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Transcrição:

Metodologia Científica A construção do conhecimento Breve histórico da ciência Tipos de ciência Tipos de pesquisa Raciocínios indutivo e dedutivo Problematização Dorotéia Rossi Silva Souza Depto. de Biologia Molecular - FAMERP

Tipos de Ciência Formais Empírico-Formais Humanas

FORMAIS PARADGIMA OBJETO VERDADE CIENT. Matemática Sem existência concreta Relações entre as coisas indicadas pelas operações: + - x / (resultado é obtido de maneira necessária impossível errar!) Verdade é coerência. CRITÉRIO CIENTIF. (atingir o conheci/o) Racionalidade: buscar a verdade pela razão EMPÍRICOFORMAIS HUMANAS (?) Etmologia Antropologia C. da linguagem Física (exige matéria e seres concretos implica em um olhar para fora coisas objetos Existência Concreta (Ob-jeto = o que está diante dos olhos; o que está fora observado de maneira dinâmica: aqueci/o, ebulição /evaporação X observação ) Correspondência entre o observado (pensamento) e o verificado (real) Experiência (instrumentos de observação transformam dados obs. em fórmulas como expressões abstratas de uma estrutura concreta) De Realidade Fenômeno humano (X pureza da estrutura M e objetividade da EF) Há coincidência entre objeto e sujeito do saber Busca do consenso (crítica reflexão, além da auto-crítica narcisismo!) Criticidade Rezende AM. Psicanálise e filosofia : a Questão da verdade. Ide, 14:21-24, 1987.

Ciências Humanas exige atitude crítica É na medida que suporto a crítica que tenho uma vida além do espelho do imaginário, uma vida cultural e propriamente humana. A cultura é negação da natureza em vista da humanização. É por isso que as ciências humanas não são naturais. Elas dizem não a natureza para introduzirem o simbólico como lugar do homem. Uma crítica verdadeira supõe a intervenção do outro. As diversas interpretações (interpretar é tentar dizer em quantos sentidos há sentido) só têm garantia de cientificidade no confronto. Portanto, a verdade nas ciências humanas é a busca do consenso Con = multiplicidade; Senso = sentido. Rezende AM. Psicanálise e filosofia das ciências: a questão da verdade. Ide, 14:21-24, 1987.

Tipos de Pesquisa Quantitativo Qualitativo

Quantitativo Ciências da Natureza (4 séculos) Ciência Moderna Galileu Galilei - 1564/1642 Conhecer a causa dos x Qualitativo Ciências do Homem (+ 1 século) Período do Historicismo Conhecer os sentidos e as significações dos fenômenos ligados à vida do homem (preocupação remota filosofia) fenômenos naturais Objeto natureza Objetivo Leis Método quantificação Wilhelm Dilthey (1833-1911) (filósofo e historiador alemão) Explicar a natureza, mas compreender o Homem! Representante da oposição à corrente positivista Insistiu nas grandes Visão ainda reducionista da realidade, pois se atinha aos aspectos meramente quantitativos (mecanicismo). Método das ciências experimentais não compreensão dos fenômenos referentes ao homem e sua cultura. Turato, 2000 - III Forum de Psiquiatria do Interior Paulista diferenças entre homem e natureza como objeto de estudo Malinowski (1884-1942) Antrop. polonês Pioneiro na Metodologia Cient. Qual. Compreender interpretando os fenômenos, as relações entre eles, conhecer Como.

Pesquisa Quantitativa x Qualitativa Quantos pais consultariam um médico quando seu filho estivesse febril? Qual a proporção de fumantes que tentaram abandonar o cigarro? Respostas? Pesquisa quantitativa Por que alguns pais se preocupam tanto com a temperatura de seus filhos? O que faz as pessoas abandonarem o cigarro? Respostas? Pesquisa qualitativa Ouvir o que as pessoas têm a dizer. Explorar as idéias e colocações que os sujeitos deixarem surgir. Greenhalgh T. How to read a paper, 1997

Pesquisa Quantitativa X Qualitativa Uma criança corre no jardim e diz excitada: Mamãe as folhas estão caindo das árvores. Conte-me mais, diz a mãe. Bem, 5 folhas caíram em 1h, portanto, 10 folhas caíram em 2h... Será um pesquisador quantitativo! Uma outra criança quando a mãe disse conte-me mais poderia dizer: Bem, as folhas são grandes e chatas e geralmente amareladas ou vermelhas e parecem cair de algumas árvores, mas não de outras. E mamãe, porque as folhas não caíram no mês passado? Será um pesquisador qualitativo! Greenhalgh T. How to read a paper, 1997

Pesquisa Quantitativa X Qualitativa Fatores dietéticos e câncer oral: estudo caso-controle na Região Metropolitana de São Paulo, Brasil Marchioni et al.cad. Saúde Pública vol.23 no.3 Rio de Janeiro Mar. 2007 O parto como eu vejo... ou como eu o desejo?: expectativas de gestantes, usuárias do SUS, acerca do parto e da assistência obstétrica. Hotimsky et al.cad. Saúde Pública, Sept./Oct. 2002, vol.18, no.5, p.1303-1311.

Raciocínios da Ciência Métodos Indutivo Conhecimento derivado dos dados da observação. e Dedutivo Conhecimento derivado da formulação de hipóteses a serem verificadas experimentalmente.

DEDUTIVO INDUTIVO Mostra idéias depois testa Coleta dados depois generalizações Particular Geral Geral Particular Todos policiais são autoritários João é um policial Logo, João é autoritário Raciocínio Premissa 1: Policial A = autoritário Premissa 2: Policial B = autoritário Premissa 3: Policial C = autoritário Premissa 4: Policial D = autoritário Conclusão: Policial E é autoritário (João) (Policial) (autoritário) Autoritário = policial Raciocínio Policial = João Por indução Logo, João = autoritário passado se repetirá no futuro se aconteceu no

Dedutivo x Indutivo Estresse aumenta a chance de doença, então determinado indivíduo estressado contrairá mais facilmente uma enfermidade. (Generalização Particular) Observação Indivíduos estressados contraíram a doença (1+1+1...) Então o estresse facilita a instalação dessa doença na população. (Particular Generalização) Conclusão ultrapassa o conteúdo das premissas Vantagem! Suscetível a erro! Mas * No âmago dessa incerteza a ciência tem conseguido progredir Volpato G. Ciência: da filosofia à publicação. 4 ed. Botucatu:Tipomic, 2004

Raciocínio Dedutivo Derivações Cientista tem leis e teorias universais à sua disposição possível derivar delas várias conseqüências que servem como explicações e previsões. Os metais se expandem quando aquecidos. Logo... Trilhos contínuos de ferrovias não interrompidos por pequenos espaços se alterarão pelo calor do sol. 1. A água razoavelmente pura congela à cerca de 0 C. 2. O radiador de meu carro contém água razoavelmente pura. 3. Se a temperatura cair abaixo de 0 C, a água no radiador do meu carro vai congelar. Chalmers AF. O que é ciência afinal? São Paulo: Brasiliense, 1993.

ARGUMENTO PREMISSAS* * Cada uma das proposições de um silogismo (dedução) * Afirmações de caráter geral ou particular que sustentam uma justificativa para a conclusão Argumento: 6 enunciados 5 premissas / 1 conclusão do argumento 1. Eis um grande chapéu 2. Alguém é dono deste chapéu 3. Os donos de grandes chapéus têm cabeças grandes 4. Pessoas de cabeças grandes têm cérebros grandes 5. Pessoas com cérebros grandes são intelectuais 6. O dono deste chapéu é um intelectual Oliveira SL. Tratado de metodologia científica. São Paulo: Pioneira, 1997

Método Dedutivo A lógica e a dedução por si só não podem estabelecer a verdade de afirmações factuais. Tudo o que a lógica pode oferecer a esse respeito é que, se as premissas são verdadeiras, então a conclusão deve ser verdadeira. Mas, se as premissas são ou não verdadeiras é uma questão que não pode ser resolvida com um recurso à lógica. Um argumento pode ser uma dedução perfeitamente lógica, mesmo que envolva uma premissa que é de fato falsa. 1. Todos os gatos têm cinco patas. 2. Bugs é meu gato. Dedução perfeitamente válida! (mesmo 1 e 3 sendo falsas) 3. Bugs tem cinco patas. PORTANTO... Chalmers AF. O que é ciência afinal? São Paulo: Brasiliense, 1993.

Método Dedutivo A lógica dedutiva sozinha, então, não funciona como uma fonte de afirmações verdadeiras sobre o mundo. A dedução está relacionada com a derivação de afirmações de outras afirmações dadas. Para um indutivista, a fonte da verdade não é a lógica, mas a experiência. Chalmers AF. O que é ciência afinal? São Paulo: Brasiliense, 1993.

Método Indutivo É o processo de construir generalizações universais a partir da observação de casos particulares. Apresenta 3 fases: * Observação * Descoberta da relação *Generalização entre os fatos da relação A maçã cai. Objetos caem. Todos os objetos caem. Volpato, 2001

David Hume (século XVIII) O problema da indução: Não se consegue verdade por esse processo. Por mais que um determinado evento venha se repetindo em dadas condições, nada garante que ele se repita no momento seguinte. A indução não pode ser justificada puramente em base lógicas.

D N I O M S I IV T U Solução ao problema da indução A indução não garante a verdade das conclusões, mas inferências prováveis. Se os dados não confirmam uma conclusão não podem garantir a verdade dessa conclusão, mas dados que negam a conclusão, ao contrário, garantem sua falsidade. Falseacionismo *Tem-se certeza apenas da falsidade de uma proposição universal *

INDUTIVO X DEDUTIVO LEIS E TEORIAS O ÇÃ U Fatos adquiridos pelas observações ED D IN D Ç U O Ã Previsões e explicações

Método Dedutivo X Indutivo Há filósofos da ciência que apegam-se a apenas um desses métodos (dedutivo ou indutivo). Alguns chegam a propor que... Volpato G. Ciência: da filosofia à publicação. 4 ed. Botucatu:Tipomic, 2004

Muitas vezes a crença é ilusória e leva o indivíduo a excluir todas as outras possibilidades.

A ciência se inicia com problemas, um problema significa que há algo errado ou não resolvido com os fatos. O seu objetivo é descobrir uma ordem invisível que transforme os fatos de enigma em conhecimento. Alves R. Filosofia da ciência. São Paulo: Ars Poética, 1996.

Formulação do Problema Para bem formular o problema, supõem-se conhecimentos prévios do assunto, além de uma imaginação criadora que, em grande parte é responsável pelo progresso das ciências. Desde Einstein, acredita-se que é mais importante para o desenvolvimento da ciência saber formular problemas do que encontrar soluções. Cervo e Bervian. Metodologia Científica, 1978.

Formulação do Problema Vantagens 1. Ao formular uma pergunta sabe-se com exatidão o tipo de resposta a ser procurado. 2. Pesquisador é levado a reflexão benéfica e proveitosa sobre o assunto. 3. Um problema ou uma pergunta fixa roteiros para coleta de dados e levantamento bibliográfico. Cervo & Bervian. Metodologia Científica, 1978.

Problematização René Descartes: Divide-se um problema em tantas partes quantas necessárias para bem resolvê-lo. # Número # Qualidade das questões e respostas dependem da extensão e profundidade do domínio já existente a respeito do assunto. Curiosidade pessoal Questionário Instrumento de problematização. Santos AR. Metodologia Científica. 2ed. Rio de Janeiro: DP&A, 1999.

DO TEMA AO PROBLEMA PERGUNTAS - CHAVE QUEM? O QUÊ? QUANDO? COMO?

PROBLEMATIZANDO TEMA: Lombalgia??? Que fatores provocam a lombalgia? Qual é a eficácia da infiltração da articulação interapofisária no tratamento da lombalgia? A delimitação do problema guarda estreito vínculo com os meios disponíveis para a investigação. Gusmão S, Silveira RL. Redação do trabalho científico na área biomédica. Rio de Janeiro: Revinter, 2000.

As mulheres devem tomar hormônios após a menopausa? Questões mais específicas: 1. Com que freqüência as mulheres tomam estrógenos após a menopausa? 2. Tomar estrógenos após a menopausa diminui a chance de desenvolver doença coronariana? 3. Há outros benefícios e malefícios da terapia estrogênica?

Rev. Bras. Ginecol. Obstet. vol.27 no.5 Rio de Janeiro May 2005 Tratamento da lombalgia e dor pélvica posterior na gestação por um método de exercícios Roseny Flávia MartinsI; João Luiz Pinto e SilvaII O método dos exercícios stretching global ativo (SGA) pode resolver mais efetivamente as dores lombares e ou pélvicas posteriores durante a gestação, comparado às orientações médicas?

Rev. Bras. Ginecol. Obstet. vol.23 no.4 Rio de Janeiro May 2001 Linfedema em Pacientes Submetidas à Mastectomia Radical Modificada Ruffo de Freitas Júnior, Luiz Fernando Jubé Ribeiro, Lúcia Taia, Dáissuke Kajita, Marcus Vinícius Fernandes, Geraldo Silva Queiroz 1. Qual a freqüência de linfedema em pacientes tratadas cirurgicamente para câncer de mama? 2. O tipo de cirurgia, a idade e o peso das pacientes com câncer de mama podem influenciar na presença de linfedema após a cirurgia realizada como tratamento?

Depois de formulado o problema Resposta provisória ao problema Enunciado geral da relação entre variáveis, com verificação por meio do experimento Geralmente elaborada a partir de observações dos resultados de outra pesquisa ou deduzida de teorias

Variáveis Características que variam de sujeito a sujeito Decorrentes da hipótese: As mulheres que recebem estrógeno após menopausa têm menos doenças cardiovasculares que as demais. Independente Afeta outra variável (ex: terapia hormonal) Dependente sofre ação (ex: doenças cardiovasculares) VARIÁVEIS Servem para explicar ou encontrar respostas para o problema.

Problema Quais fatores influenciam o desenvolvimento de peixes? Hipótese - Fatores ambientais como ph, T e níveis de oxigênio ambiental influenciam o ganho de peso em peixes. Palavras-Chave - ph, T, oxigênio, peixes, fatores abióticos, crescimento, peso Modificado de Volpato G. Ciência : da filosofia à publicação. Jaboticabal: Funep, 2000.

Hipótese Palavras-Chave Revisão Bibliográfica Atenção Levantamento bibliográfico de acordo com a idéia central da pesquisa Considerar 2 elementos da hipótese To X Crescimento ph X Crescimento Oxigênio X Crescimento Investigação prioritária sobre peixes Outros grupos de animais amplia poder de discussão dos resultados e elaboração das conclusões Modificado de Volpato G. Ciência : da filosofia à publicação. Jaboticabal: Funep, 2000.

Revisão de Literatura Volume grande de textos? Assunto (título e resumo) Selecionar a leitura Artigos em revistas de renome internacional Revistas de renome reduz chance do leitor de gastar tempo lendo artigos equivocados Grande competição: reduz possibilidade de artigos de má qualidade Revistas de baixa qualidade: garantir cada volume seleção? (Volpato, 2002)

Curiosidade envolvimento execução Questões sociais? pesquisa financiada Adequação entre técnicas disponíveis e necessárias Relevância teórica ou prática do tema (óbvio?) Certeza objetivo escolhido é suficiente para ser aceito para publicação nas melhores revistas? Volpato G. Ciência : da filosofia à publicação. Jaboticabal: Funep, 2000.

Sujeito do Estudo Planejamento Experimental Local de Publicação Redação OBJETIVO Literatura Relevante Análise dos Resultados Conclusões Discussão Volpato G. Ciência : da filosofia à publicação. Jaboticabal: Funep, 2000.

Avaliar a efetividade do método dos exercícios stretching global ativo (SGA) comparativamente as orientações médicas para resolver as dores lombares e ou pélvicas durante a gestação. palpação da musculatura espinhal, amplitude de movimento do tronco avaliação da dor pélvica e lombar

Avaliar a freqüência de linfedema em pacientes tratadas cirurgicamente para câncer de mama e sua relação com o tipo de cirurgia, idade e peso das pacientes. Mastectomia radical modificada pela técnica de Patey e Dyson ou Madden Linfedema do membro superior Distribuição em subgrupos de acordo com peso e faixa etária.

O Trabalho Científico 1. Do tema ao problema Introdução 2. Hipótese / Variáveis Objetivo 3. Objetivo Material e Método 4. Estruturação do trabalho Resultados 5. Resumo Discussão 6. Conclusão Título Referências Bibliográficas

Todo trabalho científico busca a solução para um problema, que é expresso por uma ou mais perguntas! Qual é a sua pergunta?

Tema / Problema / Hipótese / Variáveis Tema: Lombalgia na gestação Problema: O método dos exercícios stretching global ativo (SGA) pode resolver mais efetivamente as dores lombares e ou pélvicas posteriores durante a gestação, comparado às orientações médicas? Hipótese: Exercícios de alongamento muscular para gestantes utilizando o método stretching global ativo (SGA) podem reduzir a dor pélvica e lombar confirmada por alívio à palpação da musculatura espinhal e maior amplitude de movimento do tronco em comparação ao grupo apenas com orientação médica. Variável independente: orientação médica Exercícios stretching global ativo (SGA), Variável dependente: dor lombar, dor pélvica, amplitude de movimento do tronco.