física, e que, podemos dizer, estar no instante do acontecer da abertura de um mundo em, e através de, uma grande arte 315, que é como se chamaria a arte essencial que acontece na corespondência entre o humano e o ser, como afirmará Heidegger, anos mais tarde: A Ética surge junto com a Lógica e a Física, pela primeira vez, na escola de Platão. As disciplinas surgem ao tempo que permite a transformação do pensar em Filosofia, a Filosofia em epistéme (Ciência) e a Ciência mesma em um assunto de escola e de atividade escolar 316. Na passagem por esta filosofia, assim entendida, surge a Ciência e passa o pensar. Os pensadores dessa época não conhecem nem uma Lógica, nem uma Ética, nem uma Física. E, contudo, seu pensar não é ilógico e nem imoral. A physis era, porém, pensada por eles, numa profundidade e amplitude, que toda Física posterior nunca mais foi capaz de alcançar. As tragédias de Sófocles ocultam permita-se-me uma tal comparação em seu dizer, o éthos, de modo mais originário que as preleções de Aristóteles sobre a Ética. Uma sentença de Heráclito que consiste apenas em três palavras diz algo tão simples que dela brota e chega à luz, de maneira imediata, a essência do éthos. 317 314 Cf. em NUNES, B. Passagem para o poético, p.281. 315 Sobre a noção heideggeriana de grande arte cf. nota 158 desta dissertação. 316 Heidegger se refere aqui à tripartição platônico-aristotética da lógica entre logikè epistémè, physikè epistémè e ethikè epistémè. 317 HEIDEGGER, M. Carta sobre o humanismo, p.170.

134 A similaridade da meditação de Heidegger sobre os caminhos da arte ocidental, sobre a qual discorreu na sua associação entre arte e verdade, com o diagnóstico hegeliano da morte da arte, foi já apontada por vários autores. Nesta monografia, entendo que Heidegger nos mostra estar a arte já falecida atualmente, no interior da tradição da estética, apoiada que está sobre as noções da obra de arte como objeto de um sujeito. Da morte, qualquer possibilidade de arte não escaparia ao se manter inscrita numa metafísica da subjetividade, de que seria uma suposta expressão dos estados interiores do gênio criador associados ao sujeito contemplador. Hegel estacionara o apogeu da arte enquanto arte, i.e, antes de se transformar em belas artes e experiência estética, em um momento histórico, o que inclui uma concepção progressista e substancialista do tempo, tempo este já passado, que seria o da arte grega e da arte medieval do cristianismo. Heidegger, mesmo reconhecendo o momento grandioso da arte grega, aponta, assim o entendo, para as possibilidades do novo, que, por emergir da obscuridade do mistério da negatividade essencial, não suporta as noções de progresso, sucesso, conciliação e domínio conceitual. O novo seria o imprevisível e incalculável acontecimento, onde a verdade de um novo ser emerge inauguralmente no lugar aberto pela obra de arte. Assinaladando mais uma vez a associação entre arte e verdade no posfácio de A Origem da Obra de Arte, nos diz Heidegger que à transformação da essência da verdade corresponde a história da essência da arte ocidental. Diferenciando obra de arte da proliferação estéril de bens culturais, para Heidegger, a obra, ao mesmo tempo que é por ele reafirmada em sua concretude, não estaria inserida em um tempo e lugar mas seria a origem essencial destes. A verdade que se põe em obra seria, assim, a concretização da possibilidade das coisas serem, de haver mundo, tempo e diferença, contra toda indiferenciação niveladora do pensamento calculativo e dominador da técnica. Como o lugar do próprio acontecimento-apropriativo, onde a verdade apresenta seus envios e dá a medida de toda espacialização, abrindo um novo aí, a verdade pela obra de arte instaurada, encontra na decisão acolhedora da adveniência do passado essencial, o novo acontecer que abre a história, assim, a cada vez.