o Sagrado em Heidegger
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- Maria das Neves Lisboa Aveiro
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3 o Sagrado em Heidegger Acylene Maria Cabral Ferreira* O estudo de Heidegger sobre Holderlin permitiu a ele transitar da questão do sentido e história do ser para esta da linguagem como sentido e história do ser. A partir desse estudo Heidegger incluiu e desenvolveu em seu pensamento as noções de sagrado, clareira, acontecimentoapropriação (Ereignis) e quadripartido (Geviert), que desde então passaram a expressar o sentido de mundo substituindo os conceitos de instrumentalidade, referencialidade e totalidade conjuntural, que expressavam a mundanidade do mundo em Ser e tempo. Mostrar como o quadripartido, o acontecimento-apropriação e o sagrado se interagem para a doação de mundo e em que medida incorporaram os conceitos de manifestação do ser e de temporalização do tempo estabelecidos em Ser e tempo é o propósito desse ensaio. Com esse intuito e com a perspectiva de também mostrar como o sagrado é o meio do qual se origina o quadripartido e o acontecimento-apropriação, fundamentaremos nossas considerações em Ser e tempo (1927), na preleção Hõlderlins Hymne "Andenken"(1941/2) e nas conferências Hõlderlins Erde und Himmel (1959) e Construir, habitar, Pensar (1951). O quadripartido para Heidegger é formado pelo jogo cruzado de essências entre quatro elementos: deuses e mortais, terra e céu. Cada um deles apropria e reflete, no jogo de apropriação de essências, o modo de ser do outro em seu próprio ser, ou seja, cada elemento traz consigo como reserva o que é próprio do outro; dessa maneira podemos * Professora do Departamento de Filosofia da UFBA. Página 9
4 presenciar terra porque deuses, mortais e céu sustentam sua aparição e reciprocamente. O entrecruzamento de céu, terra, deuses e mortais que acontece no interior do jogo de apropriação do quadripartido edifica o mundo. Segundo Heidegger, a edificação do mundo pelo quadripartido acontece devido ao caráter de ligação da quadratura. A quadratura não é um elemento assim como são os deuses, terra, céu e mortais nem se restringe a um desses elementos, antes ela é o meio no qual os quatro podem essencializar-se, isto implica em que ela é o meio no qual o quadripartido acontece. Como o quadripartido é a reunião integradora do entrecruzamento dos modos de ser, que efetiva o mundo ao coapropriar a essência de cada participante do jogo apropriador de mundo, a quadratura, além de ser considerada o meio no qual o quadripartido acontece, pode também ser vista como o "entre" que reúne o cruzamento de deuses, mortais, céu e terra; pois enquanto meio ela tem o caráter de ligação na reunião de essência que se processa "entre" os modos de ser que acontecem no jogo de apropriação do mundo e que estrutura a realidade. Considerando-se que a quadratura é o "entre" que permeia e efetiva o mundo como quadripartido, poder-se-ia dizer que a quadratura é o limite que encerra e determina mundo. "O limite não é onde uma coisa termina mas, [... ] de onde alguma coisa dá início à sua essência." 1 Nessa perspectiva, o "entre" pode ser visto como um limite originário de mundo ou como a quadratura que concede o quadripartido ou ainda como meio no qual se dá o acontecimento-apropriação. Essas considerações nos permitem afirmar, por um lado, que no limite originário modos de ser são apropriados em um outro modo distinto de ser inaugurando uma nova realidade, um novo acontecimento de mundo; e por outro lado, que o quadripartido e o acontecimento-apropriação são um e o mesmo acontecimento: a edificação de mundo. Até o momento enumeramos quatro afirmativas que se mesclam: (i) a quadratura é o meio no qual acontece o quadripartido, (ii) o limite originário é meio no qual se dá o acontecimento-apropriação, (iii) o mundo acontece no "entre" do cruzamento dos quatro no quadripartido e (iv) no aconteci- 1 HEIDEGGER, Martin. Construir, habitar, pensar. In: Ensaios e conferências, p Página 10
5 mento-apropriação o mundo se edifica na coapropriação de essências; dessas afirmativas podemos dizer que na medida em que o quadripartido e o acontecimento-apropriação efetivam mundo, a quadratura é tanto o limite originário que liga os quatro na coapropriação de mundo quanto a localização que estabelece o quadripartido como o lugar que concede mundo, ela é, portanto, a localização de onde mundo começa a ser. A reunião dos quatro, o quadripartido, é o lugar que concede e estrutura mundo. Essa estruturação de mundo Heidegger denominou de espaço. Espaço diz o lugar arrumado [... ]. Espaço é algo espaçado, arrumado, liberado num limite [... ]. Espaço é, essencialmente o fruto de uma arrumação, de um espaçamento, o que foi deixado em seu limite. O espaçado é o que, a cada vez, propicia e, com isso, se articula, ou seja, o que se reúne de uma forma integradora através de um lugar [... ]. Por isso os espaços recebem sua essência dos lugares e não "do" espaço. 2 O quadripartido coincide com o lugar a partir do qual uma realidade vem a ser, ele é o lugar que libera o espaço de estruturação do mundo e que integra mundo numa coapropriação de essências. Desse ponto de vista, mundo é algo espaçado, arrumado, liberado e encerrado num limite originário de acontecimentos. Mas qual é a relação que podemos estabelecer entre o quadripartido, o acontecimento-apropriação e o sagrado? O sagrado pode ser dito o ponto de emanação da quadratura, isto é, o sagrado reúne em si tanto a quadratura quanto o limite originário, sendo assim ele é o meio que atesta a reunião integradora do quadripartido e a coapropriação de mundo, "ele está sobre os homens e sobre os deuses. Os deuses e os homens necessitam um do outro; pois nenhum carrega o viver sozinho." 3 Por isto Heidegger pensou o quadripartido como a apropriação de essência entre deuses e mortais, céu e terra e o acontecimento-apropriação 2 Ibidem, p HEIDEGGER, Martin. HãlderlinsHymne"Andenken", p. 77. Página 11
6 como a unidade de essência entre ser e tempo e ambos como edificação do mundo. "No sagrado reina a harmonia de uma disposição, que sempre permanece mais inicial e mais originária do que qualquer disposição que concorda e determina os homens. [... ] Porque alegria e tristeza se fundamentam no mais originário, no sagrado, alegria e tristeza estão unidas e são uma nesse fundamento." 4 A alegria e a tristeza que em Ser e tempo foram denominadas de disposições afetivas ou humor e se fundamentavam no existencial da disposição, em Andenken se fundamentam no sagrado, no limite originário de modos de ser, na coapropriação de essências que acontece no sagrado. A alegria e a tristeza seriam então um acontecimentoapropriação que guarda sua essência no sagrado. A alegria acontece na medida em que ela apropria a essência da tristeza e vice-versa, isto que possibilita a apropriação de essência entre a alegria e a tristeza é o sagrado, que significa a unidade e o fundamento originário de alegria e tristeza. O sagrado é o meio que conserva e preserva toda relação e modo de ser que na quadratura apropria o quadripartido. Assim o sagrado seria o que é necessário para a efetivação do jogo de apropriação de modos de ser entre deuses, mortais, céu e terra, porque ele envia e estrutura o mundo a partir de um deixar-ser original e essencial. O sagrado como meio originário do acontecimento-apropriação e do quadripartido permanece como princípio inesgotável de um momento inaugural. O sagrado como princípio inesgotável de realidades fundamenta o acontecimento apropriador de mundo no quadripartido, enquanto tal princípio o sagrado se limita no instante de doação de modos de ser. O instante de apropriação que acontece na intimidade do sagrado é o tempo de apropriação do mundo; esse instante ou tempo de apropriação do mundo, permanece no sagrado como um durar. "O tempo do durar é um esperar, que é um modo de transição." 5 É interessante notar aqui que quando Heidegger em Andenken afirmou que o tempo de apropriação é o durar e que esse é um esperar no modo de transição, ele transpôs a problemática e a dinâmica da temporalização do tempo, tratada em Ser e Tempo, para 4 Ibidem, p. 71, HEIDEGGER, Martin. HOlderlinsHymne"Andenken", p. 94. Página 12
7 essa do acontecimento-apropriação e do sagrado. Enquanto em Ser e Tempo a temporalização dá sentido ao ser marcando e distinguindo os diversos modos de ser e assim edificando a realidade como uma unidade composta pela temporalização do tempo e pelo desvelamento do ser, quer dizer, enquanto em Ser e Tempo o mundo é edificado como interseção e co-pertença de ser e tempo; em Andenken o acontecimento-apropriação responde pela unidade do dar-se de ser e de tempo, ou seja, o mundo é constituído pelo acontecimento do ser que apropria o dar-se do tempo e pelo acontecimento do tempo que apropria o dar-se do ser; aí mundo é edificado como dobra e co-apropriação de ser e tempo. O acontecimento do mundo, que em Ser e tempo ganha sentido quando a manifestação e desvelamento do ser é cunhado pelo temporalizar-se do tempo, foi pensado por Heidegger em Andenken (e outros escritos) como o dar-se do acontecimento-apropriação no sagrado, como estabelecimento dos modos de ser em um durar que espera e distingue os diversos modos de ser em seu tempo próprio. Nessa perspectiva, o acontecimento-apropriação e o quadripartido podem ser correlacionados à história do ser e o sagrado, enquanto o meio em que ambos acontecem, como a própria dinâmica da temporalização do tempo. Por que? Porque o durar como esperar é um modo de antecipação de realidades, a espera como tempo de apropriação, seja no quadripartido ou no acontecimento-apropriação, se dá como uma transição de uma realidade para outra, como uma manifestação do ser que acontece em modos distintos de ser devido à temporalização do tempo que os diferencia, quer dizer, que o instante como espera se dá como instauração de realidades, assim o sagrado diz a efetivação do mundo, o dar-se do ser como temporalização do tempo. Como podemos aproximar a questão da temporalização do tempo em Ser e tempo com a questão do sagrado em Andenken? Para pensarmos a aproximação da questão do sagrado com a da temporalização do tempo é importante retomar a noção de que o tempo do durar é um modo de transição e acrescentar em primeiro lugar que "a transição é a resposta dos deuses e dos homens; [e em seguida que] [... ] a unidade do instante não precisa de retomo, porque ela, enquanto vigor de ter sido, é desfavorável à repetição [... ] tudo que vem no instante da unidade Página 13
8 do vigor de ter sido tem sua chegada." 6 Ora se a transição é tanto a resposta dos deuses e dos homens quanto o tempo do durar que é um esperar então fica evidente que o quadripartido e o acontecimento-apropriação se dão como espera. Mas a espera em Ser e tempo não é um caráter de temporalização do porvir? Em Ser e tempo, a temporalização do tempo consolida-se a partir do caráter de antecipação, que é o modo mais originário donde os outros modos de temporalização provêm e se temporalizam. Por isto, a atualidade e o vigor de ter sido se originam do porvir. Para que o vigor de ter sido e a atualidade se temporalizem com propriedade é preciso que apropriem a antecipação. O instante, temporalização própria da atualidade, se temporaliza a partir da antecipação do porvir e o vigor de ter sido se temporaliza na medida em que o instante, como antecipação, retoma, não como repetição, mas sim como uma volta antecipativa às possibilidades não realizadas. Tem-se, portanto, que o modo próprio do porvir é a antecipação, o da atualidade o instante e o do vigor de ter sido a repetição prévia. Em que medida a antecipação é o tempo do durar como espera em Ser e tempo? O tempo do durar como espera que aparece em Andenken tem o mesmo movimento e dinâmica que a temporalização do tempo em Ser e tempo na medida em que o tempo temporaliza-se como porvir, vigor de ter sido e atualidade. Na maior parte das vezes nos temporalizamos como atualização, cuja temporalização atuante é o agora e não o instante. Junto à atualização temos a oportunidade da repetição dos agoras e a expectativa de atualização de possibilidades esperadas; conforme Heidegger esse é o modo de temporalização em que cotidianamente nos encontramos. No entanto, junto aos modos impróprios de temporalização (atender que espera, atualização, esquecimento) em que atuamos no cotidiano encontram-se os modos próprios de temporalização (a antecipação, o instante e a repetição prévia); isto quer dizer que a temporalização própria e imprópria se copertencem e ainda que ambas participam do movimento de coapropriação que acontece no jogo de doação do mundo. Dessa forma, a coapropriação dos modos impróprios de tempora- 6 Ibidem,p. 98,104. Página 14
9 lização, ou seja, a coapropriação de uma espera que gera expectativas, de uma atualização que importa somente o que acontece agora e de uma repetição que pretende voltar para realizar novamente o que já se efetivou de alguma maneira ou para realizar aquilo que não se realizou em um determinado tempo, coapropria concomitantemente os modos próprios de temporalização regidos pela antecipação. Da mesma maneira que deuses e homens, céu e terra coapropriam a essência dos outros para efetivarem-se e trazem consigo nessa efetivação a essência de cada um como reserva, também a temporalização própria e a imprópria coapropriam os modos próprios e impróprios que lhe são inerentes para se efetivarem assim como também cada uma traz consigo como reserva a temporalização pertencente a cada uma delas. Por este motivo, o tempo como "transição é a resposta dos deuses e dos homens", quer dizer, no conceito de tempo como transição acontece a apropriação dos modos de ser enquanto temporalização do tempo. Afinal, que relações podemos estabelecer aqui entre o quadripartido, o acontecimento-apropriação e o sagrado? Tanto em Ser e tempo quanto em Andenken o instante no vigor de ter sido se dá como um retomo às possibilidades mediante a recordação da essência esquecida. O tempo, como transição, que é uma travessia de um acontecimento a outro através da apropriação de mundo, remete para a noção de tempo originário, no qual cada temporalização é um acontecimento finito e limitado, exigindo e abrindo lugar para novos acontecimentos. Isto nos permite afirmar que cada temporalização do tempo tem seu limite em sua temporalização própria e na coapropriação de temporalizações. Como vimos que limite é.() que dá início à essencialização, cada temporalização do tempo se dá como limitada pelo meio em que ela acontece ao mesmo tempo em que abre espaços para novas temporalizações. De acordo com as considerações feitas até o momento é possível afirmar que a questão da temporalização do tempo, do quadripartido, do acontecimento-apropriação e do sagrado encontram-se interligadas na preocupação de Heidegger com o problema da história e esquecimento do ser. Podemos atestar a continuidade do pensamento heideggeriano em relação a história do ser, que aparece em Ser e Tempo e em outras obras, com uma citação retirada de Página 15
10 Andenken: "o acontecimento-apropriação é a própria história [... ] é a história do sagrado"7; é a historia das manifestações do ser em modos de ser que acontecem e se diferenciam em épocas, devido ao caráter de temporalização do ser. Nesse sentido, a história do ser se faz como uma história de temporalizações. A coapropriação dos modos de ser provém da coapropriação de temporalizações edificando o mundo e fundando a história do ser. Em Ser e tempo a história do ser compõe-se das diversas manifestações do ser que são impressas pelas temporalizações do tempo, já em Andenken e outras obras a história do ser aparece através das noções de quadripartido e de acontecimento-apropriação que acontecem no sagrado. Poder-se-ia acrescentar que a dinâmica da temporalização do tempo tratada em Ser e tempo foi abarcada e transmutada no conceito de sagrado. A partir daí a dinâmica de doação de mundo advém do sagrado como meio em que o acontecimento-apropriação e o quadripartido acontecem enquanto jogo apropriador de mundo e efetivador da realidade; como o "entre" (a abertura na qual o mundo se edifica) e como o limite originário da história das manifestações do ser e da edificação do mundo. Referências Bibliográficas HEIDEGGER, Martin. Erlauterungen zu Holderlins Dichtung. Frankfurt am Main: Vitlorio KIostermann, Holderlins Hymne "Andenken". Frankfurt am Main: Vittorio KIostermann, Ensaios e conferências. Tradução de Emmanuel Carneiro Leão, Gilvan Fogel e Márcia Schuback. Petrópolis: Vozes, Ser e tempo. Tradução de Márcia Cavalcante. Petrópolis: Vozes, (Parte II). Página 16
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